17 de mai de 2010

A furtiva Nebulosa da Medusa revelada por Bob Franke

        
A Nebulosa da Medusa em geral é bem difícil de ser visualizada devido ao seu tênue brilho. Aqui sua imagem foi capturada em falsas e sedutoras cores. Cercada por duas estrelas muito brilhantes, Mu (Tejat) e Eta Geminorum (Propus), aos pés da constelação de gêmeos, a Nebulosa da Medusa é uma brilhante nebulosa de emissão em arco com seus tentáculos dependurados abaixo e à direita do centro.

Remanescente de Supernova

Na verdade, a medusa cósmica é considerada uma parte da nebulosa remanescente de supernova IC 443, em formato de bolha, uma nuvem de escombros em expansão resultante da explosão de uma  estrela massiva (supernova). A luz desta supernova atingiu nosso planeta pela primeira vez há mais de 30.000 anos.

A Nebulosa da Medusa hospeda uma estrela de nêutrons, descoberta por estudantes
Da mesma forma que seu ‘primo marítimo em águas astrofísicas’, a remanescente de supernova chamada de Nebulosa do Caranguejo (M1), a nebulosa IC  433 é conhecida por hospedar a estrela de nêutrons CXOU J061705.3+222127, remanescente do núcleo de uma massiva estrela que colapsou. O fato notável é que este objeto foi descoberto por 3 estudantes do ensino secundário, ao vasculhar dados de raios-X do observatório espacial Chandra, comparando-os com dados de rádio da rede de radiotelescópios Very Large Array. A nebulosa de emissão Sharpless 249 preenche esta paisagem cósmica acima e à esquerda.
A Nebulosa da Medusa dista 5.000 anos-luz da Terra. Nesta distância, esta imagem mede 300 anos-luz de extensão.
Há 10 anos, a estrela de nêutrons, que contém as cinzas remanescentes da supernova que originou a nebulosa IC 443, foi descoberta por 3 estudantes de escola secundária, usando dados de raios-X do observatório espacial Chandra junto com informações de rádio captadas pelo Very Large Array. Crédito: Chandra X-Ray Observatory

Percival Lowell

Percival Lowell nasceu em 1855 em uma família nobre da Nova Inglaterra, nos Estados Unidos. Seu irmão mais novo foi diretor da Universidade de Havard e sua irmã era uma escritora muito conhecida. Lowell se graduou em Matemática com distinção no ano de 1876. Ele viajou durante anos pelo país e seu interesse por Astronomia surgiu por causa do planeta Marte, naquela época considerado lar de uma civilização muito mais avançada que a nossa, lutando bravamente pela sua sobrevivência num planeta com severas mudanças climáticas e escassez de água. Tudo isso começou com as observações do astrônomo italiano Giovanni Schiaparelli (1835-1910). Ele percebeu, com um telescópio, uma série de linhas finas que uniam áreas escuras na superfície do planeta, como canais naturais que unem regiões alagadas.Schiaparelli as chamou de canali, mas o termo foi traduzido para o inglês channel, que significa canal artificial. E aquela era uma época de grandes marcos na engenharia mundial, como o canal de Suez (1869), o de Corinto (1893) e o do Panamá (1914). Percival Lowell decidiu então construir um observatório com recursos próprios, em Flagstaff, no Estado do Arizona, a 1.500 m de altitude e sob um clima desértico não perturbado por nuvens nem pelas luzes das cidades, excelente para observações astronômicas.
                                           Mapa de Marte compilado por Giovanni Schiaparelli entre 1877 e 1886. A maioria
                                              dos nomes do relevo (Mare australe, por exemplo) ainda estão em uso hoje.
Ele estava disposto a concentrar recursos e esforços para entender melhor o misterioso Planeta Vermelho – mas estava também fascinado pela “habilidade dos engenheiros marcianos".

Obsessão

POR 15 ANOS, SUAS ANOTAÇÕES foram repletas de áreas escuras e brilhantes, sugestões de calotas polares e um planeta inteiramente enfeitado por canais. Dezenas deles, cruzando Marte em todas as direções, uma rede complexa e sofisticada que buscava trazer água dos pólos para irrigar as regiões equatoriais. Lowell acreditou que os marcianos teriam construído tudo aquilo, num esforço desesperado de uma raça mais antiga e mais sábia que nós, ainda assim a mercê de graves alterações sazonais em seu mundo – que pedia socorro.
Lowell observou que Marte era seco e árido, assim mesmo muito parecido com a Terra. Os marcianos eram bons e esperançosos. A visão de Lowell ganhou aceitação popular, quase tão mística quanto o próprio Gênesis. Até hoje queremos ver vida em Marte. Desse modo, os canais marcianos foram uma "realidade" por muitos anos, até que o aperfeiçoamento dos instrumentos óticos e o envio de sondas espaciais ao Planeta Vermelho mostrou que eles simplesmente nunca existiram. Os canais de Marte, do modo como via Lowell, são resultado de uma disfunção óptica, sob condições de visibilidade difíceis – aliadas ao profundo desejo de ver alguma coisa. Foi a interpretação errônea de dados observacionais que havia criado os canais e os seus construtores. Lowell faleceu em 1916, mas deixou grandes contribuições para o nosso conhecimento da natureza e da evolução dos planetas. Foi também decisivo na descoberta de Plutão, que recebeu este nome em sua lembrança: as duas primeiras letras desse planeta são também as iniciais de Percival Lowell. E seu símbolo é P, um monograma planetário.
Fonte:astronomia no Zênite
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