17 de fev de 2012

Por que gastar tanto para ir a Marte?

São muitas as semelhanças entre a Terra e o vizinho vermelho. Elas podem ajudar a explicar nosso planeta ou até a construir um lar substituto para a humanidade
Não é de hoje que a humanidade se pergunta sobre a existência de vida naquele ponto avermelhado do céu que conhecemos como o planeta Marte. A recente missão norte-americana a nosso vizinho de sistema solar mostrou que as especulações são muito mais sérias do que fariam supor as fantasias terráqueas envolvendo homenzinhos verdes. Há fortes indícios de vida em Marte, e é basicamente à procura desses sinais que a Terra insiste em enviar missões de reconhecimento para lá. Situado a 56 milhões de quilômetros da Terra, quando em sua distância mínima, Marte é o planeta vizinho com que temos mais afinidade.

 Vênus fica mais "perto" (menor distância: 42 milhões de quilômetros), mas a temperatura chega a 500º C, o que virtualmente inviabiliza qualquer coisa semelhante à vida. Marte, apenas à primeira vista, não parece muito melhor. É um planeta morto e muito frio, com temperatura média de 55º C negativos e vastas regiões cobertas de gelo. Mas as aparências, nesse caso, realmente enganam. Por enquanto, é pouco e contraditório o que se sabe sobre o vizinho.

Contudo, as pesquisas se intensificaram desde 3 de Janeiro de 2004, quando pousaram em Marte dois jipes-robôs gêmeos da Agência Espacial Norte-americana (Nasa), o Spirit e o Opportunity. Cada um de um lado oposto do planeta, eles se juntaram a três sondas que já estavam lá, as norte-americanas Mars Global Surveyor e Mars Odyssey e a Mars Express, da Agência Espacial Européia (ESA).
análise geológica feita pelo robô Spirit detectou vestígios de água, que são um sinal de vida. Foto: Nasa/JPL

O Spirit e o Opportunity, equipados com microscópios, espectômetros (instrumentos ópticos que medem a radiação luminosa) e brocas, passearam em solo marciano a uma velocidade média abaixo de 100 metros por dia, lentidão suficiente para observar detalhes, fazer análises geológicas, tirar fotos e quebrar rochas. "Os robozinhos estão lá para fazer análises químicas e estruturais de perto, como num laboratório", diz Enos Picazzio, do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da Universidade de São Paulo.

Vestígios de água
O ponto alto da missão aconteceu no início de março, quando a Nasa anunciou a conclusão de que a região de Meridiani Planum — como o nome indica, lisa e plana — já esteve coberta, algum dia, por grandes quantidades de água. Análises feitas no local pelo Opportunity revelaram fortes indícios da presença de água, como marcas nas rochas e existência de minerais (hematita, por exemplo) que geralmente se formam mediante processos de hidratação. Sinais semelhantes foram detectados na cratera Grusev pelo Spirit. Reunidos, os vestígios se tornaram a confirmação de uma suspeita antiga, cumprindo o objetivo principal da missão dos robôs gêmeos. 

A presença de água em estado líquido é o pré-requisito fundamental para a ocorrência de vida como a conhecemos na Terra, mas ainda é cedo para afirmar que Marte já abrigou atividade biológica. Falta encontrar traços diretos de vida, atual ou em forma de fósseis. "As sondas Spirit e Opportunity foram projetadas para fazer medidas específicas e enviadas a locais escolhidos para realizar a análise da presença de água, que já era dada como certa", diz Picazzio. "Se a idéia fosse fazer outro tipo de busca, a missão seria diferente." 

A vida na Terra se fundamenta num meio aquoso, o único no qual as células são capazes de se reproduzir. Grande parte dos cientistas acredita que, se há vida extraterrestre, ela surgiu de processo semelhante ao ocorrido em nosso planeta, há 3,5 bilhões de anos, e deriva de moléculas orgânicas comuns no universo, como hidrocarbonetos ou aminoácidos. Por isso a "descoberta" de água em Marte é tão interessante — e desperta algumas possibilidades estimulantes. Uma delas é a de que Marte nem sempre tenha sido inóspito.

Se houve mesmo água em estado líquido no planeta, é porque o clima já foi muito diferente por lá — suficientemente quente para que a água se conservasse fluida. Três semanas depois do anúncio a respeito dos vestígios de água em Marte, os cientistas da Nasa divulgaram a conclusão de que um oceano — com sal — cobriu Meridiani Planum em tempos remotos. Cada vez mais, o Marte de ontem está se parecendo com a Terra de hoje.

Um espelho do futuro?
Dadas as semelhanças, o conhecimento sobre o vizinho pode nos ajudar a explicar nosso planeta. Marte pode se tornar um mundo experimental, no qual introduziremos a vida. É o que se chama de terraformação ou ecogênese. O passo inicial poderia ser a criação artificial de um efeito estufa, na forma de um cobertor de gases que aumente as temperaturas no planeta. Isso o recobriria de gás carbônico, por causa da composição da atmosfera marciana. Humanos e animais não teriam como respirar, mas seria um ambiente ideal para plantas — que devolveriam oxigênio ao ambiente.

Depois de muito tempo, a atmosfera poderia até se tornar semelhante à da Terra atualmente, configurando um lar substituto para a humanidade. É de esperanças como essa que se alimenta a aventura espacial. Uma vez fincada bandeira na Lua, em 1969, a humanidade — isto é, os países com recursos e ambições suficientes para enviar missões ao espaço — voltou os olhos para Marte. Quatro anos antes, a nave norte-americana Mariner 4 já havia sobrevoado a superfície marciana. Várias viagens se seguiram até que, em 1976, as missões norte-americanas Viking 1 e 2 chegaram a Marte, com laboratórios caros e sofisticados prontos para detectar sinais de vida — sem nenhum sucesso.

Espírito de aventura
O banho de água fria engrossou a crescente oposição popular norte-americana à "corrida espacial". As viagens para fora do planeta eram criticadas por terem se tornado pouco mais do que um dos itens da competição política entre Estados Unidos e União Soviética, as superpotências da Guerra Fria. Somente em 1996, depois de 21 anos praticamente paradas, as missões norte-americanas a Marte foram retomadas. Ainda hoje viajar para o planeta vermelho é um empreendimento arriscado, e cada vez que uma missão dá errado, as críticas voltam a chover. E isso acontece com freqüência.

 Pela mesma época em que os robôs e Spirit e Opportunity pousaram, duas outras sondas — a britânica Beagle 2 e a japonesa Nozomi — deveriam ter chegado a Marte, mas ambas se perderam no caminho. Mesmo que muita gente conteste a importância da exploração do espaço, parece haver um impulso irresistível nessa direção. Há quem diga que é da natureza do ser humano o desejo de ampliar fronteiras. Além disso, a possibilidade de vida fora da Terra também tem o dom de intrigar. Calcula-se que existam, universo afora, centenas de bilhões de galáxias, cada uma delas com dezenas de bilhões de estrelas. Uma delas é o Sol, em torno do qual orbitam nove planetas conhecidos, e um deles é a Terra. Por que só aqui haveria vida?

Quais foram as descobertas mais importantes do Hubble?

O Hubble demorou dez dias para produzir essa imagem, a mais profunda já obtida do espaço. Foto: Robert Williams and the Hubble . Deep Field Team (STScI) and NASA.

Em 2009, o telescópio Hubble completou 19 anos de atividades como uma das missões mais bem sucedidas da NASA. Durante esse período, fez 88.ooo observações de 29.000 corpos celestes. O telescópio produz essas imagens enquanto orbita a Terra a uma velocidade de 8km/s. Sem a interferência da atmosfera, ele pode enxergar o universo de uma maneira que um telescópio terrestre não conseguiria. Através das imagens produzidas pelo Hubble, os astrônomos comprovaram teorias e formularam novos conceitos. Acompanhe quais foram as cinco descobertas mais importantes do telescópio:

1 - Energia escura
Resultados obtidos pelo telescópio Hubble ao longo dos anos 90 proporcionaram uma das descobertas científicas mais importantes das últimas décadas. Desde os anos 20, os astrônomos sabem que o Universo está em expansão. Porém, acreditava-se ela fosse desacelerada pela ação da gravidade. "Foi uma surpresa quando os resultados obtidos pelo Hubble mostraram que esta expansão está na verdade acelerando. Iisso significa que existe uma força atuando de maneira oposta à gravidade", conta Roberto Costa, professor do Instituto Astronômico e Geofísico da USP. Por ter uma origem desconhecida, tal força foi chamada de energia escura.

2 - Imagens do Universo primitivo
 A imagem que ilustra este texto foi obtida com tempo de exposição de cerca de 10 dias. Durante o período, o telescópio fez imagens consecutivas da mesma região. As fotos foram depois somadas e, assim, os cientistas conseguiram produzir a imagem mais profunda do espaço já obtida em astronomia. Tal imagem recebeu o nome de "Hubble Deep Field". Através dela, é possível visualizar objetos de luz extremamente fracos, situados a distâncias da ordem da dezena de bilhões de anos-luz e que surgiram pouco tempo depois da formação do Universo. "Com esses resultados, foi possível ter uma visão clara do Universo primitivo pela primeira vez na história", diz Roberto.

3 - Idade do Universo
Desde o Big Bang, o Universo está em expansão, mas, até pouco tempo, não se sabia a que velocidade isso acontecia. Usando imagens do Hubble para medir a distância da Terra a outras galáxias e analisar estrelas chamadas de anãs brancas, dois grupos de cientistas conseguiram fazer a determinação mais precisa até hoje da velocidade da expansão e, consequentemente, da idade do Universo. Os resultados foram publicados em 1999 e 2002 e estimam que o Universo tenha entre 12 e 14 bilhões de anos.

4- Buracos negros supermassivos.
O centro das galáxias é uma região de atividade intensa, que era creditada à grande concentração de estrelas, gás e poeira. O Hubble descobrir que essa movimentação na verdade é causada pelos buracos negros supermassivos. Esse corpos são gigantescos, com massa bilhões de vezes superior à do nosso sol e capturam qualquer coisa que passa perto deles, inclusive a luz. Por causa disso, esses objetos não podem ser observados diretamente. Resultados obtidos em 1994 através de imagens de outros corpos celestes detectaram a existência dos buracos negros supermassivos e, desde então, os astrônomos começaram a fazer um censo deles. "Com isso, descobriu-se que a nossa galáxia também tem um buraco negro em seu núcleo", afirma o professor.

5 - Jovens planetas
Será que o nosso sistema solar é único? Pode ser que não. O Hubble descobriu discos achatados de poeira ao redor de estrelas jovens, indicando que existem sistemas planetários em formação. "Essas imagens complementaram as descobertas feitas por outros telescópios de planetas fora do sistema solar e indicam que sistemas planetários como o nosso devem ser comuns no Universo", diz Roberto. Além disso, em 2001 o Hubble obteve pela primeira vez a composição química da atmosfera de um planeta fora do nosso sistema, observando as cores obtidas quando a luz atravessa a atmosfera de um desses objetos na constelação de Pégasus.

NASA troca missão a Marte por supertelescópio espacial

O Telescópio Espacial James Webb, que já extrapolou todas as previsões orçamentárias, é o único ganhador indiscutível em um orçamento cheio de cortes.[Imagem: NASA]
Orçamento da NASA

O novo orçamento da NASA expõe os percalços da superpoderosa agência espacial em épocas de crise. Embora enorme, a cifra de US$17 bilhões, descontada a inflação, é menos da metade do orçamento da agência nos anos da missão Apolo. Enquanto o outrora poderoso programa espacial norte-americano ainda chora a desativação dos ônibus espaciais, sem que um substituto estivesse pronto, agora o impacto maior cairá sobre as missões a Marte e outros planetas. Com menos dinheiro, o governo Obama decidiu que é mais importante "correr atrás" do prejuízo nas órbitas baixas da Terra do que se aventurar em outros planetas em missões puramente científicas.

Sai Marte, entra telescópio

Mas isso não significa que a ciência esteja sendo deixada de lado. Na verdade, o orçamento de 2013 quase atende a uma reivindicação dos cientistas por uma NASA mais próxima da ciência básica: são US$4,9 bilhões para ciência, contra US$ 669 milhões para tecnologia espacial e US$552 milhões para pesquisas aeronáuticas - todas as cifras diminuíram, mas os cortes para ciência foram os menores. A grande vítima dos cortes de verbas foi o programa ExoMars, uma missão conjunta com a agência espacial europeia para buscar amostras de rochas de Marte. Isto aumenta a chance de que a Rússia seja aceito no projeto internacional, depois que raios cósmicos derrubaram sua última missão a Marte. E o grande ganhador foi o telescópio espacial James Webb, um supertelescópio que sofreu ameaças de continuidade depois de uma série de problemas de gestão.

Mudanças no horizonte

O novo orçamento também mantém os investimentos em um foguete e uma nave capazes de levar o homem até a Lua e a algum asteroide. Os dados divulgados hoje compõem a proposta do governo. O orçamento da NASA ainda precisará ser aprovado pelo Congresso, onde geralmente são feitas muitas modificações.
Fonte: http://www.inovacaotecnologica.com.br

Participação brasileira em megatelescópio deve sair da gaveta

A adesão do Brasil ao ESO (Observatório Europeu do Sul), o maior complexo astronômico do mundo, deve ser o primeiro grande projeto de expansão da ciência brasileira a sair do papel --isso se o contingenciamento de recursos anunciado na quarta-feira (15) pelo governo federal permitir.

O MCTI (Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação) acaba de enviar à Casa Civil o termo que define a participação do Brasil no ESO. O documento será apreciado, em seguida, pelo Congresso. Assinado em dezembro de 2010 entre o então ministro Sergio Rezende e o diretor-geral do ESO, Tim de Zeeuw, o projeto previa um custo para o Brasil de cerca de R$ 555 milhões nos próximos 11 anos.

O objetivo é a construção do E-ELT, o maior telescópio terrestre existente na Terra. Em 2011, o processo não avançou, deixando apreensiva a comunidade astronômica brasileira, majoritariamente favorável ao projeto (mas não unanimemente; pesquisadores renomados, como João Steiner, da USP, dizem que o custo é alto demais).  O encaminhamento da participação do Brasil no ESO foi o pontapé inicial para tirar do papel projetos milionários de ciência que ficaram parados na pasta de Ciência em 2011.

CARTEIRA VAZIA

A justificativa do governo para a estagnação dos projetos foi o corte de recursos: Aloizio Mercadante, ex-ministro de Ciência, perdeu 23% do orçamento em 2011. Na quarta-feira (15), o governo anunciou mais um corte. O orçamento de Ciência para 2012 ficou em R$ 5,2 bilhões: 20% menor do que em 2011.  "Todos esses projetos colocam o Brasil em novo patamar de ciência", disse o secretário-executivo da pasta, Luiz Antonio Rodrigues Elias. De acordo com Elias, a falta de recursos que agora ficou ainda pior será driblada por parcerias privadas e com fundações estaduais.

Além do ESO, também estão em jogo a negociação para a entrada do Brasil no Cern, maior laboratório de física de partículas do mundo, a construção de um novo acelerador de partículas no LNLS (Laboratório Nacional de Luz Síncrotron), em Campinas, e um reator multipropósito. Em entrevista à Folha na sua posse, o novo ministro de Ciência, Marco Antonio Raupp, disse que "os projetos são importantes, mas é preciso priorizá-los". Mas ele não anunciou suas preferências. O acordo com o ESO foi discutido após a posse de Raupp, em reunião entre ele, Mercadante e Dilma Rousseff para debater a transição na pasta de Ciência. Segundo a Folha apurou, Dilma observou a planilha de gastos dos próximos anos e instruiu que o acordo fosse tocado adiante.

 Cerca de 50% do orçamento do novo anel de luz síncrotron e do reator multipropósito do Ipen (Instituto de Pesquisa Energéticas e Nucleares) está no PPA (Plano Plurianual), de 2012 a 2015. Não se sabe, porém, quando e nem se esse dinheiro será liberado. "Mas estar no PPA já é um grande avanço", avalia José Perrota, do Ipen. Se implementado, o reator suprirá a demanda nacional de radioisótopos, necessários para a produção de fármacos.  "Não somos concorrentes. O reator é tão importante quanto o novo anel", avalia José Roque, do LNLS. Já a participação do Brasil no Cern ainda está sendo estudada pelo MCTI.
Fonte: Folha.com

Na Parede Oeste da Cratera Aristarco

Créditos e direitos autorais : NASA /GSFC /Arizona State Univ. /Lunar Reconnaissance Orbiter
O Platô Aristarchus está ancorado num vasto fluxo de lava proveniente do Oceanus Procellarum na Lua. Na borda sudeste do platô localiza-se a espetacular cratera Aristarchus, uma cratera de impacto com 40 km de diâmetro e 3 km de profundidade. Passeando por essa impressionante imagem panorâmica (clicando na imagem você acessa ela em resolução completa) você poderá se deparar diretamente com a parede oeste da cratera. Na parede da cratera você poderá descobrir algumas feições interessantes como os terraços, o material derretido por impacto escuro e depósitos de detritos, além de material brilhante que foi escavado no momento de formação da cratera e pedaços de rocha com até 100 metros de largura. Na sua resolução máxima, o mosaico tem 1.6 metros por pixel de escala, a nítida imagem foi criada a partir das imagens registradas pela câmera de ângulo restrito da sonda Lunar Reconnaissance Orbiter em Novembro de 2011. O ponto do qual a sonda fez as imagens estava no momento a 70 quilômetros a leste do centro da cratera e a sonda se encontrava a somente a 26 quilômetros acima da superfície da Lua.
Fonte: http://apod.nasa.gov/apod/ap120217.html
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