26 de out de 2011

O distante Éris é gémeo de Plutão

Calculado com precisão o tamanho do planeta anão no momento em que ocultou uma estrela de fraca luminosidade
Cientistas anunciaram nesta quarta-feira que um planeta-anão, localizado nas profundezas do espaço, e que provocou uma das maiores controvérsias da astronomia moderna, parece ser um "gêmeo" mais frio de Plutão. O grupo internacional de astrônomos descobriu ainda que o tamanho do planeta-anão Eris é menor do que se pensava, com dimensões inferiores a de Plutão, na pesquisa publicada pela revista Nature.

Atmosfera - A superfície de Eris é anormalmente brilhante, o que sugere que tem uma cobertura gelada, que de alguma forma é refrigerada. Se fosse permanentemente assim, a superfície seria escurecida por raios cósmicos e impactos de micrometeoritos ao longo do tempo. A teoria é a de que Eris tem uma atmosfera rica em metano que, nas profundezas do espaço, congela até a superfície, mas de tempos em tempos revive e depois volta a se congelar. Quando o planeta-anão alcança a parte mais próxima de sua órbita elíptica em torno do sol - "meras" 30 unidades astronômicas (UAs) ou 30 vezes a distância entre a Terra e o Sol - sua superfície congelada se aquece o suficiente para ficar gasosa e criar uma atmosfera tênue, porém temporária. Segundo este cenário, quando volta a se afastar do Sol, a atmosfera novamente congela, "aderindo" à superfície. "Neste caso, Eris seria um gêmeo adormecido de Plutão, com uma superfície gelada e brilhante, criada por uma atmosfera em colapso", sugeriu o estudo, chefiado por Bruno Sicardy, da Universidade Pierre e Marie Curie e do Observatório de Paris. Eris tem um satélite, Disnomia, nome da filha da deusa, que em grego significa desordem. Mãe e filha levam meio milênio - precisamente 557 anos - para dar a volta ao Sol. Plutão e suas luas completam a jornada em 248 anos.

Tamanho - José Luis Ortiz, do Conselho Superior de Pesquisas Científicas (CSIC, na sigla em espanhol), um dos centros espanhóis que participaram da pesquisa, detalhou nesta quarta-feira que os novos dados surpreendem ao reduzir o raio estimado de Eris em cerca de 1,163 mil km. Este número está muito abaixo dos cálculos anteriores que o situavam entre 1,2 mil e 1,4 mil quilômetros e que o transformaram no maior objeto do Cinturão de Kuiper, uma região transnetuniana povoada por corpos rochosos e gelados. Agora parece que Plutão, com um raio de entre 1,15 mil e 1,2 mil quilômetros, poderia recuperar o posto como o maior objeto desta região, segundo o CSIC. "No entanto, isto é difícil de precisar, já que Plutão tem uma atmosfera que interfere nas medidas do diâmetro", especificou Ortiz.

Eris X Plutão - Eris foi descoberto em 2005 e os primeiros cálculos diziam que seu tamanho superava o de Plutão, o que contribuiu para que a União Astronômica Internacional deixasse de considerar este último como planeta.  Embora de início tenha se falado de um décimo planeta, finalmente se redefiniu o conceito que não incluía nem Eris nem Plutão, já que a União Astronômica decidiu que ambos passariam a integrar uma nova categoria de objetos, os planetas anões, reduzindo o número de planetas do sistema solar para oito. O estudo também determina que o albedo de Eris (a fração de luz refletida em relação da que incide) é pelo menos de 90%, o que o transforma em um dos objetos mais brilhantes do Sistema Solar, já que apenas algumas luas de Saturno refletem uma porcentagem maior. Sua massa e densidade, maiores que as de Plutão, sugerem que se trata de um corpo pouco rochoso e coberto por uma camada de gelo. Os resultados essenciais do trabalho foram obtidos a partir de dois telescópios no observatório de San Pedro de Atacama e La Silla, ambos no Chile. Atualmente existem poucos planetas-anões aceitos como tais - Ceres, Eris, Plutão, Makemake e Haumea -, mas vários deles ainda estão sendo classificados. Além disso, a previsão é que, no futuro, sejam descobertos outros, chegando talvez a centenas, segundo Ortiz.

Observação complicada - A estrela candidata a ocultação foi identificada ao serem estudadas imagens obtidas com o telescópio do ESO, localizado no Chile. As observações foram planejadas cuidadosamente e levadas a cabo por uma equipe internacional de astrônomos de várias universidades, principalmente de França, Bélgica, Espanha e Brasil, que utilizaram, entre outros, o telescópio robótico TRAPPIST (sigla do inglês TRAnsiting Planets and PlanetesImals Small Telescope), também instalado em La Silla. "Observar ocultações de pequenos corpos do Sistema Solar situados além de Netuno requer grande precisão e planejamento. Esta é a melhor maneira de medir o tamanho de Éris, além de ir até lá, é claro," explica Bruno Sicardy, o autor principal do trabalho. As observações da ocultação foram feitas em 26 locais diferentes espalhados por toda a Terra e que se encontravam na trajetória prevista da sombra do planeta anão - incluindo alguns telescópios de observatórios amadores. No entanto, só foi possível observar o evento diretamente em dois lugares, ambos situados no Chile: um no Observatório de La Silla do ESO com o telescópio TRAPPIST e o outro em São Pedro de Atacama, onde se utilizaram dois telescópios. Os três telescópios registraram uma diminuição do brilho da estrela distante correspondente à altura em que Éris bloqueou a sua radiação. As observações combinadas dos dois locais chilenos indicam que Éris tem uma forma praticamente esférica. Estas medições são bastante precisas no que dizem respeito à forma e ao tamanho do objeto, mas apenas se não tiverem sido distorcidas pela presença de montanhas altas, o que dificilmente existirá num corpo gelado tão grande.
Fonte: http://www.eso.org

Validado Novo Método para a Descoberta de Exoplanetas

Uma equipe de astrónomos utilizou observações realizadas pelo telescópio Kepler para confirmar com um método inovador a presença de um exoplaneta em torno de uma estrela mais maciça do que o Sol. A estrela KOI-13, uma anã de tipo espectral A0, semelhante a Sirius ou Vega, foi identificada pela equipa da missão Kepler como apresentado sinais de trânsitos de um segundo corpo, possivelmente um planeta. Designado de KOI-13.01 na nomenclatura adoptada pela equipa, o suposto planeta orbitava a estrela em apenas 1.76 dias. Nestas circuntâncias, adivinhava-se que teria algumas características pouco usuais: fortemente irradiado pela estrela hospedeira mais maciça e luminosa do que o Sol; a sua forma esférica distorcida pelas forças de maré provocadas pela estrela; uma velocidade orbital bastante elevada. Este “cocktail” tornou o KOI-13.01 num planeta interessante para experimentar um novo método de detecção de exoplanetas. De facto, recentemente foi desenvolvido um algoritmo, designado de BEER, cujo objectivo é o de detectar fotometricamente planetas em torno de estrelas mesmo quando estes não efectuam trânsitos, medindo as variações muito subtis no brilho total do sistema devidas ao movimento orbital do planeta. Esta técnica é designada de “fotometria orbital” pelos autores. As variações podem ser devidas a três factores: reflexão da luz da estrela pela atmosfera do planeta (o planeta apresenta fases diferentes ao longo da órbita); distorção do planeta pelas forças de maré provocadas pela estrela (que altera a área da superfície reflectora do planeta ao longo da órbita); “beaming” relativístico (a luz reflectida pelo planeta aumenta muito ligeiramente de intensidade e de frequência devido à elevada velocidade orbital, quando se move na direcção da Terra na sua órbita e vice-versa). Para testar a validade desta técnica os autores escolheram a estrela KOI-13, estudando a sua curva de luz obtida com o telescópio Kepler, e excluindo os trânsitos do planeta. A ideia foi escolher uma estrela para a qual se conhecia já um planeta, analizar a curva de luz da estrela fora dos trânsitos e tentar deduzir, exclusivamente por aplicação do algoritmo BEER, a existência do planeta e algumas das suas propriedades. Uma confirmação do planeta pelo algoritmo constituiria uma validação importante do método de detecção. O estudo realizado permitiu detectar variações de luminosidade devidas aos três factores acima referidos: fases, forças de maré e “beaming”. O algoritmo confirmou a presença do planeta e deduziu mesmo uma massa mínima para o mesmo de 9.2 vezes a massa de Júpiter. A técnica promete portanto. Mais, este resultado, quando conjugado com o facto do planeta realizar trânsitos, implica que a massa real do planeta será muito próxima deste limite mínimo. Um estudo prévio dos trânsitos do planeta deduziu um raio anormalmente elevado para o mesmo, cerca de 2.2 vezes o raio de Júpiter. Um planeta bizarro sem dúvida ! A estrela KOI-13, de magnitude 10, é também designada de BD+46 2629 (do catálogo Bonner Durchmusterung) e faz parte de um sistema binário descoberto pelo incrivelmente prolífico Robert Grant Aitken em 1904.
Créditos: Astro PT - http://astropt.org/blog/2011/10/19/validado-novo-metodo-para-a-descoberta-de-exoplanetas/

Dentro, através e além dos anéis de Saturno

Créditos da Imagem:Cassini Imaging Team, ISS, JPL, ESA, NASA
Uma quarta lua é visível na imagem acima, se você olhar com cuidado a imagem poderá perceber esse pequeno satélite de Saturno. Porém o que chama atenção em primeiro lugar quando você olha na imagem é Titã, a maior lua de Saturno e uma das maiores do Sistema Solar. A feição escura que cruza o topo desse mundo que está eternamente coberto por nuvens é a calota polar norte. A segunda lua mais óbvia na imagem acima é Dione, visível em primeiro plano, Dione é um satélite que aparece repleto de crateras e com longos abismos de gelo. À esquerda da imagem pode-se ver alguns anéis de Saturno, incluindo o Anel A que apresenta a escura Falha de Encke. Mais a direita, fora dos anéis está Pandora, um satélite que tem apenas 80 km de diâmetro que contribui para alterar o Anel F de Saturno como mostra o vídeo abaixo. E a quarta lua, onde está? Se você olhar com cuidado dentro da Falha de Encke poderá encontra-lo, e essa pequena lua se chama Pan. Embora seja a menor lua de Saturno com apenas 35 km de diâmetro, Pan é massivo o suficiente para ajudar a manter a Falha de Encke relativamente livre de partículas dos anéis.
Fonte: http://apod.nasa.gov/apod/ap111026.html

Paisagem Celeste do Centro do Cisne

Créditos e direitos autorais : Daniel Marquardt
Em pinceladas cósmicas de gás hidrogênio, essa bela paisagem cósmica se desdobra ao longo do plano de nossa Via Láctea e do centro da constelação boreal de Cisne. Registrada de um remoto local de observação (ROSA) no sul da França, a imagem abrange cerca de 6 graus. A brilhante estrela supergigante Gamma Cygni perto do centro da foto encontra-se atrás do complexo de nuvens de gás e poeira e de abarrotados campos estelares. À esquerda de Gamma Cygni, com formato de duas asas luminosas separadas por uma longa raia de poeira escura, encontra-se IC 1318, cujo nome popular é compreensivelmente a Nebulosa da Borboleta. A nebulosa mais compacta e brilhante no canto inferior direito é NGC 6888, a Nebulosa Crescente. Algumas estimativas de distância para Gamma Cygni colocam-na em torno de 750 anos-luz, enquanto estimativas para IC 1318 e NGC 6888 variam de 2.000 a 5.000 anos-luz.
Fonte: http://apod.astronomos.com.br
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