31 de mai de 2010

Imagem de agrupamento de galáxias

O Observatório Europeu do Sul (ESO) divulgou uma imagem que registrou milhares de galáxias, inclusive um grupo massivo de galáxias conhecido como Abell 315. O que pode ser visto desse agrupamento é uma fração da matéria ordinária, assim como a maioria dos grupos de galáxias, seria dominado por matéria escura em sua formação. A imagem foi captada pelo observatório La Silla, no Chile, que é administrado pelo ESO.  A luz de alguns desses conglomerados de estrelas viajou 8 bilhões de anos até chegar a nós. Quando olhamos para o céu a olho nu podemos notar apenas as estrelas da Via Láctea e alguns de suas vizinhas mais próximas. Galáxias mais distantes apresentam um brilho muito fraco para serem percebidas pelo olho humano, mas, se pudéssemos vê-las, elas literalmente cobririam o céu.

A imagem divulgada pelo ESO mostra um campo vasto que passou por uma longa exposição para poder mostrar milhares de galáxias que enchem o céu em uma área que, do nosso ponto de vista, seria equivalente ao tamanho da Lua cheia. Algumas galáxias estão relativamente próximas, o suficiente para distinguirmos seus braços em espiral ou halos elípticos, principalmente na área superior da imagem. As menores, que parecem apenas com gotículas, ou pontos, estão a uma distância de 8 bilhões de anos-luz. O agrupamento de galáxias pode ser visto da região central descendo até um pouco para esquerda e abaixo, onde podem ser vistas diversas luzes amareladas, a dois bilhões de anos-luz da Terra, na constelação de Cetus. O ESO explica ainda essas galáxias são mantidas unidas pela gravidade para formar esses agrupamentos, que por sua vez são as maiores estruturas conhecidas no Universo.

A parte visível das galáxias contribui com apenas 10% da massa desses agrupamentos, o gás quente que fica entre elas contribui com mais 10% e os 80% restantes seriam de matéria escura. Apesar de não poder ser vista, a presença da matéria escura é revelada pelo efeito gravitacional, que atua na luz de galáxias que estão atrás do agrupamento, como se fosse um vidro gigantesco, e faz com que elas pareçam distorcidas ao serem observadas. É por causa dessa distorção que os astrônomos conseguem deduzir qual é a massa desses grupos de galáxias, mesmo que a maior parte da massa seja invisível.
Fonte: (ESO)

Planeta realiza órbita em menos de 18 horas

© Reuters (planeta 55 Cancri e, concepção artística)
Uma nova análise realizada por cientistas nos EUA mostra que um planeta consegue dar uma volta completa ao redor de seu sol em menos de 18 horas. O planeta, chamado 55 Cancri e, já era conhecido por cientistas há vários anos. Ele possui uma massa muito maior que a da Terra e orbita uma estrela como o Sol. Pesquisadores do Centro Harvard-Smithsonian de Astrofísica em Cambridge, em Massachusetts (EUA), descobriram que falhas em observações da órbita do planeta podem ter levado a conclusões erradas. Pensava-se que 55 Cancri e levava três anos para orbitar seu sol, SWEEPS-10. A nova análise, porém, indica que o planeta leva 17 horas e 41 minutos. Há indícios de que outro planeta no mesmo sistema possa realizar uma órbita em um tempo ainda menor, mas sua existência ainda não foi confirmada. Se um planeta pudesse completar uma volta ao redor do Sol (do sistema solar terrestre) a uma distância equivalente ao raio do Sol sem queimar, esse planeta levaria três horas para completar uma volta. Planetas orbitando astros mais compactos, como anãs brancas, pulsares e buracos negros, podem completar voltas em tempos menores, pois podem se aproximar mais desses objetos. Não há, contudo, confirmação da existência de planetas orbitando anãs brancas e buracos negros.
Fonte: New Scientist

28 de mai de 2010

Buraco espacial intriga cientistas

O que se imaginava ser uma nuvem escura e fria na constelação de Órion na verdade é um “vazio” espacial

 O trecho escuro na parte esverdeada da imagem é um "vácuo" espacial, recentemente descoberto pelo telescópio Herschel
Um telescópio europeu em órbita encontrou algo inusitado enquanto procurava por estrelas jovens: um verdadeiro buraco espacial. Ele fica na nebulosa NGC 1999, uma nuvem brilhante de gás e poeira na constelação de Órion. A nebulosa brilha com a luz de uma estrela próxima. O telescópio Hubble a fotografou pela primeira vez em dezembro de 1999. Na época, presumiu-se que um ponto escuro da nuvem era uma bolha mais fria de gás e poeira, que de tão densa bloquearia a passagem da luz. Mas novas imagens do observatório Herschel, da Agência Espacial Europeia, mostram que a “bolha” na verdade é um espaço vazio. Isso porque o observatório capta imagens infravermelhas, o que permite que o telescópio veja além da poeira mais densa e enxergue os objetos dentro da nebulosa. Mas até mesmo ao Herschel, o ponto estava preto. Os astrônomos acreditam que o buraco, medindo 0,2 anos-luz, foi feito pelo processo tumultuoso de nascimento de uma estrela embrionária vizinha, chamada V380 Ori. Esta proto-estrela já é 3,5 vezes o tamanho do Sol. O time que fez a descoberta acredita que a V380 Ori está sinalizando sua quase maturidade ao projetar rapidamente colunas de gás de seus pólos, que estão destruindo qualquer material remanescente da formação da estrela. “Achamos que a estrela está lançando um jato na velocidade de centenas de quilômetros por segundo, e é ele que está causando o ‘buraco’ na nuvem vizinha,” disse Tom Megeath, que coordenou a pesquisa pela University of Toledo, em Ohio, nos Estados Unidos. “Essencialmente, esses jatos de gás estão sendo projetados e eles acabam com todo o gás e poeira.”

Herschel e os buracos

Megeath comentou que o telescópio que descobriu o buraco é batizado em homenagem ao astrônomo William Herschel, que viveu no século XIX. Em suas catalogações do céu noturno, Herschel registrou diversos trechos escurecidos que ele imaginou que fossem buracos, mas na verdade eram apenas nuvens escuras. “Daí em diante, sempre que se via o que parecia um buraco espacial, se presume que são nuvens,” explicou. “Chega a ser irônico que agora, quase 150 anos depois, um telescópio chamado Herschel viu algo que todos achavam que era uma nuvem, e na verdade era um buraco de verdade”. 
Fonte: Último Segundo

Sistema estelar Rho Ophiucus, Nebulosa Cabeça de Cavalo Azul e Nebulosa de Reflexão Sharpless 1

As nuvens que circundam o sistema estelar Rho Ophiucus compoem uma das regiões de formação de estrelas mais próximas de nós. O próprio Rho Ophiucus é um sistema estelar binário visível na região de cores mais vivas do lado direito da imagem. O sistema estelar, localizado a apenas 400 anos-luz de distância, pode ser distinguido por seu colorido entorno, que inclui uma nebulosa de emissão vermelha e inúmeras faixas de poeira clara e marrom escuro. Perto do canto superior direito do sistema de nuvens moleculares encontra-se a estrela amarela Antares, enquanto um distante, mas coincidentemente superposto aglomerado globular de estrelas, M4, encontra-se visível entre Antares e a nebulosa de emissão vermelha. Perto da porção inferior da imagem está IC 4592, a Nebulosa Cabeça de Cavalo Azul. O brilho azul que circunda o olho da Cabeça de Cavalo Azul, e outras estrelas na imagem, é uma nebulosa de reflexão composta de partículas finas de poeira. Do lado esquerdo da imagem acima está uma nebulosa de reflexão posicionada num ângulo geométrico, catalogada com o nome de Sharpless 1. Aqui, a estrela brilhante perto do redemoinho de poeira cria a luz da nebulosa de reflexão que a circunda. Embora muitas dessas características sejam visíveis através de um pequeno telescópio apontado para as constelações de Ofiúco, Escorpião e Sagitário, o único meio de ver os complexos detalhes dos turbilhões de poeira, conforme aparecem acima, é usando uma câmera em longa exposição.
Créditos: APOD

27 de mai de 2010

Descobertos mais berçários de estrelas no interior da Via-Láctea

Cientistas vão usar regiões para analisar a evolução da nossa galáxia
Ilustração da Via-Láctea, galáxia da qual fazemos parte. Divulgação/Nasa-JPL-Caltech
Astrônomos descobriram na Via-Láctea um grande número de regiões, até então desconhecidas, onde estrelas gigantes estão nascendo. A descoberta, dizem seus autores, oferece novas informações sobre a estrutura da galáxia da qual a Terra faz parte e pode trazer pistas sobre sua composição química. "Podemos relacionar claramente a localização desses pontos de formação de estrelas à estrutura maior da galáxia. Estudos posteriores permitirão entender melhor o processo de formação de estrelas e comparar a composição química desses locais em diversas distâncias do centro galáctico", disse, em nota, o astrônomo Thomas Bania, da Universidade de Boston. O trabalho realizado por Bania e colegas foi apresentado na reunião da Associação de astronomia dos EUA, em Miami. As regiões formadoras de estrelas que os autores buscaram, chamadas H II, são locais onde os átomos de hidrogênio têm seus elétrons arrancados pela radiação intensa das estrelas jovens e grandes. Para encontrar essas regiões, escondidas pelo gás e poeira da Via-Láctea, os pesquisadores se valeram de telescópios de infravermelho e rádio. Eles encontraram concentrações dessas áreas na extremidade da barra central da galáxia e em seus braços espirais. A análise mostrou que 25 regiões estão mais distantes do centro galáctico que o Sol.
Fonte:Estadão

Estudo: explosão de raios-X era buraco negro "comendo"

Duas imagens (em destaque) mostram que antes de 2006 (na imagem à esquerda) o buraco negro no centro da galáxia de Andrômeda estava "calmo". Mas, em janeiro daquele ano (direita), ocorreu uma explosão de raios-X e foi observado mais uma fonte de matéria no buraco negro. Estudo indica que essa explosão foi resultado de uma grande captura de matéria
 
Um estudo que analisou imagens registradas em raio-X pelo telescópio Chandra em mais de 10 anos de um buraco negro no centro da galáxia de Andrômeda indica que de 1999 até janeiro de 2006 esse buraco negro passou por um período "calmo", mas, em 6 de janeiro de 2006, ele começou a aparecer 100 vezes mais brilhante nas imagens, o que indica uma explosão de raios-X. Segundo a pesquisa, essa mudança indica uma taxa relativamente alta de matéria sendo absorvida, ou seja, que o buraco negro estava "comendo". De acordo com a administração do Chandra, antes de 2006, eram claramente visíveis três fontes de matéria que era capturada pelo buraco negro, mas, após a mudança na intensidade, foi observado mais uma fonte produzida por essa matéria que estava sendo absorvida. Após o evento, o buraco negro novamente entrou em um estado mais "calmo", mas ainda assim ele estava cerca de 10 vezes mais "brilhante" que antes de 2006. Segundo os cientistas, é a primeira vez que um evento desse tipo é observado em uma galáxia próxima à Via Láctea. Assim como o buraco negro do centro de Andrômeda, o da Via Láctea é surpreendentemente calmo. Na verdade, de acordo com os pesquisadores, o buraco negro de Andrômeda é entre 100 e 1000 vezes mais fraco - quando observado em raio-X - do que os astrônomos esperavam.
Fonte:Terra

26 de mai de 2010

Astrônomos encontram buraco negro gigante fora do lugar

Objeto supermassivo pode ter sido deslocado com a fusão de dois buracos negros menores
 Uma equipe de astrônomos dos Estados Unidos e do Reino Unido descobriu que o buraco negro supermassivo no centro da galáxia de maior massa da vizinhança da Via-Láctea, M87, não está onde deveria. A pesquisa, realizada com a ajuda do telescópio Espacial Hubble, conclui que o buraco negro gigante de M87 foi deslocado do centro da galáxia. A causa mais provável do deslocamento é a fusão entre dois buracos negros mais antigos e de menor massa. "Mas também descobrimos que o famoso jato de M87 pode ter empurrado o buraco negro para fora do centro", diz, em nota, o principal autor do estudo, Daniel Batcheldor, da Florida Tech. O estudo de M87 é parte de um projeto mais amplo envolvendo o Hubble e que é dirigido pelo físico Andrew Robinson. "O que talvez seja mais interessante... é a possibilidade de termos encontrado um sinal de fusão, o que é interessante para pessoas que buscam ondas gravitacionais", disse Robinson. "A previsão teórica é que quando dois buracos negros se fundem, o buraco negro combinado leva um 'chute' por causa da emissão de ondas gravitacionais, que pode deslocá-lo". O físico David Merritt acrescenta que uma vez impulsionado, um buraco negro pode levar milhões ou bilhões de anos para retornar ao repouso, principalmente no centro de uma galáxia de densidade baixa como M87. Jatos de material como o emitido por M87 são comumente encontrados em uma classe de objetos conhecida como Núcleos Galácticos Ativos. Acredita-se que buracos negros supermassivos podem se tornar ativos como resultado da fusão entre galáxias, na queda de material para o centro da galáxia e na fusão subsequente de buracos negros. A pesquisa foi apresentada na reunião da Associação de astronomia dos EUA, em Miami, e será publicada no periódico Astrophysical Journal Letters.
Fonte:Estadão

25 de mai de 2010

NGC 6188 e NGC 6193

NGC 6188 é um carrossel interestelar de jovens estrelas azuis, gás vermelho e quente, e poeira escura e fria. A uns 4,000 anos-luz no disco da nossa Galáxia, NGC 6188 é o lar da associação Ara OB1, um grupo de jovens e brilhantes estrelas cujo núcleo forma o enxame aberto NGC 6193. Estas estrelas são tão brilhantes que parte da sua luz azul é reflectida pela poeira interestelar formando o tom azul difuso na parte de cima da imagem. O enxame NGC 6193 formou-se há aproximadamente três milhões de anos a partir do gás dos arredores, e parece irregularmente rico em próximos sistemas estelares binários. O brilho vermelho visível por toda a foto deriva do hidrogénio gasoso aquecido pelas brilhantes estrelas em Ara OB1. O pó escuro que bloqueia uma parte da luz de NGC 6188 foi provavelmente formado nas atmosferas exteriores de estrelas mais frias e em material ejectado por supernovas.
Crédito: Astrostudio

24 de mai de 2010

O Sol dentro da Via Láctea

Todos sabem que aproximadamente a cada 28 dias, a Lua completa uma volta ao redor da Terra. Também é de conhecimento básico que a Terra, junto com a Lua, executa o movimento de translação ao redor do Sol, que leva 365.25 dias para ser completado. Aliás, não é só a Terra que circunda o Sol, mas todos os planetas, luas, asteróides e satélites executam esse movimento de translação. O que poucos sabem, no entanto, é que nosso Sol, com tudo que gira ao seu redor, também circunda alguma coisa, mas essa "coisa" está tão longe que nós nem percebemos o movimento. Estamos falando do centro a Via Láctea, ao redor do qual o Sol e mais de 200 bilhões de estrelas giram.
 
Toda a Via Láctea descreve um movimento de rotação ao redor de um ponto central, mas seus componentes não se deslocam à mesma velocidade. As estrelas que estão mais distantes do centro movem-se a velocidades mais baixas do que aquelas que estão mais próximas. Nosso Sol descreve uma órbita praticamente circular em torno da Via Láctea e sua velocidade de translação é de 225 km/s. Para dar uma volta completa ao redor do centro da Galáxia, o Sol leva aproximadamente 200 milhões de anos. Como a idade da nossa estrela é de 4.5 bilhões de anos, podemos afirmar que desde que existe, o Sol já deu 22 voltas ao redor da Galáxia.
 
A Via Láctea é uma galáxia espiral formada por 4 braços maiores - Perseu, Norma, Crux-Scutum e Carina-Sagitário - e os braços menores de Órion e Cignus. Atualmente, o Sol ocupa uma posição na periferia da Via Láctea, conhecida como Braço de Órion, distante cerca de 27 mil anos-luz do centro galáctico. Até 1953 os astrônomos não tinham conhecimento da existência dos braços da Via Láctea. A observação da estrutura espiralada era obstruída pela poeira estelar, além de ser dificultada por ser feita de dentro da própria Galáxia.
 
Segundo o modelo proposto pelo astrofísico Robert Benjamin, da Universidade de Wisconsin, a Via Láctea possui apenas dois braços principais: Perseus e Scutum-Centaurus, sendo os demais braços reclassificados como braços menores ou ramificações. Centaurus e Perseus contêm uma enorme concentração de estrelas jovens e brilhantes. Como vimos, a Via Láctea é classificada como sendo uma galáxia espiral e seus braços giram em torno do núcleo à semelhança de um grande cata-vento. Em seu interior, nosso Sol não passa de um minúsculo grão de areia vagando pelo Universo.

Nebulosa Pêlo de Raposa

A nebulosa em torno da estrela S Mon está cheia de pó escuro e gás brilhante. Estas estranhas formas são originárias do fino pó interestelar reagindo de complexas maneiras com a luz energética e o gás quente expelido pelas jovens estrelas. A região mesmo por baixo de S Mon, a estrela mais brilhante da imagem do lado, tem o nome de Nebulosa Pêlo de Raposa, devido à sua cor e textura. Os tons avermelhados resultam de emissão, onde a luz estelar ioniza o hidrogénio gasoso. As áreas cor-de-rosa são iluminadas por uma combinação dos dois processos. S Mon faz parte de um jovem enxame aberto de estrelas chamado NGC 2264, a cerca de 2,500 anos-luz de distância na direcção da constelação de Unicórnio, a Norte da Nebulosa do Cone.
Crédito: Russell Croman

Supernova misteriosa divide os astrônomos

Supernova ou supervelha? Um grupo de cientistas afirma tratar-se de uma supernova de um tipo até agora desconhecido. Outro grupo afirma tratar-se apenas de uma variação de um tipo já conhecido. [Imagem: Perets et al./Nature]

Tipos de supernovas
Até hoje, astrônomos observaram dois tipos de supernova. O primeiro é a gigante jovem que explode em uma exibição violenta à medida que entra em colapso por conta de sua própria massa - isto inclui os tipos Ib, Ic e II. O segundo tipo é o da explosão termonuclear de uma estrela do tipo anã-branca, velha e densa - estas são as supernovas do tipo Ia.

Supernova ou supervelha

Um novo tipo de supernova acaba de ser descrito - ou não. A novidade, ou melhor, a dúvida, é destaque na edição desta quinta-feira (20/5) da revista Nature em dois artigos: um que defende tratar-se de um novo tipo de supernova e o outro que afirma tratar-se de um tipo conhecido. A estrela de enorme massa que explodiu foi detectada por meio de telescópios em janeiro de 2005, pouco após ter iniciado o processo de explosão. Desde então, ao investigar a estrela, pesquisadores de diversos países verificaram que se tratava de um fenômeno inusitado.

Pouca massa

Denominada SN2005E, a supernova fica na galáxia NGC1032, vizinha à Via Láctea. Nas análises feitas desde 2005, alguns cientistas concluíram que a quantidade de material ejetado pela supernova era muito reduzida para ter-se originado de uma gigante que explodiu. Além disso, sua localização, distante das regiões conhecidas e movimentadas nas quais as estrelas se formam, implica que se tratava de uma estrela mais velha que levou bastante tempo para se deslocar de seu berço natal.

Assinatura química

Mas a assinatura química da estrela que explodiu não se encaixa no segundo tipo conhecido de supernova. "O resultado deixou claro de que se trata de um novo tipo de supernova", disse Hagai Perets, do Centro de Astrofísica Harvard-Smithsonian, nos Estados Unidos, primeiro autor de um dos artigos. Os pesquisadores fizeram diversas simulações em computador de modo a tentar entender que tipo de processo poderia ter levado ao fenômeno observado. Uma importante incógnita é a assinatura química. Um tipo comum de anã branca que explode (conhecido como supernova tipo Ia) é composto principalmente por carbono e oxigênio, o que é refletido na composição do material ejetado. "A nova supernova é vazia de carbono e oxigênio. Em vez disso, é rica em hélio. Ou seja, é surpreendentemente diferente das demais", disse Dae-Sik Moon, do Departamento de Astronomia e Astrofísica da Universidade de Toronto, no Canadá, coautor do artigo. "As simulações feitas sugerem que um par de anãs brancas estava envolvido, uma roubando hélio da outra. Quando o hélio da estrela que roubou se eleva além de certo ponto, ocorre a explosão. A estrela roubada é provavelmente destruída no processo, mas não sabemos ainda o destino da estrela que roubou o gás", disse Avishay Gal-Yam, também autor do artigo que defende o novo tipo de supernova.

Mais do mesmo

Mas Koji Kawabata e seus colegas da Universidade de Hiroshima, no Japão, defendem no outro artigo publicado na Nature que a SN2005E é uma supernova tipo Ib. Segundo eles, a supernova deriva de uma estrela de massa gigantesca que explodiu pelo colapso gravitacional em seu próprio núcleo. O caso da SN2005E seria raro por a supernova se localizar em uma região sem sinais claros da formação de estrelas.

Incertezas científicas

"As duas interpretações diferentes oferecidas pelos artigos ilustram a atual incerteza a respeito da origem dessas explosões. Mas a composição incomum do material ejetado pela SN2005E e outros eventos similares terão implicações importantes para diversas áreas da astrofísica", disse David Branch, da Universidade de Oklahoma, em um artigo na mesma edição da revista com comentários sobre os outros dois.

Planeta WASP-12b sendo devorado pela sua estrela

Uma estrela devorando um planeta, é exatamente isto o que está acontecendo a 600 anos-luz de distância da Terra. Um planeta gigantesco, pouco maior do que Júpiter, chegou tão perto de sua estrela que ela começou a sugar sua atmosfera. Isso acontece porque o planeta fica tão quente que a sua atmosfera se expande além do ponto onde a gravidade da estrela supera a gravidade do planeta, passando a atrair e consumir sua massa aos poucos. Os astrônomos calculam que o planeta será completamente devorado em 10 milhões de anos. O planeta, chamado WASP-12b, é o planeta mais quente já descoberto, com uma atmosfera fervendo a cerca de 1.500 graus Celsius. Ele tem cerca de 40% mais massa do que Júpiter, e sua atmosfera expandiu-se tanto que já atinge cerca de três vezes o raio do nosso vizinho gigante, que há poucos dias perdeu uma de suas faixas. Este efeito de "troca" de matéria entre dois objetos estelares é comumente visto em sistemas binários nos quais as duas estrelas estão muito próximas, mas esta é a primeira vez que o fenômeno foi visto de forma tão clara envolvendo um planeta. Apesar da curiosidade do fenômeno, talvez o dado científico mais importante seja que os astrônomos conseguiram identificar elementos químicos - metais - nunca antes detectados fora do Sistema Solar. Foram detectados sinais de sódio neutro, estanho, manganês, itérbio ionizado, escândio, manganês, alumínio, vanádio, e magnésio. "Encontramos também o número estatisticamente esperado de trânsitos anômalos em comprimentos de onda que não estão associados a nenhuma linha de ressonância conhecida," afirmam os pesquisadores.
Créditos: Inovação Tecnológica

19 de mai de 2010

Como seriam as adaptações da vida aos exomundos

Até agora, apenas Gliese 581 d surge como um exoplaneta candidato a se falar em vida extraterrestre. Todos nós nos lembramos do furor inicial que recaiu sobre Gliese 581 c, o qual sabemos agora que se parece mais com um Vênus massivo que qualquer outra coisa, tendo em vista sua proximidade em relação a estrela hospedeira, a anã vermelha Gliese 581.
IMAGEM: Ilustração feita por John Schoenherr do exomundo Mesklin de Hal Clement, capa da edição de 1960 do romance de ficção cientifica Mission of Gravity. Poderia alguém capturar a essência de uma história melhor do que o notável Schoenherr?

A gravidadeEnquanto isso, Gliese 581 d orbita nos limites da região externa da zona habitável

 Refinando os cálculos da órbita de Gliese 581 d, descoberto em 2007, os astrônomos confirmaram a sua presença dentro da zona de habitação de Gliese 581, onde a água liquida pode existir. O diagrama acima mostra os planetas do Sistema Solar (na barra superior) comparando suas distancias com os exoplanetas de Gliese 581 (barra inferior). A zona de habitação está representada pela zona azulada, mostrando Gliese 581 d como um planeta dentro da zona de habitação. Crédito: ESO
Pensando na morfologia do exoplaneta Gliese 581 d em si, sua órbita em torno desta anã vermelha deve colocá-lo na mesma posição relativa que Marte é do nosso Sol, em termos de luminosidade que recebe de sua estrela mãe. Por outro lado, sua muito maior massa em relação a Terra deve resultar em uma frenética atividade tectônica de placas, uma enorme quantidade de vulcões, uma blindagem magnética poderosa e uma atmosfera espessa, com extensos oceanos abaixo. Em Gliese 581 d você poderá encontrar as corretos cenários astrobiológicos para o desenvolvimento da vida. [Estes cenários presentes em super-Terras foram analisados no artigo “Podem as Super Terras serem superiores para hospedar a vida?”]
neste interessante sistema planetário. Assim, recentemente, Dirk Schulze-Makuch sustentou na conferência de exobiologia em Houston que esta super-Terra, se tem a capacidade de manter a vida, pode ter criaturas sobre ela que conseguiram se adaptara à gravidade de um exoplaneta com pelo menos sete vezes a massa da Terra. Fazendo os cálculos: se inferirmos que a densidade média de Gliese é similar a da Terra, a gravidade em sua superfície deveria ser quase o dobro, ou melhor, 191,3% (raiz cúbica de 7) da gravidade da Terra. Tal gravidade em excesso, provavelmente, deverá talvez produzir uma população que tende a rastejar em vez de voar, sugeriu o investigador do estado de Washington, e podemos deixar a nossa imaginação trabalhar em cima das possibilidades.

Os leitores poderão até apontar para possíveis cenários de ficção científica em planetas extrasolares de maior gravidade em configurações menos radicais do que o escritor Hal Clement criou no clássico Mission of Gravity. Neste romance de ficção científica o exomundo Mesklin tem 16 vezes a massa da Terra e sua gravidade é 3 vezes a nossa, onde as formas de vida inteligentes têm meio metro e rastejam na forma de centopéias.

Teoria da Convergência?

Entrementes, a detecção de um análogo da Terra provavelmente não está tão longe e quando o encontrarmos, o que devemos esperar por meio dos seres vivos lá? É óbvio que nós não teremos informações sobre os seres alienígenas ainda por um longo tempo, mas vale a pena destacar que Simon Conway Morris, há muito tempo sustentou que certas formas presentes nos corpos dos animais como os olhos e as asas continuam aparecendo como interessantes soluções, porque são as respostas ideais para interagir com um ambiente como o nosso. Contudo, este é um argumento que Charles Lineweaver (Australian National University), não tem concordado, como foi observado neste resumo da conferência de Houston, na Astrobiology Magazine, onde Lineweaver é citado com relação ao tema que trata dos caminhos evolutivos únicos da vida:
“A “teoria da convergência”, disse Lineweaver, apresenta falhas, porque ignora o fato de que praticamente toda a vida na Terra compartilha certos genes, e estes genes são a base para que formas corporais podem eventualmente se desenvolver. Por exemplo, muitas vezes as pessoas apontam para o tamanho do cérebro dos golfinhos como uma instância de convergência com relação aos seres humanos. Lineweaver diz que tal afirmação é ridícula, porque simplesmente ignora o fato de que há cerca de 60 milhões de anos, os humanos e os golfinhos divergiram de um ancestral comum.”

Inteligência extraterrestre? Que é isso?

E a vida que nós iremos encontrar no futuro? Será esta eventualmente inteligente? Mais uma vez, haverá um longo tempo pela frente antes que nós tenhamos um contato real, mas nesta mesma conferência foi dito por C. Lineweaver e divulgado pelo twitter: “A palavra ‘inteligência’ está agora tão carregada que se tornou quase inútil. Melhor seria dizer ‘uma espécie de aparelhagem de sinalização’.”
Quem discorda da força da ferramenta twitter deve ter em mente o quanto uma pequena mensagem como esta – enviada por um participante em uma sessão da conferência de Lineweaver – pode influenciar na escolha de um tema interessante para se escrever. Você vai encontrar resumos de bolso de alguns dos pontos mais interessantes das sessões da conferência no Astrobiology Magazine, juntamente com as previsões de Chris Impey (University of Arizona), que aponta para a participação futura (talvez tentando influenciar) das empresas privadas na exploração do Sistema Solar exterior. Houve também quem exortou (não há certeza quem foi que disse, se Impey ou o autor Leslie Mullen) na despedida: “Em 2060 – Viagem a Alfa Centauro!”, mas eu (Paul Gilster) sou totalmente a favor da idéia, mesmo que o realista em mim pensa que a viagem acontecerá em cerca de 250 anos a frente. A beleza do futuro está no fato que em geral nossas previsões são muitas vezes mal elaboradas, como eu espero que seja a minha.

Canal marciano visto pela sonda Mars Express

Esta imagem foi obtida no dia 15 de Janeiro pela Câmara de Alta Resolução (HRSC) da sonda Mars Express da ESA. Quando obteve esta imagem, a Mars Express encontrava-se numa órbita em torno do planeta vermelho a uma altitude de 273 km. A área coberta corresponde a cerca de 100 km. Na imagem pode-se ver um canal que se deverá ter formado devido à passagem, em tempos atrás, de água corrente. Esta foi uma das evidências apresentadas recentemente pela Agência Espacial Europeia para corroborar a ideia de que deverá ter existido água na superfície de Marte. Neste momento encontram-se dois robôs da NASA na superfície de Marte em busca de mais indícios que possam indicar condições favoráveis à existência de vida no planeta vermelho. 
Crédito: ESA/DLR/FU Berlin (G. Neukum).

Johannes Kepler

Johannes Kepler (1571 – 1630) foi um astrônomo e filósofo alemão, que ficou famoso por formular e verificar as três leis do movimento planetário conhecidas como as leis de Kepler. Ele nasceu do dia 27 de dezembro de 1571, em Weil der Stadt, em Württenberg, e estudou teologia e ciências exatas na universidade de Tübingen. Ali foi influenciado por um professor de matemática, chamado Michael Maestlin, partidário da teoria heliocêntrica do movimento planetário desenvolvida, inicialmete, pelo astrônomo polonês Nicolau Copérnico. Kepler aceitou imediatamente a teoria de Copérnico ao acreditar que a simplicidade da ordem planetária tinha de ter sido o plano de Deus.

Em 1594, quando Kepler foi embora de Tübingen e foi para Graz, Áustria, elaborou uma hipótese geométrica complexa para explicar a distância entre as órbitas planetárias (órbitas que eram, erroneamente, consideradas circulares). Posteriormente, Kepler deduziu que as órbitas dos planetas são elípticas. Kepler propôs que o sol exerce uma força que diminui de forma inversamente proporcional à distância e impulsiona os planetas ao redor de suas órbitas. Publicou, em 1596, suas teorias em um tratado chamado Mysterium Cosmographicum. Esta obra é importante porque apresentava a primeira demonstração ampla e convincente das vantagens geométricas da teoria de Copérnico. Kepler foi professor de astronomia e matemática na universidade de Graz desde 1594 até 1600, quando se tornou ajudante do astrônomo Tycho Brahe em seu observatório de Praga.

A morte de Brahe, em 1601, fez com que Kepler assumisse seu cargo de matemático imperial e astrônomo da côrte do Imperador Rodolfo II. Uma de suas obras mais importantes durante este período foi Astronomia Nova (1609), foi o ápice de seus esforços para calcular a órbita de Marte. Este tratado contém a exposição de duas das chamadas leis de Kepler sobre o movimento planetário. Segundo a primeira lei de Kepler (lei das órbitas), os planetas giram em órbitas elípticas ao redor do sol. A segunda lei de Kepler (lei das áreas), afirma que uma linha imaginária desde o sol a um planeta percorre áreas iguais a uma elipse durante intervalos iguais de tempo, em outras palavras, um planeta girará com maior velocidade quanto mais próximo estiver do sol.
Em 1612, Kepler se tornou matemático dos estados da Áustria. Enquanto vivia em Linz, publicou seu Harmonices mundi, Libri (1619), cuja parte final contém outra descoberta sobre o movimento planetário (terceira lei de Kepler), a relação do cubo da distância média de um planeta ao sol e o quadrado do período da revolução do planeta é uma constante e é a mesma para todos os planetas. Na mesma época, publicou um livro, Epítome astronomiae copernicanae (1618 – 1621), que reúne todas as descobertas de Kepler em um só livro.

Igualmente importante foi o primeiro livro de astronomia baseado nos princípios de Copérnico, e durante as três décadas seguintes teve uma influência capital convertendo muitos astrônomos ao copernicanismo kepleriano. A última obra importante foram as Tabelas Rudolfinas (1625). Baseando-se em dados de Brahe,

as nove tabelas de movimento planetário reduzem os erros médios da posição real de um planeta. O matemático e físico inglês Isaac Newton baseou-se nas teorias e observações de Kepler para formular sua lei da gravitação universal. Kepler também contribui no campo da ótica e desenvolveu um sistema infinitesimal em matemática, que foi um antecessor do cálculo. Morreu no dia 15 de novembro de 1630, em Ragensburg.
Fonte: http://www.infoescola.com/astronomia/johannes-kepler/

Nikolaus Sulzenauer nos mostra um panorama da Galáxia da Baleia

Panorama da galáxia da Baleia capturada pelo Hubble e processada por Nikolaus Sulzenauer. Clique na imagem para ver a versão em alta resolução.
A galáxia da baleia NGC 4631 é uma belíssima galáxia espiral que pode ser vista lateralmente a apenas 30 milhões de anos luz da distância. Devido ao seu formato ligeiramente distorcido e sua aparência peculiar ganhou o apelido de galáxia da Baleia. As nuvens de poeira interestelares escuras e os jovens e brilhantes aglomerados de estrelas azuis embeleza esta imagem colorida panorâmica. O formato (faixa) da NGC 4631 não só parece com o formato da nossa Via Láctea como seu tamanho, da mesma forma, é idêntico ao da nossa galáxia. A NGC 4631 é também conhecida pela emissão em raios-X a partir de seu halo de brilhante gás aquecido. A galáxia da Baleia se espalha por aproximadamente 140.000 anos-luz e pode ser vista com um pequeno telescópio na região da constelação dos Cães Caçadores (Canes Venatici).
Crédito: Dados: Hubble Legacy Archive, ESA, NASA

18 de mai de 2010

Nebulosa NGC 2023

A nebulosa de reflexão NGC 2023 é uma das mais brilhantes fontes fluorescentes de hidrogénio molecular do céu. É iluminada por uma estrela de classe B, HD 37903, a mais brilhante de um enxame de jovens estrelas iluminando a face da frente da nuvem molecular Lynds 1630 (Barnard 33) em Orionte B (complexo de Orionte). NGC 2023 forma uma cavidade na superfície da nuvem, a uns 450 parsecs de distância, produzindo não só uma brilhante nebulosa de reflexão, como também uma região ultravioleta excitada. NGC 2023 situa-se perto da famosa Nebulosa Cabeça de Cavalo em Orionte.
Crédito: Robert Gendler

17 de mai de 2010

A furtiva Nebulosa da Medusa revelada por Bob Franke

        
A Nebulosa da Medusa em geral é bem difícil de ser visualizada devido ao seu tênue brilho. Aqui sua imagem foi capturada em falsas e sedutoras cores. Cercada por duas estrelas muito brilhantes, Mu (Tejat) e Eta Geminorum (Propus), aos pés da constelação de gêmeos, a Nebulosa da Medusa é uma brilhante nebulosa de emissão em arco com seus tentáculos dependurados abaixo e à direita do centro.

Remanescente de Supernova

Na verdade, a medusa cósmica é considerada uma parte da nebulosa remanescente de supernova IC 443, em formato de bolha, uma nuvem de escombros em expansão resultante da explosão de uma  estrela massiva (supernova). A luz desta supernova atingiu nosso planeta pela primeira vez há mais de 30.000 anos.

A Nebulosa da Medusa hospeda uma estrela de nêutrons, descoberta por estudantes
Da mesma forma que seu ‘primo marítimo em águas astrofísicas’, a remanescente de supernova chamada de Nebulosa do Caranguejo (M1), a nebulosa IC  433 é conhecida por hospedar a estrela de nêutrons CXOU J061705.3+222127, remanescente do núcleo de uma massiva estrela que colapsou. O fato notável é que este objeto foi descoberto por 3 estudantes do ensino secundário, ao vasculhar dados de raios-X do observatório espacial Chandra, comparando-os com dados de rádio da rede de radiotelescópios Very Large Array. A nebulosa de emissão Sharpless 249 preenche esta paisagem cósmica acima e à esquerda.
A Nebulosa da Medusa dista 5.000 anos-luz da Terra. Nesta distância, esta imagem mede 300 anos-luz de extensão.
Há 10 anos, a estrela de nêutrons, que contém as cinzas remanescentes da supernova que originou a nebulosa IC 443, foi descoberta por 3 estudantes de escola secundária, usando dados de raios-X do observatório espacial Chandra junto com informações de rádio captadas pelo Very Large Array. Crédito: Chandra X-Ray Observatory

Percival Lowell

Percival Lowell nasceu em 1855 em uma família nobre da Nova Inglaterra, nos Estados Unidos. Seu irmão mais novo foi diretor da Universidade de Havard e sua irmã era uma escritora muito conhecida. Lowell se graduou em Matemática com distinção no ano de 1876. Ele viajou durante anos pelo país e seu interesse por Astronomia surgiu por causa do planeta Marte, naquela época considerado lar de uma civilização muito mais avançada que a nossa, lutando bravamente pela sua sobrevivência num planeta com severas mudanças climáticas e escassez de água. Tudo isso começou com as observações do astrônomo italiano Giovanni Schiaparelli (1835-1910). Ele percebeu, com um telescópio, uma série de linhas finas que uniam áreas escuras na superfície do planeta, como canais naturais que unem regiões alagadas.Schiaparelli as chamou de canali, mas o termo foi traduzido para o inglês channel, que significa canal artificial. E aquela era uma época de grandes marcos na engenharia mundial, como o canal de Suez (1869), o de Corinto (1893) e o do Panamá (1914). Percival Lowell decidiu então construir um observatório com recursos próprios, em Flagstaff, no Estado do Arizona, a 1.500 m de altitude e sob um clima desértico não perturbado por nuvens nem pelas luzes das cidades, excelente para observações astronômicas.
                                           Mapa de Marte compilado por Giovanni Schiaparelli entre 1877 e 1886. A maioria
                                              dos nomes do relevo (Mare australe, por exemplo) ainda estão em uso hoje.
Ele estava disposto a concentrar recursos e esforços para entender melhor o misterioso Planeta Vermelho – mas estava também fascinado pela “habilidade dos engenheiros marcianos".

Obsessão

POR 15 ANOS, SUAS ANOTAÇÕES foram repletas de áreas escuras e brilhantes, sugestões de calotas polares e um planeta inteiramente enfeitado por canais. Dezenas deles, cruzando Marte em todas as direções, uma rede complexa e sofisticada que buscava trazer água dos pólos para irrigar as regiões equatoriais. Lowell acreditou que os marcianos teriam construído tudo aquilo, num esforço desesperado de uma raça mais antiga e mais sábia que nós, ainda assim a mercê de graves alterações sazonais em seu mundo – que pedia socorro.
Lowell observou que Marte era seco e árido, assim mesmo muito parecido com a Terra. Os marcianos eram bons e esperançosos. A visão de Lowell ganhou aceitação popular, quase tão mística quanto o próprio Gênesis. Até hoje queremos ver vida em Marte. Desse modo, os canais marcianos foram uma "realidade" por muitos anos, até que o aperfeiçoamento dos instrumentos óticos e o envio de sondas espaciais ao Planeta Vermelho mostrou que eles simplesmente nunca existiram. Os canais de Marte, do modo como via Lowell, são resultado de uma disfunção óptica, sob condições de visibilidade difíceis – aliadas ao profundo desejo de ver alguma coisa. Foi a interpretação errônea de dados observacionais que havia criado os canais e os seus construtores. Lowell faleceu em 1916, mas deixou grandes contribuições para o nosso conhecimento da natureza e da evolução dos planetas. Foi também decisivo na descoberta de Plutão, que recebeu este nome em sua lembrança: as duas primeiras letras desse planeta são também as iniciais de Percival Lowell. E seu símbolo é P, um monograma planetário.
Fonte:astronomia no Zênite

14 de mai de 2010

Uma noite estrelada na Foz do Iguaçú por Babak Tafreshi

Noite na Foz do Iguaçú capturada por Babak Tafreshi (TWAN). Clique na imagem para ver em alta resolução. Crédito: Crédito©: Babak Tafreshi (TWAN)
Nesta clara noite estrelada nas cataratas do Iguaçu a Via Láctea se destaca nos céus. Em 04 de maio de 2010 Babak Tafreshi capturou esta belíssima imagem. No plano frontal deste panorama temos a floresta tropical perto das magníficas quedas do Iguaçu e o parque nacional na fronteira entre o Brasil e Argentina.
Olhando seguindo o arco da Via Láctea se destacam:
•As estrelas Alfa e Beta Centauri;
•Nebulosa do Saco de Carvão (Coalsack nebula);
•A constelação do Cruzeiro do Sul (Southern Cross), apontando para o Pólo Sul Celestial (South Celestial Pole);
•Nebulosa Carina (Carina Nebula).
Sirius (α CMa / α Canis Majoris / Alpha Canis Majoris), a estrela mais brilhante no céu noturno surge na extrema direita, na constelação do Cão Maior.
A estrela Canopus, a segunda estrela mais brilhante à noite e as Nuvens de Magalhães (Grande e Pequena) também estão visíveis nesta imagem.
As luzes no centro da foto, ao longo do horizonte, pertencem ao aeroporto internacional do Iguaçu, na Argentina.
Crédito©: Babak Tafreshi (TWAN)

NEBULOSAS DE REFLEXÃO

M20, uma nebulosa difusa com zonas de emissão (a vermelho) e zonas de reflexão (a azul). Crédito: Todd Boroson/NOAO/AURA/NSF
As nebulosas de reflexão são nuvens de poeira que simplesmente estão a reflectir a luz de uma ou mais estrelas vizinhas. Estas não são quentes o suficiente para provocar a ionização no gás da nebulosa como as nebulosas de emissão, mas são brilhantes o suficiente para tornarem o gás visível. Por isso, o espectro das nebulosas de reflexão é semelhante ao das estrelas que as iluminam. Por entre as partículas microscópicas responsáveis pela dispersão estão compostos de carbono (por exemplo, pó de diamante) e de outros elementos, em particular ferro e níquel. Estes últimos dois estão muitas vezes alinhados com o campo magnético e fazem com que a luz dispersa seja ligeiramente polarizada. A distinção entre estes dois tipos de nebulosas foi feita por Hubble em 1922. São regularmente azuis devido à dispersão ser mais eficiente na luz azul que na vermelha (é o mesmo processo que dá a cor azul ao céu e os tons vermelhos do pôr-do-Sol). As nebulosas de reflexão e as nebulosas de emissão são muitas vezes observadas juntas e são por vezes referidas como nebulosas difusas. Um exemplo disto é a Nebulosa de Orionte. Conhecem-se cerca de 500 nebulosas de reflexão. Umas das mais famosas nebulosas de reflexão é a que rodeia as estrelas das Plêiades. Uma nebulosa de reflexão azul pode também ser vista na mesma área do céu que a Nebulosa da Trífida. A gigante estrela Antares, que é muito vermelha (classe espectral M1), é rodeada por uma grande nebulosa de reflexão vermelha. As nebulosas de reflexão são muitas vezes locais de formação estelarEm 1922, Edwin Hubble publicou o resultado das suas investigações sobre as nebulosas. Uma parte do seu trabalho diz respeito à lei de luminosidade de Hubble para as nebulosas de reflexão que relacionam o tamanho angular (R) da nebulosas e a magnitude aparente (m) da estrela associada:
5 log (R)= -m+k onde k é uma constante que depende da sensibilidade da medição.
Fonte: http://www.ccvalg.pt/astronomia/nebulosas/nebulosas_reflexao.htm

Novos fatos sobre o Projeto Big Bang

Desde setembro de 2008, quando funcionou pela primeira vez em túneis instalados sob os Alpes Suíços, o Projeto Big Bang tem levantado expectativas sobre as descobertas que estão por vir. Pois bem, o acelerador de partículas de 10 bilhões de dólares (Grande Colisor de Hádrons, LHC em inglês), carro-chefe do projeto Big Bang, parece ter feito alguns registros importantes. A pesquisa, segundo os cientistas, está muito perto de descobrir algo almejado há tempos: a partícula de Higgs Boson. Esta partícula, por enquanto, é apenas uma teoria, mas os pesquisadores afirmam que, uma vez descoberta em estado natural, poderia ser a chave para entender fatos sobre a massa do universo. O objetivo primário pelo qual o Projeto Big Bang foi criado é justamente simulá-lo. As colisões de partículas têm como meta recriar, em miniatura, a colisão que ocorreu – acredita-se – há 13,7 bilhões de anos, dando origem ao universo. O colisor de partícula está confirmando algumas teorias criadas no século XX e refutando outras. A novidade da vez é que indícios levam a crer que o universo é basicamente composto por pequenos cordões vibratórios de matéria.
Fonte: Reuters

Júpiter perdeu uma faixa gigantesca em seu hemisfério sul

A faixa estava lá no final de 2009, antes que Júpiter se movesse para perto demais do Sol para ser observado da Terra. Ao emergir, em Abril, a listra havia desaparecido. [Imagem: Anthony Wesley]

Causas desconhecidas

Júpiter perdeu uma das suas listras mais proeminentes, deixando o seu hemisfério sul estranhamente vazio. Os cientistas ainda não sabem o que provocou o desaparecimento da gigantesca faixa escura. A aparência de Júpiter é tipicamente marcada por duas faixas escuras em sua atmosfera - uma no hemisfério norte e outra no hemisfério sul. Mas as imagens mais recentes, feitas por astrônomos amadores, mostram que a faixa sul simplesmente desapareceu.

Mistério

A faixa estava lá no final de 2009, antes que Júpiter se movesse para perto demais do Sol para ser observado da Terra. Quando o planeta emergiu do ofuscamento causado pelo brilho do Sol, contudo, no início de Abril, o cinturão sul simplesmente havia desaparecido.
Segundo a revista New Scientist, esta não é a primeira vez o cinturão sul de Júpiter desaparece. Ele ficou sumido em 1973, quando a sonda espacial Pioneer 10 tirou as fotos mais próximas do planeta já feitas até então. Ele sumiu temporariamente de novo no início de 1990.

Camadas de nuvens

As faixas de Júpiter podem normalmente parecer escuras simplesmente pela falta, nesta região, das nuvens de grandes altitudes, mais claras, presentes nas outras regiões, revelando as nuvens escuras abaixo.
"Você está olhando para diferentes camadas da estrutura de nuvens do planeta," disse Glenn Orton, do Laboratório de Propulsão a Jato, da NASA, em entrevista à revista.
Fonte:Inovação Tecnológica

13 de mai de 2010

Encontradas galáxias modernas pós Big Bang

Imagem divulgada pela Nasa (agência espacial americana) mostra uma grande coleção de galáxias maduras formadas pouco depois do Big Bang. As galáxias (pontos vermelhos no centro da imagem) teriam sido formadas há 9,6 bilhões de anos, apenas 3 bilhões de anos após o Big Bang, evento que teria dado origem ao UniversoA imagem é composta por observações dos telescópios Spitzer, da Nasa, que detecta radiação infravermelha, e Subaru, do Japão, que detecta radiação visível. A descoberta é surpreendente, pois astrônomos não esperavam encontrar grupos de galáxias tão desenvolvidos precocemente após o Big Bang. Outras galáxias do mesmo período tendem a ser muito menores. Na imagem, a luz infravermelha do Spitzer é mostrada em vermelho para melhor visualização, e as observações do Subaru são exibidas em vermelho e azul. A camada púrpura é uma medida de densidade galáctica média e destaca a grande concentração de galáxias nessa região do espaço.
Fonte: NASA

IC 2118- Nebulosa da Cabeça da Bruxa

Esta sugestiva nebulosa de reflexão assemelha-se bastante à face de uma bruxa, não é? IC 2118 está associada com a brilhante estrela Rigel na constelação de Orionte. Também conhecida como Nebulosa da Cabeça da Bruxa, brilha principalmente devido à luz reflectida de Rigel, situada para fora da imagem no canto superior direito. A fina poeira na nebulosa reflecte a luz. A cor azul não é provocada apenas pela cor azul de Rigel mas também devido aos grãos de poeira reflectirem com mais eficiência a cor azul do que a vermelha. Os mesmos processos físicos fazem com que o céu da Terra apareça azul, embora quem disperse a luz na atmosfera da Terra sejam as moléculas de nitrogénio e oxigénio. A nebulosa está localizada a 1,000 anos-luz de distância.
Crédito: Gary Stevens

Rigel e a Nebulosa da Cabeça da Bruxa sob a lente de Rogélio Bernal Andreo

             A estrela gigante azul Rigel e a Nebulosa da Cabeça da Bruxa fotografadas por Rogélio Bernal Andreo
Esta sugestiva nebulosa de reflexão à esquerda está ligada diretamente a brilhante estrela Rigel, à direita na foto, na constelação de Órion. Conhecida formalmente como IC 2118, a Nebulosa da Cabeça da Bruxa brilha refletindo a luz emanada pela estrela gigante azul Rigel. Assim, é a poeira cósmica desta nebulosa peculiar que reflete a luz.

A reflexão azul da poeira cósmica

A cor azulada da Nebulosa da Bruxa e também da poeira ao redor de Rigel é causada não só pela cor azul de Rigel mas também porque os grãos de poeira reflete a luz nas freqüências do azul mais eficientemente que no espectro do vermelho. Trata-se do mesmo processo físico que causa a cor azul do céu diurno no céu da Terra, embora os compostos responsáveis pelo espalhamento na atmosfera terrestre sejam as moléculas de nitrogênio e oxigênio. Rigel, a Nebulosa da Cabeça da Bruxa, o gás e a poeira que os envolve residem a 800 anos luz de distância da Terra.

A Nebulosa da Cabeça de Bruxa capturada pelo Star Shadows Remote Observatory (Steve Mazlin, Jack Harvey, Rick Gilbert, Teri Smoot, Daniel Verschatse)
 
 RIGEL (β Orionis) segundo Jim Kaler

Assim como sua rival vermelha classe M em Orion, Betelgeuse, Rigel (β Orionis) também é uma estrela super-gigante, mas completamente diferente de α Orionis. Rigel contrasta com a vermelha Betelgeuse devido a sua cor azul (na realidade um branco azulado), a cor padrão das estrelas da classe espectral B (subclasse B8). Seu nome vem também da mesma raiz árabe que a Betelgeuse, originalmente “rijl al-jauza,” que significa o pé de Al-Jauza, ou em árabe, o “Ente Único Central”. Para nós Rigel está associada ao pé do mítico caçador Órion. Embora Rigel seja denominada Beta Orionis (a ’segunda’ de Órion), sua brilhante magnitude quase zero (0,12) é eventualmente mais intensa que Alfa Orionis (Betelgeuse) o que pode indicar que Betelgeuse era mais brilhante que Rigel quando ganhou sua designação, ou talvez Bayer tenha apenas considerado as posições relativas das estrelas para designá-las.
Comparação do tamanho entre Rigel e o Sol

Rigel está entre as estrelas mais brilhantes do céu, em 7º lugar de magnitude visual, logo atrás de Capella da constelação Auriga. Rigel se situa a uma distância de 860 anos luz e brilha com a força de 85.000 Sóis, considerando a intensa radiação ultravioleta de sua superfície com a temperatura aquecida de 11,500 Kelvin (o dobro do Sol que tem a temperatura de 5.750 Kelvin). Rigel é uma estrela super-gigante, com um diâmetro de ~74 vezes o do Sol, 0,34 UA, tem o tamanho da ordem da órbita de Mercúrio. Os estudos da estrutura estelar e sua evolução indicam que Rigel tem a massa que quase 18 vezes e apenas 10 milhões de anos de idade e devido a sua massa irá eventualmente explodir como uma supernova tão brilhante como nossa Lua em quarto crescente. Rigel é na verdade um sistema quádruplo de estrelas onde o par Rigel BC é uma dupla de estrelas tênues, separadas entre si por 100 UA, com magnitude 7. A dupla Rigel BC dista 2.500 UA (60 vezes a distância Plutão x Sol) de Rigel A e leva 25.000 anos para dar uma volta em torno do centro de massa do sistema Rigel. A dupla Rigel BC orbita entre si em 400 anos. A quarta estrela do sistema, Rigel D, dista 11.500 UA da estrela principal, com magnitude 15, trata-se de uma anã laranja classe K que leva 250 milhões de anos para circundar o trio Rigel ABC. Rigel dista 40 anos-luz da Nebulosa de Cabeça da Bruxa o que mostra a energia desta fantástica super-gigante azul, excitando a poeira cósmica desta nebulosa de reflexão.

Mosaico revela detalhes da magnífica Nebulosa Cabeça de Cavalo

 
A Nebulosa Cabeça de Cavalo. Clique na imagem para ver a versão em alta resolução.
Créditos: Marco Burali, Tiziano Capecchi, Marco Mancini (Osservatorio MTM)
Esculpida por vento estelar e radiação, uma magnífica nuvem interestelar de poeira assumiu este formato peculiar. Chamada de Nebulosa Cabeça de Cavalo, esta nuvem reside a 1.500 anos-luz de distância da Terra, dentro do vasto complexo da Nuvem de Órion. Esta gloriosa imagem colorida é uma composição que combina múltiplas imagens tanto de filtros de banda estreita do espectro quando de banda larga a partir de dados de 3 diferentes telescópios. Com uma ‘altura’ de 5 anos-luz, esta nuvem negra está catalogada como Barnard 33 e está visível apenas porque casualmente sua silhueta obscura se destaca contra a brilhante nebulosa avermelhada de emissão IC 434. Há estrelas em formação dentro desta nuvem negra.

NGC 2023 – nebulosa de reflexão

Em contraste com IC 434 temos a nebulosa azulada de reflexão NGC 2023, envolvendo uma estrela jovem e quente aparece à esquerda, embaixo.

A nebulosa de reflexão NGC 2023 por
Robert Gendler
NGC 2023 é uma das mais brilhantes fontes fluorescentes de hidrogénio molecular nos céus. É iluminada por uma estrela de classe espectral B, denominada HD 37903, a mais brilhante do aglomerado de jovens estrelas que iluminam a face frontal da nuvem molecular Lynds 1630 (Barnard 33) em Órion B (complexo de Órion). A NGC 2023 forma uma cavidade na superfície da nuvem, a cerca de 450 parsecs de distância, produzindo não só uma brilhante nebulosa de reflexão, como também uma região ultravioleta excitada.

A Cabeça do Cavalo pelo Hubble

Em abril de 2001, em celebração de onze anos de operação, a equipe do Hubble Heritage liberou imagens desta famosa nebulosa.
Em abril de 2001 o time do Hubble Heritage liberou esta imagem da Cabeça do Cavalo em celebração dos 11 anos do observatório espacial Hubble - Crédito: Hubble Heritage
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