Velocidade Máxima

O anúncio parece bíblico, mas vem da ciência: o Universo nunca terá fim. Ele se expande num ritmo tão alucinante que continuará a crescer para sempre, mesmo depois que a luz de todas as galáxias se apagar.
Desde 1995, o astrofísico Mark Phillips e sua equipe do Observatório de Cerro Tololo, no alto dos Andes chilenos, vasculham o céu numa tentativa de responder a uma pergunta decisiva: a que velocidade o Cosmo se expande? Para isso, miram seus instrumentos para as supernovas, que nada mais são que estrelas explodindo. Como esses fenômenos chegam a brilhar mais do que mil galáxias juntas, podem ser vistas a distâncias genuinamente astronômicas. Vendo as supernovas de algumas galáxias, os cientistas notaram que umas se afastavam mais rapidamente do que outras. Daí, calcularam a velocidade de crescimento do Cosmo (entenda como na página seguinte). Há três meses, a equipe de Phillips anunciou sua conclusão bombástica, ou melhor, “bigbangástica”: o Cosmo se amplia num ritmo cada vez maior, tende a aumentar de tamanho cada vez mais depressa e, respire fundo, nunca terá fim. Phillips lança a sua profecia: “Nos próximos bilhões de anos, o mundo vai ficar gradualmente mais frio, mais escuro e mais vazio.” Logo após o Big Bang, que foi a explosão que deu origem ao Cosmo, ele crescia mais lentamente que hoje

Duas janelas abertas para o passado

A descoberta, este ano, de que as galáxias estão se afastando uma das outras em velocidade estonteante só foi possível devido a uma característica sensacional do Universo. Nele, tudo o que fica longe está também no passado. Imagine o Sol, que gira a cerca de 150 milhões de quilômetros da Terra. Então, como a luz do Sol demora 1 segundo para percorrer 300 000 quilômetros, ela vai demorar cerca 8 minutos e 30 segundos para chegar aqui. Ou seja, nós sempre estamos vendo o Sol alguns minutos no passado. Alfa centauri, que é a estrela mais próxima da Terra, situada a uns 40 trilhões de quilômetros, aparece sempre quatro anos no passado. Foi com essa noção na cabeça que o americano Mark Phillips e sua equipe começaram a investigar a taxa de crescimento do Cosmo. Eles já sabiam que o Cosmo está em expansão, ou seja, que todas as galáxias correm para longe umas das outras. Mas queriam decifrar o ritmo dessa expansão. Para isso, precisavam comparar a velocidade que as galáxias têm hoje com a velocidade que elas tinham há muitos bilhões de anos.

Mergulho profundo
O resto foi simples. Os astrônomos apontaram o telescópio de Cerro Tololo para galáxias relativamente próximas, pois assim estariam vendo uma região do Universo mais ou menos recente. Depois, procuraram grupos de estrelas o mais longe possível e deram um mergulho profundo na história do Cosmo.

Nessa primeira fase da investigação, o que os telescópios fizeram foi abrir duas janelas no tempo. Por uma delas, viam o espaço há 750 milhões de anos; pela outra, recuaram até 8,3 bilhões de anos atrás. Aí, veio o segundo passo da estratégia: medir a velocidade das galáxias em cada época e comparar. Ficou claro que o Universo, pouco a pouco, está apertando o passo. Ele está se acelerando, e tudo indica que a correria vai ficar gradativamente mais alucinante.

Para você ter uma idéia, é preciso pensar numa corrida cósmica da ordem de 500 milhões de quilômetros por hora. Esse valor não é exato, mas ajuda a imaginar a rapidez com que as galáxias começaram a fugir umas das outras, não muito tempo depois do nascimento do Cosmo. Não há dúvida, já é uma disparada de tirar o fôlego. Só que, de lá para cá, a velocidade ficou ainda maior, chegando a 550 milhões de quilômetros por hora.

Marco na história

Essa diferença, da ordem de 50 milhões de quilômetros por hora, estabelece um marco na história da ciência. Ela responde a uma incógnita central da cosmologia, que é a de saber, com todo o rigor, de que maneira o Universo evolui. Até o final do ano passado, valia a lei de Hubble – batizada em homanagem ao seu descobridor, o astrônomo americano Edwin Hubble –, segundo a qual a expansão cósmica deveria avançar com velocidade constante. Sem nenhuma aceleração. O grande mérito da equipe de Cerro Tololo foi esquadrinhar as lonjuras do espaço e mostrar que esse preceito básico precisa ser corrigido.
Créditos: Flávio Dieguez, em Cerro Tololo, Chile

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