6 de out de 2010

Os Anéis de Saturno Podem Ter Se Formado a Partir da Destruição de Uma Lua Gigante

Novo modelo explica a composição de gelo do espetacular halo
do planeta.
Os anéis de Saturno podem ter se formados a partir da norte de um satélite primordial do tamanhos de Titã que teve suas camadas externas arrancadas e enviadas em forma de espiral para um planeta Saturno jovem. Um dos problemas que os cientistas se deparam ao tentar explicar de onde vieram os anéis de Saturno é a sua composição, diz o cientistas planetário Robin Canup do Southwest Research Institute em Boulder no Colorado. Os anéis são compostos entre 90% e 95% de água, muito pelo fato de que o sistema solar teria sido compostos por iguais quantidades de gelo e rocha. Além do mais os anéis têm coletado poeira interplanetária mesmo depois de terem sido formados. “Então eles precisam ter se formado essencialmente de gelo”, disseram a pesquisadora em um encontro da Division for Planetary Science da American Astronomical Society em Pasadena na Califórnia.As luas internas de Saturno são também anomalias com baixas densidades de modo que elas precisam também ser compostas praticamente de gelo puro. Teorias anteriores sugerem que os anéis foram produzidos pela ruptura de uma pequena lua que caiu em direção ao planeta mas acabou tendo os seus restos capturados pela gravidade do planeta, ou por um cometa bem grande que acabou tendo o mesmo destino. A hipótese da lua pequena enfrenta logo de cara a questão de por que existe tão pouca rocha. E a ruptura de cometas deve ter sido algo muito mais comum em Saturno do que em outros planetas.
A hipótese de Canup é que os anéis foram formados quando uma lua do tamanho Titã com um núcleo rochoso e um manto formado de gelo caiu em um movimento espiral em Saturno no início da história do sistema solar. Forças de maré arrancaram parte do manto de gelo distribuindo esses detritos ao redor do planeta no que conhecemos hoje como os anéis. Mas o núcleo rochoso era composto de um material mais resistente. “Ele atingiu a superfície do planeta antes de se romper”, disse ela. “O resultado finalmente é um anel de gelo puro”. Após isso algumas partes desse gelo foi condensada novamente em novas luas, adicionou a pesquisadora. Mas devido a mudanças no sistema de desenvolvimento de Saturno essas luas não caíram em forma de espiral em direção ao planeta.
“Essa é uma idéia muito inteligente”, disseram Joseph Burns, um cientistas planetário da Cornell University em Ithaca, New York. “Uma das coisas que essa teorias permite é que os anéis seriam constituídos de gelo puro, o que até então era um problema para ser explicado”.
Ele ainda adiciona, pelo fato da teoria de Canup indicar que grandes satélites tinham a tendência de caíram em direção ao planeta poderia existir ali uma corrente de satélites do tamanho de Titã que caíram em seqüência e forma morrendo. Titã seria um sobrevivente que restou depois que esse sistema se estabilizou. Se a teoria de Canup estiver correta, Saturno originalmente deve ter tido anéis muito mais massivos que os atuais. Isso significa que os anéis continham material suficiente para gerar luas como Encélado, Tetis e Dione.
“Isso ocorreu muito naturalmente como parte de um outro processo de formação – o processo pelo qual os anéis se formaram. Eu gostaria de dizer que ela tem um história muito convincente”, conclui Burns.
Larry Esposito, um cientista planetário da University of Colorado, concorda. “Eu estou confortável com as conclusões da pesquisadora e acredito que outros cientistas especialistas nos anéis de Saturno irão considerar de forma séria essa novas idéias”, diz ele adicionando que testes serão feitos quando a sonda Cassini que hoje orbita Saturno medir a massa dos anéis em uma fase posteriormente da missão.

Visitante Congelado do Além

     Créditos da imagem:NASA/JPL-Caltech/UCLA
Esse visitante do espaço profundo, visto aqui em uma imagem feita pelo Wide-field Infrared Survey Exlplorer ou WISE da NASA é o cometa Hartley 2 - e é o destino da missão EPOXI da NASA. O cometa, que é conhecido oficialmente como 103P/Hartley foi descoberto recentemente, em 1986 por Malcolm Hartley em Siding Spring, Austrália. Esse cometa provavelmente se originou da gelada órbita próxima a Júpiter antes que algo chocasse com ele e o colocasse em órbita ao redor do Sol. O cometa circula o Sol a cada 6.46 anos - e a sua maior aproximação do Sol, o chamado periélio acontecerá em 28 de Outubro de 2011. O EPOXI que utiliza a sonda já em atividade Deep Imapct irá sobrevoar o cometa em 4 de Novembro. As observações do WISE estão ajudando a equipe do EPOXI a ter uma maior compreensão sobre o comportamento do cometa com o tempo. Essa imagem foi feita em 10 de Maio de 2010, fornecendo a mais extensiva observação da cauda do cometa - o rastro de partículas que é deixado pelo cometa quando é aquecido pelo Sol. A extensão da cauda vista nessa imagem atrás do cometa é de 1.8 milhão de quilômetros. A visão infravermelha do WISE também serve para estudar a variação no tamanho das partículas na cauda bem como na faixa difusa que é vista a direita do cometa. As observações em infravermelho também são úteis para medir o núcleo do cometa e a sua rotação. O Cometa Hartley 2 tem aproximadamente 1.2 quilômetros de diâmetro. Ele estava a aproximadamente 2.3 unidades astronômicas do Sol quando essa imagem foi feita. Quando o EPOXI atingir o cometa em 4 de Novembro ele estará a aproximadamente 1.1 unidades astronômicas do Sol e somente a 0.15 unidades astronômicas da Terra. O fundo nebuloso dessa imagem é o ruído causado principalmente pela poeira dispersa no sistema solar. As estrelas não são vistas nessa imagem pois elas foram subtraídas durante o processo de processamento de múltiplas imagens feito pelo WISE.  A luz infravermelha de 4.6, 12 e 22 mícrons está colorida de azul, verde e vermelho respectivamente.

A Nebulosa da Formiga

Quando observada de telescópios na Terra, a então chamada Nebulosa da Formiga (Menzel 3 ou Mz 3) lembra a cabeça e o tórax de uma variedade de formiga. Já quando observada com o Hubble por exemplo, uma imagem como essa mostra 10 vezes mais detalhe, revelando o corpo da formiga como sendo um par de lobos incandescentes produzidos por uma estrela parecida com o Sol que está morrendo. A imagem do Hubble diretamente desafia velhas idéias sobre os últimos estágios de vida das estrelas. Através da observação de estrelas como o Sol à medida que elas se aproximam de sua morte, a imagem do Hubble Heritage do Mz 3 – juntamente com imagens de outras nebulosas planetárias – mostra que o destino do nosso Sol provavelmente será mais interessante, complexo e intrigante do que pensavam os astrônomos há alguns anos atrás.
 
Apesar de abordar a violência de uma explosão, a ejeção de gás da estrela moribunda no centro da Mz 3 tem uma intrigante simetria diferente do caos que reina nesse tipo de fenômeno. Os cientistas usando o Hubble gostariam de entender como uma estrela esférica pode produzir esse tipo de forma proeminente, com uma simetria não esférica a partir do gás que dela é ejetado. Uma possibilidade é que a estrela central da Mz 3 tenha uma estrela companheira próxima que exerce forte atração gravitacional, o que então daria forma para o gás que é ejetado da estrela. Para isso funcionar, a estrela companheira teria que ter uma órbita muito próxima da estrela que está morrendo, uma órbita que teria uma distância semelhante à distância que separa a Terra do Sol. É possível que nessa distância a estrela companheira tenha sido engolida pela estrela principal e está agora orbitando internamente.
 
Uma segunda possibilidade é que à medida que a estrela que está morrendo gira, ela produz fortes campos magnéticos com formas complexas e variadas. Ventos carregados com velocidades superiores a 1000 km/s são soprados pela estrela, na verdade são ventos parecidos com os ventos solares só que milhões de vezes mais denso, de modo que eles são capazes de se dobrar e seguir toda a complexidade das linhas do campo magnético no espaço. Esses ventos densos se tornam então visíveis pela luz ultravioleta emitida pela estrela central quente ou pelas colisões supersônicas com o gás ambiente que excita o material emitindo uma fluorescência. Nenhuma outra nebulosa planetária observada pelo Hubble se assemelha a Mz 3. A M2-9 poderia até ser parecida mas os jatos emitidos pela Mz 3 são 10 vezes maiores do que aqueles emitidos pela M2-9.

 De maneira interessante, a estrela muito massiva e jovem, Eta Carinae mostra um padrão de jatos semelhante.Os astrônomos Bruce Balick (Universidade de Washington) e Vincent Icke (Universidade de Leiden) usaram o Hubble para observar essa nebulosa planetária, Mz 3 em Julho de 1997 com a Wide Field Planetary Camera 2. Um ano depois, os astrônomos Raghvendra Sahai e John Trauger do Laboratório de Propulsão a Jato da NASA em Pasadena na Califórnia fizeram imagens da Mz 3 usando filtros diferentes. A imagem intrigante que é aqui reproduzida é composta por vários filtros de dois conjuntos de dados diferentes, e foi criada pelo Hubble Heritage Team.
Créditos: http://cienctec.com.br  

Telescópio VISTA Revela o Segredo do Unicórnio

Uma nova imagem infravermelha obtida pelo telescópio de rastreio VISTA do ESO revela uma paisagem extraordinária de tentáculos de gás brilhantes, nuvens escuras e estrelas jovens na constelação do Unicórnio (Monoceros). Esta região de formação estelar, conhecida como Monoceros R2, encontra-se embebida numa imensa nuvem escura. Quando observada no visível esta região encontra-se praticamente toda obscurecida por poeira interestelar mas no infravermelho torna-se espectacular. Na constelação do Unicórnio, no interior de uma nuvem escura de grande massa rica em moléculas e poeira, encontra-se uma maternidade estelar activa. Embora esta nuvem pareça próxima no céu da mais conhecida Nebulosa de Orion, na realidade encontra-se quase duas vezes mais afastada da Terra, a uma distância de cerca de 2700 anos-luz. No visível podemos observar uma bela colecção de nebulosas de reflexão formadas quando a radiação azulada de um grupo de estrelas quentes de grande massa é dispersada por partes das camadas exteriores escuras da nuvem molecular.

No entanto, a maioria das estrelas acabadas de nascer permanecem escondidas uma vez que as espessas camadas de poeira interestelar absorvem fortemente a sua radiação ultravioleta e visível. Nesta bela imagem infravermelha obtida a partir do Observatório do Paranal do ESO, no norte do Chile, o telescópio de rastreio VISTA (acrónimo do inglês Visible and Infrared Survey Telescope for Astronomy) penetra a escura cortina de poeira e revela com um detalhe surpreendente as dobras, voltas e filamentos esculpidos na matéria interestelar poeirenta pelos intensos ventos de partículas e radiação emitidos pelas estrelas quentes jovens. A primeira vez que vi esta imagem fiquei surpreendido por ser possível observar tão claramente todos as correntes de poeira em torno do enxame Monoceros R2, assim como os jactos provenientes dos objectos jovens profundamente embebidos na poeira. Estas imagens VISTA revelam uma enorme quantidade de detalhes excitantes,” diz Jim Emerson, do Queen Mary, Universidade de Londres e líder do consórcio VISTA.
Com o seu enorme campo de visão, espelho grande e câmara sensível, o VISTA é o telescópio ideal para obter imagens profundas de grande qualidade no infravermelho de grandes áreas do céu, tais como a região Monoceros R2. A largura do campo de visão do VISTA é equivalente a cerca de 80 anos-luz a esta distância. Uma vez que a poeira é bastante transparente nos comprimentos de onda do infravermelho, muitas estrelas que não se conseguem observar em imagens no visível, tornam-se aparentes no infravermelho. A estrela de maior massa de entre as observadas tem menos que dez milhões de anos de idade. A nova imagem foi criada através de várias exposições obtidas em três regiões diferentes do espectro, no infravermelho próximo.

Em nuvens moleculares como a Monoceros R2, as baixas temperaturas e as densidades relativamente altas permitem que as moléculas se formem, tais como o hidrogénio que, em certas condições, emite intensamente no infravermelho próximo. Muitas das estruturas vermelhas e rosas que aparecem na imagem VISTA devem-se provavelmente ao brilho do hidrogénio molecular que é emitido pelas estrelas jovens. Monoceros R2 possui um núcleo denso com, no máximo, dois anos-luz de extensão, o qual se encontra repleto de estrelas jovens de grande massa, possuindo igualmente um enxame de fontes infravermelhas brilhantes, que são geralmente estrelas de grande massa acabadas de nascer e que por isso estão ainda rodeadas pelos discos de poeira. Esta região encontra-se no centro da imagem, onde podemos observar uma maior concentração de estrelas e onde as estruturas avermelhadas proeminentes indicam muito provavelmente emissão de hidrogénio molecular.
A nuvem brilhante na parte mais à direita no centro da imagem é NGC 2170, a nebulosa de reflexão mais brilhante desta região. Em radiação visível, a nebulosa assemelha-se a ilhas azuis brilhantes num oceano escuro, enquanto que no infravermelho são-nos reveladas no seu interior fábricas frenéticas onde centenas de estrelas de grande massa se estão a formar. NGC 2170 pode ser observada de modo ténue através de um pequeno telescópio e foi descoberta por William Herschel a partir de Inglaterra em 1784. As estrelas formam-se num processo que dura tipicamente alguns milhões de anos e que se processa no interior de enormes nuvens de gás e poeira interestelar, com centenas de anos-luz de dimensão.

Como a poeira interestelar é opaca à radiação visível, observações no infravermelho e no rádio são cruciais no sentido de compreendermos os primeiros estádios da formação estelar. Ao mapear o céu austral de modo sistemático, o VISTA irá colectar cerca de 300 gigabytes de dados por noite, fornecendo uma enorme quantidade de informação relativa àquelas regiões que, serão estudadas posteriormente em mais detalhe pelo Very Large Telescope (VLT), o Atacama Large Millimeter/submillimeter Array (ALMA) e, no futuro, o European Extremely Large Telescope (E-ELT).

Sonda da NASA prepara-se para dar rasante sobre cometa

Depois de literalmente dar um tiro de canhão no cometa Tempel 1, a missão Epoxi, reutilizando a sonda Deep Impact, vira agora suas câmeras para o cometa Hartley 2.[Imagem: NASA/JPL-Caltech]

Mirando no alvo

Controladores da missão EPOXI, da Nasa, fizeram a última correção de rota planejada para que a sonda espacial possa fazer um sobrevoo rasante sobre o cometa Hartley 2.
O ponto de maior aproximação da Epoxi com o cometa Hartley 2 deverá acontecer no dia 4 de Novembro.
A manobra de correção da trajetória durou exatamente 60 segundos, quando os motores da sonda foram acionados continuamente, aumentando a velocidade da nave em 1,53 metro por segundo.
"Estamos a cerca de 37 milhões de quilômetros e poucos dias do nosso cometa", comemorou o gerente de projeto EPOXI. "Eu não posso esperar para ver com o que o Hartley 2 se parece."
Se tudo correr conforme o planejado, a sonda passará a uma distância de cerca de 700 km do cometa. Os instrumentos da Epoxi já estão fotografando o Hartley 2 diariamente, o que ajudará a compor um filme mostrando a aproximação em uma animação montada com imagens reais.

Caçador de cometas

A EPOXI é o que a NASA chama de uma missão estendida, que utiliza a sonda Deep Impact, redirecionada para outro objetivo depois de ter cumprido sua missão primária - veja tudo o que já publicamos sobre a Deep Impact.
Em 2005, uma parte da sonda, feita de cobre e pesando 360 quilos, acertou em cheio o cometa Tempel 1. A outra parte ficou à distância e filmou tudo - veja Um profundo impacto no cometa Tempel 1.
Como o segmento de observação da sonda continuava em boas condições operacionais e ainda possuía combustível de reserva, ela foi direcionada para outra missão.
EPOXI é uma combinação de nomes para os dois objetivos da missão estendida: a observação de planetas extrassolares, Extrasolar Planet Observations and Characterization (EPOCh) - Observação e Caracterização de Planetas Extrassolares - e Deep Impact Extended Investigation (DIXI) - Investigação Estendida da Sonda Impacto Profundo. É neste último objetivo que está contido o sobrevoo do cometa Hartley 2.
Fonte: Site Inovação Tecnológica

Novo fenômeno astronômico lança luz sobre o nascimento das estrelas

Na nuvem molecular CB244 a luz visível é dispersa predominantemente pelos pequenos grãos de poeira no entorno da nuvem (cloushine). A imagem em falsa cor mostra a radiação na faixa do infravermelho próximo refletida por grandes grãos de poeira no interior da nuvem, o novo fenômeno recém-descoberto, coreshine ou brilho nuclear.[Imagem: MPIA]


Como nasce uma estrela?

Quando se trata de explicar o nascimento das estrelas, os astrônomos estão literalmente no escuro. Estrelas se formam nas regiões mais densas de opacas nuvens cósmicas de poeira e gás - as chamadas "nuvens moleculares" - que entram em colapso sob sua própria gravidade. Como resultado, a matéria nessas regiões torna-se cada vez mais densa e mais quente, até que finalmente a fusão nuclear é iniciada: e nasce uma estrela! Parece suficiente?

Talvez bom o bastante para um colegial. Mas os astrônomos ainda não conhecem os mecanismos envolvidos, ou seja, como exatamente tudo isso acontece. No mais das vezes, a explicação terá que ser preenchida com a onipresente expressão "ao longo de milhões de anos", que sempre está à mão para preencher as lacunas das explicações científicas ainda não encontradas. Quando as coisas acontecem "ao longo de milhões de anos", então tudo parece bem para a maioria das pessoas e o espírito científico é anestesiado por algum tempo.

Brilho nuclear

Mas talvez alguma luz esteja começando a surgir no nebuloso mundo das nuvens moleculares. Laurent Pagani, do Observatório de Paris, na França, e Jürgen Steinacker, do Instituto Max Planck, na Alemanha, descobriram um novo fenômeno astronômico que parece ser comum nessas nuvens, e pode começar a dar explicações para as primeiras fases de formação de estrelas. O fenômeno - a luz infravermelha que é dispersa por grãos inesperadamente grandes de poeira estelar - foi batizado pelos astrônomos de coreshine, algo como brilho do núcleo, ou brilho nuclear.

O que causa os primeiros movimentos da poeira estelar rumo aos primórdios daquilo que virá a ser um núcleo, que finalmente irá colapsar para dar origem a uma estrela, é algo totalmente desconhecido. Agora entra em cena o coreshine, o espalhamento de luz no infravermelho médio (que está por todo lado em nossa galáxia) por grãos de poeira grandes, dentro das densas nuvens de poeira cósmica. A luz espalhada traz informações sobre o tamanho e a densidade das partículas de poeira, a idade da região do núcleo central, a distribuição espacial do gás, a pré-história do material que irá formar os planetas e estrelas e sobre os processos químicos que ocorrem no interior da nuvem.

Coreshine

Depois de estudarem 110 nuvens moleculares, localizadas a distâncias entre 300 e 1.300 anos-luz da Terra, os pesquisadores descobriram que o fenômeno observado pela primeira vez em Fevereiro deste ano, usando dados do Telescópio Spitzer, é na verdade um fenômeno astronômico largamente disseminado. Cerca de metade dos núcleos das nuvens moleculares apresentam o brilho nuclear. A ocorrência inesperada de grãos de poeira grandes - onde "grande" significa diâmetros da ordem de um milionésimo de metro - mostra que os grãos começam o seu crescimento mesmo antes do início do colapso da nuvem molecular. Uma observação de especial interesse ocorreu na constelação de Vela do Sul, na qual o coreshine não está presente.

Sabe-se que esta região foi perturbada por diversas explosões estelares, as supernovas. Steinacker e seus colegas viram nessa ausência um indício de que as supernovas podem destruir os grãos de poeira maiores presentes na região afetada pelas explosões. Ou seja, onde não há coreshine, mas há estrelas, a poeira mais grossa deve ter sido destruída por supernovas. Parece bom? Parece melhor. Afinal, agora os dados mostram poeira estelar elementar, poeira estelar na faixa dos milionésimos de metro e estrelas. Há mais pontos a serem ligados. E muito trabalho e muitas descobertas a serem feitas.

Nasa encerra operação de satélite que mediu a idade do Universo

Sonda mediu em detalhes os vestígios do Big Bang e confirmou a existência da energia escura
Ilustração da sonda WMAP, que mediu o fundo cósmico de micro-ondas.Divulgação/Nasa
A Nasa anunciou nesta quarta-feira, 6, que está encerrando as atividades do satélite Wilkinson Microwave Anisotropy Probe, ou WMAP, que realizou um mapeamento do fundo cósmico de micro-ondas, muitas vezes descrito como o brilho do Big Bang, e que permitiu que cientistas obtivessem a mais precisa estimativa da idade do Universo: 13,75 bilhões de anos, com margem de erro de 1%.
O WMAP opera desde 2001, e de acordo com o astrofísico da Nasa Gary Hinshaw, cientistas ainda estão ocupados analisando os dados levantados nesse período. O satélite foi criado para oferecer a visão mais detalhada possível das diferenças de temperatura no fundo de micro-ondas, que havia sido descoberto na década de 90 por outros satélite, o Cobe.
O WMAP fez sua última leitura de dados em 20 de agosto e, em 8 de setembro, disparou os foguetes que o tiraram de sua órbita de trabalho e o colocaram numa "órbita de estacionamento", ao redor do Sol.
"Lançamos a missão em 2001, conseguimos muito mais do que os objetivos científicos iniciais e agora chegou a hora de encerra com responsabilidade as operações do satélite", disse o principal cientista do programa WMAP, Charles Bennett.
O satélite detecta os vestígios da luz do jovem Universo, um padrão congelado no espaço quando o cosmo tinha apenas 380.000 anos. À medida que o Universo se expandia ao longo dos 13 bilhões de anos seguintes, essa luz vestigial foi esticada até atingir o comprimento de micro-ondas.
O WMAP mostrou que os átomos do tipo que compõe a matéria comum encontrada em planetas e estrelas correspondem a apenas 4,6% do Universo atual, e que a maior parte do cosmo é feita de duas entidades ainda incompreendidas.
A matéria escura, que perfaz 23% do Universo, é um material que ainda não foi detectado em laboratórios, embora seus efeitos sejam notados em escala cósmica. A energia escura é uma entidade que atua de forma oposta à gravidade e pode ser uma propriedade do espaço vazio. O WMAP confirmou sua existência e determinou que preenche 72% do cosmo.
Fonte:Estadão
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