30 de nov de 2012

Galeria de Imagens - Nebulosa planetária de Hélix - olho gigante

Nebulosa de Hélix ou NGC 7293 é uma nebulosa planetária localizada na constelação de Aquarius. descoberta por Karl Ludwig Harding, provavelmente antes de 1824, é uma das nebulosas mais próximas da Terra. Encontra-se a cerca de 650 anos-luz da Terra. Para algumas pessoas também é conhecida por Olho de Deus. É uma das nebulosas preferidas dos astrónomos amadores pelas suas cores vivas e estranha semelhança com um olho gigante. As nebulosas planetárias como a Helix surgem no final da vida de uma estrela, como o Sol, por uma corrente de gases que escapam da estrela moribunda, a anã-branca que pode ver-se no centro das imagens.
Imagem composta da Nebulosa Helix, obtida pelo pelo Telescópio Espacial Hubble
Crédito: NASA , NOAO, ESA , a nebulosa Helix Team Hubble, M. Meixner ( STScI ), e Reitor TA (NRAO)

Nebulosa Helix, em infravermelho, obtida pelo Telescópio Espacial Spitzer
Crédito: NASA/JPL-Caltech/J. Hora (Harvard-Smithsonian CfA)

Nebulosa Helix, imagem composta obtida, em luz visível, pelo Telescópio Espacial Hubble e em infravermelho, pelo Telescópio Espacial Spitzer
Crédito: NASA/JPL-Caltech/ESA/J. Hora (Harvard-Smithsonian CfA), C.R. O'Dell (Vanderbilt University)
 
Imagem da Nebulosa Helix, em infravermelho, obtida pelo Telescópio Espacial Spitzer
Crédito: NASA/JPL-Caltech/K. Su (Univ. of Arizona)

Imagem da Nebulosa Helix obtida pelo Telescópio Espacial Spitzer
Crédito: NASA / JPL-Caltech / J. Hora (CfA Harvard-Smithsonian)

Imagem da Nebulosa Helix, obtida pelo Max-Planck Society/ESO telescope no Observatório La Silla, no Chile
Crédito: ESO

Imagem da Nebulosa Helix, obtida pelos Observatórios Sierra Remote
Crédito: Don Goldman, Sierra Remote Observatories

Imagem ultravioleta da Nebulosa Helix, obtida pela Galaxy Evolution Explorer (GALEX)
Crédito: NASA/JPL-Caltech/SSC

Fonte: Recursos Educativos

O Trio de Galáxias Em Interação NGC 6769-71 Em Pavo

A Tripla NGC 6769-71 é um trio de galáxias que interagem gravitacionalmente e que está localizado a aproximadamente 190 milhões de anos-luz na direção da constelação do hemisfério sul de Pavo. A maior parte das galáxias que conhecemos faz parte de aglomerados de galáxias. Nesse caso, elas se movem uma ao redor da outra num balé lento e gracioso. Mas dois ou mais membros desse trio podem se aproximarem de forma perigosa, os movimentos então se tornam caóticos até que as duas galáxias acabem se colidindo. Essa imagem mostra um exemplo desse tango cósmico. Ao mesmo tempo que essa interação é vista como algo destruidor ela pode também ser vista como um evento de enriquecimento, uma verdadeira explosão de nascimento de estrelas. Uma catástrofe cósmica como essa normalmente resulta na formação de muitas novas estrelas. Isso é óbvio se observarmos a natureza azulada dos braços espirais na NGC 6769 (na parte superior direita) e na NGC 6770 (na parte superior esquerda) e a presença de muitos locais com regiões de formação de estrelas.

As duas galáxias superiores, a NGC 6769, e a NGC 6770 tem o mesmo brilho e o mesmo tamanho, enquanto que a NGC 6771 (abaixo) tem aproximadamente metade do brilho e é levemente menor. Todas as três galáxias possuem um bulbo central de brilho similar. Esses bulbos são formados por estrelas mais velhas, avermelhadas e que na NGC 6771 é marcado pela forma de um caixote, uma rara ocorrência entre as galáxias. Todas as três galáxias são do tipo espirais barradas, a NGC 6769 com braços espirais bem apertados, enquanto que a NGC 6770 apresenta dois braços espirais principais, um deles apontando diretamente para o disco externo da NGC 6769. A NGC 6770 é também peculiar já que ela apresenta duas linhas escuras relativamente retas e um apagado arco que se curva em direção à terceira galáxia, a NGC 6771. Estrelas e gás têm sido arrancados da NGC 6769 e da NGC 6770, começando a formar um envelope comum ao redor delas, na forma da máscara de um demônio. Existe também uma fraca pista de uma tênue ponte entre a NGC 6769 e a NGC 6771.

Todas essas feições confirmam a forte interação gravitacional entre as três galáxias. A aparência distorcida da linha de poeira na NGC 6771 pode também ser interpretada como mais uma evidência dessas interações. Mais ainda, a NGC 6769 e a NGC 6770 estão se afastando de nós a uma velocidade similar de aproximadamente 3800 quilômetros por segundo, enquanto que a NGC 6771 é levemente maior, a 4200 quilômetros por segundo. A NGC 6769 foi o lar de no mínimo duas supernovas, a SN 1997de e da SN 2006ox. Essa imagem composta colorida foi obtida no dia 1 de Abril de 2004, o dia que representou o quinto aniversário do Very Large Telescope do ESO. Ela foi feita no modo de imageamento do Visible Multi-Objects Spectrograph instalado no Melipal, um dos quatro Unit Telescopes de 8.2 metros de diâmetro do VLT no Observatório do Paranal no Chile. Na imagem acima, o norte está para cima e o leste para a esquerda.
Fonte: http://cienctec.com.br
http://annesastronomynews.com

Há compostos orgânicos e gelo abundante em Mercúrio

As áreas vermelhas são as áreas da região polar norte de Mercúrio que estão na sombra, mapeadas por Messenger. Os depósitos polares fotografados da Terra com base em radar estão em amarelo.

A NASA acabou de anunciar, em uma conferência de imprensa ao vivo, que novas observações feitas pela sonda Messenger fornecem apoio convincente para a antiga hipótese de que há água congelada abundante, além de outros materiais voláteis congelados, nas regiões polares permanentemente sombreadas de Mercúrio. Ironicamente, Mercúrio é o planeta que orbita mais próximo ao sol. Messenger vem estudando o planeta de forma intensa desde a sua chegada lá, em março de 2011. Segundo medidas de radar da nave, as evidências de água congelada se concentram na região permanentemente sombreada do polo norte do planeta. Pensa-se que o gelo tem pelo menos meio metro de profundidade, e possivelmente até 20 metros de profundidade. Cientistas dizem que é provável que o polo sul de Mercúrio também tenha gelo, embora ainda não haja dados para apoiar essa ideia. A nave Messanger orbita muito mais perto do polo norte do que do sul.
 
Conclusão definitiva
Três linhas independentes de evidências sustentam a conclusão de que há gelo em Mercúrio: as primeiras medidas de excesso de hidrogênio no polo norte de Mercúrio; as primeiras medidas de refletância dos depósitos polares de Mercúrio em comprimentos de onda quase infravermelhos; e os primeiros modelos detalhados da superfície e temperatura do polo norte de Mercúrio, usando a topografia real da superfície do planeta. Os resultados foram apresentados em três artigos diferentes publicados online na revista Science Express.

Áreas sombreadas
Dada a sua proximidade com o sol, Mercúrio não parece um lugar provável para se encontrar gelo. No entanto, a inclinação do eixo de rotação do planeta é quase zero – menos de um grau -, de forma que alguns “bolsões” (“crateras”) nos polos do planeta nunca veem a luz solar. Décadas atrás, os cientistas sugeriram que poderia haver gelo e outros compostos voláteis congelados presos nessas regiões polares. A ideia recebeu um impulso em 1991, quando o telescópio de Arecibo, em Porto Rico, detectou manchas brilhantes nos polos de Mercúrio, pontos que refletiam as ondas de rádio na forma como se esperaria se houvesse água congelada lá.

Muitas dessas manchas correspondiam à localização de crateras de impacto mapeadas pela sonda Mariner 10 em 1970. Mas como a sonda tinha observado menos de 50% do planeta, os cientistas não tinham um diagrama completo dos polos para comparar com as imagens. A chegada da Messenger em Mercúrio, no ano passado, mudou isso. Imagens da sonda feitas em 2011 e no início deste ano confirmaram que as manchas brilhantes estão dentro das regiões sombreadas na superfície de Mercúrio, e os resultados são consistentes com a hipótese de água congelada. Agora, novos dados indicam fortemente que a água congelada é o constituinte principal dos depósitos no polo norte de Mercúrio. O gelo está exposto na superfície dos depósitos mais frios, mas está enterrado sob um material excepcionalmente escuro na maior parte do depósitos, áreas onde as temperaturas são “quentes” demais para que o gelo seja estável na superfície.

A confirmação
Messenger utilizou espectroscopia de nêutrons para medir as concentrações médias de hidrogênio dentro das manchas. Concentrações consistentes com água congelada foram obtidas. Os dados indicam que os depósitos polares contêm, em média, uma camada rica de hidrogênio com mais de dezenas de centímetros de espessura abaixo de uma camada superficial de 10 a 20 centímetros de espessura, que é menos rica em hidrogênio”, afirma David Lawrence, da Universidade Johns Hopkins e principal autor de um dos artigos. “A camada enterrada tem um teor de hidrogênio de acordo com água congelada quase pura”. Dados do MESSENGER Laser Altimeter (MLA), que já disparou mais de 10 milhões de pulsos de laser no planeta para fazer mapas detalhados da topografia de Mercúrio, corroboram os resultados de radar e medições de espectrômetro de nêutrons da região polar de Mercúrio.

“A correlação de refletância observada com temperaturas modeladas indica que as regiões opticamente brilhantes são consistentes com gelo de superfície”, explica Gregory Neumann, da NASA. O MLA também registrou manchas escuras com refletância diminuída, o que está de acordo com a teoria de que o gelo nas áreas é coberto por uma camada de isolamento térmico. Neumann sugere que impactos de cometas ou asteroides ricos em material volátil podem ter fornecido tanto os depósitos escuros quanto os brilhantes, uma descoberta confirmada em um terceiro estudo, liderado por David Paige, da Universidade da Califórnia, em Los Angeles.

Paige e seus colegas analisaram os modelos detalhados da superfície e temperatura das regiões polares de Mercúrio utilizando a topografia real do planeta medida pelo MLA. As medidas “mostram que a distribuição espacial das regiões está bem adaptada pela distribuição prevista de água congelada termicamente estável”, disse Paige. O material escuro é provavelmente uma mistura de compostos orgânicos complexos levados a Mercúrio por impactos de cometas e asteroides, os mesmos objetos que provavelmente levaram gelo ao planeta. Esse material pode ter obscurecido por exposição à radiação na superfície de Mercúrio, mesmo em áreas permanentemente sombreadas.

Tem gelo… e agora?
Apesar da confirmação, esperada há mais de 20 anos, de que o planeta mais próximo do sol acolhe gelo abundante em suas regiões polares, as novas observações também levantaram novas questões. Os materiais escuros nos depósitos polares consistem principalmente de compostos orgânicos? Que tipo de reações químicas o material tem experimentado? Há alguma região sobre ou dentro de Mercúrio que pode ter tanto água líquida quanto compostos orgânicos? Só com a exploração contínua de Mercúrio poderemos responder essas novas questões. O jeito é aguardar por mais notícias boas da Messenger.
Fonte: http://hypescience.com

Nova descoberta desafia teorias de formação dos planetas rochosos

Impressão artística mostra o disco de gás e poeira cósmica em torno de uma anã marrom
Foto: ESO/Divulgação

Utilizando o telescópio Atacama Large Millimeter/submillimeter Array (ALMA), astrônomos descobriram pela primeira vez que a região exterior de um disco de poeira em torno de uma anã marrom, contém grãos sólidos com tamanhos da ordem de milímetros, comparáveis aos encontrados em discos mais densos situados em torno de estrelas recém nascidas. Esta descoberta surpreendente desafia as teorias de formação dos planetas rochosos do tipo terrestre e sugere que os planetas rochosos podem ser ainda mais comuns no Universo do que o que se esperava. O estudo publicado na revista especializada Astrophysical Journal Letters.

Pensa-se que os planetas rochosos se formam a partir de colisões aleatórias e fusão do que são, inicialmente, partículas microscópicas situadas no disco de material em torno de uma estrela. Estes grãos minúsculos, conhecidos como poeira cósmica, são muito semelhantes a fuligem ou areia muito finas. No entanto, nas regiões exteriores em torno de uma anã marrom - um objeto do tipo estelar, mas demasiado pequeno para brilhar como uma estrela - os astrônomos esperavam que os grãos de poeira não pudessem crescer, já que os discos são bastante esparsos e as partículas deslocar-se-iam muito depressa para se poderem fundir após uma colisão. Igualmente, as teorias principais dizem que quaisquer grãos que se consigam formar devem mover-se muito depressa na direção da anã marrom central, desaparecendo assim das regiões mais exteriores do disco, onde poderiam ser detectados.

"Ficámos muito surpreendidos ao encontrar grãos de poeira do tamanho do milímetro neste disco pequeno e fino," disse Luca Ricci, do California Institute of Technology, EUA, que liderou a equipa de astrônomos, sediados nos Estados Unidos, Europa e Chile. Grãos sólidos deste tamanho não deveriam ser capazes de se formar nas regiões exteriores frias de um disco em torno de uma anã marrom, mas aparentemente é o que está a acontecer. Não podemos ter a certeza que um planeta rochoso se forme neste local, ou até que já se tenha formado, mas estamos a ver os primeiros passos deste fenómeno, e por isso mesmo teremos que alterar as nossas suposições sobre as condições necessárias ao crescimento de sólidos," disse ele.

A elevada resolução do ALMA comparada com os telescópios anteriores, permitiu também à equipa localizar monóxido de carbono gasoso em torno da anã marrom - é a primeira vez que gás molecular frio é detectado num tal disco. Esta descoberta, juntamente com a dos grãos milimétricos, sugere que o disco é muito mais parecido aos discos que se encontram em torno de estrelas jovens do que o suposto anteriormente. Ricci e colegas fizeram esta descoberta com o auxílio do telescópio ALMA parcialmente completo, situado no deserto chileno a elevada altitude. O ALMA é uma coleção, em crescimento, de antenas de alta precisão, em forma de prato, que trabalham em conjunto, como se de um único telescópio se tratassem, para observar o Universo com imenso detalhe e sensibilidade. O ALMA "vê" o Universo na radiação milimétrica, a qual é invisível ao olho humano. Prevê-se que a construção do ALMA esteja terminada em 2013, mas os astrônomos observam já utilizando uma rede parcial de antenas ALMA, desde 2011.

Os astrônomos apontaram o ALMA à jovem anã marrom ISO-Oph 102, também conhecida como Rho-Oph 102, situada na região de formação estelar Rho Ophiuchi, na constelação do Serpentário. Com cerca de 60 vezes a massa de Júpiter mas apenas 0,06 a do Sol, a anã marrom não tem massa suficiente para iniciar as reações termonucleares que fazem brilhar as estrelas. No entanto, emite calor libertado pela sua lenta contração gravitacional e brilha com uma cor avermelhada, embora seja muito menos brilhante que uma estrela.

O ALMA coletou a radiação emitida pelo material do disco aquecido pela anã marrom. Os grãos de poeira do disco não emitem muito radiação a comprimentos de onda maiores que o seu próprio tamanho, por isso um decréscimo caraterístico no brilho pode ser medido a comprimentos de onda maiores. O ALMA é o instrumento ideal para medir este decréscimo e deste modo estimar o tamanho dos grãos. Os astrônomos compararam o brilho do disco nos comprimentos de onda de 0,89 mm e 3,2 mm. O decréscimo em brilho de 0,89 mm para 3,2 mm não é tão abrupto quanto se esperava, mostrando que, pelo menos, alguns dos grãos têm um milímetro ou mais de tamanho.

"O ALMA é uma ferramenta poderosa para investigar os mistérios dos sistemas planetários em formação," comentou Leonardo Testi do ESO, um membro da equipa de investigação. "Para fazer esta observação com a geração anterior de telescópios, teríamos que ter observado durante praticamente um mês inteiro - o que na prática seria demasiado longo. Mas, utilizando apenas um quarto das antenas do ALMA, pudemos fazer a observação em menos de uma hora!" disse ele. No futuro próximo, o telescópio ALMA completo será suficientemente poderoso para obter imagens detalhadas dos discos em torno da Rho-Oph 102 e outros objetos. Ricci explicou, "Poderemos brevemente detectar, não apenas a presença de pequenas partículas nos discos, mas também mapear como é que elas se distribuem no disco circumstelar e como é que interagem com o gás que também detectamos no disco, o que nos ajudará a compreender melhor como é que os planetas se formam."
Fonte: TERRA

29 de nov de 2012

Como seria uma verdadeira nave de dobra espacial

Uma dobra espacial pode ser o jeito mais fácil para conseguirmos chegar às estrelas – apesar de uma recente especulação que elas poderiam causar um buraco negro que poderia engolir a Terra e destruir toda forma de vida que conhecemos. Richard Obousy e Alex Szames, pensando nesse jeito de viajar mais longe, criaram o design de como seria uma verdadeira nave de dobra – e não, ela não se parece com a Enterprise, de Star Trek. O formato da nave foi criado para conseguir manipular a matéria escura e surfar pela bolha de espaço-tempo que seria criada. Proposta inicialmente pelo físico mexicano Miguel Alcubierre, uma nave de dobra é um veículo que não se move mais rápido que a velocidade da luz – pois isso é impossível, segundo a teoria da relatividade de Einstein. Em vez disso, ela manipula o espaço-tempo, criando uma bolha de dobra nas dimensões previstas pela teoria de cordas – que afirma que o universo tem três dimensões de espaço, além do tempo.
Contraindo o espaço à sua frente e expandindo o espaço atrás, a nave poderia viajar de um ponto a outro mais rapidamente, mantendo a velocidade inferior à da luz dentro da nave, mas viajando muito mais rapidamente pelo espaço. “Podemos usar a analogia de um surfista em uma “onda” de espaço-tempo”, afirma Obousy. Essa “onda” facilita a viagem mais rápida que a velocidade da luz sem quebrar nenhuma lei da física. Atualmente, as naves que existem são ineficientes para viagens espaciais de longa distância. A Voyager, por exemplo, mais rápida nave espacial existente, precisaria de 74 mil anos para alcançar Proxima Centauri, a estrela mais próxima ao nosso sistema solar, no sistema Alfa Centauri.
Fonte: hypescience.com
 [Gizmodo, Discovery]

Astrônomos detectam faixa no espaço com dez vezes mais cometas que Cinturão de Kuiper

Astrônomos detectaram um grande cinturão de cometas ao redor de dois sistemas planetários que têm super-Terras (massas entre duas e dezoito vezes maiores que a da Terra). O observatório Herschel, da Agência Espacial Europeia (ESA, na sigla em inglês), detectou tantos sinais de poeira fria nessas regiões (a 200 graus Celsius negativos) que elas podem ter pelo menos dez vezes mais cometas que o Cinturão de Kuiper, que fica no nosso Sistema Solar. O sistema GJ 581 tem ao redor de uma estrela anã ao menos quatro planetas – inclusive um que está na zona habitável, chamada de zona Goldilocks, a uma distância do Sol que permite ser encontrada água líquida em sua superfície – e o 61 Vir possui outros dois planetas na órbita de uma estrela um pouco menor que o nosso Sol.

Os dois sistemas, no entanto, não hospedam planetas gigantes, o que pode explicar densidade dessa faixa. Segundo os cientistas, a interação gravitacional entre Júpiter e Saturno, os maiores do nosso Sistema Solar, pode ter sido responsável por forçar, há bilhões de anos, um dilúvio de cometas do Cinturão de Kuiper, reduzindo a quantidade desses corpos celestes na região de uma só vez. As novas observações nos dão pista de que é possível ter um cinturão de cometas e planetas gigantes no mesmo sistema, mas, diante de um sistema com apenas planetas de massas menores, o cinturão fica mais denso [de cometas]”, explica Mark Wyatt, pesquisador da Universidade de Cambridge, no Reino Unido, que liderou o estudo. “Nós acreditamos que a ausência de um planeta como Júpiter nesses sistemas evita que ocorra um ‘bombardeamento’ no céu, e que tenham um evento gradual de chuva de cometas por bilhões de anos.”
Fonte: UOL

Como a NASA poderá construir o primeiro motor de dobra espacial, mais rápido que a luz

Recentemente, o físico Harold White e sua equipe na NASA anunciaram que estavam trabalhando no desenvolvimento de um motor de dobra capaz de viajar mais rápido do que a luz. O projeto é inspirado em uma equação formulada pelo físico Miguel Alcubierre em 1994, e pode, eventualmente, resultar em um motor que poderia transportar uma nave espacial para a estrela mais próxima de nós em questão de semanas – sem violar a lei da relatividade de Einstein. O trabalho de Alcubierre, “The Warp Drive: Hyper-Fast Travel Within General Relativity” (em português, algo como “Dobra espacial: viagem hiper-rápida dentro da relatividade geral), sugere um mecanismo pelo qual o espaço-tempo pode ser “deformado”, tanto na frente quanto atrás de uma nave espacial.

No universo ficcional de Star Trek, a dobra espacial (ou “warp drive”, em inglês) é uma forma de propulsão mais rápida que a luz, geralmente representada como sendo capaz de impulsionar uma espaçonave ou outros objetos a muitos múltiplos da velocidade da luz, ao mesmo tempo em que evita os problemas associados a dilatação do tempo.

Esse mecanismo tira proveito de um “truque cosmológico” que permite a expansão e contração do espaço-tempo, e poderia permitir viagens hiper-rápidas entre destinos interestelares. Essencialmente, o espaço vazio atrás de uma nave seria feito para poder expandir-se rapidamente, empurrando a nave para a frente. Eventuais passageiros perceberiam isso como movimento, apesar da completa falta de aceleração. White especula que isso poderia resultar em “velocidades” que poderiam levar uma nave espacial para Alfa Centauri (o sistema estelar mais próximo de nós) em apenas duas semanas, mesmo que o sistema esteja a 4,3 anos-luz de distância. A título de comparação, com a nave espacial mais rápida do mundo existente atualmente, a sonda Helios-2, o trajeto a Alfa Centauri levaria 19.000 anos.

Mas como? - Com nossas tecnologias de propulsão atuais, o voo interestelar é impossível. Algumas tecnologias experimentais, como propulsores de íons ou naves explodindo bombas atômicas na cauda, oferecem esperança, mas simplesmente não são práticas. Isso porque elas exigem quantidades enormes de combustível e de massa para chegar a qualquer estrela próxima, depois de décadas ou até mesmo séculos de viagem. O que a nova proposta tem de diferente, ou seja, de melhor que as outras? Ela oferece um meio de chegar a um destino distante de forma bastante rápida, sem quebrar nenhuma lei da física, e ainda tem o potencial de solucionar o problema da energia (da quantidade exorbitante necessária hoje para alcançarmos lugares tão além do nosso planeta).

Bolha de dobra - Em termos de mecânica do motor, a ideia depende basicamente de um objeto esferoide colocado entre duas regiões do espaço-tempo (uma expansão e uma contratação). Uma “bolha de dobra” geraria o que se move no espaço-tempo ao redor do objeto, efetivamente reposicionando-o. O resultado final seria viagem com velocidade mais rápida do que a luz, sem o objeto esférico (a nave espacial) ter que se mover com respeito à sua estrutura local de referência. Ou seja, através da criação de uma “bolha de dobra”, o motor da nave irá comprimir o espaço à frente e expandir o espaço atrás de si, movendo-o para um outro lugar sem sofrer nenhum dos efeitos adversos dos métodos de viagem mais rápida que a luz.  Nada localmente excede a velocidade da luz, mas o espaço pode se expandir e contrair em qualquer velocidade”, explica White.

Dificuldades - Ainda assim, criar esse efeito de expansão e contração do espaço-tempo de forma a chegarmos a destinos interestelares em períodos de tempo razoáveis exige muita energia. Avaliações iniciais sugeriam quantidades de energia monstruosas, basicamente iguais à massa-energia do planeta Júpiter (que é de 1,9 × 10 elevado a 27 quilos ou 317 massas terrestres). Como resultado, a ideia tinha sido posta de lado no passado. Mesmo que a natureza permitisse uma velocidade de dobra, nunca seríamos capazes de criá-la. No entanto, White afirma que, com base na análise que fez nos últimos 18 meses, pode haver esperança. A chave, segundo ele, pode estar em alterar a geometria da dobra espacial propriamente dita. White percebeu que, se otimizasse a espessura da bolha de dobra (mudando sua forma de anel para uma forma de rosca), e oscilasse sua intensidade para reduzir a rigidez do espaço-tempo, poderia reduzir a energia necessária para fazê-la funcionar.

White ajustou a forma de anel feita inicialmente por Alcubierre, transformando o esferoide de algo que parecia um halo plano para algo mais grosso e curvo. O novo design pode reduzir significativamente a quantidade de matéria necessária; White diz que a velocidade de dobra pode ser alimentada por uma massa ainda menor do que a sonda Voyager 1. A redução da massa de um planeta do tamanho de Júpiter a um objeto que pesa apenas 725 kg redefiniu completamente a plausibilidade do projeto. Essa plausibilidade é muito interessante, mas ainda é teórica. Agora, White e a equipe da NASA buscam provar que o conceito pode ser prático. Para tanto, eles estão fazendo diversos testes, como a medição das perturbações microscópicas no espaço-tempo a partir de uma versão modificada do interferômetro de Michelson-Morley. Ou seja, os pesquisadores estão tentando simular uma bolha de dobra em miniatura usando lasers para perturbar o espaço-tempo.

“Pilha de Chicago” - E então: uma nave que viaja além da velocidade da luz sem perturbar as leis do universo pode ou não ser construída?  Matematicamente, as equações de campo preveem que isso é possível, mas ainda temos que reduzir esta ideia à prática”, afirma White. Ou seja, antes de dizermos que tal coisa é possível, precisamos de algo chamado de “prova de existência”, que White apelidou de “Pilha de Chicago”, em uma referência a um grande exemplo prático. No final de 1942, a humanidade ativou o primeiro reator nuclear do mundo em Chicago (EUA), gerando meio Watt, energia que não era suficiente para alimentar uma lâmpada – mas foi uma prova de que ele era possível. Pouco menos de um ano depois, nós ativamos um reator que gerava energia suficiente para abastecer uma pequena cidade. White está confiante. “Esta brecha na relatividade geral nos permite ir a lugares de forma muito rápida, medida da mesma forma por observadores na Terra e observadores a bordo do navio – viagens medidas em semanas ou meses ao invés de décadas e séculos”, disse. Só que, no momento, a realização de tal projeto está no “modo de ciência”. “Eu não estou pronto para discutir a proposta muito além da matemática e de abordagens modestas controladas em laboratório”, conclui.
Fonte: http://hypescience.com
[io9, USSOrbiter]

Imagens do buraco negro do centro da Via Láctea

Buraco negro do centro da Via Láctea, com destaques mostrando antes, durante e depois de uma erupção
Crédito da imagem: NASA, JPL-Caltech, NUSTAR projeto
A seguros 27 mil anos-luz de distância da Terra, no centro da nossa galáxia, há um buraco negro com uma massa 4 milhões de vezes maior do que a do sol. Conhecido como Sagittarius A* (A* lê-se “A-star”), esse gigante é, felizmente, menos voraz do que buracos negros do centro de outras galáxias. Apesar disso, de vez em quando ele entra em atividade intensa. Recentemente, o telescópio espacial NuSTAR capturou imagens de uma erupção que durou várias horas. O aparelho, lançado em junho deste ano, foi o primeiro a dar imagens focadas (a partir de raios-X) dos arredores deste buraco negro. O material sugado pelo Sagittarius A* atinge temperaturas superiores a 100 milhões de graus Celsius e velocidades próximas às da luz. A imagem maior de raios-X em destaque cobre uma região com cerca de 100 anos-luz de largura. Nela, a área mais brilhante contém o material mais quente e mais próximo do centro do buraco negro, enquanto a nuvem rosada ao redor é, acredita-se, formada por restos de uma supernova.
Fonte: Nasa

Pesquisador afirma que o Universo cresce do mesmo modo que um cérebro gigante

Uma nova simulação de computador mostrou que o Universo pode estar crescendo como um cérebro gigante. É o que afirma um estudo publicado na revista Nature’s Scientific Reports. Ele sugere que algumas leis fundamentais e desconhecidas podem determinar o crescimento de sistemas grandes e pequenos, da descarga elétrica entre neurônios e o crescimento de redes sociais à expansão de galáxias. O coautor do estudo, Dmitri Krioukov, físico na Universidade da Califórnia em San Diego, afirma em entrevista ao portal Live Science que “a dinâmica do crescimento natural é a mesma para diferentes redes reais, como a internet e nosso cérebro ou redes sociais”. De acordo com o estudo, uma única lei fundamental da natureza pode estar guiando essas redes, segundo o físico Kevin Bassler, da Universidade de Houston (que não participou do estudo). “À primeira vista, eles parecem sistemas bem diferentes, a questão é, há algum tipo de lei controladora que possa descrevê-los?”, questionou ele. Só de levantar esta pergunta, elas já fazem uma importante contribuição, segundo o físico.

A similaridade das redes
De acordo com estudos passados, os circuitos do cérebro e a internet se parecem. “Mas ninguém desenvolveu nenhum tipo de equação para prever com precisão exata como redes de computador, circuitos do cérebro e redes sociais cresceram com o tempo”, disse Dmitri. As equações da relatividade de Einstein ajudam a explicar como a matéria deforma os tecidos do espaço-tempo. Com isso, os físicos conseguem estimar o nascimento do universo, há 14 bilhões de anos, e entender como ele se expandiu desde então. O que Dmitri e sua equipe questionam é se o crescimento acelerado não poderia nos trazer algumas informações importantes para entendermos como redes sociais e os circuitos dos cérebros se expandem.

Neurônios e galáxias possuem conexões?
A simulação de computador da equipe quebrou o Universo nas menores partículas possíveis – ‘quanta’ de espaço-tempo mais minúsculas que as partículas subatômicas. A simulação ligou qualquer quanta em uma rede gigante celestial que estavam causalmente relacionados – ou seja, estavam próximos. Se uma pessoa bate com um taco de beisebol na Terra, as ondulações resultantes não chegarão a nenhuma possível raça alienígena, em uma galáxia distante, em um período de tempo razoável – logo, essas duas regiões do espaço-tempo não estão causalmente relacionadas. Conforme a simulação avança, mais espaço-tempo era adicionado à história do universo, e então suas conexões de “rede” entre a matéria nas galáxias cresceu também, segundo Dmitri.

Quando a equipe comparou a história do Universo com o crescimento de redes sociais e circuitos cerebrais, eles descobriram similaridades entre o crescimento de todas essas redes. Eles equilibraram ligações entre ‘quantas’ similares com os que já tinham várias conexões. Vamos exemplificar: imagine um amante de gatos navegando na internet. Ele deve acessar grandes sites como o Google em sua busca, mas vai também acessar sites dedicados a gatos ou vídeos dos bichanos no YouTube. Da mesma maneira, neurônios vizinhos uns aos outros tendem a se conectar, mas eles também se ligarão a “neurônios Google” que estão ligados a inúmeros outros neurônios.  Dmitri não acredita que esta estranha similaridade seja apenas uma coincidência. “Para um físico, é um sinal imediato de que está faltando alguma compreensão de como a natureza funciona. Este resultado sugere que talvez nós devêssemos começar a procurar por ele”, disse o pesquisador.
Fonte: http://jornalciencia.com

Henize 70 – Uma Superbolha na Grande Nuvem de Magalhães

Henize 70 (também conhecida como N70 e DEM301) é uma superbolha brilhante com aproximadamente 300 anos-luz de diâmetro dentro da Grande Nuvem de Magalhães (uma galáxia satélite da nossa Via Láctea), localizada a aproximadamente 160000 anos-luz de distância na constelação do hemisfério sul de Dorado. As superbolhas são grandes bolhas de gás interestelar, são infladas por ventos gerados por estrelas quentes e massivas e por explosões de supernovas, e seus interiores são preenchidos com um tênue gás quente em expansão. No centro da Henize 70 existe um pequeno grupo de estrelas quentes e massivas.  Algumas dessas estrelas estão perdendo massa de forma rápida e seus ventos estelares soprados de suas superfícies atingem velocidades próximas a 4000 quilômetros por segundo.

Pelo fato da vida das estrelas massivas ser medida em somente dezenas de milhões de anos, depois de uma supernova ter varrido uma bolha ao redor de si mesma, não se tem tempo suficiente para o meio interestelar preencher novamente a cavidade antes que outras estrelas explodam na mesma região. Cada supernova subsequente irá rejuvenescer a cavidade deixada pela anterior. Essas superbolhas fornecem aos astrônomos uma excelente oportunidade de explorar a conexão existente entre o ciclo de vida das estrelas e a evolução das galáxias. Essa imagem mostra uma composição tricolor da Henize 70 com base em frames de CCD obtidos com o instrumento FORS2 em Novembro de 1999.
Fonte: http://cienctec.com.br/wordpress/
http://annesastronomynews.com

Astroteologia: breve introdução


Nós, humanos, somos seres limitados. Criativos e inovadores, conseguimos ampliar em muito a nossa compreensão do mundo por meio da aplicação diligente da razão e, complementarmente, das artes. Isso porque, se a ciência e as artes têm algo em comum, é justamente a tentativa de estender nossa visão de mundo, de ampliar as fronteiras do conhecimento, revelando aspectos inusitados do real. Um teorema e um poema são reflexões do possível, seja o concreto ou o onírico. A imaginação lança mão de todos os recursos à sua disposição para dar sentido à existência. Talvez seja por isso que o teólogo americano Reinhold Niebuhr escreveu que "o homem é o seu maior problema". Nossas filosofias, ciências e religiões são tentativas de compreender a existência apesar de nossa miopia, isto é, de nossas limitações sobre o que vemos e entendemos.

Nessa busca, não é coincidência que a crença religiosa funcione como uma bússola para tantas pessoas. Como explicar a origem do Universo? Ou da vida? Ou por que temos uma mente capaz de refletir sobre essas questões complexas?  Tais questões são, hoje, parte da pesquisa científica de ponta. Vivemos numa época peculiar, em que o que antes era província exclusiva da religião faz parte do discurso rotineiro da ciência. Porém, por não termos ainda respostas, essas questões continuam nos assombrando. Talvez um dos dilemas da humanidade seja a angústia de poder contemplar o divino sem sê-lo. Temos a capacidade de imaginar a perfeição, a ausência de dor, a imortalidade; mas, tirando a ficção e a fé, não temos como transcender nossa realidade carnal, os limites temporais e espaciais. Ou será que temos?

Considerando que a ciência moderna tem apenas quatro séculos (marcando seu início com Kepler e Galileu), e percebendo o quanto já fizemos em tão curto prazo, imagine o que nos espera em mil anos? Ou 10 mil anos, se, claro, não nos destruirmos antes disso. A ciência nos permite já uma manipulação dos genes de criaturas, a ponto de podermos modificar o que comemos e mesmo alcançar curas diversas. Extrapolando a expansão tecnológica para o futuro, alguns afirmam que, em algumas décadas, chegaremos a um ponto em que nossa hibridização com máquinas será tão profunda que não poderemos mais nos dissociar delas. Caso essas previsões se concretizem -e, a meu ver, já estão ocorrendo-, seremos, como escrevi aqui recentemente, uma nova espécie, além do humano.

Agora imagine que, tal como nós, outras criaturas inteligentes em algum canto da galáxia descobriram a ciência. Só que o fizeram, digamos, 1 milhão de anos antes de nós, o que em termos cósmicos não é nada. Essas criaturas teriam se transformado completamente ao se hibridizar com máquinas. Seriam, talvez, apenas informação, existindo em campos energéticos no espaço. Teriam o poder de criar vida, escolhendo suas propriedades. Poderiam, por exemplo, ter nos criado, ou a alguns de nossos antepassados, como parte de um experimento. Poderiam, por exemplo, estar nos observando, como nós observamos animais no zoológico ou no laboratório. Essas entidades imateriais, mas existentes, seriam nossos criadores. Seriam eles deuses, mesmo se não sobrenaturais?
Créditos: Marcelo Gleiser - professor de física e astronomia do Dartmouth College, em Hanover (EUA).

Descoberto buraco negro com massa de 17 bilhões de sóis

O buraco negro NGC 1277 é a pequena galáxia no centro da imagem e, comparada com as demais ao redor, é compacta e achatada.Foto: David W. Hogg/Michael Blanton/SDSS Collaboration/Divulgação
Astrônomos utilizaram o telescópio Hobby-Eberly (HET, na sigla em inglês), no Texas (EUA), para descobrir a massa do que pode ser o buraco negro mais massivo já conhecido - com 17 bilhões de vezes a massa do Sol. A descoberta foi divulgada nesta quarta-feira na revista especializada Nature. O "monstro" fica na galáxia NGC 1277, a 220 milhões de anos-luz da Terra, e é responsável pelo equivalente a 17% da massa dela. Esta galáxia e outras observadas podem mudar as teorias sobre a formação de buracos negros e a influência em suas galáxias, afirmam os cientistas. NGC 1277 tem apenas 10% da massa da Via Láctea, o que deixa o achado ainda mais estranho.

"É realmente uma galáxia excêntrica", diz Karl Gebhardt, da Universidade do Texas em Austin. "É praticamente toda buraco negro. Este pode ser o primeiro objeto em uma nova classe de sistemas galáxias-buracos negros". O tamanho do gigantesco buraco negro é o equivalente a 11 vezes o diâmetro da órbita de Netuno - o último planeta do Sistema Solar - ao redor do Sol. "Atualmente, existem três (teorias de) mecanismos completamente diferentes que reivindicam a explicação para a ligação entre a massa de buraco negro e as propriedades de suas galáxias hospedeiras.

Nós não entendemos ainda qual dessas teorias é melhor", diz Remco van den Bosch, líder do estudo, que começou o estudo na universidade americana e atualmente está no Instituto Max Planck de Astronomia, em Heidelberg, na Alemanha. O maior problema é a falta de dados, já que se conhece a massa de menos de 100 buracos negros - e descobri-las é uma tarefa difícil, pois é necessário muito tempo para se fazer as observações. Para descobrir a massa do buraco negro de NGC 1277, os astrônomos utilizaram observações anteriores do Hubble, que mediu a luminosidade a diferentes distâncias de seu centro, com novas feitas pelo HET. Ao colocar os dados em modelos através de supercomputadores, o resultado foi 17 bilhões de massas solares, muito mais que o esperado.
Fonte: TERRA

28 de nov de 2012

LH 95 – Um Berçário Estelar na Grande Nuvem de Magalhães

A LH 95 é um berçário estelar com aproximadamente 150 anos-luz de diâmetro, localizada na Grande Nuvem de Magalhães, a aproximadamente 160000 anos-luz de distância na constelação do sul de Dorado. A LH 95 é apenas um dos centenas de sistemas de formação de estrelas, chamado de associações, localizado na Grande Nuvem de Magalhães. Essa pequena galáxia satélite da via Láctea tem uma quantidade relativamente pequena de elementos mais pesados do que o hidrogênio que dá aos astrônomos uma ideia sobre a formação de estrelas em ambientes diferentes da nossa Via Láctea.

Uma vez que as estrelas massivas, com no mínimo 3 vezes a massa do Sol, se formam, elas geram fortes ventos estelares e altos níveis de radiação ultravioleta, que ioniza o gás interestelar ao redor. O resultado é uma nebulosa de hidrogênio brilhante que irá se expandir na nuvem molecular que originalmente colapsou para formar essas estrelas. A névoa azul vista nessa imagem ao redor da LH 95 é na verdade parte dessa nebulosa brilhante, conhecida como DEM L 252. Algumas partes densas dessa região de formação de estrelas não foram completamente erodidas pelos ventos estelares e podem ainda ser vistas como filamentos escuros empoeirados na imagem. Essas linhas de poeira absorvem parte da luz azul das estrelas atrás delas, fazendo com que pareçam mais avermelhadas.

Outras parte da nuvem molecular já tinham se contraído para transformar grupos brilhantes de estrelas infantis, a mais apagada delas tem uma alta tendência para o aglomerado. Existem no mínimo dois aglomerados compactos com esses grupos, um a direita, acima do centro da imagem e outro à esquerda. Esses berçários estelares abrigam centenas de estrelas recém nascidas de baixa massa. Essas estrelas também tem sido encontradas na parte principal da LH 95 entre seus membros estelares mais brilhantes.

Normalmente somente as estrelas mais brilhantes, azuis e massivas na região de formação de estrelas são visíveis, mas essa imagem foi feita em alta resolução e em cores específicas que muitas estrelas recentemente formadas que são mais amarelas, mais apagadas e manos massivas mas que também são discerníveis.

Um total de mais de 2500 estrelas pré-sequência principal com massas menores que 0.3 massas solares tem sido contadas na LH 95, dando uma imagem detalhada de como deve ser uma típica associação estelar na Grande Nuvem de Magalhães. Essa imagem foi feita com a Advanced Camera for Surveys a bordo do Telescópio Espacial Hubble. Ela é uma composição de dois filtros que localizam a luz visível e infravermelha. Pelo fato da cor escolhida, o hidrogênio ionizado, que é visível dentro do filtro de luz visível, aparece azulado. A escolha das cores ajuda a distinguir as estrelas azuis brilhantes das estrelas vermelhas menos luminosas e mais frias.
Fonte: http://cienctec.com.br
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Big Bang: Retrato de bebê


O mapa mais antigo do Universo foi feito em 1992, pelo radiotelescópio orbital Cobe (abreviatura do inglês Cosmic Background Explorer, ou Explorador do Fundo Cósmico). Na época, com a sua precisão considerada extraordinária, capturou diferenças minúsculas na radiação cósmica de fundo (leia na página ao lado). Em resumo: o Cobe “fotografou” o brilho do Big Bang, o momento mais próximo à origem do Universo. Onze anos depois, o que já era fantástico ficou ainda mais impressionante para os olhos humanos com o mapa montado pela sonda WMAP (Wilkinson Microwave Anisotropy Probe, ou Sonda Wilkinson de Medida da Anisotropia em Microondas), da Nasa.

 Foi como se os astrônomos tivessem passado uma década olhando para uma fotografia fora de foco e, de repente, recebessem a mesma imagem centenas de vezes mais nítida. Para os leitores de publicações científicas, os mapas do Cobe e da WMAP proporcionaram uma visão espetacular do nosso mundo. Para os cientistas, solidificaram as convicções a respeito do Big Bang, a teoria de que o Universo começou a se expandir depois de uma grande explosão. “A possibilidade de o Big Bang ser descartado em favor de um outro modelo é, na prática, nula”, afirma o astrofísico Ivo Busko, do Space Telescope Science Institute (STSci), nos Estados Unidos.

O impacto da descoberta extrapola os debates acadêmicos. Segundo Busko, os resultados da WMAP, somados aos do telescópio espacial Hubble e de telescópios terrestres gigantes como VLT, Keck, Gemini e VLBA, mudaram completamente o caráter da cosmologia observacional. Antes, essa ciência contentava-se em obter medidas com erros de 50% a 100%. Agora, pode-se testar modelos cosmológicos com erros mínimos, na casa de algumas unidades percentuais. “Isso está gerando um enorme progresso no estudo do Universo”, diz Busko. Graças ao mapa da WMAP, os cientistas puderam, enfim, cravar a idade do Universo, com uma margem de erro de mero 1%: 13,7 bilhões de anos. Calcularam também que as primeiras estrelas surgiram 200 milhões de anos após o Big Bang.

O impacto da descoberta
Os mapas celestes revelaram a infância do cosmo. Também permitiram cravar a idade do Universo em 13,7 bilhões de anos. Cada vez mais, os cientistas acreditam que tudo começou com uma explosão: o Big Bang

O passado em ondas
Radiação de microondasrevela segredos do Universo

O Universo está repleto de radiação de microondas liberada nos seus primórdios. Chamada de radiação cósmica de fundo, surgiu quando elétrons e prótons se juntaram para formar os primeiros átomos de hidrogênio, o elemento mais abundante no cosmo. Essa radiação foi prevista pelo físico russo George Gamow nos anos 40 e observada duas décadas depois pelos astrofísicos americanos Arno Penzias e Robert Wilson. O mapeamento feito pela sonda WMAP indica que esse processo aconteceu 380 000 anos após o Big Bang. Como o Universo tem 13,7 bilhões de anos, a WMAP conseguiu revelar a infância cósmica. A sonda não registrou o céu como uma câmera fotográfica, mas captou ondas de rádio de diferentes direções enquanto girava no espaço. O processamento desses dados permitiu verificar as variações de temperatura da radiação de fundo, com diferenças de apenas milionésimos de grau entre as diversas regiões do Universo. A temperatura varia conforme a distribuição de matéria. Quanto mais matéria presente, mais energia a radiação precisa gastar para escapar de sua atração gravitacional, tendendo ao vermelho. A cor puxa para o violeta onde há menos matéria.
Fonte: http://super.abril.com.br

A linha do tempo do universo

O que você sabe sobre a história do universo? Conheça a linha do tempo do mundo em que vivemos, desde o passado mais remoto até o futuro mais remoto ainda:
O Big Bang - O universo passa por uma “inflação” super-rápida, expandindo do tamanho de um átomo para o tamanho de uma laranja em uma fração minúscula de tempo (10^-43 segundos). É o chamado “Tempo de Planck” ou “Era de Planck”. A matéria só pode ser descrita segundo as leis da Mecânica Quântica, mas o universo tem que ser descrito pela Teoria da Relatividade, por causa da extrema densidade e gravidade. Não dá para definir “antes” e “depois” sem ambiguidades. As noções tradicionais de “espaço” e “tempo” não servem para descrever a realidade.

Quarks e Elétrons - O universo é muito quente para que os quarks se combinem. Esta “sopa” de quarks, elétrons e outras partículas existe nos primeiros 10^-32 segundos. A temperatura do universo está em torno de 10^27 graus Celsius.

Prótons e Nêutrons - Um milionésimo de segundo depois do Big Bang, o universo resfria rapidamente, e os quarks começam a se combinar em prótons e nêutrons. As interações fundamentais da gravitação, o eletromagnetismo e as forças nucleares forte e fraca tomam a forma que têm hoje.

Os três primeiros minutos - Nos três primeiros minutos, o universo ainda é quente demais para formar átomos. Os elementos que existem – hidrogênio, hélio e lítio – estão ionizados (sem elétrons), e as partículas carregadas – elétrons e prótons – impedem que a luz brilhe: o universo é um nevoeiro superquente.

A era da matéria - Até cerca de 300.000 anos depois do Big Bang, a energia na matéria e a energia na radiação são iguais. Conforme a expansão prossegue, as ondas de luz são esticadas para energias cada vez menores, enquanto a matéria viaja praticamente sem ser afetada. Mais ou menos nesta época, os átomos neutros são formados, quando os elétrons se ligam com os núcleos de hidrogênio e hélio.  A radiação cósmica de fundo reflete esta época, e nos dá uma imagem da distribuição da matéria neste tempo.

A Via Láctea
É muito difícil definir a idade da Via Láctea, mas a estrela mais velha descoberta na galáxia, HE 1523-0901, tem cerca de 13,2 bilhões de anos. Ela se formou cerca de 0,5 bilhões de anos depois do Big Bang. 300 milhões de anos depois do Big Bang, a gravidade amplifica as pequenas irregularidades na densidade do gás primordial. Enquanto o universo expande, bolsões de gás se tornam mais e mais densos. As estrelas começam a queimar nestes bolsões, e grupos de estrelas se tornam as primeiras galáxias. São os pequenos pontos azuis no Campo Profundo do Hubble.

O sol - O sol é a estrela no centro do nosso sistema solar. Todos os planetas (incluindo a Terra), asteroides, meteoroides, cometas e poeira orbitam o sol. O sol foi formado cerca de 4,57 bilhões de anos atrás, quando uma nuvem de hidrogênio molecular entrou em colapso em um dos braços espirais da Via Láctea. Um disco imenso de gás e detritos que gira em torno da nova estrela dá origem aos planetas, luas e asteroides.

A Terra - A Terra, também conhecida como Planeta Azul, é o lar de milhões de espécies, incluindo a espécie humana. A Terra é o único lugar do universo que sabemos ter vida. Os primeiros organismos vivos povoaram o planeta cerca de 3,5 bilhões de anos atrás.

Animais primitivos - 700 milhões de anos atrás, surgiram os primeiros animais. A maioria era vermes, águas-vivas e algas. 570 milhões de anos atrás, um grande número de criaturas com casca dura aparece em poucas centenas de milhares de anos.

O primeiro mamífero - Há cerca de 200 milhões de anos aparecem os primeiros mamíferos, uma espécie que se separa dos répteis, apresentando mandíbula segmentada e uma série de ossos que fazem o ouvido interno.

Os dinossauros desaparecem - Um asteroide ou cometa atinge o norte da Península do Yucatán, no México. Um cataclismo global acaba com a longa era dos dinossauros, dando aos mamíferos uma oportunidade para se diversificar e expandir seu domínio.

Evolução do Homo sapiens - Nossos ancestrais mais antigos evoluíram na África, a partir de uma linhagem de criaturas descendentes de macacos.

Supernova 1987A explode - 170.000 anos atrás, uma estrela explode em uma galáxia anã conhecida como Grande Nuvem de Magalhães, logo ao lado da Via Láctea. Era uma supergigante azul 25 vezes mais massiva que o Sol.

Início da Era dos Buracos Negros

Esta era se estenderá até os 10 mil trilhões de trilhões de trilhões de trilhões de trilhões de trilhões de trilhões de trilhões de anos depois do Big Bang (10^100 anos). Depois da era do decaimento dos prótons, os únicos objetos estelares restantes serão buracos negros, de massas bem diferentes, que estarão evaporando ativamente.
 
Gigante Vermelha - O sol não tem massa suficiente para explodir como supernova. Em vez disso, em cerca de 5 bilhões de anos ele vai entrar na fase de gigante vermelha. Nesta fase, o sol vai lentamente esfriar e desvanecer em uma Anã Branca depois de bilhões de anos. É nesta época que a colisão da Via Láctea com Andrômeda vai acontecer.

Fim da Era Estelar - 100 trilhões de anos no futuro, o universo deve expandir tanto a ponto de por um fim à era estelar. A maior parte da energia gerada no universo virá de estrelas queimando hidrogênio e outros elementos em seus núcleos.

Era Degenerada - De 100 trilhões a 10 trilhões de trilhões de trilhões de anos após o Big Bang (10^37 anos), toda a matéria deve estar presa em estrelas degeneradas (as que entraram em colapso e se tornaram buracos negros ou estrelas de nêutrons, ou então em anãs brancas). A energia desta era será gerada pelo decaimento dos prótons e a aniquilação de partículas.

Era escura - Os prótons decaíram, os buracos negros evaporaram. Só sobraram os restos destes processos: fótons com comprimento de onda colossal, neutrinos, elétrons e pósitrons. O universo, como conhecemos, foi dissipado.
Fonte: hypescience.com

NGC 1977, a nebulosa do homem correndo no espaço

Você consegue enxergar um homem correndo nesta imagem? Bem, astrônomos conseguiram. É por esse motivo que a NGC 1977 ficou conhecida como a nebulosa “Running Man” (ou nebulosa do Homem Correndo). Essa nebulosa de reflexão está localizada a 35° ao norte da M42, a Grande Nebulosa de Órion. Ela é visível a olho nu, distante e difusa no céu, perto das três estrelas que formam o Cinturão de Órion. A grande parte azul da imagem é a luz das estrelas vizinhas refletidas em NGC 1977. A reflexão contrasta nitidamente com o avermelhado e com as grossas nuvens escuras de poeira situadas entre a NGC 1977 e Grande Nebulosa de Órion.
Fonte: hypescience.com

Descoberta maior ejeção de matéria de um buraco negro

Novas observações do ESO revelam o mais poderoso jato de quasar alguma vez encontrado
Impressão artística de um enorme jato de matéria ejetado pelo quasar SDSS J1106+1939. Créditos: SO/L. Calçada

Os astrónomos utilizaram o Very Large Telescope do ESO (VLT) para descobrir um quasar com o jato mais energético alguma vez observado, com pelo menos cinco vezes mais energia do que qualquer outro observado até à data. Os quasares são núcleos galácticos extremamente brilhantes, alimentados por um buraco negro de elevada massa. Muitos deles libertam enormes quantidades de material para as galáxias hospedeiras, sendo que esta expulsão de matéria desempenha um papel fundamental na evolução das galáxias. No entanto e até agora, os jatos dos quasares observados não eram tão potentes como previsto pela teoria.

Os quasares são centros de galáxias distantes muito luminosos, alimentados por enormes buracos negros. Este novo estudo observou um destes objetos energéticos - conhecido por SDSS J1106+1939 - com todo o pormenor, utlizando o instrumento X-shooter, montado no VLT do ESO, no Observatório do Paranal, no Chile. Embora os buracos negros sejam conhecidos por atraírem material, a maioria dos quasares também acelera alguma desta matéria em torno de si mesmo, ejetando-a depois a altas velocidades.
 
"Descobrimos o jato de quasar mais energético conhecido até à data. A taxa à qual a energia é dissipada por esta enorme massa de material ejetado a altas velocidades pelo SDSS J1106+1939 é, pelo menos, equivalente a dois biliões de vezes a energia libertada pelo Sol, o que é, por sua vez, cerca de 100 vezes mais do que a energia total libertada pela galáxia da Via Láctea - é, de facto, um jato monstruoso," diz o chefe da equipa Nahum Arav (Virginia Tech, EUA). "Esta é a primeira vez que um jato de quasar mostra ter as altas energias previstas pela teoria."
 
Muitas simulações teóricas sugerem que o impacto destes jatos nas galáxias que os rodeiam pode resolver vários enigmas da cosmologia moderna, incluindo como é que a massa de uma galáxia se encontra ligada ao seu buraco negro central, e porque é que existem tão poucas galáxias muito grandes no Universo. No entanto, até agora permanecia incerto se os quasares conseguiam ou não produzir jatos de matéria suficientemente poderosos para dar origem a estes fenómenos.

O novo jato recentemente descoberto situa-se a cerca de mil anos-luz de distância do buraco negro de elevada massa, no coração do quasar SDSS J1106+1939. Este jato é, pelo menos, cinco vezes mais energético do que o último detentor do recorde. A análise efectuada pela equipa mostra que uma massa de aproximadamente 400 vezes a do Sol, liberta-se deste quasar, por ano, deslocando-se a uma velocidade de 8000 quilómetros por segundo. Não teríamos podido obter os dados de alta qualidade necessários a esta descoberta sem o espectrógrafo X-shooter," diz Benoit Borguet (Virgina Tech, EUA), autor principal do novo artigo científico que descreve os resultados. "Pela primeira vez conseguimos explorar a região em torno do quasar com grande detalhe.
 
Para além do SDSS J1106+1939, a equipa observou também um outro quasar e descobriu que ambos os objetos possuem jatos poderosos. Uma vez que estes são exemplos típicos de um tipo de quasares, comum mas pouco estudado até agora, estes resultados devem poder aplicar-se, de modo geral, aos quasares luminosos em todo o Universo. Borguet e colegas estão atualmente a estudar uma dúzia de objetos similares para ver se este é efetivamente o caso. Há mais de uma década que procuro algo deste género," diz Nahum Arav, "por isso é muito excitante encontrar finalmente um destes jatos monstruosos, previstos pela teoria!"
Fonte: http://www.eso.org/public/

Dois Caçadores de Planetas Capturados em La Silla

Créditos: ESO
Durante séculos, filósofos e cientistas especularam sobre a possibilidade da existência de planetas habitados fora do Sistema Solar. Hoje, esta ideia é mais do que especulação: foram descobertas muitas centenas de exoplanetas nas últimas duas décadas, por astrônomos em todo o mundo. Várias técnicas diferentes são utilizadas nesta busca de novos mundos. Nesta fotografia incomum dois telescópios, que usam dois destes métodos, foram capturados na mesma imagem: o telescópio de 3,6 metros do ESO, onde se encontra montado o espectrógrafo HARPS e o telescópio espacial CoRoT. A imagem foi obtida por Alexandre Santerne, um astrônomo que estuda exoplanetas.

O espectrógrafo High Accuracy Radial velocity Planetary Search (HARPS), o descobridor de planetas mais proeminente do mundo, é um instrumento que se encontra instalado no telescópio de 3,6 metros do ESO. Podemos ver a cúpula aberta deste telescópio, à esquerda na imagem, que aparece por trás da cobertura angular do New Technology Telescope. O HARPS descobre exoplanetas ao detectar pequenas variações no movimento de uma estrela, à medida que esta se desloca ligeiramente para trás e para diante sob o efeito da atração gravitacional do planeta em sua órbita: é o chamado método das velocidades radiais na procura de exoplanetas.

O tênue traço de luz que se vê alto no céu nesta exposição de 20 segundos, não é um meteoro mas sim o telescópio espacial CoRoT (sigla do inglês Convection Rotation and planetary Transits). O CoRoT procura planetas ao observar o decréscimo da radiação emitida por uma estrela, que ocorre quando um planeta passa na sua frente – o método do trânsito. A localização do telescópio espacial, situado acima da atmosfera terrestre, aumenta a precisão das observações ao remover o piscar das estrelas. Planetas potenciais encontrados pelo método do trânsito são seguidamente confirmados com o auxílio de técnicas complementares, tais como o método das velocidades radiais. De fato, na noite em que esta fotografia foi tirada, o HARPS estava a ser utilizado para seguir candidatos a exoplanetas detectados pelo CoRoT.

Em novembro de 2012, o CoRoT teve um problema no computador, com a consequência de que, embora se encontre operacional, não há maneira de acessar os dados do telescópio (ver as notícias da página da internet do CoRoT, ou por exemplo esteartigo de notícias da Nature). A equipe CoRoT ainda não desistiu do telescópio, encontrando-se no momento a tentar reavivar o sistema. Quer se consiga ou não, o fato é que a missão CoRoT foi já um grande sucesso! A sonda duplicou o seu tempo de vida inicialmente planejado, e foi a primeira sonda a descobrir um exoplaneta pelo método do trânsito. O CoRoT contribuiu de forma significativa, tanto na procura de exoplanetas como no estudo do interior das estrelas por astrosismologia.

A busca de exoplanetas ajuda-nos a compreender o nosso próprio sistema planetário e pode ser o primeiro passo na procura de vida fora da Terra. O HARPS e o CoRoT são apenas dois dos muitos instrumentos desenvolvidos para ajudar os astrônomos nesta procura. Alexandre submeteu esta fotografia ao grupo Flickr As Suas fotografias ESO. O grupo Flickr é revisto regularmente e as melhores fotos são seleccionadas para serem publicadas na nossa popular série Fotografia da Semana ou na nossa galeria. Em 2012, e no âmbito do 50º Aniversário do ESO que se celebra este ano, também aceitamos de bom grado as suas imagens históricas relacionadas com o ESO. Desde que submeteu esta fotografia, o Alexandre tornou-se também um Embaixador Fotográfico do ESO.

A NGC 6384 – Uma Galáxia Espiral Barrada em Ophiuchus

Crédito da imagem: ESA / Hubble e NASA
A NGC 6384 é uma galáxia do tipo espiral barrada com aproximadamente 150000 anos-luz de diâmetro, localizada a aproximadamente 80 milhões de anos-luz de distância da Terra na constelação de Ophiucus. Ela está se afastando de nós a uma velocidade de 1680 quilômetros por segundo. O posicionamento da NGC 6384 não muito distante do centro da Via Láctea no céu, significa que ela é de alguma forma obscurecida pela poeira e pelas estrelas da nossa galáxia. Combinado com o baixo brilho superficial da galáxia, a NGC 6384 é um alvo desafiante para os astrofotógrafos. A imagem acima, detalhada, mostra a região central da galáxia que tem aproximadamente 70000 anos-luz de largura.

 A imagem nítida mostra detalhes nos braços espirais azuis da galáxia e em seu núcleo amarelado. ainda assim, as estrelas visíveis na imagem acima estão todas em primeiro plano, dentro da nossa própria galáxia. As estrelas mais brilhantes da Via Láctea mostram cruzes notáveis, os chamados spikes de difração, causados pelo próprio telescópio. Enquanto muitas estrelas já estão a caminho do final de suas vidas na NGC 6384, no centro, a formação de estrelas está sendo alimentada pela estrutura barrada da galáxia. Os astrônomos acreditam que essas barras galácticas afunilam o gás, acumulando-o de modo a formar novas estrelas. Em 1971, nós pudemos testemunhar uma supernova do Tipo Ia na NGC 6384, que se destacou até mesmo contra as brilhantes estrelas do primeiro plano, quando uma de suas estrelas explodiu.

Uma supernova acontece quando uma estrela explode na fase final de sua vida. Uma supernova do Tipo Ia é o resultado da violenta explosão de uma estrela anã branca, uma estrela compacta que encerrou a fusão em seu núcleo. A anã branca aumenta sua massa além de um limite crítico aglutinando matéria de uma estrela companheira. Uma explosão nuclear faz com que a estrela repentinamente fique mais brilhante que toda a galáxia, antes dela gradativamente apagar. As explosões de supernovas estão enriquecendo o gás intergaláctico com elementos como oxigênio, ferro e silica, elementos esses que serão incorporados em novas gerações de planetas e estrelas. A imagem detalhada acima foi criada a partir de outras imagens feitas com o Wide Field Channel da Advanced Camera for Surveys do Telescópio Espacial Hubble. Uma imagem feita com um filtro azul (colorida em azul) foi combinada com uma imagem feita com o filtro do infravermelho próximo (colorida em vermelho).
Fonte: http://cienctec.com.br  
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27 de nov de 2012

Imagens térmicas de luas de Saturno lembram videogame Pac-Man

Registros da sonda Cassini foram feitos em 2010 e 2011 em Mimas e Tétis. Partes mais frias dos satélites são arroxeadas e as mais quentes, brancas.
Imagens térmicas feitas de duas luas de Saturno lembram Pac-Man (Foto: Nasa/JPL-Caltech/GSFC/SWRI)
 
A sonda Cassini, da agência espacial americana (Nasa), captou dados térmicos de duas luas de Saturno que lembram o personagem Pac-Man, criado para os consoles de videogame Atari nos anos 1980. Uma das imagens obtidas por raios infravermelhos é da lua Mimas, vista em fevereiro de 2010, e a outra, de setembro do ano passado, pertence a Tétis. As partes mais frias dos satélites estão em roxo e as mais quentes aparecem em branco. As temperaturas registradas em Tétis são extremamente frias, entre 203° C e 183° C negativos. Já em Mimas, a variação observada foi de -208° C a -178° C.

Os cientistas acreditam que essa forma de Pac-Man seja criada porque elétrons de alta energia bombardeiam regiões de baixa latitude do lado das luas voltado para a órbita de Saturno, o que transforma uma superfície macia em gelo duro compactado. Em Tétis, também há um bombardeio de partículas de gelo vindas de outra lua do planeta, chamada Encélado, o que contribui para alterar a superfície. "O sistema de Saturno – e até mesmo de Júpiter – poderia ser uma verdadeira galeria desses personagens", disse Carly Howett, principal autora de um artigo publicado recentemente no site da revista "Icarus".

"Encontrar um novo Pac-Man no sistema de Saturno revela que os processos que criam essas figuras são mais amplos que o imaginado", afirmou Linda Spilker, cientista da Cassini no Laboratório de Propulsão a Jato da Nasa, em Pasadena, na Califórnia. Segundo ela, observações futuras da sonda poderão mostrar outros fenômenos para ajudar a compreender a evolução das luas de Saturno e além dele. A variação de brilho em Tétis foi observada pela primeira vez pela sonda Voyager, da Nasa, em 1980. A missão Cassini-Huygens é um projeto cooperativo da agência espacial americana, da Agência Espacial Europeia (ESA) e da Agência Espacial Italiana (ASI).
Fonte: G1

Refinaria cósmica na nebulosa cabeça de cavalo

A distinta Nebulosa Cabeça de Cavalo na constelação de Orionte não é só um dos objectos favoritos dos astrofotógrafos por todo o mundo, é aparentemente também uma refinaria cósmica.Crédito: ESO
O que parece ficção científica é afinal realidade: usando o telescópio de 30 metros do Instituto para Radioastronomia para observações astronómicas no comprimento de onda milimétrica, os astrónomos detectaram, pela primeira vez, a molécula interestelar C3H+, na nossa Galáxia. Pertence à família dos hidrocarbonetos e é, portanto, parte dos recursos energéticos principais do nosso planeta, ou seja, petróleo e gás natural. A descoberta desta molécula no coração da famosa Nebulosa Cabeça de Cavalo na direcção da constelação de Orionte também confirma que esta região é uma activa refinaria cósmica. A Nebulosa Cabeça de Cavalo, a 1300 anos-luz da Terra, está localizada na constelação de Orionte, nesta altura do ano já visível nos nossos céus nocturnos. Devido à sua forma famosa e facilmente reconhecível, que deu o nome à nebulosa, é um dos objectos mais fotografados pelos astrónomos.

Mas a Nebulosa Cabeça de Cavalo é também um fantástico laboratório químico interestelar, onde o gás de alta densidade e a intensa luz estelar interagem continuamente e desencadeiam reacções químicas em muitos níveis. Usando o radiotelescópio de 30 metros perto do Pico del Veleta na Sierra Nevada, Espanha, o astrónomo Jérôme Pety e a sua equipa do IRAM (Institut de Radioastronomie Milimétrique) realizaram pela primeira vez um estudo sistemático da composição química da crina da Cabeça de Cavalo. O projecto internacional, denominado "Whisper", não teria sido possível sem as recentes actualizações técnicas dos instrumentos do telescópio. "No início, tal estudo compreensivo teria levado pelo menos um ano em observações. Agora nós podemos completar as medições após uma semana," afirma Arnaud Belloche do Instituto Max Planck para Radioastronomia. Isto abre novas possibilidades para a classificação dos diferentes tipos de gás no Universo, com base nas moléculas que contêm.
O radiotelescópio de 30 metros usado para as observações, localizado na Sierra Nevada.Crédito: IRAM
Na sua pesquisa actual, os cientistas foram capazes de detectar 30 moléculas na região, incluindo muitos hidrocarbonetos pequenos, as moléculas mais pequenas que compõem o petróleo e o gás natural. Os investigadores ficaram surpresos com os níveis inesperadamente elevados de hidrocarbonetos. "A nebulosa contém 200 vezes mais hidrocarbonetos do que a quantidade total de água na Terra!", afirma a astrónoma Viviana Guzman, também do IRAM. Além disso, um destes hidrocarbonetos de pequeno porte, o ião C3H+, foi observado pela primeira vez no espaço como parte deste estudo - embora este ião com carga positiva seja uma peça fundamental nas reacções químicas que ligam os hidrocarbonetos pequenos.

Mas como é que estes hidrocarbonetos são formados? No seu artigo, Jérôme Pety e colegas propõem que resultam da fragmentação de gigantes moléculas carbonáceas denominadas PAHs. Estas moléculas gigantes podem sofrer erosão graças à radiação ultravioleta, produzindo uma grande quantidade de hidrocarbonetos pequenos. Este mecanismo seria particularmente eficiente em regiões como a Nebulosa Cabeça de Cavalo, onde o gás interestelar está directamente exposto à luz de uma gigantesca estrela vizinha. "Observamos a operação de uma gigantesca refinaria natural de petróleo," conclui Jérôme Pety
Fonte: http://www.ccvalg.pt/astronomia
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