Curiosity descobre que tempo em Marte é surpreendentemente quente

Este é o primeiro panorama a 360º a cores obtido pelo rover Curiosity em Marte. Crédito: NASA/JPL-Caltech/MSSS

O rover Curiosity da NASA está desfrutando de um tempo quentinho no Planeta Vermelho - e a Primavera ainda nem chegou ao seu local de aterragem. Segundo os cientistas, a estação meteorológica a bordo do Curiosity, apelidada de REMS (Remote Environment Monitoring Station), mediu as temperaturas do ar até um máximo de 6 graus Celsius durante a tarde marciana. E as temperaturas subiram acima de zero durante mais de metade dos dias marcianos, ou sols, desde que o REMS foi ligado.

Estas medições são um pouco inesperadas, uma vez que o Inverno ainda está a chegar ao fim na Cratera Gale, o local 4,5º para Sul do equador marciano onde o Curiosity aterrou no dia 6 de Agosto. "O facto de estarmos a medir estas temperaturas quentes já durante o dia é uma surpresa e é muito interessante," afirma Felipe Gómez, do Centro de Astrobiologia em Madrid, num comunicado. O objectivo principal é determinar se a área da Gale é, ou já foi, capaz de suportar vida microbiana. A maioria dos pesquisadores acha que hoje em dia Marte é muito seco e frio para abrigar vida como a conhecemos, mas poderão ter de repensar alguns dos seus pressupostos, se a temperatura subir consideravelmente com a chegada da Primavera e do Verão.

"Se esta tendência amena continua no Verão, podemos ser capazes até de prever temperaturas na ordem dos 20º C, e isso seria realmente excitante do ponto de vista da habitabilidade," afirma Gómez. "Durante o dia, podemos ver temperaturas altas o suficiente para a existência de água líquida numa base regular. Mas é ainda muito cedo para dizer se isso vai acontecer ou se estas temperaturas amenas são apenas ligeiros desvios."  Embora os dias do Curiosity sejam relativamente agradáveis, o mesmo não pode ser dito das suas noites. As temperaturas do ar caem drasticamente depois do pôr-do-Sol, mergulhando até aos -70º C mesmo antes do amanhecer, afirmam os cientistas.

Estas grandes oscilações ocorrem porque os efeitos do aquecimento solar são muito mais pronunciados em Marte do que na Terra. A superfície do Planeta Vermelho é muito mais seca, e a sua atmosfera tem apenas 1% da espessura da da Terra. Os cientistas também dizem que as medições do REMS sugerem que a pressão atmosférica está a subir na Cratera gale. Esta informação está em linha com as expectativas dos cientistas da missão. No Inverno, Marte fica frio o suficiente para o dióxido de carbono nos pólos congelar, formando calotes sazonais de "gelo seco". Dado que o dióxido de carbono domina a fina atmosfera do Planeta Vermelho, este processo faz com que a pressão varie de estação para estação.

Os modelos e dados das missões anteriores haviam previsto que o Curiosity iria pousar quando as pressões estavam num mínimo. As medições do rover suportam este dado, passando de uma média diária que ronda os 730 Pa durante as primeiras três semanas em Marte para cerca de 750 Pa, mais recentemente.

"Os dados mostram uma variação de pressão diária muito significativa, seguindo um ciclo bastante consistente de sol-a-sol," afirma Javier Goméz-Elvira, investigador principal do REMS. "O mínimo ronda os 685 Pa e o máximo os 780 Pa." Este valor máximo não é nem de perto o valor a que estamos habituados cá na Terra. A pressão atmosférica média ao nível do mar cá na Terra é de 101.325 Pa - cerca de 140 vezes mais do que o Curiosity mede dentro da Cratera Gale. O REMS sofreu danos menores durante a aterragem, quando as rochas remexidas pelos motores do guindaste aéreo do Curiosity aparentemente danificaram sensores de vento numa das duas lanças do instrumento. Mas os sensores de vento da outra estão a trabalhar bem, por isso os cientistas da missão não antecipam um grande impacto na sua capacidade de recolher dados.
Fonte: Astronomia On-line

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