6 de mai de 2010

A outra face da Lua

Porque é que a Lua nos mostra sempre a mesma face?
Qualquer observador da Lua repara rapidamente que esta nos mostra sempre a mesma cara. Para os mais distraídos isto até pode parecer natural, pois afinal de contas a Lua só é Lua quando tem a cara conhecida e por isso mesmo outra cara seria impensável! No entanto, se pensarmos um pouco mais na sua natureza física e pusermos de parte o nosso senso comum, vemos que a Lua é um planeta como qualquer outro e, como tal, deve possuir uma rotação própria. Na realidade é exactamente isso que acontece, a Lua roda tal como a Terra em torno de um eixo imaginário.
Mas assim sendo, porque razão não vemos nós o disco da Lua variar? A resposta a esta pergunta não é complicada, devendo-se ao facto de o tempo que esta demora a completar uma rotação sobre si própria - período de rotação - coincidir exactamente com o tempo que esta leva a completar uma volta em torno do nosso planeta - período de translação.
Sempre que se observa na Natureza uma tamanha coincidência, somos levados a pensar que talvez não se trate de uma verdadeira obra do acaso, mas sim de algo natural. Tanto mais que quando observamos a maior parte dos satélites dos outros planetas do nosso sistema solar, verificamos que esta formidável relação entre os períodos de rotação e translação também se verifica. Mas então, a que se deverá este curioso fenómeno?
Mais uma vez a resposta está na força de gravidade. Sim, a mesma força que mantém a Lua em órbita em torno da Terra é responsável por este sincronismo! Não podemos pensar na Lua como um ponto que orbita a Terra, temos sim que ter em conta a sua forma e estrutura interna: as zonas da Lua mais próximas da Terra vão sofrer uma atracção maior que as zonas mais afastadas. A esta atracção diferencial das diferentes partes de um corpo chama-se "efeito de maré".
O nome provém do facto deste fenómeno ser também o responsável pela existência de marés nos oceanos da Terra. Na Lua não existem oceanos mas todo o planeta sofre a acção desta força que o deforma constantemente. A consequente fricção entre as suas camadas interiores resulta em dissipação de energia interna que nos casos mais violentos pode originar vulcões (como se observa na lua joviana, Io). Aquando da sua formação, a Lua possuía um período de rotação mais curto do que actualmente. Contudo, sob a acção contínua dos efeitos de maré provocados pela presença da Terra, o seu período de rotação foi aumentando constantemente até atingir o patamar em que hoje se encontra.
Fonte:oal.ul.pt

À descoberta de exoplanetas

Decorre até fins de Maio o Projecto Exoplanetas coordenado pelo professor João Vieira da escola D. Maria II.
Apesar de se tratar de um projecto de escola, a detecção da estrela variável a Estrela Variável FX Dra, no dia 19 de Abril de 2010, teve direito a publicação internacional edição nº 37 do B.R.N.O. e também nos prestigiados jornais para profissionais da IBVS – Information Bulletin on Variable Stars e ainda no OEJV – Open European Journal on Variable Stars.
Desta equipa fazem parte 4 alunos que foram responsáveis directos pela esta detecção: o José Pedro Lopes (nº 16 12º D) o Lino Fernandes (nº 17 12º D), a Ana Raquel Machado (nº30 11ºA) e a Ana Catarina Carvalho (nº30 11ºC). Os dados foram enviados pelo professor João Vieira para o B.R.N.O no passado dia 10 de Abril.
A Escola Secundária D. Maria II – Braga e a ORION – Sociedade Científica de Astronomia do Minho estão em estreita colaboração a desenvolver um projecto na área da detecção de Exoplanetas.
O projecto a concurso pela Escola terá a parceria da ORION nos equipamentos do observatório e ainda na formação a alunos e professores. Este espaço será partilhado pelas duas instituições no desenvolvimento deste projecto que tem como coordenadores os docentes da Escola João Vieira e Maria da Guia Tavares e da parte da ORION Benjamim Ribeiro e Jorge Fonte.
Até ao momento foram detectadas 6 estrelas com planetas extrasolares: WASP-2, HAT-P-3b, WASP-3b, TRES-2b, TRES-3b, XO-3b. A última detecção foi realizada ontem à noite:
Fonte:AstroPT

ESO libera imagem de campo profundo que mostra o aglomerado Abell 315 e um mar de galáxias

Imagem de campo profundo liberada pelo ESO mostra o aglomerado Abell 315 e um exame de galáxias. Clique na imagem para ver as versões em alta resolução no site do ESO. Crédito: ESO/J. Dietrich

Abell 315

ESO divulgou nova imagem de largo campo que revela milhares de galáxias longínquas, entre as quais se encontra um grande grupo pertencente a um aglomerado de galáxias de grande massa Abell 315. Embora nos pareça bem denso em sua composição de objetos, este aglomerado de galáxias é apenas uma “ponta de iceberg”, por que Abell 315 é dominado pela matéria escura. Assim, a gigantesca quantidade de massa de Abell 315 desvia a luz emitida pelas galáxias de fundo, distorcendo ligeiramente seus formatos, aos nossos olhos. Quando nós observamos o céu sem instrumentos, a olho nu, vemos basicamente algumas estrelas mais próximas da nossa Via Láctea e eventualmente algumas pertencentes às galáxias anãs vizinhas. As galáxias mais distantes são bem pouco luminosas para puderem ser vistas sem telescópios, mas se as pudéssemos vê-las, elas cobririam literalmente todo o céu. ESO publicou uma imagem que cobre uma larga região no céu e ao mesmo tempo também é muito profunda, ou seja, foi obtida deixando a câmera com um tempo de exposição elevado. Assim, milhares de galáxias que se amontoam numa área do céu correspondente ao tamanho de ‘uma Lua cheia’ foram reveladas. É importante salientar que estas galáxias residem em diferentes distâncias da Terra. Algumas se encontram próximas e nestas podemos discernir seus seus braços espirais ou seus halos elípticos, que se destacam principalmente na parte superior da foto. As galáxias mais distantes surgem como pequenos pontos tênues porque sua luz viajou através do Universo durante mais de 8 bilhões de anos até chegar aqui. Começando no centro da imagem e estendendo-se para baixo e para a esquerda, uma concentração de cerca de 100 galáxias amareladas identifica um aglomerado de galáxias de grande massa, designado com o número 315 no catálogo compilado pelo astrônomo americano George Abell em 1958. O aglomerado situa-se entre as galáxias vermelhas e azuis de fraca luminosidade e a Terra, a cerca de dois bilhões de anos-luz de distância, na Constelação da Baleia.

Os aglomerados são compostos de…

Os aglomerados de galáxias são considerados as maiores estruturas do Universo interligadas pelas forças gravitacionais. Mas, estas estruturas contêm muito mais massa do que as galáxias que vemos representam. Na realidade, as galáxias contribuem com apenas 10% da massa dos aglomerados, enquanto que o gás quente existente entre as galáxias contribui com mais 10%. Os restantes 80% da massa são compostos por um ingrediente invisível (pois não interage com as radiações eletromagnéticas) e misterioso denominado matéria escura.
Fontes:ESO
(Universe Today)

Telescópio europeu Herschel revela descobertas no universo profundo

Informações mudam a compreensão que astrônomos tinham da origem das estrelas e a evolução das galáxias
BRUXELAS - Herschel, o telescópio maior já lançado ao espaço, começou a fornecer dados surpreendentes sobre o universo profundo, que estão mudando a compreensão que os astrônomos tinham até agora da origem das estrelas e a evolução das galáxias.  
Herschel revela o lado oculto de uma estrela em nascimento (Imagem: ESA)  
Engenheiros e cientistas da Agência Espacial Europeia (ESA) apresentaram nesta quinta-feira, 6, em Noordwijk, na Holanda, os primeiros resultados obtidos da análise de seus dados, quando está prestes a completar um ano do lançamento deste observatório, fruto da cooperação de mais de 20 países europeus.
As gêneses de uma estrela "impossível", a descoberta de distâncias inimagináveis de vapor de água ionizado - o chamado "quarto estado" -, ou a constatação que o ritmo de formação de estrelas se arrefeceu, são alguns dos resultados debatidos nesta semana em Noordwijk pela comunidade científica e apresentados hoje aos meios de comunicação. A partir do espaço, longe do muro que representa a atmosfera terrestre, Herschel oferece aos astrônomos imagens mais distantes do universo (e primitivas), captadas por meio da radiação infravermelha. Seu "olho", de uma resolução e sensibilidade inigualável, pode penetrar até as regiões mais frias do universo, completamente opacas aos demais telescópios. É a mesma sensação do camponês que entrava em uma catedral na época medieval, comentou durante a apresentação David Southwood, diretor de Ciência e Prospecção Robótica da ESA.
Os astrônomos que decifram os dados de Herschel se sentem, insistiu Southwood, como autênticos pioneiros, como o marinheiro de Cristóvão Colombo quando avistou o Mundo Novo.


Formação das estrelas

Nestes meses, Herschel revelou milhares de galáxias e nuvens da Via Láctea imersas no processo de formação de estrelas. Uma de suas observações, na nebulosa RCW 120, revelou pela primeira vez em estado embrionário uma estrela "impossível", isto é, um astro com uma massa 8 vezes superior a do sol, algo que segundo as teorias astrofísicas atuais não ocorria.
Os cientistas calcularam que o objeto contém "já" entre 8 e 10 vezes a massa do sol e que está rodeado do equivalente a 2 mil massas solares de gás e pó que seguirão alimentando-se até transformá-lo, dentro de centenas de milhares de anos, em uma das estrelas maiores e brilhantes da Via Láctea. Sabia-se da existência desses "monstros", mas nunca se tinha conseguido observar seu estádio inicial. Graças a Herschel, os astrônomos vão poder investigar onde falham as teorias que não permitem a existência de tais astros.
Conhecer o processo de formação das estrelas mais maciças é fundamental porque são as que controlam, através da gravidade, a dinâmica e as transformações químicas que se produzem dentro da galáxia, segundo explicou a professora Annie Zavagno, do Laboratório de Astrofísica de Marselha.

Evolução das galáxias

Herschel também está demonstrando que as galáxias evoluíram ao longo do tempo cósmico muito mais velozmente do que se imaginava. Os dados mostram que no passado nasceram diversas estrelas a um ritmo entre 10 e 15 vezes mais rápido que a Via Láctea na atualidade.
O telescópio espacial europeu se revelou igualmente um instrumento de vital importância para a detecção de moléculas no cosmos e descobriu uma nova fase de água, o chamado "quarto estado". Nesta fase, a molécula de H2O está carregada eletricamente e, ao contrário das outras três (sólida, líquida e gasosa), não aparece de forma natural na Terra.
Nas nuvens que rodeiam as estrelas jovens, onde a luz ultravioleta é bombardeada através do gás, a radiação arranca um elétron da molécula de água e a deixa carregada positivamente. "Descobrimos que a água está em todas as partes", afirmou Xander Tielens, da Universidade de Leiden.
Fonte:Estadão

Telescópio europeu flagra incubação de estrela

     Imagem do telescópio europeu Herschel mostra a bolha galáctica RCW 120 (azul); embaixo na bolha, uma estrela em      gestação.
O telescópio espacial europeu Herschel flagrou a rara imagem de uma "pérola" galáctica: uma estrela oito vezes mais maciça do que o Sol sendo incubada no interior de uma "concha" de matéria. A tal concha atende pelo nome pouco simpático de RCW 120. Trata-se de uma bolha de poeira e gás, produzida pelo brilho de uma estrela embrionária gigante, que se desenvolve há 2,5 milhões de anos.
Essa estrela não pode ser vista na imagem, captada em raios-X. Mas ela tem empurrado tanta matéria para fora que a casca dessa concha gigantesca, em azul na imagem, já começa a agregar material suficiente para formar outras estrelas. Na parte de baixo da casca já é possível observar uma delas, o ponto brilhante no meio do azul -- a "pérola" espacial.
Ela já tem pelo menos oito vezes a massa do Sol, mas continua crescendo. Afinal, as observações do Herschel mostram que a nuvem ao redor dela contém o equivalente a 2.000 massas solares.
É comida de sobra para a nova estrela, que pode chegar ao equivalente a 150 sóis.

Estrela impossível

Estrelas dessa dimensão são raras e duram pouco. Captar uma delas durante a sua formação é uma oportunidade de ouro para resolver um paradoxo de longa data na astronomia.
"De acordo com o entendimento atual, estrelas com mais de oito massas solares simplesmente não deveriam existir," diz Zavagno. A teoria atualmente aceita estabelece que a intensa luz emitida por uma estrela tão grande deveria afastar as nuvens de poeira que lhe serviram de berço, antes que ela pudesse acumular mais matéria.
Mas a realidade não obedeceu à teoria, e as imagens do Herschel comprovam que super estrelas podem de fato se formar. Algumas destas estrelas "impossíveis" são já conhecidas, e chegam a apresentar massas de 150 sóis. O fato de o Herschel ter avistado uma no início da sua vida irá permitir aos astrônomos investiguem onde está o erro da teoria.
Fontes:Folha e Inovação Tecnologica

Os Canais de Marte

As sondas espaciais enviadas em direcção ao planeta Marte, mostram-nos paisagens que apesar de serem muito belas, são de facto desertas e áridas. Nossa imagem em relação ao planeta Marte foi mudando ao longo do tempo, pois ainda há algumas décadas atrás, imaginávamos que poderíamos encontrar uma civilização neste nosso planeta vizinho. Vamos recuar no tempo, até 1877, quando o astrónomo italiano Giovanni Schiaparelli observou o planeta Marte aproveitando a aproximação deste ao planeta Terra, sendo que o planeta vermelho chegou a estar a “apenas” 56 milhões de km de distância. Este astrónomo foi desenhando à medida que observava a superfície de Marte criando um mapa deste planeta. Giovanni Schiaparelli desenhou uma complicada rede de linhas que cruzavam a superfície. A essas linhas este astrónomo chamou de canalis que em italiano significa "canais", "leitos de rios” ou “sulcos”, ou seja, seriam estruturas de origem natural. Porém, a palavra “canalis” foi mal traduzida para o inglês “canals”, que significa canais construídos de forma artificial. Estava lançada a base para um mito que durou muito tempo e que estimulou a imaginação de muitas pessoas. Passou-se a especular sobre a existência de uma civilização em Marte que estaria na origem desses canais. De notar que antes de Schiaparelli, já outros astrónomos tinham detectado linhas sobre a superfície do planeta, ainda que tenha sido este astrónomo italiano o primeiro a apresentar Marte coberto dessas linhas.
Um dos principais defensores dos canais de Marte, foi o matemático e astrónomo norte-americano, Percival Lowell que desenhou a superfície marciana e incluiu os canais. Este astrónomo acreditava que esses canais serviam para levar água dos pólos para todo o planeta e assim estar acessível aos seus habitantes. Nem todos aceitavam essa teoria, pois muitos astrónomos ao observar Marte não viam os famosos canais. Porém, foram surgindo outros astrónomos que afirmavam vê-los. De salientar que a observação do planeta Marte nem sempre era fácil mediante os instrumentos de observação disponíveis na época, por isso as observações não coincidiam entre todos os astrónomos. No ano de 1894, o astrónomo Edward Emerson Barnard efectuou as melhores observações até aquela data, com excelentes condições, não observando qualquer sinal dos canais observados por Schiaparelli e Lowell.
Foram surgindo astrónomos que defendiam que esses canais seriam causados por ilusões de óptica. O astrónomo inglês Edward Walter Maunder, demonstrou que a distância pode distorcer as imagens que recebemos, fazendo com que pontos separados na superfície de Marte pareçam formar uma linha. Tais “pontos” existem na superfície marciana e alguns observadores conseguiram observar esses “pontos” separados em momentos propícios à observação. Apesar disso, a polémica continuou. Porém, com o passar do tempo e o aperfeiçoamento dos instrumentos de observação, os famosos canais deixaram de ser vistos, mostrando que de facto não passavam de uma ilusão de óptica aliada à dificuldade de observação a partir da Terra. Actualmente, com grandes telescópios e com sondas espaciais que chegaram a Marte, sabemos que esses canais não existem.

IC 2944

Crédito: Hubble Heritage Team (STScI/AURA)
Ricos campos de estrelas e hidrogénio brilhante formam densas e opacas nuvens de gás interestelar, vistos aqui neste grande plano de IC 2944, pelo Telescópio Espacial Hubble. É uma brilhante região de formação estelar em Centauro, a 5,900 anos-luz de distância. O maior destes glóbulos escuros, vistos pela primeira vez pelo astrónomo da África do Sul A. D. Thackeray em 1950, deve ser na realidade duas nuvens sobrepostas, cada uma com mais de um ano-luz de comprimento. Combinadas, as nuvens contêm material equivalente a 15 vezes a massa do Sol, mas irão elas colapsar e formar estrelas massivas? Em conjunto com outros dados, as detalhadas imagens do Hubble indicam que os glóbulos de Thackeray são fracturados e são resultado de intensa radiação ultravioleta proveniente de jovens e quentes estrelas já energizando e aquecendo a brilhante nebulosa de emissão. Estes e outros glóbulos escuros similares associados com outras regiões de formação estelar podem no fim ser dissipadas pelo seu meio-ambiente hóstil - tal como bocados cósmicos de manteiga numa e quente gigante frigideira.
Fonte: http://www.ccvalg.pt/astronomia

Estrela de Neutrões

Quando uma estrela com uma massa cerca de oito vezes maior que a do Sol atinge o fim da sua vida, esgotando o combustível usado na reacção termonuclear de fusão, a transformação de matéria em energia cessa abruptamente. O astro deixa de poder manter o precário equilíbrio entre a força expansiva dos fotões e a acção gravidade. A estrela entra subitamente em colapso e, durante esse processo, a energia cinética de biliões de átomos é transformada em energia térmica, provocando uma imensa explosão. Durante algumas semanas, o brilho ofuscante de uma supernova pode ser tão intenso quanto o de mil milhões de estrelas. Neste estertor de morte, grande parte da massa original é expulsa para o espaço, originando uma nebulosa; a matéria remanescente aglomera-se num núcleo com uma massa equivalente a uma vez e meia a do nosso Sol, e que se contrai pela força gravítica, suficientemente forte para que o colapso não seja detido pela pressão de degenerescência dos electrões. Os átomos deixam de ter nuvens electrónicas; os electrões são empurrados para o núcleo e obrigados a interagir com os protões, formando neutrões. Só nesta situação se atinge um novo equilíbrio, pois dois neutrões não podem ocupar o mesmo espaço. A estrela tem agora cerca de duas dezenas de quilómetros de diâmetro e é tão densa que uma colher de chá desta matéria, tão estranha ao senso comum, pesaria na Terra 100 milhões de toneladas. Quando o conceito de estrela de neutrões foi proposto por Subramanyan Chandrasekhar na década de 1930, a maioria dos astrónomos ridicularizou a ideia. Mas, com o advento de telescópios que podem detectar ondas de rádio, raios-X e infravermelhos, os nossos olhos abriram-se para o Universo invisível.
Fonte: Astronomia Viva

Bolha Cósmica

© Keith B. Quattrocchi (Bolha de Cisne)
Dois grupos de astrônomos, trabalhando de forma independente, "co-descobriram" um corpo celeste inusitado e sem precedentes. O novo objeto, que se parece com uma gigantesca bolha de sabão cósmica, foi catalogado como uma nebulosa planetária. Apesar do nome, nebulosas planetárias são formadas quando uma estrela com uma massa equivalente a até oito vezes a massa do Sol ejeta suas camadas externas na forma de um gás luminoso. O novo objeto foi batizada de PN G75.5+1.7, mas já está sendo chamado de Bolha de Cisne, em referência à constelação onde ela se encontra, a 11 anos-luz da Terra. A bolha de sabão cósmica pode ser um cilindro, do qual estaríamos vendo apenas uma das extremidades. Existem nebulosas de diversos formatos, sendo que a maioria é elíptica. Quando a estrela ejeta seus gases a partir dos pólos, a nebulosa formada pode ter um aspecto cilíndrico. Contudo, a Bolha de Cisne tem uma simetria muito grande, o que aumenta a probabilidade de que ela seja de fato uma bolha. Revisando imagens de um mapeamento celeste feito há 16 anos, os pesquisadores perceberam que a Bolha de Cisne já estava nas fotografias. Contudo, ela passou despercebida devido ao seu brilho, que é muito tênue. Os cálculos indicam que hoje ela continua com a mesma luminosidade e o mesmo tamanho.
Ainda não está claro quem constará como descobridor da nebulosa-bolha-de-sabão. O astrônomo Dave Jurasevich, do Observatório Monte Wilson detectou o novo objeto mas, em seguida, descobriu-se um comunicado de duas outras astrônomas, Mel Helm e Keith Quattrocchi, que também o detectaram. Em seu site, Keith Quattrocchi reconhece a precedência da descoberta do Dr. Jurasevich, mas ainda não há uma definição formal da União Astronômica Internacional. Segundo o NOAO (Observatório Óptico Nacional de Astronomia), a simetria esférica da "bolha" é notável e se parece muito com a também nebulosa planetária conhecida como Abell 39, localizada a 7 mil anos-luz da Terra. As nebulosas planetárias são constituídas por gases e plasma e se formam a partir de estrelas que estão no período final de vida. O fenômeno funciona como os resquícios da morte de uma estrela: na fase final, dependendo da massa, pode lançar ao espaço as camadas externas da estrela.
Fonte: NOAO (Observatório Óptico Nacional de Astronomia)
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