Asteroides, meteoros e miseráveis

Mais uma vez a atenção do mundo está voltada para o céu. A sensação é de déjà vu. Pelo menos ao que se refere à cobertura da mídia, referindo-se à mesma sensação de insegurança e às mesmas reflexões sobre a precariedade dos sistemas de defesa contra impactos espaciais já vivenciadas em 2009 quando do impacto de um meteorito na Indonésia. Em primeiro lugar o público leigo já se embaralha com a terminologia: asteroide, meteoroide, meteoro e meteorito é tudo a mesma coisa?
Mais do que simples denominações esses termos são, na verdade, conceitos científicos, cujo significado vem evoluindo como ocorre com toda a ciência. De acordo com os últimos boletins do IMO (International Meteor Organization) temos o seguinte:
 
São denominados asteroides os corpos menores do sistema solar, rochosos e metálicos, que não apresentam uma forma com equilíbrio hidrostático (aproximadamente esférica) e que não possuem uma órbita desimpedida. Seu diâmetro varia desde alguns milhares de quilômetros até às dimensões de pedregulhos. São denominados de meteoroides os asteroides que estão numa rota de colisão com a Terra. Quando este atinge a nossa atmosfera em alta velocidade, a fricção provoca sua incineração, ocasionando fenômenos luminosos e/ou explosões e/ou esteiras nebulosas. O fenômeno atmosférico assim descrito é denominado meteoro. Se um meteoroide não arde completamente, e o que resta de seu corpo atinge a superfície da Terra é então chamado de meteorito.
 
De todos os meteoritos examinados, 92,8 % são compostos de silicato (rochosos), e 5,7 % são compostos por ferro e níquel (metálicos); o restante é uma mistura dos três materiais. Meteoritos rochosos são os mais difíceis de identificar devido à grande semelhança na composição com as rochas terrestres. Os efeitos atmosféricos da passagem de um meteoroide dependem notadamente de sua velocidade (ângulo e módulo), sua massa, composição, tamanho e forma. Geralmente sua entrada ocorre em elevadas velocidades (na maioria das vezes supersônicas) e pelo atrito com ar, ocorrem frenagens abruptas que podem provocar as famosas ondas de choque (estrondo sônico). Se o meteoroide for pequeno ele é consumido muito antes de atingir as camadas mais baixas da atmosfera (não promovendo estrondo sônico), marcando sua passagem apenas pela emissão de luz, caracterizando o famoso efeito “estrela cadente”.
 
Se, no entanto, sua massa for suficiente grande para sobreviver ao atrito com a atmosfera, ele pode inclusive se esfacelar e também promover estrondo sônico. Foi exatamente o que ocorreu na Rússia no último dia 15. Segundo as autoridades locais, o meteoroide que penetrou na atmosfera da região oeste da Sibéria próximo a Tcheliabinsk tinha cerca de 12 metros em seu maior diâmetro e pesava cerca de dez toneladas a uma velocidade supersônica de 54 mil quilômetros por hora. Os cientistas acreditam que foi entre 30 e 50 quilômetros da superfície que ele se esfacelou em várias partes, sendo que as maiores atingiram o solo. O estrondo sônico originado foi responsável pelo estilhaçamento de vidraças de casas, escolas, hospitais, etc. E foi exatamente esses estilhaços de vidro que provocaram os ferimentos em mais de mil pessoas além dos próprios prejuízos materiais.

Sabe-se que a energia da onda de choque é proporcional à energia mecânica relacionada ao movimento do corpo em queda. Quanto maior a massa do meteoroide e maior for sua velocidade, maior será sua quantidade de movimento e, consequentemente, maior será a energia mecânica envolvida. Ao impactar-se contra o solo, pode ainda promover incêndios, dependendo do estado do material combustível em sua composição e também da natureza dos materiais com os quais colidiu. Tomando como referência essa queda, temos que 12 metros de diâmetro é considerado, em termos astronômicos, um grão de areia. Porém, para as dimensões humanas esse grão de areia pôde ferir seriamente milhares de pessoas.
 
 Acho que é nesse ponto que nossa paranoia começa a ganhar suas raízes. Quando identificamos a fragilidade e a pequenez humana frente a gigantesca escala cósmica. Posso dizer que, felizmente, a queda desse meteorito foi considerada uma coincidência ao fenômeno da passagem do Asteroide 2012 – DA14 pelo nosso quintal. Sabemos que o impacto de um corpo desses com a Terra teria efeitos apocalípticos e nossos teóricos da conspiração dariam o seu sorriso de “eu não disse” antes de assistir a derrocada humana seja pelo fogo que caiu do céu, seja pela noite secular que o material particulado lançado na atmosfera iria promover. Em qualquer das hipóteses, ou em ambas, cheque-mate no tabuleiro cósmico. Porém, não querendo ser desmancha-prazer – posso listar dezenas de formas menos espetaculares de ameaças à vida humana. Começando pela mais óbvia: – a miséria.
 
Um subproduto da maior invenção humana: – a injustiça social. Morrem mais pessoas no mundo pela falta de água, pela fome e pela diarreia do que pela soma dos efeitos das três grandes guerras. Porém os miseráveis só ganham a mídia na obra de Vitor Hugo (ou em peças da Broadway e filmes nela inspirados) ou quando se tornam violentos e passam então a ocupar as páginas policiais. Ou não? Estatisticamente a chance de morrermos pelo brilho espetacular de um meteoro é ínfima. É muito maior a possibilidade de morrermos esfaqueados ou atingidos por um bala perdida. Em tempo:Ninguém se perguntou de que forma os russos conseguiram tantos videos sensacionais de “seu meteoro”. A violência urbana lá é grande, que praticamente todos os motoristas russos costumam instalar câmaras de para-brisa em seus veículos. Só por segurança. Simples assim!
Fonte: Mustafá Ali Kanso - hypescience.com

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