17 de ago de 2011

Bolha espacial gigante brilha a partir do seu interior

VLT encontra nuvem primordial de hidrogénio alimentada por energia vinda do seu interior
Esta imagem mostra um dos maiores objetos conhecidos único no Universo, a bolha Lyman-alpha LAB-1. Esta imagem é uma composição de duas imagens diferentes tomadas com o instrumento FORS no Very Large Telescope (VLT) - uma ampla imagem que mostra as galáxias vizinhas e uma observação muito mais profunda do blob-se no centro feito para detectar a sua polarização. créditos:ESO / M. Hayes

Observações obtidas com o Very Large Telescope do ESO permitiram descobrir a fonte de energia de uma enorme nuvem de gás brilhante no Universo primordial. As observações mostram pela primeira vez que esta “bolha Lyman-alfa” gigante - um dos maiores objetos individuais conhecidos - obtém a sua energia de galáxias presentes no seu interior. A revista Nature publica estes resultados no dia 18 de Agosto. Uma equipe de astrónomos utilizou o Very Large Telescope do ESO (VLT) para estudar um objeto bastante invulgar chamado bolha Lyman-alfa. Estas estruturas enormes e muito luminosas são geralmente observadas em regiões do Universo primitivo, onde a matéria se concentra. A equipe descobriu que a radiação emitida por uma destas bolhas é polarizada. A luz polarizada é, por exemplo, utilizada no dia-a-dia para criar efeitos 3D no cinema. Esta é a primeira vez que se encontra polarização numa bolha Lyman-alfa, tornando esta observação importante no sentido de nos ajudar a compreender melhor o porquê do brilho intenso destas bolhas.
Esta sequência de imagens fecha sobre uma das maiores conhecidas objetos únicos no Universo, a bolha Lyman-alpha LAB-1. Observações com o VLT mostram pela primeira vez que esta "bolha" gigante deve ser alimentado por galáxias embutido dentro da nuvem. A imagem da esquerda mostra uma visão ampla da constelação de Aquário. As duas imagens na parte superior direita foram criados a partir de fotografias tiradas através de filtros azul e vermelho e que fazem parte do 2 Digitized Sky Survey. A imagem final na parte inferior direita foram tiradas com a câmera FORS sobre o VLT.créditos:ESO / A. Fujii / M. Hayes e Digitized Sky Survey 2

Mostrámos pela primeira vez que o brilho destes enigmáticos objetos vem de radiação dispersada, emitida por galáxias brilhantes escondidas no seu interior, em vez de ser o gás espalhado por toda a nuvem que está a brilhar,” explica Matthew Hayes (Universidade de Toulouse, França), autor principal do artigo científico que apresenta estes resultados. As bolhas Lyman-alfa são alguns dos maiores objetos existentes no Universo: nuvens gigantes de hidrogénio gasoso que podem atingir diâmetros de algumas centenas de milhares de anos-luz (umas quantas vezes maiores que a Via Láctea) e que são tão energéticas como as galáxias mais brilhantes. São encontradas tipicamente a grandes distâncias, por isso vemo-las tal como eram quando o Universo tinha apenas alguns milhares de milhões de anos de idade.

 São por esta razão objetos importantes para o estudo da formação e evolução de galáxias no Universo primordial. Mas a fonte de energia da sua extrema luminosidade assim como a natureza exata das bolhas tem permanecido pouco clara. A equipe estudou uma das primeiras bolhas a ser descoberta e também uma das mais brilhantes. Conhecida pelo nome de LAB-1, foi descoberta em 2000 e encontra-se tão distante que a sua radiação levou cerca de 11.5 mil milhões de anos a chegar até nós. Com um diâmetro de cerca de 300 000 anos-luz, é também umas das maiores conhecidas. Possui várias galáxias primordiais no seu interior, incluindo uma galáxia activa. Existem várias teorias que pretendem explicar as bolhas Lyman-alfa. Uma delas supõe que estes objetos brilham quando gás frio é atraído pela gravidade elevada da bolha e consequentemente aquece. Outra supõe que o brilho se deve a objetos brilhantes existentes no seu interior: galáxias com formação estelar elevada, ou que contêm buracos negros que se encontram a atrair matéria. Estas novas observações mostram que a fonte de energia da LAB-1 deve-se, de facto, a galáxias no seu interior ao invés de gás a ser atraído e aquecido.

Esta imagem de luz visível de campo amplo da região ao redor do gigante Lyman-alpha LAB1 blob foi criado a partir de fotografias tiradas através de filtros azul e vermelho e fazem parte do Digitized Sky Survey 2. O blob em si está no centro da imagem, mas, apesar de ser enorme e muito luminosa, que é tão distante que é muito fraca para ser vista claramente nesta imagem. O campo de visão é de aproximadamente 2,9 graus de diâmetro. créditos:ESO e Digitized Sky Survey 2

A equipe testou as duas teorias fazendo medições para saber se a radiação emitida pela bolha se encontrava polarizada. Ao estudar qual a polarização da radiação, os astrónomos podem inferir sobre os processos físicos que lhe dão origem, ou saber o que lhe aconteceu entre a sua emissão e a sua chegada à Terra. Se for refletida ou dispersada torna-se polarizada e este efeito pode ser detectado por um instrumento muito sensível. Medir a polarização da radiação emitida por uma bolha Lyman-alfa é, no entanto, algo bastante difícil, já que estes objetos se encontram muito distantes de nós.  “Estas observações nunca poderiam ter sido feitas sem o VLT e o seu instrumento FORS. Precisávamos claramente de duas coisas: um telescópio com um espelho de, pelo menos, oito metros de diâmetro de modo a poder coletar radiação suficiente, e de uma câmara capaz de medir a polarização da radiação. Não existem muitos observatórios no mundo capazes de oferecer uma tal combinação,” acrescenta Claudia Scarlata (Universidade do Minnesota, EUA), co-autora do artigo. Ao observar o seu alvo ao longo de cerca de 15 horas com o Very Large Telescope, a equipe descobriu que a radiação emitida pela bolha Lyman-alfa LAB-1 se encontra polarizada num anel em torno da região central e que não existe polarização no centro. Este efeito é praticamente impossível de obter se a radiação for emitido apenas pelo gás que está a ser atraído pela bolha devido à gravidade, mas é precisamente o que se espera se a radiação tiver origem em galáxias embebidas na região central, antes de ser dispersada pelo gás. Os astrónomos planeiam agora estudar mais objetos deste tipo no sentido de perceberem se os resultados obtidos para a LAB-1 são válidos para outras bolhas.

14 Estrelas fujonas que correm como loucas pelo cosmo

Imagens do Hubble, telescópio da NASA, mostraram 14 jovens estrelas com um comportamento incomum: elas correm pelo espaço sideral, com uma velocidade enorme, cortando gigantescas nuvens de gás.  As estrelas estão passando por uma região com denso gás interestelar, e sua interferência cria estruturas brilhantes no espaço, além de trilhas de poeira brilhante por onde passam. Esse fenômeno acontece quando a matéria que se desprende de uma estrela (vento estelar) se choca com os gases. De acordo com cientistas, o fenômeno é similar ao de um barco em alta velocidade, empurrando água para todos os lados.  Os astrônomos podem apenas estimar a massa, a velocidade e a idade dessas estrelas. A idade é determinada pela força de seu vento estelar – apenas estrelas muito novas ou muito velhas possuem vento estelar. As observações da NASA indicam que são estrelas jovens, com apenas alguns milhões de anos. Outro fato interessante é que cientistas acreditavam que apenas estrelas que tivessem massa, no mínimo, dez vezes maior do que a do Sol fossem capazes de produzir vento estelar. No entanto, de acordo com a observação da NASA, essas estrelas errantes têm, mais ou menos, oito vezes mais massa do que o Sol.  As marcas que os choques deixaram na poeira interestelar têm o tamanho equivalente a 170 sistemas solares (medidos pela órbita de Netuno). O tamanho dessas marcas indica que as estrelas viajam a mais de 180.000 km/h, velocidade cinco vezes maior do que a esperada em estrelas jovens.  “Acho que descobrimos uma nova classe de estrelas brilhantes que viajam em alta velocidade. Encontra-las foi uma grande surpresa, porque não estávamos procurando por elas. A primeira vez que vi as imagens disse ‘Nossa, são como balas disparadas no espaço! ’” diz Raghvendra Sahai, cientista da NASA que tirou as fotos usando o Hubble.  Não foi a primeira vez que estrelas com esse comportamento foram avistadas. Em 1983, pesquisas avistaram objetos semelhantes, mas com massa muito maior, provocando ventos estelares mais fortes. A descoberta de Sahai pode representar uma nova classe de estrelas. De tamanho médio, brilhantes e atravessando o espaço “como balas”.
Fonte: http://hypescience.com/
[Scientific Blogging]

Os Maiores Mistérios das Luas de Saturno

O espaço ao redor de Saturno é muito movimentado. Além dos anéis gigantes do planeta, mais de 60 luas orbitam Saturno – algumas delas orbitam até mesmo dentro dos anéis. No geral, o grupo de satélites de Saturno é intrigante, mas alguns deles se destacam ainda mais. A sonda Cassini, em órbita ao redor de Saturno desde 2004, tem colhido novas informações sobre essas luas, o que está ajudando a solucionar alguns mistérios, como os que você confere abaixo.

Lua quente o suficiente para a vida?

A lua Encélado é um dos menores corpos esféricos do sistema solar, mas sabe como chamar atenção. Isso porque ela tem rachaduras estranhamente quentes perto do pólo sul, apelidadas de “listras de tigre”. Jatos aquosos dessas rachaduras sugerem um reservatório subterrâneo de água líquida salgada. A sonda Cassini detectou compostos orgânicos (que contém carbono) nesses jatos – a matéria fundamental para o início da vida. Resumidamente, Encélado pode ter água, materiais orgânicos e excesso de energia e é um prato cheio para a astrobiologia. Do ponto de vista exploratório, Encélado parece ser a zona mais acessível e habitável que temos em nosso sistema solar depois da Terra.

Os segredos de Titã

A mais famosa lua de Saturno sem dúvidas é Titã. Ela é a segunda maior lua do sistema solar, perdendo apenas para o satélite Ganímedes, de Júpiter. Titã tem várias particularidades. A primeira é que ela é a única lua que possui uma atmosfera densa; a segunda é que é o único lugar além da Terra que tem líquido estável em sua superfície. Ao invés de água, é o etano e o metano que preenchem os lagos e mares de Titã – esses dois elementos existem como gases na Terra, mas são líquidos na temperatura ambiente de Titã, -179 °C. As chuvas de metano em Titã são muito parecidas com as de água em nosso planeta, corroendo as montanhas da lua e criando rios parecidos com canais. Existem elementos químicos orgânicos na atmosfera, solo e lagos de Titã, o que sugere vida nas áreas marinhas, que poderiam se alimentar desses compostos.
Em muitos aspectos, Titã se assemelha com uma Terra primitiva congelada. Os cientistas esperam desvendar o funcionamento do clima e da geologia de Titã, aprendendo mais sobre o nosso próprio planeta.

A incrível variação de brilho de Jápeto

Outra esquisitice orbitando Saturno: Jápeto. Essa lua tem hemisférios em cores diferentes – um iluminado, o outro na escuridão – e uma cadeia montanhosa com cerca de 10 quilômetros, em grande parte do equador do satélite. O hemisfério escuro é possivelmente resultado de vários fatores. Uma lua mais distante, chamada de Phoebe, poderia ter escurecido parte de Jápeto. No hemisfério escurecido, o gelo não teria evaporado e, ao longo do tempo, esse efeito térmico teria levado a lua a ter dois tons.

Lua com anéis?

Um vôo de 2008 da Cassini sugeriu a presença de três finos anéis na lua Reia. No entanto, em observações posteriores, nenhum sinal visual dos anéis foi observado. Reia tem ou não anéis? Essa é uma resposta que os cientistas ainda não sabem, mas talvez a Cassini ajude a desvendar.
 [Life'sLittleMysteries]

Telescópios rastreadores de ETs voltarão a funcionar após doações

Instituto na Califórnia espera retomar convênio com a Força Aérea dos Estados Unidos para pesquisas espaciais, após fim de financiamento
Um complexo com 42 telescópios que monitora possíveis indícios de extraterrestres, na Califórnia, nos Estados Unidos, voltará a operar em algumas semanas, graças a doações particulares. O instituto deixou de funcionar após a interrupção de financiamento público. Uma das líderes da campanha é a atriz Jodie Foster, que conseguiu levantar US$ 200 mil (R$ 318 mil) entre 2.400 doadores para o Seti (instituto de busca por inteligência extraterrestre, na sigla em inglês), que abriga o complexo Allen Telescope Array. O equipamento, que custou US$ 30 milhões (R$ 47,7 milhões), parou de operar após deixar de receber financiamento público, das Força Aérea americana.

Ficção e realidade

Em um comunicado no site de arrecadação, Foster disse que "o Allen Telescope Array poderia transformar a ficção científica em fatos científicos", salientando que isso só ocorrerá se o monitoramento tiver continuidade. Outro doador foi o astronauta da Apollo 8, Bill Anders.  O instituto diz que o fundo deve ser suficiente para manter os telescópios na ativa até o final do ano. O projeto, no entanto, ainda depende da verba pública, que até então era repassada pela Força Aérea, preocupada com o rastreamento de detritos espaciais que podem danificar satélites. O astrônomo Seth Shostak, do Seti, disse à BBC, que o acordo com a Força Aérea americana ainda não foi retomado, mas se disse bastante confiante de que isso ocorrerá em breve. O financiamento também terá de ser aprovado pelo Congresso. Thomas Pierson, diretor-executivo do Seti, disse que "para quem está interessado em saber se há vida inteligente lá fora, em outros lugares de nossa galáxia, o Allen Telescope Array e nossa equipe de pesquisa no Seti são a melhor aposta."
O complexo começou a operar em 2007, com o nome de seu maior doador, Paul Allen, co-fundador da Microsoft.

Perguntas e respostas

O Allen Telescope Array era inicialmente um projeto conjunto da Universidade da Califórnia/Berkeley e do Seti, mas a parceria foi desfeita após cortes no repasse de verbas públicas à universidade. O custo anual para a manutenção do projeto é de US$ 2,5 milhões (R$ 3,9 milhões). Em último caso, o complexo pode redirecionar suas atividades para a observação de planetas fora do sistema solar. Shostak defende, no entanto, a busca por indícios de vida extraterrestre.   "As pessoas ainda pensam nessa mesma questão fundamental: 'Há alguém lá fora tão ou mais inteligente que nós?' É importante e vale a pena fazer (a pesquisa)."  O projeto na Califórnia também contribui para a pesquisa de buracos negros e campos magnéticos na Via Láctea.

Perseida Abaixo

Créditos e direitos autorais : Ron Garan,ISS Expedition 28 Crew,NASA
Muitas pessoas ao redor do planeta Terra, observaram a chuva de meteoros dos Perseidas esse ano, olhando para um céu iluminado pela Lua Cheia. Mas essa impressionante imagem acima foi registrada pelo astronauta Ron Garan olhando um meteoro Perseidas de um ângulo diferente, ou seja, de cima para baixo. Do ponto de de vista de Garan na Estação Espacial Internacional, orbitando a Terra a uma altura de 380 quilômetros, o meteoro dos Perseidas que criou o rastro abaixo, varre a poeira deixada pelo cometa Swift-Tuttle que foi aquecido quando passou perto da Terra. Os grãos de poeira deixados pelo cometa estão viajando a uma velocidade aproximada de 60 km/s através da camada mais densa da atmosfera a 100 quilômetros acima da superfície. Nesse caso, o rastro do meteoro pode ser visto à direita do centro da imagem, abaixo pode ser visto o limbo curvo da Terra e uma camada de ar brilhante verde. Fora da imagem, o Sol está no horizonte além de um dos painéis da estação na parte superior direita da imagem. O que pode ser visto acima do meteoro próximo do horizonte é a brilhante estrela Arcturus e um campo de estrelas que incluem as constelações de Bootes e de Corona Borealis. A imagem foi feita no dia 13 de Agosto de 2011, enquanto a estação espacial passava por uma área sobre a China a 400 quilômetros a noroeste de Pequim.
Fonte: http://apod.nasa.gov/apod/ap110817.html
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