12 de jul de 2010

ÁGUA PERCORREU MARTE HÁ MUITO MENOS TEMPO DO QUE SE PENSAVA

Glaciares derreteram e formaram rios em Marte há poucas centenas de milhões de anos atrás. Esta imagem mostra um rio que nasceu de um antigo glaciar de uma cratera ainda sem nome a latitudes médias em Marte.

Crédito: NASA/JPL/MSSS
Investigadores afirmam agora que a água percorreu Marte tão recentemente quanto há várias centenas de milhões de anos, quando a luz solar derreteu uma fina camada de gelo glacial. A evidência baseia-se em dúzias de canais em Marte, escavados pelo derreter do gelo glacial durante o período mais frio e seco que dominou o Planeta Vermelho durante os últimos 3,5 mil milhões de anos, afirmam os cientistas. Tais jovens provas surpreenderam os investigadores, porque sugere que a água corrente existia em Marte há muito menos tempo do que se pensava. "Nós pensamos que Marte é muito, muito frio e muito, muito seco, por isso o facto de existirem estes canais, nestes tipos de condições, está a mudar o modo como vemos a história da água no planeta," afirma o líder do estudo Caleb Fassett, geólogo planetário da Universidade de Brown em Providence, Rhode Island, EUA.
De acordo com um estudo anunciado este mês, um vasto oceano cobriu mais de um-terço da superfície marciana há mais de 3 mil milhões de anos atrás. Mas as provas de água líquida em Marte desde o período Noachiano, uma época que terminou há 3,5 mil milhões de anos, permaneceram escassas até agora.
Fassett e colegas da Universidade de Brown e da Universidade Estatal de Portland descobriram evidências mais recentes na forma de canais que se prolongam por 2-3 quilómetros e que têm uma largura de quase 46 metros. Também ligaram os depósitos de gelo aos canais - chamados vales glaciofluviais - esculpidos por água líquida. Tais canais nasceram no interior e exterior de crateras marcianas a latitudes médias do planeta durante a recente época Amazoniana em Marte, quando a luz solar derreteu uma fina camada de gelo no topo dos glaciares. Alguns geólogos da Universidade de Brown e da Universidade de Boston também avistaram condições similares na Terra. Elas encontram-se nos Vales Secos da Antártica, onde as superfícies dos glaciares derretem durante o Verão, afirmam.
"Está muito frio e existe gelo glacial por todo o lado, e quando aquece o suficiente temos um rio," afirma James Dickson, analista também da Universidade de Brown.
Fassett e seus colegas estudaram 15.000 imagens obtidas pela câmara CTX (Context Camera) acoplada à sonda Mars Reconnaissance Orbiter da NASA, que já mapeou cerca de 40% do planeta até agora. Mas isso é apenas o início da sua busca por mais vales glaciofluviais. O estudo está detalhado numa edição recente da revista científica Icarus.
Fonte:ccvalg.pt
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...