28 de fev de 2012

Galáxia anã põe em causa atuais modelos de formação de galáxias

 Imagem composta por 3 filtros, maioritariamente na banda do visível, da região I Zw 18. No canto superior direito pode ainda ver-se a galáxia anã azul, I Zw 18 C. (Papaderos et al., 2012)
O astrónomo Polychronis Papaderos, do Centro de Astrofísica da Universidade do Porto (CAUP), usou o telescópio espacial Hubble (HST) para obter observações extremamente precisas da galáxia I Zw 18. A sua investigação levou-o a concluir que esta enigmática galáxia anã poderá levar à correção dos atuais modelos de formação de galáxias. A galáxia anã I Zw 18 é uma das mais estudadas de sempre, pois entre as que apresentam uma forte atividade de formação estelar, é das mais pobres em elementos pesados. Além disso, a proximidade desta galáxia à Terra, conjugada com um tempo total de observação de quase 3 dias, permitiu obter dados com uma resolução e sensibilidade sem precedentes. A análise destes dados revelou que esta galáxia tem um extenso halo de gás, sem qualquer estrela, cerca de 16 vezes mais extenso do que a componente estelar da galáxia.

Este resulta da grande quantidade de energia libertada pelo surto de formação estelar pelo qual a I Zw 18 está a passar. Toda essa energia aquece e perturba o gás frio existente na galáxia, que emite uma quantidade de luz comparável à emitida por todas as estrelas da galáxia – a emissão nebular. Papaderos comenta que: “Este trabalho é inovador porque nos dá a primeira prova observacional que as jovens galáxias, que passaram por surtos de formação estelar no início do Universo, deverão ter estado envolvidas num enorme halo de emissão nebular. Este halo extenso é aquecido pela imensa energia de milhares de estrelas massivas, que se formaram durante o surto, e que rapidamente explodem como supernovas”.

Imagem composta, maioritariamente na banda do visível, da região I Zw 18, com sobreposição de contornos que mostram a distribuição das estrelas nesta galáxia. (Papaderos et al., 2012)

Até agora, para as galáxias mais distantes, onde não é possível atingir a resolução necessária para distinguir entre a emissão do gás e das estrelas, assumia-se que o gás ocupava a mesma região que as estrelas e que estas últimas eram responsáveis por emitir quase toda a luz observada. No entanto, este estudo mostrou que as galáxias que estão a atravessar um surto de formação estelar, à semelhança da I Zw 18, podem não obedecer a esta regra. Este resultado poderá levar a correções significativas em muito do trabalho que tem vindo a ser desenvolvido em astronomia extragalática e cosmologia. Um exemplo disto é o cálculo da massa correspondente a estrelas numa galáxia, que é estimada a partir da luminosidade total.

No entanto, tal como estes resultados demonstram, até 50% dessa luminosidade pode corresponder à emissão nebular, e não a estrelas. Outro dos resultados obtidos neste trabalho mostra que, segundo Papaderos, “a distribuição da emissão nebular pode ser confundida com um disco de estrelas, o que pode resultar em classificar erradamente a galáxia, ainda em formação, como uma galáxia já totalmente formada” (uma espiral ou uma elíptica gigante). Assim, muitos dos estudos anteriores para determinar a evolução de galáxias desde o início do Universo, poderão ter cometido estes erros na classificação. Para além disso, estes resultados têm também uma grande importância para o conhecimento atual acerca de formação de galáxias, uma vez que a equipa concluiu que a I Zw 18 é extremamente jovem, tendo a maioria das suas estrelas menos de mil milhões de anos. Ou seja, esta jovem galáxia está neste momento a passar pela fase dominante de formação estelar, à semelhança das que se formaram logo a seguir ao Big Bang.
Fonte: http://www.astro.up.pt

Cientistas americanos querem missão a Marte em 2018

Com 700 milhões de dólares, especialistas esperam construir orbitador para coletar dados sobre a atmosfera do planeta para futura missão tripulada
Cientistas estão 'quebrando a cabeça' para pensar em missões a Marte com o orçamento reduzido (Nasa)

Depois de lançar o Mars Science Laboratory (MSL), em novembro do ano passado, cientistas da agência espacial americana, a Nasa, anunciaram planos de lançar uma nova missão a Marte em 2018. O anúncio foi feito durante o encontro anual do Grupo de Análise do Programa de Exploração de Marte, em Washington, nos Estados Unidos. Mas, enquanto o MSL tem como objetivo estudar as origens e características de Marte, a nova missão deve se concentrar em formas de facilitar a ida do homem ao planeta.

A notícia veio duas semanas depois que o governo americano anunciou cortes drásticos no orçamento da Nasa e uma mudança de prioridades. A partir de agora, a agência deve se concentrar em desenvolver tecnologias que vão enviar o homem além da órbita da Terra, incluindo Marte. Isso quer dizer que a parte não tripulada do programa marciano (e de outros planetas) deixou de ser uma prioridade.  Uma das missões aventadas durante o encontro seria um orbitador de 700 milhões de dólares.

Os cientistas querem aproveitar o fato de que em 2018 Marte estará mais próximo da Terra, o que reduziria os custos da missão com combustível. A missão seria uma forma de dar continuidade ao programa, mesmo com pouco dinheiro. Por causa dos cortes no orçamento, a Nasa decidiu abandonar o programa ExoMars, tocado junto com a ESA (agência espacial europeia). O plano era enviar um orbitador em 2016 para medir gases na atmosfera e um jipe em 2018 para coleta de amostras. 

Para se ter uma ideia dos cortes propostos, o dinheiro investido nas pesquisas sobre Marte pode cair dos atuais 587 milhões de dólares para 189 milhões em 2015. A Nasa anunciou que já possui duas missões importantes em atividade — o James Webb Telescope, previsto para 2018, e o jipe Mars Science Laboratory — e que, portanto, não poderia se comprometer com grandes projetos. A possível missão em 2018, levantada durante o encontro em Washington, poderia realizar parte dos projetos científicos previstos para o orbitador da ESA, além de realizar medições importantes para o programa de exploração humana. A divisão precisará de mais detalhes sobre a dinâmica da atmosfera marciana antes de tentar colocar astronautas na superfície do planeta.

Astrônomos de olho em supernovas do passado e do futuro

Hubble acompanha explosão detectada há 25 anos e evolução de estrela agonizante
Supernova em ação: astrônomos acompanham evolução de explosão detectada em 1987
 
Há pouco mais de 25 anos, em 23 de fevereiro de 1987, uma nova estrela no céu chamou a atenção de astrônomos de todo o mundo. Era a supernova 1987A, a mais brilhante em quase 400 anos de observações astronômicas. Localizada a 160 mil anos-luz da Terra, ela também foi a primeira que pôde ser acompanhada de perto pelos poderosos instrumentos modernos. Um destes instrumentos foi o telescópio espacial Hubble, que entre 1994 e 2009 acompanhou a dispersão dos restos da estrela destruída rumo a um anel de material de um ano-luz de diâmetro anteriormente expelido por ela.
 
Unidas no vídeo acima, as imagens do Hubble mostram como a onda de choque da explosão, movendo-se a velocidades próximas de 60 milhões de quilômetros por hora, aqueceu e fez brilhar este material, fornecendo novas pistas sobre a dinâmica destes eventos, entre os mais energéticos do Universo. Enquanto isso, os astrônomos também estão usando o Hubble e outros observatórios no espaço e em terra para monitorar outra estrela agonizante que deve explodir em uma supernova em breve em termos astronômicos, isto é, algo entre amanhã e daqui a 1 milhão de anos.
 
A 7,5 mil anos-luz de distância, a estrela, batizada Eta Carinae, já teve uma grande ejeção de material que fez com que fosse uma das mais brilhantes do céu em 1843, gradualmente perdendo intensidade até ficar invisível a olho nu em 1868.  Estudos recentes conseguiram identificar os ecos desta primeira explosão, o que permitiu que os cientistas calculassem quanto material a Eta Carinae perdeu nela, aumentando a compreensão da evolução destes astros. A expectativa é de que quando a estrela finalmente se tornar uma supernova, ela provoque o mesmo tipo a fenômeno como o visto no anel em torno da 1987A.
Fonte: http://oglobo.globo.com

Quando a água fluiu em Marte: fotos coloridas mostram vales esculpidos pelas enchentes antigas

Essas fotos são versões incrivelmente detalhadas em 3D feitas pela Agência Espacial Europeia da região Vallis Tiu, na superfície do planeta Marte. A região erodida é um vale no quadrângulo de Oxia Palus. Sua extensão é de 1.720 quilômetros e seu nome vem da palavra “Marte” em inglês antigo (germânico ocidental).
O mosaico da região foi codificado por cores (que indicam as áreas mais e menos elevadas) e destaca a geografia espetacular da área, que teria sido criada por inundações altamente energéticas do rugido da água que um dia existiu em toda a superfície do planeta. As imagens geradas com dados do sistema de câmera estéreo de alta resolução da nave Mars Express mostram modelos digitais de terreno do que a topografia da superfície poderia ser derivada.
Cores foram atribuídas a diferentes elevações na paisagem. As imagens foram capturadas em 10 órbitas da nave e mostram uma área de aproximadamente 380 quilômetros de comprimento. A agência disse que fica claro que o Tiu Vallis e as massas de água que fluíram dentro dele escavaram a uma profundidade de 1.500 a 2.000 metros ao norte do planalto marciano. Crateras de impacto individuais no fundo do vale formaram depressões marcantes, que ocorreram em um momento que a água já não corria mais ali – caso contrário, teriam sido preenchidas com sedimentos.
Fonte: hypescience.com
[DailyMail]

Fluxos ultra-rápidos ajudam buracos negros supermassivos a esculpir as suas galáxias

correlação curiosa entre a massa de um buraco negro central de uma galáxia e a velocidade das estrelas numa estrutura vasta e aproximadamente esférica conhecida como "bojo" tem intrigado os astrónomos durante anos. Uma equipa internacional liderada por Francesco Tombesi do Centro Aeroespacial Goddard da NASA em Greenbelt, no estado americano de Maryland, identificou um novo tipo de escoamento conduzido por buracos negros que parece ser suficientemente poderoso e comum para explicar esta ligação.

As Duas Caudas Opostas Do Cometa Garradd

Crédito de imagem e direitos autorais: Robert Pölzl
Por que o cometa Garradd tem duas caudas? Visível à esquerda está a cauda de poeira do Cometa Garradd que é composta de gelo e poeira que segue o cometa em sua órbita ao redor do Sol. Visível à direita, está a cauda de íon do Cometa Garradd que é composta de gás ionizado que é soprada diretamente contra o Sol pelo vento solar. A maioria dos cometas mostram duas caudas, embora não seja comum que elas apareçam em direções opostas. O Cometa Garradd atualmente mostra caudas opostas devido a uma visão angular intermediária oportuna da Terra. Tonalidades sutis mostradas na imagem acima, registrada na última semana, mostra a cauda de poeira com um brilho levemente amarelo já que seus grandes grãos refletem a luz do Sol de forma acromática, enquanto que a cauda de íon brilha com uma tonalidade levemente azul já que os íons de monóxido de carbono refletem a luz do Sol de forma mais eficiente. No centro, ao redor do núcleo do cometa, está a coma levemente colorida de verde, que mostra essa coloração graças a uma mistura de poeira e gases que inclui cianogênio que emite a luz verde. Embora, agora esteja derivando para fora do Sol, o Cometa Garradd fará sua maior aproximação da Terra na próxima semana.
Fonte: http://apod.nasa.gov/apod/ap120228.html
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