13 de abr de 2012

O Legado da supernova SN 2011fe

A supernova SN 2011fe foi descoberta em 24 de agosto de 2011 por um grupo de astrônomos da Universidade CalTech. Durante observações rotineiras da galáxia M101, tiveram a felicidade de observar a supernova apenas algumas horas após a explosão. Para entendermos a importância da descoberta, precisaremos entender um pouco desses objetos exóticos.
As supernovas surgem da destruição repentina de estrelas. As supernovas são classificadas de diferentes maneiras, dependendo do tipo de estrela que as origina. Temos dois tipos principais: a supernova é originária da explosão de uma estrela pequena, chamada anã branca (Tipo I), ou é gerada a partir da explosão de uma estrela gigantesca com massa muitas vezes maior que a do nosso Sol (Tipo II). Existe ainda uma subclassificação em função da presença, ou não, de silício fazendo com que possamos ter tipos Ia ou Ib. A análise espectroscópica de SN 2011fe revelou tratar-se de uma supernova do Tipo Ia e, portanto, originária de uma anã branca. Uma estrela pequena como uma anã branca não seria capaz de virar uma supernova sozinha. É necessário um mecanismo externo influenciando-a. De fato, ela deve fazer parte de um sistema estelar binário e após receber suficiente massa de sua companheira e eventualmente atingir uma massa crítica de 1,4 massas solares (chamada limite de Chandrasekhar), ela não consegue mais suportar sua própria gravidade e colapsa. Como resultado do colapso, uma repentina e violenta queima termonuclear ocorre em seu interior e ela explode. A explosão em si é o que chamamos supernova e pode ser tão energética quanto o brilho de todas as estrelas da galáxia reunidas. Isso faz com que possam ser facilmente observadas, mesmo nas galáxias mais distantes. A descoberta praticamente no início do processo torna a descoberta particularmente importante: será possível observar detalhes da evolução de uma supernova de uma maneira inédita, uma vez que não sabemos quando uma estrela irá explodir de maneira a apontar o telescópio com antecedência. Existe ainda um outro aspecto igualmente importante. Todas as supernovas do tipo Ia apresentam a mesma quantidade de luz ao atingir o seu brilho máximo. Essa característica lhes confere a qualidade de serem verdadeiras réguas astronômicas. Ou seja, podem ser usadas para medir as distâncias das galáxias, mesmo as mais distantes. No caso de M101, a distância já é bem conhecida, mas a SN 2011fe deixará como legado, o aperfeiçoamento da técnica de determinação de distâncias no Universo.
Créditos: Paulo César R. Pereira – Astrônomo da Fundação Planetário
http://www.planetariodorio.com.br

Cientistas alegam que Viking descobriu vida em Marte há 35 anos

Modelo da Viking simulando a superfície de Marte.Crédito: NASA/JPL-Caltech/Universidade do Arizona
O rover Curiosity está actualmente a caminho de Marte, com aterragem dramática prevista na Cratera Gale em meados de Agosto. O seu objectivo é procurar assinaturas geológicas de um passado molhado e favorável à vida. Evidências sólidas de que grandes volumes de água existiram no passado de Marte seria um grande passo em frente na busca de vida no Planeta Vermelho.
Mas será que já foi descoberta? Alguns cientistas dizem que sim.
Investigadores de universidades em Los Angeles, Califórnia, Tempe, Arizona e Siena, Itália, publicaram um artigo na revista IJASS (International Journal of Aeronautical and Space Sciences) que explica os resultados do seu trabalho com dados obtidos pela missão Viking da NASA. As gémeas Viking 1 e 2 foram lançadas em Agosto e Setembro de 1975 e aterraram com sucesso em Marte em Julho e Setembro do ano seguinte. A sua principal missão era a procura de vida, através da análise do solo marciano em busca de sinais de respiração - um sinal de actividade biológica.
Os resultados, embora promissores, foram inconclusivos.
Agora, 35 anos depois, uma equipa de investigadores afirma que as Viking realmente detectaram vida.
Trincheiras escavadas pelo instrumento de recolha de amostras da Viking 1.
Crédito: NASA, Roel van der Hoorn
"Os solos activos exibiram libertações gasosas rápidas e substanciais," esclarece o artigo da equipa. "O gás era provavelmente CO2 e, possivelmente, outros gases que continham radiocarbono."  Através da aplicação de complexidades matemáticas nos dados da Viking para uma análise mais profunda, os investigadores descobriram que as amostras marcianas se comportavam de maneira diferente de um grupo de controlo não-biológico.  "Respostas de controlo que exibem ordens iniciais relativamente baixas rapidamente transformam-se em ruído quási-aleatório, enquanto as experiências activas exibem uma ordem inicial mais alta que decai mais lentamente," acrescenta o artigo. "Isto sugere uma robusta resposta biológica."  Embora alguns críticos dos achados aleguem que tal processo de identificação de vida não foi ainda aperfeiçoado - nem mesmo cá na Terra - os resultados são certamente interessantes o suficiente para suportar investigações adicionais dos dados das Viking e talvez uma reavaliação dos achados "inconclusivos" da missão histórica.
Fonte: http://www.ccvalg.pt/astronomia/
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