Cientistas descobrem que lua e asteróides partilham historia

Cientistas descobriram agora que o estudo de meteoritos oriundos do asteróide gigante, Vesta, ajuda a melhor compreender o evento conhecido como "Último Grande Bombardeamento"ou "Cataclismo Lunar", quando um reposicionamento dos gigantes gasosos destabilizou uma parte da cintura de asteróides e desencadeou um bombardeamento a nível de todo o Sistema Solar. Anteriormente, os investigadores dispunham de apenas amostras lunares para o seu trabalho. Agora usam também classes de meteoritos conhecidos como howarditos e eucritos,, que estão relacionados com Vesta, para estudar o cataclismo lunar, providenciando-lhes com três vezes mais amostras para analisar. O mosaico do lado oculto da Lua tem por base dados da sonda LRO (Lunar Reconnaissance Orbiter) da NASA. À direita está uma imagem do asteróide gigante Vesta obtida pela sonda Dawn. As inserções no centro mostram finas secções da amostra lunar 10069-13 e do eucrito NWA1978.
Crédito: NASA/GSFC/ASU/JPL-Caltech/UCLA/MPS/DLR/IDA
 
 

De acordo com uma equipe de investigadores do Instituto NLSI (Lunar Science Institute) da NASA, o asteróide Vesta, e talvez outros grandes asteróides, têm mais em comum com a Lua da Terra do que se pensava. Tanto Vesta como a Lua parecem ter sido bombardeados pela mesma população de projécteis velozes há quatro mil milhões de anos atrás. Apesar do facto de que a Lua está localizada longe do asteróide Vesta, na cintura principal de asteróides entre as órbitas de Marte e Júpiter, parecem partilhar um pouco da mesma história de bombardeio. As idades radiométricas das rochas lunares recolhidas pelos astronautas das missões Apollo têm sido desde há muito utilizadas para estudar a história do bombardeamento da Lua. Da mesma forma, as idades derivadas de amostras de meteoritos têm sido usadas para estudar a história de colisão de asteróides na cintura principal.
 
Em particular, os meteoritos howarditos e eucritos (espécies comuns na colecções de meteoritos) têm sido usados para estudar o asteróide Vesta, o seu corpo principal. Agora, pela primeira vez, uma equipa internacional de cientistas ligou estes dois conjuntos de dados, e descobriu que a população de projécteis responsáveis pela formação de crateras e bacias na Lua também impactaram com Vesta a velocidades muito altas, o suficiente para deixar para trás uma série de idades reveladoras dos impactos. Esta pesquisa foi possível graças a um trabalho multidisciplinar, incluindo geoquímica, dinâmica, simulações de eventos de impacto e observações de sondas espaciais. Os resultados foram publicados na edição de Março da revista Nature Geoscience. "É sempre intrigante quando a pesquisa interdisciplinar muda a nossa forma de entender a história do Sistema Solar," afirma Yvonne Pendleton, directora do NLSI.
 
Com a ajuda de simulações em computador, os cientistas determinaram que os meteoritos de Vesta registaram impactos de projécteis invulgarmente velozes, desde há muito desaparecidos. Eles deduziram que este período de bombardeamento esteve relacionado com um momento da história do Sistema Solar, há quatro mil milhões de anos atrás, em que os gigantes gasosos, como Júpiter e Saturno, migraram das suas órbitas originais para a sua localização actual. As conclusões da equipa suportam a teoria de que este reposicionamento dos planetas gigantes gasosos destabilizaram partes da cintura de asteróides e desencadearam um bombardeamento de asteróides a nível de todo o Sistema Solar. Este evento, chamado "Cataclismo Lunar" ou "Último Grande Bombardeamento", puxou muitos asteróides para órbitas que os fez colidir com a Terra e com a Lua.
 
A pesquisa fornece novas restrições sobre o início e duração do cataclismo lunar, e demonstra que o cataclismo foi um evento que afectou não apenas os planetas do Sistema Solar interior, mas também a cintura de asteróides. A interpretação dos howarditos e eucritos pela equipa foi melhorada por observações recentes da superfície de Vesta pela sonda Dawn da NASA. Além disso, a equipa usou os modelos dinâmicos mais recentes da evolução da cintura principal para descobrir a fonte provável destes projécteis de alta velocidade. A equipa determinou que a população de projécteis que atingiu Vesta também tinha órbitas que atingiram a Lua a altas velocidades.
 
"Parece que os meteoritos asteroidais mostram sinais de que a cintura principal perdeu muita massa há quatro mil milhões de anos atrás, em que a massa escapou colidindo com os asteróides sobreviventes da cintura principal e a Lua a altas velocidades, afirma Simone Marchi, a autora principal do artigo, do Instituto de Pesquisa do Sudoeste em Boulder, no estado americano do Colorado e do Instituto Planetário e Luna em Houston, Texas. "A nossa pesquisa não só apoia a teoria corrente, como a leva para o próximo nível de conhecimento." Esta pesquisa revela uma ligação inesperada entre Vesta e a Lua, fornecendo novos meios para o estudo da história do bombardeio inicial dos planetas terrestres.
Fonte: Astronomia Online
 

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