16 de out de 2012

O coração da Via Láctea

Maior levantamento de estrelas já feito reconstitui a região central da galáxia
Quando o assunto é imagem em alta definição, o nível de exigência dos astrônomos ultrapassa de longe o de qualquer cinéfilo. Para analisar o máximo possível de estrelas do chamado bojo galáctico – a porção mais interna e mais cheia de estrelas da nossa galáxia, a Via Láctea –, uma equipe internacional de 12 pesquisadores liderados pelo brasileiro Roberto Saito e pelo argentino Dante Minniti, ambos da Pontifícia Universidade Católica (PUC) do Chile, analisou um retrato de 190 mil por 170 mil pixels dessa região, apresentado nestas páginas. A imagem, produzida pelo astrônomo chileno Ignacio Toledo, do Observatório Alma, é tão grande que seriam necessários 6 mil aparelhos de TV de alta definição para exibi-la em sua máxima resolução.

O retrato do coração da Via Láctea revela uma população de estrelas onde se poderiam encontrar planetas parecidos com a Terra e promete ajudar a entender como nasceu a galáxia. Também fortalece a hipótese de que no bojo galáctico, a região central, parecida com uma bola de futebol americano, há dois grandes adensamentos de estrelas que assumem a forma de um imenso X. A análise da nova imagem gerou um catálogo com informações sobre a posição e o brilho de 84 milhões de estrelas. Já houve levantamentos maiores, mas, segundo Saito, ainda não se tinha analisado um conjunto tão grande de estrelas de uma só vez.
Leia a matéria completa em: http://revistapesquisa.fapesp.br/2012/10/11/o-coracao-da-via-lactea/

Mistério sobre desaceleração de sonda espacial é possivelmente solucionado

Duas sondas espaciais norte-americanas lançadas em 1972 e 1973, respectivamente a Pioneer 10 e a Pionner 11 da Nasa, têm intrigado cientistas por décadas. As Pioneers começaram uma estranha desaceleração de cerca de 0,9 nanômetros por segundo quadrado, voltando novamente em direção ao sol. Mas o que estaria causando essa aceleração negativa? Tantas ideias já foram estudadas que pesquisadores levantaram até mesmo a hipótese de estarmos perante uma nova força da natureza que contradiria a Teoria da Relatividade Geral de Einstein. Em julho deste ano, a solução para o mistério parecia finalmente ter aparecido. Pesquisadores da Jet Propulsion Laboratory (JPL) da Nasa tinham afirmado que a Anomalia Pioneer (como é conhecido o fenômeno), estava sendo ocasionada pelo calor emanado da corrente elétrica que flui através dos instrumentos e do fornecimento de energia termoelétrica das sondas. Embora o calor seja sutil, pesquisadores acreditavam que ele seria capaz de empurrar a nave espacial ligeiramente para trás.

Nova explicação

O pesquisador Sergei Kopeikin, da Universidade de Missouri (EUA) não acredita que a hipótese do calor esteja correta. De acordo com o astrônomo, essa teoria só é capaz de explicar de 15 a 20% do fenômeno. Para ele, o motivo que ocasiona a Anomalia Pioneer tem relação com a expansão do universo. Kopeikin desenvolveu um novo conjunto de cálculos para explicar o fenômeno, considerando a expansão do universo e a forma que isso afeta o movimento de fótons que formam a luz e ondas de rádio – pois é a partir disso que é possível medir grandes distâncias no universo. Para medir a velocidade das sondas, os cientistas da Nasa que levantaram a hipótese do calor como o motivo da desaceleração transmitiram feixes de ondas de rádio para a nave, e esperaram seu retorno à Terra (efeito chamado de Doppler-tracking).

 A velocidade das sondas pode assim ser determinada através da medição do tempo que os fótons demoram para voltar para o nosso planeta.  Mas Kopeikin percebeu que os fótons estavam se movendo a uma velocidade diferente do que é previsto pela teoria de Newton – o que deu a impressão de desaceleração. Em outras palavras, as sondas Pioneer não estão desacelerando, como acreditamos por décadas. Mas como o universo está se expandindo e as naves estão muito longe, temos a falsa sensação da diminuição de velocidade. Se Kopeikin estiver certo, sua descoberta e cálculos irão mudar a maneira como os astrônomos medem a velocidade de objetos a distâncias extremas.

Entenda a história das Pioneers

As sondas espaciais Pioneer 10 e 11 estão entre as primeiras sondas enviadas pelo programa de exploração espacial da Nasa. Elas tinham, como objetivo primário, explorar o meio interplanetário para além da órbita de Marte, investigar o cinturão de asteroides, explorar Júpiter e mapear Saturno e Júpiter. No início dos anos 80, observou-se uma desaceleração nas naves espaciais, em direção ao sol. Esse fato foi inicialmente desprezado, pois cientistas acreditavam que o efeito era devido a algum fluxo de propulsão do combustível deixado nas linhas depois dos controladores terem desligado o propulsor. Só em 1998, quando um grupo de cientistas descobriu o que parecia uma desaceleração real que contradizia a Teoria da Relatividade Geral de Einstein, é que a Anomalia Pioneer começou a gerar polêmica e ser estudada mais a fundo.
Fonte: Hypescience.com

Conheça Polaris, o jipe-robô que vai encontrar água na lua

CRÉDITO: Astrobotic
Algum dia procuremos água no polo norte da lua. E provavelmente faremos isso com o jipe robótico Polaris, que está sendo construído para prospectar e eventualmente extrair minérios da lua, asteroides, ou mesmo outros planetas. Polaris é o robô desenvolvido pela Astrorobotics Technology, uma das equipes que está competindo pelos US$ 30 milhões (cerca de R$ 60 milhões) do Google Lunar X Prize, que vai premiar o primeiro explorador robótico a pousar na lua. Com uma perfuradora de 1,2 metros, ele pode se deslocar na lua a uma velocidade de 0,3 m/s, ou 1,08 km/h e pesa 150 kg, podendo carregar mais 70 kg de equipamentos e instrumentos científicos sobre suas rodas de 60 cm de largura.  Os painéis solares do Polaris, que alimentam seus motores e dispositivos elétricos, são capazes de gerar 250 W. O excesso de calor é eliminado por dois outros painéis. Ele também está preparado para suportar as noites frias da lua, com a temperatura caindo a -173 °C. Câmeras estéreo e laser serão usados pelo robô para gerar modelos e vídeos 3D, que serão comparados com as imagens do Lunar Reconnaissance Orbiter (principalmente para checar localização, já que ainda não tem GPS na lua). Além disso, o robô tem uma antena S-band apontada o tempo todo para a Terra, que serve para receber comandos e transmitir dados e imagens. O primeiro protótipo do Polaris ainda não está terminado, mas a NASA já está se movimentando para colocar seus próprios instrumentos de prospecção de água no robô. A agência espacial americana já assinou nove contratos em um total de US$ 3,6 milhões (cerca de R$ 4,2) com a Astrobotic, incluindo o contrato de uso do Polaris.
Fonte: Hypescience.com
[Space.com, Astrobotic Polaris]

O ALMA e um Céu Estrelado - Uma Vista Magnifica

Um céu límpido em qualquer noite é sempre uma maravilha. No entanto, se estivermos no planalto do Chajnantor, a 5000 metros de altitude, nos Andes chilenos, um dos melhores locais da face da Terra para fazer observações astronômicas, a experiência poderá ser verdadeiramente memorável. Esta panorâmica do Chajnantor mostra as antenas do Atacama Large Millimeter/submillimeter Array (ALMA) sob o fundo do céu noturno estrelado.

Em primeiro plano podemos ver algumas das antenas do ALMA, trabalhando em conjunto. O planalto aparece-nos encurvado por efeito da lente grande angular utilizada. O ALMA é o telescópio mais poderoso do mundo para estudar o Universo nos comprimentos de onda milimétricos e submilimétricos. A construção do ALMA estará completa em 2013, quando um total de 66 antenas estiverem operacionais no local. Neste momento, o telescópio encontra-se na sua fase inicial de Observações Científicas Preliminares. Embora ainda não esteja completamente construído, o telescópio já está produzindo resultados extraordinários, ultrapassando já todas as outras redes submilimétricas existentes.

No céu, por cima das antenas, brilham inúmeras estrelas tal qual jóias distantes. Dois outros objetos celestes bastante familiares estão também proeminentes do céu. A Lua, que coroa a imagem, e a Via Láctea que, apesar do luar, podemos distinguir como uma banda difusa estendendo-se ao longo de todo o céu. As regiões escuras no interior desta banda correspondem a zonas onde a radiação de estrelas de fundo é bloqueada pela poeira interestelar. Esta fotografia foi tirada pelo Embaixador Fotográfico do ESO, Babak Tafreshi. Babak Tafreshi é o fundador e líder do projeto O Mundo à Noite, um programa para criar e exibir uma coleção de fotografias e vídeos extraordinários dos locais mais bonitos e históricos do planeta sob um fundo noturno de estrelas, planetas e eventos celestes.

O ALMA, uma infraestrutura astronômica internacional, é uma parceria entre a Europa, a América do Norte e o Leste Asiático, em cooperação com a República do Chile. A construção e operação do ALMA é coordenada pelo ESO, em prol da Europa, pelo Observatório Nacional de Rádio Astronomia (NRAO), em prol da América do Norte e pelo Observatório Astronômico Nacional do Japão (NAOJ), em prol do Leste Asiático. O Joint ALMA Observatory (JAO) fornece uma liderança e direção unificadas na construção, comissionamento e operação do ALMA.
Fonte: http://www.eso.org/public/brazil/images/potw1238a/

Iluminação paralelo e perpendicular numa mesma região da Lua

Normalmente as imagens que temos dos polos da Lua, usam imagens obtidas com iluminação elevada, nos fornecendo assim uma melhor visão das crateras com o mínimo de sombra. A imagem da direita, mostrada acima, no entanto, foi gerada a partir de uma compilação de 45 imagens com condições de iluminação consideravelmente baixa e mostra de forma especial a Cratera Baily. Antes de julgarmos qual a melhor ou a pior imagem das duas apresentadas acima, o melhor a fazer é pensar que essas imagens na verdade são complementares. As sombras na imagem da direita enfatizam que a parte inferior direita do anel é bem reta, embora não seja claro que qualquer bacia maior tem influencíado essa região. Detritos da Bacia Orientale são visíveis na parte mais amesquinha do assoalho, e a imagem da direita mostra estrias menores derivadas da Orientale continuando numa parte mais suave do assoalho da Baily. O mosaico da direita revela uma cadeia curva na esquerda, que Chuck Wood e Bill Hartmann em 1971 propuseram como sendo um segmento de um anel mais interno, fazendo assimda Baily uma cratera de duplo anel, o lado oposto do anel é mais montanhoso e também pode ser observado. Um pouco além desse anel na parte superior direita do assoalho da Baily existe um fino canal, ou uma pequena fratura que é completamente invisível na outra imagem. O Sol está brilhando perpendicular ao canal, gerando uma sombra reveladora, na imagem de baixa ilumnação, e a iluminação está ao longo da tendência do canal na outra imagem de modo que o canal existe ali. Finalmente na imagem como Sol alto pode-se ver um grande deslizamento de terra, na Baily B, a maior cratera localizada dentro da Baily muito provavelmente gerado pelo impacto no anel da Baily A.
Fonte: http://lpod.wikispaces.com

Uma câmera para a energia escura

Galáxia NGC 1365: um dos primeiros objetos captados pela DECam, de 570 megapixels
Desde 12 de setembro passado, o estudo da energia escura – um misterioso componente que representaria 73% do Cosmo e pode ser uma peça-chave para entender por que o Universo está se expandindo de forma acelerada – conta com os serviços de uma supercâmera instalada no telescópio Blanco, um dos equipamentos do Observatório Inter-americano Cerro Tololo, nos Andes chilenos. Nesse dia, depois de oito anos de planejamento e construção, a DECam entrou em operação e fez as primeiras imagens do céu, como a da galáxia espiral barrada NGC 1365, situada a mais de 60 milhões de anos-luz da Terra. Dotada de 62 CCDs, a câmera tem resolução de 570 megapixels e faz parte do projeto internacional Dark Energy Survey (DES, levantamento de energia escura), tocado por 23 instituições de pesquisa dos Estados Unidos, Espanha, Reino Unido, Alemanha e Brasil. Em cinco anos, o DES pretende produzir imagens detalhadas em cores de 1/8 do céu para descobrir e medir propriedades de 300 milhões de galáxias, 100 mil aglomerados de galáxias e 4 mil supernovas.
Fonte: http://revistapesquisa.fapesp.br

Longa e sinuosa estrada:Cassini celebra 15 anos

A sonda Cassini comemorou ontem 15 anos de condução ininterrupta, ganhando um lugar entre os guerreiros da estrada interplanetária. Desde o seu lançamento a 15 de Outubro de 1997, a sonda já registou mais de 6,1 mil milhões de quilómetros de exploração - o suficiente para dar a volta à Terra mais de 152.000 vezes. Depois de passar por Vénus duas vezes, pela Terra, e depois por Júpiter a caminho de Saturno, a Cassini entrou em órbita do planeta em 2004, e aí tem passado os seus últimos oito anos, juntamente com os seus anéis brilhantes e as suas intrigantes luas.

E, para que não seja acusada de se recusar a escrever para casa, a Cassini enviou de volta, até agora, cerca de 444 gigabytes de dados científicos, incluindo mais de 300.000 imagens. Mais de 2500 artigos foram publicados em revistas científicas com base nos dados da Cassini, descrevendo a descoberta da pluma de água gelada e partículas orgânicas expelidas da lua Encelado; as primeiras vistas dos lagos de hidrocarbonetos da maior lua de Saturno, Titã; a revolta atmosférica de uma monstruosa tempestade em Saturno e muitos outros fenómenos curiosos.

"À medida que a Cassini realiza o estudo mais profundo de um planeta gigante até à data, a sonda tem percorrido a mais complexa trajectória assistida pela gravidade jamais tentada," afirma Robert Mitchell, gestor do programa no JPL da NASA em Pasadena, Califórnia, EUA. "Cada passagem rasante por Titã, por exemplo, é como passar um fio pelo buraco de uma agulha. E já o fizemos 87 vezes até agora, com precisões geralmente dentro dos 1,6 km, tudo controlado a partir da Terra a cerca de 1,5 mil milhões de quilómetros de distância."

A complexidade vem, em parte, do alinhamento de visitas a mais de uma dúzia das mais de 60 luas de Saturno e, por vezes, balançando-se para obter vistas dos pólos do planeta e das luas. A Cassini depois percorre o seu caminho de volta até ao equador do planeta, enquanto permanece no percurso para atingir o seu próximo alvo. As direcções que os planeadores da missão comandam também têm que ter em consideração as influências gravitacionais das luas e de uma fonte limitada de combustível.  Fico orgulhoso em dizer que a Cassini realizou tudo isto a cada ano dentro do orçamento, com relativamente poucos problemas de saúde," afirma Mitchell. "A Cassini está a entrar na sua meia-idade, com os sinais associados à passagem dos anos, mas está de muito boa saúde e não exige qualquer cirurgia de grande porte. A pintura branca e macia da antena de alto-ganho provavelmente agora está áspera ao toque, e algumas das coberturas em redor do corpo da sonda estão provavelmente salpicadas por pequenos buracos feitos por micrometeoróides. Mas a Cassini ainda mantém redundância no seus sistemas críticos de engenharia, e a equipa espera que envie mais alguns milhões de bytes de dados científicos à medida que continua a cheirar, provar, ver e ouvir o sistema de Saturno.

E isto é uma coisa boa, porque a Cassini ainda tem uma missão única e ousada pela frente. A Primavera só recentemente começou no hemisfério Norte de Saturno e suas luas, por isso os cientistas estão apenas começando a entender as alterações provocadas pela mudança das estações. Nenhuma outra nave espacial foi até agora capaz de observar tal transformação num planeta gigante. A partir de Novembro de 2016, a Cassini começará uma série de órbitas que a aproximarão cada vez mais de Saturno. Estas órbitas chegam mesmo ao limite exterior do anel F de Saturno, o mais exterior dos anéis principais. Então, em Abril de 2017, um encontro final com Titã colocará a Cassini numa trajectória que passará por dentro do anel mais interior de Saturno, muito perto do topo da atmosfera de Saturno. Depois de 22 destas passagens rasantes, a perturbação gravitacional de um distante e final encontro com Titã aproximará ainda mais a Cassini. A 15 de Setembro de 2017, após a entrada na atmosfera de Saturno, a sonda será esmagada e vaporizada pela pressão e temperatura do abraço final de Saturno, para proteger mundos como Encelado e Titã, com oceanos de água líquida por baixo das suas crostas gelada que podem abrigar condições para a vida.

"A Cassini tem ainda muitos quilómetros para percorrer antes do seu descanso final, e muitas mais perguntas que nós, cientistas, queremos ver respondidas," afirma Linda Spilker, cientista do projecto Cassini no JPL. "De facto, as suas últimas órbitas poderão ser as mais emocionantes, porque vamos ser capazes de descobrir como é estar tão perto do planeta, com dados que não podem ser recolhidos de outra maneira."
Fonte: http://www.ccvalg.pt/astronomia

De estepe cósmico a botão de flor etéreo

Nebulosa planetária IC 5148 © ESO
A IC 5148 é uma bonita nebulosa planetária situada a cerca de 3000 anos-luz de distância na constelação do Grou. A nebulosa tem um diâmetro de um par de anos-luz e está ainda a crescer, a mais de 50 quilômetros por segundo - uma das nebulosas planetárias com expansão mais rápida conhecida. O termo "nebulosa planetária" surgiu no século XIX, quando as primeiras observações de tais objetos - a partir dos pequenos telescópios disponíveis na época - mostravam algo parecido a planetas gigantes. Contudo, a verdadeira natureza das nebulosas planetárias é muito diferente. Quando uma estrela com massa semelhante ou apenas um pouco maior do que a do Sol se aproxima do final da sua vida, as camadas exteriores são lançadas para o espaço. O gás em expansão é iluminado pelo núcleo quente que resta da estrela no centro, formando a nebulosa planetária, que geralmente toma uma forma brilhante e bonita. Quando observada através de um pequeno telescópio amador, esta nebulosa planetária aparece como um anel de matéria, com a estrela - que irá arrefecer até se tornar uma anã branca - a brilhar no centro do buraco. Esta aparência levou os astrônomos a darem à IC 5148 o nome de Nebulosa do Pneu Sobresselente. O instrumento EFOSC2 (sigla do inglês para ESO Faint Object Spectrograph and Camera) montado no New Technology Telescope, em La Silla, dá-nos uma visão mais elegante deste objeto. Em vez de se parecer com um pneu sobresselente, a nebulosa assemelha-se a um botão de flor etéreo com as pétalas sobrepostas em camadas.
Fonte: http://www.eso.org/public/brazil/images/potw1242a/

Astrônomos amadores descobrem planeta com quatro sóis

Um planeta com quatro sóis mostra que o Universo parece ser muito mais criativo do que as dificuldades matemáticas indicavam. [Imagem: Haven Giguere/Yale]

Onde o Sol nunca se põe
Dois astrônomos amadores encontraram um planeta cujos céus são iluminados por quatro sóis. E esse mundo absolutamente estranho está "nas vizinhanças" em termos astronômicos, a meros 5 mil anos-luz da Terra, na Constelação do Cisne. O exoplaneta gira ao redor de um par de estrelas, e há um segundo binário estelar girando em torno do conjunto. Os astrônomos ainda terão que criar modelos para tentar explicar como tal configuração é possível, já que é muito difícil imaginar como o planeta não foi destruído pelas complicadas interações dos campos gravitacionais das quatro estrelas.

Mundos especiais
O primeiro planeta com dois sóis foi descoberto em 2011, mas logo os astrônomos viram que planetas em sistemas binários são comuns - eles são chamados planetas circumbinários. As coisas começaram a ficar mais complicadas quando, em Fevereiro deste ano, foi descoberto um planeta com três sóis, e cuja posição em relação às suas estrelas indica que ele pode estar na zona habitável. Os cientistas começaram a coçar a cabeça quando foram encontrados dois planetas orbitando dois sóis. Agora, a descoberta de um planeta com quatro sóis mostra que o Universo parece ser muito mais criativo do que as dificuldades matemáticas indicavam.

Cientistas cidadãos
Os norte-americanos Kian Jek e Robert Gagliano, descobridores do estranho mundo, participam de um projeto de ciência cidadã, mantido pela Universidade de Yale, chamado Planethunters.org - caçadores de planetas, em tradução livre. Cientistas cidadãos são voluntários que atendem ao apelo de cientistas para ajudar a desvendar um volume de dados grande demais para ser analisado apenas pelos cientistas assalariados. Depois de localizado por Jek e Gagliano, o sistema planetário inusitado foi analisado por pesquisadores das universidades de Yale (EUA) e Oxford (Reino Unido) - os dois voluntários aparecem como coautores do artigo científico que descreve a descoberta. O planeta com quatro sóis foi batizado de PH1, em homenagem ao projeto Planethunters. Os cálculos indicam que se trata de um gigante gasoso, seis vezes maior do que a Terra - com uma dimensão pouco superior à de Netuno.
Fonte: Inovação Tecnológica
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