5 de dez de 2012

Como sabemos que houve o Big Bang?

 
A Teoria do Big Bang é o modelo científico que explica como o universo chegou a ser como é agora, como ele já foi, e como será no futuro. Mas como é que a ciência pode ter certeza de que o Big Bang aconteceu e vem acontecendo? Que é real? Afinal de contas, ninguém estava lá para ver o Big Bang ocorrer, e ninguém está recriando Big Bangs em laboratório para estudar como ele acontece. Mas não precisamos testemunhar um evento para saber que ele aconteceu; basta examinar os vestígios dele. Um caçador, por exemplo, examina o solo em busca de pegadas. Examinando-as, ele descobre de qual animal é, suas características e quanto tempo faz que passou por ali – sem precisar vê-lo. Semelhante coisa fazem os astrofísicos. Eles examinam o céu e encontram as marcas dos eventos passados, marcas que aprendemos a ver e a interpretar no último século, e que nos ajudam a contar a fascinante história do nosso universo.

Escuridão do céu, à noite – Paradoxo de Olbers
Esta não é tanto uma prova do Big Bang, quanto uma prova que o universo não pode ser infinito e eterno. Se o universo fosse infinito, homogêneo e eterno, então para onde quer que você olhasse, a linha da visão iria encontrar uma estrela. Alguns astrônomos fizeram as contas e chegaram à conclusão de que, se fosse assim, o céu noturno deveria ser tão brilhante quanto a superfície de uma estrela. Só que ele é escuro. O Paradoxo de Olbers é o resultado de se assumir premissas falsas: ou o universo não é infinito, ou ele não é eterno, ou ele não é nem eterno, nem infinito.

O universo está em expansão
A primeira evidência de que o Big Bang é a explicação mais correta para o universo é a sua expansão. Na década de 1920, os astrônomos começaram a perceber que as nebulosas espirais eram na verdade outras galáxias, e estavam se afastando. A conclusão mais lógica é que, se agora as galáxias estão distantes e se afastando, se voltarmos no tempo elas ficarão mais próximas, e quanto mais voltarmos no tempo, mais próximas elas estarão. Esta é uma evidência forte do evento. Só que existem alguns cenários (ou hipóteses, se preferir) que podem explicar um universo em expansão, sem incluir um Big Bang. Precisamos de mais evidências.
 
A radiação cósmica de fundo
Se considerarmos que a explicação para a lei de Hubble seja a expansão do universo, qual a consequência imediata disto? Em algum momento do passado, o universo estava extremamente denso e quente. E para onde este calor foi, se é que existiu? Em todo o lugar. Depois de bilhões de anos de expansão, a radiação de calor original, que era na faixa do ultravioleta, está deslocada para o vermelho até a faixa do micro-ondas. Esta foi uma descoberta espetacular, por que foi primeiro prevista pela teoria, e depois foi confirmada na prática. Com a radiação cósmica de fundo, podemos excluir todas as teorias que não preveem um universo a 3.000K em algum momento no passado.

Proporção entre elementos simples
Se estamos prontos a assumir que o universo atingiu a temperatura de 10.000.000.000 K (dez bilhões de graus), então ele deve ter passado por uma fase geral de reações nucleares. O combustível era uma mistura de prótons e nêutrons em equilíbrio a esta temperatura. As cinzas eram principalmente deutério, os dois isótopos de hélio, e o isótopo pesado do lítio. Os cálculos mostram que, a partir de pressupostos razoáveis sobre a densidade atual de núcleons (prótons e nêutrons) e o número de famílias de partículas elementares, podemos chegar a uma proporção em que os elementos devem aparecer nas medições. Tal proporção foi comprovada pela observação. Esta proporção não pode ser explicada por outras teorias, somente a teoria do Big Bang.

A razão entre fótons e nucleons
Existe no universo aproximadamente 1.000 fótons para cada núcleon (próton ou nêutron), e nenhuma antimatéria. A razão disto está na física de alta energia, em como a matéria se comporta em estados de alta energia (e alta temperatura, portanto). Antes de avançar nesta evidência, é preciso entender uma coisa: em todas as reações observadas em laboratório, um número idêntico de partículas de energia, matéria e antimatéria é criado ou destruído. Para cada fóton, há uma partícula de matéria, e outra de antimatéria. Não deveria haver esta assimetria de 1000:1:0 entre fótons, matéria e antimatéria. A explicação é que quando a matéria está a temperaturas na ordem dos 10^27 K (10 seguido de 27 zeros), os fenômenos que acontecem geram a assimetria observada. Em outras palavras, a assimetria é prova que o universo já teve uma temperatura de 10^27 K.
 
Algumas objeções comuns
É importante sempre questionar a ciência e as suas conclusões, mas o questionamento tem que ser feito de forma racional e lógica. Claro que nem sempre isso acontece. Confira alguns questionamentos irracionais sobre a teoria do Big Bang:

•O Big Bang é invenção de ateus para negar deus. Na verdade foi um padre católico, o belga Georges Lemaître quem criou a “teoria do ovo primordial”, que acabou sendo chamada de “Big Bang” por Fred Hoyle, um astrofísico ateu.
•O Big Bang é só uma teoria, não é uma lei. Já vimos isto antes: uma teoria não vira lei, e as teorias da ciência não são “apenas uma teoria”, mas modelos que contam com hipóteses testáveis, fazem previsões, e têm evidências.
•Uma explosão na minha carteira não enche ela de dinheiro. O Big Bang, apesar do nome, não foi uma explosão, mas uma expansão do universo. No Big Bang, só se formaram átomos de hidrogênio e hélio, e traços de lítio. Outros átomos se formaram no núcleo de estrelas, e se espalharam quando elas explodiram.
•Uma explosão não poderia criar um planeta redondinho ou a vida. Verdade. E nenhum cientista afirmou isto. O Big Bang aconteceu há 13,7 bilhões de anos, o planeta Terra se originou entre 4,5 a 5,5 bilhões de anos atrás, e a vida se originou a 3,8 bilhões de anos atrás. Três eventos diferentes, em tempos diferentes.
•Não dá para acreditar nas teorias da ciência, elas estão sempre mudando. Os cientistas trabalham com evidências. Se as evidências apontarem que eles estão errados, eles vão se corrigir, seja alterando suas teorias, seja abandonando-as em favor de novas teorias. Vimos isto na história da mecânica quântica e também na história da teoria do Big Bang. Por enquanto não há motivo para afirmar que os cientistas estejam errados.
•Se o Big Bang está certo, então por que ele não explica o que o originou? Uma teoria não precisa estar completa para estar correta, basta estar correta no que afirma. Por enquanto o Big Bang, apesar de não estar completo, e não explicar de forma satisfatória o tempo de Planck (a primeira fração de segundos do Big Bang), em todo o resto está correto, dentro de uma margem de erro aceitável.
•Eu não acredito que o universo todo já foi do tamanho de um átomo ou menor. Quando o infomercial “Quem Somos Nós?” afirmou que a matéria é praticamente espaço vazio, ninguém duvidou. Tudo que a ciência faz é apontar que nas condições de temperatura e pressão do tempo de Planck estes espaços vazios diminuem até sumir. De qualquer forma, não acreditar em alguma coisa não prova que esta coisa seja falsa: isso é uma falácia lógica chamada “argumento da incredulidade”.
•Nada surge do nada. Pela mecânica quântica, surge. No vácuo do espaço (o “nada absoluto” realmente não pode gerar nada) pululam partículas virtuais que surgem, e em uma fração de tempo minúscula, desaparecem.
•O cientista fulano de tal provou que o Big Bang não aconteceu, com sua nova teoria. Assim como os cientistas que propõe o Big Bang podem estar errados, os que duvidam da teoria também podem. Por enquanto, a ciência amplamente apoia o Big Bang. Até que os especialistas cheguem a um outro consenso, ele continua valendo.
Fonte: http://hypescience.com

A Pequena Lua Tétis de Saturno

Créditos da Imagem:NASA/JPL-Caltech/Space Science Institute
Tétis pode até não ser um satélite pequeno para os padrões, digamos, normais, mas quando ele é registrado junto com Saturno, ele sim parecerá minúsculo, como mostra a imagem acima. Até mesmo os anéis de Saturno, fazem com que Tétis, com seus 1062 quilômetros de diâmetro seja um anão. Tétis aparece na parte superior esquerda da imagem acima, e embora ele seja pequeno nessa imagem, os cientistas acreditam que ele seja muitas vezes mais massivo do que todo o sistema de anéis combinado. Essa imagem foi feita com a sonda Cassini olhando na direção não iluminada dos anéis e a aproximadamente 18 graus acima do plano dos mesmos. A imagem foi feita em luz verde com a câmera de grande angular da sonda Cassini, no dia 19 de Agosto de 2012.

A imagem acima foi adquirida a uma distância aproximada de 2.4 milhões de quilômetros de Saturno, com o conjunto, Sol-Saturno-Cassini em fase com um ângulo de 63 graus. A escala da imagem é de 138 quilômetros por pixel.  A missão Cassini-huygens é um projeto cooperativo entre a NASA, a ESA e a Agência Espacial Italiana. O Laboratório de Propulsão a Jato da NASA, uma divisão do Instituto de Tecnologia da Califórnia em Pasadena, gerencia a missão para o Science Mission Directorate da NASA em Washington D.C. O módulo orbital da Cassini e suas duas câmeras a bordo foram desenhadas, desenvolvidas e montadas no JPL. O centro de operações de imageamento é baseado no Space Science Institute em Boulder, no Colorado.
Fonte: http://www.nasa.gov/mission_pages/cassini/multimedia/pia14636.html

Ocultação estelar revela segredos do planeta anão Makemake

Concepção artística mostra como deve ser a superfície do planeta anão Makemake, localizado no Cinturão de Kuiper, 900 milhões de quilômetros mais distante que Plutão. Crédito: ESO, Apolo11.com.

Orbitando o Sol a uma distância de 6.7 bilhões de quilômetros, o gélido planeta anão começa a revelar seus segredos. Observações anteriores mostravam que o objeto era similar ao outros planetas anões, mas uma recente passagem na frente de uma estrela de baixa luminosidade revelou que Makemake pode não ser tão parecido assim. Descoberto em 31 de março de 2005 pela equipe do astrofísico estadunidense Michael Brown, do Observatório Monte Palomar, Makemake é 30% menor que Plutão e é o terceiro maior planeta anão do Sistema Solar. Os estudos atuais mostram que sua superfície é coberta por metano, etano e possivelmente nitrogênio. Apesar de se parecer muito com seus irmãos Plutão ou Haumea, ambos localizados no distante cinturão de Kuiper, observações recentes mostram que existem diferenças bastante acentuadas entre eles, principalmente no que se refere à atmosfera.

Ocultação Estelar
No dia 23 de abril de 2011, Makemake passou na frente de uma estrela de fraca luminosidade chamada NOMAD 1181-0235723, ocultando-a. O evento estava sendo acompanhado por uma equipe internacional de pesquisadores, que utilizaram três telescópios instalados no Deserto do Atacama, nos Andes Chilenos e dois instrumentos menores, localizados no Brasil. O objetivo dos pesquisadores era utilizar o evento da ocultação da estrela para estudar as características atmosféricas de Makemake, além de poderem também avaliar melhor a densidade do planeta anão. E os resultados foram diferentes do que o esperado.

Quando Makemake passou em frente da estrela, a radiação luminosa emitida por NOMAD 1181-0235723 foi bloqueada, como esperado. No entanto, a ocultação e o reaparecimento da estrela aconteceram de forma muito abrupta, ao invés de ser um processo lento e gradual. "Isto significa que o pequeno planeta anão não tem uma atmosfera significativa" disse o astrônomo José Luis Ortiz, ligado ao Instituto de Astrofísica de Andaluzia, na Espanha.

Muito Rápido
O fenômeno da ocultação durou apenas um minuto e para poder registrar todos os detalhes foi utilizada uma câmera especializada de alta velocidade, conhecida como ULTRACAM, além de uma câmera infravermelha de alta-velocidade chamada ISAAC. A ocultação estelar é um fenômeno raro e permite aos astrônomos descobrir muitas coisas sobre as atmosferas planetárias, muitas vezes tênues e delicadas, fornecendo informações precisas sobre as suas outras propriedades. No caso de Makemake, as ocultações são particularmente incomuns, já que este é um objeto que se move numa região do céu com relativamente poucas estrelas.

Prever de forma precisa e detectar estas passagens é extremamente difícil e a observação bem sucedida conduzida por uma equipe de observação bem coordenada é uma façanha extraordinária. Além da atmosfera insignificante, os dados registrados durante a observação permitiram medir qual a quantidade de luz solar que é refletida pela superfície do planeta - o albedo. De acordo com os estudos, o albedo de Makemake é cerca de 0.77, comparável ao da neve suja. A refletividade é então maior que o de Plutão, mas menor que de Éris.  Pensava-se que Makemake tivesse desenvolvido uma atmosfera e o fato de não haver sinais de uma mostra o quanto temos ainda a aprender sobre estes corpos misteriosos", disse Ortiz, cujo trabalho foi publicado na revista especializada Nature.
Fonte: Apolo11.com - http://www.apolo11.com/spacenews.php?titulo=Ocultacao_estelar_revela_segredos_do_planeta_anao_Makemake&posic=dat_20121205-100009.inc

Curiosity encontra pistas sobre existência de vida em Marte

Sonda acha substâncias complexas no solo de Marte
Imagem da terceira e quarta trincheira feita pela pá de 4 centímetros do rover Curiosity em Outubro de 2012.Crédito: NASA/JPL-Caltech/MSSS
A sonda Curiosity, da Nasa, encontrou evidências perturbadoras de que teria existido vida no passado de Marte, mas os cientistas alertaram nesta segunda-feira que ainda é muito cedo para realizar as primeiras análises de solo coletado. Os instrumentos de análises de amostras (SAM, em inglês) da Nasa têm enviado informações à Terra enquanto busca compostos como metano, hidrogênio, oxigênio e nitrogênio, elementos químicos que compõem a vida. Os cientistas ficaram animados ao detectar compostos orgânicos simples no solo coletado em uma duna, mas alertaram que os traços de carbono poderiam ter sido transportados por meteoritos ou inclusive por partículas que os instrumentos tocaram antes de partir da Terra.

"Eles esperam encontrar mais evidências de compostos orgânicos à medida que a Curiosity avançar através das areias estéreis e carreadas pelo vento de Rocknest rumo ao monte Sharp, em busca de um bom lugar para começar a cavar mais fundo", acrescentou. "Não é inesperado que esta pilha de areia não seja rica em matéria orgânica. Tem sido exposta ao duro ambiente marciano", explicou Paul Mahaffy, principal pesquisador encarregado dos instrumentos de análises de amostras do Curiosity.

"Será uma busca excitante por ambientes remotos que possam estar protegidos deste duro ambiente superficial", acrescentaram. Os instrumentos capturaram imagens impressionantes da areia retirada da duna, que um dos cientistas descreveu como mais áspera do que farinha e mais fina do que açúcar. O Curiosity também conseguiu analisar cristais e outros materiais encontrados na areia. Ao aquecer as amostras, eles também conseguiram detectar uma quantidade significativa de água na areia, junto com algum dióxido de carbono, oxigênio e dióxido de enxofre. A sonda Curiosity é como um laboratório do CSI sobre rodas", comparou Michael Meyer, principal cientista do Mars Exploration Program, da Nasa, durante entrevista coletiva.

"Estes resultados oferecem uma visão sem precedentes da diversidade química da área que é representativa do resto do planeta", acrescentou. Cientistas não esperam que a Curiosity encontre homenzinhos verdes ou criaturas vivas, mas contam em usá-lo para analisar o solo e as rochas do planeta vermelho em busca de vestígios de que os compostos químicos estão presentes e podem ter sustentado vida no passado. O robô, de US$ 2,5 bilhões, que pousou na Cratera Gale em 6 de agosto, também visa a estudar o meio ambiente marciano para preparar uma possível missão ao planeta nos próximos anos. O presidente americano, Barack Obama, prometeu enviar humanos a Marte até 2030.
Fonte: TERRA

No Centro do Vórtice Polar Norte de Saturno

Créditos da Imagem: NASA/JPL-Caltech/Space Science Institute
O que está acontecendo no polo norte de Saturno? Um vórtice de fortes e complexas nuvens em redemoinho. O centro desse vórtice foi imageado com detalhes sem precedente na semana passada pela sonda Cassini que está em órbita de Saturno. Essas nuvens localizam-se no centro de um sistema de nuvens hexagonal incomum que circunda o polo norte do planeta. O polo norte de Saturno avançou em direção a luz do Sol a poucos anos atrás, com a sonda Cassini fazendo imagens infravermelhas da região anteriormente mergulhada na sombra. A imagem acima é uma imagem bruta não processada e está sendo preparada para ser lançada em 2013. Algumas imagens similares da região foram recentemente condensadas montando a animação mostrada abaixo. Os cientistas planetários pretendem continuar estudando essa formação de nuvem incomum por algum tempo ainda.
Fonte: http://apod.nasa.gov/apod/ap121204.html

Ecos de galáxias do passado

Observações do VLT identificam novo tipo de galáxia muito raro
A galáxia feijão verde J2240 Créditos: CFHT/ESO/M. Schirmer
Uma nova classe de galáxias foi identificada com o auxílio do Very Large Telescope do ESO (VLT), o telescópio Gemini South e o telescópio Canadá-França-Hawaii (CFHT). Apelidadas “galáxias feijão verde” devido à sua aparência invulgar, estas galáxias brilham sob a intensa radiação emitida pelo material que circunda os enormes buracos negros centrais e encontram-se entre os objetos mais raros do Universo. Muitas galáxias têm um buraco negro gigante no seu centro, que faz com que o gás em sua volta brilhe. No caso das galáxias feijão verde toda a galáxia brilha e não apenas o centro. Estas novas observações revelam as regiões maiores e mais brilhantes alguma vez encontradas, que se pensa serem alimentadas por buracos negros centrais, muito ativos no passado mas que estão agora a desvanecer.

O astrónomo Mischa Schirmer do Observatório Gemini observou muitas imagens do Universo distante à procura de enxames de galáxias, mas quando viu um objeto numa imagem do telescópio Canadá-França-Hawaii, ficou espantado - o objeto parecia uma galáxia mas era verde brilhante. Não era como nenhuma galáxia que ele já tivesse visto antes, algo totalmente inesperado. Schirmer resolveu então pedir tempo de telescópio no Very Large Telescope do ESO para descobrir o que estaria a causar o invulgar brilho verde. "O ESO concedeu-me muito rapidamente tempo de observação e apenas alguns dias depois de ter submetido a minha proposta, este estranho objeto foi observado pelo VLT," diz Schirmer. "Dez minutos depois dos dados terem sido adquiridos no Chile, estavam já no meu computador na Alemanha. Rapidamente defini as minhas prioridades de trabalho de investigação, quando se tornou evidente que tinha encontrado algo realmente novo."

O novo objeto tem o nome J224024.1-092748 ou J2240, situa-se na constelação do Aquário e a sua luz levou cerca de 3,7 mil milhões de anos a chegar até nós. Depois da descoberta, a equipa de Schirmer procurou no seio de uma lista de quase mil milhões de galáxias  e encontrou mais 16 galáxias com propriedades semelhantes, que foram posteriormente confirmadas por observações feitas com o telescópio Gemini South. Estas galáxias são tão raras que existe, em média, apenas uma em cada cubo de 1,3 mil milhões de anos-luz de lado. Este novo tipo de galáxias foi apelidado galáxias feijão verde, devido à sua cor e porque superficialmente são parecidas às galáxias ervilha, embora sejam maiores.
Esta imagem obtida com o Telescópio Canadá-França-Hawaii mostra a zona do céu em torno de um invulgar objeto verde chamado J224024.1-092748 ou J2240. Este é o exemplo brilhante de uma nova classe de objetos, que foram apelidados galáxias feijão verde. As feijão verde são galáxias que brilham na sua totalidade sob a intensa radiação emitida pela região que circunda o buraco negro central. A J2240 situa-se na constelação do Aquário e a sua luz levou cerca de 3,7 mil milhões de anos a chegar até nós. Créditos: CFHT/ESO/M. Schirmer

Em muitas galáxias o material que rodeia o buraco negro central de elevada massa emite radiação intensa, ionizando o gás circundante que brilha fortemente. Estas regiões brilhantes em galáxias ativas típicas são geralmente pequenas, não ultrapassando os cerca de 10% do diâmetro da galáxia. No entanto, as observações da equipa mostraram que, no caso da J2240 e das outras galáxias feijão verde descobertas posteriormente, esta região é verdadeiramente enorme, comportando toda a galáxia. A J2240 apresenta uma das maiores e mais brilhantes regiões deste tipo encontradas até agora. O oxigénio ionizado brilha intensamente a verde, o que explica a estranha cor que originalmente chamou a atenção de Schirmer. Estas regiões brilhantes são fantásticas para tentar perceber a física das galáxias - é como enfiar um termómetro médico numa galáxia muito, muito distante," diz Schirmer. "Normalmente, estas regiões não são nem muito grandes nem muito brilhantes, e por isso só se conseguem observar bem em galáxias próximas.

No entanto, nestas galáxias recentemente descobertas, as regiões são tão grandes e brilhantes que podem ser observadas com todo o pormenor, apesar das enormes distâncias envolvidas." A análise subsequente dos dados revelou outro mistério. A J2240 parece ter um buraco negro central muito menos ativo do que o esperado pelo tamanho e brilho da região brilhante. A equipa pensa que as regiões brilhantes devem ser um eco de quando o buraco negro estava muito mais ativo no passado e que irão gradualmente diminuindo de brilho à medida que os restos de radiação passam através delas e se perdem no espaço.

Estas galáxias assinalam a presença de um centro galáctico a desvanecer-se, marcando uma fase transitória na vida de uma galáxia. No Universo primordial as galáxias eram muito mais ativas, com buracos negros em crescimento no seus centros, que engoliam as estrelas e o gás circundante e brilhavam intensamente, produzindo facilmente até 100 vezes mais luz do que todas as estrelas da galáxia juntas. Ecos de luz como o observado na J2240 permitem aos astrónomos estudar os processos de cancelamento destes objetos ativos, de modo a compreender o como, quando e porquê da sua paragem - e porque é que agora vemos tão poucos deles nas galáxias mais jovens. Isto é o que a equipa pretende estudar a seguir, continuando este trabalho com observações nos raios X e também observações espectroscópicas. Descobrir algo genuinamente novo é o sonho de qualquer astrónomo tornado realidade, um acontecimento único na vida," conclui Schirmer. "É verdadeiramente inspirador!"
Fonte: http://www.eso.org

Voyager 1 da Nasa encontra nova região no espaço profundo

Esta imagem mostra a Voyager 1 a explorar uma nova região no nosso Sistema Solar a que os cientistas chamam de "autoestrada magnética".Crédito: NASA/JPL-Caltech

A sonda Voyager 1 da NASA entrou numa nova região nos confins do nosso Sistema Solar que os cientistas sentem é a área final que a nave tem de atravessar antes de atingir o espaço interestelar. Os cientistas referem-se a esta nova região como uma autoestrada magnética para partículas carregadas porque as linhas do campo magnético do Sol ligam-se às linhas do campo magnético interestelar. Esta ligação permite com que as partículas carregadas de menor energia, originárias de dentro da nossa heliosfera - ou a bolha de partículas carregadas que o Sol expele à sua volta - se afastem e faz com que as partículas mais energéticas do exterior se aproximem. Antes de entrar nesta região, as partículas carregadas "saltaram" em todas as direcções, como se estivessem presas em estradas locais dentro da heliosfera.

A equipa da Voyager infere que esta região está ainda dentro da nossa bolha solar porque a direcção do campo magnético não mudou. A direcção dessas linhas magnéticas está prevista mudar quando a Voyager romper através do espaço interestelar. Os novos resultados foram descritos na reunião da União Geofísica Americana que teve lugar ontem (Segunda-feira) em São Francisco, EUA. Embora a Voyager 1 ainda esteja dentro do ambiente do Sol, já podemos saborear o lado de fora, porque as partículas estão saindo e entrando nesta autoestrada magnética," afirma Edward Stone, cientista do projecto Voyager do Instituto de Tecnologia da Califórnia, em Pasadena, EUA. "Acreditamos que esta é a última etapa da nossa viagem até ao espaço interestelar.

 O nosso melhor palpite é que ainda falta alguns meses ou anos. A nova região não é o que esperávamos, mas temos vindo a esperar o inesperado da Voyager." Desde Dezembro de 2004, quando a Voyager cruzou um ponto no espaço chamado de choque de terminação, que a sonda tem vindo a explorar a camada exterior da heliosfera. Nesta região, o fluxo de partículas carregadas do Sol, conhecido como vento solar, abranda subitamente desde velocidades supersónicas e torna-se turbulento. O ambiente em redor da Voyager 1 tem sido consistente durante cerca de cinco anos e meio. A sonda então detectou que a velocidade do vento solar na direcção exterior diminuiu para zero.

A intensidade do campo magnético também começou a aumentar nessa altura.

Esta impressão de artista mostra como a Voyager 1 é banhada por vento solar do hemisfério Sul que flui para Norte. Crédito: NASA/JPL-Caltech
 
Os dados da Voyager obtidos por dois instrumentos a bordo que medem partículas carregadas mostraram que a nave entrou nesta autoestrada magnética pela primeira vez a 28 de Julho de 2012. A região declinava e corria em direcção da Voyager 1 várias vezes. A sonda entrou de novo nesta região a 25 de Agosto e o ambiente tem-se mantido estável desde então.  Se estivéssemos a julgar apenas pelos dados de partículas carregadas, teria pensado que estávamos fora da heliosfera," afirma Stamatios Krimigis, investigador principal do instrumento de partículas carregadas de baixa energia, do Laboratório de Física Aplicada da Universidade Johns Hopkins, em Laurel, no estado americano do Maryland. "Mas precisamos olhar para o que todos os instrumentos nos dizem e só o tempo vai dizer se as nossas interpretações sobre esta fronteira estão correctas."

Os dados da sonda revelaram que o campo magnético tornou-se mais forte de cada vez que a Voyager entrava nesta região da autoestrada; no entanto, a direcão das linhas do campo magnético não mudou. "Estamos numa região magnética diferente de qualquer outra onde já estivemos - cerca de 10 vezes mais intensa do que antes do choque de terminação - mas os dados do campo magnético não mostram nenhuma indicação de que estamos no espaço interestelar," afirma Leonard Burlaga, membro da equipa do magnetómetro da Voyager do Centro Aeroespacial Goddard da NASA em Greenbelt, Maryland. "Os dados do campo magnético acabaram por ser a chave para identificar quando cruzámos o choque de terminação. E esperamos que estes dados nos digam quando alcançarmos o espaço interestelar."

A Voyager 1 e 2 foram lançadas com 16 dias de diferença em 1977. Pelo menos uma das naves visitou Júpiter, Saturno, Úrano e Neptuno. A Voyager 1 é o mais distante objecto feito pelo Homem, a cerca de 18 mil milhões de quilómetros do Sol. O sinal da Voyager 1 leva aproximadamente 17 horas a viajar até à Terra. A Voyager 2, a nave espacial há mais tempo em operação contínua, está a cerca de 15 mil milhões de quilómetros do Sol. Embora a Voyager 2 tenha passado por mudanças semelhantes às da Voyager 1, as mudanças são muito mais graduais. Os cientistas acham que a Voyager 2 ainda não chegou a esta autoestrada magnética.
Fonte: Astronomia On-line
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