13 de set de 2010

O que são estrelas variáveis?

                                                               As estrelas T Tauri são um tipo de estrelas variáveis
São estrelas que variam de brilho ao longo do tempo, de forma periódica ou não. A variação de brilho ocorre basicamente por dois motivos:
 1) Variações decorrentes de fatores relacionados à própria estrutura física das estrelas, como contrações e expansões de suas camadas mais externas, com o conseqüente aumento e diminuição da superfície irradiadora. Outras estrelas variam de brilho em decorrência de erupções e explosões ocorridas em suas cromosferas. De forma geral, as estrelas que apresentam um destes mecanismos de variabilidade são conhecidas como variáveis intrínsecas.
2) Variações decorrentes de fatores externos à constituição física estelar, como eclipses parciais ou totais ocorridos em sistemas estelares binários ou múltiplos. Uma estrela com grandes manchas em sua cromosfera pode apresentar-se também como variável, à medida que sua rotação axial nos mostra faces com maior ou menor intensidade luminosa. Outras ainda podem se tornar variáveis em função da sua interação com nebulosidades que as circundam. De forma geral, as estrelas que apresentam um destes mecanismos de variabilidade são conhecidas como variáveis extrínsecas.
A rigor, se considerarmos uma estrela qualquer durante toda sua trajetória evolutiva, ela certamente irá variar de luminosidade em pelo menos uma fase de seu ciclo de vida. Sob esta óptica, poderíamos dizer que toda estrela é, foi, ou será variável. No entanto, o conceito mais popular de estrela variável aplica-se apenas à fase observável da estrela ao longo da existência humana.
(Padilla/Tasso)
Fonte:rea-brasil.org

Disco gigante de gás quente em NGC 1700

Crédito: NASA/Ohio U./T.Statler.
Telescópio: Chandra.
Esta imagem da galáxia NGC 1700 obtida pelo satélite Chandra mostra um estrutura oval de gás quente a milhões de graus Celsius. Estas e outras observações permitiram descobrir, no interior desta nuvem de gás quente, um disco de gás com cerca 90000 anos-luz de diâmetro, fazendo dele o maior disco de gás conhecido. Análises do disco revelaram que este se encontra a arrefecer e em rotação. Estes dados levam a crer que NGC 1700 se terá formado devido à colisão de uma galáxia espiral em rotação com uma galáxia elíptica contendo gás quente.
Fonte:portaldoastronomo.org

50 horas para resolver um esconde-esconde de estrelas

Mesmo depois de estudar várias e várias vezes uma região é preciso olhar mais uma vez para se ter certeza. Nesse caso só olhar de novo não basta, precisa de um raio X.
A Nebulosa da Roseta é um berçário de estrelas de alta massa – aquelas que têm pelo menos 10 vezes a massa do Sol – e tem sido estudada há várias décadas. Sabemos que em seu centro está o aglomerado NGC 2244, mas logo ao seu lado está também o aglomerado de estrelas NGC 2237. Situada na Constelação de Monoceros (o unicórnio) a 5 mil anos-luz de distância, essa nebulosa é uma referência quando se estuda a formação de estrelas massivas.
O aglomerado central da nebulosa possui dezenas de estrelas de alta massa e este fato por si só já a faz um alvo bem interessante. É relativamente raro encontrar corpos desse tipo. Além disso, há ventos estelares muito fortes, que influenciam toda a região próxima às estrelas. O fato de várias delas estarem aglomeradas multiplica essa ação na sua vizinhaça, atuando tanto para formar outra geração de estrelas quanto para impedir que a formação continue por muito tempo. É fácil perceber essa ação na imagem como um buraco escavado na nebulosa. Isso é resultado da ação do vento das estrelas do aglomerado NGC 2244.
Na Nebulosa da Roseta, evidências para essa geração subsequente de estrelas já tinham sido encontradas, mas o número dessas estrelas parecia muito menor do que o esperado. Por isso tantas vezes ela foi estudada. Dessa última vez, o telescópio espacial Chandra foi apontado para a região da nebulosa durante 50 horas para procurar as estrelas que estavam faltando.
Essa imagem combina uma foto no óptico, obtida no observatório de Kitty Peak nos EUA, e uma em raios X obtida pelo Chandra, vista aqui como esses retângulos brancos. Cada ponto cor-de-rosa é uma fonte de raios X, ou seja uma estrela. Comparando-se as duas imagens podemos notar vários desses pontos cor-de-rosa nas regiões mais nebulosas. Esses pontos são estrelas de baixa massa (menos do que 8 massas solares) que estão se formando. Quando essas novas imagens foram comparadas às imagens antigas, 124 novas estrelas foram descobertas no aglomerado NGC 2237, que fica abaixo à direita do centro da Roseta. Com esse estudo do pessoal da Universidade do Estado da Pensilvânia, o aglomerado ficou agora com 160 estrelas conhecidas, estrelas essas formadas após as estrelas de NGC 2244.
Créditos:Cássio Barbosa-Observatório/G1

Meteorito que caiu na França tem vestígios de supernovas

                                                       © MNHN (condrito carbonáceo de Orgueil)
Um meteorito que caiu na Terra há quase 150 anos parece conter estilhaços microscópicos de uma estrela que explodiu quando surgiu o sistema solar.Os meteoritos oferecem-nos a rara oportunidade de examinarmos compostos orgânicos de origem extraterrestre. De grande interesse para os investigadores da origem da vida são os meteoritos carbonáceos que, como vimos, constituem uma pequena percentagem de todos os meteoritos conhecidos. Chamam-se assim por conterem côndrulos e uma quantidade variável de compostos orgânicos que em alguns casos pode ultrapassar os 5% do peso total da amostra. Um dos mais notáveis condritos carbonáceos é o meteorito de Orgueil que caiu no Sul de França em 14 de Maio de 1864. Cerca de vinte pedras, a maior do tamanho da cabeça de um de um homem, espalharam-se numa área de cerca de 3 Km2, perto da aldeia de Orgueil. Quase 12 quilos foram recolhidos logo após a queda, e mais de 9 estão no Museu de História Natural de Paris. A composição química do meteorito Orgueil indica que uma estrela explodiu e formou uma supernova há cerca de 4,5 bilhões de anos, quando os planetas estavam se formando ao redor do Sol. A partir dos restos encontrados no meteorito francês, os cientistas quiseram determinar que tipo de estrela explodiu e se foi gerada uma supernova tipo 1 ou tipo 2. A supernova tipo 1 ocorre com a morte de uma estrela anã-branca pequena, mas extremamente densa. Já a supernova tipo 2 se forma quando uma estrela gigante (pelo menos nove vezes mais pesada que o Sol) queima quase todo o seu combustível, o que desencadeia um colapso interno seguido de uma explosão. Grãos de supernova tipo 2 já foram encontrados em meteoritos antes, mas, até agora, nenhum marcador de supernova tipo 1 havia sido achado.  A grande quantidade de cálcio 48 encontrada no meteorito Orgueil levou os cientistas a acreditarem que ele foi originado de uma supernopva tipo 1. Isso porque o cálcio 48 é gerado em grandes quantidades na supernova tipo 1, mas é inexistente na supernova tipo 2.
O estudo pode, ainda, resolver o mistério de variação da quantidade de elementos químicos entre planetas e entre meteoritos. Antes, os cientistas acreditavam que os elementos químicos foram distribuídos uniformemente por uma espécie de nuvem de gás e poeira que entrou em colapso para formar o nosso sistema solar. Agora, com a descoberta da composição do meteorito Orgueil, a expectativa é que a distribuição de elementos metálicos não tenha sido tão uniforme assim. Os resultados sugerem que a supernova lançou os grãos desordenadamente no espaço e que esses grãos foram incorporados em meteoritos, como o Orgueil, e em planetas que estavam começando a se formar em torno do Sol.  Os grãos analisados têm menos de 100 nanômetros de diâmetro, ou seja, cerca de um milésimo da largura de um fio de cabelo humano. O estudo do meteorito foi liderado por Nicolas Dauphas, pesquisador da Universidade de Chicago, nos Estados Unidos.
Créditos: Astro News

KOI-74b é uma Anã Branca

                                                                                    (imagem: DiscoveryNews)
Em Janeiro passado dei conta nesta notícia da descoberta de duas estrelas invulgares pela equipa da missão Kepler. Designadas de KOI-74 e KOI-81 (KOI = Kepler Object of Interest), as estrelas têm tipos espectrais A1V e B9V, respectivamente, e as curvas de luz obtidas pelo Kepler indicam a presença de trânsitos por corpos do tamanho de Júpiter, com periodicidades de 5.2 e 23.9 dias, respectivamente. A característica mais desconcertante destes corpos, deduzida a partir da observação dos eclipses secundários (quando estes passam por detrás das estrelas hospedeiras), é a sua temperatura elevadíssima: 2250 Kelvin para o KOI-74b e 13500 Kelvin para o KOI-81b. Na altura foi proposta a ideia de que estes corpos poderiam tratar-se de anãs brancas de pequena massa, o que explicaria o seu raio anormalmente grande e as temperaturas elevadas. Uma análise posterior das observações do Kepler permitiu detectar, no caso do KOI-74b, uma pequena modulação no brilho da estrela hospedeira que seria provocado pelo efeito de Doppler associado ao movimento orbital das estrelas. Esta observação inédita permitiu determinar sem um único espectro a velocidade orbital das estrelas e derivar a massa da suposta anã branca: 0.22 vezes a massa solar. Há poucos momentos foi publicado um artigo por uma extensa equipa de astrónomos, que inclui o português Nuno Santos, com novos desenvolvimentos. A equipa mediu a velocidade radial do sistema da forma tradicional, por análise de espectros obtidos com o espectrógrafo SOPHIE montado no telescópio de 1.93 metros do observatório de Haute-Provence, em França. A massa estimada por este método, 0.252 (+/- 0.025) a massa do Sol, confirma de forma espectacular a análise prévia da fotometria do Kepler para a estrela e establece sem sombra de dúvidas a natureza da KOI-74b. Este cenário levanta no entanto um problema. De facto, as anãs brancas pouco maciças formam-se a partir de núcleos de estrelas igualmente pouco maciças. Por outro lado, uma estrela menos maciça que a actual primária de tipo espectral A1V só poderia evoluir até à fase de anã branca depois de a primária o ter feito. Aparentemente, um sistema binário como o KOI-74 não deveria existir. A solução para este aparente paradoxo pode residir na possibilidade de a actual estrela primária e mais maciça ter sido inicialmente a menos maciça do par. A proximidade das estrelas terá feito com que, durante a fase de gigante vermelha da estrela originalmente mais maciça, uma parte substancial da sua massa tenha sido transferida para a actual primária, tornando-a mais luminosa e quente. Simultaneamente, a massa perdida terá provocado a formação de uma anã branca com uma massa particularmente pequena. De facto, anãs brancas com massas tão pequenas parecem exclusivas de sistemas binários, o que suporta de alguma forma este cenário para a formação do KOI-74b e para a actual configuração do sistema.
Créditos:astropt.org

A Grande Galáxia Espiral Barrada

Créditos:ESO/IDA/Danish 1.5 m/ R. Gendler, J-E. Ovaldsen, C. Thöne, and C. Feron.
Localizada a 61 milhões de anos-luz de distância da Terra na constelação de Formax, a NGC 1365 é enorme. Ela possui 200000 anos-luz de comprimento e é uma das maiores galáxias conhecidas pelos astrônomos. Isso somado a a clara definição de uma barra formada por estrelas antigas atravessando sua estrutura é que faz com que ela seja conhecida como a Grande Galáxia Espiral Barrada. Os astrônomos acreditam que a Via Láctea tenha uma aparência bastante similar a essa galáxia, porém com metade do tamanho. O centro brilhante da galáxia é formado por uma grande quantidade de gás super quente ejetado de um anel de material que circula um buraco negro central. Estrelas jovens e luminosas, que nascem nas nuvens interestelares dão aos braços uma proeminente aparência e uma coloração azulada. A barra e os braços espirais possuem um movimento de rotação onde uma volta completa leva aproximadamente 350 milhões de anos. Essa imagem combina observações realizadas por meio de três diferentes filtros (B, V e R) feitas com o telescópio dinamarquês de 1.5 metros no observatório La Silla do ESO no Chile.

Estrelas Jovens em NGC 7129

Jovens estrelas como o Sol ainda estão dentro da empoeirada NGC 7129, localizada a aproximadamente 3.000 anos-luz de distância do Sol na direção da constelação de Cepheus. Essas estrelas estão em uma idade relativamente nova, com somente alguns milhões de anos de vida, o nosso Sol provavelmente se formou em um berçário estelar parecido a aproximadamente 5 bilhões de anos atrás. O que é mais notável nessa imagem detalhada é a presença de nuvens de poeira azuladas que refletem a luz da juventude estelar, além disso pode-se observar também formas crescentes pequenas e avermelhadas que são marcadores de estrelas jovens e energéticas. Conhecida como objetos Herbig-Haro, sua forma e cor são características marcantes do gás hidrogênio brilhante que é atravessado por jatos emitidos de estrelas recém nascidas. Ao final do processo, todo o gás e poeira na região irá desaparecer, as estrelas começam a sofrer uma deriva a medida que o aglomerado orbitar o centro da galáxia. Na distância estimada da NGC 7129, essa imagem telescópica se espalha por uma distância de 40 anos-luz.

Quanta água exatamente existe na Terra?

Você já ouviu falar que toda a água potável do planeta irá acabar em 30 anos? E já se perguntou, afinal, quanta água existe, exatamente, na Terra? Nós temos a resposta. Pense em uma bola de basquete. Se a Terra fosse do tamanho dessa bola, toda a água do planeta caberia em uma bola de tênis de mesa. A quantidade exata de água é 1332 quilômetros cúbicos, de acordo com o Instituto de Pesquisa Geológica dos EUA. 72% do nosso planeta estão cobertos por água, mas 97% dessa água toda é salgada, vinda dos mares e oceanos – e não é potável. Os oceanos possuem uma camada de 24mil quilômetros ao redor da Terra, com uma média de profundidade de 3,2 quilômetros. Parece ser muita água, mas na verdade não é. Especialistas comparam a situação com uma maçã – se o nosso planeta fosse uma maçã, a água seria equivalente à casca da fruta.
 
A água potável do planeta (aqueles 3% restantes) está separada da seguinte forma:
•70% estão congelados
•1% está acessível para consumo imediato
•6 países (Brasil, Canadá, Rússia, Indonésia, China e Colômbia) possuem 50% de todas as reservas de água fresca do planeta
•Um terço da população vive em países que consomem mais água do que o país oferece
 
Tenha todos esses dados em mente quando for tomar banho, escovar os dentes ou fazer aquela faxina em casa. Um litro de água que você economize estará fazendo uma grande diferença. A foto acima mostra como seria a Terra sem água, seguida de um pequeno planeta que seria feito da água retirada. O astro menor representa a água potável, em escala exata. [Life'sLittleMysteries]
Créditos:Luciana Galastri-hypescience.com

Sonda revela visão da Lua impossível de se obter da Terra

A Lunar Reconnaissance Orbiter (LRO), sonda na Nasa em órbita da Lua, produziu um mosaico de imagem que mostra todo o hemisfério leste do satélite natural da Terra, revelando metade do lado próximo e metade do lado oculto da Lua. Essa combinação nunca é vista a partir da superfície terrestre. As legendas do mosaico ortográfico são: Se=Mare Serenitatis, T=Mare Tranquillitatis, F=Mare Frigoris, C=Mare Crisium, M=Mare Marginis, S=Mare Smythii, A=Mare Australe, Ts=Mare Tsiolkovskiy, Mv=Mare Moscoviense. A metade esquerda da imagem mostra parte do lado próximo, que é a face que a Lua mantém permanentemente voltada para a Terra, com as grandes plantícies de lava, ou "mares", que são sua característica mais marcante. Já a metade direita mostra parte do lado culto, que só foi visto pela primeira vez no século passado, em imagens de sondas espaciais.
O "mar" que aparece na altura da linha do equador, perto da margem esquerda, é o Mar da Tranquilidade, onde a Apollo 11 pousou em 1969, no lado próximo da Lua.
Já as duas depressões circulares e escuras que surgem perto da borda direita são o Mar de Moscou (no alto) e o Mar de Tsiolkovsky (abaixo), batizados depois de serem descobertos por uma sonda soviética, a priemira a fazer fotos do lado oculto.
Lançada em 2009, a LRO circunda a Lua numa órbita que passa sobre os polos do satélite, a cerca de 50 km de altitude. As lacunas na imagem correspondem a áreas que ainda não foram integragas ao mosaico.
Fonte:Astro News

Novos telescópios poderão encontrar oceanos em planetas distantes

A mais nova geração de telescópios poderá identificar oceanos em planetas fora do Sistema Solar, segundo astrônomos – ou seja, ficará muito mais fácil encontrar outros lugares no espaço que possam abrigar vida. A esperança dos cientistas é que um novo telescópio, que deverá ser lançado pela Nasa em 2014, possa capturar o brilho que uma superfície coberta por água teria. Eles procurariam por essa evidência, primeiramente, em planetas com o mesmo tamanho da Terra e com a distância de suas “estrelas mãe” aproximadamente igual a que o nosso planeta tem do Sol. Segundo os pesquisadores, um oceano é o sinal mais óbvio de que a vida poderia ter se desenvolvido no planeta da mesma forma que se desenvolveu na Terra. Essa técnica do brilho foi usada na lua de Saturno, Titã, para comprovar a existência de um oceano de metano (foto). Outra técnica que poderia ser usada para identificar vida seria procurar por áreas verdes, que indicassem vegetação, em outros planetas – mas como a vegetação não pode refletir como a água, seria uma missão mais difícil. Ondas infravermelhas teriam que ser usadas, para que os pigmentos da vegetação ficassem com propriedades refletivas. O telescópio milagroso seria o JWST, que deve ser lançado pela Nasa em 2014 e está sendo apontado como o sucessor do Hubble. Sua missão principal é explorar o Universo mais próximo de nós e tentar entender a formação das primeiras galáxias. [BBC]
Créditos:Luciana Galastri-hypescience.com

Foto espacial: a incrível Galáxia Girassol

Essa belíssima galáxia em espiral chamada Messier 63 está a 25 milhões de anos luz de distância de nós, na constelação de Canes Venaciti (conhecida por aqui como “Os Cães de Caça).
Catalogada como NGC 5055, ela tem 100 mil anos luz de comprimento – aproximadamente o comprimento da nossa Via Láctea -, mas é mais conhecida pelo apelido simpático “Galáxia Girassol”.
As regiões rosas que você vê na foto são áreas de formação de estrelas e o arco que se estende para além da galáxia, segundo astrônomos, são os restos de uma galáxia “satélite” bem menor, atraída pela força gravitacional da Girassol, que se fundiu a alguns milhões de anos com a galáxia maior. [Nasa]
Créditos: Luciana Galastri-hypescience

Leis da Física podem variar ao longo do Universo

Uma equipe de astrofísicos está propondo uma teoria que muda radicalmente a forma como entendemos o Universo. Em um artigo ainda não aceito para publicação em revistas científicas, o grupo afirma ter encontrado indícios de que as leis da física são diferentes em diferentes partes do Universo.
Pelos dados obtidos pelos pesquisadores, a constante alfa não seria constante, mas variável, contrariando o princípio da equivalência de Einstein, que estabelece que as leis da física são as mesmas em qualquer lugar. [Imagem: Julian Berengut/UNSW]
Constante alfa - O artigo propõe que uma das supostas constantes fundamentais da natureza talvez não seja assim tão constante. Em vez disso, este "número mágico", conhecido como constante de estrutura fina - ou constante alfa - parece variar ao longo do Universo. A constante alfa mede a magnitude da força eletromagnética - em outras palavras, a intensidade das interações entre a luz e a matéria. Há alguns anos, físicos propuseram que alfa poderia ter variado ao longo do tempo - numa escala de 12 bilhões de anos - mas agora os físicos propõem que ela varia ao longo do espaço. Pelos dados obtidos pelos pesquisadores, a constante alfa não seria constante, mas variável, contrariando o princípio da equivalência de Einstein, que estabelece que as leis da física são as mesmas em qualquer lugar. "As implicações para o nosso entendimento atual da ciência são profundas. Se as leis da física passam a ser apenas 'sub-leis locais', pode ser que, embora a nossa parte observável do Universo favorece a existência da vida e dos seres humanos, outras regiões mais distantes podem ter diferentes leis que se oponham à formação da vida, pelo menos tal como a conhecemos," especula ele.

Eixo magnético universal - As conclusões dos pesquisadores foram baseadas em medições realizadas com o Very Large Telescope (VLT), no Chile, e com os maiores telescópios ópticos do mundo, no Observatório Keck, no Havaí. "Os telescópios Keck e VLT estão em hemisférios diferentes - eles olham para direções diferentes ao longo do Universo. Quando olhamos para o norte com o Keck, vemos em média um alfa menor nas galáxias distantes, mas quando olhamos para o sul com o VLT, vemos um alfa maior," explica o Dr. Julian King, coautor do trabalho. A variação observada é muito pequena, não mais do que 1 parte em 100.000. "Mas é possível que variações muito maiores possam ocorrer fora do nosso horizonte observável", especula King.  "Depois de medir a constante alfa em cerca de 300 galáxias distantes, surgiu uma consistência: este número mágico, que nos dá a força do eletromagnetismo, não é o mesmo em todos os lugares, como ele é aqui na Terra, e parece variar continuamente ao longo de um eixo preferencial através do universo," explica o professor John Webb, da Universidade de Nova Gales do Sul, na Austrália.
Este talvez seja o elemento mais intrigante da proposta, o fato de a variação ter sido detectada como uma continuidade ao longo do espaço, o que daria uma espécie de "eixo preferencial" para o Universo - é como se houvesse um eixo magnético universal, atravessando todo o Universo observável, da mesma forma que há um eixo magnético de polo a polo da Terra. De forma bastante interessante, esse eixo magnético universal coincide com medições anteriores que deram origem à teoria do chamado Fluxo Escuro, que indica que uma parte da matéria do nosso Universo estaria vazando por uma espécie de "ralo cósmico", sugada por alguma estrutura de um outro universo.

Variação das leis da física

Se os dados se confirmarem - e não tiverem outra explicação menos revolucionária - um achado como esse poderia obrigar os cientistas a repensarem totalmente sua compreensão das leis da Natureza.
A variação da constante alfa foi detectada como uma continuidade ao longo do espaço, o que daria uma espécie de "eixo preferencial" para o Universo - é como se houvesse um eixo magnético universal, atravessando todo o Universo observável, da mesma forma que há um eixo magnético de polo a polo da Terra. [Imagem: Webb et al.]
"A constante de estrutura fina, e outras constantes fundamentais, são absolutamente centrais para a nossa teoria atual da física. Se elas realmente variam vamos precisar de uma teoria melhor, mais profunda," arrisca o Dr. Michael Murphy, coautor do trabalho. A variação das leis da física, seja no espaço ou no tempo, sempre ocupou a mente dos cientistas. Pelas teorias atuais, uma pequena variação de alfa, por exemplo, significaria que as estrelas não produziriam carbono, a base da química que forma a vida na Terra. É por isso que os cientistas afirmam que são as características "especiais" deste nosso ponto no Universo que criam as condições para a vida como a conhecemos, características estas que poderiam não existir em outros pontos. Uma afirmação de resto circular - poderia haver outros "pontos de equilíbrio", que dariam origem a formas de vida diferentes da nossa, algo como "se a vida não fosse assim, seria diferente" - descartada, obviamente, a hipótese da "não-vida". "Embora uma 'constante variável' possa abalar a nossa compreensão do mundo que nos rodeia, afirmações extraordinárias exigem evidências extraordinárias. O que estamos descobrindo é extraordinário, não há dúvida sobre isso," diz Murphy. Talvez. Mas tudo recomenda que se espere até que o artigo seja revisado por outros cientistas e aceito para publicação em uma revista conceituada. Resta saber, sobretudo, se os outros cientistas acharão que uma variação de 1 em 100.000 é assim tão extraordinária.
Fonte: Inovação Tecnológica

Cometa Halley

O cometa Halley é um cometa grande e brilhante que orbita em torno do Sol, em média, a cada 76 anos, quer dizer, seu período orbital pode oscilar entre 74 e 79 anos. Trata-se de um dos mais conhecidos e brilhantes cometas (visível a olho nu) de periodicidade “curta” do cinturão de Kuiper. Foi observado pela última vez em 1986 nas proximidades da órbita terrestre, calcula-se que a próxima visita seja no ano de 2061, a anterior ocorreu em 1910. O cometa Halley foi o primeiro a ser reconhecido como periódico, sua órbita foi calculada pela primeira vez pelo astrônomo Edmund Halley em 1705. Foi observado anteriormente pelo astrônomo alemão Regiomontano.

 Há relatos de que este cometa foi visto pela primeira vez no ano de 239 a.C. Em suas observações, Edmund Halley comprovou que as características do cometa coincidiam com as descritas em 1531 (descritas por Pietrus Apianus) e, em 1607, observadas, em Praga, por Johannes Kepler. Halley concluiu que correspondiam ao mesmo objeto celeste, que retornava a cada 76 anos. Assim, fez a estimativa da órbita e previu sua reaparição para o ano de 1757. Sua previsão não foi totalmente correta, visto que o cometa retornou no dia 25 de dezembro de 1758. Neste caso, a atração gravitacional de Júpiter e de Saturno foi responsável pelo atraso do cometa, fato que Halley não pôde contemplar, pois faleceu em 1742.
A órbita do cometa Halley é bastante elíptica, seu periélio (menor distância em relação ao corpo ao qual orbita, neste caso o Sol) é de 0,6 UA (uma UA – unidade astronômica – corresponde a 149.598.000 km) entre as órbitas de Mercúrio e Vênus. Seu afélio (maior distância em relação ao Sol) é de 35 UA, quase a distância da órbita de Plutão. A órbita deste cometa ocorre na direção contrária à dos planetas. A sonda Giotto (da Agência Espacial Européia – ESA) proporcionou aos astrônomos a primeira visão da estrutura da superfície do cometa Halley. A cauda deste se estende através de milhões de km pelo espaço e seu núcleo é relativamente pequeno: possui 15 km de comprimento, 8 km de largura e 8 km de altura.

Somente 4% da luz que este cometa recebe são refletidos e, mesmo parecendo muito brilhante e branco, tal objeto é preto. A cor branca que vemos da terra se deve ao desprendimento de vapor do núcleo do cometa. O vapor é formado de 80% de água, 17% de monóxido de carbono, 3 a 4% de dióxido de carbono e vestígios de hidrocarbonetos. Descobriu-se também que no núcleo do cometa há crateras (algumas com 1 km de diâmetro) vazias e algumas cheias de gelo. Quando o cometa se aproxima do Sol, a temperatura do mesmo pode chegar a 77°C, quando são emitidas toneladas de gás por segundo.
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