5 de dez de 2011

Água da Terra pode ter vindo, em parte, de cometas

O Cometa Hartley 2 contém mais água parecida com a encontrada na Terra do que qualquer outro cometa que conhecemos. Um estudo utilizando o telescópio espacial Herschel mediu a fração de deutério, um tipo raro de hidrogênio, presente na água do cometa. Assim como os nossos oceanos, a água tinha a metade da quantidade de deutério visto em outros cometas. O resultado dá a ideia de que grande parte da água da Terra poderia ter vindo de impactos com cometas. E haja cometa! Alguns milhões de anos após sua formação, a Terra primitiva era rochosa e seca. O mais provável é que algo tenha trazido a água que cobre a maior parte do planeta hoje. A água tem uma espécie de impressão digital molecular a partir da quantidade de deutério que ela contém, e a medição desse elemento foi feita em apenas cerca de meia dúzia de cometas – e todas eles têm demonstrado uma fração de deutério que é o dobro dos oceanos. Asteroides dão origem à meteoros e meteoritos que chegam à Terra, o que faz com que seja mais facilmente estabelecida a sua fração de deutério. O material de meteoritos tem aproximadamente a mesma proporção de deutério que os oceanos da Terra contêm. Por isso, a suposição foi de que, se a água veio de outro lugar, ela chegou de asteroides. Até agora, todos os cometas medidos foram os chamados objetos da Nuvem de Oort, que acredita-se que tenham sido formados no início da história do sistema solar, na região dos planetas gigantes Netuno e Urano, e chutados a uma grande distância, esbarrando com eles mesmos e com outros planetas. O Cometa Hartley 2 é o primeiro objeto do Cinturão de Kuiper a ser submetido a uma análise de deutério. Os objetos desse Cinturão foram formados não muito longe do nosso sistema solar e os cometas que lá se originaram têm órbitas muito mais curtas do que as da Nuvem de Oort. Uma equipe internacional usando o telescópio Herschel descobriu que ele tinha uma fração de deutério muito mais próxima dos nossos oceanos. A descoberta abriu a possibilidade de que os cometas pelo menos contribuíram para o nosso abastecimento de água. Mas resposta ainda não é definitiva, já que muito do que acreditamos ter acontecido no sistema solar é baseado em modelos de computador. Esses modelos podem necessitar de ajustes à luz de novas provas e de mais estudos para avaliar se muitos objetos do Cinturão de Kuiper são como Hartley 2. Se os cometas de órbita curta forem como este, então essa pode ser uma fonte significativa de nossa água. Os pesquisadores argumentam que o resultado mostra que a distinção entre as potenciais fontes de água deve ser feita. No passado, os cientistas pensavam que asteroides e cometas eram classes de corpos completamente diferentes. Agora, vários novos resultados mostram que os dois são irmãos e irmãs primitivos.  Esta nova visão muda, pelo menos, a semântica da questão sobre a origem da água da Terra. A questão torna-se mais técnica: a partir de qual região e por qual mecanismo dinâmico vieram os objetos que trouxeram água para a Terra?  Os investigadores concordam que as novas tecnologias de telescópios é que serão, em breve, capazes de resolver estas questões.
Fonte: http://hypescience.com/
[BBC]

Asteroide Vesta tem montanha três vezes maior que Everest

Estudos de sonda da Nasa revelam topografia do corpo celeste e podem ajudar a entender a formação da Terra
Região do polo sul do asteroide Vesta vista em uma imagem digital composta pela Nasa:Foto: Nasa
O asteroide Vesta abriga uma montanha três vezes maior que o Monte Everest, de acordo com uma nova imagem tirada pela espaçonave Dawn da Nasa. Localizada no centro de uma cratera na região polar sul do asteroide, a montanha tem cerca de 22 quilômetros de altura e uma base de aproximadamente 180 quilômetros – em contraste, a maior montanha do sistema solar, o Monte Olimpo, em Marte, tem 25 quilômetros de altura e se espalha por 624 quilômetros. Já o Everest, a maior elevação da Terra, tem 8.848 metros de altura. “Vesta está cheio de surpresas”, afirmou Paul Schenk, cientista da Dawn que participa da Instituto Lunar e Planetário no Texas, durante uma coletiva de imprensa. E acrescentou: “Tínhamos indicações antes da chegada [da Dawn] que a região polar sul seria interessante. Fotos do Hubble mostravam uma ondulação lá, mas com a resolução dele era difícil saber do que se tratava.”  Com a resolução da Dawn, os cientistas foram capazes de ver que a ondulação era uma cratera de impacto – chamada de Bacia Rheasilvia – com cerca de 475 quilômetros de largura dominada pelo seu monte central. ''Vesta é realmente um pequeno mundo bastante original e superou nossas expectativas'', afirmou Carol Raymond, pesquisadora principal adjunta do Laboratório de Propulsão a Jato (na sigla em inglês, JPL) da Nasa durante a coletiva.

Achatando um asteroide

Com cerca de 529 quilômetros de largura, Vesta é o segundo maior corpo no principal cinturão de asteróides do Sistema Solar, um anel de sobras da formação do sistema solar situado entre as órbitas de Marte e Júpiter. Utilizando imagens em alta resolução tiradas de Vesta, cientistas do JPL criaram uma imagem que dá uma visão angular da região polar Sul do asteroide e destaca sua topografia tridimensional.

Vesta: uma visão da Terra quando bebê?

Estudar características como a montanha polar gigante de Vesta pode ajudar os cientistas a traçar a história geológica do asteróide, possivelmente dando pistas de como nosso sistema solar foi formado. Pesquisas anteriores de meteoritos como Vesta mostraram que a superfície da rocha espacial foi outrora revestida por lava basáltica, dando uma dica de que Vesta hospedou um oceano global de magma semelhante ao que existiu na Lua. Em verdade, Vesta é considerado um protoplaneta – um planeta bebê cujo crescimento foi prejudicado por interações gravitacionais com Júpiter, este gigante de gás que conhecemos hoje. Os resultados da missão Dawn, de acordo com a Nasa, podem oferecer pistas de como planetas rochosos como a Terra e Marte poderiam parecer nos primeiros dias do sistema solar. “Estamos descobrindo -- e esperamos documentar ainda mais – que Vesta passou por processos planetários”, disse Raymond. Dawn entrou na órbita de Vesta em julho e vai ficar um ano coletando dados antes de se mover em direção ao planeta anão Ceres, o maior corpo no cinturão. 

Astrônomos investigam a “Idade das Trevas” do universo

O universo, segundo a teoria do Big Bang, nasceu há cerca de 13,7 bilhões de anos. Cerca de 400 mil anos depois da explosão, as condições do cosmo permitiram que houvesse luz no espaço pela primeira vez. Logo após esse ponto, no entanto, os astrônomos não têm evidências do que aconteceu até o momento em que as galáxias realmente começaram a se formar. É a chamada “Idade das Trevas” do universo. Em busca de respostas mais claras sobre esse período obscuro, cientistas da Universidade Harvard (Cambridge, Massachussets, EUA) dedicaram um estudo sobre o tema.

O que mais causa dúvidas nos cientistas está relacionado ao tempo de cada processo universal, e quais os mecanismos físicos envolvidos. Estimativas consolidadas até hoje afirmam que a luz demorou muito tempo para poder brilhar no espaço. Logo após o Big Bang, a temperatura dos compostos era alta a ponto de formar íons de carga negativa, que bloqueavam a passagem da luz. Apenas quando o universo esfriou o suficiente para que os íons livres se combinassem em átomos houve luz. Mas a existência de raios luminosos não formava um universo complexo como o atual, com incontáveis galáxias.

Se o Big Bang aconteceu há 13,7 bilhões de anos, e a luz demorou apenas 400 mil para surgir, porque as primeiras galáxias (conforme estimativas) só se formariam 100 milhões de anos depois? O que aconteceu nesse período que foi batizado de “Idade das Trevas”? O segredo para descobrir mais, segundo os astrônomos de Harvard, é inverter o “caminho” das descobertas. A Idade das Trevas está entre a fase “iluminada” após o Big Bang e o surgimento das primeiras galáxias, e a maioria dos estudos concentra os esforços em saber o que aconteceu logo após o “antes” da Idade das Trevas.

 Os pesquisadores americanos preferiram investigar as origens do “depois”, ou seja, a gênese das primeiras galáxias. Haverá, até 2020, um aparelho exclusivamente dedicado a essa tarefa. É o telescópio espacial James Webb, que vem sendo planejado desde 1996. A função desse telescópio será rastrear luz (ou os rastros da ausência dela) das estrelas mais antigas do universo, que foram extintas na primeira fase pós Idade das Trevas. Segundo os cientistas, esse rastreamento de luz é a chave para entender a pré-história de nossas galáxias.

Os buracos negros mais antigos, além da presença da misteriosa matéria escura (composta de partículas sem carga que não interagem com a luz, mas atuam de maneira gravitacional), que compõe 85% da massa do universo, podem dar pistas indiretas sobre a formação das primeiras galáxias. O mapeamento desses primórdios de luz servirá para combinar os conhecimentos já existentes sobre buraco negro e matéria escura. Com essa medida, os astrônomos pretendem traçar uma linha cronológica da Idade das Trevas, construída no caminho inverso: dos tempos mais recentes para os mais antigos.
Fonte: http://hypescience.com
[LiveScience]

Cientistas descobrem os 2 maiores buracos negros conhecidos

Buracos negros são os maiores conhecidos/Foto: EFE
Um grupo de cientistas descobriu os dois maiores buracos negros conhecidos até o momento, com uma massa quase 10 bilhões de vezes superior à do Sol, informa um artigo publicado nesta segunda-feira publicado pela revista especializada Nature. Esses buracos negros, localizados em duas enormes galáxias elípticas a cerca de 270 milhões de anos-luz da Terra, são muito maiores do que se previa por meio de deduções dos atributos das galáxias anfitriãs. Segundo os especialistas, liderados por Chung-Pei Ma, da Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos, a descoberta sugere que os processos que influenciam no crescimento das galáxias grandes e seus buracos negros diferem dos que afetam as galáxias pequenas. Os cientistas acreditam que todas as galáxias massivas com componente esferoidal abrigam em seus centros buracos negros gigantescos.

As oscilações de luminosidade e brilho identificadas nos quasares do universo sugerem ainda que alguns deles teriam sido alimentados por buracos negros com massas 10 bilhões de vezes superiores à do Sol. No entanto, o maior buraco negro conhecido até então, situado na gigantesca galáxia elíptica Messier 87, tinha uma massa de apenas 6,3 bilhões de massas solares. Os buracos negros são difíceis de serem detectados porque sua poderosa gravidade os absorve por completo, incluindo a luz e outras radiações que poderiam revelar sua presença.

Os cientistas avaliaram os dados de duas galáxias vizinhas a Messier 87 - NGC 3842 e NGC 4889 - e concluíram que nelas havia buracos negros supermassivos. Os cientistas usaram o telescópio Gemini do Havaí, adaptado com lentes especiais que permitem detectar o movimento irregular de estrelas que se movimentam perto dos buracos negros e que são absorvidas por eles. Os pesquisadores constataram que a NGC 3842 abriga em seu centro um buraco negro com uma massa equivalente a 9,7 milhões de massas solares, enquanto, na NGC 4889, há outro com uma massa igual ou superior. Esses buracos negros teriam um horizonte de fatos, a região na qual nada, nem sequer a luz, pode escapar de sua atração, cerca de sete vezes maior do que todo o sistema solar. Segundo os especialistas, o enorme tamanho dos buracos se deve à sua habilidade para devorar não só planetas e estrelas, mas também pequenas galáxias, um processo que teria sido produzido ao longo de milhões de anos.
Fonte: TERRA

Fotos indicam que pode haver grande quantidade de água em Marte

Segundo agência, registros indicam presença de água subterrânea em Marte/Foto: ESA/DLR/FU Berlin (G. Neukum)/Divulgação
A Agência Espacial Europeia (ESA, na sigla em inglês) informou nesta sexta-feira que imagens feitas nesta semana por sua sonda Mars da cordilheira Phlegra Montes apontam para a existência de grandes quantidades de água sob a superfície de Marte, que poderiam abastecer as futuras missões tripuladas a esse planeta. De acordo com a ESA, as imagens permitem observar de perto a cadeia montanhosa e constatar que praticamente todas as suas montanhas estão rodeadas por "leques de detritos em formas de lobo", que morfologicamente são muito similares aos acúmulos de detritos que cobrem as geleiras na Terra.  "Este fato sugere que talvez existam geleiras enterradas sob a superfície de Marte nesta região", apontou a agência em seu site. A ESA insistiu que as observações por radar provam que a presença de tais leques de detritos - estruturas arredondadas que aparecem com frequência em torno de planaltos e montanhas da região - está quase sempre relacionada com a existência de água em estado sólido sob a superfície, "às vezes a apenas 20 m de profundidade". Segundo a organização, "as crateras de impacto nos arredores de Phlegra apresentam marcas que indicam uma recente atividade glacial na região". As teorias apontam que as cristas desse sistema montanhoso se formaram quando as crateras mais antigas se encheram de neve e, com o passar do tempo, foram se solidificando. Além disso, a ESA explicou que estas geleiras se originaram em épocas distintas ao longo das últimas centenas de milhões de anos, quando o eixo polar de Marte era muito diferente do atual e, consequentemente, também o eram as condições meteorológicas na região. "Todos estes indícios sugerem que poderia haver grandes quantidades de água oculta sob a superfície de Marte na região de Phlegra" e, "se assim for, essas grandes reservas poderiam abastecer os futuros astronautas que explorem o planeta vermelho", concluiu.
Fonte: TERRA

Nasa descobre planeta em região habitável de sistema solar

Nasa diz que é o menor planeta descoberto em uma região habitável de um sistema solar
Foto: Nasa/Ames/JPL-Caltech/Divulgación
O telescópio Kepler, da Nasa - a agência espacial americana -, descobriu um planeta em uma região habitável de um sistema solar, ou seja, onde possa haver água em estado líquido. A descoberta foi anunciada nesta segunda-feira pela agência, que afirmou que o equipamento foi usado para descobrir mais 1.094 candidatos a novos planetas. O planeta Kepler-22b é o menor já encontrado em uma região habitável de uma estrela similar ao Sol, mas ainda assim tem cerca de 2,4 vezes o raio da Terra. Os cientistas não sabem afirmar se ele é predominantemente rochoso, gasoso ou líquido, mas afirmam que a descoberta nos deixa um passo mais próximos de encontrar planetas parecidos com o nosso. Segundo a Nasa, pesquisas anteriores já indicaram a presença de planetas parecidos com o nosso em zonas habitáveis, mas os indícios nunca foram confirmados. Outros corpos do tamanho da Terra já foram descobertos, mas em regiões não propícias ao surgimento da vida como a conhecemos.  "Este é um grande marco na Estrada para encontrar um 'gêmeo' da Terra", diz Douglas Hudgins, cientista do programa Kepler, na sede da Nasa, em Washington. O telescópio analisa o brilho de mais de 150 mil estrelas. Quando os planetas passam em frente às estrelas, o brilho muda e o Kepler detecta - contudo são necessários pelo menos três trânsitos para se descobrir um novo astro. Os dados então são revistos por telescópios no solo e pelo Spitzer.

O novo planeta

Kepler-22b está a 600 anos-luz de distância. Apesar de ser maior que o nosso planeta, ele leva 290 dias (da Terra) para completar uma volta ao redor de sua estrela - que, por sua vez, pertence à classe G, a mesma do Sol, mas é um pouco menor e mais fria.
Fonte: TERRA

Nasa anuncia novas descobertas do observatório espacial Kepler

Missão da Nasa que busca planetas habitáveis terá nova descoberta anunciada esta tarde
A Nasa anunciará nesta segunda-feira as descobertas mais recentes do observatório espacial Kepler, que percorre a galáxia em busca de planetas nos quais possa existir água líquida e, portanto, vida. Desde que foi lançado em 2009, o Kepler está detectando planetas e possíveis candidatos com uma ampla variedade de tamanhos e em distâncias de órbitas também muito distintas para ajudar os cientistas a entender melhor qual é nosso lugar na galáxia. A Nasa deve conceder uma entrevista coletiva às 14h (horário de Brasília) na qual apresentará os dados estatísticos atualizados dos achados do Kepler desde 1º de fevereiro e anunciará uma nova descoberta planetária, antecipou em comunicado. Na entrevista participarão o diretor do Centro de Pesquisa Ames da Nasa, na Califórnia, Pete Worden; assim como o diretor do Instituto de Pesquisa de Inteligência Extraterrestre (SETI), Jill Tarter. Também estarão presentes a subdiretora da equipe de cientistas do Kepler no Centro Ames, Natalie Batalha e o principal pesquisador do observatório espacial no Ames, Bill Borucki.  Após a entrevista coletiva, será aberta uma conferência científica sobre o Kepler que reunirá de 5 a 9 de dezembro mais de 100 especialistas de diversas áreas como astrofísica e ciências planetárias, que analisarão os avanços realizados graças ao observatório espacial. Esta é a primeira missão da Nasa capaz de encontrar planetas do tamanho da Terra perto da chamada "zona habitável", a região em um sistema planetário onde pode existir água líquida na superfície do planeta em órbita. Só no ano passado o observatório espacial descobriu um sistema solar com seis planetas e um planeta com dois sóis, o que fascinou a comunidade científica.
Fonte: http://ultimosegundo.ig.com.br

VLT Encontra a Estrela em Rotação Mais Rápida

O Very Large Telescope do ESO descobriu a mais rápida estrela em rotação encontrada até agora. Esta estrela jovem brilhante de elevada massa situa-se na nossa galáxia vizinha, a Grande Nuvem de Magalhães, a cerca de 160 000 anos-luz de distância. Os astrónomos pensam que esta estrela poderá ter tido um passado violento, tendo sido ejetada de um sistema de estrelas duplas pela sua companheira em fase de explosão. Uma equipa internacional de astrónomos tem utilizado o Very Large Telescope do ESO, instalado no Observatório do Paranal no Chile, para fazer um rastreio das estrelas mais pesadas e brilhantes da Nebulosa da Tarântula (eso1117), situada na Grande Nuvem de Magalhães.

 Dentre as muitas estrelas brilhantes desta maternidade estelar, a equipa descobriu uma, chamada VFTS 102, que está a rodar a mais de dois milhões de quilómetros por hora - mais de 300 vezes mais depressa do que o Sol e muito próximo do ponto onde seria desfeita em pedaços devido às forças centrífugas. A VFTS 102 é a estrela em rotação mais rápida que se conhece até hoje. Os astrónomos descobriram também que a estrela, que tem cerca de 25 vezes a massa do Sol e é cerca de cem mil vezes mais brilhante, se desloca no espaço a uma velocidade muito diferente da das suas companheiras. 

A extraordinária velocidade de rotação aliada ao movimento invulgar relativamente às estrelas situadas na sua vizinhança, levou-nos a perguntar se esta estrela não teria tido um começo de vida invulgar. Ficámos desconfiados.” explica Philip Dufton (Queen´s University Belfast, Northern Ireland, RU), autor principal do artigo científico que apresenta estes resultados. A diferença em velocidade poderia apontar para o facto da VFTS 102 ser uma estrela fugitiva - uma estrela que foi ejetada de um sistema de estrelas duplas depois da sua companheira ter explodido sob a forma de supernova. Esta hipótese é corroborada por mais duas pistas adicionais : um pulsar e um resto de supernova a ele associado, encontrados na vizinhança da estrela.

A equipa desenvolveu um possível cenário evolutivo para esta estrela tão invulgar. O objeto poderia ter começado a sua vida como uma componente de um sistema estelar binário. Se as duas estrelas estivessem próximas uma da outra, o gás da companheira poderia ter fluído continuamente na sua direção, fazendo com que a estrela começasse a rodar mais e mais depressa, o que explicaria um dos factos invulgares - o porquê da sua rotação extremamente elevada. Após um curto espaço de tempo na vida da estrela, de cerca de dez milhões de anos, a companheira de elevada massa teria explodido como uma supernova - o que explicaria a nuvem de gás característica conhecida como resto de supernova que se encontra nas proximidades.

A explosão teria também dado origem à ejeção da estrela, o que poderia explicar a terceira anomalia - a diferença entre a sua velocidade e a das outras estrelas da região. Ao colapsar a companheira de grande massa ter-se-ia transformado no pulsar que observamos hoje, completando assim a solução do puzzle. Embora os astrónomos não possam ter a certeza deste cenário, Dufton conclui: “Esta é uma hipótese com muito mérito, uma vez que explica todas as caraterísticas invulgares que observámos. Esta estrela mostra-nos claramente lados inesperados das vidas curtas mas dramáticas das estrelas mais pesadas.”
Fonte: http://www.eso.org/public/brazil/news/eso1147/
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