31 de out de 2012

Fusão de galáxias é capturada pelo Hubble

A foto acima mostra a galáxia NGC 2623, que é na verdade um par de galáxias em processo de formar uma só. O telescópio Hubble fotografou a fase final dessa titânica fusão de galáxias. Elas estão a cerca de 300 milhões de anos-luz de nós, na constelação de Câncer. E por que acontecem fusões de galáxias? No espaço, as galáxias não ficam igualmente espaçadas: elas se reúnem em grupos ou pequenos aglomerados, unidos pela atração gravitacional (e governadas por ela).

Nessa dança gravitacional, é comum que duas galáxias sejam mutuamente atraídas e acabem passando por um processo de fusão. Essa colisão e fusão demoram milhões ou até bilhões de anos. No caso da NGC 2623, o encontro violento entre as galáxias gigantes tem produzido uma região de formação de estrelas perto de um amplo núcleo luminoso, ao longo das “caudas” vistas na imagem.  As caudas opostas cheias de gás, poeira e jovens aglomerados de estrelas azuis se estendem por mais de 50.000 anos-luz a partir do núcleo já mesclado das galáxias.

Provavelmente provocado pela fusão, um buraco negro supermassivo comanda a atividade na região nuclear. A formação de estrelas e seu núcleo galáctico ativo fazem da NGC 2623 brilhante em todo o seu espectro.  A imagem também mostra galáxias de fundo ainda mais distantes, espalhadas pelo campo de visão do Hubble.Galáxia  NGC 6240, uma colisão entre duas galáxias ricas em gás que se fundiram a 330 milhões de anos-luz da Terra, na constelação de Ofiúco. O fenômeno nos permite ter uma ideia de como a fusão de nossa galáxia com a galáxia Andrômeda vai parecer para um observador em outro ponto do universo.

Como a nossa galáxia vai ficar após colisão com Andrômeda

A foto acima, divulgada pela NASA e feita pela câmera infravermelha do telescópio espacial Spitzer e da luz visível do telescópio Hubble, mostra a NGC 6240, uma colisão entre duas galáxias ricas em gás, que se fundiram a 330 milhões de anos-luz da Terra, na constelação de Ofiúco. A galáxia está passando por intensos períodos de formação inicial, o que indica que duas galáxias menores sofreram uma fusão que começou a cerca de 30 milhões de anos atrás, e só vai terminar daqui algumas centenas de milhões de anos.

O fenômeno em si já é interessante, mas fica mais fascinante porque nos permite ter uma ideia de como a fusão de nossa galáxia vai parecer para um observador em outro ponto do universo. A galáxia Andrômeda está se deslocando constantemente em nossa direção, e deve nos alcançar em cerca de 5 bilhões de anos. Conforme se fundir com a Via Láctea, os buracos negros supermassivos que se encontram no centro de cada uma das galáxias também vão se unir.

O mesmo aconteceu com a NGC 6240. No centro da galáxia, há dois buracos negros supermassivos que estão a meros 3.000 anos-luz de distância um do outro. Este é um fenômeno interessante para os físicos observarem, já que a colisão de buracos negros deve produzir grandes ondulações no espaço-tempo, chamadas de ondas gravitacionais. Essas ondas gravitacionais são difíceis de detectar e figuram no topo da lista de “mais procurados” dos cientistas, ao lado da matéria escura e da energia escura. Encontrá-las e compreender suas propriedades pode dar algumas pistas sobre a formação de buracos negros supermassivos, além de confirmar aspectos importantes da teoria da relatividade geral de Einstein que descreve como o espaço-tempo é afetado pela massa.

Passado, presente, futuro
A luz viaja a uma velocidade finita. Isso significa que, quando observamos o universo, estamos constantemente observando o passado. Dependendo da distância de certos objetos da Terra, mais longe no passado nós os observamos. Por exemplo, agora, nós estamos vendo como o sol era 8 minutos atrás. Alpha Centauri (a estrela mais próxima do nosso sol) aparece para nós como era mais de 4 anos atrás. A NGC 6240, por sua vez, é observada na sua forma mais de 400 milhões de anos atrás. Sendo assim, o que aconteceu com a

NGC 6240, em relação ao tempo da Terra, foi que: 450 milhões de anos atrás, as galáxias se fundiram; 400 milhões de anos atrás, os buracos negros supermassivos se aproximaram a 3.000 anos-luz de distância um do outro; 250 milhões de anos atrás, os buracos negros se fundiram. Do tempo da Terra, as galáxias se fundiram há 50 milhões de anos, os buracos negros supermassivos estão a 3.000 anos-luz de distância um do outro nesse momento, e só daqui a 150 milhões de anos vão se fundir.
Fonte: Hypescience.com
[NASA]

Raio trator espacial prestes a se tornar realidade

Apesar de conseguir puxar apenas micropartículas aqui embaixo, no espaço a força do raio trator pode ser suficiente para deslocar objetos de maior massa.[Imagem: Paramount]

Da ficção para a realidade
Um raio trator capaz de desviar um asteroide em rota de colisão com a Terra, capturar lixos espaciais, ou ajustar a órbita de satélites artificiais não é mais um sonho tão distante. Presente há anos na ficção científica, aos poucos o conceito de um raio capaz de puxar materiais sem contato começou a ser testado nos laboratórios de nanotecnologia, já sendo uma realidade para as nanopartículas. Embora a ficção tenha várias versões do aparato, para os físicos do mundo real um raio trator é uma onda de luz, visível ou não, capaz de puxar um objeto ao longo do feixe de luz até a sua origem - há também outro conceito, conhecido como raio trator gravitacional. Agora, o avanço foi significativo o suficiente para chamar a atenção da NASA. David Ruffner e David Grier, da Universidade de Nova Iorque, nos Estados Unidos, conseguiram pela primeira vez construir um raio trator autêntico, que puxa as partículas sem depender de sua composição. Os dois pesquisadores usaram um laser especial, que produz um tipo de luz chamada feixe de Bessel, no qual os fótons são disparados em anéis concêntricos.

Tubo de luz
Para criar o raio trator, dois feixes de Bessel são disparados lado a lado. Mas, em vez de prosseguirem paralelamente, uma lente faz que com eles desviem e se sobreponham, criando um padrão alternado de regiões claras e escuras. A interação não destrói o "miolo" vazio do feixe, onde fica a partícula a ser tracionada. Ajustando a temporização dos feixes, os pesquisadores fizeram com que os fótons das regiões brilhantes se espalhem em direção à fonte de luz, empurrando a partícula para a próxima região clara. Como há uma sequência de regiões claras e escuras, ao sair do raio de ação dos fótons de um anel de luz, a partícula já atingiu o anel de luz seguinte, cujos fótons entram então em ação. Assim, o feixe de luz funciona como uma correia transportadora, levando continuamente a partícula em direção à fonte.


(a) Interseção dos dois lasers; (b) reconstrução volumétrica do feixe resultante; (c) holograma de fase mostrando a correia transportadora de luz; (d) projeção holográfica do feixe que puxa a partícula em direção à sua origem. [Imagem: Ruffner/Grier]

Raio trator prático
Tudo ainda funciona no reino da nanotecnologia - o raio trator é capaz de puxar microesferas de sílica. Mas há dois avanços essenciais. O primeiro é que o raio trator a laser não depende de uma segunda fonte de luz do "outro lado", podendo ser emitido de uma fonte única, a partir de um único ponto. O segundo é que, ao contrário do primeiro nano-raio trator verdadeiro, criado há menos de seis meses, o sistema independe das propriedades físicas da partícula a ser transportada. Foi isso que chamou a atenção da NASA, que já contatou os pesquisadores para discutir possibilidades de aplicações do raio trator no espaço.

Raio trator no espaço
Apesar de conseguir puxar apenas micropartículas aqui embaixo, no espaço a força do raio trator pode ser suficiente para deslocar objetos de maior massa. Outra possibilidade de aplicação é a captura de partículas de cometas e asteroides, evitando as complicadas manobras de pousar nesses corpos celestes para coletar amostras. Os dois pesquisadores passaram à frente de uma equipe formada pela própria NASA há cerca de um ano, para tentar viabilizar a tecnologia dos raios tratores:
Fonte: Inovação Tecnológica

O retorno do planeta de Sauron

Fomalhaut, a estrela mais brilhante da constelação Piscis Australis, ou Peixe do Sul (e por isto conhecida também como α PsA), também é conhecida como “olho de Sauron”, pelo formato da nebulosa que parece ter saído de um filme de Peter Jackson. Ela se encontra a cerca de 25 anos-luz do sol, e é a 18ª estrela mais brilhante no céu noturno. Em 2008, foi anunciada a descoberta de um planeta orbitando Fomalhaut, o primeiro exoplaneta a ser observado diretamente, e não por causa de um eclipse da estrela principal ou de um balanço gravitacional. Ele foi identificado pela primeira vez na foto acima, feita pelo telescópio espacial Hubble. Como a estrela é chamada Fomalhaut, o nome do planeta é “Fomalhaut b”. Para fazer esta foto, o Hubble usou uma barra de ocultação, uma pecinha de metal que bloqueia a parte mais brilhante da imagem da estrela. A parte escurecida no centro da imagem é a posição da estrela.

O planeta foi confirmado em duas outras fotos, uma de 2004 e uma de 2006. A partir de então, algumas de suas características foram deduzidas. Primeiro, a presença da mesma mancha luminosa, mas com posição ligeiramente diferente confirmava o seu status de planeta. Segundo, Fomalhaut é uma estrela que tem um anel de poeira, e este anel tem a beirada bem definida no lado de dentro, o mesmo lado que o planeta orbita, o que é esperado que aconteça por causa da “faxina” promovida pelo planeta no anel de poeira. E, finalmente, pelo brilho observado, o planeta deveria ter algumas vezes a massa de Júpiter, mas menos massa que o necessário para ser uma estrela, então definitivamente era um planeta.

No início de 2012, entretanto, vieram as más notícias. Um planeta maior que Júpiter deveria ser visível na faixa do infravermelho, principalmente considerando a pouca idade (algumas centenas de milhões de anos, segundo estimativa dos astrofísicos), mas Fomalhaut b não era: ele não aparecia nas imagens de infravermelho. E as más notícias não terminaram aí. Pelo cálculo da sua órbita, ela deveria cruzar o anel da estrela. Com a idade de Formalhaut, um planeta maior que Júpiter deveria ter destruído o anel de poeira depois de alguns milhões de anos. Mas o anel estava lá, então Fomalhaut b não poderia ser um planeta. A explicação mais plausível foi que se tratava de uma nuvem de poeira orbitando a estrela. Uma nuvem de poeira poderia explicar os dados, mas não um planeta como o que eles achavam ter visto. Uma equipe de astrônomos resolveu então rever os dados originais do telescópio Hubble. Os dados foram reprocessados e reanalisados, e a conclusão desta vez foi que realmente havia alguma coisa lá.

Os cientistas usaram então as imagens feitas com um filtro azul para novamente confirmar a presença da mancha. Examinaram então a mesma estrela usando o gigantesco telescópio Subaru, de 8,2 metros, no Havaí (EUA), na faixa do infravermelho, e novamente a mancha não estava lá. Seja lá o que for, era alguma coisa que não brilhava no infravermelho. Para tornar as coisas mais interessantes, eles determinaram que o objeto não poderia ser uma nuvem de poeira. As forças gravitacionais teriam a destruído em pouco tempo. Era hora de fazer mais alguns cálculos. Usando o que sabiam sobre planetas, os pesquisadores fizeram modelos computacionais e calcularam como ele deveria se parecer quando observado pelo telescópio. Experimentando com vários números de massa, idade e outras características, eles chegaram à conclusão de que um planeta menor que Júpiter, com cerca de metade da massa, poderia explicar as observações.

Sendo menor que Júpiter, o planeta não brilharia em infravermelho, mas ainda seria grande o suficiente para aparecer nas imagens feitas com o filtro azul. E as simulações se encaixam melhor ainda com as observações se considerarmos um planeta pequeno, mas rodeado por uma nuvem de poeira. A gravidade do planeta iria manter a nuvem de poeira unida. Restava o problema da órbita cruzando o anel. Uma análise do movimento do objeto, usando técnicas mais precisas, determinou que ele não cruza o anel, mas sua órbita seria bastante semelhante à forma do anel, o que também explicaria o anel com borda interna bem definida. Para comemorar o Halloween, a Nasa preparou um vídeo sobre Fomalhaut b, que você pode conferir abaixo. Todos estes estudos e resultados não são uma prova de que o objeto em torno de Fomalhaut seja realmente um planeta, mas mostram que não dá para descartar esta hipótese. Novas imagens, novas observações e novas análises serão feitas para determinar qual a natureza deste objeto. De qualquer forma, se a hipótese do planeta circundado por poeira for confirmada, Fomalhaut b perderá a honra de ser o primeiro planeta observado diretamente, por que, pela nova hipótese, o que vimos primeiramente não foi o planeta em si, mas a nuvem de poeira que o cerca.
Fonte: Hypescience.com
[Bad Astronomy]

Astrônomos calculam velocidade do Sistema Solar

Os astrônomos refizeram os cálculos da massa da matéria escura, da velocidade e da órbita do Sistema Solar.[Imagem: NAOJ]

Órbita do Sistema Solar
Há poucos dias, astrônomos aumentaram a precisão da constante de Hubble, que mede a taxa de expansão do Universo. Agora, uma equipe de astrônomos japoneses fez novas medições de nossa própria galáxia, o que levou a um refinamento da massa da matéria escura presente na Via Láctea.

Eles chegaram a duas conclusões principais.
A primeira é que a distância do nosso Sistema Solar até o centro da galáxia é de 26,1 anos-luz - um ano-luz é uma medida de distância, que equivale a aproximadamente 9,5 trilhões de quilômetros. A segunda conclusão é que a velocidade imposta ao Sistema Solar pela rotação da galáxia é de aproximadamente 240 km/s. Isso significa que leva 200 milhões de anos para que o Sistema Solar complete uma "órbita" em torno do centro da galáxia.

Massa da matéria escura
O valor agora medido de 240 km/s é conhecido como V0. O valor atualmente aceito para o V0 é de de 220 km/s, tendo sido estabelecido pela União Astronômica Internacional em 1986. Em geral, a velocidade de rotação da galáxia é determinada pelo equilíbrio com a gravidade galáctica - assim, medir a rotação da galáxia equivale a medir a massa da galáxia. Quando os dados da nova pesquisa foram usados para recalcular o valor de V0, os astrônomos verificaram que a massa de matéria escura na Via Láctea é 20% maior do que o valor aceito hoje. Segundo os pesquisadores, esse valor tem impacto direto sobre os experimentos que vêm tentando, até agora sem sucesso, detectar partículas de matéria escura. Mareki Honma e seus colegas do Observatório Nacional do Japão usaram o projeto VERA (VLBI Exploration of Radio Astrometry) para medir as distâncias precisas e o movimento de 50 objetos celestes para obter o ganho de precisão.
Fonte: Inovação Tecnológica

O início e o fim dos raios cósmicos

Novos estudos ampliam o conhecimento sobre possíveis origens dessas partículas subatômicas, que são aceleradas até atingir uma velocidade muito próxima à da luz, atravessam o espaço intergaláctico e, ao chegar à Terra, se desfazem ao colidir com outras partículas
A formação e o comportamento dos raios cósmicos – partículas que chegam à Terra à velocidade muito próxima à da luz e colidem com as moléculas de nitrogênio e oxigênio da atmosfera terrestre, resultando em trilhões de novas partículas – estão sendo detalhados em dois estudos recentes. Um dos trabalhos, de pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) e dos Estados Unidos, indicou que os raios cósmicos poderiam se formar em consequência do encontro e da aniquilação de campos magnéticos de polaridades opostas em atmosferas de estrelas e de objetos cósmicos compactos como buracos negros de massas estelares ou núcleos ativos de galáxias. Para os pesquisadores responsáveis pelo estudo, esse mecanismo oferece uma alternativa ao modelo mais aceito de formação de raios cósmicos e poderia explicar as origens extragalácticas – ainda incertas – daqueles de energia mais alta.

O outro estudo – da equipe do Observatório Pierre Auger, com a participação de físicos de universidades de São Paulo, Rio de Janeiro e Bahia – analisa as colisões dos raios cósmicos de alta energia com os núcleos dos átomos da atmosfera e apresenta a área de interação dos raios cósmicos de energia de 10 elevado a 18 a 10 elevado a 18,5 eV (elétron-Volt) com os núcleos dos átomos da atmosfera. Nesses níveis de energia, a área de interação dessas partículas – ou seção de choque – corresponde a 5,05 x 10 elevado a -29 metros quadrados (o número zero seguido da vírgula e por 28 zeros antes do número 505). “Nenhum outro experimento havia feito essa medida da seção de choque próton-ar ou da seção de choque próton-próton nessas energias altíssimas”, diz Carola Dobrigkeit Chinellato, pesquisadora do Instituto de Física da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e coordenadora da equipe paulista no Observatório Pierre Auger.

Construído de 2000 a 2008 ao pé dos Andes, em uma planície semidesértica dos arredores de Malargüe, ao sul da cidade de Mendoza, na Argentina, o Observatório Pierre Auger é o resultado de uma colaboração internacional que reúne hoje cerca de 500 físicos de 18 países. É o maior observatório de raios cósmicos em funcionamento, com 1.660 detectores de superfície, formados por tanques cilíndricos instrumentados de 3,7 metros de diâmetro por 1,2 de altura, cada um a uma distância de 1,5 quilômetro do outro, formando uma malha triangular. Espalhados por 3,3 mil quilômetros quadrados – o dobro da área da cidade de São Paulo –, os detectores de superfície funcionam de modo integrado com os 27 telescópios de fluorescência, os chamados olhos de mosca, capazes de registrar a tênue luz emitida pelas moléculas de nitrogênio da alta atmosfera quando excitadas pelas partículas do chuveiro iniciado pelo raio cósmico que chegou à Terra.

Os leitores desta revista acompanharam a construção do Observatório Pierre Auger, desde os bastidores das negociações, apresentados em agosto de 2000 na matéria de capa de Pesquisa Fapesp. Os raios cósmicos foram descobertos há 100 anos pelo físico austríaco Victor Hess, ganhador do Prêmio Nobel de 1936. Agora, com esses dois estudos recentes, o comportamento dessas partículas torna-se menos nebuloso, embora sua composição permaneça duvidosa: há indicações de que os raios cósmicos na faixa de energia até 10 elevado a 18,5 eV devem ser prótons, enquanto os de energia mais alta talvez sejam núcleos de elementos químicos pesados, como ferro.
Fonte: Pesquisa Fapesp

Nebulosa Planetária PK 164 +31.1

Crédito da imagem e direitos autorais: Descubre Foundation, CAHA, OAUV, DSA, Vicent Peris (OAUV), Jack Harvey (SSRO), PixInsight
A imagem acima mostra o que o nosso Sol se tornará? Bem possivelmente sim. A bolha de gás em expansão mostrada acima é a nebulosa planetária conhecida como PK 164 +31.1, ou seja, a parte remanescente da atmosfera de uma estrela parecida com o Sol que expeliu essas camadas externas enquanto depletava o seu combustível interno de hidrogênio responsável pela fusão que a sustenta. Visível perto do centro da nebulosa está o que lembra o núcleo propriamente dito da estrela, uma estrela quente e azul conhecida como anã branca. Essa nebulosa planetária particularmente fotogênica mostra intrigantes conchas de gás provavelmente expelidas em diferentes épocas enquanto a estrela caminhava para o fim de sua vida, e cuja a estrutura ainda não é muito bem entendida. Essa imagem profunda da PK 164 +31.1, foi feita pelo Observatório de Calar alto na Espanha e mostra como muitas outras estrelas da nossa própria galáxia bem como algumas outras galáxias mais distantes. A PK 164 +31.1, também conhecida como Jones-Emberson 1, localiza-se a aproximadamente 1600 anos-luz de distância da Terra na direção da constelação do gato selvagem, Lynx. Devido a ser muito apagada, magnitude 17 e devido também à seu baixo brilho superficial, o objeto só pode ser visível com bons telescópios. Embora a nebulosa em expansão irá se apagar nos próximos milhares de anos, a anã branca central pode sobreviver por bilhões de anos, até quando provavelmente o universo em que vivemos será um lugar muito diferente.
Fonte: http://apod.nasa.gov/apod/ap121030.html

VdB 152: Um Fantasma em Cefeu


Créditos e direitos autorais : Stephen Leshin  
Descrita como uma "cortina de poeira" ou uma "aparição fantasmagórica", a misteriosa nebulosa de reflexão VdB 152 é realmente muito tênue. Este fantasma cósmico está a cerca de 1.400 anos-luz de distância, bem longe de sua vizinhança nesta noite de Halloween (Dia das Bruxas). Também catalogada como Ced 201, ela localiza-se junto à região setentrional da Via Láctea, na constelação real de Cefeu. Próximo ao extremo de uma grande nuvem molecular, bolsões de poeira interestelar na região bloqueiam a luz de estrelas no segundo plano ou espalham luz da estrela brilhante incrustada fazendo com que partes da nebulosa tenham uma típica cor azul. Luzes ultravioletas desta estrela também parecem causar uma opaca luminescência avermelhada na poeira nebular. Apesar de ser fato que estrelas formam nuvens moleculares, esta estrela parece ter entrado nesta área de forma acidental, dado que sua velocidade através do espaço é muito diferente da velocidade da nuvem. Esta imagem telescópica profunda da região estende-se por cerca de 7 anos-luz.  

Estrelas antigas ou modernas?

Esta imagem colorida do enxame globular NGC 6362 foi obtida com o instrumento Wide Field Imager montado no telescópio MPG/ESO de 2.2 metros, situado no Observatório de La Silla do ESO, no Chile. Esta brilhante bola de estrelas antigas situa-se na constelação austral do Altar. Créditos:ESO

Esta imagem colorida do enxame estelar globular NGC 6362 foi obtida com o instrumento Wide Field Imager montado no telescópio MPG/ESO de 2.2 metros, no Observatório de La Silla, no Chile. Esta nova imagem, juntamente com uma outra imagem nova da região central deste objeto, obtida pelo Telescópio Espacial Hubble da NASA/ESA, dão-nos a melhor vista de sempre deste enxame pouco conhecido. Os enxames globulares são compostos por dezenas de milhares de estrelas muito antigas, mas também podem conter algumas estrelas que parecem bastante novas.


Os enxames encontram-se entre os objetos mais antigos do Universo e o NGC 6362 não consegue esconder a sua idade. As muitas estrelas amareladas viveram já a maior parte das suas vidas e tornaram-se estrelas gigantes vermelhas. No entanto, os enxames globulares não são relíquias estáticas do passado - alguma atividade estelar bastante interessante tem ainda lugar nestas densas cidades estelares.

Por exemplo, o NGC 6362 alberga muitas estrelas vagabundas azuis - estrelas velhas mas que, na realidade, parecem ser bastante jovens. Todas as estrelas num enxame formam-se durante um período de tempo relativamente curto, tipicamente há cerca de 10 mil milhões de anos, para a maioria dos enxames. No entanto, as vagabundas azuis são mais azuis e luminosas - consequentemente com maior massa - do que seria de esperar depois de dez mil milhões de anos de evolução estelar. As estrelas azuis são quentes e consomem o seu combustível muito depressa, por isso se estas estrelas se formaram há cerca de dez mil milhões de anos, deveriam ter já desaparecido há muito tempo. Como é que sobreviveram?

Os astrónomos procuram perceber o segredo da aparência jovem das vagabunda azuis. Atualmente, existem duas teorias para explicar este fenómeno: estrelas que colidem e se fundem, e transferência de matéria entre duas estrelas companheiras. A ideia básica por trás destas duas teorias é que as estrelas não nasceram tão grandes como as vemos hoje, mas que receberam sim, uma injeção de material em determinado momento das suas vidas, o que lhes deu claramente uma "vida nova".

Embora menos bem conhecido do que outros enxames globulares mais brilhantes, o NGC 6362 é um objeto que suscita interesse na comunidade astronómica, e tem por isso sido bastante estudado ao longo dos anos. Foi seleccionado como um dos 160 campos estelares para o rastreio Pre-FLAMES - um rastreio preliminar feito entre 1999 e 2002, com o telescópio de 2.2 metros em La Silla, no intuito de encontrar estrelas adequadas as observações posteriores com o espectróscopio FLAMES do VLT. Esta imagem foi obtida de dados obtidos no âmbito deste rastreio.

A nova imagem mostra todo o enxame sob um rico fundo de estrelas da Via Láctea. As partes centrais do NGC 6262 foram igualmente estudadas em detalhe pelo Telescópio Espacial Hubble da NASA/ESA. A imagem do Hubble mostra uma região muito menor do céu, mas muito mais detalhada. As duas imagens - uma de grande angular e outra de detalhe - complementam-se na perfeição. Esta brilhante bola de estrelas situa-se na constelação austral do Altar. Pode ser facilmente observada com um pequeno telescópio. Foi o primeiro enxame descoberto em 1826 pelo astrónomo escocês James Dunlop, que utilizou para o efeito um telescópio de 22 centímetros, na Austrália.
Fonte: http://www.eso.org/public/portugal/news/archive/year/2012/
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