Restrospectiva astrónomica de 2012

O ano de 2012 esteve recheado de grandes momentos e descobertas astronómicas. Aqui fica um resumo das mais importantes.

Mercúrio: um planeta de gelo e fogo
Podíamos facilmente assumir que o planeta mais próximo do nosso Sol seria o último local no Sistema Solar, além do Sol, capaz de albergar água à sua superfície. Embora não exista água líquida em Mercúrio, existe gelo. Novas observações pela sonda MESSENGER revelaram evidências de grandes bolsos de gelo em torno do pólo norte de Mercúrio. Os cientistas há muito que teorizavam a possibilidade de existir gelo polar em Mercúrio porque partes das crateras no pólos do planeta estão sempre à sombra, escondidas do calor intenso do Sol.
Crateras polares permanentemente à sombra.NASA/Laboratório de Física Aplicada da Universidade Johns Hopkins/Instituto Carnegie de Washington/Centro Nacional de Astronomia e Ionosfera, Observatório de Arecibo

Rover Curiosity
Naturalmente, esta lista não estaria completa sem, pelo menos, mencionar o rover Curiosity. O Curiosity é deveras surpreendente, mesmo até para um robô. É o maior rover que já aterrou noutro planeta, o que fez com a ajuda de um incrível sistema de guindaste aéreo com foguetes, diferente de tudo o já tentado até agora. Desde que completou a sua espectacular sequência de pouso, o Curiosity tem trabalhado arduamente, usando o seu arsenal de câmaras e equipamento laboratorial topo-de-gama para encontrar evidências de vida ou água no nosso vizinho enferrujado. Até agora, o rover localizou um antigo leito de rio, perfurou uma rocha marciana chamada Jake, e continua a estudar o solo a cada oportunidade que pode. Mesmo que o Curiosity não descubra evidências de vida passada em Marte, já deixou a sua marca na História.
Impressão de artista da aterragem do rover Curiosity em Marte. Crédito: NASA

Voyager 1, audaciosamente indo onde nenhum homem jamais esteve
No outro lado do Sistema Solar, a sonda Voyager 1 vais torna-se no primeiro objecto feito pelo Homem a entrar no espaço interestelar, quem sabe, daqui a uns quantos meses. Desde o início da sua viagem em 1977, a Voyager 1 já viajou mais de 17,9 mil milhões de quilómetros. Os cientistas acreditam que a sonda alcançou a região mais exterior do Sistema solar a que apelidam de "autoestrada magnética", onde as linhas do campo magnético do Sol correm paralelas àquelas do campo magnético interestelar.
Esta imagem mostra a Voyager 1 a explorar uma nova região no nosso Sistema Solar a que os cientistas chamam de "autoestrada magnética". Crédito: NASA/JPL-Caltech

Exoplanetas cada vez mais curiosos
A Terra é ainda um planeta único, pois é o único mundo conhecido com água líquida à sua superfície (e claro, também existe este pormenor da vida). Mas o Universo continua a surpreender-nos, com exoplanetas completamente diferentes do que pensávamos existir, exoplanetas solitários ou bastante bem acompanhados.
Impressão de artista de um planeta extrasolar.Crédito: ESO/L. Calçada


Observando os confins do espaço
Enquanto não pomos o pé (ou sonda espacial) fora do nosso Sistema Solar, vimos galáxias situadas a 13,2 mil milhões de anos-luz de distância. Graças ao Telescópio Hubble e a dados fotográficos extremos dos últimos 10 anos, fomos capazes de ver mais longe que nunca no Universo. Se os cientistas estão certos acerca do Universo ter 13,7 mil milhões de anos, podemos estar a apenas 500 milhões de anos-luz de ver as primeiras estrelas criadas após o Big Bang.
Os quadrados coloridos na imagem principal mostram os locais das galáxias recém-descobertas. Ampliações de cada galáxia está legendada com o desvio para o vermelho (z), que mede quanto a radiação ultravioleta e luz visível é esticada para comprimentos de onda infravermelhos devido à expansão do Universo. A galáxia observada com um desvio para o vermelho de 11,9 pode quebrar o recorde de galáxia mais distante, observada 380 milhões de anos após o Big Bang. Crédito: NASA/ESA/Caltech-R. Ellis/Equipa HUDF12

Um ser humano supersónico
O Curiosity não foi o único a tentar uma aterragem alucinante. Felix Baumgartner completou com sucesso a sua quedra-livre histórica 39.045 metros acima da Terra, usando apenas um fato espacial e um pára-quedas. O salto de pára-quedas quebrou três recordes, incluindo o mais alto voo de balão tripulado, a maior queda livre já tentada, e o primeiro humano a quebrar a barreira do som sem a ajuda de um sistema de propulsão. De acordo com a equipa da Red Bull Stratos, Felix atingiu uma velocidade de 1342,8 km/h, ou Mach 1,24.
Os primeiros instantes do salto de Felix Baumgartner.Crédito: Red Bull Stratos

Redefinição da Unidade Astronómica
A unidade fundamental de distância entre objectos do Sistema Solar foi alterada numa reunião da União Astronómica Internacional em Pequim, China. De acordo com os eleitores, a definição oficial da Unidade Astronómica é agora exactamente 149.597.870.700 metros. Durante os últimos 36 anos a definição formal para a Unidade Astronómica tinha sido baseada na distância média entre a Terra e o Sol, ou 149.597.870.691 metros. Que foi calculada de uma forma que depende da massa do Sol, que está a mudar à medida que irradia energia. Embora a recente decisão não altere o valor por muito, simplifica as coisas e deve melhorar a precisão das medições ao longo do tempo.
Impressão de artista dos vários objectos no Sistema Solar. Crédito: NASA
Descoberta do Bosão de Higgs
Em Julho, físicos do LHC (Large Hadron Collider) terminaram uma pesquisa de 5 décadas, quando anunciaram a descoberta do Bosão de Higgs. Esta partícula há muito procurada é responsável por dar a todos os outros elementos subatómicos, como os protões e os electrões, a sua massa, e era a peça que faltava ao Modelo Padrão, que descreve as interações de todas partículas conhecidas e forças. Embora os investigadores estivessem cautelosos, apenas anunciando os seus resultados de uma partícula "tipo-Higgs" até que mais dados e análises estivessem disponíveis, a descoberta foi largamente aceite como a mais importante da física fundamental em mais de meio século.
Um candidato a bosão de Higgs decaíndo para dois fotões, como capturado pela experiência CMS do CERN. O candidato a bosão de Higgs decai quase imediatamente. Cada fotão é representado por uma linha verde que irradia para fora a partir do centro do detector.Crédito: CERN, CMS

E a história está longe do fim. Os cientistas esperavam que ao avistar a partícula de Higgs, viesse com ela o primeiro olhar da física para lá do Modelo Padrão, que tem vários problemas e inconsistências que necessitam soluções. Mas a partícula até agora provou ser teimosamente normal, com pouco ou quase nenhum desvio do que estava previsto sobre o Modelo Padrão. O LHC vai sofrer reparações e actualizações durante os próximos 20 meses, regressando no final de 2014 para continuar a estudar o Universo subatómico em escalas de energia maiores e esperançosamente descobrindo fenómenos ainda mais interessantes.
Fonte: Astronomia On-Line

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