2 de fev de 2012

Rastro das Estrelas no Céu do Observatório de La Silla

Créditos e Direitos Autorais: Alexandre Santerne (Laboratoire d'Astrophysique de Marseille / Observatoire de Haute Provence)
Fixe sua câmera num tripé, aponte-a para o céu e dispare, com um determinado tempo de exposição você conseguirá registrar os graciosos rastros deixados pelas estrelas no céu à medida que a Terra gira em torno de seu eixo. Se o seu tripé e a sua câmera estiverem no Observatório de La Silla do ESO, no topo das montanhas do deserto de Atacama no Chile, os rastros deixados pelas estrelas na sua câmera parecerão com a imagem mostrada acima. Essa imagem foi feita com um tempo de exposição de 4 horas durante a noite do dia 24 de Janeiro de 2012, na verdade, a imagem acima é composta de 250 imagens consecutivas de 1 minuto de exposição cada uma, com a câmera apontada para o norte. O Polo Celeste Norte, que fica no centro dos arcos gerados pelos rastros das estrelas está abaixo do horizonte, quando observado do hemisfério sul. O que se pode ver do Chile é o Polo Celeste Sul, mas onde estaria esse ponto na imagem acima? Para conseguir isso, a câmera foi apontada para o centro do prato de 15 metros de diâmetro que aparece em primeiro plano na imagem acima, esse disco pertence à antena do Telescópio Submilimétrico Sueco do ESO, que atualmente encontra-se fora de funcionamento, no disco podemos ver por reflexão os rastros das estrelas girando ao redor do Polo Celeste Sul. Varrendo o Polo Celeste Sul, o arco distorcido dessas estrelas parecem estar abaixo do horizonte sul nessa imagem com foco invertido. À direita do disco está o domo do telescópio de 3.6 metros do Observatório de La Silla, esse domo abriga o espectrógrafo HARPS responsável por caçar exoplanetas. O vídeo abaixo mostra um rápido passeio pelo Observatório de La Silla no Chile.
Fonte: http://apod.nasa.gov/apod/ap120202.html

Cientistas descobrem quarto exoplaneta potencialmente habitável

O recém-descoberto planeta é aqui visto nesta impressão de artista, que mostra a estrela-mãe como parte de um sistema triplo.Crédito: Guillem Anglada-Escudé, Instituto Carnegie
Uma equipe internacional de cientistas descobriu uma super-Terra potencialmente habitável em órbita de uma estrela próxima. Com um período orbital de aproximadamente 28 dias e uma massa mínima 4,5 vezes a da Terra, o planeta orbita dentro da "zona habitável" da estrela, onde as temperaturas não são demasiado quentes nem demasiado frias para existir água líquida à superfície. Os investigadores descobriram evidências de pelo menos um e possivelmente outros dois ou três planetas adicionais em torno da estrela, que se situa a 22 anos-luz da Terra. A equipa inclui astrónomos da Universidade da Califórnia, em Santa Cruz, EUA (UCSC), e foi liderada por Guillem Anglada-Escudé e Paul Butler do Instituto Carnegie para a Ciência.

O seu trabalho será publicado na revista Astrophysical Journal Letters e também estará disponível brevemente para consulta online. A estrela faz parte de um sistema triplo e tem uma constituição diferente da do nosso Sol, com uma abundância muito menor de elementos mais pesados que o hélio, tais como o ferro, carbono e silício. Esta descoberta indica que os planetas potencialmente habitáveis podem existir numa variedade de ambientes maior do que se pensava. Os investigadores usaram dados públicos do ESO e examinaram-nos com um novo método de análise de dados. Também incorporaram novas medições obtidas com o espectrógrafo de alta-resolução Echelle acoplado ao Observatório Keck e com o novo espectrógrafo Carnegie acoplado ao Telescópio Magellan II.

A sua técnica de procura exoplanetária envolve a medição de pequenas oscilações no movimento da estrela provocadas pela atracção gravítica de um planeta. A estrela, denominada GJ 667C, é uma anã de classe-M. As outras duas estrelas do sistema triplo (GJ 667AB) são um par de anãs laranja de classe-K, com uma concentração de elementos pesados que corresponde a apenas 25% da do Sol. Tais elementos são os blocos de construção dos planetas terrestres, por isso pensava-se ser menos provável que sistemas estelares sem elementos metálicos tivessem uma abundância de planetas de baixa-massa.

Este diagrama mostra as órbitas dos planetas detectados em torno da estrela-mãe em relação à zona habitável.Crédito: Guillem Anglada-Escudé, Instituto Carnegie

"Não estávamos à espera que uma estrela deste género tivesse planetas. Mas aí estão, em torno de um exemplo muito próximo, pobre em metais, do tipo de estrela mais comum na nossa Galáxia," afirma Vogt, professor de astronomia e astrofísica da UCSC. "A detecção deste planeta, tão perto e tão cedo, implica que a Via Láctea deve estar repleta de milhares de milhões de planetas rochosos potencialmente habitáveis." Já se suspeitava que GJ 667C tivesse uma super-Terra (GJ 667Cb) com um período de 7,2 dias, embora este achado nunca tivesse sido publicado. Este planeta orbita muito perto da sua estrela e seria por isso demasiado quente para a existência de água líquida. O novo estudo começou com o objectivo de obter os parâmetros orbitais desta super-Terra. Mas além deste primeiro candidato, a equipa de pesquisa descobriu sinais claro de um novo planeta (GJ 667Cc) com um período orbital de 28,15 dias e uma massa mínima de 4,5 vezes a da Terra.

O novo planeta recebe 90% da luz que a Terra recebe. No entanto, dado que a maioria da sua luz recebida está no infravermelho, uma maior percentagem desta radiação deve ser absorvida pelo planeta. Quando ambos estes efeitos são tidos em conta, espera-se que o planeta absorva a mesma quantidade de energia da sua estrela que a Terra absorve do Sol.  "Este planeta é o novo melhor candidato a suportar água líquida e, talvez, vida como a conhecemos," explica Anglada-Escudé. A equipa descobriu que o sistema pode também conter um planeta gigante gasoso e uma outra super-Terra com um período orbital de 75 dias. No entanto, serão necessárias mais observações para confirmar estas duas hipóteses.  "Com o advento de uma nova geração de instrumentos, os investigadores serão capazes de estudar muitas estrelas anãs de classe-M em busca de planetas semelhantes e eventualmente procurar as assinaturas espectroscópicas da vida num destes mundos," afirma Anglada-Escudé.
Fonte: http://www.ccvalg.pt/astronomia/
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