Apesar da expectativa, obstáculos técnicos e naturais ainda separam o homem de Marte

Gravidade, radiação e ausência de atmosfera desafiam ciência e tecnologia para uma eventual missão ao planeta vizinho
Paisagem marciana, registrada pelo robô Curiosity Foto: NASA/JPL-Caltech / MSSS 

A Nasa projeta para a década de 2030 a primeira missão tripulada ao planeta vermelho - antes disso, a agência planeja aterrissar em um asteroide nas cercanias marcianas e, talvez, retornar à Lua. O multimilionário americano Dennis Tito, porém, ambiciona patrocinar uma volta em Marte em 2018. A ideia de Tito é sobrevoar o planeta a 160 quilômetros de sua superfície, em uma viagem que duraria 501 dias e aproveitaria a gravidade para, em dez horas, contornar Marte e pegar impulso de volta à Terra. Se falhar nos cálculos e se aproximar demais – ou "de menos" – do planeta, a nave de Tito, que deve ter como tripulação um casal, ficará para sempre presa na órbita marciana ou no espaço sideral.
 
 Isso porque, como explica Délcio Basso, coordenador do Laboratório de Astronomia da Faculdade de Física da PUCRS, entendemos pouco sobre a gravidade.  Os índios moviam suas canoas jogando água para trás. É o que fazemos, jogamos ar para trás para andar para frente. Isso mostra como nosso conhecimento sobre a gravidade ainda é primitivo - explica. Segundo Délcio, a situação se agrava no espaço, já que, na ausência de oxigênio, as espaçonaves precisam carregar o combustível e o comburente, o que inviabiliza viagens a longas distâncias.  Uma possível solução é fabricar o combustível no espaço, em bases espaciais como a ISS - exemplifica Basso.
 
A mesma gravidade, somada à ausência de uma atmosfera que filtre a radiação solar, entrava a presença o homem em outros corpos celestes como Marte. - Do ponto de vista da medicina, as duas maiores dificuldades de uma missão tripulada à Marte estão na exposição à radiação e aos efeitos da microgravidade ou da hipogravidade no corpo humano. Ambas podem afetar o funcionamento normal de nosso organismo - explica a coordenadora do Laboratório de Fisiologia Aeroespacial da Faculdade de Engenharia da PUCRS, Thaís Russomano. Segundo Thaís, grupos de pesquisadores de diversos países estudam os efeitos da gravidade e da radiação no corpo humano em viagens de longa duração. 
 
A gravidade marciana é, aproximadamente, um terço da terrestre. Assim, o ser humano teria que sair da gravidade da terra, ficar em microgravidade durante a viagem até o planeta Marte e lá viver e trabalhar na gravidade marciana. Alguns estudos tentam entender como seria a adaptação do homem em um ambiente de hipogravidade, mas ainda há mais perguntas do que respostas - afirma. Quer dizer: se quisermos chegar ao planeta vermelho em menos de vinte anos, ainda temos de realizar avanços significativos.
Fonte: Zero Hora


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