Curiosity começa viagem até o monte Sharp

As câmaras do Curiosity mostram o Monte Sharp à distância. O rover começou a viagem até à base, seguindo a história geológica marciana à medida que sobe cada vez mais e examina no máximo 4,5 mil milhões de anos de material planetário.
Crédito: NASA/JPL

O rover Curiosity da NASA começou finalmente a sua viagem épica até às encostas do misterioso Monte Sharp - o destino principal da missão que paira supremo dentro do local de aterragem, a Cratera Gale. Os cientistas esperam descobrir assinaturas dos ingredientes químicos que são potencialmente marcadores de uma zona habitável de Marte, ao subir o Monte Sharp. No passado dia 4 de Julho (Sol 324), o robot de seis rodas começou a afastar-se das áreas Glenelg e Yellowknife Bay, onde passou mais de meio ano a investigar o terreno e a perfurar rochas marcianas pela primeira vez na História.
 
 "Nós começámos a longa travessia até à base do Monte Sharp (Aeolis Mons), o objectivo a longo prazo da missão," anunciou Ken Herkenhoff do USGS, membro da equipa científica. Até agora o rover da NASA já percorreu mais de 58 metros ao longo de duas excursões a 4 e 7 de Julho, na direcção oposta à da sua última campanha científica no afloramento de sedimentos Shaler. Está prevista para hoje outra viagem.
 
Milhares de milhões de anos de história geológica de Marte estão preservados nas camadas sedimentares do Monte Sharp - incluindo o período antigo em que o Planeta Vermelho era muito mais húmido e ameno do que é hoje e, portanto, mais hospitaleiro à vida. A enorme montanha eleva-se a 5,5 km no centro da Cratera Gale. É maior que o Monte Branco, a montanha mais alta dos Alpes e da União Europeia. A viagem pode demorar quase um ano, ou até mais, até alcançar a base do Monte Sharp, dependendo do que o veículo de 1 tonelada vê durante o caminho. E os cientistas estão ansiosos por fazer o máximo possível de descobertas.
 
"O foco princpal da missão é a descoberta," afirma John Grotzinger do Instituto de Tecnologia da Califórnia, em Pasadena, EUA, que lidera a missão MSL (Mars Science Laboratory) do Curiosity. "Vamos até onde a ciência nos levar. A NASA escolheu a Cratera Gale como local de aterragem especificamente para que o Curiosity investigasse as camadas sedimentares do Monte Sharp, tendo em conta que em estudos de Marte a partir de órbita, exibia assinaturas de minerais argilosos que se formam em água neutra e que podiam suportar a origem e evolução de formas simples de vida marciana, passada ou presente.
 
"Nós temos um desejo real de chegar ao Monte Sharp porque vemos aí variações na mineralogia desde a base até níveis mais elevados e uma mudança no registo do ambiente," explica Joy Crisp do JPL, cientista do projecto Curiosity. "Se passarmos algo surpreendente e atraente podemos inverter a marcha e voltar atrás," afirma Crisp. "O desafio para a equipa de cientistas será a identificação dos mais importantes alvos ao longo do caminho, e o seu estudo sem atrasar demasiado o progresso da viagem," observa Herkenoff. O Monte Sharp está a cerca de 8 km de distância - em linha recta.
 
E o Curiosity também deverá passar por um campo de dunas potencialmente perigosas para lá chegar. "Nós estamos procurando o melhor caminho," afirma Jim Erickson, gestor do projecto Curiosity no JPL da NASA, numa recente conferência de imprensa. Há 11 meses atrás, a 6 de Agosto de 2012, o Curiosity fez uma aterragem sem precedentes dentro da Cratera Gale, com o auxílio de um nunca antes usado sistema de propulsores e guindaste. Muito antes de começar a rumar ao seu destino, o Monte Sharp, o Curiosity já tinha alcançado com sucesso o objectivo principal da missão, quando descobriu que a água líquida já fluiu neste local em Marte, que possui os ingredientes químicos essenciais para a vida e que já foi habitável no passado.
 
As recolhas de amostras do afloramento 'John Klein' em Yellowknife Bay, analisadas pelo par de laboratórios a bordo do Curiosity - SAM e CheMin - revelaram que este local contém argilas minerais necessárias para o suporte de formas de vida microbiana. Descobrimos um ambiente habitável [em John Klein] tão benigno e favorável à vida que, provavelmente, se essa água estivesse presente, e se nós estivéssemos no planeta, seria própria para consumo," afirma Grotzinger.
Fonte: Asttronomia On-Line

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