19 de abr de 2011

A fera está acordando

O Sol passa por ciclos quase periódicos de atividade solar a cada 11 anos, aproximadamente. Durante um máximo solar, a quantidade de manchas solares aumenta muito, as tempestades solares são bastante frequentes e muito violentas. Onze anos depois o Sol está em um período de baixa e ocorre o inverso, poucas manchas, poucas tempestades e quando elas ocorrem, são bem fraquinhas. Esses ciclos influenciam o clima na Terra e podem ser detectados em anéis de crescimento de árvores. Existem registros desses ciclos de atividade solar em árvores petrificadas com milhares de anos. Na época do máximo, as tempestades produzem auroras, influenciam nas comunicações, mas podem danificar equipamentos eletrônicos em órbita ou mesmo na superfície da Terra. O último mínimo acabou oficialmente em dezembro de 2008 e foi um dos mínimos mais mínimos que se tem notícia. Ficamos meses sem uma única mancha solar, uma atividade tão baixa que foi difícil de dizer quando o Sol acordou da hibernação e começou a se encaminhar para o máximo, previsto para 2019-2020. As implicações dessa baixa atividade, mesmo para um mínimo solar, ainda estão por ser determinadas. Mas, de 2009 para cá, o Sol tem mostrado que está acordando lentamente.Algumas semanas atrás uma explosão solar causou transtornos nas comunicações, em especial com aviões sobre as regiões equatoriais. Houve problemas também para sistemas guiados por GPS, que só vão aumentar com o passar do tempo. Com tanta importância para os sistemas de comunicação e posicionamento, o Sol é monitorado 24 horas por dia, 7 dias por semana por uma miríade de equipamentos e instrumentos em órbita da Terra. Sem falar nas centenas de antenas espalhadas por dezenas de países. Um exemplo disso é esta imagem. Ela é a composição de diversas imagens obtidas de diversos instrumentos, cada um focado em uma característica ou propriedade do Sol. Essa imagem mostra emissão em ultravioleta, raios-X o campo magnético do Sol entre outras coisas. As regiões mais brilhantes representam regiões ativas no Sol. Um pouco acima do centro à esquerda e quase na borda à direita, podemos distinguir dois grupos de manchas solares. Olhando com cuidado nas bordas do Sol é possível notar proeminências solares, tais como chamas em uma fogueira. Tudo evidência que que o Sol está mesmo acordando. Esse é o panorama de um Sol ainda “quieto” ou “calmo”, como é conhecido nesses períodos, tal como observado nesse domingo 17 de abril. A imagem vem do Observatório da Dinâmica Solar (SDO, na sigla em inglês), um satélite destinado a pesquisar entre outras coisas a origem deste ciclo quase periódico.
Créditos: Cássio Leandro Dal Ri Barbosa

RX J1856.5-3754 and 3C58: Raios Cósmicos Podem Revelar Nova Forma da Matéria


Créditos: NASA/SAO/CXC/J.Drake et al.
As observações feitas pelo Chandra do RX J1856.5-3754 e do pulsar em 3C58 sugerem que a matéria nessas estrelas colapsadas são mais densas do que a matéria nuclear, a mais densa matéria encontrada na Terra. Isso faz com que surja a possibilidade que essas estrelas sejam compostas de quarks livres ou cristais de partículas sub-nucleares, além de neutrinos. Combinando dados do Chandra com dados do Telescópio Espacial Hubble, os astrônomos descobriram que o RX J1856 irradia como um corpo sólido com uma temperatura de 700000 graus Celsius e tem um diâmetro de apenas 7 milhas. Esse tamanho é muito pequeno para ser reconciliado com os modelos padrões de estrelas de nêutrons. Uma possibilidade interessante, prevista por algumas teorias, é que os nêutrons na estrela se dissolveram em uma sopa de densidade muito alta de quarks dos tipos up, down, e strange para formar assim uma estrela de quarks strange, o que poderia então explicar seu pequeno raio. As observações do 3C58, a parte remanescente de uma supernova observada na Terra no ano de 1181 D.C, revelam que o pulsar no núcleo tinha uma temperatura muito mais baixa que a esperada. Isso sugere então que um estado denso e exótico da matéria poderia existir dentro dessa estrela. Essas observações demonstram que o universo pode ser usado como um laboratório para explorar a física sob condições que nunca serão acessíveis na Terra.

Tal como Europa, Titã pode ter um oceano supsubperficial

Nos sete anos que a Cassini já passou em órbita de Saturno, a sonda enviou montanhas de dados que mudaram o modo como vemos o planeta dos anéis e as suas luas. A maior lua de Saturno, Titã, tem sido um foco particular de atenção devido à sua densa e completa atmosfera, à sua meteorologia e aos seus lagos e oceanos. Agora parece que Titã é ainda mais estranha. As evidências vêm de cuidadosas observações da órbita e da rotação de Titã. Isto indica que Titã tem uma órbita similar à nossa Lua: mostra sempre a mesma face na direcção de Saturno e o seu eixo de rotação está inclinado cerca de 0,3 graus. Em conjunto, estes dados permitem aos astrónomos calcular o momento de inércia de Titã e isto infere algo interessante. Os números indicam que o momento de inércia pode apenas ser explicado se for um corpo sólido que é mais denso perto da superfície do que no seu centro.
Projecção da órbita normal (azul) e do eixo de rotação sobre o plano de Laplace (preto para o caso sólido, vermelho para o modelo 1 e verde para o modelo 2) ao longo do período da precessão principal. Crédito: Observatório Real da Bélgica
Isto é estranho - quase impensável, dado o que sabemos acerca da formação dos planetas e satélites. Mas há no entanto ainda outra explicação: Titã não é sólido. Rose-Marie Baland e colegas do Observatório Real da Bélgica em Bruxelas, levaram a cabo um estudo para determinar se um modelo líquido é compatível com o momento de inércia medido. "Assumimos a presença de um oceano de água líquida por baixo da camada de gelo e consideramos as forças gravitacionais e pressões que nascem entre as diferentes camadas do satélite," afirmam. A sua conclusão é que o momento de inércia de Titã pode bem ser explicado pela presença de um oceano líquido por baixo da superfície. A química do oceano é um factor importante no cálculo da sua profundidade e da espessura da camada de gelo por cima. Baland e companhia assumem que deve consistir de água. Tal parece ser uma suposição curiosa dado que a atomsfera de Titã contém enormes quantidade de metano e outros hidrocarbonetos. Os astrónomos há muito que sabem que o metano é rapidamente quebrado pela luz solar. Por isso o metano em Titã já devia ter desaparecido há muito... a não ser que esteja a ser reabastecido a partir de um reservatório interno. Um gigantesco oceano de metano, talvez? Os cálculos da equipa de Baland teriam que ser refeitos para um oceano de metano, para determinar a relação mecânica e termodinâmica entre o gelo de metano e o seu estado líquido. É também de notar que há outra explicação para o estranho momento de inércia de Titã. Os cálculos assumem que a órbita da Lua encontra-se estável mas é também possível que a órbita de Titã esteja em mutação, talvez devido à próxima passagem de um grande objecto, ou cometa ou um asteróide, por exemplo. Por isso embora as análises de Baland e da sua equipa sejam boas evidências de um oceano subsuperficial em Titã, não é ainda certo. Ainda há alguns problemas a resolver.

Fogos de Artifícios de Formação de Estrelas Iluminam Galáxia

Imagens obtidas pelo Telescópio Espacial Hubble da NASA em Julho de 1997 revelaram episódios de formação de estrelas que estão ocorrendo através da face da galáxia próxima NGC 4214.
Leia a matéria completa em: http://cienctec.com.br/wordpress/?p=10707
Créditos: Ciência e Tecnologia

A Sinfonia da GRB 110328A

Créditos e direitos autorais : NASA, ESA, and A. Fruchter (STScI)
Uma sinfonia de observações por todo o planeta teve início abruptamente no dia 28 de Março de 2011, quando o satélite Swift detectou uma explosão de raios gamma de alta frequência vindos da fonte GRB 110328A. Quando a mesma fonte brilhou novamente após 45 minutos estava claro que esse evento não era uma típica explosão de raios gamma. Doze horas depois a fanfarra inicial dos astrônomos usando o Telescópio Óptico Nórdico de 2.5 metros disparou uma imensa rede de observações ópticas da fonte. No início do dia seguinte a explosão teve suas baixas frequências de barítono detectadas pelas antenas de rádio do projeto ELVA nos EUA. Mais tarde muitos telescópios ópticos incluindo o Telescópio Gemini Norte de 8 metros no Havaí começaram a participar da brincadeira seguindo o rastro óptico do objeto. A fonte invulgar foi também detectada pelo Observatório de Raios-X Chandra da NASA como o registro mais alto já detectado pelo instrumento e foi intermitentemente seguida por uma semana emitindo raios gamma, agora como soprano. Juntando ao coro de observações, o Telescópio Espacial Hubble, registrou a imagem acima integrando dados ópticos e infravermelho confirmando que o raio estava localizado ao longo da passagem da galáxia em um desvio para o vermelho de 0.351. Se associado com a galáxia, essa explosão ocorreu quando o Universo tinha somente dois terços da idade que tem hoje. Existe muita especulação para explicar o fenômeno, uma delas é que a explosão de raios gamma violenta foi causada pela separação de uma estrela por um buraco negro supermassivo localizado no centro da galáxia e as feições intrigantes dessa distante detonação estão ainda sendo exploradas.
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