7 de out de 2010

Uma trombada cósmica

Que colisões entre galáxias podem produzir um surto de formação de estrelas nós já sabíamos. Agora, que uma colisão dessas poderia interromper a formação de estrelas é novidade! É isso que Jeffrey Kenney da Universidade de Yale, está propondo agora. Estudando o par de galáxias composto por M86 (uma elíptica) e NGC 4438 (uma espiral) com uma câmera capaz de observar as duas galáxias ao mesmo tempo, Kenney descobriu que elas sofreram uma colisão. Até agora ninguém tinha desconfiado disso, e só mesmo essa câmera de grande campo de visada conseguiu produzir imagens onde isso fica claro. As imagens obtidas por Kenney mostram um tentáculo de gás com 400 mil anos-luz de comprimento conectando as duas galáxias. Essas galáxias estão no aglomerado de Virgem, a uns 50 milhões de anos-luz. Uma terceira galáxia poderia estar envolvida, mas sua velocidade era baixa demais para fazer parte da colisão. M83 possui um filamento de gás conhecido, mas até agora não havia nenhuma ligação dele com outra galáxia desse aglomerado. Depois que as duas galáxias trombaram, o gás de NGC 4438 foi arrancado e espichado por M83 em pleno aglomerado. Tudo indica que essa colisão se deu muito rapidamente, e essa pode ser a resposta para o mistério do fim da produção de estrelas em M83. Colisões de baixa velocidade entre galáxias devem provocar formação de estrelas porque as galáxias passam mais tempo interagindo e o gás não acaba ficando mais perto das galáxias. Já numa colisão entre duas galáxias com muita massa, o processo deve ser mais rápido e, ao invés de provocar a formação de estrelas, a passagem de uma galáxia pela outra deve arrancar o gás para o meio entre as duas. Isso arranca e esquenta o gás das galáxias, formando um cenário exatamente oposto ao necessário para promover a formação de estrelas. Essa é a primeira vez que esse efeito é observado, mas pode vir a ser uma alternativa ao modelo atual. Por esse modelo, um buraco negro gigante na região central das galáxias elípticas produz tanta energia que o gás é aquecido a ponto de não se condensar em estrelas. Apesar de boa, essa explicação não se encaixa em todos os casos.
Créditos: Cássio Barbosa - G1

Último suspiro

Os estágios finais da vida das estrelas são bem conhecidos. Sabemos que estrelas com pouca massa (como o nosso Sol) vivem muito tempo e acabam seus dias como anãs brancas, envoltas em nebulosas planetárias. Já as estrelas com muita massa vivem muito pouco e acabam suas vidas de modo muito mais violento, em explosões de supernova, deixando para trás uma estrela de nêutrons ou mesmo um buraco negro. Mas isso é no atacado; no varejo, a história é outra. Quando o hidrogênio de uma estrela como o Sol se acaba, o seu núcleo se contrai violentamente, pois sua temperatura cai de repente. Ao mesmo tempo, as camadas externas são ejetadas para o espaço. O núcleo contraído transforma-se em uma anã branca com a compactação da matéria, a ponto de aproximar os elétrons e os núcleos dos átomos.

Já as camadas externas se expandem e são ionizadas pela anã branca, transformando-se em uma nebulosa planetária. Aliás, esse nome nada tem a ver com planetas: ele surgiu na época em que as primeiras delas foram observadas com telescópios, há mais de 200 anos. A forma arredondada, quase circular e nebulosa dava a impressão de se tratar de um planeta. Mas cada nebulosa planetária revela uma surpresa. A surpresa da vez vem da NGC 2371, uma nebulosa planetária na constelação de Gêmeos. Isso porque esta imagem do Hubble mostra o gás da nebulosa, rico em hidrogênio e oxigênio (verde e azul, respectivamente) se expandindo em torno do ponto central brilhante, o núcleo de uma gigante vermelha brilhando a uns 250 mil graus Celsius de temperatura. Até aqui tudo bem, mas as duas manchas claras avermelhadas e os vários pontos rosados na nebulosa não estão no roteiro.
 
Algumas pistas: a cor clara delas revela que são ricas em nitrogênio e são relativamente mais frias que o resto da nebulosa. E o fato de as duas manchas mais extensas estarem diametralmente opostas sugere um jato partindo do centro. Este jato aparentemente se mexeu no decorrer do tempo, indicando a possibilidade de uma estrela dupla no centro da nebulosa. Com o passar do tempo, o núcleo vai esfriar e possivelmente vai se transformar em uma anã branca. Enquanto isso, a gente vai quebrando a cabeça tentando entender o que se passa por lá.
Créditos: Cássio Barbosa - G1

A Cratera Eratóstenes e a Escala de Tempo Lunar

A Cratera Eratóstenes está localizada no lado visível da Lua, a nordeste da Cratera Copérnico na latitude 14.5 e longitude 348.7. A cratera Eratóstenes tem esse nome em homenagem ao filósofo da Grécia antiga que mediu a circunferência da Terra no ano 240 A.C. Nos anos de 1960 a cratera foi usada como padrão para então dar nome ao período Eratosteniano na escala de tempo lunar, nome esse dados pelos pesquisadores Gene Shoemaker e Robert Hackman. Esse período representa as crateras de meia idade presentes na Lua. Mesmo sendo chamadas de crateras de meia idade sua idade varia de 3.2 a 1.1 bilhão de anos.
Como a Cratera Copérnico a Eratóstenes tem um anel bem definido, paredes e um pico central. Contudo não existem raios provenientes dela, ela é sim interceptada pelos raios que se originam na Cratera Copérnico. Shoemaker e Hackman invocaram a lei geológica da superposição que diz que as camadas mais jovens de rocha se depositam sobre camadas mais antigas e com isso estabeleceram que a Cratera Eratóstenes é mais velha do que a Copérnico e então o período Eratosteniano é a segunda idade geológica mais nova da Lua.
Fonte:http://www.cienctec.com.br/wordpress/?p=5315

Empurrando o Envelope

O objeto com o codinome G327.1-1.1 é na verdade a conseqüência de uma estrela massiva que explodiu como supernova na Via Láctea. Uma estrela de nêutrons altamente magnética e com uma rotação muito rápida chamada de pulsar foi deixada para trás depois da explosão e está produzindo ventos de partículas relativísticas, que são observados em raios-X pelo Chandra e pelo XMM-Newton (marcados em azul na imagem) bem como por sinais de rádio (amarelos e vermelhos). Essa estrutura é chamada de pulsar de vento de nebulosa. A provável localização da estrela de nêutrons em rotação é mostrada na versão anotada da figura. O grande círculo vermelho mostra a emissão de rádio da onda de choque e a imagem composta também contém dados infravermelhos do projeto de pesquisa 2MASS (vermelho, verde e azul) que mostra as estrelas presentes no campo de visão. Não existe uma explicação clara e conhecida para a natureza diferente do G327.1-1.1, incluindo o fato do pulsar estar deslocado da posição central nos dados de rádio e a forma parecida com cometa das emissões de raios-X. Uma possibilidade é que nós estamos observando os efeitos da onda de choque rebatendo de volta na concha de material - ou envelope - que é varrido pela onda produzida na explosão, a então chamada onda reversa da onda de choque. O pulsar está se movendo para cima para longe do centro da explosão mas o pulsar de vento de nebulosa está sendo varrido pela onda de choque reversa que também viaja no sentido inferior esquerdo. As observações de raios-X permitem aos cientistas estimarem a energia lançada durante a explosão de supernova e a idade do remanescente bem como a quantidade de material que está sendo varrido à medida que a onda de choque da explosão se expande. A bolha apagada que o pulsar parece ter criado também revela que o vento do pulsar está sendo soprado para uma região já varrida pela onda de choque reversa.

A Terra vista de longe

A sonda Deep Impact fez história no dia 4 de julho de 2005, quando lançou um dispositivo para atingir o cometa Tempel 1. Esse dispositivo atingiu o núcleo do cometa e projetou uma pluma de detritos que foi estudada pela própria sonda e por vários telescópios na Terra. Recentemente, a missão da Deep Impact foi estendida e a sonda foi redirecionada para fazer um sobrevôo no cometa Hartley 2 em 4 de novembro de 2010.

A extensão da missão também tem como objetivo procurar por planetas fora do nosso Sistema Solar, a partir da observação contínua de estrelas, para tentar flagrar a variação de brilho delas. Essa variação seria decorrência da passagem do planeta na frente da estrela, evento conhecido como trânsito. A sonda fez algo interessante, posicionou suas câmeras para a Terra e esperou que a Lua passasse na frente do planeta. Esse trânsito lunar está sendo usado para entender como seriam os resultados advindos de observações de outros planetas.

As imagens são impressionantes, pois podemos ver a Terra girando, com suas nuvens e continentes, e logo em seguida a Lua passa na sua frente. A análise das imagens nos dá uma idéia de como interpretar as variações de brilho observadas (quando forem observadas!) em planetas do tipo terrestre. Em outras palavras, vai nos ajudar a entender como a luz refletida se comporta durante uma rotação do planeta, mostrando a diferença entre ver uma região continental ou um grande oceano. Ainda vai demorar um tempão para nossa tecnologia chegar ao ponto de observar a curva de luz produzida por um planeta individualmente. Mas, como essa área de estudo está em franco desenvolvimento, é sempre bom estar preparado.
Créditos: Cássio Barbosa - G1

Um mistério e tanto!

O que você está vendo não tem explicação. Ao menos uma definitiva. Essa imagem mostra a galáxia elíptica NGC 1132. A imagem em si é uma composição de imagens do telescópios espaciais Hubble e Chandra. A “névoa” rosada representa a emissão de raios X (obtida pelo Chandra) dessa galáxia elíptica. A própria galáxia parece uma mancha difusa, rodeada por diversas outras galáxias anãs e outras que estão na verdade ao fundo, sem conexão física com esse grupo em primeiro plano. Mas qual é o mistério de NGC 1132? Dados recentes do Chandra mostraram que essa galáxia elíptica possui muita matéria escura. Mas muito mesmo! A quantidade desse tipo misterioso de matéria ao redor dessa galáxia é comparável à quantidade de matéria escura encontrada normalmente em grupos inteiros de galáxias! A emissão de raios X de NGC 1132 também é comparável à de um grupo inteiro de galáxias. Esse tipo de galáxia forma o que se chama de grupo fóssil, pela sua gigantesca quantidade de matéria escura. Sua origem ainda permanece um mistério, mas duas hipóteses competem entre si. A primeira delas diz que essas galáxias elípticas gigantescas são na verdade o resultado da fusão de várias outras galáxias que formavam um grupo normal de galáxias no passado. A segunda hipótese diz que esse é um tipo muito especial de galáxia, formado em uma região ou em um período de tempo que em as condições inibiam de alguma maneira a formação de galáxias de tamanho médio. Ninguém ainda tem certeza sobre a hipótese correta, mesmo porque cada uma delas tem uma profunda relação com a própria formação do Universo. O fato é que galáxias elípticas como estas podem conter trilhões de estrelas, mas como possuem uma grande quantidade de gás quente (responsável pela emissão dos raios X) não podem formar novas estrelas. NGC 1132 está a 320 milhões de anos-luz de distância, na constelação de Erídano.
Créditos: Cássio Barbosa - G1
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