16 de nov de 2012

O caçador de galáxias

Duas novidades surpreendentes: o Universo está se expandindo e a Via Láctea é apenas uma entre bilhões de galáxias.
Nenhum astrônomo teve tanta influência na construção da idéia moderna do Cosmo quanto o americano Edwin Hubble (1889-1953). Ele mostrou, em 1923, que o Universo é muito mais vasto do que se imaginava e que a Via Láctea, a galáxia onde se situam a Terra e o Sistema Solar, é apenas uma entre muitas outras. Hubble continuou apontando o telescópio para as galáxias e, em 1929, percebeu algo que o deixou intrigado. A luz das estrelas mais distantes da Terra, quando vista através de um prisma, mostrava-se mais vermelha do que seria de se esperar. Isso significava que os astros estavam se afastando de nós (se estivessem se aproximando, a cor predominante seria o azul). Medindo as suas distâncias, Hubble descobriu que, quanto mais longe uma galáxia se encontra da Terra, maior é a velocidade do seu afastamento. O Universo, portanto, não é estático, como se pensava até então, mas está em permanente expansão – como uma bexiga de borracha que alguém vai soprando sem parar.

A pergunta seguinte era inevitável. Se as galáxias estão cada vez mais longe umas da outras, qual é a força que impulsiona o seu movimento? Só poderia ser a tal explosão sugerida, em 1927, pelo cosmologista belga Georges Lamaître (1894-1966), precursor da teoria do Big Bang. Graças a Hubble, essa explicação sobre a origem do Universo se tornava convincente. Para o astrônomo americano, a proeza teve um sabor adicional. Entre os defensores da velha idéia do Universo estático estava Albert Einstein. O físico alemão chegou, embora sem muita convicção, a acrescentar às suas equações sobre a Relatividade Geral um ingrediente chamado constante cosmológica, que literalmente freava o Universo. Einstein admitiu o erro e, em 1931, durante uma visita à Califórnia, fez questão de subir ao Monte Wilson, em Los Angeles, para conhecer o telescópio onde Hubble trabalhava e cumprimentá-lo pessoalmente.

O enigma de Andrômeda
No início de sua carreira, Edwin Hubble enfrentou um rival – o astrônomo Harlow Shapley (1885-1972). Shapley tinha se tornado famoso, em 1911, ao usar as cefeidas (estrelas de tamanho variável) como referência para medir o tamanho da Via Láctea, tida na época como a única galáxia. Ele descartou a sugestão de Hubble de que a Nebulosa de Andrômeda poderia ser formada de estrelas, e não apenas de poeira, como se imaginava. Para tirar a dúvida, Hubble empregou o mesmo método de seu rival e mostrou, em 1923, que Andrômeda era de fato outra galáxia, situada a 200 000 anos-luz da Terra.

“Eu não sei se fico alegre ou triste com a sua descoberta”, curvou-se Shapley, anos mais tarde, em uma carta ao vencedor da disputa. “Talvez as duas coisas.” A mais forte evidência de que ocorreu o Big Bang foi obtida em 1992, pelo satélite americano Cobe. Ele captou radiação gerada pela explosão e distribuída de modo mais ou menos uniforme pelo Universo. Mostrou também que há diferenças de temperatura no céu – pequenas, mas reveladoras. É nas áreas mais quentes, registradas em vermelho na imagem do satélite, que a matéria espalhada pelo Big Bang teria se aglomerado, formando as sementes das galáxias.

Uma viagem sem fim

De acordo com a teoria mais aceita sobre a origem do Universo, ele começou com o Big Bang e se expandirá para sempre, a uma velocidade cada vez maior.

HÁ 13 bilhões de anos
1. Big Bang, a explosão que deu origem ao Universo.

1000 anos após o big Bang
2. Passa a existir, no Universo, mais matéria do que radiação.
HÁ 12 bilhões de anos
3. Início da formação das galáxias.

HÁ 8 bilhões de anos
4. Formação da Via Láctea. As galáxias começam a se afastar umas das outras.

Momento atual
5. As galáxias continuam se distanciando umasdas outras, mas seu fim está distante.O Universo ainda está na sua adolescência.

Daqui A 100 bilhões de anos
6. A maioria das estrelas está se apagando. Algumas viram buracos negros. Outras restam como corpos inertes e gelados.

Daqui a 103 trilhões de bilhões de anos
7. A expansão prossegue, rumo ao infinito. As últimas estrelas morrem e os buracos negros também. No final, muitos trilhões de anos depois, só restará uma finíssima poeira de partículas, menores do que o átomo.
Fonte: Super.Abril

Descoberta de gigante abertura em disco de estrela tipo-sol pode indicar múltiplos planetas

O instrumento HiCIAO acoplado ao Telescópio Subaru capturou esta imagem infravermelha do disco protoplanetário em torno da estrelas PDS 70. Uma máscara de software bloqueou a luz na vizinhança imediata da estrela central. As cores na imagem indicam a luminosidade da radiação infravermelha; a área esbranquiçada tem uma radiação infravermelha mais forte do que as áreas azuladas. A área escura perto de PDS 70, fora da máscara, é a lacuna referida no texto.Crédito: NAOJ

Uma equipe internacional de astrónomos, liderada por Jun Hashimoto (Observatório Astronómico do Japão) e Ruobing Dong (Universidade de Princeton, EUA) usou o instrumento HiCIAO (High Contrast Instrument for the Subaru Next Generation Adaptive Optics) acoplado ao Telescópio Subaru para observar e examinar PDS 70 (PDS é uma abreviação "Pico dos Dias Survey", um nome de catálogo baseado no grande estudo dos anos 90 decorrido no Observatório Pico dos Dias no Brazil. Cerca de cem objectos foram catalogados. O 70º objecto na lista foi o alvo desta pesquisa), uma estrela jovem com cerca de 10 milhões de anos e com uma massa semelhante à do Sol. As imagens capturadas a partir das observações mostram claramente uma lacuna gigante dentro do disco protoplanetário, a maior já encontrada em estrelas com baixa massa e semelhantes ao Sol. É em discos protoplanetários que se formam planetas, e a força gravitacional de planetas recém-nascidos pode explicar o enorme espaço entre o limite interno do disco e a estrela central. Nenhum planeta, independentemente de quão pesado ou eficiente é na sua formação, é suficiente para criar uma abertura tão grande.
 
Os investigadores pensam que a lacuna no disco protoplanetário de PDS 70 pode ter resultado do nascimento de vários planetas. As imagens de alto contraste a partir das observações permitiram aos cientistas estudar os detalhes do disco, e em seguida foram capazes de revelar directamente o local de formação de possivelmente um ou mais planetas. A equipa de pesquisa está agora a tentar detectar esses planetas. Os discos protoplanetários ocorrem em torno de muitas estrelas tipo-Sol; são compostos por gás e poeira que rodeiam as estrelas e providenciam os materiais a partir de onde os planetas como a Terra são formados. Os astrónomos observam os discos protoplanetários para melhor compreender a sua evolução e a formação de planetas. Os discos em torno de estrelas mais pesadas tendem a ser mais prolongados e mais brilhantes, e portanto mais fáceis de estudar em detalhe; as estrelas menos massivas representam um desafio maior para a pesquisa. O objectivo do Projecto SEEDS (Strategic Exploration of Exoplanets and Disks with Subaru), iniciado em 2009, é estudar os discos em torno de estrelas menos massivas como o Sol.

Como parte do Projecto SEEDS, a equipa escolheu como alvo PDS 70, localizada a cerca de 460 anos-luz na direcção da constelação de Centauro, que tem 90% da massa do Sol. Tem uma idade estimada em aproximadamente 10 milhões de anos, ou seja, é muito jovem em termos cósmicos relativamente ao tempo de duração de 10 mil milhões de anos de estrelas como o Sol e à sua idade actual de 4,6 mil milhões de anos. Observações anteriores da distribuição da energia espectral e observações directas pelo VLT no Chile, sugeriram a presença de um disco, mas não foram capazes de determinar os detalhes da sua estrutura. As observações com o HiCIAO acoplado do Telescópio Subaru mostram claramente um espaço de baixa densidade entre PDS 70 e a borda interior do disco em seu redor, com um raio tão grande quanto 70 UA (unidade astronómica, a distância entre a Terra e o Sol, cerca de 150 milhões de quilómetros). A primeira imagem mostra uma área mais escura na vizinhança da estrela, o que significa que existe aí menos material. As imagens de alto contraste obtidas pelo HiCIAO permitiram a descoberta.
Impressão de artista de PDS 70 e dos seus dois discos protoplanetários, mostrando a grande abertura entre ambos. A força gravitacional de vários planetas recém-nascidos é provavelmente responsável pelo desenvolvimento da grande abertura entre os dois discos.Crédito: NAOJ

O enorme tamanho da lacuna no disco em torno de PDS 70 levou a equipa a questionar a formação da mesma. Ao estudar os detalhes da distribuição da energia espectral (traçando o brilho da luz em comparação com o comprimento de onda) da estrela em si e o disco, descobriram um outro disco a uma distância de apenas 1 UA. A segunda imagem ilustra a estrutura de disco duplo. O disco interior e mais pequeno está muito próximo da estrela, mas as observações actuais não mostram claramente essa parte do disco porque está por trás da máscara HiCIAO, que bloqueia a brilhante luz da estrela central. As forças gravitacionais do(s) planeta(s) embebido(s) no disco podem ser responsáveis por este tipo de lacuna no disco, pois podem afastar o material do disco, e a "limpeza" de material significa que menos radiação infravermelha é emitida dessa área. Seria muito difícil um único planeta ser responsável pela criação da abertura.

No entanto, a realização de observações para detectar tais planetas é difícil, porque a luz difusa do disco pode obscurecer a luz muito fraca emitida pelos planetas. As imagens de alto contraste obtidas pelo HiCIAO revelaram detalhes surpreendentes do disco protoplanetário de PDS 70. O líder da equipa, Jun Hashimoto, comentou: "Graças à combinação poderosa do Telescópio Subaru e do HiCIAO, somos capazes de estudar os discos em torno de estrelas semelhantes ao Sol. PDS 70 mostra como o nosso Sistema Solar pode ter sido na sua infância. Quero continuar este tipo de pesquisa para entender a história da formação planetária." Ruobing Dong, também líder da equipa, concordou e acrescentou: "A imagem directa de planetas no processo de formação em discos protoplanetários seria o ideal, para que possamos aprender quando, onde e como os planetas são formados."

A equipa está consciente do desafio que o contraste entre os planetas muito ténues e as suas estrelas-mãe. Além disso, a elevada actividade e variabilidade da luz de estrelas jovens torna as observações ainda mais difíceis. A detecção de planetas gigantes é mais fácil, porque causa mais perturbações gravitacionais nos discos. Dado que os planetas gigantes criam espaços mais amplos nos discos, as suas estruturas induzidas são mais fáceis de observar. "O estudo SEEDS de sistemas como PDS 70, com uma lacuna gigante que pode ter sido esculpida por vários planetas gigantes, abre um caminho promissor para estudar directamente a formação planetária em discos," concluiu Ruobing.
Fonte: http://www.ccvalg.pt

Uma breve história do Universo

Em sua teoria da relatividade geral, Albert Einstein chegou à conclusão de que o universo deveria estar em expansão, mas as evidências observacionais da época não indicavam isso. Desta maneira, meio que a contragosto, Einstein introduziu uma constante nessas equações, chamada de constante cosmológica, para que o universo permanecesse estático. Na década seguinte, de 1920, começaram a aparecer as primeiras evidências observacionais de que o universo não seria estático. Observações de galáxias feitas por Edwin Hubble mostraram que todas elas estavam em movimento, todas se afastando umas das outras, como se estivessem sobre um balão sendo inflado.

Einstein revisou suas equações, retirou a tal constante e afirmou que ela teria sido a maior bobagem que ele já tinha feito. A partir de então, a interpretação dessas equações – bem complicadas, por sinal – nos levava a crer que o universo começou com uma singularidade, onde toda a matéria do universo estava concentrada e subitamente começou uma rápida expansão. Esse é o Big Bang. Esse termo foi cunhado por Fred Hoyle, um defensor da teoria do universo estático, muito mais em tom de crítica do que para, de fato, esclarecer. Isso causa uma grande confusão na hora de entender a física do processo. Não houve uma grande explosão, não há um centro do qual tudo parece se afastar, não havia antes e não há nada “fora” do universo. Mas isso é assunto para outra hora. Desde então, os astrônomos vinham tentando medir a velocidade de expansão do universo e tentando saber que tipo de destino o universo teria – se a expansão seria eterna ou não. Em todos os casos, seria uma expansão desacelerada.

Mas eis que, em meados de 1990, usando supernovas para estudar a expansão do universo, Saul Perlmutter e uma equipe de colaboradores descobriram que, na verdade, o universo está em expansão acelerada! Uma descoberta tão fantástica e tão inesperada que rendeu o prêmio Nobel de Física de 2011. Até hoje não há explicação para isso. Foi aí que se criou o termo energia escura, que compõe 72% do Universo e que ninguém sabe o que é. Muitas teorias tentam explicar essa componente que forma quase três quartos do Universo, mas nada muito plausível até agora. O que aconteceu foi a ressurreição da constante cosmológica, mas agora não para frear o Universo, como Einstein idealizou, mas sim para acelerá-lo. Do ponto de vista observacional, uma colaboração internacional entre EUA, Japão, Canadá, Espanha e Brasil acaba de anunciar alguns resultados na tentativa de compreender melhor essa estranha forma de energia que está acelerando o Universo.

O projeto de Busca Espectroscópica de Oscilações Acústicas de Bárions (Boss, na sigla em inglês) se utiliza dos espectros de galáxias obtidos por outro projeto – o SDSS – e tem como objetivo estudar o Universo em três fases distintas. A primeira fase foi quando ele era jovem e a gravidade predominava sobre a energia escura e o Universo era desacelerado. A segunda é intermediária, quando gravidade e energia escura meio que se equilibravam, e a outra é mais recente, com o Universo mais evoluído, quando a energia escura começou a dominar e o Universo passou a ser acelerado. Para obter informações do Universo quando ele ainda era jovem – uns 2 bilhões de anos de idade –, a equipe do Boss utilizou espectros de mais de 48 mil quasares, núcleos muito brilhantes de galáxias muito distantes, a 11,5 bilhões de anos-luz. A luz destes quasares vai sendo parcialmente absorvida por nuvens de gás distribuídas pelo caminho.

Desse jeito, é possível mapear a posição das galáxias e das nuvens. A oscilação acústica de bárions é, na verdade, a variação periódica na distribuição das galáxias e nas nuvens de gás intergaláctico – a matéria visível, ou bariônica –, que acabam revelando também a distribuição de matéria escura. Com esses resultados, a equipe do Boss pretende caracterizar o Universo quando ainda era dominado pela gravidade e era desacelerado por ela. Com isso, pretendem compreender a origem dessa componente misteriosa do universo, evidenciando também a transição entre um Universo dominado pela gravidade para um dominado pela energia escura, o que ocorreu há uns 5 ou 6 bilhões de anos atrás.
Créditos: Cássio Barbosa - Observatório

Nova Supernova Azul e Brilhante É Registrada na Galáxia NGC 1365

Uma supernova bem brilhante apareceu na NGC 1365, a galáxia também é conhecida como a Grande Galáxia Espiral Barrada, e está agora visível para os observadores do hemisfério sul. A elegante galáxia localiza-se a aproximadamente 56 milhões de anos-luz de distância da Terra na constelação de Formax. A supernova, do tipo Ia, foi descoberta por Alain Klotz com o telescópio TAROT no Observatório de La Silla no Chile no dia 27 de Outubro de 2012. “A supernova é com certeza uma bela adição a já fotogênica galáxia”, disse Rolf Wahl Olsen que fez a bela imagem acima. “Eu me surpreendi como ela está azul, ela está realmente intensa”.

A supernova 2012fr é a brilhante e intensa estrela azul observada diretamente abaixo do centro da galáxia. Olsen disse que em 10 de Novembro de 2012 a supernova apareceu perto de seu pico com uma magnitude R de 11.90. Para se ter uma ideia de quão brilhante é esse evento, nós podemos calcular a magnitude absoluta M da supernova usando a seguinte fórmula onde m é a magnitude aparente e D é a distância em parsecs: M = m – 5(log10(D) – 1)”, escreveu Olsen. “Isso nos dá uma magnitude absoluta de -19.27 para a SN2012fr. Isso significa que se a supernova ocorresse a uma distância de nós semelhante a da estrela Betelgeuse, ou seja, 643 anos-luz, sua magnitude aparente seria de -12.80, a mesma da Lua Cheia”.

Alguns detalhes da imagem de Olsen:

A imagem foi feita entre os dias 7 e 9 de Novembro de 2012. A exposição usada com os filtros LRGB foi de 205, 57, 56 e 51 minutos respectivamente totalizando 6 horas e 9 minutos. O telescópio usado foi um Newtoniano Serrurier Truss de 10″com f/5, com uma câmera QSI 683wsg com um guia Lodestar. Os filtros usados foram LRGB E-series Gen 2. A imagem foi feita no observatório de Auckland, na Nova Zelândia.
Fonte: http://cienctec.com.br

Kepler completa missão principal, começa a missão prolomgada

A NASA atingiu dois marcos na busca de planetas como a Terra - a conclusão bem-sucedida da missão principal de 3 anos e meio do Telescópio Espacial Kepler e o início de uma missão prolongada que pode durar até quatro anos.
Impressão de artista do Telescópio Espacial Kepler.Crédito: NASA
Os cientistas têm usado os dados do Kepler para identificar mais de 2300 candidatos a planeta e para confirmar mais de 100 planetas - ensinando-nos que a nossa Galáxia está repleta de sistemas planetários, que os planetas são prolíficos e fornecendo pistas de que a Natureza faz pequenos planetas de forma eficiente. Até agora, foram encontrados centenas de candidatos a planeta tipo-Terra, bem como candidatos que orbitam na zona habitável, a região de um sistema planetário onde a água líquida pode existir à superfície de um planeta. Nenhum dos candidatos é exactamente como a Terra. Com a conclusão da missão principal, o Kepler recolheu dados suficientes para começar a encontrar verdadeiros análogos Sol-Terra - planetas do tamanho da Terra com uma órbita de um ano em torno de estrelas semelhantes ao Sol.

"As descobertas iniciais da missão Kepler indicam que pelo menos um-terço das estrelas têm planetas e que o número de planetas na nossa Galáxia deve rondar os milhares de milhões," afirma William Borucki, investigador principal do Kepler, no Centro de Pesquisa Ames da NASA em Moffett Field, no estado americano da Califórnia. "Os planetas de maior interesse são outras Terras e estes podem já estar nos dados que aguardam análise. Os resultados mais interessantes do Kepler ainda estão por vir!  O Telescópio Espacial Kepler da NASA pesquisa candidatos a planeta em órbita de sóis distantes, ou exoplanetas, ao medir continuamente o brilho de mais de 150.000 estrelas. Quando um candidato a planeta passa, ou transita, em frente da estrela a partir do ponto de vista do telescópio, a luz da estrela é bloqueada. Planetas de diferentes tamanhos bloqueiam diferentes quantidades de luz estelar. A quantidade de luz estelar bloqueada por um planeta revela o seu tamanho relativamente à estrela-mãe.

O Kepler foi lançado a 6 de Março de 2009. A sua missão era examinar uma parte da Galáxia para determinar que fracção de estrelas pode abrigar planetas do tamanho da Terra, potencialmente habitáveis. Os planetas que orbitem perto ou dentro das zonas habitáveis são de particular interesse. O Kepler começou a busca por pequenos mundos como o nosso a 12 de Maio de 2009, após dois meses de comissionamento. Passados poucos meses, cinco planetas extrasolares, conhecidos como Júpiteres quentes por causa do seu enorme tamanho e órbitas próximas em torno das suas estrelas, foram confirmados. O fotómetro requintadamente preciso do Kepler, ou sensor de luz, está desenhado para detectar alterações minúsculas no brilho, o que indica um planeta do tamanho da Terra. Para um observador distante, a Terra ao transitar o Sol, bloquearia a sua luz por apenas 84 partes num milhão. Isto é menos do que 1/100 de um por cento, o equivalente à quantidade de luz bloqueada por um mosquito em frente ao farol de um carro, visto a vários quilómetros de distância.

Os dados dos trânsitos são ricos em informação. Ao medir a profundidade da queda do brilho e conhecendo o tamanho da estrela, os cientistas podem determinar o tamanho ou raio do planeta. O tempo que o planeta demora a completar uma órbita pode ser determinado ao medir o tempo decorrido entre trânsitos. Assim que o período é conhecido, pode ser aplicada a Terceira Lei de Kepler para determinar a distância média do planeta à estrela. Com esta distância, e a temperatura e tamanho da estrela, os cientistas conseguem saber se o planeta está ou não na zona habitável.

Os resultados dos dados do Kepler continuam a expandir o nosso conhecimento dos planetas e dos sistemas planetários. Aqui ficam alguns pontos altos da missão Kepler:

•Em Agosto de 2010, cientistas confirmaram a descoberta do primeiro sistema planetário com mais de um planeta transitando a mesma estrela. O sistema Kepler-9 abriu a porta que permite a medição de interacções gravitacionais entre planetas, tal como observado pelas variações no seu tempo de trânsito. Esta nova e poderosa técnica permite com que os astrónomos, em muitos casos, calculem a massa dos planetas directamente a partir de dados do Kepler, sem a necessidade de seguimento com observações terrestres;

•Em Janeiro de 2011, a equipa do Kepler anunciou a descoberta do primeiro planeta inquestionavelmente rochoso, fora do Sistema Solar. Medindo 1,4 vezes o tamanho da Terra, Kepler-10b é o planeta confirmado mais pequeno com medições do raio e da massa. Os resultados dos dados do Kepler continuaram a descobrir planetas cada vez mais pequenos, alguns com o tamanho de Marte, e dizem-nos que mundos rochosos e pequenos podem ser comuns na Via Láctea;
 
•Em Fevereiro de 2011, cientistas anunciaram ter encontrado um sistema planetário apinhado e compacto - uma estrela que tem múltiplos planetas em trânsito. Kepler-11 tem seis planetas maiores que a Terra, todos orbitando mais perto da sua estrela-mãe do que Vénus orbita o Sol. Este e outros sistemas multiplanetários subsequentemente identificados têm um espaçamento orbital, em relação à sua estrela e aos próprios planetas, totalmente diferente do imaginado antes da missão;
 
•Em Setembro de 2011, os dados do Kepler confirmaram a existência de um mundo com um pôr-do-Sol duplo como o famoso retratado nos filmes da saga "Guerra das Estrelas" há mais de 35 anos. A descoberta de Kepler-16b tornou o que já foi o reino da ficção científica, em facto científico. Desde então, as descobertas de outros seis mundos que orbitam outras estrelas duplas demonstram que os planetas podem formar-se e persistir nos arredores de um sistema com duas estrelas;
 
•Em Dezembro de 2011, o Kepler anunciou o primeiro planeta da missão descoberta na zona habitável. Com aproximadamente 2,4 vezes o tamanho da Terra, Kepler-22b é o planeta mais pequeno já descoberto em órbita de uma estrela parecida com o Sol e na zona habitável. Esta descoberta confirmou que estamos cada vez mais perto de encontrar planetas como o nosso;
 
•Em Fevereiro de 2012, a equipa do Kepler anunciou mais de 1000 novos candidatos a planeta de trânsito, para um total acumulado de 2321. Os dados continuam a tendência de identificar planetas cada vez mais pequenos e com períodos orbitais maiores e mais parecidos com o da Terra. Os resultados incluem centenas de sistemas planetários - estrelas com múltiplos candidatos a planeta em trânsito;
 
•Recentemente, cidadãos que participavam no programa "Planets Hunters", liderado pela Universidade de Yale, que pede ajuda ao público para analisar os dados do Kepler em busca de planetas em trânsito, fizeram a sua primeira descoberta planetária. O esforço conjunto de astrónomos amadores e cientistas levou ao primeiro caso de um planeta em órbita de uma estrela dupla que, por sua vez, são orbitadas por um segundo par de estrelas distantes.

"O tesouro de novas descobertas planetárias do Kepler, muitas bem diferentes do que qualquer outra encontrada anteriormente, vai continuar a surpreender. Mas para mim, a descoberta mais maravilhosa da missão não foi a descoberta de planetas individuais, mas de sistemas de dois, três, até seis planetas localizados bem perto das suas estrelas e, tal como os planetas que orbitam o Sol, movendo-se sob quase o mesmo plano," afirma Jack Lissauer, cientista planetário no Ames. "Tal como as pessoas, os planetas interagem e podem ser muito afectados pelos seus vizinhos. Como são as vizinhanças de exoplanetas tipo-Terra? Esta é a pergunta que mais espero que o Kepler responda nos próximos anos.

Em Abril de 2012, a NASA concedeu ao Kepler uma extensão da missão, provavelmente até 2016. Mais tempo permitirá a busca contínua de mundos como o nosso -- mundos que não estão nem muito longe nem muito perto da sua estrela.  A Terra não é única, não é o centro do Universo. A diversidade de outros mundos é maior que a descrita em todos os livros e filmes de ficção científica," afirma Geoff Marcy, professor de astronomia da Universidade da Califórnia, em Berkeley, EUA. "Aristóteles estaria orgulhoso de nós, por termos respondido a algumas das questões mais profundas e filosóficas acerca do nosso lugar no Universo.
Fonte: http://www.ccvalg.pt
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