28 de set de 2012

Energia escura é observada nos colossos do universo

Cientistas encontraram mais evidências intrigantes da existência de energia escura, um dos fenômenos mais confusos da natureza.

Cerca de 74% do universo é feito de energia escura, enquanto a matéria escura, uma misteriosa forma de matéria que os cientistas podem apenas detectar observando sua força gravitacional atuando sobre objetos, forma cerca de 22%. Sobram apenas 4% do universo composto por coisas que podemos ver e tocar; os prótons elétrons e nêutrons normais chamados de matéria bariônica. Os cientistas ainda não sabem o que é a energia escura, mas eles observam que seu puxão causa a aceleração da expansão do universo. Agora eles conseguiram ver esta força misteriosa atuando em algumas das maiores estruturas conhecidas pelo homem: os super-agrupamentos de galáxias e os super-vazios intergalácticos.

Super-agrupamentos são áreas do espaço particularmente lotadas, cada uma com muitas galáxias espremidas em uma região de apenas 500 milhões de anos-luz, enquanto os super-vazios são o oposto: partes áridas do espaço sem galáxias. O astrônomo István Szapudi e colegas da Universidade do Hawaii observaram a energia escura se esticando nestas áreas ao detectar mudanças nos raios de luz de microondas antes e depois de passarem através das regiões.

“Quando a microondas entra em um super-agrupamento, ela ganha alguma energia gravitacional, e portanto vibra um pouco mais rápido”, disse István. “Em seguida, quando sai do super-agrupamento, deve perder exatamente a mesma quantidade de energia. Mas se a energia escura faz com que o universo se expanda a uma taxa mais acelerada, o super-agrupamento se espalha pelo mesmo meio bilhão de anos que a luz microondas leva para atravessá-lo. Desse modo a onda consegue manter uma parte da energia que ganhou antes, quando entrava no super-agrupamento.”

O grupo analisou um mapa da variação da força da radiação microondas espalhada pelo Big Bang – chamada de radiação cósmica de fundo microondas – pelo universo. Eles compararam seus dados a um mapa do universo com os 50 maiores super-vazios e os 50 maiores super-agrupamentos.

Na imagem acima os pesquisadores compararam as direções no céu onde encontraram super-agrupamentos (círculos vermelhos) e super-vazios (círculos azuis) com a força da radiação Cósmica Microondas de Fundo. Como previsto pelos pesquisadores, as microondas eram um pouco mais fortes se tivessem passado através de um super-agrupamento, e um pouco mais fracas se tivessem passado através de um super-vazio. “Com este método, pela primeira vez pudemos ver o que super-agrupamentos e super-vazios fazem quando as microondas passam através deles”, disse Granett. A equipe irá detalhar as suas descobertas na revista científica Astrophysical Journal Letters.
Fonte: Hypescience.com
[LiveScience]

Estudo descobre estrutura de jatos de buraco negro

Simulações mostram jatos do buraco negro supermassivo do centro da galáxia M87. As imagens mostram modelos para três frequências diferentes - de 0,5 a 0,99 vezes o limite teórico para a velocidade de rotação de um buraco negro.Foto: Avery E. Broderick/University of Waterloo/Perimeter Institute/Divulgação
 
Um estudo que envolveu instituições de diversos países (dos Estados Unidos a Taiwan) conseguiu observar pela primeira vez a estrutura de jatos que são emitidos por um buraco negro supermassivo no centro de uma galáxia. Segundo os pesquisadores, as observações indicam que esses buracos negros estão girando e a matéria que cai dentro deles gira no mesmo sentido. O estudo foi divulgado nesta quinta-feira na Science, da Associação Americana para o Avanço da Ciência (AAAS, na sigla em inglês). Acredita-se que esses jatos são emitidos devido à queda de matéria nos buracos negros através de um disco de acreção.

Eles se estendem por milhares de anos-luz e podem ter grande influência na evolução das galáxias. Segundo os pesquisadores, uma recente medida da massa e a posição do buraco negro no centro da galáxia M87 permitiram a melhor oportunidade já conhecida para fazer esse tipo de estudo. Os astrônomos usaram quatro telescópios - no Havaí, Arizona e dois na Califórnia - para poder fazer o registro. A união dos quatro instrumentos permitiu aos cientistas ter resolução suficiente para registrar a base de um jato em M87.

O que mais chamou a atenção é que a base, o ponto de partida das moléculas ejetadas, era muito pequena - tão pequena que, de acordo com a teorias da geração desses jatos, o buraco negro teria que estar rodando, e a matéria que o orbita teria que seguir no mesmo sentido. O estudo ajuda a entender melhor esses jatos - que os cientistas acreditam ter papel importante em reprocessar a matéria e energia do centro das galáxias para sua periferia. Os pesquisadores acreditam que entender como esses jatos extraem energia da região do buraco negro pode ajudar a elucidar como as galáxias evoluem.
 Fonte: Terra

Cometa poderá brilhar tanto quanto a Lua Cheia em 2013

Em 2011, cometa Lovejoy foi um espetáculo para os astrônomos.Foto: ESO/Divulgação
Os astrônomos russos Vitali Nevski e Artyom Novichonok descobriram um cometa que passará próximo à Terra em 2013 e pode ser um dos mais brilhantes já observados - possivelmente 1 mil vezes mais brilhante que Vênus e quase tanto quando a Lua Cheia. As informações são do site da TV CBC. Os russos encontraram o objeto, que está antes da órbita de Júpiter, na semana passada. No final de novembro do ano que vem ele passará a cerca de 1,1 milhão de km da superfície visível do Sol, o que pode significar o fim para o cometa. Os astrônomos acreditam que ele será facilmente visto durante meses no hemisfério norte, enquanto se aproxima da nossa estrela. Na parte debaixo do Equador, a visão fica mais complicada - somente parte da cauda poderá ser vista em algumas regiões. Malcolm Hartley, do Observatório Astronômico do Austrália, conta ao site que não dá para ter certeza de como vai ser o cometa. "Pode ser deslumbrante ou um completo fiasco, esse é o problema em cometas como este."  Se sobreviver à passagem pelo Sol, o objeto deve chegar a 60 milhões de km da Terra em 26 de dezembro de 2013. Acredita-se que ele se originou na Nuvem de Oort e Hartley afirma que existe uma pequena possibilidade de ele já ter passado por aqui antes. "Teve um grande cometa em 1680 com uma órbita muito similar a este."
Fonte: Terra

Curiosity acha resquícios de possível rio em Marte

Segundo a Nasa, esta rocha é na verdade formada por pequenos fragmentos fundidos
Foto: Nasa/JPL-Caltech/MSSS/Divulgação

A sonda Curiosity, da Nasa, encontrou indícios de que o local do seu pouso em Marte já esteve cheio de água, elemento considerado crucial para a possibilidade de ter havido vida no planeta, disseram cientistas nesta quinta-feira. As informações são das agência Reuters e AFP. A Curiosity, um laboratório móvel completo, do tamanho de um carro pequeno, pousou em 6 de agosto dentro de uma depressão próxima ao equador marciano. Análises de uma lasca de pedra encontrada nos arredores indicam que ali já houve uma corredeira.

Imagens enviadas pela sonda e divulgadas nesta quinta-feira mostram pedras arredondadas incrustadas na rocha. Rebecca Williams, cientista ligada ao projeto, disse que essas pedras são grandes demais para terem sido transportadas pelo vento. "O consenso da equipe científica é que são seixos transportados pela água em um riacho vigoroso", disse ela. Acredita-se, portanto, que a rocha tenha estado no leito de um antigo rio com profundidade 10 a 50 cm.

Os tamanhos e as formas destas pedras dão uma ideia de velocidade e distância do fluxo desta corrente, segundo os cientistas. "A partir do tamanho do cascalho, se pode inferir que a água fluiu a 0,91 metro por segundo", disse William Dietrich, da Universidade da Califórnia, um dos cientistas da missão. Dietrich acredita que o rio possa ter chegado a 1 m. A forma arredondada de algumas destas rochas indicam que foram transportadas por longas distâncias da parte superior da bacia, onde um "canal" chamado "Peace Vallis" se unia à corrente aluvial. "A forma deste cascalho indica que foi transportado e o tamanho confirma que não foi arrastado pelo vento, mas pelo fluxo d'água", disse Rebecca.

A abundância de canais na bacia aluvial sugere que estes fluxos d'água foram contínuos ou repetidos durante um longo período de tempo e não ocasionais ou de alguns poucos anos, explicaram os cientistas. Já tinham sido observadas provas da presença de água em Marte no passado, mas nunca tinham sido detectados sedimentos deixados pela água, afirmaram. A sonda se dirige agora a uma área conhecida como Glenelg, onde três tipos diferentes de rocha se encontram. Os cientistas ainda não decidiram se a lasca de rocha merece uma análise química, ou se há alvos mais adequados para que a Curiosity procure elementos constitutivos da vida e os minerais que os preservariam.

"A questão da habitabilidade vai além da simples observação da água de Marte", disse o cientista John Grotzinger, do Instituto de Tecnologia da Califórnia. "Certamente a água corrente é um lugar onde micro-organismos poderiam ter vivido. Esse tipo em particular de rocha pode ou não ser um bom lugar para preservar esses componentes que associamos a um ambiente habitável", afirmou. O Laboratório Curiosity de Ciência em Marte custou US$ 2,5 bilhões e é a primeira missão de astrobiologia da Nasa desde as sondas Viking, na década de 1970.
Fonte: TERRA

27 de set de 2012

. . . e assim surgiu nosso planeta!

Nada é eterno!
 
Temos fortes razões para acreditarmos que o próprio Universo (matéria tempo espaço) teve um início e deverá ter um fim. Hoje acreditamos que o início do Universo se deu há aproximadamente 13,7 bilhões de anos e o Sistema Solar se formou há aproximadamente 5 bilhões de anos. O Sol é uma estrela como outra qualquer. Só na nossa galáxia (agrupamento de estrelas com seus respectivos sistemas planetários; gases e poeira do qual fazemos parte) acreditamos que existam entre 200 e 250 bilhões de estrelas. As estrelas, e seus sistemas planetários, têm pelo menos uma característica em comum com os seres vivos: elas 'nascem', 'vivem' e 'morrem'. As estrelas se formam a partir da contração de imensas nuvens de gás e poeira que existem nas galáxias, entre as estrelas (3/4 da massa de uma galáxia está na forma de gás e poeira).

Uma nuvem interestelar se mantêm em equilibrio durante bilhões de anos. Por um lado, a atração gravitacional de cada partícula da nuvem sobre todas as demais partículas tende a contraí-la. Por outro lado, a radiação emitida por cada uma dessas partículas, tende a expandí-la. Quando esse equilíbrio é quebrado a favor da atração gravitacional, essa nuvem começa a se contrair. Analogamente à água que enche uma pia quando começa a descer para o ralo, quando essa nuvem começa a se contrair, ela começa a girar. Quanto mais se contrai, mais rápido gira (efeito pia).  Do mesmo jeito que a massa da pizza que é aberta quando girada no ar, à medida que essa nuvem vai girando ela vai se achatando em um disco. Quanto mais rápido gira, mais esse disco se afina (efeito pizza).
 
A maior massa da nuvem original vai se concentrando em uma esfera no centro desse disco. Quanto mais massa se agrupa ali, maior a pressão no interior dessa esfera. Quando essa pressão atinge um valor crítico é 'acesa a caldeira' da estrela. Chamamos caldeira de uma estrela à sua região central, onde através de reações nucleares (como se fossem bilhões de bombas atômicas explodindo simultâneamente) é obtida a energia necessária para o brilhar desse astro. Telescópio Espacial Hubble já fotografou centenas de estrelas em processo de formação, com seus respectivos discos protoplanetários; como a da figura ao lado, que se encontra na nossa galáxia, relativamente próxima a nós, em uma grande nuvem de gás e poeira chamada Grande Nebulosa de Orion.
 
Analogamente a um filete de água que ao cair de uma torneira vai se afinando até se quebrar em gotas, também esse disco protoplanetário vai se afinando até se quebrar em anéis (efeito pingo). Nesses anéis dá-se início à formação dos planetas, luas e outros corpos, através de processos de acreção. Os minúsculos grãos de poeira da nuvem inicial, colidindo sucessivamente uns com os outros, a altíssimas velocidades, vão se aglutinando; tornando-se partículas cada vez maiores. Damos o nome de 'planetesimais' a essas partículas. Quanto maior um planetesimal, mais rápido ele cresce.  Acreditamos que o cenário era esse, há quatro bilhões e meio de anos, no processo de formação de nosso sistema planetário. Esse cenário durou milhões de anos, até que alguns planetesimais alcançaram massa suficiente para se aquecerem ao ponto de se fundirem e formarem núcleos; tornando-se 'protoplanetas'. Há aproximadamente três bilhões e meio de anos o planeta Terra já estava formando a sua crosta.
Fonte: http://wwo.uai.com.br

Universo assassino

Explosões estelares. Asteróides gigantes devastando planetas. Conheça alguns dos perigos que ameaçam a Terra em sua viagem pela Via Láctea
Quem gosta de relaxar sob a abóbada de uma bela noite estrelada não faz idéia dos fenômenos selvagens e brutais que ocorrem o tempo todo no céu. Só a distância imensa que separa a Terra das áreas mais turbulentas do Cosmo nos protege de entrar de cabeça nesta verdadeira roleta russa sideral em que astros nascem e morrem a cada minuto, de modo violento. E, mesmo assim, protege apenas em parte. Em 1998, por exemplo, a atmosfera terrestre foi chamuscada pela explosão de uma estrela situada a 200 quatrilhões de quilômetros – distância um bilhão de vezes maior do que a que nos separa do Sol. “O efeito do bombardeio não foi grande”, diz o engenheiro eletrônico americano Umran Inam, da Universidade Stanford, na Califórnia. “A luz da detonação apenas eletrificou o ar e, com isso, bloqueou as transmissões de rádio durante alguns minutos.” Certo, foi só um susto. Mas o sobressalto embute uma certeza alarmante: não estamos imunes às catástrofes que pululam no Universo. “A probabilidade de sermos atingidos é baixa, mas está longe de ser nula”, afirma o astrofísico americano Kevin Hurley, da Universidade de Berkeley. Há indícios seguros de que, no passado, a Terra já foi gravemente ferida pelo temperamento explosivo dos astros – portanto, é quase certo que isso voltará a acontecer no futuro. E o pior é que se trata, quase sempre, de uma briga de cachorros grandes, enormes, bem maiores que nós. Imagine que somos um chiuaua metido numa briga de rottweilers.

 A simples queda de um cometa fortuito deu fim aos dinossauros, há 65 milhões de anos. Eis a medida da nossa fragilidade. De todas as possíveis catástrofes cósmicas, a mais temida é a colisão da Terra com um asteróide ou cometa gigante. O impacto de um cometa com 12 quilômetros de diâmetro, como aquele que acabou com os dinossauros há 65 milhões de anos, causaria uma explosão igual à de 100 milhões de megatons de TNT – 10 000 vezes mais forte que o disparo de todas as armas nucleares estocadas no planeta. Mas o trajeto dos asteróides pode ser calculado, e, se houver risco de um deles cair aqui, poderá ser desviado com a ajuda de bombas atômicas. (É isso mesmo. Igualzinho aos filmes.).

O Sol, geralmente tranqüilo e inofensivo, também pode ter ataques desagradáveis de mau humor e afetar a Terra. Pesquisas recentes do astrofísico americano John Jirikowic, da Universidade do Arizona, mostram que, de tempos em tempos, o Sol sofre de instabilidade aguda e pode esfriar ou esquentar em excesso. Nesses períodos, lança um número recorde de labaredas para o espaço. Agora mesmo, o Sol está mais agitado do que o normal, mas as labaredas, até onde se pode prever, são relativamente suaves. No máximo, vão queimar alguns circuitos eletrônicos dos satélites. “Mas as crises, às vezes, se tornam insuportáveis”, diz Jirikowic. Ele argumenta, por exemplo, que o Sol estava especialmente quente quando uma seca exagerada devastou a América do Norte, no século XII. E que uma pequena era glacial, ocorrida no século XVII, na Europa, coincidiu com uma fase fria da estrela. “Estamos tentando descobrir quando ele entrará novamente em um período semelhante de mau comportamento.” Enquanto tentam entender a nossa estrela, os astrofísicos olham para longe do Sistema Solar.

 Certos de que sabiam tudo sobre a violência cósmica, eles foram surpreendidos, em 1995, por explosões 100 vezes maiores do que qualquer outra registrada até então. Atentos, perceberam em seguida que essas catástrofes, batizadas de “jatos de raios gama”, não eram tão raras quanto se pensava. Já se registraram 2 000 e, em abril do ano passado, uma delas estabeleceu um novo recorde astronômico: brilhou com a intensidade de um milhão de galáxias, ou de um quatrilhão de estrelas somadas. Essas erupções mortais de luz, segundo os astrônomos, seriam provocadas pelo choque entre os astros mais densos que existem – os buracos negros e as estrelas de nêutrons. Como as detonações geralmente espocam nos confins do Cosmo, a quase 100 bilhões de trilhões de quilômetros (desculpe o mau jeito, mas a alternativa seria escrever o número por extenso, o que deixaria tudo ainda mais cabeludo), conseguem apenas eletrificar as camadas mais altas da atmosfera, como aconteceu em 1998.

 Quando uma grande estrela explode, libera mais energia do que 200 bilhões de sóis em conjunto. Se uma detonação como essa, chamada de supernova, acontecesse dentro do Sistema Solar, a Terra e todos os outros planetas seriam transformados em poeira cósmica.Em agosto, a Nasa registrou a maior labareda solar dos últimos dez anos. Feita de gases tórridos e eletrificados, a língua de fogo provocou tempestades magnéticas na atmosfera terrestre, mas não causou danos na superfície.Em julho, o cometa S4-Linear deu um show assustador ao passar pelo Sol: como é feito parcialmente de gelo, parte da sua massa derreteu e dividiu-se em pedaços menores. Não há risco para a Terra porque os estilhaços estão voando para longe daqui.

O brilho letal das supernovas - A agonia das estrelas gigantes é um dos espetáculos mais violentos do Universo. Elas se desintegram em uma explosão que libera, em um único instante, mais energia que todos os outros astros da Galáxia somados. Imagine: existem, na Via Láctea, 200 bilhões de estrelas. Elas seriam facilmente ofuscadas por apenas uma dessas detonações, chamadas de supernovas. Elas podem afetar a Terra mesmo se explodirem a 350 trilhões de quilômetros daqui – a Terra, nesse caso, tomaria um banho corrosivo de radiação, capaz de destruir a camada de ozônio que nos protege contra os raios ultravioleta do Sol. Diversas espécies seriam levadas à extinção. Os cientistas sabem disso porque, há 10 000 anos, logo depois de a Terra ter sido bombardeada por uma supernova (hoje conhecida pelo nome de Vela), houve uma drástica redução na quantidade de plâncton, nos oceanos. O clima também se alterou, com um aumento de 2 ou 3 graus Celsius na temperatura global. Tudo isso apesar de a explosão ter ocorrido a 16 quatrilhões de quilômetros daqui. A detonação gigante mais próxima de nós, neste século, ocorreu em 1997. O anel que você vê acima são seus restos. Por sorte, a estrela que lhe deu origem estava muito longe, na galáxia vizinha, a Grande Nuvem de Magalhães, a 187 000 anos-luz de distância da Terra (1 ano-luz mede 9,5 trilhões de quilômetros. Faça as contas você.) Só por isso não sofremos os efeitos por aqui

Estrada tumultuada à frente

Dentro de 50 000 anos, o Sistema Solar vai entrar em uma região perigosa da Via Láctea, denominada Vale da Águia

1. Segundo os astrônomos, toda vez que a Terra atravessa regiões repletas de estrelas e de restos de detonações estelares, fica exposta a doses letais de radiação. As grandes extinções de espécies, no passado, ocorreram em épocas assim.
2. Nos últimos 250 000 anos, o Sol vem se deslocando por áreas limpas e tranqüilas. Dentro de 50 milênios, porém, os nossos descendentes enfrentarão nuvens de gases radioativos do Vale da Águia, onde é grande a probabilidade de uma estrela selar a sorte da humanidade.
3. A viagem pela galáxia pode lançar cometas sobre nós. Eles nascem: orbitam habitualmente a 5 trilhões de quilômetros do Sol e só saem desse "ninho" quando alguma estrela vizinha os perturba. Aí, um ou mais bólidos disparam pelo espaço, com trajetória incerta.
4. Não se sabe quantos já estão em nosso caminho. No ano passado, os americanos Jay Frogel e Andrew Gould, da Universidade do Estado de Ohio, verificaram que uma estrela obscura, batizada de Gliese 710, poderá provocar uma chuva de cometas sobre a Terra em algum momento dos próximos milênios.
Fonte: Super Interessante

União de duas estrelas originou a supernova mais brilhante, diz estudo

Resultado de explosão de anãs brancas foi vista por 1ª vez no ano de 1006. Relatos históricos dizem que objeto era 3 vezes mais brilhante que Vênus.
Supernova SN1006 resultou de união de astros (Foto: Nasa/CXC/Rutgers/G.Cassam-Chenaï, J.Hughes et al.)

A união de duas estrelas anãs brancas – estágio final da vida de um astro como o Sol – deu origem à supernova mais brilhante já observada até hoje, aponta um novo estudo feito pelo Conselho Superior de Investigações Científicas (CSIC) dos EUA e publicado na revista "Nature" desta semana. Uma supernova é, em geral, uma explosão resultante da transferência de matéria entre duas estrelas – uma anã branca e outra normal, como o Sol, por exemplo. Uma anã branca tem massa de até 1,4 vez a do Sol e vai esfriando lentamente, pois seu combustível acabou.

A explosão que gerou a supernova SN1006 ocorreu no ano de 1006 e ficou visível pelos três anos seguintes, em diferentes partes do mundo. Relatos históricos dizem que o objeto – localizado a 7 mil anos-luz da Terra, na constelação do Lobo – era três vezes mais brilhante que o planeta Vênus e tinha um quarto do brilho da Lua. Essa supernova é do tipo Ia, ou seja, gerada por dois objetos astronômicos ligados pela força gravitacional entre eles. Mas, como os astrônomos não identificaram, no lugar onde a SN1006 se formou, nenhum candidato a companheira da anã branca original, eles supõem que duas estrelas semelhantes se uniram, e que o material delas foi expulso sem deixar vestígios.

"Essa é a grande novidade, pois normalmente – em mais de 80% dos casos – há uma anã branca que explode, e a estrela companheira continua na órbita da supernova, não desaparece", diz o pesquisador da divisão de astrofísica do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), Carlos Alexandre Wuensche. De acordo com a pesquisadora Pilar Ruiz-Lapuente, do CSIC, existem geralmente três tipos de estrelas no local das explosões: gigantes, subgigantes e anãs. E as atuais observações apontaram apenas a presença de quatro gigantes na região onde se encontram os remanescentes da SN1006. Isso indica que não há estrelas companheiras que sobreviveram à explosão, pois as gigantes não participam desse processo.

A equipe usou um equipamento de alta resolução do Very Large Telescope, que tem quase oito metros de altura e pertence ao Observatório Europeu do Sul, no norte do Chile. Colaboraram também pesquisadores da Universidade de San Fernando de la Laguna, nas Ilhas Canárias, da Universidade de Barcelona, da Universidade Complutense de Madri, na Espanha, e do Observatório Astronômico de Padova, na Itália. Fonte: G1

26 de set de 2012

Desenhando o universo

A longa história de como a humanidade tentou explicar o espaço

Como surgiu o Universo? Qual a origem e o destino dos planetas e estrelas? O espaço é realmente infinito? Os homens sempre quebraram a cabeça para responder essas perguntas, refletindo, muitas vezes, as crenças filosóficas e religiosas de seu povo. Cada resposta trouxe uma legião de outras perguntas, que exigiram dos físicos exercícios de abstração ainda mais extremos. Os novos modelos do espaço parecem mais bizarros que aqueles feitos há milhares de anos. Veja aqui um resumo dessa história fascinante.

Séculos 6 e 5 a.C. - Pré - Socráticos
Os primeiros filósofos gregos elaboraram várias explicações para o cosmo. De acordo com Anaximandro, o Universo surgira da água e os seres humanos descendiam dos peixes; a Terra seria um disco achatado e flutuante, circundado por tubos furados de névoa luminosa, com um círculo de fogo por fora.

Século 4 a.C. - Modelo geocêntrico
Aperfeiçoando idéias de Pitágoras, Eudoxo de Cnido criou um modelo geocêntrico do Universo, onde os planetas eram corpos esféricos que se moviam em órbitas circulares e as estrelas estavam fixas numa esfera externa. Aristóteles, no mesmo século, e Ptolomeu, 200 anos depois, também acreditavam que a Terra ficava no centro do cosmo.

Século 16 - Modelo heliocêntrico
As idéias de Aristóteles e Ptolomeu dominaram o pensamento ocidental até a época de Nicolau Copérnico (1473-1543). Para ele, o Sol, e não a Terra, era o centro de todo o Universo. Mais tarde, Giordano Bruno (1548-1600) afirmou que o Universo não tem centro nem limites, e que as estrelas estão espalhadas através de um espaço infinito. Morreu na fogueira.

2001 - Ecpirótica
A teoria (nomeada a partir do grego ekpyrosis, “fogo desastroso”) diz que tudo surgiu do choque de duas “membranas cósmicas” numa quarta dimensão do espaço. É algo impossível de desenhar – por isso a ilustração simplifica a idéia e mostra duas “membranas bidimensionais” que se chocam na terceira dimensão (é difícil, mas tente imaginar tudo com uma dimensão a mais). O choque teria sido percebido aqui como o big bang. A teoria é a única que faz sentido se a relatividade e a física quântica forem corretas.

1960 - Multiverso
Mas a teoria do big bang não resolve um problema: se o Universo é finito, o que há fora dele? Os defensores da teoria do multiverso afirmam que existem inúmeros universos espalhados pelo espaço infinito – muitos dos quais podem estar nascendo (em big bangs) ou morrendo (em big crunchs, o oposto dos big bangs, quando a gravidade comprime todo o Universo num ponto só) neste exato instante. Nesses cosmos paralelos, as leis da física podem ser totalmente diferentes das nossas.

1920 - Big Bang
Baseando-se na teoria da relatividade, Georges Lemaître e Alexander Friedman propuseram, na década de 1920, o modelo de um Universo finito, em constante expansão, com um início determinado no tempo. Tudo teria começado com a explosão de um só átomo, onde toda a matéria e energia se concentravam com densidade infinita. Em 1950, o físico Fred Hoyle tentou ridicularizar a idéia com o apelido de big bang (“grande estouro”). O termo acabou dando nome à teoria.
Fonte: Super Interessante

Além da fronteira do Cosmos

A ideia de que o Universo se expande a partir de um ponto central, embora intuitiva, está erradaOnde termina o Universo? A resposta depende de muitos fatores. Quando os cosmólogos afirmam que o Universo está em expansão, as pessoas imaginam uma espécie de explosão a partir de um ponto central, feito uma bomba. As galáxias que se afastam são como os detritos da bomba, voando pelo espaço. Embora seja intuitiva, essa imagem está errada. A expansão do Universo é uma expansão do próprio espaço, o qual, após a teoria da relatividade geral de Einstein, ganhou plasticidade: ele pode se expandir, contrair-se ou se dobrar como um balão de borracha.

As galáxias -que, feito ilhas num oceano, são os marcos cósmicos de distância- são carregadas pela expansão do espaço. Se elas têm um movimento adicional, por exemplo, quando duas próximas se atraem gravitacionalmente, ele é superposto ao seu afastamento inexorável, causado pela expansão do espaço. Uma das consequências imediatas dessa expansão é que o Universo não tem um centro. Imagine que você, da sua galáxia, observa outras à sua volta. Com a expansão do espaço, todas estão se afastando. A conclusão seria que a sua galáxia deve ser o centro de tudo -mas não é. Um observador numa outra galáxia vê todas as galáxias, inclusive a nossa, afastando-se dele. O mesmo com todas as galáxias. No Universo, todos os pontos são igualmente importantes.

Mas, se isso é verdade, como explicar a contração do espaço perto do Big Bang? Se o Universo agora está em expansão, no passado as distâncias eram menores. Astrônomos podem medir as velocidades de afastamento das galáxias e, passando o filme ao contrário, projetar quando elas estariam amontoadas em um volume mínimo. Esse momento marca o início da nossa história cósmica, quando tudo começou -cerca de 13,7 bilhões de anos atrás, aproximadamente o triplo da idade da Terra. Quando juntamos a história cósmica com a velocidade da luz, chegamos ao conceito de horizonte cósmico. Como a velocidade da luz define a da informação que recebemos, num Universo com idade finita só podemos receber informação de objetos situados até a distância que a luz percorreu nesse tempo. Feito a linha do horizonte, que marca quão longe enxergamos da praia. Mas o mar não termina no horizonte.

 E o Universo? Também não. Se o Universo não estivesse em expansão, a distância até o horizonte seria de 13,7 bilhões de anos-luz. Como o espaço estica com o tempo, ondas de luz pegam uma carona e podemos ver mais longe: o horizonte cósmico fica a cerca de 46 bilhões de anos-luz de distância. Para além desse horizonte, podemos apenas especular. Pode ser que o Universo seja espacialmente infinito com uma geometria plana (feito o topo de uma mesa, mas em três dimensões) ou aberta (feito o topo de uma sela de cavalo, mas em três dimensões, difícil de visualizar). O Universo também pode ser fechado, feito a superfície de um balão (mas em três dimensões), ou ter uma forma ainda mais estranha. A existência do horizonte sugere uma limitação séria: somos parcialmente cegos no que tange à estrutura cósmica. Além do horizonte pode até haver um multiverso. Mas nos certificar disso parece, ao menos por ora, muito difícil, se não impossível.
Créditos: MARCELO GLEISER  - Blog Conteúdo Livre

As Cores Vivas de uma Gaivota Cósmica

Esta imagem obtida no Observatório de La Silla do ESO mostra parte da maternidade estelar chamada Nebulosa da Gaivota. Esta nuvem de gás, conhecida como Sh 2-292, RCW 2 e Gum 1, parece formar a cabeça de uma gaivota e brilha intensamente devido à radiação muito energética emitida por uma estrela jovem muito quente que se encontra no seu centro. A imagem detalhada foi obtida pelo instrumento Wide Field Imager montado no telescópio MPG/ESO de 2.2 metros. Créditos: ESO

Esta nova imagem obtida no Observatório de La Silla do ESO mostra parte de uma maternidade estelar conhecida como a Nebulosa da Gaivota. Esta nuvem de gás, com o nome formal de Sharpless 2-292, parece formar a cabeça de uma gaivota e brilha intensamente devido à radiação muito energética emitida por uma estrela jovem muito quente que se situa no seu centro. A imagem detalhada foi obtida pelo instrumento Wide Field Imager montado no telescópio MPG/ESO de 2.2 metros. As nebulosas encontram-se entre os objetos visualmente mais impressionantes do céu nocturno. São nuvens interestelares de poeira, moléculas, hidrogénio, hélio e outros gases ionizados, onde novas estrelas estão a nascer. Embora estas nebulosas apresentem diferentes formas e cores, muitas partilham uma característica comum: quando observadas pela primeira vez, as suas formas estranhas e evocativas fazem disparar a imaginação dos astrónomos, que lhes dão nomes curiosos. Esta região dramática de formação estelar, a qual se deu o nome de Nebulosa da Gaivota, não é excepção.

Esta nova imagem obtida pelo instrumento Wide Field Imager, montado no telescópio MPG/ESO, instalado no Observatório de La Silla do ESO, no Chile, mostra a parte da cabeça da Nebulosa da Gaivota [1]. É apenas uma parte de uma nebulosa maior conhecida formalmente como IC 2177, que abre as suas asas com uma dimensão de mais de 100 anos-luz e se parece com uma gaivota em pleno voo. Esta nuvem de gás e poeira situa-se a cerca de 3700 anos-luz de distância. O pássaro inteiro vê-se melhor em imagens de campo largo. A Nebulosa da Gaivota situa-se na fronteira entre as constelações do Unicórnio e do Cão Maior, próximo de Sirius, a estrela mais brilhante do céu nocturno. A nebulosa situa-se a mais de quatro centenas de vezes mais longe do que a famosa estrela. O complexo de gás e poeira que forma a cabeça da gaivota brilha intensamente no céu devido à forte radiação ultravioleta emitida principalmente por uma estrela brilhante jovem - HD 53367 [2] - a qual pode ser vista no centro da imagem e que poderia ser considerada como o olho da gaivota.

A radiação emitida pelas estrelas jovens faz com que o hidrogénio gasoso circundante se transforme numa região HII [3], brilhando de um vermelho vivo. A radiação emitida pelas estrelas azuis-esbranquiçadas é dispersa pelas pequenas partículas de poeira da nebulosa, criando um nevoeiro azul contrastante, em algumas partes da imagem. Embora um pequeno nódulo brilhante do complexo da Nebulosa da Gaivota tenha sido observado pela primeira vez pelo astrónomo germano-britânico William Herschel em 1785, a parte que aqui se mostra teve que aguardar a descoberta fotográfica cerca de um século mais tarde. Por acaso, esta nebulosa situa-se no céu perto da Nebulosa do Capacete de Thor (NGC 2359), a qual ganhou o recente concurso do ESO "Escolha o que o VLT vai observar" (ann1260). Esta nebulosa, com a sua forma distinta e nome invulgar, foi escolhida como o primeiro objeto selecionado por membros do público para ser observada pelo Very Large Telescope do ESO. Estas observações farão parte das celebrações do dia do 50º aniversário do ESO, 5 de outubro de 2012. As observações poderão ser seguidas pela internet diretamente a partir do VLT no Paranal. Mantenha-se atento!

Notas

[1] Este objeto tem tido muitos nomes ao longo do tempo - é conhecido como Sh 2-292, RCW 2 e Gum 1. O nome Sh 2-292 significa que o objeto é o número 292 do segundo catálogo Sharpless de regiões HII, publicado em 1959. O número RCW refere-se ao catálogo compilado por Rodgers, Campbell e Whiteoak e publicado em 1960. Este objeto foi também o primeiro de uma lista de nebulosas austrais compilada por Colin Gum e publicada em 1955.

[2] HD 53367 é uma estrela jovem com vinte vezes a massa do nosso Sol. Está classificada como uma estrela Be, o que significa que é uma estrela do tipo espectral B com riscas proeminentes de emissão de hidrogénio no seu espectro. Esta estrela tem uma companheira com uma massa de cinco vezes a do Sol, numa órbita extremamente elíptica.

[3] As regiões HII são assim chamadas, uma vez que são constituídas por hidrogénio (H) ionizado, no qual os electrões já não estão ligados aos protões. HI é o termo utilizado para o hidrogénio não ionizado, ou seja neutro. O brilho vermelho das regiões HII ocorre porque os protões e os electrões se recombinam e nesse processo emitem energia em certos comprimentos de onda bem definidos, ou cores. Uma destas transições bem proeminente (chamada hidrogénio alfa ou H-alfa) origina uma cor vermelha forte.
Fonte: http://www.eso.org/public/portugal/news/archive/year/2012/

A joia de ouro da astronomia

Cientistas do Centro Goddard da Nasa vistoriam espelho do Telescópio Espacial James Webb (Foto: C.Gunn/Nasa) 
CIENTISTAS DA NASA já começaram a desempacotar a encomenda que haviam feito à empresa Ball Aerospace, do Colorado: o magnífico espelho que será a peça crucial do Telescópio Espacial James Webb, o sucessor do Hubble. Os primeiros dois segmentos hexagonais do espelho (de um total de 18) chegaram na semana passada ao Centro Goddard de Vôos Espaciais da Nasa, em Greenbelt, na periferia de Washington, onde o telescópio será montado. Após ter sofrido um dos estouros de orçamento mais drásticos da história da Nasa (de US$ 1,6 bilhão para 6,5 bilhões), o projeto foi salvo no Congresso dos EUA no ano passado. Os componentes principais do telescópio começaram a se materializar, finalmente, nos últimos meses.

O brilho dourado reluzente do segmento do espelho na foto acima não é só aparência. Feito de berílio, um metal super leve e resistente, ele é polido com precisão nanométrica e revestido de com uma camada de ouro. E não é por luxo. O material foi escolhido por ser bom para refletir radiação infravermelha, a frequência com que a luz das galáxias mais distantes do universo chega aqui na terra. Após terem se recuperado dos problemas orçamentários, os engenheiros do James Webb correm contra o relógio para conseguir montá-lo até 2015. Isso é necessário para que haja tempo de planejar o lançamento do telescópio, marcado para 2018. A Ball Aerospace prometeu entregar os 16 segmentos restantes do espelho dentro de um ano. Evitar atrasos, agora, significa prevenir mais estouros de orçamento que podem comprometer o projeto.
Modelo em escala real do Telescópio Espacial James Webb no porto de Baltimore (Foto: GSFC/Nasa)
Em sua forma final, o espelho do Telescópio Espacial James Webb terá 6,5 metros de largura, diâmetro igual a duas vezes e meia o do Hubble. Isso se traduz em uma melhor capacidade para enxergar objetos mais distantes e de brilho mais tênue. Cientistas do Centro Goddard fabricaram um modelo em tamanho real do telescópio e o colocaram no Porto de Baltimore, em Maryland, também nas imediações da capital dos EUA. Quem passa por lá tem uma sensação real do tamanho do monstrengo que será o James Webb.

Sua arquitetura será bem diferente daquela do Hubble, que guarda seu espelho no fundo de um tubo, como um telescópio manual amador. O espelho do James Webb ficará exposto no vácuo espacial e terá três lonas esticadas para protegê-lo da radiação solar. A estrutura um pouco deselegante —parece um radar em cima de uma cama elástica— foi a solução que a Nasa arrumou para colocar em órbita um telescópio tão grande. O James Webb vai viajar todo dobrado dentro de um foguete Ariane, e vai se desdobrar sozinho quando chegar ao seu lugar no espaço, a 1,5 milhão de quilômetros de distância da Terra. O aspecto meio desajeitado do telescópio, porém, será compensado pelas imagens que ele deve retornar: aquelas que mostrarão o primeiro bilhão de anos na história do Universo. Isso, se tudo correr conforme o previsto, é claro.
Créditos: Rafael Garcia - Folha

Hubble produz imagem detalhada do universo distante

Cientistas usam supertelescópio para compor retrato de milhares de galáxias e objetos
Para fazer a foto, o telescópio observou um pequeno pedaço do céu por mais de 500 horas.Nasa 
Muito longe
 
Tal como o portfólio de um fotógrafo, reunindo as melhores fotos ao longo de sua carreira, astrônomos fizeram uma montagem compondo as imagens dos objetos celestes mais distantes já vistos pelo Telescópio Espacial Hubble. A equipe do Hubble já havia feito um trabalho semelhante, chamado Hubble Ultra Deep Field (visão de campo ultraprofundo) reunindo fotos coletadas entre 2003 e 2004 de uma região conhecida como constelação da Fornalha. Agora, o novo trabalho foi batizado de eXtreme Deep Field (XDF), onde o termo "extremo" é posto uma ordem de magnitude acima do "ultra". A imagem não é uma foto única, é uma combinação de fotos capturadas pelo Hubble ao longo dos últimos 10 anos, de uma pequena região no centro da região maior do trabalho original.

Câmeras do Hubble

Apesar de o campo de visão ser menor, a maior sensibilidade das novas câmeras do Hubble permitiram reunir 5.500 galáxias - as mais distantes têm um décimo de bilionésimo do brilho que o olho humano consegue captar. As mais de 2 mil fotografias diferentes foram feitas pela Câmara Avançada para Pesquisas, instalada em 2002, e pela Câmara de Largo Campo 3, acrescentada ao observatório em sua última manutenção, em 2009.
Fonte: Inovação Tecnológica

Um Ônibus Espacial Sobre Los Angeles

Crédito da imagem e direitos autorais: Stephen Confer
Não é todo dia que um ônibus espacial pousa no famoso LAX. O aeroporto internacional de Los Angeles foi o último destino do ônibus Espacial Endeavour depois de completar um tour pelos céus da Califórnia e pousar no topo de um 747 modificado pela última vez. Durante seu último voo o ônibus espacial e os caças de escolta foram fotografados perto de alguns dos ícones da Califórnia como a Ponte Golden Gate em San Francisco, as placas de Hollywood, e o horizonte de Los Angeles. Anteriormente, em Maio, o ônibus espacial Enterprise foi registrado sobrevoando ícones da cidade de Nova York em sua jornada para o Intrepid Sea, Air & Space Museum. A foto acima mostra o ônibus espacial se aproximando na última semana do LAX enquanto cruzava sobre uma das ruas de Los Angeles. Agora aposentados, todos os ônibus espaciais são peças de museus, com o Endeavour planejado para ser rebocado pelas ruas de Los Angeles para que seja colocado em exposição no California Science Center.
Fonte: http://apod.nasa.gov/apod/ap120926.html

25 de set de 2012

As ‘tragadas sombrias’ causaram colossais buracos negros galácticos?

Um processo chamado de Dark Gulping (‘tragadas sombrias’ em tradução livre) pode responder um dos maiores mistérios da astronomia: como, quando o universo ainda estava em seus primeiros milhões de anos de idade, foram formados buracos negros gigantescos que ficam no centro das galáxias? A grande maioria das galáxias, talvez todas elas, possuem um forte centro gravitacional, um buraco negro supermassivo que teria o tamanho aproximado de nosso sistema solar. Este buraco negro é o que mantem todos os astros de uma galáxia unidos em forma aspiralada.

Cientistas desenvolveram um modelo para estudar interações gravitacionais entre o halo invisível de matéria escura e cada galáxia. Essas interações fazem com que a matéria escura forme um centro compacto de massa, que pode ser gravitacionalmente instável, dependendo das propriedades da matéria escura. Se esse esquema for perturbado por algo, essa massa escura central entraria em colapso de forma muito rápida, e sem deixar um traço de radiação eletromagnética. Esse processo de colapso rápido é chamado de Dark Gulping. Essa massa afetada é compatível com os buracos negros que ficam nos centros das galáxias que conhecemos hoje. Há diversas teorias sobre como esses buracos negros enormes se formam. Uma das possibilidades é que uma única nuvem de gás entraria em colapso. Outra hipótese é que vários buracos negros pequenos se chocariam e seriam unidos em uma versão gigante.

No entanto, essas opções, para acontecerem, demorariam milhões de anos (e os buracos negros enormes surgiram enquanto o universo ainda era relativamente um bebê), e as chances para isso são mínimas. Sendo assim, a tragada sombria pode ser a resposta que os cientistas tanto buscam. De acordo com o modelo desenvolvido pelos pesquisadores, a formação de uma massa central é inevitável. O resfriamento dos gases faz com que o material se acumule no meio. Essa massa possui uma instabilidade gravitacional que pode ser medida de 1 a 10 graus. Quando ela chega a 6 graus há um risco de colapso – que permitiria o acontecimento da tragada sombria. Com esse colapso, considerado rápido, a formação de buracos negros supermassivos, nos primeiros milhões de anos do universo, seria mais provável.
Fonte: http://www.sciencedaily.com

Onde estão as estrelas desta região do espaço?

O que mais impressiona nessa região repleta de estrelas? Certamente é a falta delas. Mas esse misterioso espaço escuro que aparece no meio da região cheia de estrelas não está realmente vazio. Essa forma cósmica escura é a Nebulosa Pipe, também conhecida como Barnard 59. Ela está localizada a cerca de 600-700 anos-luz da Terra na direção da constelação de Ophiuchus (Serpentário). Pipe cria essa região negra no espaço porque é uma nebulosa escura. Essas nebulosas são espessas concentrações de gás e poeira visíveis quando obscurecem parte de uma nebulosa brilhante. A Nebulosa Pipe bloqueia a luz proveniente das estrelas de fundo localizadas próximo do centro da Via Láctea. Essa incrível imagem foi registrada pelo Wide Field Imager, instrumento acoplado ao telescópio MPG/ESO de 2.2 metros, localizado no Observatório de La Silla, no Chile.
Fonte: Hypescience.com

Buracos negros tem forma de rosquinha

Você não vai querer comer um, mas pode se reconfortar em saber que um buraco negro e o material ao seu redor têm o formato de uma rosquinha (ou um donut), não importando a massa do buraco negro. Os buracos negros não podem ser observados diretamente, pois tem uma atração gravitacional tão poderosa que absorvem a própria luz. Mas eles podem ser detectados através dos objetos que são afetados por este campo gravitacional, ou horizonte de eventos. Objetos que estão entrando no buraco negro emitem uma poderosa radiação, pois aceleram quase à velocidade da luz e se superaquecem.

“Esse ambiente deveria ser muito bagunçado e complicado, mas toda a matéria que está fluindo para buracos negros tem a mesma aparência, não importando o quão massivo ele seja”, disse Barry McKernan, professor da Universidade Municipal de Nova York. Barry e seus colegas analisaram os dados de 245 núcleos de galáxias com seus colossais buracos negros no interior. Estes buracos negros se alimentam de gás que penetra e pode emitir uma poderosa radiação que brilha com a energia de bilhões de estrelas. Os buracos negros estudados pesavam entre 1 e 100 milhões de vezes a massa do nosso Sol.

Os pesquisadores mediram especificamente os raios X e a luz infravermelha ao redor destes buracos negros para testar a hipótese sobre a relação entre estes dois tipos de radiação. Eles sabem que os raios X deveriam vir do material próximo ao buraco negro e o infravermelho do material aquecido que está mais distante. Estes padrões permitiram que os pesquisadores soubessem se estavam olhando diretamente para a parte frontal do buraco negro ou para um buraco negro que estaria de lado.

Ao comparar a proporção de raios X em comparação com o infravermelho vindo ao redor do buraco negro, Barry e seus colegas descobriram indiretamente como o material pode se distribuir ao redor do buraco negro. Após comparar os dados dos buracos negros que estavam de lado com os que estavam sendo observados de frente a equipe descobriu que 90% dos núcleos de galáxias ativos que estavam de frente basicamente tem a mesma proporção de raios X e infravermelho.

Eles concluíram que não importa o tamanho do buraco negro, o material que o rodeia tomou a forma de uma rosquinha com um buraco — o buraco negro — no meio. “Agora nós sabemos que todos eles têm a aparência de um donut e o mesmo tipo de donut também. A falta de variedade desapontaria Homer Simpson”, disse Barry.
Fonte: http://hypescience.com
 [Live Science]

Há 20 anos, Nasa lançava sonda Mars Observer à órbita marciana

A sonda foi lançada com o objetivo de realizar um estudo detalhado das características topográficas, geológicas e geofísicas do Planeta Vermelho, a partir de sua órbita.Foto: Nasa/Divulgação

No dia 25 de setembro de 1992, a Nasa pôs em prática uma ambiciosa missão. A sonda espacial Mars Observer foi lançada com o objetivo de realizar um estudo detalhado das características topográficas, geológicas e geofísicas do Planeta Vermelho, a partir de sua órbita. Nas costas desse plano, havia um grande fardo a carregar, já que, 17 anos antes, a agência espacial americana enviou a Marte as duas naves do projeto Viking, o qual entrou para a história como a primeira missão a pousar de forma segura na superfície de outro planeta. O amplo sucesso desse projeto anterior contribuiu para a expectativa de que o êxito se repetisse. Em agosto de 1993, no entanto, três dias antes de ingressar na órbita de Marte, a comunicação com a sonda Mars Observer foi perdida. O que permaneceu, para os cientistas e para as missões futuras, foi a tecnologia desenvolvida, que mais tarde possibilitou inventos como o telefone celular e aparelhos de diagnósticos médicos.

A fixação - O desejo de conhecer mais sobre Marte surgiu antes mesmo de o homem ter conquistado a Lua. Em 1965, a sonda Mariner 4 (uma das 10 aeronaves construídas pela Nasa para explorar o sistema solar) fez um voo rasante sobre o planeta, tirando suas primeiras fotografias aproximadas. Depois de Neil Armstrong dar seu pequeno grande passo, em 1969, Marte passou a ficar cada vez mais presente no imaginário dos terráqueos, que começaram a sonhar em quando o Planeta Vermelho seria o próximo destino do homem.

Poucos dias após a chegada da Apollo 11 à Lua, as Mariner 6 e 7 começavam a gravar centenas de imagens do planeta, propiciando novas descobertas. Em novembro de 1971, o Mariner 9 chegou com sucesso à órbita de Marte e tornou-se o seu primeiro satélite artificial. A grande conquista da Nasa começou em 1975, quando foram lançadas ao espaço as aeronaves Viking 1 e 2, que aterrissaram no Planeta Vermelho no ano seguinte, com o objetivo principal de procurar indícios de vida.

Apesar de não terem encontrado evidências conclusivas, propiciaram o desenvolvimento de tecnologias que seriam utilizadas em todas as missões posteriores. Em 1992, a Guerra Fria já havia terminado, mas a Nasa seguia sedenta por informações sobre Marte. Baseando-se em um satélite de comunicação da Terra, construiu a sonda Mars Observer, que deveria trazer um estudo mais detalhado do planeta, incluindo suas características minerais, topográficas, geológicas, informações sobre sua atmosfera, campo gravitacional e campo magnético.  A sonda proporcionará aos cientistas uma plataforma orbital a partir da qual a superfície e atmosfera inteiras de Marte serão analisadas e mapeadas. As informações serão coletadas diariamente em órbita de baixa altitude", dizia a Nasa para a imprensa, em setembro de 1992.

Investigação - As causas da perda de contato, três dias antes do previsto para a entrada na órbita de Marte, não foram identificadas pelo conselho formado para investigar os problemas ocorridos. "Devido aos esforços para localizar ou se comunicar com a sonda terem falhado, o conselho não foi capaz de encontrar evidências conclusivas que apontassem a um evento particular que tenha causado a perda do Observer", afirmava o relatório do conselho de investigação. Foi apontada como causa mais provável a ruptura do compartimento de combustível do sistema de propulsão da aeronave, que teria acarretado um vazamento de gás hélio sobre a manta térmica do aparelho.

"Quando se trata do envio de sondas orbitais a Marte, a dificuldade está justamente em colocar o satélite em órbita. É na aproximação de Marte que se perdem a maior parte das sondas, como a Mars Observer, em 1992, e a Mars Climate Orbiter, em 1999", explica o presidente da Agência Espacial Brasileira, José Raimundo Coelho. No caso de aparelhos que pousam no planeta, a dificuldade é ainda maior. "Além do pouso, o planeta apresenta um ambiente hostil que agride os equipamentos e subsistemas do veículo, principalmente devido aos ciclos térmicos (calor e frio) e à radiação. Várias dificuldades também aparecem por conta da fina poeira de Marte, que danifica equipamentos e partes móveis", pontua.

O consolo - Apesar de não ter cumprido o seu objetivo principal, a Mars Observer ajudou no aprimoramento de tecnologias que seriam usadas não apenas em novas missões, mas também em invenções presentes no cotidiano de pessoas em todo o mundo. "Infelizmente, ela falhou três dias antes de chegar ao planeta. Mas as tecnologias por ela desenvolvidas foram depois incorporadas às missões Mars Global Surveyor e Mars Odyssey, ambas com sucesso", afirma Coelho. "Durante o projeto e construção do Mars Observer, muitas tecnologias inéditas foram desenvolvidas. Estes novos conhecimentos são atualmente usados em vários equipamentos (inclusive telefones celulares e aparelhos de diagnósticos médicos) e rendem royalties para as empresas que as desenvolveram", revela o professor Dr. Annibal Hetem, pesquisador da Universidade Federal do ABC na área de Propulsão Aeroespacial.

No relatório do conselho de investigação sobre as causas da perda de comunicação, apesar de nenhuma resposta precisa ter sido apontada, foi manifestado o sentimento de que os estudos seriam importantes para evitar novas falhas. "Se os nossos resultados nos ajudarão a garantir que as futuras missões não sofram um destino semelhante, sentiremos que alcançamos nosso objetivo", declarou, na época, o presidente do conselho, Dr. Timothy Coffey, então diretor de pesquisa do Laboratório de Pesquisa Naval de Washington.

A esperança - Em novembro do ano passado, a Nasa lançou a missão Mars Science Laboratory, cuja linha de frente é representada pelo robô Curiosity, um jipe que pousou na superfície marciana em agosto deste ano. É a nova tentativa de descobrir condições favoráveis à vida e à habitabilidade em Marte. E também de chegar mais perto de responder a pergunta que tanto intriga a humanidade: "Estamos sós no universo?"
Fonte: TERRA

Chandra mostra que Via Láctea está rodeada por halo de gás quente

Esta ilustração de artista mostra um enorme halo de gás quente (azul) em torno da Via Láctea. Também são visíveis, para baixo e para a esquerda da nossa Galáxia, as Nuvens de Magalhães. O halo gasoso está desenhado com um raio de aproximadamente 300.000 anos-luz, embora possa ser muito maior.
Crédito: NASA/CXC/M. Weiss; NASA/CXC/Ohio State/A. Gupta et al.

Astrónomos usaram o Observatório de Raios-X Chandra da NASA para desvendar evidências de que a Via Láctea está embebida num enorme halo de gás quente que se prolonga por centenas de milhares de anos-luz. A massa estimada do halo é comparável à massa de todas as estrelas na Galáxia. Se o tamanho e massa deste halo gasoso for confirmado, poderá ser também uma explicação para o que é conhecido como o problema do "barião desaparecido" da nossa Galáxia. Num estudo recente, uma equipa de cinco astrónomos usaram dados do Chandra, do observatório espacial XMM-Newton da ESA e do satélite japonês Suzaku para colocar limites na temperatura, dimensão e massa do quente halo gasoso. O Chandra observou oito brilhantes fontes de raios-X localizadas para lá da Galáxia a distâncias de centenas de milhões de anos-luz. Os dados revelaram que os raios-X dessas longínquas fontes são selectivamente absorvidos pelos iões de oxigénio na vizinhança da Galáxia. Os cientistas determinaram que a temperatura do halo absorvente está situada entre 1 e 2,5 milhões kelvin, algumas centenas de vezes mais quente que a superfície do Sol.

Outros estudos mostraram que a Via Láctea e outras galáxias estão embebidas em gás morno com temperaturas entre 100.000 e 1 milhão K. Os estudos indicaram a presença de gás ainda mais quente com uma temperatura superior a 1 milhão K. Esta nova pesquisa providencia evidências de que o halo de gás quente que rodeia a Via Láctea é muito massivo do que o halo de gás morno. Nós sabemos que este gás rodeia a Galáxia, e sabemos quão quente é," afirma Anjali Gupta, autor principal do artigo que descreve a investigação, publicado na edição de 1 de Setembro da revista Astrophysical Journal. "A grande questão é, quão grande é o halo, e qual a sua massa? Para começar a responder a esta pergunta, os autores complementaram os dados do Chandra sobre a quantidade de absorção produzida pelos iões de oxigénio do XMM-Newton e do Suzaku acerca dos raios-X emitidos pelo halo de gás. Concluíram que a massa do gás é equivalente à massa de mais de 10 mil milhões de sóis, talvez tão grande quanto 60 mil milhões de sóis.

"O nosso trabalho mostra que, para valores razoáveis de parâmetros e com suposições razoáveis, as observações do Chandra implicam um enorme reservatório de gás quente em redor da Via Láctea," afirma Smita Mathur da Universidade Estatal do Ohio, em Columbus, EUA, co-autora do estudo. "Pode prolongar-se por algumas centenas de milhares de anos-luz em torno da Via Láctea ou pode até chegar ao Grupo Local de Galáxias. De qualquer maneira, a sua massa parece ser muito grande." A massa estimada depende de factores como a quantidade de oxigénio relativamente ao hidrogénio, que é o elemento dominante no gás. No entanto, a estimativa representa um passo importante na resolução do caso dos bariões perdidos, um mistério que tem intrigado os astrónomos há mais de uma década.

Os bariões são partículas, como protões e neutrões, que constituem mais de 99,9% da massa dos átomos do Cosmos. As medições de halos gasosos e galáxias extremamente distantes indicam que a matéria bariónica, presente quando o Universo tinha apenas uns quantos milhares de milhões de anos, representava cerca de um-sexto da massa e densidade da matéria existente não observável, ou escura. Actualmente, cerca de 10 mil milhões de anos depois, um censo dos bariões presentes nas estrelas e gás da Via Láctea e em galáxias vizinhas mostram que pelo menos metade dos bariões estão desaparecidos. Embora haja incertezas, o trabalho de Gupta e colegas fornece a melhor evidência até agora de que os bariões perdidos da Galáxia têm estado escondidos num halo gasoso extremamente quente que a rodeia. A densidade estimada deste halo é tão baixa que halos parecidos em torno de outras galáxias teriam escapado à detecção.
Fonte: Astronomia On-Line

Quasares os devoradores do cosmo - Parte 2

Corpos celestes encontrados nos confins do universo, os quasares emitem tanta radiação que tornam impossível a vida como a conhecemos
À medida que vai sendo sugada pelo buraco negro relacionado ao quasar, a matéria se junta numa estrutura espiralada cuja temperatura chega a milhões de graus.

Calcula-se que entre 65 mil e 100 mil quasares sejam visíveis atualmente, mas eles eram bem mais comuns há bilhões de anos. Para os astrônomos, estudar esses objetos significa não apenas investigar os extremos da matéria, mas também vislumbrar momentos essenciais da evolução do universo. Segundo a teoria mais aceita hoje em dia, quando as primeiras galáxias surgiram, buracos negros se formaram em seus núcleos.

Um buraco negro é um objeto do qual praticamente nada (nem mesmo a luz) pode escapar, e seu tamanho aumenta à medida que ele vai devorando mais matéria. Por isso, ficar no centro da galáxia é perfeito para ele, pois sempre haverá abundância de “alimento” ali. Conforme a matéria vai caindo no buraco negro, junta-se numa estrutura espiralada denominada disco de acreção, cuja temperatura sobe a vários milhões de graus. É essa matéria redemoinhando perto do buraco negro que emite quantidades gigantescas de raios X.

maior parte da matéria segue em espiral para dentro do buraco negro e, ao passar por um ponto denominado horizonte de eventos, desaparece do universo visível. Mas simulações realizadas em computadores indicam que a radiação e os campos magnéticos presentes naquela região do espaço podem “empurrar” parte do gás capturado pelas forças gravitacionais do buraco negro e devolvê-la ao espaço, acompanhada de jatos de matéria e radiação que voam para longe do eixo de rotação do buraco negro. Esses jatos podem causar no gás espalhado na galáxia uma turbulência capaz de aniquilar campos estelares.

Se um quasar se posicionasse no centro de uma galáxia jovem, a radiação emitida por ele seria tão intensa que nenhuma forma de vida conhecida conseguiria se desenvolver. Talvez isso tenha acontecido nas primeiras fases da Via Láctea – uma suposição reforçada por evidências apresentadas no fim de 2008 por astrônomos alemães sobre a existência de um imenso buraco negro no centro da galáxia, a 27 mil anos-luz de nós, cuja massa seria 4 milhões de vezes maior do que a do Sol. Hoje em dia, bilhões de anos depois do surgimento da Via Láctea – e já sem tanta matéria com que se alimentar –, esse buraco negro está em repouso, e com isso a vida pôde florescer aqui. Em outros recantos do universo, porém, os quasares podem estar em plena atividade, banqueteando-se com gás e estrelas e despejando jatos de radiação intensa, num espetáculo de assustadora beleza.

Distâncias fabulosas -
Os cientistas calculam a distância de outros corpos celestes em relação à Terra a partir da distorção causada nas linhas espectrais do objeto (as linhas que aparecem em seu espectro e indicam tanto os elementos químicos nele presentes como suas condições físicas) pelo seu deslocamento. Se eles se aproximam do nosso planeta, apresentam-se mais azulados; se se afastam, ficam mais avermelhados. Em geral, a luz das estrelas é mais avermelhada, uma evidência de que o universo está em expansão. Nas estrelas mais comuns, o deslocamento para o vermelho é de 0,1% (ou seja, sua luz fica 0,1% mais vermelha).
 
No caso dos quasares, os percentuais são muito mais elevados. O 3C 273, um dos quasares pesquisados por Maarten Schmidt, do California Institute of Technology, apresentou 15,8% de deslocamento para o vermelho, o que implica afastar-se da Terra a 47 mil quilômetros por segundo e estar a 3 bilhões de anos-luz de nós. Já o PKS 2000-330, com seus 350% de deslocamento para o vermelho, encontra-se a 15 bilhões de anos-luz do nosso planeta, do qual se distancia a 276 mil quilômetros por segundo.
Fonte: Revista Planeta

Curiosity Termina Inspeção de Sua Primeira Rocha Em Marte

O rover Curiosity da NASA tocou uma rocha marciana com o seu braço robótico pela primeira vez no dia 22 de Setembro de 2012, acessando quais os elementos químicos que constituem a rocha chamada de Jake Matijevic. Após uma curta jornada que precedeu o dia em que o rover tocou a rocha com seu braço robótico, o Curiosity colocou o seu Alpha Particle X-Ray Spectrometer (APXS) em contato com a rocha durante o 46º dia marciano de trabalho, ou sol. O instrumento APXS está localizado numa torre no final do braço robótico do rover de 2.1 metros de comprimento. O Mars Hand Lens Imager (MAHLI), localizado na mesma torre, foi usado para inspecionar de forma detalhada a rocha. Ambos os instrumentos foram também usados na rocha Jake Matijevic no Sol 47, que correspondeu ao dia 23 de Setembro de 2012.

O instrumento Chemistry and Camera, ou ChemCam, que atirou pulsos laser em um alvo desde o topo do mastro do rover Curiosity, também acessou os elementos químicos da rocha Jake Matijevic. Usando tanto o APXS como a ChemCam na rocha os pesquisadores conseguiram uma calibração cruzada dos dois instrumentos. Com um teste final do laser da ChemCam na rocha no sol 48, em 24 de Setembro de 2012, o Curiosity terminou seu trabalho na rocha Jake Matijevic. O rover partiu no mesmo dia, para um trecho de 42 metros, o mais longo até o momento. O Sol 48, em hora média local solar em Marte na Cratera Gale, terminou às 3:09 p.m. hora do pacífio co dia 24 de Setembro de 2012.

O rover Curiosity da NASA pousou em Marte há sete semanas para começar a sua missão primária de dois anos, usando seus 10 instrumentos para acessar se uma área cuidadosamente escolhida para esse estudo dentro da cratera Gale já ofereceu em algum momento da história marciana condições ambientais favoráveis para o desenvolvimento da vida microbiana. O JPL, uma divisão do Instituo de Tecnologia da Califórnia em Pasadena, gerencia o projeto Mars Science Laboratory, incluindo o rover Curiosity para o Science Mission Directorate da NASA em Washington. O JPL desenhou e construiu o rover. O Space Division do MDA Information Systems Inc. construiu o braço robótico do rover em Pasadena.
Fonte: http://www.jpl.nasa.gov/ 

O Novo Cometa C/2012 S1 (ISON)

Astrônomos anunciaram há poucas horas a descoberta de um novo cometa, o C/2012 S1 (ISON). O cometa foi recém descoberto em 21 de Setembro 2012 pelo Observatório ISON-Kislovodsk. Atualmente localizado além da órbita de Júpiter, e está se dirigindo para um encontro com o sol no próximo ano. Em novembro de 2013, ele vai passar a menos de 0.012 UA (1,8 milhões de km) a partir da superfície solar. Segundo os astrônomos o seu destino final permanece desconhecido e possivelmente o novo cometa vem da nuvem de Oort. Este cometa pode se tornar um objeto visível a olho nu no período de Novembro de 2013 a Janeiro de 2014. A maioria dos objetos chamamos de cometas orbitam o Sol a distâncias imensas, alguns a mais de 50.000 unidades astronômicas (unidade astronômica é definida como a distância do Sol à Terra). É o limite exterior da nuvem de Oort que define o limite do nosso sistema solar. É aqui que o efeito gravitacional do Sol torna-se mínimo. Acredita-se que os objetos, tais como cometas, que agora residem na nuvem de Oort foram criados mais perto do Sol no período de formação do sistema solar. No entanto, os planetas gigantes gasosos (Júpiter, Saturno ,Urano e Netuno ) com seus imensos campos gravitacionais jogou esses objetos para longe da influência gravitacional do sol. Esta teoria é apoiada pelo fato de que a composição da maioria destes objetos assemelha-se as quantidades relativas dos compostos, tais como a água, amoníaco e metano, que definem os gigantes de gás (Júpiter, Saturno, Urano e Netubo).
Fonte: http://remanzacco.blogspot.com.br

Esferas incomuns em Marte

Crédito da imagem: Mars Exploration Rover Mission, Cornell, JPL, da NASA
Por que essas estranhas e pequenas esferas estão em Marte? O rover Opportunity da NASA teve a chance de cruzar com essas feições de forma incomum no começo de mês de Setembro de 2012enquanto explorava um local conhecido como Kirkwood perto do anel da Cratera Endeavour em Marte. A imagem acima foi feita pelo Imageador Microscópico da Opportunity e mostra que parte do solo perto do rover está coberta com essas esferas pouco comuns, cada uma com aproximadamente 3 milímetros de diâmetro. A primeira vista, as esferas em alguns casos fraturadas se assemelham às pequenas rochas esféricas apelidadas de blueberries observadas pelo rover Opportunity oito anos atrás, mas essas esferas são densamente compactadas e possuem pouco conteúdo de ferro. Embora saiba-se que essas esferas se formaram naturalmente, o processo exato que as originou ainda é um mistério. O rover Opportunity, uma versão anterior de rovers, que pode ser considerado o pai do Curiosity, continuará a estudar essas esferas com a esperança de que elas possam fornecer uma nova pista sobre a história antiga da superfície do Planeta Vermelho.
Fonte: http://apod.nasa.gov/apod/ap120925.html

24 de set de 2012

Quasares os devoradores do cosmo - Parte1

Corpos celestes encontrados nos confins do universo, os quasares emitem tanta radiação que tornam impossível a vida como a conhecemos
Numa noite de 1963, dois astrônomos, Jesse Greenstein e Maarten Schmidt, do California Institute of Technology, estavam usando o maior telescópio existente naquela época no mundo – o de Monte Palomar, na Califórnia – para examinar um objeto brilhante no céu. Classificado inicialmente como 3C48 (ou seja, o 48º objeto catalogado no Terceiro Catálogo de Fontes de Rádio da Universidade de Cambridge), o tal corpo parecia ter o brilho de uma estrela. Outros como ele vinham sendo detectados desde os anos 1950, quando as observações com radiotelescópios começaram a ser feitas.
 
ALGUNS QUASARES BRILHAM TANTO QUE PODEM SER OBSERVADOS ATÉ POR MEIO DE UM TELESCÓPIO CASEIRO
 
Ao examinar uma foto do 3C48, Greenstein pensou que ele parecia estar a uma distância imensa. Seus cálculos confirmaram isso: nada menos do que 4 bilhões de anos-luz (para efeito de comparação, a estrela mais próxima da Terra está a apenas quatro anosluz de distância). Incrédulo, Schmidt decidiu refazer as contas e chegou ao mesmo resultado. Estrela não era, com certeza: para liberar energia a ponto de ser visível a essa distância, o objeto teria de brilhar tanto quanto 50 galáxias juntas, cada qual com 100 bilhões de estrelas em média. A descoberta desafiava tudo o que se conhecia até então sobre matéria e energia. E ganhou um nome especial: “objeto quase-estelar” (na abreviatura em inglês, QSO), ou quasar.
 
A partir da conclusão de Greenstein e Schmidt, outros astrônomos iniciaram uma corrida para localizar mais quasares. E eles apareceram, a distâncias inacreditáveis e emitindo uma quantidade de energia surpreendente. Alguns deles brilhavam tanto que podiam até ser observados por um astrônomo amador num telescópio caseiro. O mais próximo quasar conhecido está a 780 milhões de anos-luz. Outros, como o PKS 2000-330, visível na constelação de Sagitário, encontram-se a 15 bilhões de anos-luz da Terra – ou seja, sua luz viaja até nós desde a infância do universo.

O que são, afinal, os quasares?
Os astrônomos ainda não chegaram a uma conclusão definitiva sobre isso. Segundo uma das definições mais aceitas, trata-se de gigantescos buracos negros no centro de galáxias jovens e ativas, cercados por gás superaquecido e responsáveis por liberar quantidades fabulosas de radiação. Sua massa seria de 1 milhão a 1 bilhão de vezes a massa do nosso Sol. Donas de diâmetros imensos – cerca de 500 mil anos-luz (o da Via Láctea é de “apenas” 100 mil anos-luz) –, as galáxias que os abrigam são consideradas jovens por dedução dos astrônomos, já que a observação direta é impossível: o quasar, quando novo, emite tanta luz que ofusca todas as estrelas daquele sistema.

Brilhando tanto, e a tamanha distância, os quasares inspiram alguns a vê-los como protagonistas de pantagruélicos banquetes nos confins do cosmos, nos quais seus buracos negros devoram enormes nuvens de gás, estrelas e até galáxias. Seriam, sem dúvida, vizinhos terríveis. Mas a possibilidade de um deles rondar o Sistema Solar é pequena. As enormes distâncias registradas da Terra em relação a eles – são os objetos mais distantes já vistos – e o tempo que sua luz leva para nos alcançar mostram que os quasares faziam parte do universo quando este era bem mais jovem.
Fonte: Revista Planeta
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