11 de dez de 2012

5 motivos pelos quais devemos estar em um multiverso

A teoria do multiverso prega que o universo em que vivemos não é o único que existe. Na verdade, nosso universo pode ser apenas um entre um número infinito de universos que compõem um “multiverso”. Sei o que você está pensando: “aham, claro”. Embora a ideia realmente soe como algo saído da mais barata ficção científica, há uma física bastante razoável por trás dela. Mais: não há apenas uma teoria que chega a um multiverso: diversas teses físicas independentes apontam para tal conclusão. Na verdade, alguns especialistas acreditam que é mais provável que existam universos ocultos, do que o contrário.

Confira as cinco teorias científicas mais plausíveis que sugerem que vivemos em um multiverso:  

1 – Universos infinitos
Os cientistas não podem ter certeza sobre a forma do espaço-tempo, mas mais provavelmente, ela é plana (em oposição à esférica) e estende-se infinitamente. Se o espaço-tempo dura para sempre, então deve começar a se repetir em algum ponto, porque há um número finito de formas com as quais as partículas podem ser organizadas no espaço e no tempo. Então, se você olhar longe o suficiente, encontrará uma outra versão de você – na verdade, versões infinitas de você. Alguns desses “gêmeos” estarão fazendo exatamente o que você está fazendo agora, enquanto outros estarão com uma roupa diferente esta manhã, e outros ainda terão carreiras e escolhas de vida totalmente diferentes. Como o universo observável se estende apenas até onde a luz teve a chance de chegar nos 13,7 bilhões de anos desde o Big Bang (que seria 13,7 bilhões de anos-luz), o espaço-tempo além dessa distância pode ser considerado o seu próprio universo, separado do nosso. Deste modo, uma multiplicidade de universos deve existir, uns ao lado dos outros, em uma manta de retalhos gigante de universos.  

 2 – Inflação eterna
Além dos múltiplos universos criados por estender infinitamente o espaço-tempo, outros universos podem surgir a partir de uma teoria chamada “inflação eterna“. A inflação é a noção de que o universo se expandiu rapidamente após o Big Bang, inflando como um balão. Inflação eterna, proposta pela primeira vez pelo cosmólogo Alexander Vilenkin da Universidade Tufts, sugere que alguns bolsões no espaço pararam de inflar, enquanto outras regiões continuam a inflar, dando assim origem a muitos universos isolados em “bolhas”. Assim, o nosso próprio universo, onde a inflação já acabou, permitindo que estrelas e galáxias se formassem, é uma pequena bolha em um vasto mar de bolhas no espaço, algumas das quais ainda estão inflando. E em alguns desses universos bolhas, as leis e constantes fundamentais da física podem ser totalmente diferentes do que são no nosso, tornando-os muito estranhos para nós. 

3 – Universos paralelos
Outra ideia de multiverso que surge da teoria das cordas é a noção de universos paralelos que pairam fora do alcance do nosso, proposta por Paul Steinhardt da Universidade de Princeton (EUA) e Neil Turok do Instituto de Física Teórica em Ontário, Canadá. Vem da possibilidade de muito mais dimensões existirem em nosso mundo, além das três de espaço e uma de tempo que nós conhecemos. Ou seja, mais do que nosso próprio mundo tridimensional, outros espaços tridimensionais podem flutuar num espaço de dimensão superior. O físico Brian Greene da Universidade de Columbia (EUA) descreve a ideia como a noção de que “o nosso universo é apenas um dos potencialmente numerosos mundos flutuantes em um espaço de dimensão mais elevada, bem como uma fatia de pão dentro de um grandioso pão cósmico”. Uma variação desta teoria sugere que esses universos não são sempre paralelos e fora de alcance. Às vezes, eles podem bater um no outro, causando repetidos Big Bangs que redefinem os universos novamente.  

4 - Universos Filhos
A teoria da mecânica quântica, que reina sobre o pequeno mundo das partículas subatômicas, sugere uma outra maneira na qual múltiplos universos podem surgir. A mecânica quântica descreve o mundo em termos de probabilidades, em vez de resultados definitivos. E a matemática desta teoria sugere que todos os resultados possíveis de uma situação realmente ocorrem – em seus próprios universos separados. Por exemplo, se você chegar a uma encruzilhada onde você pode ir para a direita ou para a esquerda, o universo atual dá origem a dois universos “filhos”: um em que você vai para a direita, e outro no qual você vai para a esquerda. “E, em cada universo, há uma cópia sua assistindo um ou outro resultado, pensando – incorretamente – que a sua realidade é a única realidade”, diz Greene.

5 – Universos matemáticos
Os cientistas têm debatido se a matemática é simplesmente uma ferramenta útil para descrever o universo, ou se a matemática em si é a realidade fundamental – nesse caso, nossas observações do universo são apenas percepções imperfeitas de sua verdadeira natureza matemática. Se este for realmente o caso, então talvez a estrutura matemática específica que compõe o nosso universo não é sua única opção. De fato, todas as possíveis estruturas matemáticas existem como seus próprios universos separados. “A estrutura matemática é algo que você pode descrever de uma maneira que é completamente independente da bagagem humana”, disse Max Tegmark, do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (EUA), que propôs esta ideia. “Eu realmente acredito que existe um universo lá fora que pode existir independentemente de mim, e que iria continuar a existir mesmo se não houvesse seres humanos”.
Fonte: http://hypescience.com

como provar que o multiverso existe

A presença de um “multiverso”, ou seja, vários universos desconectados pode ser possível para explicar a quantidade enorme de energia escura que o nosso universo tem – um assunto polêmico que intriga cientistas do mundo (ou mundos) todo há tempos. Cerca de 74% do universo parece ser feito de energia escura. Outros 22% parecem ser matéria escura, uma misteriosa forma de matéria que só podemos detectar observando sua força gravitacional. No fim, apenas 4% do nosso universo é composto por coisas que podemos ver e tocar; a matéria comum. Por que essa desigualdade?

Nenhuma outra teoria existente sobre o nosso universo consegue explicar tal fenômeno. Com a teoria do multiverso, essa quantidade de energia não só se torna explicável, como é inevitável. Outros fenômenos, como a radiação cósmica de fundo e a expansão do universo, também levam a crer na existência de vários universos. O problema é que ainda não temos como provar que estamos em um multiverso. Se daqui é difícil até encontrar outros planetas, quem diria um inteiro outro universo!  Para calcular como encontrar esse multiverso e como medi-lo, precisamos investir em probabilidades, tentar “chutar” quais serão as características principais dele (como a quantidade de energia escura que ele teria).

Para calcular essas probabilidades, é preciso uma medida – uma ferramenta matemática que ajuda na definição dessas probabilidades. Mas encontrar essa medida quando o assunto é o multiverso é muito difícil. Seria como comparar infinitos. “Qual infinito é maior?” parece uma pergunta sem noção.  Nosso universo surgiu do Big Bang, provavelmente um choque entre um universo e outro, e há uma variedade de universos que pode ser produzida dessa forma. Poderíamos usar essas medidas para calcular as probabilidades. Mas aplicar isso na prática é outra história. O problema é que, pra funcionar mesmo, esses cálculos precisariam da quantidade inicial de vácuo no universo – e isso ainda é um mistério.


Segundo o famoso físico Stephen Hawking, uma outra forma de verificar o multiverso seria buscar características na radiação de fundo de micro-ondas que indicassem a colisão de outro universo com o nosso num passado distante. A radiação cósmica de fundo (CMB, na sigla em inglês) que aparece no universo na frequência mais alta possível de micro-ondas deixa marcas no espaço-tempo. Segundo a teoria dos vários universos, essas marcas foram deixadas após a colisão dos vários universos ao longo de suas existências. Nosso próprio universo, portanto, poderia já ter colidido com um ou mais “vizinhos. Para que se possa entender esse mecanismo, os cientistas britânicos fizeram uma comparação com bolhas de sabão. Imagine que cada bolha de sabão é um universo, com suas próprias leis físicas de espaço-tempo. Quando duas bolhas de sabão encostam uma na outra, a área em que elas se tocam torna-se circular.

Da mesma maneira, quando dois universos colidem, a radiação CMB resultante do choque também toma forma circular. Essa radiação circular, dessa forma, seria um sinal claro de que dois universos colidiram naquele ponto. De fato, já foi possível observar a incidência de CMB circulares em certas áreas do espaço, que foram marcadas como indicativos dessa teoria. Não se conseguiu, entretanto, definir um padrão para o aparecimento dessas CMB, que continuam parecendo aleatórias. O que se buscará a partir de agora, portanto, é ordenar as observações para fortalecer essa teoria. Um satélite da Agência Europeia Espacial, chamado Planck, está no espaço desde 2009, e em 2013 deverá ter respostas mais detalhadas sobre a nova teoria.
Fonte: LiveScience

As primeira estrelas que existiram no universo

As primeiras estrelas do nosso Universo são um mistério para a ciência. Chamadas de estrelas da População III, até agora nenhuma delas foi registrada por nenhum telescópio. Apesar disto, a ciência já conseguiu deduzir algumas coisas sobre elas. As estrelas que seguiram à população III são as da população II, que depois se seguiram às estrelas da população I. Mas não se sabe com certeza, por exemplo, se as estrelas da população III surgiram antes ou depois das primeiras galáxias.

Origem e formação
As estrelas da População III se formaram em condições especiais. Sendo as primeiras estrelas do universo, elas se formaram a partir de nuvens de hidrogênio e hélio, ou seja, sem nenhum elemento metálico (das famílias dos metais, na tabela periódica). Esta diferença é crucial, porque as nuvens moleculares das quais as estrelas da população II e I se formaram tinham partículas de poeira, que ajudavam no processo de resfriamento. Além disso, a abundância de hidrogênio e hélio (o universo era menor, e mais denso) fazia com que as estrelas da primeira geração fossem imensas – mas o tamanho máximo que elas podiam alcançar ainda é assunto de debate. Outro aspecto das estrelas desta geração era sua velocidade de rotação. Rotadoras rápidas, grandes e quentes, estas estrelas são diferentes de tudo que vemos no céu, hoje.

Período de formação
Embora não tenhamos observado ainda alguma destas estrelas, já sabemos exatamente onde procurar. As estrelas da população III se formaram depois que a radiação cósmica de fundo foi emitida, ou seja, elas começaram a se formar pelo menos 380.000 anos depois do Big Bang. Além disso, a estrela mais antiga que já foi observada é a HE 1523-0901, uma estrela da população II, com uma idade de 13,2 bilhões de anos. A observação desta estrela nos dá o limite para o fim da formação de estrelas da população III. Elas continuaram surgindo nos 500 milhões de anos seguintes, quando começaram a aparecer as estrelas de população II.

Observação
Pela distância, a luz das estrelas da população III deve ter sofrido um redshift (desvio para o vermelho) tremendo, colocando a luz delas na faixa do infravermelho. Espera-se que o telescópio espacial James Webb, o substituto do telescópio espacial Hubble, que vai trabalhar exclusivamente na faixa do infravermelho, esclareça se estas estrelas realmente existiram, e quais são suas características. Por enquanto, o que temos são hipóteses, e imagens criadas por artistas, como a foto acima, de uma pintura de Adolf Schaller.
Fonte: Hypescience.com

Veja o estrago que a Curiosity deixou após pousar em Marte

O pouso da Curiosity em Marte foi marcante. Literalmente. Imagens da sonda Mars Science Laboratory (MSL) mostram várias crateras que surgiram com o impacto do veículo explorador na superfície marciana. Além das cicatrizes deixadas no planeta vermelho, a nave Curiosity deixou sinais de sua passagem com entulhos e equipamentos que foram ejetados com o pouso. Entre os equipamentos perdidos pela Curiosity está o escudo de proteção contra o calor, a cápsula traseira e um paraquedas, que formaram seis novas crateras em um raio de 12 quilômetros do local do pouso. Apesar da bagunça e do pouso nada sutil, as marcas em solo marciano não são de todo ruins. A NASA já tinha muitas informações sobre objetos que atingem Marte, mas agora será possível entender mais sobre a atmosfera do planeta e a formação de crateras porque os cientistas conhecem a massa, composição, trajetória e formato de cada equipamento. Quer entender como foi o pouso da Curiosity em Marte? Clique no link: http://mars.jpl.nasa.gov/msl/multimedia/interactives/edlcuriosity/index-2.html  e arraste a tela até o fim da página com seu teclado.
Fonte: Hypescience.com
[Gizmodo/NASA]

Censo do Universo invisível revela galáxias com surto estelar

Os desvios para o vermelho funcionam como uma medida do tempo que a luz de cada galáxia tem viajado através do Universo, que por sua vez indica quando é que, na história cósmica, a luz de cada galáxia foi emitida.[Imagem: ESA-C. Carreau/C. Casey/Herschel/SPIRE/HerMES/NASA]

Galáxias starburst
Combinando as capacidades de exploração do telescópio espacial Herschel e dos telescópios terrestres Keck, astrônomos caracterizaram centenas de galáxias de um tipo conhecido como starburst - com formação explosiva de estrelas. As galáxias starburst - ou galáxias com surto estelar - dão à luz centenas de estrelas por ano, em eventos intensos de curta duração. Em comparação, a Via Láctea, a nossa galáxia, produz em média por ano o equivalente a apenas uma estrela semelhante ao Sol. As galáxias com surto estelar geram tanta luz que deveriam ofuscar a nossa galáxia centenas de milhares de vezes, mas a enorme quantidade de gás que lhes serve de combustível contém também muita poeira, que tanto alimenta a formação frenética de estrelas quanto retém a maior parte da luz. Como a poeira absorve a maior parte da luz visível, muitas dessas estrelas parecem insignificantes nesta zona do espectro. No entanto, o pó é aquecido pelas estrelas quentes que estão ao redor e reemite a energia em comprimentos de onda na zona do infravermelho longo.
 
Formação de estrelas
Usando o telescópio Herschel, que é o maior telescópio espacial já lançado e que enxerga o Universo no infravermelho, os astrônomos mediram a temperatura e o brilho de milhares de galáxias empoeiradas.

Desta forma, a taxa de formação estelar pode ser agora calculada.
As galáxias starburst são as galáxias mais brilhantes do Universo e contribuem significativamente para a formação de estrelas. Por isso, é importante estudá-las em detalhes e perceber as suas propriedades," disse o Dr. Caitlin Casey, da Universidade do Havaí, principal autor do estudo. Algumas das galáxias encontradas nesta nova pesquisa têm taxas de formação de estrelas equivalentes ao nascimento de vários milhares de massas solares por ano e são algumas das mais brilhantes galáxias infravermelhas já descobertas," completou.
 
Desvios para o vermelho
Para contextualizar as observações e compreender como a formação de estrelas mudou ao longo dos 13,7 bilhões de anos de história do Universo, as distâncias até às galáxias também eram necessárias. Com o Herschel marcando o caminho, a equipe do Dr. Casey usou espectrômetros dos telescópios gêmeos Keck, localizados em Mauna Kea, no Havaí, e obteve os desvios para o vermelho de 767 galáxias com surto estelar. Para os astrônomos, os desvios para o vermelho funcionam como uma medida do tempo que a luz de cada galáxia tem viajado através do Universo, que por sua vez indica quando é que, na história cósmica, a luz de cada galáxia foi emitida. Para a maioria das galáxias, verificou-se que a luz tem viajado na nossa direção há 10 bilhões de anos ou menos. Cerca de 5% das galáxias estão em desvios para o vermelho ainda maiores: quer dizer que a sua luz foi emitida quando o Universo tinha apenas um a três bilhões de anos. Combinando esta informação com as distâncias fornecidas pelos dados do Keck, podemos descobrir a contribuição das galáxias starburst para a quantidade total de estrelas produzidas ao longo da história do Universo," disse o astrônomo.

Hipóteses
Como é que um número tão grande de galáxias com surto estelar se formou durante os primeiros bilhões de anos de existência do Universo é uma questão vital para os estudos sobre a formação e evolução das galáxias. Uma das principais teorias propõe que uma colisão entre duas galáxias jovens poderia ter acendido uma intensa, mas curta fase de formação de estrelas. Outra teoria especula que, quando o Universo era jovem, as galáxias individuais tinham muito mais gás de combustão disponível para se alimentarem, permitindo maiores taxas de formação de estrelas, sem a necessidade de colisões. É um tema muito debatido que exige detalhes sobre a forma e a rotação das galáxias antes de poder ser resolvido", acrescenta o Dr. Casey. "Antes do Herschel, o maior levantamento semelhante de starbursts distantes incluía apenas 73 galáxias. Nesta investigação combinada com os telescópios Keck, conseguimos melhorar o recenseamento desta população de galáxias tão importante por um fator de dez", acrescentou Goran Pilbratt, cientista do projeto Herschel.
Fonte: Inovação Tecnológica

Hubble Registra Imagens Iniciais da Mancha Vermelha Júnior em Júpiter – Arquivo 2006

Em Maio de 2006, o Telescópio Espacial Hubble dava aos astrônomos a visão mais detalhada até então de uma segunda mancha vermelha emergindo em Júpiter. Pela primeira vez na história, os astrônomos estavam testemunhando o nascimento de uma nova mancha vermelha no planeta gigante, localizado a meio bilhão de milhas de distância.

A tempestade tinha aproximadamente metade do diâmetro da sua prima maior e legendária, a Grande Mancha Vermelha. Os pesquisadores sugeriam na época que essa nova mancha poderia estar relacionada com as mudanças climáticas de grande escala na atmosfera de Júpiter.

As imagens foram feitas pela Advanced Camera for Surveys do Hubble entre os dias 8 e 16 de Abril de 2006, e publicadas em 4 de Maio de 2006 no HubbleSite.

Créditos: http://blog.cienctec.com.br

As Anomalias de Gravidade na Lua

Imagem pela NASA / JPL-Caltech / CSM
Como toda missão espacial que é uma melhoria de uma versão anterior, esperava-se da missão GRAIL que os mapas crustais e gravitacionais da Lua fossem refinados, e foi isso que aconteceu. Mas o que mais anima os pesquisadores e quem está envolvido com missões como essa, são as descobertas inesperadas, as surpresas, e no caso da missão GRAIL a mais única e impressionante descoberta foram as anomalias lineares de gravidade que aparecem mostradas na imagem acima superior em vermelho e que foram derivadas do mapa localizado na parte esquerda inferior da imagem. Os três globos na parte inferior mostram os gradientes de gravidade, mapeando os locais onde a força da gravidade muda rapidamente em uma área geográfica relativamente pequena. As linhas vermelhas são onde a gravidade aumenta rapidamente e as linhas em azul onde ela diminui. Os maiores gradientes ocorrem onde existe uma concentração ou uma deficiência anômala de massa, que ao redor das bordas das bacias. Assim, você pode ver nos mapas da parte inferior da imagem anomalias em vermelho e em azul circulando a Bacia Aitken do Polo Sul, a Orientale, o Mare Imbrium e outras bacias. Todas as outras linhas representam anomalias menores talvez associadas com crateras. Os cientistas da missão GRAIL reconheceram que algumas dessas anomalias de gradiente lineares não estão associadas com a topografia visível e de fato parecem ser cortadas por antigas formações, o melhor exemplo é a anomalia que parecem sendo interrompida pela antiga bacia de impacto Crisium. Por alguma razão somente a anomalia do lado oeste da Crisium é mostrada na imagem superior mas os dois lados são apresentados no globo inferior a esquerda perto do canto esquerdo. Os cientistas propuseram que essas longas anomalias são diques, ou seja, lençóis de magma intrudidos na crosta inferior no começo da história lunar. Diques intrudem quando existe um ambiente de expansão tectônica, e não um compressivo. Assim, a proposta é que originalmente o interior da Lua estava frio mas então foi aquecido causando a expansão do diâmetro da Lua por aproximadamente 10 km. Isso levou a intrusão de diques com centenas de quilômetros de comprimento. Agora, algumas dessas anomalias parecem feições reais, mas outras que não são tão grandes não são identificadas como diques e ainda é um mistério a ser desvendado. Será interessante acompanhar a maturação dessa interpretação. Pode-se imaginar que esses antigos diques alcançaram a superfície e levaram a massivos fluxos de lava, talvez considerados por um vulcanismo pré-mar. Só como um detalhe, seria interessante entender por que a intensidade das cores azul e vermelha das anomalias no globo da esquerda, centrado em 90ºE é tão menor do que o resto da Lua.

Fonte: http://lpod.wikispaces.com/December+8%2C+2012

O Futuro do Curiosity: Mapeamento Montanhoso

Todo o planeta Terra parecia seguir a angustiante descida do rover Curiosity para a superfície de Marte. As primeiras descobertas do Curiosity mostraram que a água líquida já fluiu à superfície de Marte, mas as grandes descobertas ainda estão por vir, incluindo o Monte Sharp, com 5 km de altura.
As câmaras do Curiosity mostram o Monte Sharp à distância. O rover começará a subida do monte daqui a uns meses, seguindo a história geológica marciana à medida que sobe cada vez mais e examina no máximo 4,5 mil milhões de anos de material planetário. Crédito: NASA/JPL
O rover Curiosity tem sido uma presença quase constante nas notícias desde que chegou à superfície do Planeta Vermelho em Agosto. Mas mesmo com tudo o que o Curiosity já fez, os seus dias mais emocionantes ainda estão pela frente, afirma o geólogo Ralph Millikin, da Universidade de Brown e cientista da missão da NASA. Milliken é um cientista participante da missão e regressou à sua Universidade após passar três meses a trabalhar no JPL da NASA em Pasadena, no estado americano da Califórnia. Grande parte da missão até agora tem sido de diagnóstico, afirma Milliken - testando as peças mecânicas do rover e os instrumentos científicos para se certificarem que estão fazendo o que é suposto fazerem. Até agora o Curiosity está de boa saúde, realça Milliken, e fez várias descobertas interessantes. Mas a ciência está realmente apenas começando.

Para ele, a parte mais emocionante da missão ainda paira bem longe no horizonte marciano, na forma imponente do Monte Sharp. Elevando-se a mais 5 km de altura da base da Cratera Gale, o Monte Sharp detém um registo com 4 mil milhões de anos de história geológica marciana. O Curiosity irá dirigir-se para a montanha nos próximos meses, e Milliken espera que o veículo possa contar esta história, como uma agulha que lê um disco de vinil. As encostas são suaves o suficiente para que o Curiosity seja capaz de explorar uma parte substancial da montanha - talvez mais do que um quilómetro vertical de estratos, espera Milliken - antes do terreno se tornar muito íngreme. Os cientistas esperam que o Monte Sharp responda à grande questão do porquê de Marte ter secado e se as rochas contêm a história de ambientes habitáveis no passado. As missões anteriores revelaram pistas tentadoras de um passado marciano mais quente e mais húmido, e o Curiosity já confirmou que a água fluiu na superfície de Marte.

No início da missão deparou-se com o que parecia ser um leito antigo. As rochas tinham uma aparência arredondada, consistente com erosão provocada por água com uma altura entre o tornozelo até à anca de uma pessoa. Mas esta descoberta deixa muitas perguntas. Terá sido a água corrente em Marte um evento passageiro ou ficou lá por um longo período? E talvez mais importante, para onde foi a água?  Podemos ver a partir de dados de satélite em órbita de Marte que os minerais que transportam água estão na parte inferior do Monte Sharp, e à medida que subimos, deixamos de os ver," explica Milliken. "O fundo tem estes canais esculpidos pela água e no topo não existem. Isto é tudo consistente com a ideia de que as rochas no Monte Sharp preservam a história do desaparecimento da água em Marte."

À medida que o Curiosity sobe, irá mapear essa transição. Milliken vai trabalhar especificamente com o instrumento DAN (Dynamic Albedo of Neutrons). O DAN funciona através da detecção da velocidade a que neutrões são emitidos a partir da superfície e da subsuperfície directamente por baixo da sonda. O hidrogénio nas moléculas de água diminui a velocidade dos neutrões. Por isso, em locais onde a libertação dos neutrões é mais lenta, os cientistas podem inferir a presença de hidrogénio, e portanto, de minerais hidratados. Além de recolher passivamente as emissões de neutrões naturais, o instrumento DAN também pode enviar um pulso activo de neutrões para o chão e ver o que salta para trás.  À medida que viajamos, podemos fazer estas medições activas e passivas para tentar criar um mapa de como a água por baixo da superfície está realmente distribuída," afirma Milliken. "E à medida que subimos a montanha - à medida que viajamos no tempo para rochas mais jovens - esperamos ter uma visão de alta-fidelidade do que está acontecendo com os minerais hidratados nessas rochas."

Tudo isto irá dar-nos mais pistas acerca da questão fundamental que o Curiosity foi para Marte tentar responder: será que a área da Cratera Gale já teve condições para suportar vida? "As medições dos instrumentos a bordo do Curiosity poderão apontar para locais onde devemos procurar evidências de vida, se ela existiu, e lugares onde tais evidências estão mais provavelmente preservadas," afirma Milliken.

Ao longo do caminho, afirma Milliken, também podemos aprender coisas fundamentais acerca de como os planetas terrestres evoluem ao longo do tempo - coisas que não podemos facilmente aprender aqui na Terra. No nosso planeta, as rochas mais antigas são desgastadas pela erosão, pelo clima e pelo deslocamento das placas tectónicas. Mas parece que em Marte as rochas são muito mais antigas que as da Terra. Uma das coisas que mais me entusiasma é que temos preservação em Marte, de como um planeta terrestre teria sido há quatro ou há quatro mil milhões e meio de anos atrás," realça Milliken. "Simplesmente não encontramos rochas com 4,5 mil milhões de anos na Terra. Nós temos que fazer alguma suposição sobre como era a Terra nessa altura porque não temos as rochas. Mas em Marte elas estão preservadas." Por isso, talvez Marte seja mais do que apenas o nosso vizinho mais próximo no Sistema Solar. Talvez seja um fóssil planetário que pode dizer-nos mais sobre a formação e evolução do nosso próprio planeta.
Fonte: Astronomia On-Line
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...