21 de set de 2010

A nebulosa dos fantasmas

A imagem é composta por observações feitas em 2005 a partir da luz emitida pelo hidrogênio e por registros feitos neste ano devido a emissão de luz por átomos de oxigênio.Nasa/ESA/Hubble Heritage Project (STScI/AURA)
A constelação de Carina é uma região bastante rica para quem gosta de garimpar os céus. Vista com facilidade no Hemisfério Sul, é nessa constelação que se projeta um dos braços do padrão espiral da Via Láctea. Nessa região podemos encontrar dezenas de aglomerados de estrelas, nebulosas e regiões de formação estelar. Também em Carina está localizada a estrela mais massiva conhecida em nossa galáxia, eta Carina. Na verdade, um colega meu, Augusto Damineli, mostrou que eta Carina é um sistema duplo, com duas estrelas muito massivas, uma delas com algo em torno de 70 e a outra com 40 vezes a massa do Sol. Muitos desses aglomerados em Carina contêm várias estrelas de alta massa (com mais de 8 vezes a massa do Sol) que são muito brilhantes e quentes. Por isso mesmo, têm ventos intensos e emitem radiação de alta energia. Com tanta radiação e energia, o resultado é que as nuvens de gás, poeira e gelos são deformadas, esculpidas e comprimidas resultando em condições propícias para a formação de mais estrelas, mas também resultando em imagens fantásticas como essa. Essa imagem em específico mostra uma região de Carina onde tudo isso está acontecendo: vento e radiação formando esse quadro fantasmagórico de nuvens escuras e estrelas em formação. Essa foto é uma composição de imagens da câmera ACS obtida em 2005 pelo telescópio espacial Hubble, onde um dos filtros é para registrar a emissão vinda de átomos de hidrogênio e outro filtro é para detectar a emissão de átomos de oxigênio. Toda essa profusão de estrelas novas, velhas, nebulosa e radiação acontece a 7 mil anos-luz.
A agenda astronômica desta semana está bem agitada. Hoje à noite Júpiter estará em oposição e na madrugada estará em máxima aproximação. A cada 13 meses a Terra e Júpiter se aproximam e desta vez eles estarão 75 milhões de km mais próximos do que a última vez, em 1997. No dia seguinte (22) será a vez de Urano estar em oposição. Ambos os planetas podem ser vistos durante a noite toda, mas Urano precisa de um binóculo ou uma pequena luneta, já que é muito fraco para ser visto a olho nu. No dia 23 finalmente acaba o inverno. Mais precisamente à meia-noite e nove minutos chega a primavera.
Créditos: Cássio Barbosa - G1

Explosão catastrófica pode ter dado origem a uma das luas de Marte

                                         © NASA (cratera Stickney, a maior encontrada na lua Fobos)
Cientistas encontraram sinais de que Fobos, uma das duas luas de Marte, formou-se relativamente perto de sua localização atual, por meio da aglomeração de material lançado na órbita marciana por um evento catastrófico. Duas abordagens independentes, realizadas pela sonda Mars Express, da Agência Espacial Europeia (ESA) e pela Mars Global Surveyor, da Nasa, produziram resultados similares, apresentados no Congresso Europeu de Ciência Planetária, que acontece em Roma. A origem das duas luas de Marte, Fobos e Deimos, é um antigo enigma para a ciência. Uma hipótese propõe que ambas seriam asteroides capturados pela gravidade marciana. Outros cenários propõem que ambas as luas se formaram onde estão, por meio da aglomeração de material expelido do planeta após um grande impacto ou dos restos de uma lua destruída pela atração de Marte. Segundo pesquisadores, uma compreensão da composição das luas é fundamental para excluir algumas dessas propostas. Observações anteriores de Fobos haviam sido interpretadas como sugerindo a presença de condritos carbonáceos, um material primitivo associado a asteroides. Essa descoberta viria a apoiar a ideia do asteroide capturado. Mas novas observações, feitas pela Mars Express, não combinam bem com a proposta dos condritos, e favorecem a hipótese da origem local. Entre as descobertas, há sinais de que parte do material que compõe a lua teria interagido com água antes de ser incorporado a Fobos. Outras observações indicam uma identidade com materiais encontrados na superfície marciana.
Créditos: Astro News

Manchas solares poderão desaparecer a partir de 2016

Sem as penumbras, que podem ser vistas na imagem amarela, as atuais manchas solares estão se enfraquecendo magneticamente. [Imagem: William Livingston/NSO]

Pequena era do gelo

Cientistas que estudaram as manchas solares durante os últimos 20 anos concluíram que o campo magnético do Sol que as origina está diminuindo. Se a tendência atual continuar, por volta de 2016 o Sol pode ficar totalmente sem manchas e assim permanecer ao longo de décadas.
Um fenômeno semelhante, que ocorreu no século 17, coincidiu com um período prolongado de resfriamento na Terra. Conhecido como "Pequena Era do Gelo", o maior Mínimo Solar já registrado durou 70 anos. O chamado Mínimo de Maunder durou de 1645 a 1715, com a Terra experimentando temperaturas muito baixas.
Embora os mínimos solares normalmente durem cerca de 16 meses, o atual se estendeu por 26 meses, o mais longo em um século.

Campo magnético das manchas solares

As manchas solares surgem quando ressurgências do campo magnético do Sol aprisionam plasma ionizado em sua superfície. Normalmente, o gás superaquecido, eletricamente carregado, libera seu calor e mergulha de volta abaixo da superfície. Mas o campo magnético inibe este processo.
Em artigo publicado na revista Science, Phil Berardelli relata o trabalho dos astrônomos Matthew Penn e William Livingston, do Observatório Nacional Solar em Tucson, Arizona, que vêm estudando as manchas solares desde 1990.
Usando uma técnica de medição chamada Separação de Zeeman, os astrônomos analisaram mais de 1.500 manchas solares e concluíram que a intensidade do campo magnético das manchas solares caiu de uma média de cerca de 2.700 gauss para cerca de 2.000 gauss - a intensidade média do campo magnético da Terra tem menos de 1 gauss.
Eles não sabem explicar as razões para tal diminuição. Mas se a tendência continuar, a força do campo magnético das manchas solares vai cair para uma média de 1.500 gauss já em 2016.
Como 1.500 gauss é o mínimo necessário para produzir manchas solares, os astrônomos afirmam que elas poderão não ser mais geradas a partir de então. Foi justamente isso o que aconteceu durante o Mínimo de Maunder.

Previsões sobre o clima solar

Mas Livingston adverte que a previsão de zero manchas solares pode ser prematura. "Isso pode não acontecer," disse ele à Science. "Somente o tempo dirá se o ciclo solar vai decolar."
Ainda assim, acrescenta ele, não há dúvida de que as manchas solares "não estão muito saudáveis agora." Em vez dos fortes pontos rodeados por halos, chamados penumbras, como se viu durante o último máximo solar, a maior parte da safra atual parece "um pouco repicada", com poucas ou nenhuma penumbra.
Mas há quem discorde deles. O físico David Hathaway, do Centro de Voos Espaciais Marshall, da NASA, achou o estudo interessante, mas acha que os dois astrônomos podem ter deixado de lado pequenas manchas solares, o que pode ter elevado a média considerada por eles.
Hathaway é um crítico de longa data daqueles que acreditam que o comportamento do Sol está saindo do normal - veja O que há de errado com o Sol?.
Outra pesquisa recente mostrou que o impacto do Sol sobre a Terra vai além das manchas solares.
Fonte: Inovação Tecnologica

A Lua, como você nunca viu antes

Mapa topográfico da Lua, com as cores servindo para diferenciar as diferentes ondas de impacto que atingiram o satélite. Parte da área mais familiar, que é vista da Terra, está no lado esquerdo da imagem.[Imagem: NASA/Goddard/MIT/Brown]

Crateras da Lua

Novos dados da sonda lunar LRO (Lunar Reconnaissance Orbiter), mostram que a Lua foi bombardeada por duas "populações" distintas de asteroides ou cometas, ainda na sua juventude, e que sua superfície é mais complexa do que se pensava. Os resultados foram publicados nesta sexta-feira em três artigos científicos na revista Science. No primeiro artigo, James Head e seus colegas da Universidade Brown, nos Estados Unidos, apresentam um mapa topográfico global da Lua, com cores artificiais para mostrar as diferenças na gênese do relevo lunar. A imagem é resultado de 2,4 bilhões de "disparos" do instrumento LOLA (Lunar Orbiter Laser Altimeter), a bordo da LRO. "Nosso novo conjunto de dados mostra que a população mais velha de 'projéteis', nas terras mais altas, pode ser claramente distinguida da população mais jovem, registrada nos 'mares', nas gigantescas crateras de impacto cheias de fluxos de lava solidificada," disse Head. Os cientistas que tentam reconstruir a história dos bombardeios de meteoritos na Terra enfrentam dificuldades porque as crateras de impacto são erodidas pelo vento e pela água, ou destruídas pela ação das placas tectônicas, o movimento gradual da crosta terrestre. Já na Lua, está totalmente preservado um rico acervo de crateras, graças à sua atmosfera extremamente fina - na verdade um vácuo melhor do que aquele normalmente utilizado para experimentos de laboratório. A superfície da lua não tem água em estado líquido e o satélite também não tem placas tectônicas. A única fonte de erosão significativa são outros impactos.

Geologia da Lua

Nos outros dois artigos publicados hoje, os cientistas descrevem como os dados do instrumento Diviner Lunar Radiometer Experiment, instalado na LRO, estão mostrando que os processos geológicos que forjam a superfície lunar são também muito complexos do que se pensava. Os dados revelaram diferenças inéditas na composição da crosta lunar nas regiões dos planaltos, e confirmou a presença de um material anormalmente rico em sílica em cinco regiões distintas.
Dados do instrumento Diviner sobrepostos a imagens ópticas, mostrando o que se acredita ser um vulcão que expeliu silicatos. [Imagem: NASA/Godard/UCLA/Stony Brook]
A geologia lunar pode ser basicamente dividida em duas categorias - os planaltos anortosíticos, ricos em cálcio e alumínio, e os "mares" basálticos, ricos em ferro e magnésio. Os dois tipos de rochas são considerados pelos geólogos como "primitivos", ou seja, eles são o resultado direto da cristalização do material do manto lunar, a camada parcialmente derretida abaixo da crosta. As observações confirmaram que a maioria dos terrenos lunares tem assinaturas espectrais consistentes com composições que se enquadram nessas duas categorias. No entanto, elas revelaram também que as terras altas lunares - os planaltos - podem ser menos homogêneas do que se pensava anteriormente. A grande dispersão desses solos revela que pode ter havido alterações na química e na taxa de resfriamento do oceano de magma que formou a crosta lunar primitiva, ou elas poderiam ser o resultado de um processamento secundário da crosta lunar. Ainda mais surpreendente, em vários locais ao redor da Lua, a sonda detectou a presença de minerais silicatados, como quartzo e feldspatos ricos em potássio e em sódio - minerais só encontrados em associação com litologias altamente evoluídas - rochas que foram submetidas a um intenso processo magmático. A detecção de silicatos nesses locais é uma descoberta significativa para os cientistas porque ela ocorreu em áreas onde já havia sido registrada grande abundância do elemento tório, um outro indicador de litologias evoluídas.
Fonte: Inovação Tecnologica
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