5 de mai de 2011

Galeria de Imagens - Enxame Estelar Aberto

Um enxame aberto é um grupo de alguns milhares de estrelas que se formaram a partir da mesma nuvem molecular gigante, e que ainda estão ligados entre si gravitacionalmente. Geralmente os enxames abertos encontram-se apenas nas galáxias espirais e irregulares, onde ainda decorre formação estelar. Normalmente têm poucas centenas de milhões de anos; sofrem distúrbios devido a encontros próximos com outros enxames e nuvens de gás à medida que orbitam o centro galáctico, bem como perdem membros através de encontros próximos internos.
Para alguns, os contornos do enxame aberto M6 assemelha-se a uma borboleta. Também conhecido como NGC 6405, situa-se a cerca de 2,000 anos-luz de distância. M6 pode bem ser observado num céu escuro com binóculos na direcção da constelação de Escorpião, ao longo de uma área com quase o diâmetro aparente da Lua Cheia. Tal como os outros enxames abertos, M6 é composto na sua maioria por jovens estrelas azuis, embora a mais tenha um tom alaranjado. Estima-se que M6 tenha aproximadamente 100 milhões de anos. Crédito: AURA, NOAO, NSF

M7 é um dos mais proeminentes enxames abertos do céu. Dominado por brilhantes estrelas azuis, pode ser visto a olho nu num local escuro na direcção de Escorpião. M7 contém ao todo cerca de 100 estrelas, tem aproximadamente 200 milhões de anos, cobre uma área de 25 anos-luz e situa-se a 1,000 anos-luz de distância. O enxame M7 é conhecido desde a Antiguidade. O próprio Ptolomeu observou-o no ano 130. São também visíveis nuvens escuras, e literalmente milhões de estrelas sem relação na direcção do centro Galáctico. Crédito: Allan Cook & Adam Block, NOAO, AURA, NSF

Na imagem temos M11, também conhecido como o Enxame do Pato Selvagem. É um dos mais ricos e compactos enxames abertos, com 2,900 estrelas. Situado na constelação de Escudo. Crédito: Jean-Charles Cuillandre (CFHT), Hawaiian Starlight

Este relativamente pobre enxame é M34, ou NGC 1039, situado na constelação de Perseu a cerca de 1,400 anos-luz de distância. Foi descoberto por Giovanni Batista Hodierna em antes de 1654.Crédito: Robert Gendler

M37 (ou NGC 2099) foi descoberto antes de 1654 por Giovanni Batista Hodierna. Contém cerca de 150 estrelas mais brilhantes que magnitude 12.5, num total de provavelmente 500 estrelas. Tem uma idade aproximada de 300 milhões de anos. Está situado a 4,400 anos-luz de distância na direcção da constelação de Cocheiro. Utilizando a classificação de Trumper, é de tipo I1r ou I2r.Crédito: Stefan Seip

M38 pode ser visto com binóculos na direcção de Cocheiro, a 4,000 anos-luz de distância. Crédito: NOAO, AURA, NSF

Com um diâmetro aparente maior do que a Lua, as poucas estrelas de M39 situam-se a cerca de 800 anos-luz na direcção da constelação de Cisne. Estas estrelas têm aproximadamente 300 milhões de anos. Crédito: Heidi Schweiker, WIYN, NOAO, AURA, NSF

M44 é um proeminente enxame aberto. Com o nome de "Presépio", é um dos poucos enxames visível à vista desarmada. Pensava-se M44 era uma nebulosa até que Galileu aponta para lá o seu telescópio e observa as brilhantes estrelas azuis do enxame. Pensa-se que se tenham formado há cerca de 400 milhões de anos. Situa-se a 580 anos-luz, e cobre uma área de 10 anos-luz. Crédito: Robert Gendler

As Plêiades são provavelmente o mais conhecido enxame estelar. Situam-se a cerca de 400 anos-luz.Crédito: Matthew T. Russell

Este enxame aberto, M46, tem cerca de 300 milhões de anos. Localizada na Caravela, a 5,000 anos-luz de distância. O ponto vermelho é a nebulosa planetária NGC 2438, e não pertence ao enxame. Crédito: Wil Milan

M67 (ou NGC 2682) é um enxame aberto na constelação de Caranguejo. Foi descoberto por Johann Gottfried Koehler em 1779. É um dos enxames mais antigos, com uma idade estimada em 3.2 mil milhões de anos. Localizado a uma distância de 2,700 anos-luz.Crédito: Robert Gendler

M52 é um enxame aberto descoberto por Charles Messier em 1774. Situa-se a cerca de 5,000 anos-luz na direcção da constelação de Cassiopeia. Com uma magnitude de 7.3, é possível observá-lo de binóculos. Crédito: Robert Gendler
Fonte: http://www.ccvalg.pt/astronomia/

Voyager, fazendo história há 40 anos

As naves gêmeas Voyager 1 e 2, lançadas há mais de 30 anos em direção aos gigantes gasosos do Sistema Solar, estão prestes a fazer história mais uma vez. Elas estão próximas de escapar do nosso Sistema Solar, lá longe. Onde o vento faz a curva. Literalmente. Lançadas na década de 1970, aproveitando um raro alinhamento dos planetas externos do Sistema Solar, mais especificamente, Júpiter, Saturno, Urano e Netuno, as duas sondas Voyager nunca deixaram de trabalhar até hoje. A Voyager 1 visitou Júpiter e Saturno e em 1980 usou a gravidade deste último para “estilingar” para fora plano do Sistema Solar. Já a Voyager 2 passou, além de Júpiter e Saturno, por Urano e Netuno, antes de usar a força gravitacional de Netuno para fazer algo parecido. Aliás, até hoje apenas a Voyager 2 visitou Urano e Netuno!
São tantas as descobertas que fica difícil de enumerá-las: os vulcões ativos em Io, evidências de um oceano por baixo da camada de gelo em Europa (ambos satélites de Júpiter), os primeiros indícios de chuva de metano em Titã (a maior lua de Saturno), o eixo deslocado de Urano, gêiseres em Tritão (uma das luas de Netuno) e muita informação sobre o vento solar. Depois de tantas descobertas, as duas naves singram para o vazio interestelar. Mas isso não as torna inativas! Mesmo que sem nenhum planeta por perto, alguns instrumentos das Voyagers foram mantidos ligados para monitorar a heliosfera. A heliosfera é uma bolha de plasma e campo magnético que engloba todo o Sistema Solar. Algumas estimativas dizem que ela se estende até uma distância três vezes maior que a distância entre o Sol e Plutão. Conforme as Voyagers se afastam do Sol, mais fraca fica a heliosfera, claro. Mas, subitamente, as leituras das sondas começaram a ficar confusas, indicando uma região de turbulência no espaço. Essa região é a heliopausa, a transição entre o que podemos chamar de Sistema Solar e o espaço interestelar. Em outras palavras a fronteira final. No meio do ano passado a Voyager 1 mandou uma leitura de campo magnético enigmática: zero. Teria ela finalmente saído do Sistema Solar e mergulhado no espaço profundo? Alguns cientistas acreditam que não, que se trata de um zero “local”, ou mesmo onde o campo magnético é torcido. Com ainda um pouco de combustível, a sonda foi girada em diversas direções para medir o campo vindo de várias regiões. Ao que tudo indica, a heliopausa é muito mais larga que se imaginava e as naves devem permanecer ainda quatro ou cinco anos nela. Até lá, as baterias de plutônio ainda devem fornecer energia para os instrumentos funcionarem e enviarem os dados até a Terra. Mas, para mim, o aspecto mais fascinante desta fase da missão é pensar que em breve as naves Voyager vão deixar o Sistema Solar carregando consigo uma mensagem terrestre. As duas naves levam dois discos banhados a ouro com gravações de sons da Terra, que vão desde cães latindo, a saudações em diversas línguas faladas na Terra, inclusive português. Além delas, uma seleção de músicas também está gravada neste disco, junto com algumas imagens e diagramas que permitiriam que civilizações extraterrenas pudessem localizar o local de partida das naves. É claro que as chances de que isso aconteça são remotíssimas e mesmo nesse caso, é preciso que quem as ache tenha a capacidade de decifrar os diagramas. Parece impossível até, mas um dia nos deparamos com hieróglifos aparentemente indecifráveis no Egito e hoje é por meio deles que sabemos a história dessa civilização antiga.  “Espere o inesperado” tem sido o slogan da missão Voyager nesse tempo todo. E parece que assim será ainda por um bom tempo!
Créditos: Cássio Leandro Dal Ri Barbosa

A Parede Oeste da Cratera Holden em Marte

A Cratera Holden, é uma cratera com aproximadamente 140 km de diâmetro que está localizada nas terras montanhosas ao sul de Marte. Essa observação da parede da Cratera Holden coincide com outras áreas mais próximas do local de pouso do Mars Science Laboratory. Existe um potencial para formação de depósitos hidrotermais e de impactitos na área que representam possíveis alvos para serem investigados diretamente pelo MSL. Impactitos é o termo informal usado para designar as rochas criadas ou modificadas pelo impacto de meteoritos. Esse material poderia também ser transportado dentro do leque fazendo com que a superfície do local de pouso fosse uma elipse graças a processos fluviais ou à medida que material ejetado de pequenos impactos colidiram com o anel da cratera. Depósitos hidrotermais podem representar evidência para a existência de um ambiente habitável em Marte.
http://hirise.lpl.arizona.edu/ESP_021946_1535

Telescópios revelam as profundezas do centro da Via Láctea

Composição mostra o resultado final da imagem captada por três telescópios espaciais. A cena mostra o centro da Via Láctea, com o buraco negro super maciço localizado na área branca do lado direito da imagem. Crédito:NASA, ESA, SSC, CXC, and STScI.
 
Se você acha que apenas as grandes metrópoles são poluídas, confusas e caóticas, então é porque ainda não conhece o centro da Via Láctea, um local hostil, repleto de estrelas que nascem e morrem e eternamente envolto em gás ionizado e dominado por um gigantesco e implacável buraco negro. A cena mostrada foi produzida por uma série de três telescópios espaciais e retrata o centro da nossa Via Láctea visto em três comprimentos de onda diferentes, compreendidos desde o infravermelho até os raios-x. A imagem foi divulgada pela Nasa e comemora 400 anos desde que Galileu apontou o primeiro telescópio para o céu. O local é de fato bastante turbulento. Ali se desenrola o espetáculo da evolução do Universo onde os vibrantes berçários estelares convivem com outras estrelas em diferentes fases da vida, desde as adultas e quentes até às frias e antigas. O centro é dominado por uma entidade absoluta - o buraco negro - restos mortais de uma estrela super maciça com aproximadamente 4 milhões de vezes a densidade do nosso Sol.

Três imagens vistas separadamente, cada uma "vendo" o céu em comprimentos de ondas diferentes. Crédito:NASA, ESA, SSC, CXC, and STScI.

Nesta espetacular visão, observações feitas em raios-x e infravermelho puderam atravessar a obscura região de partículas cósmicas entre a Terra e o centro da Via Láctea e revelar a intensa atividade próxima ao núcleo galáctico, localizado dentro da brilhante área clara no lado direito da cena. Apesar das gigantescas distâncias envolvidas, a imagem completa cobre aproximadamente meio grau angular na abóbada celeste, o equivalente ao tamanho da Lua cheia.

Imagens Separadas

Para a construção da cena, cada telescópio sondou a região com seus sensores especializados, criando três imagens coloridas que após combinadas resultaram na composição final. As cores amarelas foram captadas pelo telescópio espacial Hubble no seguimento do infravermelho e mostram as energéticas regiões dos nascedouros estelares, composto de centenas de milhares de estrelas. Os tons avermelhados foram registrados no comprimento de onda do infravermelho pelo telescópio espacial Spitzer. A radiação e o vento das estrelas criam uma gigantesca nuvem de partículas brilhantes, dotadas de complexas estruturas em diversos formatos que vão desde glóbulos esféricos e compactos até longos e fibrosos filamentos gasosos.

As cores azuis e violetas representam as imagens captadas pelo telescópio espacial Chandra, dentro do comprimento de onda dos raios-x. Esses raios são emitidos pelo gás aquecido a milhões de graus pelas explosões estelares e pelos também pelos gigantescos fluxos de partículas jorradas pelo buraco negro no centro da Galáxia. Um pequeno pingo azulado visto do lado esquerdo da cena é provocado pela forte emissão radioativa proveniente de um duplo sistema estelar, contendo uma estrela de nêutrons ou um buraco negro.

A Lagoa e os pedaços de cometa

A Nebulosa da Lagoa – também conhecida como M8 – é uma campeã de audiência entre os alvos preferidos de astrônomos, amadores ou não. Alvo fácil de binóculos e pequenos telescópios, a Nebulosa da Lagoa foi fotografada pelo Gemini, um dos maiores e melhores telescópios do mundo. Tanta atenção tem motivo. A M8 é uma das atrações celestes mais bonitas do céu noturno. Pode ser observada facilmente tanto do hemisfério sul, quanto do hemisfério norte, sempre na direção da constelação de Sagitário.
Beleza é fundamental, mas não é tudo. A Nebulosa da Lagoa é na verdade um berçário de estrelas massivas, que ao nascerem promovem uma verdadeira bagunça ao seu redor. A emissão de fortes ventos e a intensa radiação ultravioleta dessas estrelas trazem o caos na mistura de gás e poeira que compõe a região. Ao se formarem, as estrelas com mais massa acabam agitando e comprimindo o gás ao seu redor de modo a formar outras gerações de estrelas (com menos massa) em um primeiro momento. Numa segunda etapa, a primeira geração de estrelas acaba interrompendo a “produção”. Estudar a interação da primeira geração de estrelas com o material da nebulosa e com as gerações subsequentes de estrelas é o objetivo desta imagem em especial. Ela foi obtida com o telescópio Gemini Sul, localizado no Chile, e tem um código de cores para evidenciar emissão de hidrogênio e enxofre do gás. As estrelas de baixa massa estão ainda imersas nas pontas dos pilares que podem ser vistos no meio da imagem. Esses pilares são o resultado da ação dos ventos das estrelas com mais massa, esculpindo o material da nebulosa.

Durante a madrugada de sexta-feira (6)

Outro lembrança é a chuva de meteoros Eta Aquarídeos. O máximo desse fenômeno deve ocorrer na madrugada de sexta-feira, quase ao amanhecer e são esperados 60 meteoros por hora. As noites anteriores já mostraram meteoros riscando o céu, que está bom para observações, já que há Lua no céu. Essa chuva está associada ao cometa Halley, que tem período de 76 anos e passou por aqui em 1986. Nesse longínquo ano do século passado, eu passei a noite acordado, contando o número de meteoros, numa das primeiras atividades de pesquisa que realizei em astronomia, ainda garoto. Tomara que o tempo esteja tão bom quanto há 25 anos.
Créditos:  Cássio Leandro Dal Ri Barbosa -  http://g1.globo.com/platb/observatoriog1/2011/05/05/a-lagoa-e-os-pedacos-de-cometa/

Formas Criadas Pelo Vento em Marte Contam História Dinâmica do Planeta




A atmosfera de Marte é um sistema dinâmico. Nuvens de gelo de água, névoa, garoa podem fazer com que se possa imagear a superfície do planeta uma tarefa complicada. Tempestades de areia podem surgir a partir de perturbações de proporções globais, e fazer imagens através delas é algo impossível. Mudanças sazonais na temperatura são as principais causas do desenvolvimento de nuvens e de tempestades de areia. Eras de tempestades de poeira atmosférica têm deixado sua marca na superfície de Marte. A poeira carregada pelo vento atinge qualquer superfície disponível, dunas de areia são criadas e se movimentam por séculos com os ventos, e o efeito do contínuo castigo de areia tem modificado muitas regiões de Marte, criando "yardangs" e outras formas invulgares na superfície. Na parte inferior da imagem acima estão as formas chamadas de "yardangs". O resto da imagem mostra o efeito bidimensional da erosão causada pelo vento. Enquanto o vento remove material, longas cadeias não podem se formar. Ao invés disso, padrões cruzados se formam na paisagem. Investigando as mudanças no regime de ventos como as evidências mostradas pelos padrões cruzados em Marte, pode nos levar a um entendimento melhor sobre a história dessa região do Planeta Vermelho.
 
Créditos: http://www.cienctec.com.br/

Sonda espacial comprova teoria de Einstein sobre distorção do espaço e tempo por objetos de grande massa

Depois de 40 anos de preparação a experiência se confirmou verdadeira
Washington - A força da gravidade dos grandes corpos do Universo distorcem o tempo e o espaço, afirmaram cientistas nesta quarta-feira, após uma sonda da Nasa confirmar dois elementos fundamentais da teoria geral da relatividade de Albert Einstein.

Leia a matéria completa em: http://www.astrofisicos.com.br/tecnologia/-sonda-espacial-comprova-teoria-relatividade-geral-einstein-sobre-distorcao-espatempo-objetos-grande-massa/index.htm
Astrofísicos

Via Láctea: novos estudos aumentam risco de colisão da Galáxia

Concepção artística mostra nossa Via Láctea. Os pontos azuis e verdes mostram os masers cósmicos, utilizados para os cálculos de distância e movimento. A escala está representada em unidades Kpc, ou Kilo Parsec. Cada parsec equivale a 3.26 anos-luz ou 30 trilhões de quilômetros. Créditos: Robert Hurt, IPAC, Mark Reid, CfA, NRAO/AUI/NSF

Apertem os cintos. Estamos mais rápidos e maiores e as chances de colisão são bem maiores do que pensávamos. Essa é a conclusão que os astrônomos chegaram ao realizarem novas medições do tempo de rotação da Via Láctea, que mostraram que a velocidade de giro da galáxia é 160 mil km/h mais rápida do que previamente imaginado. Segundo Mark Reid, cientista do Centro de Astrofísica Harvard-Smithsonian, esse aumento na velocidade revela que a massa da Via Láctea é pelo menos 50% maior, empatando em dimensões com a galáxia Andrômeda.

"Nunca mais seremos a irmã caçula de Andrômeda em nosso grupo familiar celeste", disse Reid. A massa maior também significa maior atração gravitacional, o que aumenta as possibilidades de colisão com Andrômeda ou outras galáxias menores em nossa vizinhança. Nosso Sistema Solar se localiza a 28 mil anos-luz do centro da Via Láctea. A essa distância, segundo as novas observações estamos nos movendo a 960 mil km/h ao redor da órbita galática. Anteriormente essa velocidade era estimada em 800 mil km/h.

 
VLBA

Para fazer as novas medições os cientistas utilizaram o VLBA (Very Long Baseline Array) um conjunto de diversos radiotelescópios instalados em vários lugares do mundo e que operam através da diferença de tempo em que os sinais vindos da mesma direção do espaço atingem as antenas. Esse tipo de arranjo facilita a construção de imagens extremamente detalhadas, que permitiram aos pesquisadores conduzir o estudo das medições de distância e movimento da Via Láctea. Com capacidade de resolução extremamente alta, o arranjo VLBA é capaz de produzir imagens centenas de vezes mais detalhadas que as fornecidas pelo telescópio Hubble. Sua potência é tão grande que permitiria a um observador localizado em Buenos Aires ler facilmente um jornal em uma banca de Fortaleza.

Pesquisas

Durante os trabalhos, os cientistas observaram regiões fartas de estrelas em formação em toda a Galáxia. Em áreas dentro dessas regiões, moléculas de gás amplificam naturalmente as emissões no espectro das ondas de rádio, do mesmo modo que os laseres amplificam a luz. Essas áreas, conhecidas como Masers Cósmicos, servem como marcadores de alto brilho para os estreitos feixes de captação das antenas do VLBA. Observando essas regiões repetidamente, quando a Terra está do lado oposto ao Sol, os astrônomos podem medir o ligeiro deslocamento da posição dos objetos contra o fundo repleto de objetos mais distantes.

"As novas observações da Via Láctea através do VLBA estão produzindo medidas diretas e altamente precisas das distâncias e movimentos", disse Karl Menten, ligado ao Instituto Max Planck, na Alemanha e membro da equipe de pesquisadores. "As medidas usam o tradicional método da triangulação e ao contrário de outros métodos não dependem de nenhum parâmetro, como o brilho do objeto". Em suas pesquisas, os astrônomos descobriram que as medições diretas das distâncias eram diferentes das medições indiretas e em alguns caos as discrepâncias eram tão grandes que chegavam a 50%. "As regiões de formações de estrelas que abrigam os masers cósmicos definem os braços espirais da Via Láctea", explica Reid. "A medição precisa de distâncias a essas regiões nos fornecerá um criterioso mapeamento da estrutura da Galáxia".

Mais surpresas

Reid e seus colegas também encontraram outras surpresas. Medindo as distâncias de múltiplas regiões em um único braço espiral, os pesquisadores calcularam o ângulo do braço. "Essas medidas indicam que nossa Galáxia provavelmente tenha dois, e não quatro braços de gás e poeira formadores de estrelas". Isso contradiz o grupo de estudo que analisa os dados do telescópio Spitzer, da Nasa, que sugere que antigas estrelas residem em sua maioria em dois braços espirais, trazendo de volta a questão do porque as estrelas mais velhas não aparecem em todos os braços.

Melhor compreensão

"A medição direta está permitindo uma revisão da nossa compreensão sobre a estrutura e movimentos da Via Láctea", disse Menten. "O fato de estarmos dentro dela dificulta essa determinação. Para outras galáxias o estudo é mais facilitado e basta olharmos para ela, mas não podemos fazer o mesmo com nossa Galáxia, simplesmente por que não temos uma imagem completa. Temos que deduzir sua estrutura através de medidas e mapeamentos", completou.
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