12 de dez de 2012

Dançando no Escuro

As galáxias ao redor da Via Láctea em geral são absorvidas por ela. Mas por que duas estão prosperando?
As Nuvens de Magalhães – dois pontos brilhantes à extrema direita – dividem o céu acima dos Andes com um cometa e a faixa luminosa da Via Láctea.

No céu do hemisfério Sul, a grande e a Pequena Nuvem de Magalhães mais parecem peças destacadas da galáxia em que vivemos. Antes os astrônomos achavam que as Nuvens sempre haviam orbitado ao redor da Via Láctea, mantendo as distâncias atuais, tal como outras galáxias-satélites menores, todas presas no mesmo campo gravitacional. Mas indícios recentes sugerem que, em vez disso, as Nuvens estiveram, durante grande parte de sua existência, bem mais distantes e agora experimentam uma rara aproximação com a nossa galáxia. Se isso se confirmar, podemos estar testemunhando o início de um pas de trois intergaláctico – uma espécie de dança sideral capaz de abalar a composição dessas galáxias, forjando bilhões de estrelas e planetas novos e, ao mesmo tempo, arremessando outros às profundezas do espaço.

Os astrônomos estão decifrando pistas que já sugeriam que as Nuvens sempre foram bem mais autônomas do que se imaginava. Elas são mais luminosas que as outras galáxias-satélites da Via Láctea, tanto que chamaram a atenção de Antonio Pigafetta – o cronista da primeira circunavegação do globo, empreendida por Fernão de Magalhães no início do século 16 –, o qual fez um comentário acerca de “numerosas estrelas que se mantinham agrupadas”. As Nuvens são brilhantes porque estão próximas da Terra e contêm muitas estrelas. As outras galáxias-satélites abrigam cada qual até 10 milhões de estrelas. Já a Pequena Nuvem de Magalhães engloba 3 bilhões, e a Grande Nuvem talvez chegue aos... 30 bilhões!
 N11.N11, a segunda maior área de formação de estrelas na Grande Nuvem de Magalhães.

Além disso, as Nuvens não se parecem com as desordenadas galáxias anãs esferoides ou as galáxias espiraladas do nosso céu. As Nuvens ficavam distantes e só agora se aproximaram da Via Láctea – a ponto de serem afetadas por seu campo gravitacional. Antes de topar com a Via Láctea, a Grande Nuvem de Magalhães pode ter sido uma clássica galáxia espiralada, tal como a do Triângulo (M33), que tem aparência impressionante, mas, na realidade, não é muito mais maciça que a Grande Nuvem. Em 2006, uma equipe de astrônomos mediu, com a ajuda do Telescópio Espacial Hubble, o deslocamento das Nuvens de Magalhães, usando como referência quasares situados bilhões de anos-luz mais distantes e que, por causa disso, constituem um fundo relativamente estático em um universo no qual tudo está em movimento. Tais mensurações indicam que as Nuvenspercorrem órbitas longas e excêntricas, que as teriam trazido para perto de nossa galáxia apenas em outra ocasião desde o início do universo.
A supernova mais brilhante dos últimos 400 anos parece um colar de pérolas cósmico. Ela foi vista em 1987 entre turbilhões de gás na Nebulosa Tarântula, que faz parte da Grande Nuvem de Magalhães.

A noção de que as Nuvens cruzaram nosso caminho apenas uma vez no passado é congruente com o fato de que ambas ainda contêm enormes quantidades do gás que serve de matéria-prima para a formação de novas estrelas. As galáxias-satélites que percorrem órbitas próximas de galáxias maiores acabam perdendo para elas o gás interestelar. Incapacitados assimde gerar novas estrelas, tais satélites viram uma espécie de comunidade sideral de aposentados, abrigando apenas velhas estrelas desprovidas de gás e nada mais. Com o tempo, muitas das galáxias anãs esferoides que acompanham a Via Láctea vão ser absorvidas por ela.

Por outro lado, os astrônomos constataram que a Pequena Nuvem ainda continua a gerar novas estrelas de modo intermitente, algumas delas formadas nos últimos milhões de anos. Já a Grande Nuvem é uma fábrica de estrelas. Chama a atenção a avermelhada Nebulosa Tarântula, um gigantesco berçário de estrelas que está a 160 mil anos-luz da Terra, mas brilha tanto que, ao ser observada por um telescópio de grande porte, sua luminosidade atravessa o visor como se fosse o feixe de uma lanterna.
Cem vezes mais maciças que o Sol, estrelas brilham através da Nebulosa da Tarântula, na Grande Nuvem de Magalhães. O gás e a poeira gerados pela explosão estelar servem de matéria-prima para novas estrelas, fazendo dessa área um berçário ativo na região da Via Láctea.

O vermelho da Tarântula deve-se ao que os astrônomos chamam de “hidrogênio excitado”. O gás é agitado pela forte luminosidade emitida por estrelas gigantes, as quais queimam com tal fúria que esgotam seu combustível nuclear em poucos milhões de anos, em vez de bilhões de anos, como no caso de estrelas menores, entre elas o nosso Sol. Em seguida, essas estrelas gigantes explodem, na forma de supernovas. Quando uma estrela gigante azul na região da Tarântula virou uma supernova em 23 de fevereiro de 1987, astrônomos do mundo inteiro notaram o fenômeno. E desde então eles continuam a observar seus fragmentos dispersos.

A Via Láctea e as Nuvens de Magalhães parecem destinadas a se manter próximas. Mas a dança entre os três corpos celestes poderá resultar em fusão? Ou as Nuvens vão apenas se aproximar e se separar, atravessando sua existência como um casal sossegado que, a cada bilhão de anos, se reencontra em um hotel no centro da cidade para uma orgia de geração de estrelas? Embora nenhum ser humano vá viver o suficiente para ver o destino dessas galáxias, os cientistas da nossa geração conhecerão algo mais dos passos dessa dança, e poderão ouvir os débeis ecos de sua música.
Fonte: http://viajeaqui.abril.com.br

É uma espiral com duas barras

A estrutura complexa da Grande Nuvem de Magalhães cria novas estrelas.
À primeira vista, a Grande Nuvem de Magalhães, a galáxia mais próxima da Terra, não passa de um amontoado desordenado de estrelas. O astrofísico brasileiro Horácio Dottori, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, viu agora que a coisa não é bem assim. Ele analisou grupos de estrelas que nasceram juntas, chamados aglomerados. Na Grande Nuvem, os aglomerados seguem três estruturas, conforme sua idade. Os que têm de 30 milhões a 70 milhões de anos se juntam numa barra luminosa principal. Outros grupos, com idade entre 10 milhões e 30 milhões de anos, configuram uma segunda barra, inclinada em relação à primeira. E os mais jovens, com menos de 10 milhões de anos, estão espalhados por todos os lados. “Isso significa que alguma coisa está mexendo com as estrelas da Grande Nuvem”, explicou Horácio à SUPER. Ele sugere que a primeira barra foi criada entre 500 milhões e 800 milhões de anos atrás por uma trombada com sua vizinha, a Pequena Nuvem de Magalhães. Ao girar, essa barra vai empurrando o gás e a poeira pelo caminho. Isso aumenta a concentração de matéria em certos pontos, até que a força de gravidade acaba condensando tudo em novas estrelas. Assim é que deve ter surgido a segunda barra. “Daqui a dezenas de milhões de anos, pode ser que a maior parte da barra mais nova e dos aglomerados que ainda estão soltos sejam engolidos pela barra original”, conclui o astrofísico.
Fonte: Super Abril

Sete planetas da Via Láctea podem abrigar vida, dizem astrônomos

Astrônomos de um projeto que cataloga planetas habitáveis anunciaram que a Via Láctea pode conter sete planetas fora do nosso Sistema Solar com condições de abrigar a vida. O projeto, chamado Habitable Exoplanets Catalog (Catálogo de Exoplanetas Habitáveis, ou simplesmente HEC), acabou de fazer um ano e excedeu as expectativas da busca. Abel Mendez, diretor da Universidade de Porto Rico no Laboratório de Habitabilidade Planetária, disse que eram esperados apenas um ou dois planetas ao longo do primeiro ano de vida. Cinco a mais era algo além das expectativas de todos. “Há muitos comunicados à imprensa anunciando descobertas de planetas habitáveis e isso é confuso. Então, ter um catálogo em que todos possam conferir o que está disponível agora seria mais útil”, disse Abel ao portal Space.

Conforme a ciência aprimora suas técnicas para detectar planetas fora do Sistema solar, a taxa de planetas descobertos aumenta. Instrumentos como o HARPS (High Accuracy Radial Velocity Planet Searcher ou Buscador de Planetas por Velocidade Radial de Alta Precisão) e o Telescócpio Espacial Kepler são duas das ferramentas que os pesquisadores usam para detectar estes exoplanetas. Hoje, há quase 80 exoplanetas conhecidos com tamanho similar a Terra, mas só alguns estão a uma distância conveniente da estrela de seus sistemas para a existência de água líquida. Para construir o catálogo, os cientistas estão usando avaliações de sustentabilidade como o Índice de Similaridade da Terra (ESI), a Distância de Zonas Habitáveis (HZD), a Habitabilidade Básica Global (GPH), sistemas de classificação e comparações com a Terra de hoje e do passado.
 
Além dos planetas catalogados pelo HEC, há 28 outros aguardando confirmação, incluindo o Gliese 581g, que não foi confirmado, mas é um dos mais propensos a se tornar oficial. A organização tem a cautela de não dar 100% de certeza da habitabilidade dos planetas – em alguns casos, nem sequer da existência deles. A equipe afirma que são necessárias mais observações para assegurar a existência dos exoplanetas. O projeto HEC começou em 5 de dezembro do ano passado, no mesmo dia em que a equipe do Kepler da NASA anunciava a descoberta do Kepler 22b na Primeira Conferência de Ciência Kepler da NASA em Ames, Califórnia.
 
Os planetas descobertos foram, em ordem cronológica: Gliese 581d, HD 85512b, Kepler 22b, Gliese 667Cc, Gliese 581g, Gliese 163c e HD 40307g. Esses exoplanetas são todos super-Terras. São maiores que nosso planeta, mas ainda assim podem, talvez, abrigar a vida. Agora, o HEC é um complexo programa de computador que reúne dados de exoplanetas e atualizações de grupos de pesquisa, que relatam suas descobertas diretamente ao projeto para que sejam analisadas e adicionadas ao catálogo assim que sejam anunciadas publicamente.

Em 2013, o projeto deve trabalhar com novos modelos e análises, o que deve afetar os objetos listados. “Um planeta realmente análogo a Terra [algo que os cientistas ainda não encontraram até hoje] ou uma exolua potencialmente habitável, poderiam ser grandes descobertas. Certamente, essa foi a hora certa para começar a mapear o Universo habitável à nossa volta”, disseram eles. Os primeiros planetas exossolares, ou exoplanetas, foram descobertos no Observatório de Arecibo em 1992. Eles orbitavam o pulsar PSR-B1257+12. Em 1995, um planeta próximo de uma estrela mais parecida com o nosso sol foi descoberto: 51 Pegasi b. Hoje, são 900 exoplanetas confirmados, fora 2.500 que aguardam confirmação. Mas poucos possuem requisitos para abrigar a vida do modo como a conhecemos.
Fonte: Jornal Ciência

Instrumento de 24 braços irá investigar fases iniciais das galáxias

KMOS montado no Very Large Telescope durante a primeira luz do instrumento.Foto: ESO

Um novo instrumento chamado KMOS acaba de ser testado com sucesso no Very Large Telescope do Observatório Europeu do Sul (ESO, na sigla em inglês), no Observatório do Paranal, no Chile. O KMOS é único na medida em que poderá observar no infravermelho, não apenas um, mas 24 objetos ao mesmo tempo e estudar a estrutura de cada um deles simultaneamente. Fornecerá dados indispensáveis para compreender como é que as galáxias cresceram e evoluíram no Universo primordial - e isto muito mais rapidamente do que tem sido possível até agora. O KMOS foi construído por um consórcio de universidades e institutos do Reino Unido e Alemanha em colaboração com o ESO. O espectrógrafo multi-objeto na banda K (KMOS, do inglês K-band Multi-Object Spectrograph), montado no Telescópio 1 do Very Large Telescope (VLT), situado no Observatório do Paranal do ESO, no Chile, teve a sua primeira luz. Durante o período de quatro meses, que decorreu desde agosto até agora, o enorme instrumento foi enviado da Europa para o Chile, montado, testado e instalado, depois de meses de cuidadoso planejamento. Foi o culminar de muitos anos de concepção e construção por equipes no Reino Unido, Alemanha e ESO. O KMOS é o segundo instrumento de segunda geração a ser instalado no VLT do ESO.

"O KMOS trará uma nova capacidade à série de instrumentos do VLT do ESO. O seu sucesso inicial é um tributo à dedicação de uma vasta equipe de engenheiros e cientistas. A equipe aguarda com expectativa as muitas descobertas cientificas futuras obtidas com o KMOS, assim que a entrega do instrumento esteja terminada", diz Ray Sharples (Universidade de Durham, Reino Unido), co-investigador principal do KMOS. Para estudar as galáxias nas suas fases iniciais, os astrônomos precisam de três coisas: observar no infravermelho, observar muitos objetos ao mesmo tempo e, para cada um deles, mapear como é que as propriedades variam de região para região. O KMOS pode fazer todas estas coisas ao mesmo tempo. Até agora, os astrônomos podiam ou observar muitos objetos de uma vez só, ou mapear um único objeto com todo o detalhe. Um rastreio detalhado a uma grande amostra de objetos poderia demorar anos. Agora, com o KMOS, ao mapear as propriedades de muitos objetos simultaneamente, tais rastreios podem ser feitos numa questão de meses.

O KMOS tem braços robóticos que podem ser posicionados independentemente, no local certo para capturar a radiação emitida por 24 galáxias distantes em simultâneo. Cada braço coloca, por sua vez, uma grade de 14 por 14 pixels em cima do objeto e cada um destes 196 pontos coleta radiação de diferentes partes da galáxia. Essa radiação é separada nas suas componentes coloridas, dando assim origem a um espectro. Estes sinais tênues são depois gravados por detectores infravermelhos muito sensíveis. Este instrumento extraordinariamente complexo tem mais de mil superfícies ópticas, que tiveram que ser construídas com alta precisão e depois cuidadosamente alinhadas.  Lembro-me como, há oito anos, quando o projeto começou, me sentia cético devido à complexidade do KMOS. Mas hoje, estamos observando e o instrumento está tendo um desempenho maravilhoso", diz Jeff Pirard, o membro do ESO responsável pelo instrumento. "Mais ainda, foi um verdadeiro prazer trabalhar juntamente com a equipe KMOS. São pessoas muito profissionais e foi ótimo trabalharmos juntos".

O KMOS foi concebido e construído por um consórcio de institutos que trabalharam em parceria com o ESO: Centre for Advanced Instrumentation, Department of Physics, Durham University, em Durham, no Reino Unido, Universitätssternwarte München, na Alemanha, the Science and Technology Facilities Council's UK Astronomy Technology Centre, Royal Observatory, Edimburgo, no Reino Unido, Max-Planck-Institut für Extraterrestrische Physik, Garching, na Alemanha, Sub-Department of Astrophysics, University of Oxford, em Oxford, no Reino Unido. Estou muito empolgado com as oportunidades fantásticas que o KMOS nos dará no estudo de galáxias distantes. A possibilidade de observar 24 galáxias em simultâneo irá permitir a coleção de amostras de galáxias de um tamanho e qualidade sem precedentes. A colaboração entre todos os parceiros e o ESO não podia ter sido melhor e agradeço a todos os que contribuíram para a construção do KMOS", conclui Ralf Bender, da Universitätssternwarte München, na Alemanha.
Fonte: ESO /TERRA

FELIZ 12/12/12!

Imagem por Stefano De Rosa, Itália
Para aqueles que não têm muita confiança se o céu realmente existe, essa imagem pode ser reconfortante. No começo da manhã, a imagem acima foi feita mostrando a bela conjunção acima do horizonte leste de dois planetas visíveis a olho nu com a brilhante Lua Crescente. Perto da parte inferior do frame está Mercúrio, um pouco acima do colorido brilho crepuscular, enquanto o planeta Vênus brilha à esquerda do lado iluminado da Lua Crescente. A cena acima é completada com a silhueta da Basílica de São João Bosco, localizada em Castelnuovo Don Bosco, a 20 km da cidade de Turin, na Itália. Uma nota especial sobre a Lua. Não sei se todo mundo sabe, mas as sondas gêmeas da missão GRAIL estão finalizando sua missão de mapear a gravidade do nosso satélite e irão se chocar com a Lua no dia 17 de Dezembro de 2012. Nessa quinta feira, dia 13 de Dezembro de 2012, a NASA irá transmitir uma conferência de imprensa onde poderemos ter mais notícias e informações sobre esse impacto programado. Quem desejar obter mais informações pode fazer visitando esse endereço:
Fonte: http://lpod.wikispaces.com/December+12%2C+2012
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