29 de fev de 2012

Eu quero tirar a primeira foto de um buraco negro

Este é o logotipo do Telescópio Horizonte de Eventos, ilustrando artisticamente aquilo que os astrônomos esperam obter experimentalmente.[Imagem: Event Horizon Telescope]

Telescópio Horizonte de Eventos

Uma imagem de um buraco negro poderia testar a Teoria da Relatividade Geral. Mais importante ainda, afirma o astrônomo Dan Marrone, uma imagem poderia provar que os buracos negros realmente existem. Um buraco negro, por definição, é absolutamente preto. Então, como é que se pode tirar uma foto de um? Supondo que eles realmente existam, e que as teorias estejam corretas, se você olhar diretamente para um buraco negro ele deverá parecer mesmo bastante escuro, já que pouquíssima radiação escapa dele.

Mas exatamente em torno da borda será possível ver um anel brilhante, devido aos fótons que por pouco não caem no buraco negro e surfam pela sua borda uma ou duas vezes. Esta luz é o que Marrone e um time internacional de astrônomos acreditam que será detectado pelo Telescópio Horizonte de Eventos (EHT: Event Horizon Telescope). Horizonte de eventos é a fronteira final do buraco negro, além da qual nada mais escapa, nem mesmo os fótons surfistas, e tudo o que resta, do ponto de vista de um telescópio terrestre, é a escuridão.

Aqui Marrone fala sobre o projeto.

O EHT é chamado de "telescópio da Terra inteira". Como ele funciona?
 
Em radioastronomia, para obter uma resolução maior do que você consegue com um único telescópio, você grava sinais de telescópios ao redor do mundo e os reúne com um computador especial. É como se você tivesse um único telescópio quase do tamanho da Terra.
 
Quais os buracos negros serão observados?

O Sagitário A* [pronuncia-se A-estrela] que é o buraco negro supermaciço no centro da nossa galáxia, e o buraco negro no centro da M87, a maior galáxia do aglomerado de galáxias de Virgem. Com um telescópio do tamanho da Terra, e nas frequências que estamos observando, nós poderemos distinguir apenas buracos negros deste tamanho.

Simulação do gás rodopiando antes de cair no buraco negro. [Imagem: Science/AAAS]

Todas as imagens de buracos negros até agora são impressões artísticas. Será que a coisa real corresponde às expectativas?
 
A questão de criar uma imagem a partir do que medirmos é um assunto delicado. Nós provavelmente iremos representá-lo como uma imagem de cor falsa, usando cores para representar os níveis de brilho da luz. Essa imagem não será tão bonita quanto uma impressão artística. As galáxias borram a luz entre nós e o buraco negro, por isso há uma série de características que possivelmente não conseguiremos ver. Mas qualquer imagem que tenhamos não poderá decepcionar - nós estaremos olhando para algo que ninguém jamais viu antes.
 
E sobre a captura de uma imagem em movimento, algo como "Buraco Negro, o filme"?

Poderemos fazer isso se houver algo em órbita do buraco negro, como esperamos que haverá. Se houver gás orbitando, prestes a cair no buraco negro, essa queda levará algo entre 4 e 27 minutos, dependendo da velocidade de rotação do buraco negro. Se olharmos por vários dias e vermos as mudanças na estrutura, nós poderemos representar isto como um filme também.
Reunindo mais de 10 radiotelescópios ao redor do mundo, o telescópio virtual Horizonte de Eventos terá praticamente o tamanho da Terra. [Imagem: Science/AAAS]

O que você está esperando aprender com esta imagem?

Meramente ser capaz de tirar uma foto de um buraco negro, e mostrar essa sombra que esperamos estar lá, porque a luz não está escapando, será importante. Além disso, temos muito a aprender sobre a estrutura do buraco negro da nossa galáxia, e o que acontece com um buraco negro quando ele está sendo privado de material, como o Sagitário A* parece estar. Nós também esperamos ser capazes de testar a Relatividade Geral, que nos diz que o anel de luz ao redor da borda do buraco negro precisa ser perfeitamente circular. Se a Relatividade Geral falhar neste regime de campo muito forte, onde a gravidade está nos seus limites, então este anel de luz não será perfeitamente circular.
Fonte: http://www.inovacaotecnologica.com.br

Até ao Polo Norte da Lua

Imagem por Avani Soares, anotado por Ronald Hentzel
Star-hopping é uma antiga e tradicional técnica de se encontrar determinadas estrelas no céu, uma técnica que existe há muitos anos bem antes dos software tipo planetário e dos telescópios equipados com os sistemas automáticos de busca. O astrônomo amador Ron propôs fazer algo semelhante para se encontrar o polo norte lunar. Primeiro ele procurou e achou uma excelente imagem da Lua e depois ele foi adicionando a essa imagem pontos ligando cratera a cratera começando na grande cratera W. Bond que é facilmente encontrada oposta ao Mare Frigoris a partir da Plato. A partir daí pode-se encontrar a Barrow e então a gigantesca Meton, todos esses três primeiros passos passam por antigas crateras preenchidas com material ejetado da Bacia Imbrium. Depois disso ele seguiu uma pequena cratera na borda da Meton que o levou à jovem cratera Scoresby. Depois estão as crateras gêmeas Chalis e Main que sempre podem ser observadas como apontadoras da Byrd bem maior e da cratera próxima ao polo Peary. Talvez essa técnica de crater-hopping seja útil para que possamos encontrar outras feições na Lua.
Fonte: https://lpod.wikispaces.com

A Lua e Os Planetas Sobre a Catalunha

Créditos de Imagem e Direitos Autorais:Juan Carlos Casado (TWAN)
Vênus e Júpiter aparecerão bem próximos um do outro no céu durante o próximo mês. A conjunção planetária será facilmente visível para qualquer um a olho nu, pois Vênus aparecerá mais brilhante no céu do que qualquer outra estrela, e Júpiter também estará bem brilhante e próximo a Vênus. Para ver esse alinhamento planetário basta olhar para o lado oeste do horizonte após o pôr-do-Sol. No ponto mais próximo dessa conjunção que deve acontecer no dia 15 de Março de 2012, os dois planetas estarão a apenas 3 graus de separação. No espaço, na verdade, os planetas não estão nada perto um do outro, o que está acontecendo é que nesse momento Vênus está passando quase na frente de Júpiter para um observador na Terra. A imagem acima foi feita na semana passada desde a Catalunha, na Espanha, onde uma Lua crescente aparece à direita de Vênus, enquanto que Júpiter aparece perto da parte superior da imagem. As distantes esferas iluminadas pelo Sol foram fotografadas com uma escultura representando uma lendária batalha entre um guerreiro e um dragão em primeiro plano na imagem. A próxima conjunção entre Vênus e Júpiter acontecerá em Maio de 2013.
Fonte: http://apod.nasa.gov/apod/ap120229.html

28 de fev de 2012

Galáxia anã põe em causa atuais modelos de formação de galáxias

 Imagem composta por 3 filtros, maioritariamente na banda do visível, da região I Zw 18. No canto superior direito pode ainda ver-se a galáxia anã azul, I Zw 18 C. (Papaderos et al., 2012)
O astrónomo Polychronis Papaderos, do Centro de Astrofísica da Universidade do Porto (CAUP), usou o telescópio espacial Hubble (HST) para obter observações extremamente precisas da galáxia I Zw 18. A sua investigação levou-o a concluir que esta enigmática galáxia anã poderá levar à correção dos atuais modelos de formação de galáxias. A galáxia anã I Zw 18 é uma das mais estudadas de sempre, pois entre as que apresentam uma forte atividade de formação estelar, é das mais pobres em elementos pesados. Além disso, a proximidade desta galáxia à Terra, conjugada com um tempo total de observação de quase 3 dias, permitiu obter dados com uma resolução e sensibilidade sem precedentes. A análise destes dados revelou que esta galáxia tem um extenso halo de gás, sem qualquer estrela, cerca de 16 vezes mais extenso do que a componente estelar da galáxia.

Este resulta da grande quantidade de energia libertada pelo surto de formação estelar pelo qual a I Zw 18 está a passar. Toda essa energia aquece e perturba o gás frio existente na galáxia, que emite uma quantidade de luz comparável à emitida por todas as estrelas da galáxia – a emissão nebular. Papaderos comenta que: “Este trabalho é inovador porque nos dá a primeira prova observacional que as jovens galáxias, que passaram por surtos de formação estelar no início do Universo, deverão ter estado envolvidas num enorme halo de emissão nebular. Este halo extenso é aquecido pela imensa energia de milhares de estrelas massivas, que se formaram durante o surto, e que rapidamente explodem como supernovas”.

Imagem composta, maioritariamente na banda do visível, da região I Zw 18, com sobreposição de contornos que mostram a distribuição das estrelas nesta galáxia. (Papaderos et al., 2012)

Até agora, para as galáxias mais distantes, onde não é possível atingir a resolução necessária para distinguir entre a emissão do gás e das estrelas, assumia-se que o gás ocupava a mesma região que as estrelas e que estas últimas eram responsáveis por emitir quase toda a luz observada. No entanto, este estudo mostrou que as galáxias que estão a atravessar um surto de formação estelar, à semelhança da I Zw 18, podem não obedecer a esta regra. Este resultado poderá levar a correções significativas em muito do trabalho que tem vindo a ser desenvolvido em astronomia extragalática e cosmologia. Um exemplo disto é o cálculo da massa correspondente a estrelas numa galáxia, que é estimada a partir da luminosidade total.

No entanto, tal como estes resultados demonstram, até 50% dessa luminosidade pode corresponder à emissão nebular, e não a estrelas. Outro dos resultados obtidos neste trabalho mostra que, segundo Papaderos, “a distribuição da emissão nebular pode ser confundida com um disco de estrelas, o que pode resultar em classificar erradamente a galáxia, ainda em formação, como uma galáxia já totalmente formada” (uma espiral ou uma elíptica gigante). Assim, muitos dos estudos anteriores para determinar a evolução de galáxias desde o início do Universo, poderão ter cometido estes erros na classificação. Para além disso, estes resultados têm também uma grande importância para o conhecimento atual acerca de formação de galáxias, uma vez que a equipa concluiu que a I Zw 18 é extremamente jovem, tendo a maioria das suas estrelas menos de mil milhões de anos. Ou seja, esta jovem galáxia está neste momento a passar pela fase dominante de formação estelar, à semelhança das que se formaram logo a seguir ao Big Bang.
Fonte: http://www.astro.up.pt

Cientistas americanos querem missão a Marte em 2018

Com 700 milhões de dólares, especialistas esperam construir orbitador para coletar dados sobre a atmosfera do planeta para futura missão tripulada
Cientistas estão 'quebrando a cabeça' para pensar em missões a Marte com o orçamento reduzido (Nasa)

Depois de lançar o Mars Science Laboratory (MSL), em novembro do ano passado, cientistas da agência espacial americana, a Nasa, anunciaram planos de lançar uma nova missão a Marte em 2018. O anúncio foi feito durante o encontro anual do Grupo de Análise do Programa de Exploração de Marte, em Washington, nos Estados Unidos. Mas, enquanto o MSL tem como objetivo estudar as origens e características de Marte, a nova missão deve se concentrar em formas de facilitar a ida do homem ao planeta.

A notícia veio duas semanas depois que o governo americano anunciou cortes drásticos no orçamento da Nasa e uma mudança de prioridades. A partir de agora, a agência deve se concentrar em desenvolver tecnologias que vão enviar o homem além da órbita da Terra, incluindo Marte. Isso quer dizer que a parte não tripulada do programa marciano (e de outros planetas) deixou de ser uma prioridade.  Uma das missões aventadas durante o encontro seria um orbitador de 700 milhões de dólares.

Os cientistas querem aproveitar o fato de que em 2018 Marte estará mais próximo da Terra, o que reduziria os custos da missão com combustível. A missão seria uma forma de dar continuidade ao programa, mesmo com pouco dinheiro. Por causa dos cortes no orçamento, a Nasa decidiu abandonar o programa ExoMars, tocado junto com a ESA (agência espacial europeia). O plano era enviar um orbitador em 2016 para medir gases na atmosfera e um jipe em 2018 para coleta de amostras. 

Para se ter uma ideia dos cortes propostos, o dinheiro investido nas pesquisas sobre Marte pode cair dos atuais 587 milhões de dólares para 189 milhões em 2015. A Nasa anunciou que já possui duas missões importantes em atividade — o James Webb Telescope, previsto para 2018, e o jipe Mars Science Laboratory — e que, portanto, não poderia se comprometer com grandes projetos. A possível missão em 2018, levantada durante o encontro em Washington, poderia realizar parte dos projetos científicos previstos para o orbitador da ESA, além de realizar medições importantes para o programa de exploração humana. A divisão precisará de mais detalhes sobre a dinâmica da atmosfera marciana antes de tentar colocar astronautas na superfície do planeta.

Astrônomos de olho em supernovas do passado e do futuro

Hubble acompanha explosão detectada há 25 anos e evolução de estrela agonizante
Supernova em ação: astrônomos acompanham evolução de explosão detectada em 1987
 
Há pouco mais de 25 anos, em 23 de fevereiro de 1987, uma nova estrela no céu chamou a atenção de astrônomos de todo o mundo. Era a supernova 1987A, a mais brilhante em quase 400 anos de observações astronômicas. Localizada a 160 mil anos-luz da Terra, ela também foi a primeira que pôde ser acompanhada de perto pelos poderosos instrumentos modernos. Um destes instrumentos foi o telescópio espacial Hubble, que entre 1994 e 2009 acompanhou a dispersão dos restos da estrela destruída rumo a um anel de material de um ano-luz de diâmetro anteriormente expelido por ela.
 
Unidas no vídeo acima, as imagens do Hubble mostram como a onda de choque da explosão, movendo-se a velocidades próximas de 60 milhões de quilômetros por hora, aqueceu e fez brilhar este material, fornecendo novas pistas sobre a dinâmica destes eventos, entre os mais energéticos do Universo. Enquanto isso, os astrônomos também estão usando o Hubble e outros observatórios no espaço e em terra para monitorar outra estrela agonizante que deve explodir em uma supernova em breve em termos astronômicos, isto é, algo entre amanhã e daqui a 1 milhão de anos.
 
A 7,5 mil anos-luz de distância, a estrela, batizada Eta Carinae, já teve uma grande ejeção de material que fez com que fosse uma das mais brilhantes do céu em 1843, gradualmente perdendo intensidade até ficar invisível a olho nu em 1868.  Estudos recentes conseguiram identificar os ecos desta primeira explosão, o que permitiu que os cientistas calculassem quanto material a Eta Carinae perdeu nela, aumentando a compreensão da evolução destes astros. A expectativa é de que quando a estrela finalmente se tornar uma supernova, ela provoque o mesmo tipo a fenômeno como o visto no anel em torno da 1987A.
Fonte: http://oglobo.globo.com

Quando a água fluiu em Marte: fotos coloridas mostram vales esculpidos pelas enchentes antigas

Essas fotos são versões incrivelmente detalhadas em 3D feitas pela Agência Espacial Europeia da região Vallis Tiu, na superfície do planeta Marte. A região erodida é um vale no quadrângulo de Oxia Palus. Sua extensão é de 1.720 quilômetros e seu nome vem da palavra “Marte” em inglês antigo (germânico ocidental).
O mosaico da região foi codificado por cores (que indicam as áreas mais e menos elevadas) e destaca a geografia espetacular da área, que teria sido criada por inundações altamente energéticas do rugido da água que um dia existiu em toda a superfície do planeta. As imagens geradas com dados do sistema de câmera estéreo de alta resolução da nave Mars Express mostram modelos digitais de terreno do que a topografia da superfície poderia ser derivada.
Cores foram atribuídas a diferentes elevações na paisagem. As imagens foram capturadas em 10 órbitas da nave e mostram uma área de aproximadamente 380 quilômetros de comprimento. A agência disse que fica claro que o Tiu Vallis e as massas de água que fluíram dentro dele escavaram a uma profundidade de 1.500 a 2.000 metros ao norte do planalto marciano. Crateras de impacto individuais no fundo do vale formaram depressões marcantes, que ocorreram em um momento que a água já não corria mais ali – caso contrário, teriam sido preenchidas com sedimentos.
Fonte: hypescience.com
[DailyMail]

Fluxos ultra-rápidos ajudam buracos negros supermassivos a esculpir as suas galáxias

correlação curiosa entre a massa de um buraco negro central de uma galáxia e a velocidade das estrelas numa estrutura vasta e aproximadamente esférica conhecida como "bojo" tem intrigado os astrónomos durante anos. Uma equipa internacional liderada por Francesco Tombesi do Centro Aeroespacial Goddard da NASA em Greenbelt, no estado americano de Maryland, identificou um novo tipo de escoamento conduzido por buracos negros que parece ser suficientemente poderoso e comum para explicar esta ligação.

As Duas Caudas Opostas Do Cometa Garradd

Crédito de imagem e direitos autorais: Robert Pölzl
Por que o cometa Garradd tem duas caudas? Visível à esquerda está a cauda de poeira do Cometa Garradd que é composta de gelo e poeira que segue o cometa em sua órbita ao redor do Sol. Visível à direita, está a cauda de íon do Cometa Garradd que é composta de gás ionizado que é soprada diretamente contra o Sol pelo vento solar. A maioria dos cometas mostram duas caudas, embora não seja comum que elas apareçam em direções opostas. O Cometa Garradd atualmente mostra caudas opostas devido a uma visão angular intermediária oportuna da Terra. Tonalidades sutis mostradas na imagem acima, registrada na última semana, mostra a cauda de poeira com um brilho levemente amarelo já que seus grandes grãos refletem a luz do Sol de forma acromática, enquanto que a cauda de íon brilha com uma tonalidade levemente azul já que os íons de monóxido de carbono refletem a luz do Sol de forma mais eficiente. No centro, ao redor do núcleo do cometa, está a coma levemente colorida de verde, que mostra essa coloração graças a uma mistura de poeira e gases que inclui cianogênio que emite a luz verde. Embora, agora esteja derivando para fora do Sol, o Cometa Garradd fará sua maior aproximação da Terra na próxima semana.
Fonte: http://apod.nasa.gov/apod/ap120228.html

27 de fev de 2012

A Onda de Choque da Supernova 1997 A

Créditos da Imagem:Hubble Space Telescope, NASA, ESA; Video compilation: Mark McDonald
Há vinte cinco anos atrás a supernova mais brilhante dos tempos modernos foi registrada. Com o passar dos anos, os astrônomos têm observado esse objeto e esperando pela expansão de detritos originados dessa tremenda explosão estelar até o seu choque como material anteriormente expelido. Um resultado claro dessa colisão de material é demonstrado no vídeo acima, gerado a partir de imagens obtidas pelo Telescópio Espacial Hubble entre os anos de 1994 e 2009. O vídeo mostra a colisão de uma onda de choque se movendo para fora da supernova com um anel pré-existente de um ano-luz de largura. A colisão ocorreu a uma velocidade de 60 milhões de quilômetros por hora ema onda de choque ao atingir o anel aquecendo-o causou o seu brilho. Os astrônomos continuam a estudar a colisão à medida que ela ilumina o interessante passado da SN 1987 A, fornecendo assim pistas sobre a origem dos misteriosos anéis da supernova discutidos no post de ontem aqui no blog.
Fonte: http://apod.nasa.gov/apod/ap120227.html

Misteriosos Anéis da Supernova 1987A

Créditos da Imagem:ESA/Hubble, NASA
O que está causando esses estranhos anéis na supernova 1987A? Há vinte e cinco anos atrás, em 1987, a supernova mais brilhante da história recente foi vista na Grande Nuvem de Magalhães. No centro da imagem acima está um objeto central que é parte remanescente da violenta explosão estelar que aconteceu ali. Ao redor do centro curiosos anéis externos apareceram e tomaram a forma do número 8. Embora grandes telescópios incluindo o Telescópio Espacial Hubble monitorem os curiosos anéis por anos, sua origem ainda é misteriosa. A imagem acima foi feita pelo Hubble da parte remanescente da SN1987A em 2011. Embora a origem não seja definida com clareza existem especulações sobre a origem desses anéis, entre essas especulações está o fato de jatos estarem sendo emanados de uma estrela de nêutrons outrora escondida, e a interação do vento da estrela progenitora da supernova com o gás emitido antes da explosão.
Fonte: http://apod.nasa.gov/apod/ap120226.html

Pulsares são mais velhos do que o Universo?

Ilustração artística de um pulsar de milissegundos emissor de raios X. O material que flui da estrela companheira forma um disco ao redor da estrela de nêutrons que é truncado na borda da magnetosfera do pulsar.[Imagem: NASA/Dana Berry]

Pulsares incômodos
O que faz o sucesso da ciência é uma perseguição incansável de uma concordância entre fatos e teorias. Contudo, apesar do enorme sucesso do modelo do Big Bang, algumas observações recentes chegaram a uma conclusão incômoda: os pulsares, ou buracos negros estelares, pareciam ser mais velhos do que o Universo. Os pulsares estão entre os corpos celestiais mais exóticos que se conhece. Eles têm um diâmetro entre 10 e 20 quilômetros, mas, nessa dimensão digna de um apagado asteroide, eles concentram uma massa equivalente à do Sol. O resultado é uma emissão de energia 100.000 vezes maior do que a do Sol.

Para se ter uma ideia, um cubo de açúcar que fosse feito com a matéria dos pulsares pesaria quase um bilhão de toneladas aqui na Terra. Mais recentemente eles vêm incomodando muito os astrônomos: em 2010, descobriu-se um pulsar mais denso do que a teoria considerava possível. Em maio do ano passado, a Nebulosa de Caranguejo apresentou uma ejeção inédita de raios gama, que os cálculos logo mostraram se originar de um pulsar impossível de existir segundo os modelos atuais.

Pulsares de milissegundo
Uma família desses corpos celestes, chamada de pulsares de milissegundo, gira centenas de vezes por segundo ao redor do seu próprio eixo. Desde que o primeiro deles foi descoberto, em 1982, os astrônomos já encontraram cerca de outros 200 desses pulsares, com períodos de rotação entre 1,4 e 10 milissegundos. Essas estrelas de nêutrons fortemente magnetizadas atingem essas altíssimas frequências rotacionais acumulando massa e momento angular sugando uma estrela próxima, com a qual formam um sistema binário. O problema é que, ao calcular a idade dos pulsares e dos restos da sua estrela companheira, os cientistas chegam à conclusão paradoxal de que eles são mais velhos do que o Universo.

Na verdade, ainda não se chegou a uma explicação razoável nem para a idade, sem para os períodos de rotação e nem para os fortíssimos campos magnéticos desses estranhos "faróis estelares". Por exemplo, o que acontece com a rotação do pulsar quando acaba a massa de sua estrela doadora? Ninguém sabia. Agora, Thomas Tauris, do Instituto Max Planck, na Alemanha, saiu em socorro da teoria, fazendo simulações computacionais que mostram que os pulsares de milissegundo podem não ser tão velhos quanto parecia. E ele fez isso apresentando uma solução para o problema do "desligamento dos pulsares.

Desligando um pulsar
Por meio de cálculos numéricos, feitos com base na evolução estelar e no torque de acreção dos pulsares, Tauris demonstrou que os pulsares de milissegundo perdem cerca de metade da sua energia rotacional durantes os estágios finais do processo de transferência de massa de sua estrela canibalizada, antes que o pulsar acione seu processo de emissão de ondas de rádio. O elemento mais importante do estudo é que ele demonstra como o pulsar é capaz de quebrar seu assim chamado equilíbrio rotacional. Nessa época, a taxa de transferência de massa cai, o que faz a magnetosfera do pulsar se expandir.

O resultado é que ele começa a arremessar massa de volta ao espaço, como se fosse uma hélice, o que o faz perder energia rotacional e diminuir seu período de rotação. Em outras palavras, é a expansão do campo magnético do pulsar que ajuda a diminuir sua velocidade de rotação. É por isso que os pulsares que emitem ondas de rádio giram mais lentamente do que seus progenitores, os pulsares emissores de raios X, que continuam absorvendo matéria das suas estrelas doadoras.

Escondendo a idade 
Além de estar em concordância com as observações, isso explicaria porque os pulsares de milissegundo dão a impressão de ser mais velhos do que os restos das anãs-brancas que eles sugam. Isto porque sua idade é calculada com base na sua rotação, mas até agora não se conhecia essa variação na rotação induzida pela expansão do campo magnético do pulsar - o que levava a cálculos de até 15 bilhões de anos de idade para alguns pulsares, mais do que os 13,7 bilhões calculados para o Universo.

Segundo Tauris, o único "relógio" em que se pode confiar para calcular a idade desses sistemas binários são os restos da estrela companheira - mais especificamente, de sua temperatura, uma vez que ela continua quente mesmo não sendo mais capaz de queimar hidrogênio devido à perda de massa para o pulsar. O trabalho também oferece uma explicação para a aparente inexistência de pulsares ainda mais rápidos, na faixa dos microssegundos ou menos.
Fonte: http://www.inovacaotecnologica.com.br

24 de fev de 2012

A Fonte da Juventude

Crédito: NASA, ESA e Hubble Heritage Team (STScI / AURA)
Esse grupo interagindo nos confins do universo possui algumas galáxias, além de uma verdadeira fonte cósmica de estrelas, gás e poeira que se estende por 100000 anos-luz. Lembrando um par de olhos de boi, os dois núcleos das galáxias colidindo podem ser vistos num processo de fusão no canto superior esquerdo. A bizarra ponte de material azul que se estende para fora da componente localizada mais ao norte parece estar se conectando a uma galáxia ao sul, mas na realidade a galáxia está em um plano de fundo e não conectada como parece. A fonte azul é uma feição espetacular desse conjunto de galáxias e possui super aglomerados de estrelas que podem conter dezenas de milhares de estrelas individuais em cada um deles. Essa feição pode ser classificada como uma fonte da juventude cósmica.
Fonte: http://spacefellowship.com

Remanescente de Supernova Ajudando a Solucionar Mistérios

Uma imagem composta de Chandra (azul) e Spitzer (verde e vermelho-amarelo) telescópios espaciais mostra os restos empoeirados de uma estrela em colapso, um remanescente de supernova chamada G54.1 0,3. Crédito da imagem: NASA / CXC / JPL-Caltech / Harvard-Smithsonian CfA
Uma nova imagem composta com dados dos telescópios espaciais da NASA, Chandra e Spitzer, mostra os restos empoeirados de uma estrela colapsada. A poeira está voando e engolfando uma família de estrelas próximas. “Os cientistas acreditam que as estrelas nessa imagem são parte de um aglomerado estelar onde uma supernova explodiu”, diz Tea Temim do Centro de para Astrofísica Harvard-Smithsonian em Cambridge, Massachussets, que lidera o estudo.

“O material expelido na explosão está agora soprando essas estrelas com ventos de alta velocidade”.  A imagem aqui reproduzida mostra os dados do Observatório de Raios-X Chandra em azul e os dados do Telescópio Espacial Spitzer em verde (comprimentos de onda mais curtos) e vermelho e amarelo para os comprimentos de onda mais longos. A fonte branca próxima ao centro da imagem é uma densa estrela de nêutron com uma rotação muito rápida, ou um pulsar deixado ali após a explosão do núcleo colapsado da supernova.

O pulsar gera um vento de partículas de alta energia – visto nos dados do Chandra – que expande dentro de um ambiente circundante iluminando o material expelido pela explosão da supernova. A concha infravermelha que envolve o vento do pulsar é constituída de gás e poeira condensados dos detritos da supernova. À medida que a poeira fria expande na vizinhança, ela é aquecida e é iluminada pelas estrelas nos aglomerados que são então observados em infravermelho.

A poeira mais próxima das estrelas é mais quente e é observada com um brilho amarelo na imagem. Alguma parte da poeira também é aquecida pelo vento do pulsar em expansão à medida que ele alcança o material da concha. O ambiente único no qual a supernova explodiu permite aos astrônomos observarem a poeira condensada da supernova que é normalmente fria para emitir radiação infravermelha. Sem a presença do aglomerado estelar, não seria possível observar a poeira até que ele se tornasse energizada e aquecida por uma onda de choque produzida pela supernova.

Contudo, a ação desse aquecimento de choque poderia destruir muita das partículas menores. Na G54.1+0.3, os astrônomos estão observando a poeira original antes dessa destruição. A G54.1+0.3 fornece uma impressionante oportunidade para os astrônomos estudarem a formação da poeira de uma supernova jovem antes dela ser alterada e destruída pelas ondas de choque. A natureza e a quantidade de poeira produzida nas explosões de supernova é um antigo mistério e a G54.1+0.3 pode ajudar a desvendar uma importante peça desse quebra-cabeça.
Fonte: NASA

Nebulosas em Aurigae

Créditos e direitos autorais : Steve Cannistra (StarryWonders)
Rica em aglomerados estelares e nebulosas, a antiga constelação de Auriga, o cocheiro, passeia elevada no céu noturno de inverno do hemisfério norte . Composto a partir de dados obtidos em filtros de banda larga e estreita, abrangindo cerca de 8 Luas cheias (4 graus) no céu, essa profunda visão telescópica registrada em janeiro mostra algumas das generosidades celestiais da Auriga. O campo inclui a região de emissão IC 405 (canto superior esquerdo) a cerca de 1.500 anos-luz de distancia. Também conhecida como a Nebulosa da Estrela Flamejante, as complexas e vermelhas nuvens de gás hidrogênio incandescente são energizados por estrelas do tipo "O-quente" AE Aurigae. A nebulosa IC 410 (canto superior direito) está significativamente mais distante, a cerca de 12.000 anos-luz. Essa região de estrelas em formação é famosa por seu aglomerado de estrelas jovens interno, NGC 1893, e nuvens de poeira e gás em forma de girinos. Já IC 417 e NGC 1931 no canto inferior direito, a Aranha e a Mosca, também são aglomerados de estrelas jovens inseridos em suas nuvens natais e que estão muito além da nebulosa IC 405. O aglomerado de estrelas NGC 1907 está perto da borda inferior da imagem, a direita do centro. O abarrotado campo de visão mira ao longo do plano da nossa galáxia, Via Láctea, perto da direção oposta ao centro galáctico.

23 de fev de 2012

O que existia antes do Big Bang?

NASA/WMAP[Imagem: Mapa da radiação cósmica de fundo]
"Já não é mais completamente maluco perguntar o que aconteceu antes do Big Bang." A afirmação é de Marc Kamionkowski, coordenador de um grupo de astrofísicos de uma das principais universidades dos Estados Unidos, a Caltech.

O que existia antes do Big Bang?
Até agora acreditava-se que a violenta expansão que deu origem ao nosso universo foi forte o suficiente para eliminar qualquer traço do que existia antes. Mas uma nova interpretação de registros dos primeiros instantes após o Big Bang pode lançar alguma luz sobre o que existia antes e o que fez com que espaço e tempo inflassem, aumentando continuamente as distâncias físicas entre quaisquer pontos participantes desse movimento inflacionário. A nova teoria procura explicar as "anomalias" verificadas nos dados, que mostram variações no que deveria ser uma distribuição perfeitamente uniforme da radiação e da matéria no Universo.

Inflação cósmica
A teoria atual baseia-se em um fenômeno chamado inflação cósmica, que propõe que o espaço expandiu-se exponencialmente no instante seguinte ao Big Bang. O problema é que isso resultaria em um universo perfeitamente uniforme. E todas as observações indicam que há variações gigantescas entre as diversas regiões do Universo.

Radiação cósmica de fundo
Além disso, os cientistas detectaram uma anomalia nos dados da Radiação Cósmica de Fundo (CMB, na sigla em inglês), uma radiação na faixa das microondas que inundou o Universo 400.000 anos depois do Big Bang. A CMB é uma espécie de brilho do Big Bang, que decaiu para microondas à medida que o Universo se expandia ao longo dos 13,7 bilhões de anos que se seguiram desde o seu surgimento. Se nossos olhos conseguissem enxergar essa faixa das radiofreqüências, nós veríamos um céu inteiramente brilhante.

Anomalia com certificado
Dados da sonda espacial WMAP (Wilkinson Microwave Anisotropy Probe), da NASA, mostram que a amplitude nas flutuações da CMB, que seria consistente com o modelo da inflação espacial, na verdade não é a mesma em todas as direções.  "É uma anomalia adequadamente certificada," explica Kamionkowski. "Mas como a inflação cósmica parece lidar bem com tudo o mais, parece prematuro descartar a teoria." Com isso, os pesquisadores inseriram a assimetria verificada nos dados no cerne da própria teoria da inflação cósmica.

Inflaton e curvaton
Até agora haviam sido propostos dois novos tipos de campos de energia como sendo os motores da inflação do Universo. O primeiro, chamado de inflaton, não passou nos testes da nova teoria. Mas a coisa funcionou com o segundo campo, chamado curvaton, que havia sido proposto anteriormente para explicar as flutuações observadas na CMB. Variações no campo curvaton afetam apenas como a temperatura varia de um lugar para outro no Universo, mas mantém seu valor médio, mantendo a consistência do modelo da inflação cósmica. O novo modelo prevê que há uma maior quantidade de pontos frios do que de pontos quentes no CMB. A nova teoria poderá ser testada já em 2009, utilizando a sonda espacial Planck, uma missão internacional coordenada pela Agência Espacial Européia, que deverá ser lançada em Abril do próximo ano.

Levantando o véu do Big Bang
A "perturbação" que os físicos introduziram no valor do curvaton ofereceu um ganho adicional: ela oferece o primeiro vislumbre sobre o que existia antes do Big Bang. Isso porque a perturbação pode ser a resultante de um efeito herdado da época antes do início da inflação cósmica.  "Em termos observacionais, tudo isto está escondido por um véu," afirma Kamionkowski. "Se nosso modelo se sustentar, nós teremos a primeira chance de olhar além desse véu."
Fonte: http://www.inovacaotecnologica.com.br

Planck revela segredos do nascimento do Universo

Esta faixa representa a radiação de fundo de microondas observada pela sonda PLANCK (a curva multicolorida) que está superposta em uma imagem na luz visível do céu, dominado pelo disco da Via Láctea (Imagem: ESA/LFI/HFI Consortia/Axel Mellinger). Esta é a primeira amostra que a PLANCK nos oferece sobre o brilho do Big Bang com detalhes inéditos. O mapa completo do céu será produzido em cerca de 6 meses.
A espaçonave PLANCK da ESA (European Space Agency) foi lançada no espaço em 14 de maio de 2009. Seu destino é observar o brilho do gás cósmico cerca de 380.000 anos após o Big Bang (13,73±0,12 bilhões de anos atrás), a radiação de microondas cósmica de fundo (CMB – Cosmic Microwave Background radiation). As propriedades desta radiação de fundo poderão conter informações sobre dimensões extras ou universos múltiplos, assim como fornecer pistas sobre o que causou uma curta e incrivelmente rápida expansão universal, a Inflação Cósmica. PLANCK começou a sua rotina de pesquisa da radiação de microondas em 13 de agosto de 2009, algumas semanas depois de ter atingido a distância de 1,5 milhões de quilômetros da Terra, no ponto orbital de Lagrange chamado L2. A operação começou quando a nave criogênica concluiu o processo de ultra resfriamento e conseguiu atingir a extrema temperatura de 0,1°K acima do zero absoluto (-273,15°C). Como resultado do mapeamento até agora processado, o time de cientistas da sonda PLANCK liberou uma primeira imagem cobrindo a fatia de 5% do céu.

O melhor da radiação de fundo, até agora!
Minúsculas variações na temperatura do Universo primordial dão suavidade a imagem. “Com um pequeno percentual dos dados coletados, você pode ver que a sonda está operando bem e entregando um bom material”, disse George Efstathiou da Universidade de Cambridge, que trabalha na equipe do PLANCK. Ao PLANCK caberá a missão de fornecer o mais detalhado mapa celeste da CMB até hoje, incrementando o mapa atual, produzido pela sonda da NASA, a Wilkinson Microwave Anisotropy Probe (WMAP), lançada em 2001 e que continua em pleno funcionamento. Os detectores do observatório espacial PLANCK têm sensibilidade mais de 10 vezes superior ao da sonda WMAP, além de obter 2,5 vezes a sua resolução angular. “Para cada faixa do céu que PLANCK varre, nós conseguimos obter dados com informações muito mais sensíveis que os da WMAP”, disse Efstathiou à revista New Scientist. Embora o projeto da PLANCK tenha estabelecido o prazo operacional de duração da missão em 15 meses, o time julga que a sonda vai permanecer ativa por mais de 30 meses, baseados em novas estimativas de quanto seu processo congelante irá permanecer em funcionamento. Isso é uma excelente notícia, pois este tempo extra permitirá a PLANCK apurar a precisão das medições da CMB uma vez que irá conseguir varrer o céu por 4 vezes (o dobro do que foi originalmente projetado).
Créditos: Etrenos Aprendizes - http://eternosaprendizes.com/2009/10/03/planck-revela-segredos-do-nascimento-do-universo/

"Nunca saberemos se o universo é infinito"

Considerado um dos maiores cosmólogos da atualidade, Joseph Silk fala a VEJA sobre a missão espacial que vai ajudar a explicar o Big Bang e como a cosmologia mistura teoria e prática para entender a origem de tudo
O cosmólogo Joseph Silk (Priscila Castilho)
Poucas pessoas sabem tanto sobre o início do universo quanto o astrofísico inglês Joseph 'Joe' Silk, ex-chefe do departamento de astronomia da Universidade de Oxford e atual líder de um grupo de astrônomos do Instituto de Astrofísica da França. Ele já publicou mais de 700 estudos relacionados ao nascimento do cosmo e das galáxias e já foi citado 27.000 vezes em trabalhos científicos de outros especialistas. Observar o universo a partir da nossa galáxia é como dirigir um carro com o para-brisa sujo e sem limpadores", diz Silk. “Temos que descobrir como enxergar através da sujeira para ver o caminho." Em outras palavras, a tarefa não é fácil. Mas o jogo está virando a favor de cientistas como Silk. Como 'máquinas do tempo', telescópios como o Hubble, que fica na órbita da Terra, ou os instalados pelo consórcio europeu ESO no Chile, conseguem enxergar cada vez mais longe. Em astronomia, isso quer dizer que estão chegando mais próximos do que aconteceu bilhões de anos atrás. Por isso, mesmo que seja impossível enxergar de fato o início do universo, como afirma Silk em entrevista ao site de VEJA, a ciência está próxima de entender o que aconteceu imediatamente após o Big Bang. Essa compreensão vai ajudar a definir como surgiram as galáxias — e a vida em pelo menos uma delas. Mesmo depois disso, contudo, alguns fatos ficarão além da prova. "O melhor palpite da cosmologia é de que o universo é infinito", diz Silk. "Porém, nunca seremos capazes de provar que ele é assim."  O físico esteve no Brasil, na semana passada, para a primeira aula avançada de astrofísica do NAT (Núcleo de Astrofísica Teórica) da Universidade Cruzeiro do Sul, em São Paulo, e falou ao site de VEJA sobre o nascimento das galáxias, a origem do universo e sobre como os dados divulgados pelo telescópio espacial europeu Planck vão ajudar a compor esse quebra-cabeça.

Quem é Joe Silk?

Considerado um dos principais cosmólogos da atualidade, Joseph 'Joe' Silk, 69 anos, é autor de vários livros de divulgação científica, dentre eles A Mão Esquerda da Criação (Martins Fontes, 2008, 272 pg.), no qual trata da origem do universo. Entre 1999 e 2011, o físico ocupou a Cátedra Saviliana de Astronomia, liderando o departamento na Universidade de Oxford, na Inglaterra. Em 2011, venceu o Balzan Prize, uma espécie de Nobel das ciências humanas e naturais, pelo trabalho no entendimento da evolução do universo. O prêmio foi estabelecido em 1961 e oferece 1 milhão de dólares aos vencedores — o escritor argentino Jorge Luis Borges também foi agraciado com o prêmio. Agora em Paris, Silk lidera um grupo de astrônomos no Institut d’Astrophysique, em Paris, ligado ao CNRS (Centro Nacional de Pesquisa Científica da França). É também professor da Universidade John Hopkins, nos Estados Unidos, e membro sênior do Instituto de Astrofísica e Cosmologia da Universidade de Oxford.

Planetas Extrasolares - Em Busca de Outras Terras


Nos últimos anos, a descoberta de outros mundos passaram de um sonho distante a uma realidade. Durante dezenas de anos os astrofísicos perscrutaram os céus à procura de sinais que nos indicassem a presença de planetas fora do Sistema Solar. No entanto, foi necessário esperar até meados da década de 90 do século XX para que as pesquisas dessem os primeiros resultados.

Formar planetas
É hoje geralmente aceite que os planetas se formam como um subproduto da formação de uma estrela. Quando uma nuvem de gás e poeira se contrai dando origem a um “sol”, forma-se em torno da jovem estrela um disco achatado. Por um processo ainda não completamente desvendado, os grãos de poeira existentes no disco vão-se aglomerando, dando origem a corpos de maiores dimensões. Nas regiões do disco mais afastadas da estrela em formação, a grande quantidade de gelos existentes permite que estes “planetesimais” cresçam em apenas algumas dezenas de milhões de anos. Quando um desses “núcleos” atinge uma massa suficiente (equivalente a cerca de 10 vezes a massa da Terra), começa a atrair e juntar gás à sua volta, formando um planeta gigante como Júpiter. Por seu lado, nas regiões mais interiores do disco, mais próximas da jovem estrela e onde a elevada temperatura não permite a condensação de gelos, os grãos de poeira aí existentes darão mais tarde origem a planetas “pequenos”, terrestres e rochosos, como a Terra.

Como procurar?
Embora se saiba que o processo de formação planetária deva ser comum (é muito frequente encontrar discos em torno de estrelas jovens), a detecção de outros planetas não é simples. Quando vistos à distância de alguns anos-luz, os planetas não são mais do que tímidos pontos de luz ofuscados pela luz da estrela que orbitam. É assim extremamente difícil obter uma imagem de um planeta extra-solar. Júpiter, por exemplo, é cerca de mil milhões de vezes menos brilhante que o Sol. No entanto, sabemos das leis da física que do mesmo modo que uma estrela atrai um planeta, o planeta também atrai a estrela. Ambos os corpos vão assim rodar um em torno do outro, ou antes, em torno de um ponto denominado por “centro-de-massa”, uma espécie de ponto médio entre os dois objectos (mas mais perto da estrela, ou mesmo dentro desta, já que esta tem bastante mais massa que o planeta). O movimento de uma estrela em torno do centro-de-massa do sistema estrela-planeta(s) traduz-se por uma variação periódica na velocidade da estrela: umas vezes esta afasta-se de nós, e outras aproxima-se. Assim, se formos capazes de medir a velocidade de uma estrela com grande precisão seremos capazes de detectar o movimento desta, provocado pela eventual presença de um planeta. A título de exemplo, Júpiter induz no Sol um movimento com uma amplitude da ordem de 13 m/s. A Terra induz um movimento com uma amplitude de apenas 8 cm/s.

Planetas e mais planetas
Foi exactamente esta técnica que nos permitiu detectar a maioria dos planetas extra-solares descobertos até hoje em torno de estrelas semelhantes ao Sol. Ainda assim foi necessário esperar até 1995, altura em que uma equipa de astrónomos Suíços liderada pelo Prof. Michel Mayor (Observatório de Genebra) anunciou o primeiro destes corpos, a orbitar a estrela 51 da constelação  do Pégaso (51Peg). Como tantas vezes acontece em Ciência, o difícil foi descobrir o primeiro. Em apenas 14 anos, o número de planetas extra-solares conhecidos aumentou para cerca de 350. Afinal, os planetas parecem existir, e mais do que isso, parecem ser comuns no Universo. A procura e estudo de outros mundos são dos temas mais quentes da astrofísica moderna, fazendo parte das agendas de todas as grandes agências mundiais como o Observatório Europeu do Sul (ESO) e as agências espaciais Europeia e Norte-Americana (ESA e NASA).

À procura de outra terra
Grande parte do avanço nesta área deve-se ao importante desenvolvimento tecnológico realizado nos últimos anos. Em 2004, utilizando um novo instrumento desenhado especialmente para o efeito (o espectrógrafo HARPS, do ESO), uma equipa de astrónomos com participação portuguesa conseguiu detectar um planeta com “apenas” 10 vezes mais massa do que a nossa Terra. Tratava-se da primeira vez que se detectava um planeta extra-solar (possivelmente) rochoso. Já este ano, foi descoberto o planeta mais pequeno da lista: um corpo com uma massa 1,9 vezes superior à massa da Terra. Embora a orbitar uma estrela consideravelmente mais fria e de menor massa que o Sol, este resultado veio aguçar ainda mais a vontade de procurar outras Terras.  Em 2009 foram dados alguns passos cruciais nesse sentido, e mais uma vez os astrónomos portugueses estão no pelotão da frente. Este ano viu o início do projecto de um novo instrumento, denominado ESPRESSO [http://espresso.astro.up.pt], que será colocado nos grandes telescópios do observatório de Paranal (ESO, Chile). O consórcio internacional que está a desenvolver este projecto, que inclui cientistas Suíços, Portugueses, Espanhóis e Italianos, prevê que o ESPRESSO entre em acção em 2014. A tecnologia desenvolvida para este instrumento permitirá a detecção de outras Terras a orbitar estrelas semelhantes ao nosso Sol. Depois, poderemos começar a sonhar com o passo seguinte: a descoberta de vida extra-terrestre. A humanidade tem aos poucos de começar a preparar-se para descobrir que não está só no Universo.
Fonte:Nuno Santos, Centro de Astrofísica da Universidade do Porto

Quem derrubou a Phobos-Grunt?

Você se lembra da sonda russa Phobos-Grunt que foi lançada em novembro de 2011 e falhou em seguir seu destino até Marte? Para relembrar, a nave foi lançada na “janela” de 2011 e tinha como objetivo viajar até Marte, orbitar Fobus, uma das luas marcianas, e pousar uma sonda em sua superfície que iria coletar amostras do solo. Essa sonda retornaria à Terra e as amostras seriam analisadas em laboratório. A nave foi colocada em uma órbita de transferência de baixa altitude, quando seus propulsores deveriam ter disparado (isso aconteceria sobre o Brasil) colocando-a em rota para Marte. O disparo não aconteceu e os técnicos da Rússia passaram vários dias tentando entender o que tinha acontecido para fazer o disparo ainda a tempo de não perder a tal “janela”. Mas por causa da órbita baixa, o que faz a nave se deslocar muito rápido, eles tinham algo em torno de 10 segundos de transmissões diárias para fazer isso. O fato de ainda conseguirem esses 10 segundos de contato indicava que a sonda estava em modo de segurança com os painéis solares abertos e apontados para o Sol. Falta de energia não era problema. Passados alguns dias a “janela” se fechou. Essa tal “janela” é na verdade um espaço de tempo de umas 3 semanas (se tanto) que ocorre a cada dois anos, mais ou menos. Nessas 3 semanas, a posição relativa entre Marte e a Terra favorece os lançamentos de sondas. Nessa configuração o gasto com combustível é o mínimo possível.

Bolha de gás quente na galáxia NGC 3079

Crédito: NASA, Space Telescope Science Institute.Telescópio: Hubble Space Telescope (HST).
Instrumento: Wide Field and Planetary Camera 2.
A galáxia NGC 3079, situada na constelação da Ursa Maior a cerca de 50 milhões de anos-luz de distância da Terra, possui uma enorme bolha de gás quente no centro do seu disco, tal como pode ser visto nesta imagem obtida pelo Telescópio Espacial Hubble. Estudos teóricos indicam que esta bolha se terá formado quando ventos emanados por estrelas muito quentes se terão misturado com regiões de gás quente geradas por explosões de supernovas. Observações realizadas com rádio-telescópios indicam que estes processos ainda estão a ocorrer. Com o decorrer do tempo as estrelas quentes irão morrer e a fonte de energia da bolha irá extinguir-se.

Imagem em ultravioleta mostra erupção solar

Erupção aconteceu nos dias 9 e 10 de fevereiro. Imagem foi feita pelo Soho, projeto da Nasa e da agência espacial europeia.

A imagem combina observações de vários instrumentos para mostrar o início de uma erupção solar. No processo, uma grande nuvem de partículas é liberada no espaço durante um período de dez horas, nos dias 9 e 10 de fevereiro. A imagem em laranja é o Sol visto pela luz ultravioleta. À direita, um filamento é expelido. A imagem em verde é uma combinação com a observação feita pelo coronógrafo COR1, um aparelho projetado para estudar a coroa solar (Foto: ESA/Nasa/Soho)
Fonte:G1

Tempo Estelar

Estudo pode ajudar cientistas a determinar idade das estrelas
As estrelas não estão preocupadas com a idade, pois mesmo as muito antigas frequentemente podem passar por mais jovens. Esse é o problema para muitos astrônomos em busca de planetas habitáveis que orbitam estrelas distantes, porque a idade das estrelas está relacionada às formas de vida que elas podem manter.  “Estudando nosso planeta descobrimos que se uma estrela e seu planeta tiverem cerca de 1 bilhão de anos, só poderá abrigar uma forma de vida microbiológica mais primitiva”, sugeriu Søren Meibom, do Centro Harvard-­Smithsonian de Astrofísica na reunião de maio da Sociedade Astronômica Americana, em Boston. “Mas, e se tiver 4,6 bilhões de anos? Neste caso podemos ter um planeta fervilhando de vida complexa e inteligente.”  Mas, como explica Meibom, “estrelas não têm certidão de nascimento”. E muitas características visuais delas permanecem durante a maior parte de sua vida. Um aspecto, no entanto, realmente muda: a estrela gira mais lentamente à medida que envelhece. “E assim podemos usar a taxa de rotação como um relógio para avaliar sua idade.”  Os pesquisadores já estabeleceram a correlação entre rotação e idade para estrelas muito jovens. Meibom e seus colegas estão medindo as taxas de rotação de estrelas mais velhas. Se conseguirem descobrir essa relação para uma grande quantidade de estrelas, será mais fácil estimar a idade, sem precisar de certidão de nascimento.
Fonte: http://www2.uol.com.br/sciam

Neutrinos mais rápidos que a luz foram resultado de experiência falha

Falha na conexão de um computador com um aparelho de GPS teria sido responsável pelo surpreendente resultado do experimento europeu
Os resultados da experiência Ópera, que sacudiu o mundo científico no final de setembro ao revelar neutrinos com velocidade superior a da luz, foram provocados por uma má conexão, afirmou nesta quarta-feira o site da revista "Science".  "Uma má conexão entre um GPS e um computador é, sem dúvida, a origem do erro", garante a revista americana, que cita "fontes ligadas à experiência". No final de setembro, os especialistas da equipe Ópera anunciaram que neutrinos percorreram os 730 km entre a Cern (Organização Europeia de Pesquisa Nuclear), em Genebra, e o laboratório subterrâneo de Gran Sasso, na Itália, em velocidade superior a da luz. A maioria dos especialistas não acreditou que uma partícula elementar da matéria tivesse superado a velocidade da luz, considerada um "limite insuperável" na relatividade geral de Einstein. Segundo a Science, os 60 nanossegundos de vantagem registrados pelos neutrinos sobre a velocidade da luz foram resultado de uma má conexão entre o GPS utilizado para corrigir o momento da chegada e um computador. Novos estudos serão necessários para confirmar a origem do erro, destaca a "Science".
Fonte: Folha/Estadão

Sonda revela atividade geológica recente na Lua

Esta imagem mostra a maior fossa tectónica descoberta nas terras altas do lado oculto da Lua. Mede cerca de 500 metros de comprimento e imagens obtidas pela LRO indicam que têm quase 20 metros de profundidade.Crédito: NASA/Goddard/Universidade Estatal do Arizona/Instituto Smithsonian

Novas imagens da sonda LRO (Lunar Reconnaissance Orbiter) da NASA mostram que a crosta da Lua está a ser esticada, formando vales minúsculos em áreas muito pequenas da superfície lunar. Os cientistas teorizam que esta actividade geológica ocorreu há menos de 50 milhões de anos atrás, o que é considerado recente em comparação com a idade da Lua, mais de 4,5 mil milhões de anos. Uma equipa de investigadores que analisavam imagens de alta-resolução obtidas pela câmara da LRO observou trincheiras pequenas e estreitas tipicamente com um comprimento muito maior do que a sua largura.

 Isto indica que a crosta lunar está a ser separada nestes locais. Estes vales lineares, conhecidos como "graben" ou fossas tectónicas, formam-se quando a crosta da Lua é esticada, quebra-se e desce ao longo da fronteira entre duas falhas. Um punhado destes sistemas graben foi descoberto na superfície lunar.  "Nós pensamos que a Lua está num estado geral de contracção global devido ao arrefecimento de um interior ainda quente," afirma Thomas Watters do Centro para Estudos Terrestres e Planetários do Museu Nacional do Ar e do Espaço em Washington, EUA, e autor principal de um artigo acerca desta pesquisa que será publicado na edição de Março da revista Nature Geoscience.

 "O graben diz-nos que as forças que encolhem a Lua foram superadas em vários locais por forças que a puxam. Isto significa que as forças de contracção na Lua não podem ser muito grandes, caso contrário os graben podiam nem sequer ter-se formado."  A fraca contracção sugere que a Lua, ao contrário dos planetas terrestres, não derreteu completamente nos estágios iniciais da sua evolução. Ao invés, as observações suportam uma visão alternativa de que apenas o exterior da Lua derreteu inicialmente, formando um oceano de rocha derretida.
Pensa-se que os graben se formem quando a crosta lunar é esticada e puxada. Isto faz com que os materiais superficiais se quebrem ao longo de duas falhas paralelas. O terreno entre as duas falhas gémeas cai formando um vale.Crédito: Universidade Estatal do Arizona/Instituto Smithsonian

Em Agosto de 2010, a equipa usou imagens da LRO com o objectivo de identificar sinais físicos de contracção na superfície lunar, sob a forma de penhascos com a forma de lóbulos. Estas escarpas são prova de que a Lua encolheu globalmente no passado geológico recente e pode muito bem estar a encolher ainda hoje. A equipa viu estas escarpas distribuídas amplamente pela Lua e conclui que estava a encolher à medida que o interior arrefecia lentamente. Com base no tamanho das escarpas, estima-se que a distância entre o centro da Lua e a sua superfície tenha diminuído aproximadamente 91 metros.

 Estas fossas tectónicas foram uma descoberta inesperada e as imagens providenciam evidências contraditórias de que as regiões da crosta lunar estão também sendo separadas.  "Este afastamento diz-nos que a Lua ainda está activa," afirma Richard Vondrak, cientista do projecto LRO no Centro Aeroespacial Goddard da NASA, no estado americano do Maryland. "A LRO proporciona-nos um olhar detalhado deste processo." À medida que a missão LRO progride, os cientistas terão uma melhor imagem de quão comuns são estas fossas jovens e que outros géneros de características tectónicas estão por explorar.

 Os sistemas de graben que a equipa descobriu podem ajudar os cientistas a refinar o estado do stress na crosta lunar.  "Foi uma grande surpresa quando avistámos graben nas terras altas do lado oculto da Lua," afirma o co-autor Mark Robinson da Escola de Exploração da Terra e do Espaço na Universidade Estatal do Arizona, investigador principal da sonda. "Apontámos imediatamente para a área com o intuito de obter imagens stereo de alta-resolução para que pudéssemos criar uma vista tridimensional das fossas. É excitante descobrir algo totalmente inesperado e apenas metade da superfície lunar foi já observada em alta-resolução. Há ainda muito da Lua por explorar."

Spitzer da NASA Encontra Buckyballs Sólidas no Espaço

Astrônomos usando os dados obtidos pelo Telescópio Espacial Spitzer da NASA, descobriram pela primeira vez descobertas às chamadas buckyballs em estado sólido no espaço. Antes dessa descoberta, as esferas microscópicas de carbono tinham sido encontradas somente na forma gasosa no espaço. Normalmente chamadas de buckministerfullerene, as buckyballs, foram denominadas em homenagem à semelhança que elas têm com os domos geodésicos feitos pelo arquiteto Buckminter Fuller.

Elas são compostas por 60 moléculas de carbono arranjadas em uma esfera oca, como uma bola de futebol. Suas estruturas pouco comuns fazem delas as candidatas ideais para aplicações elétricas e químicas na Terra, incluindo os materiais supercondutores, para a medicina, para purificação de água e outras aplicações. Na última descoberta, os cientistas usaram o Spitzer para detectar pequenos pedaços de matéria, ou partículas, consistindo de buckyballs empilhadas.

Eles encontraram as partículas ao redor de um par de estrelas chamadas de XX Ophiuchi a 6500 anos-luz de distância da Terra e detectaram ali uma quantidade suficiente para preencher um volume equivalente a 10000 Monte Everests.  “Essas buckyballs são empilhadas juntas para formar um sólido, como laranjas numa cesta”, disse Nye Evans da Universidade de Keele na Inglaterra, principal autor do artigo que aparece na Monthly Notices da Royal Astronomical Society.

“As partículas detectadas são minúsculas, menores do que a largura de um fio de cabelo, mas cada um contém pilhas de milhões e buckyballs”.  As buckyballs foram detectadas definitivamente no espaço pela primeira vez pelo Sitzer em 2010. O Spitzer depois identificou as moléculas em diferentes ambientes cósmicos. Elas foram encontradas em quantidades suficientes e iguais a 15 massas da Lua numa galáxia próxima da Terra chamada de Pequena Nuvem de Magalhães. Em todos os casos, as moléculas foram encontradas na forma gasosa.

A recente descoberta das partículas buckyballs significa que grandes quantidades dessas moléculas precisam estar presentes em ambientes estelares para formar partículas sólidas. A equipe de pesquisa foi capaz de identificar a forma sólida das buckyballs nos dados do Spitzer pois elas emitem luz de uma maneira única diferente da sua forma gasosa.  “Esses resultados animadores sugerem que as buckyballs são ainda mais dispersas no espaço do que os primeiros resultados do Spitzer mostraram”, disse Mike Werner, cientista de projeto para o Spitzer no Laboratório de Propulsão a Jato da NASA em Pasadena na Califórnia.

“Elas podem ser importantes formas do carbono, um dos blocos fundamentais e essenciais para a vida através do cosmos”. As buckyballs têm sido encontradas na Terra em várias formas. Elas se formam como um gás de velas incandescentes e existe como sólido em certos tipos de rochas, como um mineral encontrado na Rússia e como o fulgurito, uma rocha vítrea do Colorado que se forma quando os raios atingem o solo. Num tubo de teste, os sólidos tomam uma forma escura.  “A janela de análise do Spitzer fonece uma visão do universo na parte infravermelha do espectro e têm revelado a bela estrutura em escala cósmica”, disse Bill Danchi, cientista do programa do Spitzer na sede da NASA em Washington.

“Em outra descoberta surpreendente da missão, nós tivemos sorte o suficiente para ver estruturas elegantes em escalas menores, que nos estão ensinando muito sobre a arquitetura interna da existência”. O JPL gerencia o Telescópio Espacial Spitzer para o Science Mission Directorate da NASA em Washington. As operações científicas são conduzidas no Spitzer Science Center no Instituto de Tecnologia da Califórnia em Pasadena. O Caltech gerencia o JPL para a NASA.

Uma Paisagem Celeste Zodiacal

Créditos e direitos autorais : Jack Fusco
Vênus e Júpiter são os planetas mais brilhantes nos céus durante esse mês. Pouco depois do Sol se pôr no dia 20 de Fevereiro de 2012 eles dominavam o céu acima do horizonte oeste nessa paisagem coberta por neve. No céu claro e transparente sobre o Parque Estadual de Cherry Springs na Pensilvania, EUA, os planetas puderam ser vistos também imersos na Luz Zodiacal. A Luz Zodiacal é o brilho difuso e triangular causado pela dispersão da luz do Sol na poeira localizada ao longo do plano da eclíptica. Mais brilhante perto do horizonte, o brilho da Luz Zodiacal sobe e primeiro invade o planeta Vênus e depois Júpiter. Quanto mais longe do horizonte, mais apagado é o brilho da Luz Zodiacal, mas nesse local e nessas condições ela ainda teve forças para invadir o amável aglomerado de estrelas das Plêiades localizado perto do topo da imagem. Com o passar dos dias a Lua crescente fará companhia para os dois planetas no horizonte oeste. Os dois brilhantes planetas estarão numa bela conjunção, separados por apenas 3 graus no céu no dia 13 de Março de 2012. A carta celeste abaixo mostra o horizonte oeste/sudoeste para a cidade de São Paulo no dia 13 de Março de 2012 às 20:00, e mostra como os dois planetas estarão próximos.
Fonte: http://apod.nasa.gov/apod/ap120223.html
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