A joia de ouro da astronomia

Cientistas do Centro Goddard da Nasa vistoriam espelho do Telescópio Espacial James Webb (Foto: C.Gunn/Nasa) 
CIENTISTAS DA NASA já começaram a desempacotar a encomenda que haviam feito à empresa Ball Aerospace, do Colorado: o magnífico espelho que será a peça crucial do Telescópio Espacial James Webb, o sucessor do Hubble. Os primeiros dois segmentos hexagonais do espelho (de um total de 18) chegaram na semana passada ao Centro Goddard de Vôos Espaciais da Nasa, em Greenbelt, na periferia de Washington, onde o telescópio será montado. Após ter sofrido um dos estouros de orçamento mais drásticos da história da Nasa (de US$ 1,6 bilhão para 6,5 bilhões), o projeto foi salvo no Congresso dos EUA no ano passado. Os componentes principais do telescópio começaram a se materializar, finalmente, nos últimos meses.

O brilho dourado reluzente do segmento do espelho na foto acima não é só aparência. Feito de berílio, um metal super leve e resistente, ele é polido com precisão nanométrica e revestido de com uma camada de ouro. E não é por luxo. O material foi escolhido por ser bom para refletir radiação infravermelha, a frequência com que a luz das galáxias mais distantes do universo chega aqui na terra. Após terem se recuperado dos problemas orçamentários, os engenheiros do James Webb correm contra o relógio para conseguir montá-lo até 2015. Isso é necessário para que haja tempo de planejar o lançamento do telescópio, marcado para 2018. A Ball Aerospace prometeu entregar os 16 segmentos restantes do espelho dentro de um ano. Evitar atrasos, agora, significa prevenir mais estouros de orçamento que podem comprometer o projeto.
Modelo em escala real do Telescópio Espacial James Webb no porto de Baltimore (Foto: GSFC/Nasa)
Em sua forma final, o espelho do Telescópio Espacial James Webb terá 6,5 metros de largura, diâmetro igual a duas vezes e meia o do Hubble. Isso se traduz em uma melhor capacidade para enxergar objetos mais distantes e de brilho mais tênue. Cientistas do Centro Goddard fabricaram um modelo em tamanho real do telescópio e o colocaram no Porto de Baltimore, em Maryland, também nas imediações da capital dos EUA. Quem passa por lá tem uma sensação real do tamanho do monstrengo que será o James Webb.

Sua arquitetura será bem diferente daquela do Hubble, que guarda seu espelho no fundo de um tubo, como um telescópio manual amador. O espelho do James Webb ficará exposto no vácuo espacial e terá três lonas esticadas para protegê-lo da radiação solar. A estrutura um pouco deselegante —parece um radar em cima de uma cama elástica— foi a solução que a Nasa arrumou para colocar em órbita um telescópio tão grande. O James Webb vai viajar todo dobrado dentro de um foguete Ariane, e vai se desdobrar sozinho quando chegar ao seu lugar no espaço, a 1,5 milhão de quilômetros de distância da Terra. O aspecto meio desajeitado do telescópio, porém, será compensado pelas imagens que ele deve retornar: aquelas que mostrarão o primeiro bilhão de anos na história do Universo. Isso, se tudo correr conforme o previsto, é claro.
Créditos: Rafael Garcia - Folha

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