30 de abr de 2013

7 Perguntas que tiram o sono dos físicos


Em um auditório lotado no Perimeter Institute, em Waterloo, Canadá, um grupo de físicos foi convidado a responder a uma única pergunta: o que os mantém acordado de noite? A discussão fazia parte do Quantum to Cosmos, um grande e sofisticado festival de física com duração de 10 dias. Enquanto a maioria afirmou dormir profundamente, emergiram sete chaves para grandes enigmas que surgiram durante a sessão:
 
1. Por que este universo?
Em sua busca pelas leis fundamentais da natureza, os físicos têm trabalhado essencialmente sob um paradigma de longa data: demonstrar por que o universo deve ser como o vemos. Mas se outras leis podem ser cogitadas, por que não pode existir um universo em algum outro lugar? “Talvez nós não encontremos outra alternativa que não seja o universo que nós conhecemos”, disse Sean Carroll de Caltech. “Mas eu suspeito que isto não esteja certo”. Carroll acha fácil imaginar que a natureza permite tipos diferentes de universos com leis diferentes. “Logo, em nosso universo, a pergunta transforma-se em: por que estas leis e não algumas outras leis?”.
 
2. De que tudo é feito?
Já é bem claro que a matéria comum – átomos, estrelas e galáxias compõe 4% da energia total do universo. Os outros 96% é que mantêm a física Katherine Freese, da Universidade de Michigan, ocupada. Ela está entusiasmada com uma parte do problema, a natureza de matéria escura e é possível que esteja próxima da solução. Com base em dados de sua nova experiência com o satélite Fermi, da Nasa, ela conseguiu descobrir que as partículas de matéria escura em nossa própria galáxia estão se destruindo em uma taxa mensurável, o que por sua vez poderia revelar suas propriedades. Mas a descoberta da energia escura, que parece acelerar a expansão do universo, criou um novo quebra-cabeça cheio de enigmas e sem nenhuma resposta à vista. Isto inclui a natureza da própria energia escura e a pergunta de por que há um valor tão extraordinariamente pequeno permitindo a formação de galáxias, de estrelas e do surgimento da vida.
 
3. Como a complexidade acontece? 
 
Do comportamento imprevisível do mercado financeiro à ascensão da vida a partir da matéria inerte, Leo Kadanoff, físico e matemático aplicado da Universidade de Chicago, procura as perguntas mais atraentes sobre a ascensão de sistemas complexos. Ele se preocupa devido a uma parte dos físicos e matemáticos se focalizarem apenas no muito pequeno e no muito grande. “Nós não sabemos como um vidro de janela comum trabalha e toma um formato”, afirma. “A investigação de coisas familiares é importante apenas para chegarmos a um entendimento”, defende. “A vida em si só será verdadeiramente entendida por decodificação de como os componentes simples com interações simples podem conduzir aos fenômenos complexos”, explica.
 
4. A teoria das super-cordas será provada como correta?
O físico de Cambridge David Tong é apaixonado pela beleza matemática da Teoria das Super-Cordas – ideia de que as partículas fundamentais que observamos não são pontos e sim cordas minúsculas. Ele admite que uma vez teve uma crise filosófica quando concluiu que pode viver sua vida inteira sem saber se a Teoria das Cordas constitui realmente uma descrição de toda a realidade. Tong se conforta em saber que os métodos da Teoria das Cordas podem atuar como suporte para pesquisas de problemas menos fundamentais, tais como o comportamento dos quarks e de metais exóticos. “É uma teoria útil; então, estou tentando me concentrar nela”, diz.
 
5. O que é a singularidade? 
 
Para o cosmólogo e diretor do Perimeter Institute, Neil Turok, o maior mistério é como tudo começou, a grande explosão, mais conhecida como o big bang. A teoria convencional aponta novamente um estado infinito, quente e denso no início do universo, onde as leis da física conhecidas se dividem. “Nós não sabemos descrevê-la”, disse Turok. “Como pode qualquer um alegar que tem uma teoria sem isso?”. Ele está esperançoso de que há uma relação entre a Teoria das Super-Cordas e um desenvolvimento conhecido como “o princípio holográfico”, que mostra que uma singularidade em três dimensões pode ser traduzida em uma entidade matematicamente mais manejável em duas dimensões (a qual pode implicar em que a terceira dimensão e a própria gravidade são ilusórias). “Estas ferramentas estão nos dando novas formas de pensar sobre o problema, que são profundamente satisfatórias em um sentido matemático”, diz.
 
6. O que é a realidade realmente?
O mundo material pode, em algum nível, estar além da compreensão, mas Anton Zeilinger, professor de física da Universidade de Viena, está profundamente esperançoso de que os físicos simplesmente têm passado raspando pela superfície de alguma coisa muito grande. Zeilinger especializa-se nas experiências com o quantum, que demonstram a influência aparente dos observadores na formação da realidade. “Talvez a descoberta real virá quando nós começarmos a realizar as conexões entre a realidade, o conhecimento e as nossas ações,” diz. É um conceito bem estabelecido na prática. Zeilinger e outros pesquisadores têm mostrado que as partículas que são amplamente separadas podem de algum modo ter estados quânticos vinculados, de modo que, ao observar o estado de um, o efeito no outro também seja afetado. Ninguém conseguiu descobrir ainda como o universo parece saber quando está sendo observado.
 
7. Como que a física pode nos levar tão longe?
Talvez a maior pergunta é se o processo de investigação que revelou tanto sobre o universo desde a época de Galileu e de Kleper está próximo do fim da linha. “Eu me preocupo se nós chegamos aos limites da ciência empírica”, disse Lawrence Krauss, da Universidade Estadual do Arizona. Especificamente, Krauss quer saber se exigirá o conhecimento de outros universos, tais como aqueles levantados por Carroll, para compreender porque nosso universo é da maneira que é. Se tal conhecimento for impossível de alcançar, isso pode significar o fim do aprofundamento do nosso entendimento de qualquer coisa que esteja além disso.
Fonte: Hypescience.com

Quantas galáxias há no universo?

Crédito da imagem: 2P2 Team, WFI, MPG / ESO de 2.2 m Telescope, La Silla, ESO. 

Nosso universo começou pequeno para a ciência: nós só podíamos ver as estrelas próximas, e uma ou outra supernova. Mais adiante, conseguimos ver nebulosas, e descobrimos as galáxias. Mas a visão direta das galáxias no universo estava bloqueada para nós: a poeira da nossa galáxia nos atrapalhava. Mesmo as estrelas próximas impediam uma visão desobstruída. Finalmente, os telescópios-satélites abriram uma janela para enxergarmos locais distantes. Só que o céu parecia ter regiões escuras, sem absolutamente nada. Uma destas regiões foi examinada atentamente pelo Hubble durante 11 dias. Onde não parecia haver absolutamente nada, cerca de 10.000 galáxias foram registradas no Hubble Deep Field (HDF), uma imagem fantástica do nosso universo.

E existem mais galáxias escondidas no HDF, galáxias que estão tão longe que sua luz está tão desviada para o vermelho (redshift) que o Hubble não é capaz de percebê-las. Se a região do HDF corresponde a 1/24.000.000 do céu, e se existe a mesma quantidade de galáxias em todas as direções que se possa apontar o telescópio, isto significa que há, no universo, pelo menos 100 bilhões de galáxias. Recentemente os astrônomos combinaram anos de observação de uma única região, um pedacinho do HDF, e criaram o Hubble Extra Deep Field (XDF), que tem cerca de 75% mais galáxias que o HDF. Refazendo as contas, a estimativa obtida multiplicando o número de galáxias naquele trecho (5.500) pelo número de vezes que é preciso repeti-lo para cobrir o céu (32 milhões), chegamos ao número aceito cientificamente como a provável quantidade de galáxias que existem no universo visível: no mínimo 175 bilhões de galáxias.
Fonte: http://scienceblogs.com

Galeria de Imagens:Telescópio Herschel encerra atividades

No começo de maio, o telescópio será retirado do serviço ativo e ficará 'estacionado' em uma órbita heliocêntrica (em torno do Sol)
 
Lançado em maio de 2009 para estudar a formação das estrelas, o telescópio espacial Herschel encerrou definitivamente suas atividades. Nesta projeção divulgada pela Agência Espacial Europeia, o telescópio tem como pano de fundo o berçário estelar W40, localizado a 1 mil anos-luz, na constelação de Aquila.Foto: ESA / Divulgação

Controvérsia: Físico Argumenta Tempo é Real

Contrariando a visão a respeito do tempo mais aceita entre cientistas, o físico teórico Lee Smolin defende que ele não é uma “ilusão”, mas sim algo “real”. Em seu livro recém-lançado, “Time Reborn” (“Tempo Renascido”, em português), Smolin explica como o tempo seria necessário para a existência das leis do universo, e portanto mais do que apenas uma ilusão. O tempo é supremo, e a experiência que todos nós temos de que a realidade é o momento presente não é ilusão, mas a mais profunda pista que temos sobre a natureza fundamental da realidade”, explica. De início, como a maioria de seus colegas físicos, Smolin pensava no tempo como algo subjetivo – de acordo com a Teoria da Relatividade de Einstein, ele é apenas mais uma dimensão, e a percepção de que está “passando” está em nossa mente.
 
Aos poucos, contudo, Smolin sentiu como se, diante das leis do universo, essa ideia de “ilusão” não fosse suficiente. “Se leis estão fora do tempo, elas são inexplicáveis. Se uma lei apenas ‘é’, não há explicação (…) Elas precisam evoluir, mudar, devem estar sujeitas ao tempo”, reflete o físico. “As leis, então, vêm do tempo e estão sujeitas a ele, e não o contrário”. Apesar de defender essa tese com firmeza, o próprio autor reconhece que há objeções, especialmente o que ele chama de “dilema da meta-lei”: se as leis do universo mudam e evoluem, é preciso que algo direcione essas mudanças, algo maior; mas, nesse caso, esse “algo” deveria ser maior que o tempo e, portanto, estar “fora” dele. Admitindo que o problema existe, Smolin não deixa de acreditar que encontraremos uma resposta para ele. “Creio que a direção da cosmologia do século 21 vai depender da maneira correta de resolvermos o ‘dilema da meta-lei’”, diz.

A ciência por trás dos universos paralelos


 
De alguma forma, às vezes a ideia de que existem universos paralelos parecidos com o nosso, porém onde certos eventos não ocorreram (como o ataque nuclear a Hiroshima ou o lançamento dos filmes 1, 2 e 3 de Star Wars), soa reconfortante. Mas o que a ciência tem a dizer sobre isso?  Para ilustrar a questão, a equipe do canal do YouTube MinutePhysics criou um vídeo em que combinam narração e desenhos. “Se o universo é ‘tudo o que há’, você não pode ter duas versões dele, certo? Do contrário, o par seria ‘tudo o que há’, ao invés do que você começou chamando de ‘universo’”, explicam os autores.

O grande problema, nesse caso, seria a terminologia. Físicos informalmente dizem “universo” quando na verdade querem dizer “universo observável”, ou seja, a parte do universo que conseguimos ver até agora. Nesse caso, não haveria problema em falar que há outros universos observáveis, tão distantes que a luz que vem deles ainda não chegou até nós, mesmo em bilhões de anos de existência. Quando se fala em “universos paralelos”, dizem os autores, seria mais preciso usar o termo “multiversos”, que normalmente se refere a três modelos bastante distintos uns dos outros (nenhum confirmado ou testado experimentalmente):
 

Universos bolhas

 
“A ideia é que há outras partes do universo muito distantes, ou dentro de buracos negros, que nós provavelmente jamais veremos”, resumem. “Esse modelo foi criado para explicar por que nosso universo é tão bom em formar estrelas, galáxias, buracos negros e vida”. Cada um desses universos poderia ter leis da Física levemente diferentes, mas apenas alguns (ou, quem sabe, apenas o nosso) teria a Física necessária para permitir a existência de vida (ou de planetas, ou de qualquer outra coisa) como conhecemos.
 

Membranas e dimensões extras

 
De acordo com esse modelo,o nosso universo é “apenas” um espaço com três dimensões contido em um conjunto maior, que tem nove dimensões espaciais. “Se o espaço tiver nove dimensões, há lugar suficiente para vários universos de três dimensões que seriam aparentemente como o nosso, mas, como as páginas de um jornal, seriam apenas parte de um conjunto”. Essas “superfícies” são chamadas de “membranas”.
 

Múltiplos mundos da mecânica quântica

 
Baseado em princípios como o da incerteza quântica, o modelo sugere que todos os possíveis desdobramentos de qualquer evento ocorrem, mas nós vivemos em uma sequência específica deles. Em outro universo, por exemplo, você teria ganho um Prêmio Nobel – porém não ganhou no universo em que estamos devido a uma longa e complexa cadeia de eventos.
 

Observação difícil (mas não impossível)

 
Estudos do espaço e da mecânica quântica podem ajudar a avaliar melhor esses três modelos, uma tarefa árdua, mas que faz parte do “trabalho” da ciência. “Como sempre”, finalizam os autores do vídeo, “devemos nos lembrar de que Física é ciência, não filosofia, e que em nossas tentativas de explicar o universo que observamos, temos que fazer afirmações que, a princípio, podem ser testadas e, então, testá-las”.
Fonte: Hypescience.com

Missão Herschel chega ao fim

O observatório espacial Herschel da ESA esgotou a sua reserva de hélio líquido para refrigeração, pondo fim a mais de três anos de observações pioneiras do Universo frio.
O observatório espacial Herschel contra uma imagem de fundo da região de formação estelar Vela C. A imagem mostra formação estelar de baixa e alta massa em vários estágios evolucionários, desde filamentos frios, núcleos pré-estelares e protoestrelas até regiões mais evoluídas que contêm poeira e que foram aquecidas gentilmente por estrelas quentes.Crédito: ESA/PACS e Consórcio SPIRE, T. Hill, F. Motte, Laboratório AIM Paris-Saclay, CEA/IRFU - CNRS/INSU - Univ. de Paris Diderot, Consório do Programa HOBYS
 
O evento não foi inesperado: a missão começou com mais de 2300 litros de hélio líquido, que foi evaporando lentamente desde a véspera do lançamento do Herschel a 14 de Maio de 2009. O hélio líquido era essencial para arrefecer os instrumentos do observatório até perto do zero absoluto, permitindo com que o Herschel fizesse observações altamente sensíveis do Universo. A confirmação de que a reserva de hélio finalmente esgotou-se chegou ontem à tarde, no início da sessão de comunicação diária do observatório com a sua estação terrestre no Oeste da Austrália, no qual foi medido um claro aumento nas temperaturas em todos os instrumentos do Herschel. "O Herschel superou todas as expectativas, proporcionando-nos um tesouro incrível de dados que vai manter os astrónomos ocupados por muitos anos," afirma o Prof. Alvaro Giménez Cañete, Director de Exploração Científica e Robótica da ESA. O Herschel fez mais de 35.000 observações científicas, totalizando mais de 25.000 horas de dados científicos de cerca de 600 programas de observação. Mais 2000 horas de observações de calibração também contribuem para o rico conjunto de dados, que tem sede no Centro de Astronomia Espacial da ESA, perto de Madrid, na Espanha.

O arquivo será o legado da missão. Espera-se que proporcione ainda mais descobertas do que as que já foram feitas durante a vida da missão Herschel. O tesouro científico do Herschel deve muito ao excelente trabalho feito pela indústria europeia, instituições e universidades no desenvolvimento, construção e operação do observatório e dos seus instrumentos," afirma Thomas Passvogel, gestor do programa Herschel da ESA. "O Herschel ofereceu-nos uma nova visão do Universo escondido até então, apontando para um processo nunca antes visto de nascimento estelar a formação galáctica, e permitindo-nos traçar a água através do Universo desde nuvens moleculares até estrelas recém-nascidas, passando pelos seus discos de formação planetária e cinturas de cometas," afirma Göran Pilbratt, cientista do projecto Herschel da ESA. As impressionantes imagens do Herschel, de complexas redes de poeira e filamentos de gás dentro da nossa Via Láctea, fornecem uma história ilustrada de formação estelar. Estas observações únicas do infravermelho distante deram aos astrónomos uma nova visão sobre como a turbulência agita o meio interestelar, dando origem a uma estrutura filamentar e tipo-teia de aranha dentro de nuvens moleculares frias. Se as condições são adequadas, a gravidade assume o comando e fragmenta os filamentos em núcleos compactos.

Embebidas profundamente dentro destes núcleos estão protoestrelas, as sementes de novas estrelas que aquecem gentilmente a poeira em redor até alguns graus acima do zero absoluto, revelando as suas posições aos olhos sensíveis ao calor do Herschel. Durante os primeiros milhões de anos de vida das estrelas recém-nascidas, a formação de planetas pode ser seguida nos densos discos de gás e poeira que giram à sua volta. Em particular, o Herschel tem seguido o rastro da água, uma molécula crucial para a vida como a conhecemos, desde nuvens de formação estelar até estrelas e até discos de formação planetária. O Herschel detectou vapor de água equivalente a milhares de oceanos da Terra nestes discos, com quantidades ainda maiores de gelo preso à superfície de grãos de poeira e em cometas. Mais perto de casa, o Herschel também estudou a composição do Cometa Hartley-2, rico em água gelada, descobrindo que tem quase os mesmos rácios isotópicos que a água nos nossos oceanos. Estes resultados alimentam o debate de quanto da água da Terra foi entregue via cometas impactantes. Combinados com as observações de enormes cinturas cometárias em torno de outras estrelas, os astrónomos esperam compreender se um mecanismo similar pode também estar em jogo noutros sistemas planetários.
 
O Herschel também tem contribuído para o nosso conhecimento da formação de estrelas em grande escala, abrangendo grande parte do espaço cósmico e do tempo. Ao estudar a formação estelar em galáxias distantes, identificou muitas que estão formando estrelas a taxas extraordinárias, mesmo no início da vida de 13,8 mil milhões do Universo. Estas galáxias com intensa formação estelar produzem entre centenas a milhares de estrelas por ano. Em comparação, a nossa própria Via Láctea produz, em média, o equivalente a apenas uma estrela tipo-Sol por ano. Como as galáxias podem suportar formação de estrelas nestas escalas tão massivas durante os primeiros milhares de milhões de anos da existência do Universo coloca um problema crucial para os cientistas que estudam a formação e evolução galáctica. As observações do Herschel sugerem que quando o Universo era jovem, as galáxias tinham muito mais gás com que se alimentar, possibilitando as altas taxas de formação de estrelas, mesmo na ausência de colisões entre  galáxias normalmente necessárias para desencadear estes ataques espectaculares de formação estelar.
 
"Embora este seja o fim das observações do Herschel, certamente não é o final da missão - existem muitas mais descobertas por vir," afirma o Dr. Pilbratt. "Vamos agora passar os próximos anos tornando os nossos dados acessíveis na forma dos melhores mapas possíveis, espectros e vários catálogos para suportar o trabalho presente e futuro dos astrónomos. No entanto, estamos tristes por ver o final desta fase: obrigado, Herschel! O Herschel continuará a comunicar com as estações terrestres durante algum tempo agora que o hélio esgotou-se, durante o qual serão feitos vários testes técnicos. Finalmente, em Maio dirigir-se-á para uma órbita estável de longo-termo em órbita do Sol.
Fonte: Astronomia On-Line

Nasa divulga imagens de furacão gigantesco que atinge Saturno

Furacão em Saturno é 20 vezes maior e mais poderoso que fenômeno similar na Terra
 
Novas imagens divulgadas por uma nave espacial da Nasa (agência espacial americana) na órbita de Saturno revelam detalhes de um enorme furacão atingindo o polo norte do planeta. As fotos da sonda Cassini mostram o olho do furacão, com cerca de 2 mil quilômetros de largura - aproximadamente 20 vezes maior que um fenômeno típico na Terra. O turbilhão no planeta dos célebres anéis também é mais forte que na Terra, com ventos em sua borda exterior chegando aos 530 quilômetros por hora. "Checamos duas vezes quando vimos o vórtice porque se parece muito com um furacão na Terra", afirmou em um comunicado o cientista Andrew Ingersoll, do Instituto de Tecnologia da Califórnia (Caltech), nos Estados Unidos. "Mas ali está, em Saturno, em uma escala muito maior, e de alguma forma está permanecendo ativo mesmo com a pequena quantidade de vapor de água na atmosfera."
 
Nuvens finas e brilhantes viajam a 150 metros por segundo no limite externo do furacão, que se move dentro de um vórtice imenso e misterioso em formato de hexágono. Cientistas vão estudar o furacão para obter mais conhecimento sobre esse tipo de fenômeno na Terra, onde se alimenta da água quente dos oceanos. Apesar de não haver extensão de água nas proximidades dessas nuvens no topo da atmosfera de Saturno, aprender como o vapor de água é utilizado na formação de tempestades naquele planeta pode ajudar a entender melhor a geração e permanência de furacões terrestres. Tanto o furacão na Terra quanto o vórtice saturniano possuem um olho central sem nuvens - ou com muito poucas delas. Outras características similares incluem a formação de nuvens altas e a rotação em sentido antihorário.
Fonte:Terra

A 15 bilhões de anos - a Origem do Universo

A teoria mais aceita sobre a origem do Universo é a do Big Bang. Há 15 bilhões de anos o Universo concentrava-se todo em um único ponto, com altíssima temperatura e densidade energética. Esse ponto explode – o instante zero – e começa a expansão do Universo, observada até hoje. As primeiras partículas, os fótons, são associadas à radiação eletromagnética. Prótons, elétrons e nêutrons formam-se nos três primeiros minutos dessa expansão, ainda vinculados à radiação.

Origem da matéria– Ao se expandir, o Universo também se resfria. Quando atinge 4 mil graus Celsius, cerca de 300 mil anos após o instante zero, elétrons e prótons começam a interagir e formam os primeiros átomos de hidrogênio. Esses elementos químicos dão origem às galáxias e às estrelas, respectivamente 2 bilhões de anos e 4 bilhões de anos após o Big Bang.

Radiação de fundo – Com a separação entre matéria e radiação, os fótons têm mais espaço para se propagar, formando a chamada radiação de fundo, presente em todo o Universo até hoje. Detectada pelos astrônomos Arno Penzias e Robert Wilson, em 1965, constitui uma das indicações da validade da teoria do Big Bang.


EVOLUÇÃO DO UNIVERSO
De acordo com a teoria da Relatividade, a evolução do Universo depende da densidade da matéria nele existente. Se essa densidade for superior a um valor crítico, pode deixar de se expandir e até se contrair devido à atração gravitacional mútua de seus constituintes. Se a densidade for inferior a um ponto crítico, o Universo continuará sempre em expansão.

Matéria escura– No início de 1993, o satélite europeu Rosat constata a existência de 25 vezes mais matéria invisível que matéria visível na composição do Universo. A descoberta reforça a idéia de que o Universo não deverá se expandir para sempre devido à atração gravitacional decorrente de sua própria massa, mas ainda não há conclusões sobre o futuro do Universo.
Fonte:Super

Pesquisadores descobriram que a estrela G 35 vive condensada dentro de um casulo de poeira e gás

  • Pesquisadores da Universidade da Flórida, nos Estados Unidos, capturaram imagens mais detalhadas em infravermelho médio de uma estrela massiva e descobriram que ela vive condensada dentro de um casulo de poeira e gás. Até então os cientistas pensavam que a formação de grandes estrelas era bastante complicada devido ao ambiente turbulento e caótico do centro de aglomerados estelares. Mas ao medir a G 35, uma estrela a 8.000 anos-luz de distância com 20 vezes a massa do Sol , a equipe viu que o processo era simples e causado por colapsos de nuvens interestelares. As observações foram feitas em 2011 com uma câmera especial a bordo do SOFIA, um Boeing 747 modificado pela Nasa (Agência Espacial Norte-Americana) e que tem um telescópio de 2,5 metros de diâmetro para alcançar altitudes de até 13,7 mil metros.
    Fonte:UOL
  • 29 de abr de 2013

    A história do Universo


    Uma breve história do universo.
    A espécie humana existe há apenas uma fração minúscula da história do universo. ( Se este quadro estivesse em escala e a existência dos seres humanos se estendesse por sete centímetros, toda a história do universo teria mais de um quilômetro.)

    Abaixo, uma breve teoria do big-bang:
    1:o cosmos vai através de super-rápida "inflação" a partir de do tamanho de um átomo para uma laranja, se expandindo, em uma minúscula fração de segudo.
    2: Na pós inflação, o universo é uma fervilhante e quente sopa de eletrons, quarks e outras partículas.
    3:Um rápido resfriamento do cosmos permite aos quarks se amontoarem em prótons e neutrôns.
    4: Ainda muito quente, se formam os átomos. Elétrons carregados e prótons previnem a luz de brilhar: O universo é um super nevoeiro quente.
    5: Elétrons se combinam com prótons e neutrons para formar átomos, principalmente e hidrogênio e hélio. A luz finalmente pode brilhar.
    6: A gravidade faz gases de hidrogênio e hélio se amalgamarem para formar nuvens gigantes que se tornarão galáxias.Grupos menores de gases formam as primeiras estrelas.
    7: Como as galáxias se aglomeram junto graças a gravidade, as primeiras estrelas morrem e espalham pesados elementos no espaço: estes eventualmente se tornam novas estrelas e planetas.
    Fonte: http://cinciaeinvestigacao.blogspot.com

    Estrela anã branca gira a cada 13,2 segundos e está condenada à ‘morte’

    A estrela anã branca denominada RX J0648.0-4418 está destinada a girar até a ‘morte’.
    De acordo com os cientistas que rastreiam as atividades dessa estrela, o corpo celeste leva apenas 13,2 segundos para girar uma única vez em torno de seu eixo. Essa é considerada a rotação mais rápida já observada em uma estrela desse tipo. Todas as estrelas com até 10 Msol (esta é uma unidade de medida de massa do Sol usada na Astronomia, que também pode representar a massa de galáxias e corpos de grandes dimensões), irão terminar como anãs brancas. Isso acontece, porque todo o hidrogênio que essas estrelas possuem é queimado em hélio. Porém, antes de se tornarem anãs brancas, elas passam por vários estágios incluindo a fase de gigante vermelha e nebulosa planetária.
     
    Uma típica anã branca tem aproximadamente 0,6 massas solares, e geralmente possui tamanho maior que a Terra. A velocidade em que essa anã branca gira é tão surpreendentemente rápida, que se a Terra conseguisse de alguma forma girar na mesma velocidade, as pessoas e animais seriam instantaneamente arremessados no espaço, bem como os oceanos, as montanhas e a crosta. Isso aconteceria porque com tamanha velocidade, a Terra não conseguiria manter a sua gravidade. Já na estrela, devido a sua alta densidade, a gravidade acaba permanecendo coesa. O que os cientistas querem descobrir agora, é porque essa anã branca gira tão rápido.
     
    A hipótese até agora mais aceita, é de que a gigante vermelha HD 49798 que está próxima a anã branca, poderia estar influenciando na sua rotação. Além disso, a HD 49798 já se encontra no final de sua vida, o que significa que em breve ela irá expelir suas camadas externas, e a anã branca, por estar muito próxima, acabará capturando essa matéria, ultrapassando o limite de massa que ela mesma suporta, isto é, a anã branca logo chegará ao fim.Embora seja esse o motivo previsto para a morte da estrela, os cientistas não conseguem determinar ainda qual é a sua composição, o que ajudaria a entender exatamente como a anã branca irá morrer. O que se pode fazer, até então, é especular, e segundo os cientistas, se a anã branca for composta de oxigênio e carbono, haveria uma reação explosiva termonuclear, gerando assim, uma supernova.
     
    Essa explosão poderá ser vista a olho nu, devido a sua proximidade, mas não se sabe quando exatamente isso vai acontecer. Quando a estrela se torna uma supernova, ela se transforma em um corpo muito brilhante, que após algumas semanas ou meses declinam até se tornarem invisíveis, desaparecendo completamente. Entretanto, se essa estrela anã branca for composta de neônio e oxigênio, ela entrará em colapso, e a sua explosão, de acordo com cientistas, não será tão fascinante quanto à primeira hipótese, caso seja composta por oxigênio e carbono.
    Fonte: Jornal Ciência

    A matéria escura expande o universo


    Para sabermos se é verdade ou não o título do texto, é necessário que seja explicado o que é matéria escura do universo. No estudo dos cosmos ela é uma matéria que praticamente só interage gravitacionalmente. Ela é notada justamente pelos efeitos gravitacionais que interage com as estrelas. Toda matéria dentro de uma galáxia está em órbita em torno de uma matéria que exerce atração gravitacional. A velocidade das esterlas dentro das galáxias é muito maior do que a que deveria ser exercida pela matéria luminosa que existe nelas. Isso mostra aos cientistas que existe outra matéria que não pode ser observada. Por isso o nome de matéria escura ou matéria negra. Para se ter uma idéia, na Via Láctea a matéria escura é 10 vezes maior do que a matéria formada pelos gases e estrelas da galáxia.

    O responsável pela descoberta da
    matéria escura foi o cientista suíço Fritz Swick. Os cientistas ainda não sabem exatamente que tipo de material forma a matéria escura. Parte dessa matéria pode ser formada por estrelas compactas e por buracos negros. Porém, esses materias estão presentes em somente 2% da Via Láctea, o que faz perceber que é um material quase insgnificante no conteúdo da matéria escura. É possível perceber que o restante do componente da matéria interage muito pouco com a matéria normal e com a luz. O crescimento do universo é dependente da somatória de sua quantidade de matéria luminosa e escura. Se a quantidade de matéria presente no universo for insuficiente para a gravidade dominar a expansão, o universo vai seguir em crescimento constante. Isso depende da matéria escura. Logo, chegamos à definição título. A expansão do universo depende da interação entre as matérias escura e luminosa gravitacionalmente. Ou seja, depende da matéria escura.
    Fonte: Curiosidades

    A temperatura do núcleo da Terra

    Novas medições sugerem que o centro da Terra é muito mais quente do que se pensava anteriormente e que teria uma temperatura de 6.000ºC, semelhante à da superfície do Sol. O núcleo sólido de ferro é cristalino e está rodeado pelo núcleo externo, líquido e em movimento. Mas a temperatura na qual esse cristal pode ser formado vinha sendo objeto de um longo debate. Um novo experimento usou raios X para analisar pequenas amostras de ferro sob uma extraordinária pressão com o objetivo de examinar como esse material cristalino se forma e se funde. A análise das ondas sísmicas geradas após os terremotos em todo o mundo pode proporcionar muita informação sobre a grossura e a densidade das camadas da Terra, mas não podem indicar sua temperatura. Isso deve ser calculado em um laboratório ou a partir de modelos informatizados que simulam o interior da Terra.
     
    As medições feitas no início dos anos 1990 das "curvas de fundição", a partir das quais a temperatura do núcleo terrestre pode ser deduzida, sugeriam uma temperatura de cerca de 5.000ºC. "Esse era só o início desse tipo de medição, então eles fizeram uma primeira estimativa para determinar a temperatura dentro da Terra. Outros pesquisadores fizeram outras medições e cálculos por computador e não se chegou a nenhum acordo. Não é bom para nosso campo de trabalho não conseguirmos concordar uns com os outros", afirmou Agnes Dewaele, da agência de pesquisas francesa CEA, coautora do novo estudo..
     
    Determinar a temperatura do núcleo terrestre é crucial para uma série de disciplinas que estudam regiões do interior do planeta que nunca serão acessadas diretamente, guiando nosso entendimento sobre questões como terremotos ou o campo magnético da Terra. "Temos que dar respostas aos geofísicos, aos sismólogos, aos pesquisadores de geodinâmica. Eles precisam de certos dados para alimentar os modelos informatizados", explica Dewaele. Sua equipe de pesquisadores acaba de reconsiderar esses mais de 20 anos de medições utilizando as instalações do European Synchrotron Radiation Facility (ESRF), na França, laboratório mantido em conjunto por 19 países e que possui uma das mais intensas fontes de raios X do mundo.
     
    Para replicar a enorme pressão no limite do núcleo terrestre, mais de um milhão de vezes a pressão ao nível do mar, eles usaram um dispositivo que mantém uma minúscula amostra de ferro entre duas pontas de diamantes sintéticos. Após submeter as amostras a altas pressões e altas temperaturas usando um laser, os cientistas usaram feixes de raios X para promover uma difração, ou seja, para rebater todos os raios X sobre o núcleo dos átomos de ferro e ver como mudava o padrão à medida em que o ferro mudava de sólido para líquido. Esses padrões de difração oferecem informações sobre os estados do ferro parcialmente fundido, que é o que os primeiros pesquisadores mediram nas experiências originais.
     
     Eles sugerem agora uma temperatura de cerca de 6.000ºC, com uma margem de erro de 500ºC para mais ou para menos, aproximadamente a mesma temperatura estimada para a superfície do Sol.  Mas o mais importante, segundo observa Dewaele, é que "agora todo mundo concorda" com as estimativas. Os resultados foram publicados na revista especializada Science.

    Via Láctea e a árvore de pedra

    Crédito de imagem e direitos autorais: Daniel López (El Cielo de Canarias)

    Que formação é essa perto da Via Láctea? Essa é uma formação rochosa natural incomum conhecida como Roque Cinchado, ou Pedra Árvore que é encontrada em Tenerife, parte das Ilhas Canárias Espanholas. Um famoso ícone, Roque Cinchado é provavelmente um denso plugue de magma vulcânico resfriado que permaneceu nessa mesma posição depois que a rocha ao redor, mais suave, e friável foi erodida. Além dessa bela formação rochosa (pelo menos os geólogos pensam assim…) está a magnífica banda central da Via Láctea, que pode ser vista na imagem acima se arqueando na parte direita da imagem, resultado de uma soma de sete imagens panorâmicas, formando esse belo mosaico, imagens essas obtidas no verão de 2010. Mais a direita na imagem está o Vulcão Teide, e completa a cena uma bela nuvem do tipo lenticular flutuando perto do pico do vulcão.
    Fonte: http://apod.nasa.gov/apod/astropix.html

    26 de abr de 2013

    Sonda Cassini observa meteoro colidindo com os anéis de Saturno

    Cinco imagens dos anéis de Saturno, obtidas pela sonda Cassini entre 2009 e 2012, que mostram nuvens de material ejectado por impactos de pequenos objectos sob os anéis.Crédito: NASA/JPL-Caltech/Space Science Institute/Cornell

    A sonda Cassini da NASA forneceu a primeira evidência directa de pequenos meteoróides invadindo os fluxos de escombros e colidindo com os anéis de Saturno. Estas observações fazem dos anéis de Saturno o único local, além da Terra, da Lua e de Júpiter, onde os cientistas e astrónomos amadores foram capazes de observar impactos à medida que ocorrem. O estudo da taxa de impacto de meteoróides fora do sistema saturniano ajuda os cientistas a compreender como os diferentes planetas do nosso Sistema Solar se formaram. O Sistema Solar está cheio de pequenos objectos velozes. Estes objectos frequentemente colidem com corpos planetários. Os meteoróides em Saturno têm tamanhos estimados entre 1 centímetro e vários metros. Os cientistas levaram anos até distinguir os rastos deixados por nove meteoróides em 2005, 2009 e 2012.
     
    Os detalhes das observações aparecem num artigo publicado na edição de 25 de Abril da revista Science. Os resultados da Cassini já mostraram que os anéis de Saturno agem como detectores muito eficazes dos mais variados tipos de fenómenos circundantes, incluindo a estrutura interior do planeta e as órbitas das suas luas. Por exemplo, uma ondulação subtil mas com 19.000 km, através dos anéis mais interiores, aponta para um impacto muito grande em 1983. "Estes novos resultados sugerem que as taxas actuais de impacto para pequenas partículas em Saturno são basicamente as mesmas que na Terra - duas vizinhanças muito diferentes no nosso Sistema Solar - e é emocionante ver isto," afirma Linda Spilker, cientista do projecto Cassini no JPL da NASA em Pasadena, no estado americano da Califórnia.
     
     "Foi preciso os anéis de Saturno agirem como um grande detector de meteoróides -- com 100 vezes a área da superfície de Terra -- e a grande viagem da Cassini pelo sistema de Saturno para abordar esta questão." O equinócio de Saturno no Verão de 2009 foi um momento especialmente bom para a observação dos detritos deixados por impactos de meteoróides. O ângulo muito superficial do Sol sobre os anéis fez com que as nuvens de detritos aparecessem brilhantes contra os anéis escuros em imagens obtidas pelas câmaras da Cassini. Sabíamos que estes pequenos impactos ocorriam constantemente, mas não sabíamos o tamanho ou frequência, e não esperávamos necessariamente que tomasse a forma de espectaculares nuvens de corte," afirma Matt Tiscareno, autor principal do artigo e cientista participante da Cassini na Universidade de Cornell em Ithaca, Nova Iorque.
     
    "A luz do Sol, que brilhava de lado em relação aos anéis no equinócio saturniano, agiu como um dispositivo anti-camuflagem, por isso estas características normalmente invisíveis tornaram-se evidentes." Tiscareno e colegas pensam agora que os meteoróides deste tamanho provavelmente quebram-se ao primeiro encontro com os anéis, criando pedaços mais pequenos e lentos que de seguida entram em órbita de Saturno. O impacto destes meteoróides secundários nos anéis forma as nuvens. As minúsculas partículas que criam estas nuvens têm uma gama de velocidades orbitais em torno de Saturno. As nuvens que produzem são riscos grandes, diagonais e brilhantes.
     
    "Os anéis de Saturno são invulgarmente brilhantes e limpos, levando a sugerir que os anéis são na realidade muito mais jovens que o próprio Saturno," afirma Jeff Cuzzi, co-autor do artigo e cientista interdisciplinar da Cassini, especializado em anéis planetários e poeira no Centro de Pesquisa Ames da NASA em Moffett Field, Califórnia. "Para avaliar esta dramática afirmação, temos que saber mais sobre a velocidade com que o material de fora bombardeia os anéis. Esta análise mais recente ajuda a preencher as lacunas na história com a detecção de objectos com um tamanho anteriormente impossível de detectar directamente."
    Fonte: Astronomia On-Line

    Einstein estava certo: testes levam teoria da relatividade a novos limites

    Teoria tem resistido a todos os testes desde sua publicação, em 1916
    Concepção artística mostra o objeto duplo exótico constituído por estrelas de nêutrons e anã branca Foto: ESO/L. Calçada / Divulgação
     
    Um par estelar bizarro - constituído pela estrela de nêutrons de maior massa conhecida e uma estrela anã branca - permitiu a astrônomos testar a teoria da gravitação de Einstein de maneiras que não tinham sido possíveis até hoje. Até agora, as novas observações desse estranho sistema binário estão exatamente de acordo com as previsões da relatividade geral, mas são inconsistentes com algumas teorias alternativas. Os resultados do estudo serão publicados na revista Science. Com o auxílio do Very Large Telescope do Observatório Europeu do Sul (ESO, na sigla em inglês), uma equipe internacional descobriu um objeto duplo exótico, constituído por uma estrela de nêutrons, pequena mas excepcionalmente pesada, que gira em torno de seu próprio eixo 25 vezes por segundo, e por uma estrela anã branca que a orbita a cada duas horas e meia.
     
    A estrela de nêutrons é um pulsar que emite ondas de rádio, que podem ser observadas a partir da Terra com rádio telescópios. Esse par incomum constitui um laboratório único para testar os limites das teorias físicas. O pulsar chamado PSR J0348+0432 é o que resta da explosão de uma supernova. É duas vezes mais pesado que o Sol , mas tem um diâmetro de apenas 20 quilômetros. A gravidade em sua superfície é mais de 300 bilhões de vezes mais intensa que a sentida na Terra, e em seu centro cada pedaço do tamanho de um cubo de açúcar tem mais de um bilhão de toneladas de matéria comprimidas. A sua companheira anã branca é apenas um pouco menos exótica: trata-se de um resto brilhante de uma estrela muito mais leve, que perdeu a sua atmosfera e que lentamente vai se apagando.
     
    Teorias de gravidade
    A teoria da relatividade geral de Einstein, que explica a gravidade como uma consequência da curvatura do espaço-tempo criada pela presença de matéria e energia, tem resistido a todos os testes desde o primeiro momento da sua publicação, há quase um século. Mas ela não pode ser a explicação derradeira e deverá, em última instância, perder a sua validade.
    Os físicos construíram outras teorias de gravidade que levam a previsões diferentes das da relatividade geral. Para algumas destas alternativas, as diferenças são percebidas apenas para campos gravitacionais extremamente fortes, os quais não podem ser encontrados no Sistema Solar.
     
    Em termos de gravidade, o PSR J0348+0432 é de fato um objeto extremo, mesmo quando comparado com outros pulsares que foram usados em testes de alta precisão da relatividade geral de Einstein. Em campos gravitacionais tão fortes, pequenos aumentos na massa podem levar a grandes variações no espaço-tempo em torno destes objetos. Até agora, os astrônomos não tinham ideia do que podia acontecer na presença de uma estrela de nêutrons de massa tão elevada como a PSR J0348+0432. Este objeto oferece a oportunidade única de levar estes testes a território desconhecido. Este é apenas o começo dos estudos detalhados sobre este objeto único, e os astrônomos irão utilizá-lo para testar a relatividade geral com cada vez mais precisão, à medida que o tempo passa.
    Fonte: TERRA

    25 de abr de 2013

    Aos 23 anos, Hubble vai ter de aguentar pelo menos até 2018

    Um herói da exploração espacial fez aniversário nesta quarta-feira. Lançado no dia 24 de abril de 1990, o telescópio espacial Hubble é um sobrevivente.
    Registro da visão da borda da galáxia NGC 4013. O telescópio espacial Hubble chega aos 23 anos.Foto: ESA / Divulgação

    Tinha previsão inicial de durar pelo menos 10 anos. Mas, aos 23, depois de revolucionar a astrofísica, revisar conceitos de cosmologia, apresentar imagens deslumbrantes do universo e responder questões até então intransponíveis, o pequeno explorador não vai encerrar suas investigações. Pelo menos até a chegada de seu sucessor, o cem vezes mais poderoso James Webb, que deve ser lançado em 2018. 

    Com o desenvolvimento de um substituto, o Hubble deveria ser aposentado em 2013. Devido a cortes de verba da Nasa, contudo, o lançamento do telescópio espacial James Webb ainda vai demorar cinco anos. Assim, para resistir mais um pouco, o explorador contou com a ajuda de astronautas que o visitaram em 2009, na quinta e última missão de manutenção do telescópio. Essa manutenção derradeira, que envolveu até a troca de baterias de 18 anos de idade, além da implementação de diversos componentes, deu resultado.

     “Com os novos instrumentos instalados apenas quatro anos atrás, o Hubble tornou-se mais poderoso do que nunca, cientificamente. Esperamos que o telescópio possa continuar trabalhando nos anos que antecedem a chegada do próximo telescópio espacial, e até além disso”, destaca Jennifer Wiseman, cientista sênior do Projeto do Telescópio Espacial Hubble, da Nasa.


    Descobertas

    O Hubble revolucionou a astronomia com suas imagens impressionantes do universo e descobertas. Orbitando a Terra por mais de duas décadas, o telescópio ajudou a determinar a idade do universo, detectou que o nosso universo está em expansão acelerada, indicou a presença de buracos negros na maioria das galáxias, inclusive na nossa, e revelou respostas a muitos outros mistérios até então insondáveis. Ao longo de sua jornada, o Hubble desvelou nuances inesperadas do universo.


    “O Hubble proporcionou ao homem a visão de regiões muito, mas muito distantes da nossa própria galáxia, coisa que não existia antes. Nem nos nossos sonhos mais delirantes conseguiríamos imaginar um universo tão incrível e fascinante como o que o Hubble nos revelou”, salienta Antonio Gil Vicente de Brum, professor e pesquisador do curso de Engenharia Aeroespacial da Universidade Federal do ABC (UFABC). Além de deslumbrar os terrestres, o Hubble ampliou a investigação sobre a origem e as características do universo.

    Por meio de seus dados, cientistas determinaram que a idade do universo é de cerca de 13,7 bilhões de anos. O telescópio espacial também constatou que a expansão do universo está em aceleração. “O Hubble permitiu a detecção de estrelas pulsantes em outras galáxias e, através delas, a medição do fator de crescimento do nosso universo e a determinação de distâncias a supernovas do tipo Ia, que indicaram que nosso universo está em expansão acelerada, indicando a presença de um componente de energia desconhecida no universo, a energia escura”, explica José Eduardo Telles, doutor em Astrofísica pela Universidade de Cambridge e pesquisador do Observatório Nacional (ON), do Rio de Janeiro. 

    O Hubble também determinou que a maioria das galáxias tem poderosos buracos negros em seus centros, incluindo a nossa própria Via Láctea. Ele possibilitou estudar como as galáxias, as estrelas e os sistemas planetários se formam. Além disso, descobriu várias luas previamente desconhecidas de Plutão e foi o primeiro telescópio a analisar a composição química de um planeta fora do nosso Sistema Solar.

    Júpiter

    As manchas à direita são resultantes do impacto do cometa Shoemaker-Levy 9 em Júpiter, um dos mais importantes registros do Hubble Foto: Divulgação
    Fora essas, e tantas outras conquistas, Brum aponta ainda a sequência de imagens obtidas pelo Hubble, em 1994, como uma das descobertas mais importantes. “Fiquei de boca aberta, babando, quando assisti à colisão do cometa Shoemaker-Levy 9 com o gigante Júpiter. Essa foi uma das coisas mais inacreditáveis que já vi e que me ensinou muito à respeito de quão vulnerável é a Terra e quão importante é a proteção que Júpiter nos oferece”, relata. Além disso, o professor da UFABC destaca a popularização da ciência como uma das principais contribuições do Hubble. “É isso que gera um interesse crescente das pessoas por conhecimento científico genuíno e pela ciência, em geral”, pontua.

    Primeiros passos

    A ideia para um telescópio espacial surgiu já em 1923, a partir do cientista alemão Hermann Oberth, considerado um dos criadores dos foguetes. O projeto do Hubble começou a ser idealizado em 1946, após artigo do astrofísico americano Lyman Spitzer, que apontava as vantagens de um observatório espacial. Desse momento em diante, Spitzer trabalharia para tornar o telescópio uma realidade. 


    O astrofísico esteve envolvido com os observatórios em órbita da época e auxiliou a Nasa na aprovação do projeto do telescópio espacial, em 1969, que teria um espelho de 3 metros de diâmetro e seria lançado em 1979. Entretanto, devido às dificuldade de conseguir financiamento, o tamanho do espelho foi reduzido para 2,4 metros, e um novo projeto foi começado. Em 1975, a Agência Espacial Europeia (ESA) passou a trabalhar junto com a Nasa. Finalmente, veio à tona o esboço do telescópio espacial Hubble.

    O telescópio recebeu esse nome em homenagem ao astrônomo americano Edwin Hubble (1889-1953), que revolucionou a astronomia ao constatar a presença de outras galáxias e provando que o universo estava se expandindo. Depois de alguns atrasos, o lançamento do Hubble foi agendado para outubro de 1986, mas o acidente com o ônibus espacial Challenger, que matou sete astronautas, adiou o sonho de enviar um telescópio ao espaço por mais quatro anos. Assim, em 24 de abril de 1990, o Hubble foi lançado a bordo do ônibus espacial Discovery, abrindo uma nova era da exploração do universo. 

    Conforme Telles, a expectativa de resultados científicos vinham de todas as áreas da astronomia, desde o Sistema Solar e seus planetas até a cosmologia. “O telescópio tinha como objetivo realizar observações astronômicas em faixas espectrais invisíveis ao homem, que é a radiação ultravioleta, como também na faixa do visível, mas com uma nitidez de imagens muito melhor, por estar fora do efeito destrutivo da turbulência de nossa atmosfera”, salienta.


    Expectativa de vida

    Quando o Hubble foi lançado, a previsão inicial é de que o telescópio operasse por pelo menos 10 anos. Entretanto o Hubble está em órbita há 23 anos, em plena forma, e deve aguentar firme por mais cinco. A razão disso é que o telescópio foi projetado para receber a visita de astronautas, de tempos em tempos, para manutenção. Durante suas operações, o Hubble foi visitado cinco vezes, a última delas em 2009. “Os astronautas têm sido capazes de colocar novos instrumentos e reparar outros instrumentos com defeito, tornando-o como um telescópio novo a cada vez”, explica Jennifer.

    Falha no espelho

    A equipe de manutenção do telescópio Hubble provou sua importância quando, logo após o lançamento, se percebeu que as imagens não estavam tão nítidas quanto se esperava - pareciam borradas. O problema, nomeado de “aberração esférica”, precisava ser solucionado. Após 11 meses de treinamento, sete astronautas embarcaram no dia 2 de dezembro de 1993, a bordo do ônibus espacial Endeavor, para uma complexa missão que corrigiria o problema. Em 13 de janeiro de 1994, as primeiras imagens, com resolução excelente, foram divulgadas pela Nasa. O Hubble estava pronto para captar imagens impressionantes e auxiliar na exploração do espaço.

    O sucessor

    Previsto para ser lançado em 2018, o sucessor do Hubble, o telescópio espacial James Webb, promete algumas mudanças. Com um espelho bem maior, com 6,5 metros de diâmetro, seu alcance deve permitir encontrar as primeiras galáxias que se formaram no início do Universo, ligando o Big Bang a nossa galáxia. O James Webb também deve operar em uma órbita mais alta. Enquanto o Hubble fica a uma altitude de 600 quilômetros, seu substituto deve se situar a 1,5 milhões de quilômetros da Terra. Outro diferencial é que o novo telescópio espacial terá operação otimizada na faixa específica do infravermelho, ao contrário do Hubble, que opera na faixa do visível e um pouco no infravermelho e ultravioleta.


    “O James Webb é especialmente adequado para observação dos momentos primordiais do nosso universo (antes do que o Hubble vê)”, justifica Brum. Para Telles, a maior esperança é que o telescópio James Webb contribua para determinar a natureza da matéria escura e também da energia escura. “De qualquer maneira, é certo que, da mesma forma que ocorreu com o Hubble, a maior parte de descobertas serão inesperadas e espetaculares, além de nossas expectativas”, imagina. Mas enquanto o James Webb, cem vezes mais poderoso, não assume o seu posto, a Terra ainda se surpreende com o pequeno Hubble. Até 2018, há muitos segredos para desvendar
    Fonte: TERRA
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