Quasares os devoradores do cosmo - Parte1

Corpos celestes encontrados nos confins do universo, os quasares emitem tanta radiação que tornam impossível a vida como a conhecemos
Numa noite de 1963, dois astrônomos, Jesse Greenstein e Maarten Schmidt, do California Institute of Technology, estavam usando o maior telescópio existente naquela época no mundo – o de Monte Palomar, na Califórnia – para examinar um objeto brilhante no céu. Classificado inicialmente como 3C48 (ou seja, o 48º objeto catalogado no Terceiro Catálogo de Fontes de Rádio da Universidade de Cambridge), o tal corpo parecia ter o brilho de uma estrela. Outros como ele vinham sendo detectados desde os anos 1950, quando as observações com radiotelescópios começaram a ser feitas.
 
ALGUNS QUASARES BRILHAM TANTO QUE PODEM SER OBSERVADOS ATÉ POR MEIO DE UM TELESCÓPIO CASEIRO
 
Ao examinar uma foto do 3C48, Greenstein pensou que ele parecia estar a uma distância imensa. Seus cálculos confirmaram isso: nada menos do que 4 bilhões de anos-luz (para efeito de comparação, a estrela mais próxima da Terra está a apenas quatro anosluz de distância). Incrédulo, Schmidt decidiu refazer as contas e chegou ao mesmo resultado. Estrela não era, com certeza: para liberar energia a ponto de ser visível a essa distância, o objeto teria de brilhar tanto quanto 50 galáxias juntas, cada qual com 100 bilhões de estrelas em média. A descoberta desafiava tudo o que se conhecia até então sobre matéria e energia. E ganhou um nome especial: “objeto quase-estelar” (na abreviatura em inglês, QSO), ou quasar.
 
A partir da conclusão de Greenstein e Schmidt, outros astrônomos iniciaram uma corrida para localizar mais quasares. E eles apareceram, a distâncias inacreditáveis e emitindo uma quantidade de energia surpreendente. Alguns deles brilhavam tanto que podiam até ser observados por um astrônomo amador num telescópio caseiro. O mais próximo quasar conhecido está a 780 milhões de anos-luz. Outros, como o PKS 2000-330, visível na constelação de Sagitário, encontram-se a 15 bilhões de anos-luz da Terra – ou seja, sua luz viaja até nós desde a infância do universo.

O que são, afinal, os quasares?
Os astrônomos ainda não chegaram a uma conclusão definitiva sobre isso. Segundo uma das definições mais aceitas, trata-se de gigantescos buracos negros no centro de galáxias jovens e ativas, cercados por gás superaquecido e responsáveis por liberar quantidades fabulosas de radiação. Sua massa seria de 1 milhão a 1 bilhão de vezes a massa do nosso Sol. Donas de diâmetros imensos – cerca de 500 mil anos-luz (o da Via Láctea é de “apenas” 100 mil anos-luz) –, as galáxias que os abrigam são consideradas jovens por dedução dos astrônomos, já que a observação direta é impossível: o quasar, quando novo, emite tanta luz que ofusca todas as estrelas daquele sistema.

Brilhando tanto, e a tamanha distância, os quasares inspiram alguns a vê-los como protagonistas de pantagruélicos banquetes nos confins do cosmos, nos quais seus buracos negros devoram enormes nuvens de gás, estrelas e até galáxias. Seriam, sem dúvida, vizinhos terríveis. Mas a possibilidade de um deles rondar o Sistema Solar é pequena. As enormes distâncias registradas da Terra em relação a eles – são os objetos mais distantes já vistos – e o tempo que sua luz leva para nos alcançar mostram que os quasares faziam parte do universo quando este era bem mais jovem.
Fonte: Revista Planeta

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