28 de nov de 2012

LH 95 – Um Berçário Estelar na Grande Nuvem de Magalhães

A LH 95 é um berçário estelar com aproximadamente 150 anos-luz de diâmetro, localizada na Grande Nuvem de Magalhães, a aproximadamente 160000 anos-luz de distância na constelação do sul de Dorado. A LH 95 é apenas um dos centenas de sistemas de formação de estrelas, chamado de associações, localizado na Grande Nuvem de Magalhães. Essa pequena galáxia satélite da via Láctea tem uma quantidade relativamente pequena de elementos mais pesados do que o hidrogênio que dá aos astrônomos uma ideia sobre a formação de estrelas em ambientes diferentes da nossa Via Láctea.

Uma vez que as estrelas massivas, com no mínimo 3 vezes a massa do Sol, se formam, elas geram fortes ventos estelares e altos níveis de radiação ultravioleta, que ioniza o gás interestelar ao redor. O resultado é uma nebulosa de hidrogênio brilhante que irá se expandir na nuvem molecular que originalmente colapsou para formar essas estrelas. A névoa azul vista nessa imagem ao redor da LH 95 é na verdade parte dessa nebulosa brilhante, conhecida como DEM L 252. Algumas partes densas dessa região de formação de estrelas não foram completamente erodidas pelos ventos estelares e podem ainda ser vistas como filamentos escuros empoeirados na imagem. Essas linhas de poeira absorvem parte da luz azul das estrelas atrás delas, fazendo com que pareçam mais avermelhadas.

Outras parte da nuvem molecular já tinham se contraído para transformar grupos brilhantes de estrelas infantis, a mais apagada delas tem uma alta tendência para o aglomerado. Existem no mínimo dois aglomerados compactos com esses grupos, um a direita, acima do centro da imagem e outro à esquerda. Esses berçários estelares abrigam centenas de estrelas recém nascidas de baixa massa. Essas estrelas também tem sido encontradas na parte principal da LH 95 entre seus membros estelares mais brilhantes.

Normalmente somente as estrelas mais brilhantes, azuis e massivas na região de formação de estrelas são visíveis, mas essa imagem foi feita em alta resolução e em cores específicas que muitas estrelas recentemente formadas que são mais amarelas, mais apagadas e manos massivas mas que também são discerníveis.

Um total de mais de 2500 estrelas pré-sequência principal com massas menores que 0.3 massas solares tem sido contadas na LH 95, dando uma imagem detalhada de como deve ser uma típica associação estelar na Grande Nuvem de Magalhães. Essa imagem foi feita com a Advanced Camera for Surveys a bordo do Telescópio Espacial Hubble. Ela é uma composição de dois filtros que localizam a luz visível e infravermelha. Pelo fato da cor escolhida, o hidrogênio ionizado, que é visível dentro do filtro de luz visível, aparece azulado. A escolha das cores ajuda a distinguir as estrelas azuis brilhantes das estrelas vermelhas menos luminosas e mais frias.
Fonte: http://cienctec.com.br
http://annesastronomynews.com

Big Bang: Retrato de bebê


O mapa mais antigo do Universo foi feito em 1992, pelo radiotelescópio orbital Cobe (abreviatura do inglês Cosmic Background Explorer, ou Explorador do Fundo Cósmico). Na época, com a sua precisão considerada extraordinária, capturou diferenças minúsculas na radiação cósmica de fundo (leia na página ao lado). Em resumo: o Cobe “fotografou” o brilho do Big Bang, o momento mais próximo à origem do Universo. Onze anos depois, o que já era fantástico ficou ainda mais impressionante para os olhos humanos com o mapa montado pela sonda WMAP (Wilkinson Microwave Anisotropy Probe, ou Sonda Wilkinson de Medida da Anisotropia em Microondas), da Nasa.

 Foi como se os astrônomos tivessem passado uma década olhando para uma fotografia fora de foco e, de repente, recebessem a mesma imagem centenas de vezes mais nítida. Para os leitores de publicações científicas, os mapas do Cobe e da WMAP proporcionaram uma visão espetacular do nosso mundo. Para os cientistas, solidificaram as convicções a respeito do Big Bang, a teoria de que o Universo começou a se expandir depois de uma grande explosão. “A possibilidade de o Big Bang ser descartado em favor de um outro modelo é, na prática, nula”, afirma o astrofísico Ivo Busko, do Space Telescope Science Institute (STSci), nos Estados Unidos.

O impacto da descoberta extrapola os debates acadêmicos. Segundo Busko, os resultados da WMAP, somados aos do telescópio espacial Hubble e de telescópios terrestres gigantes como VLT, Keck, Gemini e VLBA, mudaram completamente o caráter da cosmologia observacional. Antes, essa ciência contentava-se em obter medidas com erros de 50% a 100%. Agora, pode-se testar modelos cosmológicos com erros mínimos, na casa de algumas unidades percentuais. “Isso está gerando um enorme progresso no estudo do Universo”, diz Busko. Graças ao mapa da WMAP, os cientistas puderam, enfim, cravar a idade do Universo, com uma margem de erro de mero 1%: 13,7 bilhões de anos. Calcularam também que as primeiras estrelas surgiram 200 milhões de anos após o Big Bang.

O impacto da descoberta
Os mapas celestes revelaram a infância do cosmo. Também permitiram cravar a idade do Universo em 13,7 bilhões de anos. Cada vez mais, os cientistas acreditam que tudo começou com uma explosão: o Big Bang

O passado em ondas
Radiação de microondasrevela segredos do Universo

O Universo está repleto de radiação de microondas liberada nos seus primórdios. Chamada de radiação cósmica de fundo, surgiu quando elétrons e prótons se juntaram para formar os primeiros átomos de hidrogênio, o elemento mais abundante no cosmo. Essa radiação foi prevista pelo físico russo George Gamow nos anos 40 e observada duas décadas depois pelos astrofísicos americanos Arno Penzias e Robert Wilson. O mapeamento feito pela sonda WMAP indica que esse processo aconteceu 380 000 anos após o Big Bang. Como o Universo tem 13,7 bilhões de anos, a WMAP conseguiu revelar a infância cósmica. A sonda não registrou o céu como uma câmera fotográfica, mas captou ondas de rádio de diferentes direções enquanto girava no espaço. O processamento desses dados permitiu verificar as variações de temperatura da radiação de fundo, com diferenças de apenas milionésimos de grau entre as diversas regiões do Universo. A temperatura varia conforme a distribuição de matéria. Quanto mais matéria presente, mais energia a radiação precisa gastar para escapar de sua atração gravitacional, tendendo ao vermelho. A cor puxa para o violeta onde há menos matéria.
Fonte: http://super.abril.com.br

A linha do tempo do universo

O que você sabe sobre a história do universo? Conheça a linha do tempo do mundo em que vivemos, desde o passado mais remoto até o futuro mais remoto ainda:
O Big Bang - O universo passa por uma “inflação” super-rápida, expandindo do tamanho de um átomo para o tamanho de uma laranja em uma fração minúscula de tempo (10^-43 segundos). É o chamado “Tempo de Planck” ou “Era de Planck”. A matéria só pode ser descrita segundo as leis da Mecânica Quântica, mas o universo tem que ser descrito pela Teoria da Relatividade, por causa da extrema densidade e gravidade. Não dá para definir “antes” e “depois” sem ambiguidades. As noções tradicionais de “espaço” e “tempo” não servem para descrever a realidade.

Quarks e Elétrons - O universo é muito quente para que os quarks se combinem. Esta “sopa” de quarks, elétrons e outras partículas existe nos primeiros 10^-32 segundos. A temperatura do universo está em torno de 10^27 graus Celsius.

Prótons e Nêutrons - Um milionésimo de segundo depois do Big Bang, o universo resfria rapidamente, e os quarks começam a se combinar em prótons e nêutrons. As interações fundamentais da gravitação, o eletromagnetismo e as forças nucleares forte e fraca tomam a forma que têm hoje.

Os três primeiros minutos - Nos três primeiros minutos, o universo ainda é quente demais para formar átomos. Os elementos que existem – hidrogênio, hélio e lítio – estão ionizados (sem elétrons), e as partículas carregadas – elétrons e prótons – impedem que a luz brilhe: o universo é um nevoeiro superquente.

A era da matéria - Até cerca de 300.000 anos depois do Big Bang, a energia na matéria e a energia na radiação são iguais. Conforme a expansão prossegue, as ondas de luz são esticadas para energias cada vez menores, enquanto a matéria viaja praticamente sem ser afetada. Mais ou menos nesta época, os átomos neutros são formados, quando os elétrons se ligam com os núcleos de hidrogênio e hélio.  A radiação cósmica de fundo reflete esta época, e nos dá uma imagem da distribuição da matéria neste tempo.

A Via Láctea
É muito difícil definir a idade da Via Láctea, mas a estrela mais velha descoberta na galáxia, HE 1523-0901, tem cerca de 13,2 bilhões de anos. Ela se formou cerca de 0,5 bilhões de anos depois do Big Bang. 300 milhões de anos depois do Big Bang, a gravidade amplifica as pequenas irregularidades na densidade do gás primordial. Enquanto o universo expande, bolsões de gás se tornam mais e mais densos. As estrelas começam a queimar nestes bolsões, e grupos de estrelas se tornam as primeiras galáxias. São os pequenos pontos azuis no Campo Profundo do Hubble.

O sol - O sol é a estrela no centro do nosso sistema solar. Todos os planetas (incluindo a Terra), asteroides, meteoroides, cometas e poeira orbitam o sol. O sol foi formado cerca de 4,57 bilhões de anos atrás, quando uma nuvem de hidrogênio molecular entrou em colapso em um dos braços espirais da Via Láctea. Um disco imenso de gás e detritos que gira em torno da nova estrela dá origem aos planetas, luas e asteroides.

A Terra - A Terra, também conhecida como Planeta Azul, é o lar de milhões de espécies, incluindo a espécie humana. A Terra é o único lugar do universo que sabemos ter vida. Os primeiros organismos vivos povoaram o planeta cerca de 3,5 bilhões de anos atrás.

Animais primitivos - 700 milhões de anos atrás, surgiram os primeiros animais. A maioria era vermes, águas-vivas e algas. 570 milhões de anos atrás, um grande número de criaturas com casca dura aparece em poucas centenas de milhares de anos.

O primeiro mamífero - Há cerca de 200 milhões de anos aparecem os primeiros mamíferos, uma espécie que se separa dos répteis, apresentando mandíbula segmentada e uma série de ossos que fazem o ouvido interno.

Os dinossauros desaparecem - Um asteroide ou cometa atinge o norte da Península do Yucatán, no México. Um cataclismo global acaba com a longa era dos dinossauros, dando aos mamíferos uma oportunidade para se diversificar e expandir seu domínio.

Evolução do Homo sapiens - Nossos ancestrais mais antigos evoluíram na África, a partir de uma linhagem de criaturas descendentes de macacos.

Supernova 1987A explode - 170.000 anos atrás, uma estrela explode em uma galáxia anã conhecida como Grande Nuvem de Magalhães, logo ao lado da Via Láctea. Era uma supergigante azul 25 vezes mais massiva que o Sol.

Início da Era dos Buracos Negros

Esta era se estenderá até os 10 mil trilhões de trilhões de trilhões de trilhões de trilhões de trilhões de trilhões de trilhões de anos depois do Big Bang (10^100 anos). Depois da era do decaimento dos prótons, os únicos objetos estelares restantes serão buracos negros, de massas bem diferentes, que estarão evaporando ativamente.
 
Gigante Vermelha - O sol não tem massa suficiente para explodir como supernova. Em vez disso, em cerca de 5 bilhões de anos ele vai entrar na fase de gigante vermelha. Nesta fase, o sol vai lentamente esfriar e desvanecer em uma Anã Branca depois de bilhões de anos. É nesta época que a colisão da Via Láctea com Andrômeda vai acontecer.

Fim da Era Estelar - 100 trilhões de anos no futuro, o universo deve expandir tanto a ponto de por um fim à era estelar. A maior parte da energia gerada no universo virá de estrelas queimando hidrogênio e outros elementos em seus núcleos.

Era Degenerada - De 100 trilhões a 10 trilhões de trilhões de trilhões de anos após o Big Bang (10^37 anos), toda a matéria deve estar presa em estrelas degeneradas (as que entraram em colapso e se tornaram buracos negros ou estrelas de nêutrons, ou então em anãs brancas). A energia desta era será gerada pelo decaimento dos prótons e a aniquilação de partículas.

Era escura - Os prótons decaíram, os buracos negros evaporaram. Só sobraram os restos destes processos: fótons com comprimento de onda colossal, neutrinos, elétrons e pósitrons. O universo, como conhecemos, foi dissipado.
Fonte: hypescience.com

NGC 1977, a nebulosa do homem correndo no espaço

Você consegue enxergar um homem correndo nesta imagem? Bem, astrônomos conseguiram. É por esse motivo que a NGC 1977 ficou conhecida como a nebulosa “Running Man” (ou nebulosa do Homem Correndo). Essa nebulosa de reflexão está localizada a 35° ao norte da M42, a Grande Nebulosa de Órion. Ela é visível a olho nu, distante e difusa no céu, perto das três estrelas que formam o Cinturão de Órion. A grande parte azul da imagem é a luz das estrelas vizinhas refletidas em NGC 1977. A reflexão contrasta nitidamente com o avermelhado e com as grossas nuvens escuras de poeira situadas entre a NGC 1977 e Grande Nebulosa de Órion.
Fonte: hypescience.com

Descoberta maior ejeção de matéria de um buraco negro

Novas observações do ESO revelam o mais poderoso jato de quasar alguma vez encontrado
Impressão artística de um enorme jato de matéria ejetado pelo quasar SDSS J1106+1939. Créditos: SO/L. Calçada

Os astrónomos utilizaram o Very Large Telescope do ESO (VLT) para descobrir um quasar com o jato mais energético alguma vez observado, com pelo menos cinco vezes mais energia do que qualquer outro observado até à data. Os quasares são núcleos galácticos extremamente brilhantes, alimentados por um buraco negro de elevada massa. Muitos deles libertam enormes quantidades de material para as galáxias hospedeiras, sendo que esta expulsão de matéria desempenha um papel fundamental na evolução das galáxias. No entanto e até agora, os jatos dos quasares observados não eram tão potentes como previsto pela teoria.

Os quasares são centros de galáxias distantes muito luminosos, alimentados por enormes buracos negros. Este novo estudo observou um destes objetos energéticos - conhecido por SDSS J1106+1939 - com todo o pormenor, utlizando o instrumento X-shooter, montado no VLT do ESO, no Observatório do Paranal, no Chile. Embora os buracos negros sejam conhecidos por atraírem material, a maioria dos quasares também acelera alguma desta matéria em torno de si mesmo, ejetando-a depois a altas velocidades.
 
"Descobrimos o jato de quasar mais energético conhecido até à data. A taxa à qual a energia é dissipada por esta enorme massa de material ejetado a altas velocidades pelo SDSS J1106+1939 é, pelo menos, equivalente a dois biliões de vezes a energia libertada pelo Sol, o que é, por sua vez, cerca de 100 vezes mais do que a energia total libertada pela galáxia da Via Láctea - é, de facto, um jato monstruoso," diz o chefe da equipa Nahum Arav (Virginia Tech, EUA). "Esta é a primeira vez que um jato de quasar mostra ter as altas energias previstas pela teoria."
 
Muitas simulações teóricas sugerem que o impacto destes jatos nas galáxias que os rodeiam pode resolver vários enigmas da cosmologia moderna, incluindo como é que a massa de uma galáxia se encontra ligada ao seu buraco negro central, e porque é que existem tão poucas galáxias muito grandes no Universo. No entanto, até agora permanecia incerto se os quasares conseguiam ou não produzir jatos de matéria suficientemente poderosos para dar origem a estes fenómenos.

O novo jato recentemente descoberto situa-se a cerca de mil anos-luz de distância do buraco negro de elevada massa, no coração do quasar SDSS J1106+1939. Este jato é, pelo menos, cinco vezes mais energético do que o último detentor do recorde. A análise efectuada pela equipa mostra que uma massa de aproximadamente 400 vezes a do Sol, liberta-se deste quasar, por ano, deslocando-se a uma velocidade de 8000 quilómetros por segundo. Não teríamos podido obter os dados de alta qualidade necessários a esta descoberta sem o espectrógrafo X-shooter," diz Benoit Borguet (Virgina Tech, EUA), autor principal do novo artigo científico que descreve os resultados. "Pela primeira vez conseguimos explorar a região em torno do quasar com grande detalhe.
 
Para além do SDSS J1106+1939, a equipa observou também um outro quasar e descobriu que ambos os objetos possuem jatos poderosos. Uma vez que estes são exemplos típicos de um tipo de quasares, comum mas pouco estudado até agora, estes resultados devem poder aplicar-se, de modo geral, aos quasares luminosos em todo o Universo. Borguet e colegas estão atualmente a estudar uma dúzia de objetos similares para ver se este é efetivamente o caso. Há mais de uma década que procuro algo deste género," diz Nahum Arav, "por isso é muito excitante encontrar finalmente um destes jatos monstruosos, previstos pela teoria!"
Fonte: http://www.eso.org/public/

Dois Caçadores de Planetas Capturados em La Silla

Créditos: ESO
Durante séculos, filósofos e cientistas especularam sobre a possibilidade da existência de planetas habitados fora do Sistema Solar. Hoje, esta ideia é mais do que especulação: foram descobertas muitas centenas de exoplanetas nas últimas duas décadas, por astrônomos em todo o mundo. Várias técnicas diferentes são utilizadas nesta busca de novos mundos. Nesta fotografia incomum dois telescópios, que usam dois destes métodos, foram capturados na mesma imagem: o telescópio de 3,6 metros do ESO, onde se encontra montado o espectrógrafo HARPS e o telescópio espacial CoRoT. A imagem foi obtida por Alexandre Santerne, um astrônomo que estuda exoplanetas.

O espectrógrafo High Accuracy Radial velocity Planetary Search (HARPS), o descobridor de planetas mais proeminente do mundo, é um instrumento que se encontra instalado no telescópio de 3,6 metros do ESO. Podemos ver a cúpula aberta deste telescópio, à esquerda na imagem, que aparece por trás da cobertura angular do New Technology Telescope. O HARPS descobre exoplanetas ao detectar pequenas variações no movimento de uma estrela, à medida que esta se desloca ligeiramente para trás e para diante sob o efeito da atração gravitacional do planeta em sua órbita: é o chamado método das velocidades radiais na procura de exoplanetas.

O tênue traço de luz que se vê alto no céu nesta exposição de 20 segundos, não é um meteoro mas sim o telescópio espacial CoRoT (sigla do inglês Convection Rotation and planetary Transits). O CoRoT procura planetas ao observar o decréscimo da radiação emitida por uma estrela, que ocorre quando um planeta passa na sua frente – o método do trânsito. A localização do telescópio espacial, situado acima da atmosfera terrestre, aumenta a precisão das observações ao remover o piscar das estrelas. Planetas potenciais encontrados pelo método do trânsito são seguidamente confirmados com o auxílio de técnicas complementares, tais como o método das velocidades radiais. De fato, na noite em que esta fotografia foi tirada, o HARPS estava a ser utilizado para seguir candidatos a exoplanetas detectados pelo CoRoT.

Em novembro de 2012, o CoRoT teve um problema no computador, com a consequência de que, embora se encontre operacional, não há maneira de acessar os dados do telescópio (ver as notícias da página da internet do CoRoT, ou por exemplo esteartigo de notícias da Nature). A equipe CoRoT ainda não desistiu do telescópio, encontrando-se no momento a tentar reavivar o sistema. Quer se consiga ou não, o fato é que a missão CoRoT foi já um grande sucesso! A sonda duplicou o seu tempo de vida inicialmente planejado, e foi a primeira sonda a descobrir um exoplaneta pelo método do trânsito. O CoRoT contribuiu de forma significativa, tanto na procura de exoplanetas como no estudo do interior das estrelas por astrosismologia.

A busca de exoplanetas ajuda-nos a compreender o nosso próprio sistema planetário e pode ser o primeiro passo na procura de vida fora da Terra. O HARPS e o CoRoT são apenas dois dos muitos instrumentos desenvolvidos para ajudar os astrônomos nesta procura. Alexandre submeteu esta fotografia ao grupo Flickr As Suas fotografias ESO. O grupo Flickr é revisto regularmente e as melhores fotos são seleccionadas para serem publicadas na nossa popular série Fotografia da Semana ou na nossa galeria. Em 2012, e no âmbito do 50º Aniversário do ESO que se celebra este ano, também aceitamos de bom grado as suas imagens históricas relacionadas com o ESO. Desde que submeteu esta fotografia, o Alexandre tornou-se também um Embaixador Fotográfico do ESO.

A NGC 6384 – Uma Galáxia Espiral Barrada em Ophiuchus

Crédito da imagem: ESA / Hubble e NASA
A NGC 6384 é uma galáxia do tipo espiral barrada com aproximadamente 150000 anos-luz de diâmetro, localizada a aproximadamente 80 milhões de anos-luz de distância da Terra na constelação de Ophiucus. Ela está se afastando de nós a uma velocidade de 1680 quilômetros por segundo. O posicionamento da NGC 6384 não muito distante do centro da Via Láctea no céu, significa que ela é de alguma forma obscurecida pela poeira e pelas estrelas da nossa galáxia. Combinado com o baixo brilho superficial da galáxia, a NGC 6384 é um alvo desafiante para os astrofotógrafos. A imagem acima, detalhada, mostra a região central da galáxia que tem aproximadamente 70000 anos-luz de largura.

 A imagem nítida mostra detalhes nos braços espirais azuis da galáxia e em seu núcleo amarelado. ainda assim, as estrelas visíveis na imagem acima estão todas em primeiro plano, dentro da nossa própria galáxia. As estrelas mais brilhantes da Via Láctea mostram cruzes notáveis, os chamados spikes de difração, causados pelo próprio telescópio. Enquanto muitas estrelas já estão a caminho do final de suas vidas na NGC 6384, no centro, a formação de estrelas está sendo alimentada pela estrutura barrada da galáxia. Os astrônomos acreditam que essas barras galácticas afunilam o gás, acumulando-o de modo a formar novas estrelas. Em 1971, nós pudemos testemunhar uma supernova do Tipo Ia na NGC 6384, que se destacou até mesmo contra as brilhantes estrelas do primeiro plano, quando uma de suas estrelas explodiu.

Uma supernova acontece quando uma estrela explode na fase final de sua vida. Uma supernova do Tipo Ia é o resultado da violenta explosão de uma estrela anã branca, uma estrela compacta que encerrou a fusão em seu núcleo. A anã branca aumenta sua massa além de um limite crítico aglutinando matéria de uma estrela companheira. Uma explosão nuclear faz com que a estrela repentinamente fique mais brilhante que toda a galáxia, antes dela gradativamente apagar. As explosões de supernovas estão enriquecendo o gás intergaláctico com elementos como oxigênio, ferro e silica, elementos esses que serão incorporados em novas gerações de planetas e estrelas. A imagem detalhada acima foi criada a partir de outras imagens feitas com o Wide Field Channel da Advanced Camera for Surveys do Telescópio Espacial Hubble. Uma imagem feita com um filtro azul (colorida em azul) foi combinada com uma imagem feita com o filtro do infravermelho próximo (colorida em vermelho).
Fonte: http://cienctec.com.br  
http://annesastronomynews.com
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