8 de mar de 2012

Galáxia NGC 1097

Imagem da galáxia NGC 1097, perfil nuclear da linha Hα (abaixo à esquerda), indicando a presença de um disco de gás (representado por um esquema acima à esquerda) girando com velocidades entre 5 000 e 10000 km/s em torno de um buraco negro central supermassivo
A NGC 1097 é uma galáxia espiral barrada com núcleo LINER e tipo SBbc. Esta galáxia foi estudada por Thaisa Storchi Bergmann com o objetivo de investigar a cinemática do gás emissor na região central. Para isto, foram obtidos espectros em torno da linha Hα (esta é uma linha de emissão do hidrogênio e é gerada quando um elétron passa do terceiro para o segundo nível de energia deste átomo, correspondendo a um comprimento de onda de 6563 Ångstrons). O espectro nuclear obtido mostrou um perfil da linha Hα com duplo pico e largura ~ 20 000 km/s. Analogamente aos casos anteriormente discutidos, esta observação foi interpretada como sendo devida a gás girando a alta velocidade (10 000 km/s ) em um disco de acresção. A figura abaixo mostra uma imagem da galáxia juntamente com o perfil espectral da linha Hα no espaço de velocidades (ou seja, o comprimento de onda da radiação já foi transformado em velocidade do gás). Um modelo simplificado para explicar o perfil é também apresentado: um disco de gás girando em torno do buraco negro central. Para se avaliar o significado das velocidades observadas, podemos fazer uma comparação: as máximas velocidades registradas para gás em rotação no disco de uma galáxia, devido ao potencial gravitacional da sua região central são da ordem de 250 a 300 km/s. Velocidades de rotação de milhares de km por segundo só podem ser produzidas por concentrações centrais de milhões a bilhões de massas solares dentro de regiões muito pequenas (de dias a meses-luz).
Através de um modelamento detalhado para o perfil de duplo pico da linha Hα, verificou-se que o mesmo pode ser reproduzido por emissão de um gás ionizado localizado nas partes externas de um disco de acreção em torno de um buraco negro supermassivo. Como o perfil é gerado nas partes externas do disco, a estrutura emissora é na verdade um anel. Uma hipótese para a formação deste anel é: uma estrela teria passado a uma distância do BN menor do que seu raio de maré. A enorme força de maré do BN sobre a estrela a destrói, e parte da matéria da estrela entra em órbita em torno do BN, formando o disco de gás (disco de acreção). Um esquema da captura de uma estrela por um buraco negro central é apresentado na figura ao lado(a partir de Rees 1997). O raio de maré é rt.
Estes resultados foram publicados em vários artigos científicos no periódico Astrophysical Journal: Storchi-Bergmann et al. 1993, ApJ, 410L,11; 1995, 443,617S; 1997, 489,87. Em Storchi-Bergmann et al. 2003, 598, 956, os autores modelaram a evolução do perfil de duplo pico, onde chegaram à conclusão que o disco (ou anel) é circular mas tem uma assimetria na sua emissão produzida por um braço espiral presente no disco. Desde da descoberta do perfil transiente no núcleo da NGC 1097, o mesmo tem sido monitorado por Storchi-Bergmann e colaboradores. De 1991 a 2001 fizeram-se observações anuais dos perfis, mas no final de 2010 e no ano de 2011 foram feitas observações semanais, e se descobriu que o perfil varia nestas escalas de tempo (uma semana), indicando que o raio médio do disco é da ordem de uma semana-luz. Além disso, através da variação das intensidades dos picos azul e vermelho do perfil de duplo pico, verificou-se também que o braço espiral dá uma volta completa num intervalo de tempo de 1 ano e meio ao invés de 5 anos e meio como tinha sido anteriormente encontrado a partir das observações anuais (1991-2001). Concluiu-se que o resultado anterior se deveu a uma amostragem muito esparsa das variações do perfil.

Júpiter Visto da Terra

Crédito de imagem: NASA / Damian Peach
Essa imagem de Júpiter e de suas luas Io e Ganimede foi adquirida pelo astrônomo amador Damian Peach em 12 de Setembro de 2011, quando Júpiter estava perto de sua oposição. Nessa imagem o sul está para cima e a Grande Mancha Vermelha pode ser vista na imagem. A astronomia baseada na Terra terá papel vital no sucesso da missão Juno da NASA. Pelo fato de Júpiter ter uma atmosfera dinâmica, as imagens obtidas pelos astrônomos amadores ajudará a equipe do instrumento JunoCam a prever que feições serão visíveis quando as imagens da câmera forem adquiridas. Com um conjunto de instrumentos científicos, a sonda Juno irá investigar a existência de um núcleo planetário sólido, mapear o intenso campo magnético do planeta, medir a quantidade de água e amônia na atmosfera profunda e observar as auroras do planeta.
Fonte: http://www.nasa.gov/multimedia/imagegallery/image_feature_2190.html

Seis minutos de terror

Em agosto, estaremos bem no meio das Olimpíadas de Londres – o maior espetáculo da Terra. Mas não para alguns. Essa também será a época do pouso da nave Curiosity (Curiosidade), da NASA, em Marte. Os americanos enviaram o maior carro robótico da história para o planeta vermelho, que deve pousar lá em breve. “Especificamente, Curiosity chegará a Marte dia seis de agosto, às seis horas, 30 minutos e 13 segundos, horário de Londres”, comenta Charles Elachi, que lidera o Laboratório de Propulsão de Jatos, na Califórnia, onde a missão foi criada. O Curiosity é a última nave, dirigida por ele, a sair da NASA desde 2001. Lançada em novembro passado, a nave de 900 quilogramas está na metade de seu destino. O robô de U$ 2,5 bilhões é de longe a máquina mais capaz de tocar o outro mundo. Está cheio de instrumentos científicos e até carrega um laser para quebrar rochas e determinar suas químicas.  Seu enorme peso significa que os engenheiros tiveram que desenvolver um novo tipo de mecanismo de pouso para o Curiosity. Eles chamam o sistema de “guindaste aéreo”.   É como um guindaste com foguetes que vai gentilmente abaixar o carro até o chão. Mas, até esse ponto, a missão tem que sobreviver ao que Elachi chama de “seis minutos de terror” – a entrada na atmosfera marciana e o esforço gigante de reduzir a velocidade com a ajuda de um escudo térmico, um para quedas e foguetes. “Nós vamos estar muito nervosos. Pousar em outro planeta não é uma caminhada no parque”, comenta o diretor. O carro espacial tem quase uma tonelada. Com o escudo térmico e o guindaste, ele fica com quase três toneladas de massa, chegando a uma velocidade de 20 mil quilômetros por hora, tendo que pousar de maneira suave em seis minutos. “Para dar um ideia da energia com que estamos lidando, isso é o equivalente a 25 trens de alta velocidade, usando a velocidade máxima, que temos que dissipar em seis minutos para poder pousar na superfície marciana”, explica. A precisão necessária, o ângulo e a localização certos, é equivalente a alguém estar em Los Angeles e acertar uma bola de golfe na cidade St. Andrews, na Inglaterra, e a bola entrar no buraco. “E, para tornar isso ainda mais desafiador, o buraco precisa estar se movendo, porque Marte está se movendo em alta velocidade”, diz. Com o corte de orçamento da NASA feito pelo presidente Obama, o Curiosity pode ser a última missão superficial no planeta vermelho por muitos anos. E isso adiciona ainda mais tensão ao dia seis de agosto. Mas Elachi lembra que os antigos carros espaciais da NASA, o Spirit e o Opportunity, pousaram sem problemas, em 2004. Quando pousamos os dois, foi logo depois do acidente com o Columbia. E muitas pessoas estavam dizendo ‘A NASA perdeu o caminho; ela não sabe como fazer as coisas’”, comenta. “Então você pode imaginar a pressão que estava em nós. Vai haver algo parecido com o Curiosity. Tudo depende desses seis minutos. Com certeza vamos pousar. Mas é preto ou branco. Ou pousamos com segurança ou batemos. Sobre o corte de orçamento, ele comenta que está acontecendo um processo de replanejamento, mas ainda existe dinheiro o suficiente. “Claro, nós adoraríamos fazer uma missão em 2016 e outra em 2018, em conjunto com a Europa, mas a situação financeira torna isso improvável. A NASA está olhando para uma oportunidade em 2018 ou 2020”, afirma.
Fonte: http://hypescience.com
[BBC]

Galáxia esconde berçário de estrelas sob camada de poeira

Os pontos vermelhos que aparecem na imagem são locais onde estrelas são formadas na galáxia Centaurus A
O telescópio espacial Hubble fotografou a galáxia elíptica Centaurus A sem a poeira estelar que geralmente a encobre. A imagem, divulgada nesta quarta-feira pela Nasa (agência espacial americana), revela grupos de estrelas jovens em formação que normalmente são difíceis de visualizar. Elas aparecem como pontos vermelhos no close feito pelo Hubble. O formato ovalado da Centaurus A, que está a cerca de 12 milhões de anos-luz, decorre de uma colisão no passado com outra galáxia. O impacto resultou em nuvens e gás hidrogênio que, prensados, levaram a uma série de nascimento de estrelas. A Centaurus é uma das galáxias mais próximas da Terra que contém um núcleo galáctico bem ativo. No centro, há um buraco negro que não está visível na foto.
Fonte:Folha.com

Cientistas do CERN conseguem enxergar pela primeira vez dentro da antimatéria

Experiência reteve átomos de antimatéria e conseguiu começar a estudar suas propriedades
Cientistas do Centro Europeu de Pesquisa Nuclear (CERN) conseguiram "enxergar" pela primeira vez dentro da antimatéria, o que forneceu informações inéditas sobre sua estrutura interna. Jeffrey Hangst, o porta-voz do experimento que busca a antimatéria, o ALPHA, anunciou nesta quarta-feira, 7, que foi realizada "a primeira, embora modesta", medida do espectro do antiátomo, no caso do antihidrogênio, um "avanço enorme" no caminho para decifrar um dos mistérios mais profundos da física e das partículas e talvez para entender a própria existência do Universo.  "O que estamos fazendo é olhar dentro da antimatéria, dentro de um átomo de matéria, pela primeira vez. Estamos estudando isto da mesma maneira que os físicos atômicos estudaram o hidrogênio, o hélio e outros átomos da tabela periódica, estamos tratando o átomo de antimatéria da mesma maneira", afirmou.  "É um passo enorme que nunca tínhamos conseguido até agora", acrescentou Hangst. As conclusões da pesquisa foram publicadas no último número da revista científica "Nature".  Vivemos num mundo aparentemente formado unicamente por matéria, apesar de antes do Big Bang (a explosão que deu origem ao Universo há 14 bilhões de anos) a matéria e a antimatéria existiram na mesma própria proporção. Portanto, conhecer a estrutura do antiátomo é penetrar no desconhecido e desafiar as leis vigentes da física. A medida do espectro do antihidrogênio realizada no CERN representa um enorme avanço pois permite comparar o hidrogênio com seu equivalente de antimatéria e poderia explicar "por que a natureza teve uma preferência pela matéria ao invés da antimatéria".  "Demonstramos que podemos comprovar a estrutura interna do antihidrôgenio e agora sabemos que é possível projetar experimentos para fazer uma medida detalhada dos antiátomos", explicou Hangst. O modelo padrão da física estabelece que o hidrogênio e seu antiátomo deveriam possuir um espectro idêntico. O responsável pelo ALPHA explicou que o objetivo é confirmar ou descartar se existe uma diferença entre os dois espectros, para estabelecer se o modelo padrão -a teoria que descreve as interações fundamentais conhecidas entre as partículas que compõem a matéria- é aplicável também à antimatéria.  "Esta é a primeira medida espectroscópica que se conseguiu. Repetimos o experimento cerca de 300 vezes para obter o resultado", comemorou o cientista, que adiantou que durante os próximos anos se trabalhará para melhorar a exatidão das medidas.  "Com a precisão atual não é possível verificar as diferenças entre as medidas de hidrogênio e antihidrogênio, por isso no futuro empregaremos outros mecanismos de medida, como o laser", disse. Em junho do mês passado, o ALPHA conseguiu reter pela primeira vez átomos de antimatéria durante mais de dezesseis minutos, tempo suficiente para começar a estudar suas propriedades.
Fonte: ESTADÃO

Tempestade solar se aproxima da Terra e pode afetar equipamentos

Imagem divulgada pela Nasa mostra tempestade solar em direção à Terra.Foto: AP
 
Uma forte tempestade geomagnética originária do Sol deve chegar na quinta-feira à Terra, onde pode afetar redes elétricas, transportes aéreos e aparelhos de GPS, segundo especialistas americanos. A tempestade - uma gigantesca nuvem de partículas expelida pelo Sol a cerca de 7,2 milhões km/h - foi provocada por duas erupções solares, de acordo com os cientistas. Essa é provavelmente a mais violenta tempestade solar em quase seis anos, superando uma semelhante no final de janeiro, segundo Joseph Kunches, um "meteorologista espacial" que trabalha na Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos EUA (NOAA).

A perturbação solar, segundo Kunches, tem três estágios, dos quais dois já estão afetando a Terra. Primeiro, duas labaredas solares, movendo-se quase à velocidade da luz, chegaram à Terra, na noite de terça-feira. Elas podem afetar transmissões de rádio. Em seguida, a radiação solar atingiu, na quarta-feira, o campo magnético terrestre, com possível impacto sobre o tráfego aéreo, especialmente perto dos polos. Satélites e astronautas em caminhadas espaciais também estão sujeitos aos efeitos dessa fase, que pode durar vários dias. Finalmente, a nuvem de plasma emitida pela ejeção de massa coronal - que é basicamente um pedaço grande da atmosfera solar - deve chegar na manhã de quinta-feira à Terra.

Essa fase pode afetar o funcionamento de redes elétricas, satélites, oleodutos de GPSs de alta precisão usados em certas operações petrolíferas e agrícolas, segundo os cientistas. O GPS comum, como o dos carros, não deve ser afetado, segundo Doug Biesiecker, da NOAA. Kunches disse que o componente geomagnético da tempestade pode se antecipar um pouco por ocorrer logo depois de uma tempestade anterior, que saiu do Sol no domingo e está atualmente castigando a magnetosfera terrestre.

 "Quando você já teve uma tempestade de ejeção de massa coronal, às vezes a próxima tempestade de ejeção de massa coronal é mais rápida em chegar aqui", disse Kunches. As tempestades podem produzir vívidas auroras polares. No Hemisfério Norte, o fenômeno poderia ser visto até em latitudes médias, como em Nova York. Cientistas dizem que o Sol está numa fase de atividade ascendente no seu ciclo de 11 anos, e o pico está previsto para 2012.
Fonte: TERRA
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