9 de abr de 2012

5 esquisitices da nossa Via Láctea

Os cientistas já conseguiram explicar muita coisa sobre nosso universo, mas certamente não tudo. Provavelmente a maioria das peculiaridades do mundo nós ainda nem conhecemos ou não fazem nexo para nós, como estrelas que brilham demais sem razões, ou que conseguem orbitar próximas a buracos negros sem serem engolidas. Enfim; anormalidades que não entendemos como são possíveis, pelo menos por enquanto.

V838 Monocerotis
Em fevereiro de 2002, essa estrela ainda não reconhecida, há cerca de 20 mil anos-luz de nós, atingiu uma luminosidade um milhão de vezes maior do que o sol. No mês seguinte, o evento aconteceu de novo. E depois, em abril, pensou-se que era uma estrela do tipo nova, explosão que aumenta o brilho de uma estrela. Mas as novas não acontecem três vezes seguidas e depois param. Seriam duas estrelas colidindo? Ou uma estrela engolindo três planetas gigantes? Que &*¨%$#@ é essa? A única coisa de que os cientistas têm certeza é que a luz refletida na poeira ao seu redor gerou cores maravilhosas.

Retardatários azuis
Densos agrupamentos estelares da Via Láctea abrigam uma série de estrelas avermelhadas, com pouca luminosidade e muito antigas, a maioria com mais de dez bilhões de anos. Alguns poucos agrupamentos, entretanto, brilham em azul e branco – o que sugere a presença de estrelas quentes, novas e brilhantes. Agora, os cientistas pensam que esses “retardatários azuis” são tão antigos quando os outros, mas de alguma maneira rejuvenesceram. Algumas estrelas podem ter sugado o gás de outras vizinhas ou serem o resultado da fusão de duas mais antigas.

Sagitário A*

Sagitário A* é uma fonte de ondas de rádio no centro da Via Láctea, onde se imagina que exista um buraco negro gigantesco, com quatro milhões de vezes a massa do sol. Em algumas galáxias, um buraco negro desse tipo seria uma terrível fonte de radiação. Mas não é o caso do nosso. Sagitário A* possui uma quantidade pequena de gás, e parece ser um pouco ineficiente em converter isso em calor e luz.

S2
S2 não é um coração virtual. É uma estrela azul-branca rápida e intensa, para a qual não temos explicações. Ela faz sua órbita muito perto do buraco negro central, o Sagitário A*, a uma velocidade de até cinco mil quilômetros por hora. A essa distância, a gravidade do buraco negro não deveria permitir que as nuvens de gás se condensassem para formar novas estrelas. Esse comportamento até poderia acontecer com estrelas mais velhas, mas não uma tão jovem, com não mais do que dez milhões de anos.

SDSS J102915+172927
A maior parte das estrelas atuais contém uma pequena quantidade de elementos pesados, herdados de gerações estelares antigas. Não no caso dessa, localizada mais de quatro mil anos-luz de nós. Descoberta no ano passado, ela é formada praticamente por hidrogênio e hélio, com apenas 0,00007% de outros elementos. Essa composição é similar à matéria do Big Bang. Essa quantidade de gás puro, sem o carbono e o oxigênio que normalmente ajudam as nuvens de gás a se resfriarem e condensarem, era para estar presente apenas em estrelas jovens e colossais. Ninguém sabe ainda como esse objeto se formou.
Fonte: http://hypescience.com
[NewScientist]

O Coração Negro De Colisão Cósmica

A galáxia peculiar Centauro A no infravermelho distante e em raios-X. Crédito: Infravermelho: ESA/Herschel/PACS/SPIRE/C.D. Wilson, Universidade MacMaster, Canadá; Raios-X: ESA/XMM-Newton/EPIC
Observações infravermelhas e em raios-X com dois telescópios espaciais europeus foram combinadas para criar um único olhar sobre eventos violentos dentro da galáxia gigante Centauro A. As observações fortalecem a visão de que a galáxia pode ter sido criada pela colisão cataclísmica de duas galáxias mais antigas. Centauro A é a galáxia elíptica gigante mais próxima da Terra, a uma distância de mais ou menos 12 milhões de anos-luz. É conhecida por ter um buraco negro massivo no seu núcleo e emitir intensas explosões de ondas de rádio. Embora imagens anteriores obtidas no visível apontem para uma complexa estrutura interna em Centauro A, a combinação dos dados de dois observatórios da ESA, que trabalham nas pontas quase opostas do espectro electromagnético, revelam esta estrutura invulgar em muito mais detalhe. A galáxia foi observada por Sir John Herschel em 1847 durante o seu estudo dos céus do hemisfério sul. Agora, 160 anos depois, o observatório com o seu nome de família desempenhou um papel único na descoberta de alguns dos seus segredos. Novas imagens obtidas numa resolução sem precedentes com o observatório espacial Herschel e no infravermelho longínquo, mostram que a gigantesca cicatriz escura de poeira obscurecente, que atravessa o centro de Centauro A, desaparece completamente. As imagens mostram o disco interior achatado de uma galáxia espiral com a forma que os cientistas acreditam ser devida a uma colisão com uma galáxia elíptica durante um passado muito distante.
As imagens utilizadas para fazer a imagem em múltiplos comprimentos de onda de Centauro A.Crédito: Infravermelho: ESA/Herschel/PACS/SPIRE/C.D. Wilson, Universidade MacMaster, Canadá; Raios-X: ESA/XMM-Newton/EPIC; visível: ESO/telescópio MPG de 2,2 metros em La Silla
Os dados do Herschel também revelam evidências de intensa formação estelar no centro da galáxia, bem como dois jactos emanando do núcleo galáctico - um deles com 15.000 anos-luz de comprimento. Nuvens recém-descobertas co-alinhadas com os jactos também podem ser observadas no infravermelho longínquo. "A sensibilidade das observações do Herschel permite-nos não só ver o brilho da poeira dentro e em redor da galáxia, mas também a emissão de electrões nos jactos que espiralam em campos magnéticos a velocidades perto da velocidade da luz," explica Göran Pilbratt, cientista do projecto Herschel. O observatório de raios-X XMM-Newton registou o brilho altamente energético de um dos jactos, que se prolonga por mais de 12.000 anos-luz a partir do brilho núcleo galáctico. A imagem em raios-X do XMM-Newton mostra não só o modo como o jacto interage com a matéria interestelar em volta, mas também o núcleo intensamente activo da galáxia e o seu enorme halo gasoso.  "O XMM-Newton está bem adequado para detectar a emissão fraca de raios-X, muitas vezes permitindo-nos ver halos em torno de galáxias pela primeira vez," realça Norbert Schartel, cientista do projecto XMM-Newton. Os jactos observados por ambos os satélites são evidência do buraco negro supermassivo - com dez milhões de vezes a massa do nosso Sol - no centro da galáxia. Esta colaboração única, em conjunto com observações terrestres no visível, deram-nos uma nova perspectiva sobre o que se passa em objectos como Centauro A, com um buraco negro, formação estelar e a colisão de duas galáxias distintas.
Fonte: http://www.ccvalg.pt/astronomia/

Sua última chance de ver Vênus em trânsito


Assistindo a silhueta minúscula do planeta Vênus lentamente atravessar a face do sol não evocar o mesmo drama e emoção como experimentar um eclipse solar total, mas o que faz um trânsito tão único é a sua raridade e importância histórica. Imelda B. Joson e Edwin L. Aguirre
Anote na agenda: do dia 5 de junho para o dia 6 do mesmo mês, vai acontecer um evento celestial raro, chamado de trânsito de Vênus, que muito provavelmente não vai se repetir dentro do seu período de vida. A não ser que você viva mais de 120 anos. O fenômeno consiste no alinhamento de Vênus com o sol, causando uma espécie de “eclipse”. Mas não se trata de um eclipse verdadeiro, já que Vênus é 30 vezes menor que a maior estrela de hélio de nossa galáxia. Tanto que apenas 0,1% do brilho solar será afetado. Por isso, tal fenômeno é intitulado “trânsito” pelos físicos. O evento durará cerca de 7 horas e, no Brasil, só será visível no extremo oeste, de acordo com o Centro de Divulgação da Astronomia, da Universidade de São Paulo (USP). E, segundo especialistas, os trânsitos de Vênus têm um período variável, porém previsível. Ele acontece em um intervalo de 8 anos, sempre seguido de outro intervalo de aproximadamente 121 anos, que, por sua vez, é seguido por outro intervalo de cerca de 105 anos. A última vez que o evento aconteceu foi em junho de 2004 e, depois deste ano, o próximo só ocorrerá no ano 2117. As melhores localizações para observar o raro fenômeno estão no leste asiático, no leste da Austrália, na Nova Zelândia e no oeste do oceano Pacífico, bem como no Alasca, no norte do Canadá e em quase toda a Groelândia. Aqui na América do Sul e Central, contudo, o trânsito só será visível durante seu início.
Fonte: http://www.msnbc.msn.com

Agora é tudo ou nada para encontrar o Bóson de Higgs

O Grande Colisor de Hádrons (LHC, na sigla em inglês) está de volta à ativa. E este é momento decisivo para os físicos caçadores do bóson de Higgs: agora ou vai ou racha. Embaixo dos alpes da fronteira entre França e Suíça, perto de Genebra, a maior máquina construída até hoje está se preparando para sua investida final sobre a partícula de Deus, como também é conhecido o bóson. Ano passado, o Cern, o maior laboratório do mundo, fez um anúncio de que havia achado pistas do tão falado bóson de Higgs, o que, mais tarde, se mostrou precipitado. Nos próximos seis meses, os cientistas do laboratório irão explicar a existência da partícula ou forçar os físicos a rever alguns de seus conceitos.

O LHC foi consertado e está fazendo uma série de testes antes de começar as colisões de alta energia na semana que vem. Por quase 50 anos, a partícula – cuja existência foi inicialmente postulada em 1964 pelo físico britânico Peter Higgs – passou despercebida, já que as ferramentas científicas não eram poderosas o suficiente para detectá-la. Mas, agora, entre o labirinto de paredes do Cern, engenheiros estão preparando a ofensiva. Os físicos, em geral, não só acreditam que o bóson está lá, como também que suas propriedades estão dentro de um certo parâmetro. Se for provado que a partícula não existe, ou que suas propriedades são diferentes do previsto, as equações precisarão ser revistas – fato que enche os físicos de nervosismo e ansiedade.

 E por esse motivo, aliado à revisão do LHC nos últimos 18 meses, a atmosfera no Cern é intensa. Não é à toa que o diretor-geral do laboratório, Rolf-Dieter Heuer, já instruiu seus cientistas a acharem uma resposta sobre o bóson antes do outono (no hemisfério norte). A pressão é tanta que os engenheiros aumentaram a potência do LHC de sete tetraeletronvolts (TeV) para oito, dando a cada partícula microscópica a potência equivalente a de um trem Eurostar viajando em velocidade máxima. egundo as teorias da física, Higgs é uma partícula subatômica considerada uma das matérias-primas da criação do universo e, diferente dos átomos, as partículas de Deus não teriam nenhum elemento em sua composição.

Mas sua importância reside no fato de dar chancela a uma das mais aceitas teorias acerca do universo: o Modelo Padrão. Esse modelo explica basicamente como outras partículas obtiveram massa e, de acordo com ele, o universo foi resfriado após o Big Bang, quando uma força – conhecida como Campo de Higgs – formou-se junto dos bósons de Higgs, fazendo a transferência de massa para outras partículas fundamentais. O Cern custa 690 milhões de libras (mais de 2 bilhões de reais) todos os anos aos cofres europeus, por isso a pressão por resultados é cada vez maior, ainda mais em tempos de crise, quando cortes orçamentários são tão corriqueiros. Assim, começa mais um episódio da reconciliação da física quântica – o mundo subatômico – e a relatividade de Einstein – o mundo de estrelas, galáxias e buracos negros –, que pode, e deve, atravessar o nosso século.
Fonte: http://hypescience.com
[Telegraph]

Quando um asteroide vira uma ameaça?

Volta e meia aparece nas manchetes um asteroide que vai passar rasante à Terra. Os astrônomos se apressam em afirmar que, baseado nas informações disponíveis sobre sua órbita, o asteroide não trará nenhum perigo.  Embora a gente saiba que o espaço tem muitos asteroides com potencial de colidir com a Terra – chamados de asteroides potencialmente perigosos (PHA, na sigla em inglês) –, as contas sempre demostram que as chances disto acontecer são muito pequenas. É claro que estas contas dependem de observações que forneçam dados precisos sobre o objeto Por isto, existem vários projetos em andamento para detecção e monitoramento deles. Uma vez conhecidos os elementos das órbitas, as equações que descrevem a trajetória do objeto levam em consideração interações gravitacionais complicadas, envolvendo a Terra, o Sol, a Lua e os planetas gigantes gasosos, principalmente. Dependendo da órbita, Marte e Vênus precisam ser considerados com muita atenção também. Não preciso dizer que até agora o método tem funcionado, mas é sempre bom ter em mente que as equações ou os métodos podem ter falhas. Mas como testá-los? Este teste deve acontecer em breve, daqui a 28 anos. O asteroide 2011 AG5 é um PHA descoberto pelo projeto de rastreio do céu Catalina, no estado norte-americano do Arizona. Atualmente, sua posição no céu o impede de ser observado – ele está “visível” de dia –, de modo que não há dados muito precisos para prever com alto nível de segurança sua trajetória nas próximas décadas. O AG5 deve passar a menos de 150 milhões de km de distância da Terra – mesma distância entre o nosso planeta e o Sol –, em setembro de 2013, depois, em 2028, ele deve passar mais próximo, a uns 17 milhões de km. Estas duas passagens servirão para refinar os elementos da órbita do objeto. Só que, de acordo com os dados atuais, que não são precisos o suficiente para prever seu comportamento com tanta antecedência, em 5 de fevereiro de 2040 o AG5 pode se chocar com a Terra. As chances são de 1 em 625 e mesmo assim, esse asteroide tem categoria 1, numa escala de 0 -10 de periculosidade, onde 10 significa um impacto que quase certamente liquidaria nossa civilização. Ou seja, ainda é considerado inofensivo. A órbita do AG5 se estende desde Marte e chega à metade da distância Terra-Vênus. Assim, deve-se incorporar as perturbações gravitacionais destes dois planetas nas equações de órbita também. Isso torna os resultados fortemente dependentes da precisão dos dados do asteroide. Por isto, antes de fazer um financiamento de longo prazo, é melhor esperar até 2013. Ainda assim, em todas as situações parecidas com essa, a melhoria nos dados sempre apontou para um cenário mais favorável para nós. Realmente não é fácil acertar a Terra no espaço!
Créditos: Cássio Barbosa

Cientistas estudam as estrelas para conhecer mais da história do universo

Estudiosos planejam apresentar, em 2015, o resultado de duas pesquisas que abordam o espaço de uma forma comparativa e detalhada
Centro científico também permite captar a luminosidade existente na atmosfera/NASA
Cientistas do México e dos Estados Unidos planejam apresentar em 2015 o resultado de duas pesquisas que podem permitir conhecer mais a história do universo investigando a das estrelas "de forma comparativa e detalhada". "Com o Grande Telescópio Milimétrico (GTM) conheceremos a história das estrelas no sistema solar, na galáxia próxima, na distante e na mais distante, de uma forma comparativa e detalhada", disse neste domingo à Agência Efe o diretor do Instituto Nacional de Astrofísica, Óptica e Eletrônica (INAOE), Alberto Carramiñana Alonso. Desde o vulcão da Sierra Negra, que fica entre os estados mexicanos de Puebla e Veracruz, 170 cientistas documentam desde 2008 a vida do universo com o GTM e desde o Observatório de Raios Gama High Altitude Water Cherenkov (HAWC, na sigla em inglês). Este observatório permite monitorar durante as 24 horas do dia fontes celestiais emissoras de raios gama que estejam a menos de 45 graus do apogeu. Carramiñana sustentou que os trabalhos foram organizados em duas linhas: uma primeira que na qual 20 cientistas analisam como foram formando-se estrelas quando o universo tinha poucos elementos pesados e outra na qual 150 analistas tentam criar um mapa de dois terços da abóbada celeste observada como se vê utilizando raios gama.  "Os dois projetos seriam entregues à comunidade científica mundial em 2015, quando tenham concluído", garantiu o diretor do INAOE. O observatório está situado no vulcão Sierra Negra, a cerca de 4.581 metros de altura, e conta com seis unidades de pesquisa para documentar a história da formação estelar. Além disso, o centro científico permite captar a luminosidade da atmosfera, medir as explosões de raios gama, construir microcircuitos e averiguar a vida de um vulcão.
Fonte: ESTADÃO

Nova descoberta em Marte pode ajudar na busca de vida fora da Terra

Imagens de cavidades nas encostas de um dos vulcões sugerem que podem ter sido criadas por água subterrânea
Fotografia feita em junho mostra depressões circulares em região de vulcões
A Agência Espacial Europeia (ESA) informou que descobriu nas encostas de um dos maiores vulcões de Marte "buracos em cadeia" que, dependendo de sua origem, podem ser "peças interessantes" na busca de vida microscópica fora da Terra. As fotografias foram feitas em junho na região de Tharsis, caracterizada por três grandes vulcões, revelaram uma série de depressões circulares. Para a agência, a suposição mais interessante seria se essas cavidades tivessem sido criadas por água subterrânea, como ocorreu na península mexicana do Yucatán nos famosos "cenotes", depósitos formados pelo desmoronamento dos tetos das cavernas e a dissolução da rocha. Outra possibilidade é que as deformações tenham ocorrido com a queda do teto de antigos túneis formados por rios de magma que circulavam sob uma lava já solidificada na superfície, tornando os locais ocos. A ESA considera que na busca de vida microscópica a primeira hipótese é a mais promissora. Isso porque, no caso de haver alguma estrutura similar a uma caverna intacta associada a esses buracos, os microorganismos poderiam ter sobrevivido protegidos das duras condições da superfície. No entanto, a agência não descartou que se trate de simples sulcos na crosta de Marte, nas quais podem se formar as cavidades descobertas. De qualquer maneira, a descoberta das marcas mostra "muitas semelhanças entre os processos geológicos da Terra e Marte", fazendo com que a descoberta se transforme em objeto de estudo para posteriores missões.
Fonte: ESTADÃO

Estrelas do Tipo Blue Stragglers no Aglomerado Globular M53

Créditos de Imagem:ESA/Hubble, NASA
Se o nosso Sol fosse parte do M53, o nosso céu noturno brilharia como uma caixa de joias de estrelas brilhantes. O M53, também conhecido como NGC 5024, é um dos 250 aglomerados globulares que sobrevivem na nossa galáxia. A maior parte das estrelas no M53 são mais velhas e mais vermelhas que o nosso Sol, mais algumas estrelas enigmáticas aparecem mais azuis e mais jovens. Essas estrelas jovens podem contradizer a hipótese de que todas as estrelas no M53 se formaram na mesma época. Essas estrelas incomuns são conhecidas como blue stragglers (algo como errantes azuis) e são comuns de forma estranha no M53. Após muito debate, acredita-se atualmente que as estrelas blue stragglers sejam estrelas que são rejuvenecidas por material novo que cai sobre ela vindo de uma estrela companheira em um sistema binário. Analisando imagens de aglomerados globulares, como a imagem mostrada acima feita pelo Telescópio Espacial Hubble, os astrônomos usam a abundância de estrelas como as blue stragglers para ajudar a determinar a idade do aglomerado globular e então limitar a idade do universo. O M53 é visível com binóculos na direção da constelação Cabelo de Berenices (Coma Berenices)e contém mais de 250000 estrelas e é considerado um dos aglomerados localizados mais distante do centro da nossa galáxia.
Fonte: http://apod.nasa.gov/apod/ap120409.html

Satélite brasileiro estudará buracos negros

O primeiro satélite astronômico brasileiro já teve sua configuração definida. A informação é do cientista responsável pela missão, que está sendo planejada para voar em janeiro de 2017.  "Os instrumentos já estão completamente definidos", diz João Braga, pesquisador do Inpe (Instituto Nacional de Ciências Espaciais), em São José dos Campos. Batizada em homenagem ao físico brasileiro Cesar Lattes (1924-2005), a espaçonave é o ponto culminante do primeiro esforço de desenvolvimento de satélites científicos conduzido pelo Brasil. Originalmente, o que veio a se tornar a configuração original do Lattes consistia em dois satélites diferentes, um voltado para astrofísica (Mirax) e outro para observação da Terra (Equars). O planejamento das duas missões, separadas, havia começado em 2000. Contudo, uma mudança estratégica do programa sugeriu a combinação das duas numa só, o que gera uma configuração curiosa: a parte de cima do satélite passará o tempo todo olhando para o céu, enquanto a de baixo estará sempre mirando a Terra.  Os dispositivos das duas missões estarão embarcados na chamada Plataforma Multimissão (PMM), uma espécie de "carcaça de satélite genérica" que pode ser usada para propósitos diferentes.  Não será a primeira missão da PMM (que deve ser usada inicialmente pelo satélite de monitoramento Amazônia-1), mas a ideia é que se torne a primeira a ter o sistema de controle de atitude (que determina a orientação da nave no espaço) desenvolvido totalmente no Brasil. O Lattes fará uma varredura do céu em busca de sinais de fontes de raios X. Essa radiação altamente energética costuma vir de objetos astrofísicos interessantes e misteriosos, como os buracos negros, e seu estudo pode ajudar a identificar a natureza de diversos fenômenos ainda pouco compreendidos. Um dos aspectos interessantes da missão é que ela fará um monitoramento constante de grande parte do céu em busca dessas fontes. "O fato é que o céu em raios X é supervariável e até hoje nenhuma missão fez um acompanhamento sistemático", diz Braga. "Vamos monitorar o comportamento transiente, em todas as escalas de tempo, de segundos a meses."  Com isso, espera-se fazer descobertas na dinâmica de objetos como buracos negros, identificando, por exemplo, o processo de acreção. Buracos negros são objetos tão densos que nada consegue escapar de sua gravidade, nem mesmo a luz. Os raios X são emanados de suas imediações, onde costumam se formar discos de acreção --material prestes a ser engolido pelo objeto. Com o Lattes, será possível investigar a fundo esse processo.

VERSATILIDADE - Enquanto os detectores de raios X --desenvolvidos pelo Centro Harvard-Smithsonian para Astrofísica, nos Estados Unidos-- ficam apontados para o céu, outros instrumentos, destinados a monitorar a atmosfera terrestre, ficam apontados para baixo. A disputa entre duas missões concorrentes num mesmo satélite poderia se tornar um problema, mas nesse caso tudo confluiu bem, segundo João Braga.  "Tivemos de mudar um pouco nossa estratégia de observação. Antes, quando o Mirax era uma missão solo, a ideia era observar a região do centro da galáxia de forma fixa. Mas agora, para conciliar com as necessidades do Equars, que precisa estar apontado para a Terra, vamos fazer um monitoramento móvel de mais da metade do céu." Segundo o pesquisador, a mudança não ocasionou perda científica. "Embora, para um alvo específico, você tenha menos tempo ininterrupto de observação, você passa a ter uma região do céu muito maior."  O Lattes deve ficar a cerca de 650 km de altitude, numa órbita com 15 graus de inclinação, com relação ao equador terrestre. O satélite, com seus 500 kg, deve ser lançado por um foguete estrangeiro, contratado comercialmente. Nenhum dos lançadores que poderiam partir do Centro de Lançamento de Alcântara, no Maranhão, tem a configuração certa para fazer o serviço. Para o brasileiro VLS, o Lattes é pesado demais. Para o ucraniano Cyclone-4, é leve demais.
Fonte: FOLHA

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