27 de dez de 2012

O Aglomerado da Árvore de Natal

Crédito da imagem: NASA / Hubble Space Telescope
A Nebulosa do Cone é parte de um complexo de formação de estrelas muito maior e é mostrada na parte inferior da imagem acima com o aglomerado da Árvore de Natal, NGC 2264, acima do cone, como se fosse uma árvore invertida. A brilhante estrela um pouco acima do cone representa o topo da árvore e a estrela brilhante no topo da imagem é o centro do tronco da árvore. A Nebulosa da Pele de Raposa está no canto superior direito da imagem. A Nebulosa do Floco de Neve está no meio que é mostrado melhor em imagens infravermelhas. A forma de cone vem da nebulosa escura de absorção consistindo de hidrogênio molecular frio e poeira em frente da nebulosa de emissão apagada, contendo hidrogênio ionizado pela estrela S Monocerotis, a estrela mais brilhante do aglomerado NGC 2264. A nebulosa apagada tem aproximadamente sete anos-luz de comprimento e está a aproximadamente 2700 anos-luz de distância da Terra.
Fonte: http://www.dailygalaxy.com

Nebulosa NGC 3199


NGC 3199 situa-se a uns 12.000 anos-luz da Terra, uma brilhante nuvem cósmica na constelação do hemisfério Sul da Quilha. A nebulosa mede cerca de 75 anos-luz nesta esplêndida imagem a cores-falsas. Embora a imagem de céu profundo revele uma forma anular mais ou menos completa, na realidade parece mais abundante em baixo e à direita. Perto do centro do anel encontra-se uma estrela Wolf-Rayet, uma estrela massiva, quente e com pouco tempo de vida que gera um intenso vento estelar. De facto, sabe-se que as estrelas Wolf-Rayet criam nebulosas com formas interessantes pois os seus poderosos ventos arrastam o material interestelar da vizinhança. Neste caso, pensa-se que a fronteira brilhante indique uma região de choque produzida à medida que a estrela atravessava um novo meio, tal como um barco na água. Mas as medições mostraram que a estrela não está na realidade a mover-se na direcção deste limite. Por isso uma explicação mais plausível será que o material da estrela não é uniforme, mas amontoado e mais denso perto da zona mais brilhante de NGC 3199.
Astronomia On-Line

26 de dez de 2012

Ocultação de Júpiter pela Lua é registrada em São Vicente, SP

Ocultação também foi vista em várias partes do país nesta terça-feira (25). Fenômeno foi fotografado por vários moradores do litoral paulista.
O morador de São Vicente, no litoral de São Paulo, Marcos Vinicius dos Santos fotografou na noite desta terça-feira (25), o planeta Júpiter e a Lua em um processo bastante especial. A ocultação do planeta pela Lua foi um fenômeno que pôde ser visto em várias partes do país, como no Rio de Janeiro e São Paulo, além do sul da África. O ponto menor, ao lado da lua, é o maior planeta do Sistema Solar. (Foto: Marcos Vinicius dos Santos/Arquivo Pessoal)
O internauta passou várias horas observando o fenômeno, que aconteceu durante toda a madrugada desta quarta-feira (26). As imagens foram capturadas no bairro Vila Voturuá, em São Vicente. Júpiter pode ser visto do lado onde nasce o Sol desde meados de novembro. Como é um dos astros mais brilhantes do céu noturno, o gigante gasoso pode ser visto facilmente a olho nu.  (Foto: Marcos Vinicius dos Santos/Arquivo Pessoal)
Fonte: G1

Pesquisadores encontraram estrela-bebê considerada o “Santo Graal” do Sistema Solar

Uma estrela-bebê foi detectada por astrônomos logo antes de “nascer”.
A descoberta é tão importante que foi descrita como um “santo graal” da evolução estelar. As observações, publicadas na Nature, podem responder por que nuvens gigantes de gás podem colidir e formar estrelas. A estrela ainda está na fase de um turbilhão de poeira e gás. Ela é parte do mais jovem sistema planetário em formação já encontrado – por isso, pode ser crucial para entendermos melhor o nascimento do nosso próprio sistema. A jovem estrela tem “apenas” 300 mil anos de idade – um bebê se comparado com os 4,6 bilhões de anos de nosso Sol e seus planetas. No momento, ela tem 1/5 da massa do Sol, mas deve aumentar até o tamanho dele conforme for atraindo material de seus arredores. Calcula-se que haja material o suficiente para fazer sete Júpiters. A estrela, chamada L1527 IRS, fica a mais de 450 anos-luz da Terra, na constelação de Taurus – uma distância pequena para os padrões do Universo.

John Tobin, um estudante do Hubble no Observatório Nacional de Rádio Astronomia na Virgínia, afirmou ao Daily Mail que “ela pode ser ainda mais jovem, dependendo de quão rápido ela acumulou massa no passado. Esse objeto muito jovem tem todos os elementos de um sistema solar em criação”. Para encontrar o objeto, os astrônomos utilizaram telescópios de última geração para detectar tanto poeira quanto monóxido de carbono circundante. Eles foram os primeiros a consegui encontrar uma estrela comprovadamente rodeada por um disco giratório de material e os primeiros a medir a massa dela. Da mesma forma que os planetas vizinhos ao nosso que têm velocidades orbitais que variam de acordo com a distância do Sol, a estrela também tem objetos que a rodeiam com velocidades orbitais e distâncias diferentes, conforme ondas de rádio vindas do monóxido de carbono mostraram.

Hsin-Fang Chiang, um pós-doutorado da Universidade de Illinois, afirmou que os padrões, chamados de rotação kepleriana, “marcam um dos primeiros passos essenciais na direção da formação dos planetas. O disco é sustentado por sua própria rotação, e irá mediar o fluxo de material para a estrela-bebê e permitir que o processo de formação de planetas comece. John adicionou que “esta é a estrela-bebê mais jovem já encontrada a mostrar esta característica em um disco à sua volta. De muitas maneiras, o sistema parece muito com o que nós achamos que nosso sistema solar pareceu quando era muito jovem. A pesquisa, com suas imagens de alta definição, foi motivada por observações anteriores do Observatório Gemini, no Havaí, que já sugeria a presença de um grande disco cercando a estrela-bebê.

Os astrônomos fizeram observações de alta precisão da L1527 IRS com o sistema de telescópios ALMA, que está quase completo nos Andes chilenos. Segundo John: “As capacidades avançadas do ALMA nos permitirão estudar mais tais objetos de distâncias maiores. Com o ALMA nós poderemos aprender mais sobre como os discos se formam e quão rapidamente as estrelas jovens crescem até seu tamanho total e conseguir uma compreensão muito melhor sobre como estrelas e seus sistemas começam suas vidas. O estudo foi revisado por David Clarke, professor de astronomia da Universidade Santa Maria na Nova Escócia, Canadá, que o chamou de “Santo Graal” da evolução estelar:

“Que a natureza tenha encontrado um meio de trazer rotineiramente punhados distantes de matéria, condensá-los em 24 ordens de magnitude e formar os motores nucleares responsáveis por iluminar o universo, é ao mesmo tempo incrível e inegável. Precisamente o que o mecanismo é, contudo, só agora está sendo compreendido por astrônomos, e o estudo de John e os outros vem para dar suporte à peça que antes faltava – a primeira detecção e medição de uma estrela realmente embrionária. John e seus colegas podem não ser os primeiros a medir a massa de uma estrela-bebê, mas a estrela-bebê que eles observaram é de longe o melhor exemplo até hoje. A L1527 IRS é o Santo Graal da astronomia infravermelha da evolução estelar? Isso terá que ser determinado pelos historiadores da ciência. Até lá é sem dúvidas uma grande descoberta e estudos futuros sobre isso irão ajudar a aumentar nossa compreensão de como as estrelas se formam”.
Fonte: Jornal Ciência

As Planícies do Hemisfério Norte de Marte

Créditos da Imagem: NASA/JPL/Malin Space Science Systems. Caption by: K. S. Edgett and M. C. Malin, MSSS
As planícies da porção norte de Marte ainda permanecem em relativo mistério com pouco avanço no entendimento de suas feições desde quando elas foram observadas pela missão Viking e mesmo apesar de uma das sondas da missão, a Viking 2 ter pousado nessa região. As planícies do norte são terras baixas com poucas crateras de impacto expostas na superfície se comparada com as terras altas e repletas de crateras da região sul do Planeta Vermelho. Normalmente, superfície com poucas crateras são consideradas mais jovens. Essa conclusão é obtida pelo fato delas terem tido menos tempo para acumular crateras. A câmera de alta resolução Mars Orbiter Camera, da sonda Mars Global Surveyor mostraram, num passado recente, que na verdade existem muitas crateras na região, mas a maior parte delas está enterrada abaixo do terreno da planície. A imagem acima, de baixa resoluçãoo, cobre uma área de 168 por 124 km, e mostra poucas crateras na superfície, como a que aparece no centro da imagem, e algumas feições circulares que representam crateras enterradas nas planícies. A imagem acima foi obtida em Agosto de 2002, com o Sol iluminando a cena desde a parte inferior esquerda da imagem. A imagem acima é uma cortesia NASA/JPL/Malin Space Science Systems, com legenda de K. S. Edgett e M. C. Malin, MSSS.
Fonte: http://www.nasa.gov

Cientistas elegem a descoberta do Bóson de Higgs como o feito científico do ano

A revista Science elegeu as dez descobertas científicas de 2012. Entre elas, constam pesquisas com células tronco, o pouso da Curiosity e a evolução na interface cérebro-máquina

Modelo gráfico do CERN representa a colisão de partículas que pode ter revelado a existência do bóson de Higgs (AFP/CERN)
A descoberta de uma particular física conhecida como Bóson de Higgs foi eleita pela revista Science como o achado científico mais importante de 2012. O Bóson explica como outras partículas elementares, como elétrons e quarks, ganham massa, e era a última peça que faltava para confirmar o modelo padrão, teoria que explica como as partículas interagem para formar a matéria do Universo. As evidências da existência do Bosón de Higgs foram reveladas no dia 4 de julho, após dois detectadores identificarem sua presença no Grande Colisor de Hádrons (LHC, na sigla em inglês), o maior acelerador de partículas do mundo. Segundo a revista, ainda não está claro qual o caminho que a física das partículas vai seguir após a descoberta, mas seu impacto na comunidade científica já é inquestionável. Além de escolher a descoberta do Bóson como o feito mais importante do último ano, os editores do periódico científico elegeram outras nove descobertas de 2012, como o pouso da Curiosity, a leitura do DNA denisovano e as pesquisas com neutrinos. A lista foi publicada na edição de quinta-feira da revista Science.
   
Saiba mais

BÓSON DE HIGGS
O bóson de Higgs é uma partícula subatômica prevista há quase 50 anos. O Higgs é importante porque a existência dele provaria que existe um campo invisível que permeia o universo. Sem o campo, ou algo parecido, nada do que conhecemos existiria. Os cientistas não esperavam detectar o campo, mas sim uma pequena deformação nele, chamada bóson de Higgs.

MODELO PADRÃO
O Modelo Padrão é a melhor descrição do mundo subatômico. Existem outras, mas nenhuma que tenha tido tanto sucesso em experimentos para prever e descrever as partículas e as forças de suas interações.
Fonte: VEJA

Planeta Anão Makemake do Sistema Solar exterior

Crédito da ilustração: Observatório Europeu do Sul
Makemake é um dos maiores objetos conhecido do Sistema Solar externo. Pronunciado como MAH-kay MAH-kay, esse objeto do cinturão de Kuiper tem aproximadamente dois terços do tamanho de Plutão e orbita um pouco além da órbita de Plutão, aparecendo também um pouco mais apagado que Plutão. Makemake, contudo, tem uma órbita mais inclinada com relação ao plano da eclíptica do que Plutão. Descoberto por uma equipe liderada por Mike Brown (Caltech) em 2005, a esfera do Sistema Solar externo foi oficialmente denominado Makemake em homenagem ao criador da humanidade na mitologia Rapa Nui da Ilha de Páscoa. Em 2008, Makemake foi classificado como planeta anão na subcategoria Plutóide, fazendo do Makemake o terceiro objeto desse tipo catalogado, atrás de Plutão e Eris. Makemake é conhecido como sendo um mundo de aparência vermelha, com cores indicando que ele é provavelmente coberto por áreas de metano congelado. Não existe até o momento nenhuma imagem da superfície do Makemake, mais uma ilustração artística do que deve ser esse mundo é mostrada acima. Um monitoramento cuidadoso que identificou uma queda no brilho de uma estrela distante recentemente eclipsada pelo Makemake indica que esse planeta anão possui uma pequena atmosfera.
Fonte: http://apod.nasa.gov/apod/ap121226.html

20 de dez de 2012

NGC 5189: Uma Nebulosa Planetária Compelxa

Crédito da imagem: NASA, ESA, Hubble Heritage Team (STScI / AURA)
Por que essa nebulosa é tão complexa? Quando uma estrela como o Sol está morrendo, ela expele suas camadas externas, normalmente numa forma oval simples. Algumas vezes essa forma é uma esfera, algumas vezes é um lobo duplo, e algumas vezes é um anel ou uma hélice. No caso da nebulosa planetária NGC 5189, contudo, nenhuma estrutura simples tem emergido. Para tentar entender o porquê, o Telescópio Espacial Hubble recentemente observou a NGC 5189 em grande detalhe. Descobertas anteriores indicaram a existência de múltiplas épocas de fluxo de material, incluindo um recente que criou um brilhante, porém distorcido torus correndo horizontalmente através do centro da imagem. Esses resultados parecem consistentes com a hipótese de que a estrela moribunda é parte de um sistema binário com um eixo de simetria em precessão. Apesar dos novos dados a pesquisa ainda precisa continuar para entender completamente o que acontece com a nebulosa. A NGC 5189 se espalha por aproximadamente 3 anos-luz e localiza-se a aproximadamente 3000 anos-luz na direção da constelação do hemisfério sul da Musca.

Campo de gravidade lunar mapeado pela Grail

Fonte: Mapa GRAIL da gravidade da Lua (NASA / ARC / MIT)
Autores Resumo: NASA / JPL-Caltech / MIT / GSFC
As duas imagens acima mostra variações no campo de gravidade da Lua como observado pelas sondas Gravity Recovery and Interior Laboratory (GRAIL) da NASA durante a sua missão primária de Março a Maio de 2012. A imagem superior mostra uma porção do lado escuro da Lua (a direita) e uma porção do lado visível da Lua (a esquerda). Na parte inferior está apresentada uma projeção de Mercator de toda a superfície lunar, com o lado escuro no centro e o lado visível na parte esquerda bem como na parte direita. Medidas precisas de micro-ondas entre as sondas Ebb e Flow, foram usadas para mapear a gravidade lunar com uma alta precisão e com uma alta resolução espacial. As medidas são de três a cinco vezes melhores do que os dados anteriores sobre a gravidade da Lua. Nessas imagens, a cor vermelha corresponde a um excesso de massa (montanhas, por exemplo) e a cor azul corresponde a deficiências de massa (terras baixas). A marca esférica vermelha na imagem superior, um pouco a esquerda do centro, é vista à esquerda do centro na visão de Mercator, e o objeto semelhante a um olho de boi na parte superior direita da imagem superior está no canto superior esquerdo na imagem inferior, um pouco acima e à direita da marca vermelha. Note que existem mais detalhes de pequena escala no lado escuro da Lua se comparado com o lado visível, já que o lado escuro possui consideravelmente mais crateras de impactos menores. Os dados das sondas Ebb e Flow ajudarão a fornecer um melhor entendimento de como a Terra e os outros planetas terrestres do Sistema Solar se formaram e se desenvolveram.
Fonte: http://epod.usra.edu/blog/2012/12/lunar-gravity-field-from-grail.html

Estrelas revelam o segredo de parecerem jovens

Algumas pessoas estão em grande forma aos anos 90 anos, enquanto que outras estão já decrépitas antes dos 50. Sabemos que a velocidade a que uma pessoa envelhece está apenas ligeiramente relacionada com a idade que efectivamente tem - podendo ter mais relação com o estilo de vida que leva. Foi feito um novo estudo com o auxílio do telescópio MPG/ESO de 2,2 metros, instalado no Observatório de La Silla do ESO e com o Telescópio Espacial Hubble da NASA/ESA, que mostra que o mesmo acontece com as estrelas.
© ESO (aglomerado globular NGC 6388)

Os enxames globulares são coleções esféricas de estrelas, fortemente ligadas entre si por ação da gravidade. São relíquias dos primórdios do Universo, com idades típicas de 12-13 mil milhões de anos (o Big Bang deu-se há cerca de 13,7 mil milhões de anos) e existem cerca de 150 enxames globulares na Via Láctea, que contêm muitas das estrelas mais velhas da nossa Galáxia. Mas, embora as estrelas sejam velhas e os enxames se tenham formado num passado distante, com o auxílio do telescópio MPG/ESO de 2,2 metros e do Telescópio Espacial Hubble da NASA/ESA, os astrónomos descobriram que alguns destes enxames são ainda novos. O trabalho é publicado na revista Nature a 20 de dezembro de 2012. “Embora estes enxames se tenham todos formado há vários milhares de milhões de anos,” diz Francesco Ferraro (Universidade de Bolonha, Itália), líder da equipa que fez a descoberta, “começámos a pensar se alguns estariam a envelhecer mais depressa ou mais devagar que os outros. Ao estudar a distribuição de um tipo de estrela azul que existe nos enxames, descobrimos que alguns deles se desenvolveram efectivamente muito mais depressa, e encontrámos uma maneira de medir a taxa de envelhecimento.”

Os enxames estelares formam-se num curto espaço de tempo, o que significa que todas as estrelas no seu interior tendem a ter a mesma idade. No entanto, como as estrelas brilhantes de elevada massa queimam muito depressa o seu combustível, e os enxames globulares são muito velhos, deveria haver apenas estrelas de pequena massa ainda a brilhar no seu interior. No entanto, parece que não é isto que se passa: em certas e determinadas circunstâncias, as estrelas podem receber um novo surto de vida, ao receberem uma quantidade extra de matéria que as faz crescer e as torna substancialmente mais brilhantes. Isto pode acontecer se uma estrela suga matéria de uma companheira próxima, ou se as estrelas colidem entre si. Estas estrelas revigoradas chamam-se vagabundas azuis e tanto a sua massa elevada como o seu brilho, são o cerne deste estudo. As estrelas mais pesadas deslocam-se para o interior do enxame, à medida que o enxame envelhece, num processo semelhante à sedimentação. Como as vagabundas azuis têm massas elevadas, estas estrelas são muito afectadas por este processo, enquanto o seu brilho intenso torna-as relativamente fáceis de observar.

Para compreender melhor o processo de envelhecimento dos enxames, a equipa mapeou a localização das estrelas vagabundas azuis em 21 enxames globulares, a partir de imagens do telescópio MPG/ESO de 2,2 metros e do Telescópio Espacial Hubble, entre outros. O Hubble forneceu imagens de alta resolução dos centros compactos de 20 dos enxames, enquanto as imagens obtidos no solo forneceram uma visão mais geral das regiões exteriores menos compactas. Ao analisar os dados observacionais, a equipa descobriu que alguns enxames parecem jovens, com as estrelas vagabundas azuis distribuídas por todo o enxame, enquanto que um maior grupo de enxames se apresenta mais velho, com todas as estrelas vagabundas azuis localizadas no centro. Um terceiro grupo parece estar no processo de envelhecer, com as estrelas mais próximas do núcleo a migrar primeiro para o interior, e depois as estrelas cada vez mais exteriores a deslocarem-se progressivamente na direção do centro.

“Uma vez que estes enxames se formaram mais ou menos todos ao mesmo tempo, esta estudo revela enormes diferenças na taxa de evolução dos enxames,” disse Barbara Lanzoni (Universidade de Bolonha, Itália), co-autora do estudo. “No caso dos enxames que evoluem depressa, pensamos que o processo de sedimentação fique completo em algumas centenas de milhões de anos, enquanto que os que evoluem mais lentamente levariam várias vezes a idade atual do Universo para completar este processo. À medida que as estrelas mais pesadas do enxame se deslocam em direção ao centro, o enxame sofre eventualmente um fenómeno chamado colapso do núcleo, onde o centro do enxame se compacta de modo extremamente denso. Os processos que levam ao colapso do núcleo são bem compreendidos, e estão directamente relacionadas com o número, a densidade e a velocidade a que se deslocam as estrelas. No entanto, a taxa à qual isto acontece não era conhecida até agora.  Este estudo fornece a primeira prova empírica sobre a que velocidade envelhecem os diferentes enxames globulares.
Fonte: http://www.eso.org

19 de dez de 2012

Zeta Ophiuchi, a “destruidora de mundos”

Um monstro viaja pelo espaço: a estrela Zeta Ophiuchi, seis vezes mais quente, oito vezes mais larga, 20 vezes mais massiva e 80 mil vezes mais brilhante que o sol se desloca a uma velocidade igualmente impressionante de 24 quilômetros por segundo. A imagem acima, capturada pela NASA usando o Telescópio Espacial Spitzer, mostra a gigantesca estrela azul avançando sobre uma grande cortina de poeira espacial. Conforme se move, Zeta Ophiuchi emite fortíssimos ventos estelares, que carregam partículas de gás quente meio ano-luz à frente – “quase 800 vezes a distância entre o sol e Plutão”, segundo a NASA. “A velocidade dos vendos, somada ao movimento supersônico da estrela, resulta na espetacular colisão que vemos aqui”. Não é por acaso que a nuvem se desloca diante da estrela. O encontro entre o vento estelar e corpos espaciais é chamado de choque em arco (“bow shock”, em inglês) e normalmente emite luz visível mas, neste caso, por causa da cortina de poeira estelar, apenas certas ondas infravermelhas foram captadas pelo telescópio Spitzer. Felizmente, a monstruosa Zeta Ophiuchi está viajando a cerca de 370 anos-luz da Terra – com tamanha potência, não seria nada bom se ela resolvesse passar perto do nosso sistema solar.
Fonte: Hypescience.com [Gizmodo] [NASA]

Top 7 motivos para você acreditar que existe vida em outros planetas

Nós ainda não temos evidências de vida extraterrestre, mas nem por isso deveríamos desistir da possibilidade. Os motivos para continuar acreditando e procurando são vários – ainda que eles talvez não sejam seres verdes de olhos grandes.

1. Extremófilos na Terra
Geralmente, procuramos vida em planetas razoavelmente habitáveis, sem condições extremas. Mas os extremófilos, formas de vida extremamente resistentes, existem para nos mostrar que talvez não devêssemos ignorar planetas e luas muito quentes, gelados, tempestuosos ou instáveis, pois aqui mesmo na Terra, em locais inóspitos como o cume dos Andes e as bordas de vulcões submarinos, bactérias incrivelmente resistentes podem ser encontradas. Esses microrganismos conseguem sobreviver em ambientes venenosos. Essa é uma prova de que formas de vida poderiam estar perambulando por planetas e luas aparentemente vazios. Nós apenas não as encontramos ainda.

2. Evidência de precursores químicos à vida em outros planetas e luas
Uma das teorias da origem da vida na Terra aponta seu surgimento em reações químicas que podem ter criado membranas celulares e proto-DNA, mas elas também podem ter começado com complexos compostos orgânicos como ácidos nucleicos, proteínas, carboidratos e lipídios, tanto na atmosfera quanto nos oceanos. Já existem evidências de que esses precursores da vida existem em outros planetas e luas, com presenças comprovadas em Titã, lua de Saturno; e a Nebulosa Órion. Não é vida propriamente dita, mas é um ingrediente crucial para que ela surja – foi crucial para a vida terrestre, pelo menos.

3. Crescente número de planetas parecidos com a Terra
Na última década, foram descobertas centenas de exoplanetas (planetas fora do Sistema Solar). Alguns eram gigantes gasosos como Júpiter, mas outros são menores e rochosos como a Terra. Alguns ficam na zona de “Goldilocks”, uma área com temperaturas propícias para a vida em volta de estrelas – a Terra orbita em uma dessas zonas, por exemplo. Quanto mais planetas descobrirmos, mais locais propícios para a vida deverão aparecer, consequentemente.

4. Grande diversidade e tenacidade da vida na Terra
A vida na Terra venceu um desafio ao surgir, mas venceu vários outros ao longo da história, como megaerupções vulcânicas, quedas de meteoros, eras do gelo e outras condições climáticas e geológicas extremas. E ainda por cima, a vida mostrou-se mais capaz do que se poderia imaginar e criou milhões de formas diferentes em um período de tempo relativamente curto. Se aqui a vida sobreviveu e ainda se diversificou, por que não poderia em outros lugares?

5. Mistérios sobre a origem da vida na Terra
Já mencionamos acima que a vida pode ter surgido com reações químicas, mas ainda não sabemos como elas ocorreram e nem como sobreviveram aos momentos difíceis que nosso planeta atravessou desde então.
Uma teoria defende que as primeiras formas de vida terrestre surgiram em outros planetas, como Marte, e vieram para cá de carona com cometas – é a teria da Panspermia Cósmica.

6. Evidências de que oceanos e lagos são comuns em planetas do Sistema Solar
A teoria mais aceita sobre a origem da vida na terra dá conta que ela surgiu nos oceanos, e as outras geralmente envolvem a água da mesma forma. Logo, encontrar água em outros lugares é um estímulo a novas investigações. Marte tem fortes evidências da presença de ‘corpos d’água’ no passado, e a já mencionada Titã tem rios e mares de metano correndo pela superfície. Europa, uma lua de Júpiter, pode ser um gigantesco oceano aquecido pelo núcleo da lua e coberto por uma camada espessa de gelo. São mundos que podem conter ou ter contido vida.

7. Teoria evolutiva
As pessoas usam o paradoxo de Fermi para explicar que a vida fora da terra nunca será encontrada. No lado oposto delas, está a teoria evolutiva, que sugere que a vida se adapta ao ambiente em que se encontra.
Darwin não estava pensando exatamente em extremófilos quando pensou nisso, mas, de qualquer maneira, não seria errado pensar que, onde a vida existe, ela provavelmente continuará até quando for possível. E quando falamos em ambientes, falamos também do espaço sideral. Pode ser que a vida exista em lugares que nós jamais pensaríamos em procurar.
Fonte: Jornal Ciência

Universo está parando de fabricar novas estrelas, mostra levantamento

Já não se fazem mais estrelas como antigamente. Um novo estudo mostra que 95% de todas elas já nasceram. Também, pudera. Lá se vão 13,7 bilhões de anos, dos quais durante todo o tempo, salvo os 500 milhões de anos iniciais, o Cosmos vem fabricando novas estrelas. A essa altura, a matéria-prima para a formação estelar --nuvens de gás-- está em vias de se tornar insuficiente para novas fornadas. O trabalho, sob a batuta de David Sobral, da Universidade de Leiden (Holanda), teve observações de três diferentes instalações: o Ukirt e o Subaru, no Havaí, e o VLT (Very Large Telescope), no Chile. Graças a essa combinação, astrônomos conseguiram observar diversas amostras de galáxias. Embora seja difícil distinguir estrelas individuais nesses casos, é possível analisar o espectro (a "assinatura" de luz) e identificar o nível de formação estelar. E, como a luz desses objetos que chega até nós tem velocidade finita, viajando a 300 mil km/s, quanto mais longe olhamos, mais velha é a luz (o que permite estudar estados antigos do Universo).

Obtivemos amostras grandes e robustas de galáxias que correspondem a 4,2 bilhões, 7 bilhões, 9,2 bilhões e 10,6 bilhões de anos atrás", diz Sobral. Seu artigo foi aceito pela publicação "Monthly Notices of the Royal Astronomy Society". A referência buscada no espectro é uma emissão na chamada linha H-alfa do hidrogênio. "É a mais confiável de todas", afirma Laerte Sodré Junior, do IAG (Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas) da USP. Segundo ele, as principais conclusões estão de acordo com outros trabalhos. "Todos eles sugerem que a 'época de ouro' da formação estelar ocorreu há muito tempo e, essencialmente, em todo o intervalo de tempo coberto pelo estudo, a taxa de formação estelar vem decrescendo. Não deixa de surpreender o fato de que restam só 5% para que o "download de estrelas" seja completado. Dali para frente, o Universo terá de se resignar a, calma e lentamente, se encaminhar para um tedioso apagar das luzes. Isso se a tendência for mantida, diz Sodré.
Fonte: Folha

Eclipses de lua de Marte ajudarão a localizar robô Curiosity

Modelo matemático para prever os eclipses foi criado dentro do projeto MetNet

A localização do robô Curiosity poderá ser feita a partir do estudo dos eclipses de Fobos, a maior das luas de Marte, segundo um artigo publicado nesta segunda-feira na revista científica Monthly Notices, da Real Sociedade Astronômica britânica. Até agora, esta localização era feita graças aos dados emitidos pelas antenas do robô ou a partir das imagens enviadas pelas sondas que orbitam o planeta vermelho. Uma equipe da Universidade Complutense de Madri (UCM) desenvolveu um modelo matemático para prever e observar os eclipses a partir da superfície de Marte, o que poderá ser utilizado para se saber a localização do robô. Não é comum as antenas do Curiosity falharem, mas caso isso ocorra, uma alternativa para localizá-lo seria utilizar os eclipses observados pelo robô, explicou à Agência Efe Gonzalo Barderas, pesquisador da UCM.  Os eclipses de Fobos oferecem um método alternativo para determinar a posição de onde o Curiosity os observou", disse o cientista.

 "Ao se saber quando se inicia e termina a movimentação da lua é possível determinar onde está o robô", esclareceu. Para usar este método é necessário que alguma das câmaras do robô ou outro sensor de radiação captem o fenômeno. Com apenas dois minutos de observações, utilizando os dados dos tempos de contato inicial e final dos eclipses percebidos nos dias 13 e 17 de setembro, é possível reduzir o erro na localização de quilômetros para metros. O modelo matemático para prever os eclipses de Fobos foi criado dentro do projeto MetNet, que tem por objetivo enviar uma rede de sondas meteorológicas para a superfície de Marte. O método é aplicável para qualquer outra sonda sobre a superfície deste planeta que tenha capacidade para realizar observações ópticas. Segundo o modelo matemático, os próximos trânsitos da lua marciana serão entre 3 e 8 e 13 e 20 de agosto de 2013. O Curiosity terá novas oportunidades de observá-los e os cientistas de seguir comprovando o método de localização.
Fonte: ESTADÃO

Descoberto planeta em zona "habitável" em órbita de estrela

Notívagos e astrônomos acreditavam há muito tempo que Tau Ceti, estrela visível a olho nu da Terra, brilhasse solitária na noite, mas cientistas acabam de descobrir cinco planetas em sua órbita, um deles situado em uma zona "habitável", segundo um estudo publicado esta quarta-feira. Tau Ceti, que faz parte da Constelação da Baleia, não é apenas próxima do nosso Sol (fica a 12 anos-luz), mas também é muito semelhante, em massa e irradiação. No passado, muitos olhares se voltaram para ela, em vão, em busca de vida extraterrestre. Nenhum planeta fora detectado no entorno de Tau Ceti até que uma equipe internacional teve a idéia de testar nesta estrela sua nova técnica de coleta de dados astronômicos, capaz teoricamente de detectar sinais duas vezes mais potentes. "Nós escolhemos Tau Ceti (...) porque achamos que ela não comportaria nenhum sinal. E ela é tão brilhante e similar ao nosso Sol que constitui uma cobaia ideal para testar nosso método de detecção de planetas de pequena proporção", explicou em um comunicado Hugh Jones, da Universidade britânica de Hertfordshire.

 Os astrônomos descobriram cinco planetas, com massa compreendida entre duas e seis vezes a da Terra. Um deles encontra-se na zona "habitável", nem muito quente, nem muito fria, permitindo a existência de uma atmosfera, de água em estado líquido em sua superfície, e portanto, talvez uma forma de vida. "Tau Ceti é uma de nossas vizinhas cósmicas mais próximas, tão brilhante que nós poderíamos chegar a estudar as atmosferas de seus planetas em um futuro não muito distante", afirmou James Jenkins, da Universidade do Chile, que participou do estudo publicado na revista Astronomy & Astrophysics. Esta descoberta confirma a nova idéia "que quase todas as estrelas têm planetas e que a galáxia deve, portanto, conter um grande número de planetas potencialmente habitáveis de tamanho próximo do nosso", acrescentou Steve Vogt, da Universidade da Califórnia em Santa Cruz. O Observatório Europeu Austral (ESO, na sigla em inglês) estimou recentemente que bilhões destes planetas existiriam na Via Láctea, dos quais uma centena na vizinhança do nosso Sol.
Fonte: TERRA

NGC 5189 – O Cartão de Natal do Hubble Para 2012

O Telescópio Espacial Hubble celebra a época de fim de ano, o natal e o ano novo com uma magnífica imagem da nebulosa planetária NGC 5189. A intrigante estrutura da erupção estelar parece uma gigantesca e brilhante fita de presente colorida no espaço. As nebulosas planetárias representam um breve estágio final na vida de uma estrela parecida com o Sol. Enquanto consome a parte final do combustível em seu núcleo, a estrela expele uma grande porção de suas regiões externas, que então são aquecidas e brilham de forma intensa, mostrando as intrigantes estruturas que os cientistas ainda estão tentando entender por completo. A estrutura visível dentro da NGC 5189 é particularmente dramática, e a imagem do Hubble da nebulosa é de longe a mais detalhada já feita desse objeto.

O Hubble tem sido uma ferramenta fundamental para estudar as nebulosas planetárias por anos e muitas de suas imagens ficaram famosas. Ao mesmo tempo em que são altamente atrativas do ponto de vista visual, as nebulosas planetárias nos dizem muito sobre o destino final do Sol, que irá formar uma nebulosa quando esgotar seu combustível em pouco mais de 5 bilhões de anos. Essas nebulosas foram assim denominadas pelos astrônomos que as estudavam usando os primeiros telescópios, com pouco aumento e com uma óptica que não era perfeita. Assim, as brilhantes e coloridas nebulosas eram vistas como objetos esféricos e apareciam na cor verde ou azul, como os planetas Urano e Netuno, assim, como a aparência evocava esses planetas gasosos gigantes do Sistema Solar externo, essas nebulosas receberam o nome de nebulosas planetárias.

Muitas delas podem até lembrar, de alguma forma planetas, mas no caso da NGC 5189 certamente isso não acontece. A nebulosa como pode ser visto acima tem a interessante forma de um S reverso. Observando em detalhe a imagem do Hubble, graças a alta resolução do telescópio espacial, a nebulosa mostra uma série de densos nós na nuvem de gás. O gás e a radiação fluindo da estrela moribunda geram as formas observadas nas nuvens, formando padrões ondulados na direção do centro da nebulosa. Os nós na NGC 5189 são uma lembrança de quão vasta pode ser uma nebulosa planetária. Na imagem acima essas regiões podem parecer meros detalhes, mas na verdade cada um desses nós é do tamanho de todo o Sistema Solar.

A estrela no centro da nebulosa, uma densa anã branca, é muito pequena para ser observada, mesmo apesar de ela ter o tamanho aproximado do planeta Terra. A forma geral da NGC 5189 pode nos dizer contraintuitivamente sobre o que está acontecendo em escalas bem pequenas ao redor da diminuta estrela central. A forma da NGC 5189 é uma reminiscência de um irrigador de jardim, com a matéria sendo expelida da estrela, que está balançando enquanto sofre seu movimento de rotação. Estruturas similares têm sido vistas antes, especialmente em nebulosas planetárias com sistemas binários de estrelas em seus centros. E essa pode também ser uma explicação provável para a estrutura da NGC 5189, apesar, de até o momento, apenas uma estrela ter sido encontrada no centro da nebulosa.
Fonte: http://www.spacetelescope.org

18 de dez de 2012

Imensidão Galática - Parte 1

Os astrônomos apontam seus telescópios para descobrir a força e a beleza da Via Láctea
Na ampliação bem mais alta de um telescópio amador, a poeira escurece o centro da galáxia, ao mesmo tempo em que as regiões coloridas de Antares e Rho Ophiuchi brilham à direita.

É difícil ser modesto quando se vive na Via Láctea. Nossa galáxia é maior, mais brilhante e mais maciça que a maioria das outras. O disco de estrelas da Via Láctea, observável a olho nu, se estende por nada menos que 120 mil anos-luz. Em torno dele há outro disco, composto sobretudo de hidrogênio. E, envolvendo tudo o que os nossos telescópios conseguem captar, ainda existe, fora do alcance desses instrumentos, um enorme halo de matéria escura. Embora não emita luz, essa matéria tem uma massa que sobrepuja em muito a de centenas de bilhões de estrelas da Via Láctea, conferindo à galáxia uma massa total equivalente a 1 trilhão ou 2 trilhões de vezes a massa do Sol.

Nossa galáxia é tão imensa que dezenas de galáxias menores giram em torno dela, feito luas ao redor de um planeta gigante. A Via Láctea conta com, no mínimo, um planeta com vida inteligente. Galáxias gigantes, como ela e sua vizinha ainda maior, Andrômeda, têm condições de produzir abundante suprimento de ferro, oxigênio, silício, magnésio e outros elementos mais pesados que o hélio. Forjados pelas estrelas da Via Láctea, esses elementos pesados são os blocos básicos dos planetas terrestres.

Os elementos pesados também são essenciais à vida, como se comprova pelo oxigênio que respiramos, o cálcio dos ossos e o ferro no sangue. Em uma galáxia menor, quando uma estrela explode, essas matérias-primas são arremessadas no espaço e se dispersam. Na Via Láctea, porém, esses elementos encontram o gás e a poeira interestelares e são contidos pela força do imenso campo gravitacional. Tais obstáculos fazem com que percam velocidade e possam enriquecer as nuvens de gás com os ingredientes necessários para a formação de gerações de estrelas e planetas.

Foi o que ocorreu há 4,6 bilhões de anos, quando o Sol e a Terra se originaram de uma nebulosa interestelar hoje desaparecida. Pelo fato de vivermos no interior da Via Láctea, sabemos menos a respeito de sua aparência geral que a de galáxias mais distantes - assim como, sem um espelho, conhecemos melhor o rosto dos amigos que o nosso. A despeito disso, na última década os astrônomos fizeram várias descobertas sobre a galáxia, começando por revelações acerca do buraco negro em seu âmago.
Um véu de poeira cósmica nubla a galáxia sobre a cratera Haleakala, no Havaí. Panorama composto de três fotos unidas nas laterais

Todas as estrelas da Via Láctea giram em torno desse buraco negro, denominado Sagitário A* (abreviado para Sgr A*). O Sol, localizado a 27 mil anos-luz do centro galático, completa uma volta em torno dele a cada 230 milhões de anos. No espaço de apenas 1 ano-luz a partir do buraco enxameiam mais de 100 mil outras estrelas, prisioneiras de seu campo gravitacional. Algumas delas levam só uns poucos anos para completar suas órbitas. Essas trajetórias revelam que o Sgr A* possui uma massa 4 milhões de vezes maior que a do Sol, ou seja, um tanto mais maciço do que se imaginava uma década atrás.

De tempos em tempos, o buraco negro engole um pouco de gás, um planeta desgarrado ou uma estrela. O atrito e a gravidade aquecem a vítima a temperaturas tão altas que ela emite berros sob a forma de raio X. Eles iluminam as nuvens de gás próximas, que acabam preservando um registro de outros objetos ingeridos no passado. Por exemplo, em 2004 os cientistas captaram ecos de raio X em uma nuvem gasosa a 350 anos-luz do buraco negro. Como os raios X se deslocam à velocidade da luz, esses ecos indicam que algum objeto caiu no buraco negro há 350 anos.

O buraco negro também catapulta para longe as estrelas. Em 2005, os astrônomos identificaram uma estrela que se movia com rapidez a 200 mil anos-luz do centro galático. "Foi uma descoberta casual", comenta Warren Brown, do Centro Harvard-Smithsonian de Astrofísica. Ele buscava "filamentos estelares" - resquícios de galáxias menores destroçadas pela força gravitacional da Via Láctea - quando topou com uma estrela na constelação Hydra afastando-se do meio da galáxia a 709 quilômetros por segundo, ou 2,55 milhões de quilômetros por hora. A essa velocidade, ela vai escapar do campo gravitacional da galáxia e se lançará no espaço intergalático. Até 2010, Brown e outros astrônomos haviam descoberto outras 15 dessas estrelas hipervelozes.

Em um assombroso exemplo de presciência, Jack Hills, na época trabalhando no Laboratório Nacional de Los Alamos, no Novo México, havia previsto a ocorrência de um fenômeno similar. Em um artigo publicado em 1988, Hills afirmava que, se uma estrela binária - ou seja, duas estrelas que giram uma em torno da outra - chegasse bem perto do Sgr A*, um de seus componentes poderia ser atraído para o buraco negro, passando a percorrer uma órbita mais próxima dele e liberando com isso enorme quantidade de energia. Portanto, em conformidade com as leis físicas de conservação da energia, a outra estrela receberia um impulso igualmente poderoso, sendo arremessada para longe a uma velocidade tremenda.

Imensidão Galática - Parte 2

 Os astrônomos apontam seus telescópios para descobrir a força e a beleza da Via Láctea
Mosaico panorâmico da borda da galáxia.
A despeito da violência que reina em torno do Sgr A*, o núcleo galático é um lugar produtivo. Como as estrelas estão mais apinhadas no centro da galáxia, elementos pesados e fecundos são mais abundantes ali. Mesmo nas proximidades do Sol - uma brilhante estrela amarela no meio do caminho entre o buraco negro e a borda do disco estelar -, há muitas estrelas recém-nascidas e dotadas de discos de gás e poeira, os quais sobrevivem durante milhões de anos, ou seja, tempo suficiente para o surgimento de planetas. Em contraste, são poucas as possibilidades de formação de planetas na borda da galáxia. Em 2009, Chikako Yasui e colegas identificaram 111 estrelas recém-nascidas em uma área periférica da galáxia, duas vezes mais distantes que o Sol em relação ao centro galático.

Essas estrelas apresentavam quantidade pequena de elementos pesados - o conteúdo de oxigênio delas era um quinto do existente no Sol. Embora tais estrelas tenham apenas meio milhão de anos de idade, a maioria já perdeu os discos de gás e poeira nos quais se formam os planetas. Sem disco não há planeta e sem planeta não há vida. As estrelas com teores ainda menores de oxigênio e ferro nos proporcionam vislumbres do nascimento da galáxia. Situadas no halo estelar que se estende acima e abaixo do disco galático, tais estrelas são tão antigas que se formaram antes que as primeiras gerações de estrelas tivessem a chance de produzir elementos pesados. Com isso, uma estrela típica do halo possui apenas 3% do conteúdo de ferro encontrado no Sol.
Os dois principais braços em espiral da Via Láctea, em uma concepção artística acima, estendem-se das extremidades de uma barra brilhante de estrelas. Braços menos proeminentes são em sua maior parte gás e criadouros de estrelas.

Para estabelecer a idade do halo estelar e, portanto, da galáxia como um todo, os astrônomos costumam recorrer ao estudo dos aglomerados globulares - concentrações brilhantes e densas de estrelas tão velhas que suas companheiras de vida mais breve já morreram. No entanto, essas datações dependem das hipóteses sobre o modo como vivem e morrem as estrelas. Felizmente, há outra maneira de se calcular a idade da galáxia. Anna Frebel ainda era estudante na Universidade Nacional da Austrália quando começou a se interessar por estrelas no halo. "Quero descobri-las porque assim posso retroceder no tempo", explica ela. Em 2005, ao examinar a constelação de Libra, Anna conseguiu identificar uma estrela do halo com apenas um milésimo do conteúdo de ferro do Sol - um teor muito baixo, mesmo pelos padrões do halo, que indica que se trata de uma estrela tão primitiva que provavelmente surgiu do gás enriquecido por uma única supernova.

 E, ao contrário da maioria das supernovas, a estrela havia lançado no espaço muitos elementos mais pesados que o hélio, entre eles tório e urânio radiativos. Para Anna, essa foi mesmo uma estrela da sorte. Como esses elementos radiativos se desintegram em ritmo constante, a avaliação da quantidade atual deles na estrela permitiu-lhe calcular a sua idade: por volta de 13,2 bilhões de anos. Embora esse número tenha uma margem de erro de 2 bilhões a 3 bilhões de anos, ele confere com as estimativas feitas com base no estudo dos aglomerados globulares, e sugere que a Via Láctea é apenas um pouco mais jovem que o próprio universo, que tem 13,7 bilhões de anos. A poderosa galáxia, cujas incontáveis estrelas mais tarde tornariam possível a vida na Terra, não esperou muito tempo para nascer.

As melhores fotos da última chuva de meteoros

A chuva de meteoros gemínida ou geminídea se estendeu do dia 13 até o dia 17 de dezembro, e seu pico aconteceu no último dia 13, dando oportunidade para os fãs criarem belas imagens deste evento anual. Confira aqui algumas das imagens produzidas neste dia, em que a taxa prevista de queda de meteoros era de 120 por hora:[io9]

Esta é uma exposição longa, de 18 minutos, feitas sobre Sussex, Nova Jersei, por Jason Jenkins
Este aqui foi fotografado por Colin Legg na Tasmânia, Austrália (Colin Legg é o astrofotógrafo por trás deste belíssimo timelapse do eclipse solar total de novembro de 2012, visível somente na Austrália)

Sean Parker é o dono dessa incrível imagem feita em Tucson, Arizona, sobre o Gates Pass. Trata-se na verdade de uma fotomontagem de cerca de 30 imagens de um timelapse feito na manhã do dia 13. À esquerda, Andrômeda (M31, a 2,5 milhões de anos-luz de distância) pode ser vista próxima à Via Láctea. As 30 imagens foram selecionadas de um total de 400 imagens, depois cada meteoro foi recortado cuidadosamente e colocado na imagem final.

Outra foto feita por Sean Parker, no mesmo Gates Pass

Bill Metallinos estava configurando seu telescópio em Pilida, Corfu, Grécia, quando fotografou este meteoro

Mike Lewinski fotografou este meteoro no norte do Novo México, EUA

Tommy Eliassen fotografou este meteoro em Hemnes, Noruega

Um par de meteoros atravessando a aurora boreal no fundo, novamente uma foto de Tommy Eliassen em Hemnes, Noruega

Esta foto foi feita por Amirreza Kamkar, na ilha Qeshm, Golfo Pérsico, Irã

Briam Emfinger fotografou esta imagem no Parque Estadual Mount Magazine, em Arkansas, EUA
Fonte: Hypescience.com

A Galáxia Agulha

Créditos: ESA / Hubble e NASA
Como se tivesse encontrado uma agulha no grande palheiro do espaço, o Telescópio Espacial Hubble produziu essa bela imagem da galáxia espiral IC 2233, uma das galáxias mais planas conhecidas. As galáxias espirais típicas como a Via Láctea são constituídas de três principais componentes visíveis: o disco, onde os braços espirais e grande parte do gás e da poeira estão concentrados; o halo uma esfera esparsa ao redor do disco que contém pouco gás, poeira e formação de estrelas; e o bulbo central no coração do disco, que é formado por uma grande concentração de antigas estrelas ao redor do centro galáctico. Contudo, a IC 2233 está longe de ser uma galáxia espiral típica. Esse objeto é um primeiro exemplo de uma galáxia superfina, onde o diâmetro da galáxia é no mínimo 10 vezes maior que sua espessura. Essas galáxias são constituídas de um disco simples de estrelas quando são vistas de lado. Essa orientação faz desse tipo de galáxia um objeto fascinante para ser estudado, fornecendo outra perspectiva sobre as galáxias espirais.

 Uma característica importante desse tipo de objeto é que eles têm um baixo brilho e quase todos eles não têm um bulbo. A cor azulada que pode ser vista ao longo do disco nos dá a evidência sobre a natureza espiral da galáxia, indicando a presença de estrelas quentes, jovens e luminosas, nascidas nas nuvens de gás interestelar. Além disso, diferente das galáxias espirais típicas, como a IC 2233 não mostram uma linha de poeira bem definida. Somente pequenas regiões podem ser identificadas nas áreas mais internas tanto acima como abaixo do plano intermediário da galáxia. Localizada na constelação do Lynx, a IC 2233 está a uma distância aproximada de 40 milhões de anos-luz da Terra. Essa galáxia foi descoberta pelo astrônomo inglês Isaac Roberts em 1894. A imagem acima foi feita com a Advanced Camera for Surveys do Hubble combinando exposições tomadas na luz visível e em infravermelho. O campo de visão dessa imagem é de aproximadamente 3.4 por 3.4 arcos de minuto.

Choque de estrelas pode ter enganado astrônomos

Se o universo funcionasse como uma novela, algumas estrelas certamente seriam charlatãs que gostam de enganar os astrônomos. Em 2009, cientistas da CHilean Automatic Supernovas sEarch (CHASE) descobriram uma estrela em uma galáxia a 66 milhões de anos-luz de distância que aparentemente era uma supernova. Ela foi até foi batizada como um astro desse gênero: SN 2009ip. Mas um novo estudo aprofundado feito a partir de fotos antigas tiradas pelo Telescópio Espacial Hubble mostrou que a estrela não é uma supernova. Cálculos mostram que SN 2009ip gerou menos de 10% da energia cinética de uma explosão típica de estrela. Cientistas acreditam que o que aconteceu foi uma fusão entre duas estrelas, que causou as explosões iniciais de SN 2009ip. Quando se fundiram em setembro, elas criaram uma nova estrela entre 100 e 120 vezes a massa do sol.

Explosão de estrela azul brilhante
O que os astrônomos acharam que era uma supernova foi, na realidade, uma explosão de uma estrela azul brilhante chamada de variável luminosa azul (VLA). As VLAs são estrelas hipergigantes extremamente quentes e com brilho azul intenso. Essas estrelas raras têm vida curta em relação ao sol, de apenas poucos milhões de anos. Isso acontece porque elas perdem muita massa em pouco tempo – algumas podem desprender o equivalente a massa do sol em apenas 10 mil anos. Com a perda substancial de massa, a luz de uma VLA varia quase continuamente, com longas mudanças ao longo do tempo decorrentes de explosões que liberam muita matéria, expandindo o centro da estrela. Depois da explosão em 2009, observações contínuas de SN 2009ip mostraram uma segunda explosão, em 2010. Em julho, a estrela brilhou novamente, mostrando que ela não tinha destruído a si mesma em uma explosão supernova.
Fonte: http://hypescience.com
[NewScientist/AstroBob]

Conchas Esfumaçadas

Créditos: ESA / Hubble e NASA
Localizada numa região relativamente vazia do espaço a aproximadamente 4200 anos-luz de distância e difícil de ver através de telescópios amadores, a solitária nebulosa planetária NGC 7354 é muitas vezes esquecida. Contudo, graças a essa imagem capturada pelo Telescópio Espacial Hubble nós podemos observar essa brilhante bola de luz esfumaçada com um detalhe surpreendente. Como as estrelas cadentes não são na verdade estrelas e as lâmpadas de lava na verdade não contém lava, as nebulosas planetárias nada têm a ver com planetas. O nome foi cunhado pelo Sir William Herschel pois quando ele observou pela primeira vez uma nebulosa planetária através de um telescópio, ele pôde identificar uma esfera esfumaçada, similar aos planetas gigantes gasosos como Urano.

O nome foi mantido mesmo apesar dos modernos telescópios terem mostrado de maneira óbvia que esses objetos não são planetas, mas sim o brilho intenso das camadas externas ejetadas por uma estrela quente moribunda. Acredita-se que os eventos emitidos pela estrela central exerçam um papel importante na determinação da forma e morfologia das nebulosas planetárias. A estrutura da NGC 7354 é relativamente de distinguir. Ela consiste de uma concha externa circular, uma concha interna elíptica, uma coleção de nós brilhantes concentrados no meio e dois jatos simétricos sendo emitidos pelas laterais. Os pesquisadores sugerem que essas feições poderiam ser geradas pela presença de uma estrela companheira central, contudo a presença de uma segunda estrela na NGC 7354 ainda não é confirmada. A NGC 7354 reside em Cepheus, uma constelação denominada em homenagem ao mítico rei Cepheus da Etiópia e ela tem aproximadamente meio ano-luz de diâmetro.
Fonte: http://www.spacetelescope.org/images/potw1250a/

Sondas gémeas colidem com montanha lunar

Esta imagem mostra o percurso final das sondas GRAIL.Crédito: NASA/JPL-Caltech/GSFC/ASU

Um par de sondas gémeas que mapearam a gravidade na Lua terminou a sua missão científica ontem (dia 17) tornando-se intimamente ligadas com a força do satélite natural. As sondas GRAIL, com o tamanho de máquinas de lava-louça, colidiram no limite de uma cratera no Pólo Norte da Lua às 22:28 horas (hora de Portugal) de ontem. O par foi empurrado intencionalmente porque a sua órbita baixa e os níveis de combustível restante impediam mais operações científicas. Os impactos, que foram dirigidos por impulsos anteriores, foram projectados para impedir as duas sondas de colidirem com locais históricos na superfície da Lua. A NASA queria descartar qualquer possibilidade das sondas gémeas atingirem a superfície perto de qualquer dos locais históricos de exploração lunar, nos locais de aterragem das Apollo ou das sondas russas Luna," afirma David Lehman, gestor do projecto GRAIL no JPL da NASA em Pasadena, no estado americano da Califórnia.

 Antes de cada dos disparos de foguetes das sondas, que foram realizados na sexta-feira (14 de Dezembro), os navegadores calcularam que as probabilidades de ambas as sondas impactarem num local histórico eram cerca de sete em um milhão.  Em vez disso, as sondas GRAIL, que receberam as alcunhas de "Ebb" e "Flow" num concurso escolar, caíram com força na vizinhança da cratera Goldschmidt, localizada no lado visível da Lua. De acordo com os cientistas, cada sonda atingiu a superfície lunar a cerca de 6050 km/h. As colisões foram separadas por cerca de 32 segundos, em que Flow seguiu Ebb para o lado de uma montanha num local que recebeu o nome de Sally Ride, a primeira mulher americana no espaço. Não foram recolhidas imagens do fim porque a área estava nessa altura à sombra.

Imagem de ecrã de dados de engenharia que mostra a trajectória das duas sondas GRAIL cerca de 2 minutos antes do impacto de Ebb. Crédito: NASA TV
 
A missão GRAIL (Gravity Recovery and Interior Laboratory) de 496 milhões de dólares foi lançada a bordo de um foguetão Delta 2 a partir de Cabo Canaveral, Flórida, EUA, em Setembro de 2011. Ebb e Flow chegaram à Lua no dia de Ano Novo. Em órbita, a dupla de sucesso levou a cabo missões científicas principais e prolongadas, o que produziu o mapa gravítico de mais alta resolução de qualquer corpo celeste, proporcionando uma melhor compreensão de como a Terra e outros planetas rochosos do Sistema Solar se formaram e evoluíram. O mapa foi criado pela transmissão de sinais de rádio, com o objectivo de definir com precisão a distância entre as duas sondas, à medida que voavam em redor da Lua em formação. Como orbitaram em áreas de maior e menor gravidade provocadas por características visíveis - como montanhas e crateras - e massas ocultas sob a superfície, a distância entre as duas sondas mudava ligeiramente. Além de mapear a gravidade da Lua, Ebb e Flow também foram equipadas com pequenas câmaras controladas por estudantes. O programa MoonKAM - que até à sua morte em Julho, foi liderado por Sally Ride - permitiu com que estudantes sugerissem e definissem áreas na Lua a serem trabalhadas para o seu estudo.

Ebb e Flow levaram a cabo uma última experiência antes do final da sua missão. As duas sondas dispararam os seus motores principais até que os seus tanques de combustível ficassem vazios para determinar com precisão a quantidade de combustível que restava. Os dados destas últimas propulsões vai ajudar os engenheiros a validar modelos de consumo de combustível para melhorar as previsões das necessidades de propulsão em missões futuras.  Uma coisa é certa - acabaram a sua missão em alta," afirma Lehman. "Mesmo durante a última metade da sua última órbita, levámos a cabo uma experiência de engenharia que poderá ajudar missões futuras a operar de forma mais eficiente."

Dado que a quantidade exacta de combustível restante em cada sonda era desconhecida, os navegadores das GRAIL e os engenheiros projectaram o esgotamento para permitir com que as sondas descessem gradualmente durante várias horas e depois roçassem a superfície até que o terreno elevado da montanha-alvo impedisse a sua viagem.  Tivemos a nossa quota-parte de desafios durante esta missão e sempre fomos bem sucedidos, mas ninguém que eu conheça colidiu com uma montanha na Lua," exclama Lehman. "Há sempre uma primeira vez para tudo."
Fonte: Astronomia On -Line

17 de dez de 2012

Você já ouviu falar sobre a Teoria de Tudo? Ela literalmente pode existir

As erupções mais enérgicas do Universo emitem luz o suficiente para que cientistas examinem a natureza do espaço-tempo, segundo observações de erupções de raios-gama
Os fótons provenientes das erupções ajudam a colocar limites a um modelo unificado de todas as forças da natureza – a Teoria de Tudo. Usando um Polarímetro de Explosão de Raios-Gama (GAP, na sigla em inglês), uma equipe de cientistas japoneses mediram fótons de erupções de raios-gama da maneira mais precisa já registrada. “O resultado constrange de maneira fundamental a gravidade quântica, uma teoria de sonho que reconcilia a teoria da relatividade de Einstein e a teoria quântica”, afirma Kenji Toma, da Universidade de Osaka, em estudo publicado na Physical Review Letters, de acordo com o portal LiveScience. A Ikaros foi lançada em 2010 e é a primeira aeronave com uma vela solar. O GAP está posicionado na parte de trás da sonda, apontando para o espaço, na direção oposta ao Sol.

Um Universo Quântico?
Erupções de raios-gama são explosões muito fortes que, segundo teorias, resultam de mortes de estrelas, colisões de estrelas de nêutrons e outros acontecimentos violentos. A equipe de Kenji usou medições bastante detalhadas das erupções para estudar as propriedades dos fótons e determinar a polarização deles, ou como os campos elétricos deles são orientados em reação ao movimento de suas partículas. O campo de luz polarizada balança para cima e para baixo em uma direção perpendicular à direção dos fótons.  A maior parte dos sistemas de projeções 3D em cinemas projetam duas versões do filme em duas diferentes polarizações – ambas a 45 graus à horizontal, mas perpendicular um ao outro – de tal maneira que quando você vê o filme através de óculos apropriadamente polarizados, o olho esquerdo parece ver a versão do filme feita para o olho esquerdo, e o direito vê a versão do filme para o direito”, explicou o astrofísico Derek Fox da Universidade da Pensilvânia ao portal Space.

As descobertas podem ter implicações para a teoria das supercordas – a ideia de que todas as partículas fundamentais são na verdade repetições de uma corda que vibra – que é uma tentativa de unificar as forças da natureza e criar a Teoria do Tudo. Se a ideia estiver correta, então poderemos reconciliar duas teorias aparentemente contraditórias: a relatividade geral de Einstein, e a Teoria Quântica. Ambas são antagônicas na medida em que a relatividade explica coisas muito grandes, como o universo, e a quântica explica as coisas bem pequenas, como partículas subatômicas.  Nós vivemos em um universo quântico – a mecânica quântica é necessária para descrever o comportamento de todas as forças e todas as partículas no nível subatômico. Em última análise, podemos esperar desenvolver uma teoria de ‘gravidade quântica’ para esses fenômenos”, afirmou Derek.

É possível violar a simetria?
Cientistas afirmam que se as partículas trocassem de lugar com suas anti-partículas e o tempo fosse revertido, o mundo continuaria igual. Qualquer evidência de que a matéria e a anti-matéria se comportam de maneira diferente, quebrando sua suposta simetria, daria suporte Teoria das Supercordas.  Se fosse comprovado que ela pode ser violada por qualquer processo físico, mesmo em níveis minúsculos, então isso iria mudar radicalmente a direção das abordagens teóricas vigentes e construir um modelo unificado de todas as forças da natureza”, diz Derek.

Mas coletar essas evidências é bem difícil, pois as estruturas quânticas são muito pequenas para a nossa tecnologia atual. Logo, é preciso examinar isso no espaço. É aí que entram os fótons das erupções de raios-gama. Essas partículas até agora não mostraram mudanças na rotação de suas polaridades. A rotação poderia mostrar uma falta de simetria se o tempo fosse revertido e as partículas trocadas com as anti-partículas. Kenji e sua equipe não encontraram nenhuma mudança ao estudar três erupções com grande riqueza de detalhes, um indício de que a simetria seja consistente em pelo menos 1 a cada 10 milhões de casos. É um recorde no questionamento das regras da natureza, e deve influenciar as futuras tentativas de se criar uma teoria unificada.

Onde encontrar uma poderosa fonte?

As erupções de raios-gama podem durar só alguns segundos ou alguns minutos, mas já é o suficiente para produzir mais energia do que o Sol durante toda a sua vida. Os raios de luz por eles produzidos viajam bilhões de anos luz em velocidades próximas à da luz na forma de fótons de alta energia que não chegam a penetrar na atmosfera do nosso planeta.  Erupções de raios-gama têm energias relativamente altas – comparadas com, digamos, rádio ou fótons óticos – que os tornam ferramentas úteis para uma possível estrutura quântica do espaço-tempo. Elas são uma escolha natural como fontes para esses testes”, salientou Derek.
Fonte: Jornal Ciência

Uma Peculiar Galáxia Anã Azul Compacta

Créditos:ESA / Hubble e NASA
O Telescópio Espacial Hubble, há algumas semanas atrás nos presenteou com uma impressionante imagem da galáxia irregular NGC 5253. A NGC 5253 é uma das mais próximas galáxias, conhecidas como Galáxias Anãs Azuis Compactas, ou do inglês, BCD, e está localizada a uma distância aproximada de 12 milhões de anos-luz da Terra na constelação Centaurus que brilha no céu do hemisfério sul da Terra. A característica mais marcante desse tipo de galáxia é que elas abrigam regiões muito ativas de formação de estrelas. Isso apesar do seu baixo conteúdo de poeira e uma falta comparativa de elementos mais pesados do que o hidrogênio e hélio, que são normalmente os ingredientes básicos para a formação de estrelas.

Essas galáxias, contém, por sua vez, nuvens moleculares que são muito similares às nuvens moleculares originais que formaram as primeiras estrelas no começo do universo, e que também eram desprovidas de poeira e de elementos pesados. Assim, os astrônomos consideram as BCDs como sendo as galáxias ideais para se entender o processo primordial de formação de estrelas. A NGC 5253 contém alguma quantidade de poeira e elementos pesados, mas a quantidade, é, por exemplo, menor do que existe na Via Láctea. Suas regiões centrais são dominadas por uma intensa região de formação de estrelas que está mergulhada no corpo principal elíptico, que aparece em vermelho nessa imagem do Hubble.

A zona central de explosão de estrelas consiste de um ambiente rico formado por estrelas jovens e quentes concentradas em aglomerados estelares, que brilham intensamente em azul nessa imagem. Traços de explosão de estrelas podem ser vistos como um brilho apagado e difuso produzido pelo gás oxigênio ionizado. A verdadeira natureza das galáxias BCDs é um mistério de longa data para os astrônomos. Simulações numéricas seguidas da atual teoria cosmológica dominante da formação de galáxias, conhecida como Lambda Cold Dark Matter Model, prevê que deveriam existir muito mais galáxias anãs satélites orbitando galáxias grandes como a Via Láctea. Os astrônomos se referem a essa discrepância como o Problema da Galáxia Anã.

Essa galáxia é considerada parte do Grupo de Galáxias Centaurus A/Messier 83, que inclui a famosa rádio galáxia de Centaurus A e a galáxia espiral Messier 83. Os astrônomos têm sugerido a possibilidade de que a natureza peculiar da NGC 5253 poderia ser o resultado de um encontro com a Messier 83, sua vizinha mais próxima. Essa imagem foi feita com a Advanced Camera for Surveys do Hubble combinando exposições tomadas na luz visível e no infravermelho. O campo de visão da imagem é de aproximadamente 3.4 por 3.4 arcos de minuto.
Fonte: http://www.spacetelescope.org
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