7 de mai de 2012

Exoplanetas na zona habitável: em busca de oxigênio

Os exoplanetas na zona habitável - com temperaturas onde pode existir água em estado líquido - começam a ser "colecionados" pelos astrônomos, que agora partem em busca de sinais de oxigênio. [Imagem: NASA/Ames/JPL-Caltech]
Paciência

Ainda não são os homenzinhos verdes, mas podemos estar chegando perto. Quando foi descoberto o primeiro exoplaneta na zona habitável, o assunto causou furor na imprensa mundial. Agora, menos de dois anos depois, o assunto é bem mais trivial, sobretudo depois que as observações indicaram que há mais planetas que estrelas na Via Láctea e os planetas nas zonas habitáveis passaram a ser calculados em bilhões. Mas o que há até agora são sobretudo "candidatos" a exoplanetas potencialmente habitáveis, e os cientistas precisam ter muito mais paciência para confirmar os dados e realmente "eleger seus candidatos".
Essa confirmação veio agora para três planetas similares à Terra. Originalmente detectados pelo Telescópio Espacial Kepler, lançado justamente para descobrir "outras Terras", os exoplanetas foram confirmados como estando na zona habitável de suas estrelas por medições feitas no Observatório do Monte Palomar, nos Estados Unidos.

Estrelas anãs M

Os astrônomos mediram as temperaturas e as metalicidades de pequenas estrelas chamadas anãs M. As estrelas são KOI 463.01, KOI 812.03 e KOI 854.01 - KOI é uma sigla para Kepler Object of Interest, candidatos a planeta localizados pelo telescópio Kepler, que precisam ser confirmados por observações adicionais. As três anãs brancas classe M estão localizadas entre as constelações do Cisne e Lira. Anãs M são menores e menos brilhantes do que o nosso Sol, e a maioria das estrelas no universo é desse tipo.

Assinaturas de oxigênio na atmosfera

O telescópio Kepler monitora continuamente 150.000 estrelas em busca de sinais de trânsito - uma tênue diminuição no brilho da estrela devido à passagem de um planeta à sua frente. Assim, a confirmação de planetas na zona habitável cada vez chamará menos a atenção. Pelo menos até que os astrônomos descubram assinaturas de oxigênio na atmosfera de algum desses exoplanetas, o que seria um passo importante para identificar vida extraterrestre. A boa notícia é que a NASA acaba de aprovar recursos para que a missão do Telescópio Kepler possa estender-se até 2016.
Fonte: http://www.inovacaotecnologica.com.br

Sonda espacial vai procurar vida em luas de Júpiter

A sonda Juice entrará na órbita de Ganimedes, onde estudará a superfície gelada e a estrutura interna dessa lua, incluindo o seu oceano subsuperficial. [Imagem: ESA/AOES]

Explorador de luas geladas
 A Agência Espacial Europeia (ESA) anunciou sua próxima grande missão de exploração - uma missão em busca de sinais de vida nas luas de Júpiter. Será a sonda espacial JUICE (Jupiter Icy moons Explorer: explorador da luas geladas de Júpiter), que irá estudar em detalhes pela primeira vez as luas mais interessantes de Júpiter. A sonda venceu dois candidatos, o NGO, um observatório para procurar ondas gravitacionais, e ATHENA, um telescópio avançado para astrofísica de altas energias.

 A sonda Juice será primeira missão do programa da ESA Visão Cósmica 2015-2025. A sonda Juice fará em Júpiter um trabalho semelhante ao que a sonda Cassini está fazendo em Saturno - com a grande diferença que as luas de Júpiter vêm sendo apontadas há anos como os locais mais prováveis para se encontrar vida no Sistema Solar fora da Terra. A maior parte da exploração de Júpiter foi feita pela sonda Galileo, que, em 1995, se tornou o primeiro artefato humano a orbitar o planeta, e que se chocou contra Júpiter em 2003.

Vida nas luas de Júpiter
As quatro luas galileanas de Júpiter - a vulcânica Io, Europa, gelada mas com possibilidade de ter um oceano líquido, e as rochosas e geladas Ganimedes e Calisto - fazem do planeta um sistema solar em miniatura. Como se acredita que Ganimedes, Calisto e Europa escondam oceanos abaixo de suas superfícies, a missão JUICE irá estudar estas luas como potenciais habitats para a vida.  Ela também vai ajudar a responder a duas perguntas fundamentais do programa Visão Cósmica: quais são as condições para a formação dos planetas e para o surgimento da vida em sua superfície, e como funciona o Sistema Solar? O explorador JUICE irá observar continuamente a atmosfera e a magnetosfera de Júpiter e a interação das luas com o gigantesco planeta gasoso.

A sonda também irá visitar Calisto, o objeto com mais crateras do Sistema Solar, e sobrevoar duas vezes a lua Europa. Serão então realizadas as primeiras medidas da espessura da crosta gelada de Europa, identificando possíveis locais para futuras explorações robóticas. Finalmente, em 2032, a sonda Juice entrará na órbita de Ganimedes, onde estudará a superfície gelada e a estrutura interna dessa lua, incluindo o seu oceano subsuperficial. Ganimedes é a única lua do Sistema Solar capaz de gerar o seu próprio campo magnético e a sonda Juice irá observar em detalhe as singulares interações magnéticas e de plasma entre esta lua e a magnetosfera de Júpiter.

Arquétipo planetário
"Júpiter é o arquétipo dos planetas gigantes do Sistema Solar e de muitos planetas gigantes que têm sido descobertos ao redor de outras estrelas," disse o professor Álvaro Giménez Cañete, diretor do programa de Ciência e Exploração Robótica da ESA.  "A missão JUICE vai nos ajudar a compreender como é que os planetas gigantes gasosos e as suas luas se formam, e qual é o potencial destes planetas para abrigar vida," completou. A sonda espacial será lançada em 2022 do aeroporto espacial europeu em Kourou, na Guiana Francesa, em um foguete Ariane 5, e chegará a Júpiter em 2030, onde passará pelo menos três anos fazendo observações detalhadas.

Visão Cósmica
O anúncio de hoje marca o fim de um processo iniciado em 2004, quando a ESA consultou a comunidade científica para definir as metas europeias de exploração espacial para a próxima década. O resultado foi o programa Visão Cósmica 2015-2025 com quatro objetivos científicos.

1.Quais são as condições para a formação dos planetas e para o desenvolvimento da vida?
2.Como funciona o Sistema Solar?
3.Quais são as leis fundamentais do Universo?
4.Como é que o Universo começou e do que ele é feito?

Em 2007, foi aberto um concurso para missões com estes objetivos, sendo selecionadas algumas missões de grande escala. Depois de novas rodadas de seleção, sobraram JUICE, NGO e ATHENA.  "Foi muito difícil escolher uma missão entre estes três excelentes projetos. Qualquer uma destas missões produziria ciência de classe mundial," disse o professor Giménez Cañete. "Mas a missão JUICE é o passo necessário para a futura exploração do Sistema Solar exterior." Os projetos tecnológicos das missões NGO e ATHENA irão continuar, permitindo que as missões possam ser candidatas em concursos futuros. Em 2013 haverá uma segunda rodada de concursos.
Fonte: http://www.inovacaotecnologica.com.br

Voyager-1 atinge região desconhecida

A sonda espacial Voyager-1, lançada em 5 de setembro de 1972, inicialmente com destino a Júpiter e Saturno atingiu uma nova região a 119 unidades astronômicas (17,8 bilhões de km) do Sol, com características diferentes das registradas na porção mais interna do Sistema Solar. Na região de estagnação (stagnation region) como essa área foi batizada o fluxo de partículas emitidas pelo Sol é sensivelmente mais fraco e sofre efeito do espaço interestelar, ainda que a nave se mantenha na área de influência dinâmica dominante do Sol. A distância que separa a nave da fronteira do Sol com a de outras estrelas vizinhas ainda permanece desconhecida. Segundo informações do controle da missão, no Jet Propulsion Laboratory, em Pasadena, na California, as condições comparadas entre o ano passado e agora sugerem que a pequena Voyager-1 entrou numa espécie de “purgatório” com alterações tanto no fluxo de partículas carregadas liberadas pelo Sol, o vento solar, como no campo magnético do Sol, enquanto partículas de origem extrassolar tem se intensificado. A nave, segundo o controle do voo, está sofrendo uma espécie de pressão externa, algo que ocorreu também com as Pioneers-10 e 11 e que ficou conhecida como “anomalia Pioneer”. Investigações recentes descartam a desaceleração do deslocamento das Pioneers como de origem gravitacional.
Então, o que explica essa desaceleração?
Os dados disponíveis não permitem estimar exatamente quando a Voyager-1 cruzará a fronteira entre os domínios do Sol para o espaço interestelar, mas o controle de voo em Pasadena estima que isso deverá ocorrer entre alguns meses e uns poucos anos. A velocidade do vento solar, de acordo com registros da sonda, havia sofrido uma redução radical em abril de 2010 sugerindo que a Voyager-1 penetrava um novo território nos limites do Sistema Solar. O controle do voo girou a nave várias vezes durante a primavera e o verão do hemisfério norte num esforço para avaliar essas alterações na velocidade do vento solar. No ano passado os instrumentos de bordo também detectaram variações na intensidade do campo magnético solar na região de estagnação sugerindo a pressão de campos magnéticos externos ao Sistema Solar. As gêmeas Voyager-1 e 2 inicialmente deveriam visitar Júpiter e Saturno e o controle de voo temeu pela integridade delas especialmente na travessia do cinturão de asteróides entre Marte e Júpiter. As naves, no entanto, sobreviveram e, submetidas a uma compactação de dados feita à distância, chegaram a esses dois planetas mais “inteligentes” que quando deixaram a Terra. Essa operação configurou o que o astrônomo americano Carl Sagan (1934-1996) chamou de “triunfo das Voyagers”. Numa manobra já nas vizinhanças de Saturno a Voyager-2 teve sua rota alterada e passou por Urano e Netuno que nunca haviam sido visitados antes.
O único planeta que ficou fora de rota das Voyagers foi Plutão, agora rebaixado para a categoria de planeta-anão. Uma missão especial foi destacada para Plutão, a News Horizons, prevista para chegar ao destino em 2015. A News Horizons deve ampliar o conhecimento do cinturão de asteróides que envolve o Sistema Solar de que Plutão, o antigo planeta, agora é parte.
Fonte: http://blogdasciam.blog.uol.com.br/

No Olho de um Aglomerado de Galáxias

Créditos:ESA/Hubble & NASA
Essa imagem feita pelo Telescópio Espacial Hubble das Agências Espaciais NASA e ESA poderia num primeiro momento parecer um pedaço do céu normal. Mas ao se aproximar da parte central de um aglomerado de galáxias, uma das maiores estruturas do Universo, é como se estivéssemos olhando no olho de um furacão. Os aglomerados de galáxias são grandes grupos formados por dezenas e até mesmo centenas de galáxias, que estão de certa forma unidas pela gravidade. As galáxias algumas vezes se posicionam tão perto umas das outras e a força gravitacional é tão forte que elas podem ser destorcidas ou até mesmo partes de matéria podem ser arrancadas quando elas colidem. Esse aglomerado em particular, conhecido como Abell 1185 é um aglomerado caótico. Galáxias de vários tamanhos e formatos estão derivando numa distância muito próxima e perigosa entre elas. Algumas delas já foram até mesmo distorcidas seriamente com matéria sendo arrancada deixando rastros de matéria para trás. Elas têm formado uma forma interessante conhecida como The Guitar localizada fora da cena mostrada acima. O Abell 1185 está localizado a aproximadamente 400 milhões de anos-luz da Terra e se espalha por um milhão de anos-luz de diâmetro. Algumas das galáxias elípticas que formam o aglomerado são visíveis nos cantos da imagem, mas na sua maioria, as pequenas formas elípticas observadas na imagem acima são galáxias bem mais distantes localizadas no plano de fundo, um plano que representa uma região muito mais tranquila do universo.
Fonte: http://www.spacetelescope.org/

Explosão solar tem o tamanho de 10 planetas Terra

O astro rei deu mais uma amostra de seu poder. Uma explosão espetacular – como não se via há anos – foi registrada pelo Observatório Dinâmico do Sol, da Agência Espacial Norte-Americana (NASA). Devido a essa explosão, parte do espaço recebeu um lindo jato curvado de plasma superquente, o que rendeu ótimas fotos e um vídeo surpreendente. Segundo dados da NASA, a explosão foi classificada como M1 (moderada) na escala de tempestades solares, que é utilizada para mensurar a força das explosões. “Tais erupções como a registrada são frequentemente associadas com explosões solares e, nesse caso, uma explosão ocorreu ao mesmo tempo”, a NASA afirmou oficialmente. “Mas a direção do material expelido não passa pela Terra”. Quando ficam apontadas em nossa direção, fortes explosões solares fortalecem as auroras – fenômeno conhecido como as luzes do extremo norte e do extremo sul. De acordo com o físico Luke Barnard, da Universidade de Reading, no Reino Unido, foi reportado, desde o mês passado, um aviso de que uma mudança no campo magnético do sol está prestes a ocorrer nas próximas décadas. “Isso levaria a uma significativa diminuição no número de eventos explosivos no sol”, explica Barnard.
Fonte: http://hypescience.com/

No Centro da Nebulosa Omega

Créditos da Imagem: NASA, H. Ford (JHU), G. Illingworth (UCSC/LO), M.Clampin (STScI), G. Hartig (STScI), ACS Science Team, and ESA
Nas profundezas das nuvens escuras de poeira e gás molecular conhecidas como Nebulosa Omega, as estrelas estão se formando de forma contínua. A imagem acima feita pela Advanced Camera for Surveys do Telescópio Espacial Hubble mostra detalhes impressionantes dessa famosa região de formação de estrelas. Os filamentos de poeira escura que laçam o centro da Nebulosa Omega foram criados na atmosfera das estrelas gigantes e frias e nos detritos de explosões de supernovas. As tonalidades azul e vermelha nascem do gás brilhante aquecido pela radiação emitida por estrelas massivas próximas. Os pontos de luz são as próprias estrelas jovens, algumas delas mais brilhantes do que 100 Sóis. Glóbulos escuros marcam sistemas aindam mais jovens, onde as nuvens de gás e poeira estão agora condensando para formar estrelas e planetas. A Nebulosa Omega localiza-se a aproximadamente 5000 anos-luz de distância da Terra na direção da constelação de Sagittarius. A região mostrada acima tem um raio aproximado equivalente a 3000 vezes o diâmetro do Sistema Solar.
Fonte: http://apod.nasa.gov

Poderoso tornado de gás superquente é filmado no sol

A fama de serem destrutivos – e de muitas vezes também mortíferos – precede os tornados que se formam sobre a Terra. Mas esses fenômenos naturais, responsáveis por várias mortes e diversos estragos em diferentes partes do mundo todos os anos, tornam-se insignificantes quando comparados com os tornados solares (gases superaquecidos que sobem em forma de espiral da superfície do sol). Enquanto os terrestres chegam a 150 km/h, os solares alcançam uma velocidade de 300 mil km/h – são duas mil vezes mais velozes –, além de serem até 16 vezes maior que o planeta Terra. A descoberta foi realizada por pesquisadores da Universidade Aberystwyth, no Reino Unido, que registraram em vídeo o fenômeno, ocorrido em setembro de 2011, mas só revelado recentemente, no Encontro de Astronomia Reino Unido-Alemanha, em Manchester, na Inglaterra. O vídeo mostra as partículas de gás do tornado em três temperaturas diferentes, variando de 50 mil a 2 milhões de graus centígrados. Em comparação com a temperatura de tornados solares menores, a temperatura medida nesse tornado é considerada alta. Agora, os pesquisadores, liderados pelo físico Xing Li, querem entender o porquê disso. Segundo Li, os tornados solares são causados por uma estrutura fixada nos dois ‘fins’ da superfície solar, que lembra muito uma mola. “Uma grande injeção de material levanta rapidamente uma das pernas da mola, que é forçada a seguir a forma helicoidal do campo magnético”, explica Li. “Quando se observa a mola de um de seus ‘fins’, percebe-se uma rotação coerente de material ao redor de um eixo central”. O movimento desses tornados merece atenção pelo fato de poder ajudar a provocar rajadas fortes de partículas carregadas, que afetam o tempo climático no espaço e destroem satélites. Duas dessas erupções foram detectadas acima do tornado, assim que ele começou a tomar forma. Por essa razão, os cientistas acreditam que o fenômeno de tornados solares possa estar envolvido no processo de iniciar tais explosões. Li e seu time de pesquisadores esperam observar mais desses tornados muito em breve, já que, ultimamente, o sol se encontra em um estado bastante ativo.
Fonte: http://hypescience.com 

Super Lua em Paris

Créditos de Imagem e Direitos Autorais:VegaStar Carpentier
Alguém viu a Lua Cheia no sábado, dia 5 de Maio de 2012 e no início da madrugada de domingo, dia 6 de Maio de 2012? Essa Lua Cheia teve um fato especial e foi chamada de superlua, isso porque ela apareceu um pouco mais iluminada do que o normal e pouco maior do que o normal também já que essa fase de Lua Cheia ocorreu em combinação com o fato dela estar próxima do seu ponto na órbita mais próximo da Terra. Como todos devem imaginar, centenas, talvez milhares de fotos da superlua foram feitas no último sábado. A foto acima tem um charme especial já que a superlua foi registrada além do topo da Torre Eiffel em Paris, França. Claro, que a extensão angular da Lua em comparação com objetos na Terra vistos em primeiro plano pode ser ajustada mudando a distância do observador aos objetos. Quando comparada com objetos próximos, a Lua pode parecer pequena, mas quando é comparada com objetos distantes, a Lua pode parecer imensa. No próximo mês a Lua Cheia também especial já que ela estará apenas 1% menor do que a Lua registrada nesse último final de semana.
Fonte: http://apod.nasa.gov/apod/ap120507.html

'Superlua' e Cristo Redentor montam um belo cenário no Rio

O fenômeno mostra lua 14% maior e 30% mais brilhante - e ocorre 1 vez por ano
A 'super Lua' e o Cristo Redentor, no Rio de Janeiro, na madrugada deste domingo (Ricardo Moraes/Reuters)
A "superlua" - fenômeno que mostra a lua 14% maior e 30% mais brilhante e que ocorre uma vez por ano em várias partes do mundo - foi vista na manhã de domingo na cidade do Rio de Janeiro. A última vez que o fenômeno aconteceu foi no dia 19 de março de 2011. Segundo o Laboratório Nacional de Astrofísica (LNA) de Itajubá, em Minas Gerais, as próximas oportunidades de se observar a "superlua" serão no dia 19 de março de 2013 e no dia 10 de agosto de 2014.
Fonte: VEJA

Astrônomo da USP revela estrela 'gêmea' do Sol

HIP 56948 está a 200 anos-luz e tem praticamente a mesma temperatura, massa, tamanho e composição química em relação ao Sol
A grande diferença entre HIP 56948 e o Sol é a idade. O novo astro é um bilhão de anos mais novo (Nasa)
O Sol tem um irmão gêmeo. Uma equipe internacional de cientistas, liderada pelo astrônomo peruano Jorge Meléndez, professor do Instituto de Astronomia da Universidade de São Paulo (IAG-USP), terminou a mais detalhada análise da estrela mais parecida com o Sol de que se tem conhecimento. Localizada a 200 anos-luz, o astro, catalogado como HIP 56948, é tão parecido que, caso fosse colocado no centro do Sistema Solar, os terráqueos não notariam a diferença. A pesquisa será publicada nas próximas semanas no periódico Astronomy & Astrophysics. A HIP 56948 foi caracterizada por um satélite chamado Hipparcos (daí HIP 56948). A sonda foi lançada em 1989 pela agência espacial europeia e ficou funcionando até 1993. Nesse período, catalogou 100.000 estrelas, das quais cerca de 100 são muito parecidas com o Sol.
Os astrônomos já conhecem a HIP 56948 desde 2007. Nessa época, ela já era considerada uma grande candidata a gêmea solar, mais do que uma estrela chamada 18 Scorpius, que ocupava o posto de 'estrela mais parecida com o Sol' desde 1997. Os cientistas não sabiam, contudo, quão parecida era HIP 56948. Usando o telescópio Keck, no Havaí, um dos maiores do mundo, eles agora têm certeza. De acordo com Meléndez, a HIP 56948 é apenas 17 graus mais quente que o Sol. "Se considerarmos a margem de erro, que é de sete graus, é possível que os dois astros tenham a mesma temperatura", diz o cientista, em entrevista ao site de VEJA. O mesmo vale para a massa. "A diferença entre os astros é de apenas 2%."

Irmão mais novo — A principal diferença está na idade. "Essa gêmea solar é aproximadamente um bilhão de anos mais jovem", diz Meléndez. Isso quer dizer, de acordo com ele, que se tomarmos a Terra como parâmetro para o desenvolvimento de vidas complexas, alguma forma de vida avançada pode estar surgindo agora em um possível planeta orbitando a HIP 56948. Os astrônomos ainda não sabem dizer se há planetas orbitando a gêmea solar. Mas há boas razões para supor que o sistema distante seja parecido com o Solar. A primeira delas é que a composição química da estrela é praticamente idêntica ao do Sol. Entender a composição química de uma estrela é muito importante para saber se ela 'doou' material suficiente para a formação de planetas a sua volta. O Sol, por exemplo, perdeu o equivalente a duas massas terrestres de elementos como o alumínio, ferro e níquel, em relação à média de todas as estrelas de sua classe. "A HIP 56948 perdeu 1,5", calcula Meléndez. De acordo com o pesquisador, esses elementos são usados justamente para a 'fabricação' de planetas. A segunda razão é que os astrônomos ainda não identificaram nenhum planeta em volta da estrela. Apesar de isso soar como uma má notícia, trata-se do contrário. Os cientistas só poderiam ter encontrado algum planeta em tão pouco tempo se ele fosse ao mesmo tempo grande (tal como Júpiter) e próximo demais da estrela (como Mercúrio). Isso quer dizer que pelo menos nos primeiros 150 milhões de quilômetros ao redor da estrela (a distância entre a Terra e o Sol) não há nenhum gigante gasoso, o que abre espaço para planetas rochosos, como a Terra. A ideia agora é utilizar os poderosos instrumentos do Observatório Europeu do Sul, no observatório de La Silla para identificar planetas em volta de outras gêmeas do Sol.

"Se a Terra for a regra para o tempo de desenvolvimento de vidas complexas, qualquer forma de vida avançada em um possível planeta orbitando a HIP 56948 estaria surgindo agora"
Jorge Meléndez — astrofísico da USP

Saiba mais

Observatório Keck
No obsevatório Keck, no Havaí, existe um par de telescópios com espelhos de 10 metros de diâmetro. Estão entre os maiores do mundo. O equipamento está instalado a mais de quatro mil metros de altitude e é administrado pela Associação da Califórnia para Pesquisa em Astronomia, nos Estados Unidos.
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