29 de nov de 2013

Nascimento de buraco negro é testemunhado e marca divisor de águas para a astronomia

A quase impossibilidade da astronomia observacional nunca foi tão clara. Com astrônomos tendo registrado tantos eventos em tantos instrumentos diferentes, simplesmente apontar telescópios para as estrelas tem proporcionado retornos decrescentes. Para que continuemos avançando, precisamos nos voltar a eventos mais incomuns e até violentos do universo, a fim de conquistar dados verdadeiramente novos. Não é apenas uma questão de paciência, uma vez que a indústria do espaço não pode configurar telescópios suficientes para olhar para todos os lugares ao mesmo tempo. Com tanta coisa esperando pelo zoom certo, poderia parecer uma causa perdida tentar capturar eventos inesperados de curta duração.
 
E, no entanto, esta semana, um evento importante aconteceu em algum lugar do universo, agora denominado GRB 130427A, e uma “armada de instrumentos” em todo mundo o viu produzir uma explosão de raios gama mais poderosa do que o que muitos pesquisadores acreditavam ser teoricamente possível. Aparentemente, vimos o colapso de uma estrela gigante e o nascimento de um buraco negro, evento descrito como um “momento de pedra de Roseta” para a astronomia – em referência ao fragmento de uma coluna monolítica que permitiu que os hieróglifos egípcios fossem decifrados. Ele enviou informações que os astrônomos ainda estarão estudando por muitos anos, e, por mais que ainda seja cedo para chegar a qualquer conclusão, já existe uma excitação generalizada sobre a absoluta novidade no fenômeno.
 
E, no entanto, o GRB 130427A só durou cerca de 80 segundos com intensidade observável. Com tanto espaço vazio de para monitorar, como é que os astrônomos conseguiram observar o evento, quanto mais documentá-lo tão profundamente? A resposta está no Novo México (EUA), nos Laboratórios Nacionais de Los Alamos, na forma de seis câmeras robóticas referidas coletivamente como RAPTOR ou RAPid Telescópios de Resposta Óptica. Os telescópios RAPTOR são interligados em rede e todos obedecem um cérebro de computador central. Entre seu hardware de computação dedicado e suas estruturas robóticas giratórias, eles podem se virar para ver qualquer ponto no céu em menos de três segundos.
 
Como são os dispositivos mais rápidos do mundo em “resposta óptica”, os telescópios do RAPTOR têm um grande dever: ter certeza de que você não perca as coisas grandes quando elas acontecem, porque em astronomia não há segundas chances. Acredita-se que esta explosão de raios gama seria a mais brilhante das últimas décadas, talvez do século, e se os astrônomos a tivessem perdido, é bem provável que ninguém trabalhando hoje teria tido a chance de capturar uma novamente. Os aparelhos cumpriram seu objetivo. Quando um dos telescópios vê uma sinal de algo interessante, ele e os outros rapidamente se reorientam e dão zoom para capturar os pormenores. Os telescópios têm diferentes especializações – por exemplo o RAPTOR-T, que vê todos os eventos através de quatro lentes alinhadas com quatro filtros de cor diferentes.
 
Ao olhar para as diferenças na distribuição de cor na amostra, o RAPTOR-T pode fornecer informações sobre a distância de um evento ou sobre alguns elementos do seu ambiente. No entanto, o GRB 130427A também foi visto por uma série de outros instrumentos, detectores de raios gama e telescópios de raios-X que são muito mais lentos do que o RAPTOR. Os satélites Fermi, NuSTAR e Swift, da Nasa, conseguiram ver alguma parte do evento durante o seu desenrolar, porém a maioria dos telescópios se juntou para ver o chamado arrebol do evento – uma espécie de persistência luminosa que fica no céu depois de um episódio como este. Este foi um acontecimento extremamente violento e lançou detritos ao longo de um grande raio. Todo este raio brilhou por várias horas e os astrônomos observaram quando ele desapareceu.
 
A intensidade dos raios gama de alta energia naquele arrebol desapareceram junto com suas emissões de luz convencionais. Esse é a primeira destas ligações que os astrônomos encontraram entre raios gama e fenômenos ópticos. E é apenas o começo das descobertas que virão desta Pedra de Roseta da astronomia. Podemos esperar por uma série de atualizações emocionantes ao longo dos próximos meses, à medida que os astrônomos desvendarem as implicações de terem testemunhado o nascimento de uma singularidade sem precedentes.
Fonte: Hypescience.com

Cometa ISON volta a vida

Animação com 88 imagens, da passagem periélica do ISON, entre as 00:22 de 28 de Novembro e as 00:13 de dia 29.
Crédito: NASA/ESA/SOHO/Emily Lakdawalla

Aparentemente, o Cometa ISON sobreviveu à passagem pelo Sol! Os cientistas diziam que as imagens obtidas ontem pelos observatórios espaciais apenas mostravam um rasto de poeira que saía do outro lado do Sol. "Parece que o Cometa ISON não sobreviveu a esta jornada," realçava Karl Battams, cientista solar da Marinha dos EUA, num Hangout do Google+. À medida que o ISON mergulhou na direcção do Sol, provavelmente começou a despedaçar-se, não soltando fragmentos gigantes, mas pelo menos bocados razoavelmente grandes. Acabou por perder por completo a sua cabeleira e cauda, tal como o Lovejoy em 2011.
 
Ontem à noite, a sonda SOHO mostrava apenas uma corrente fina e longa de poeira. Era suposto o cometa ter aparecido em imagens do SDO (Solar Dynamics Observatory) pelas 22:00 (hora portuguesa), mas quatro horas depois ainda não havia quaisquer sinais. Nisto, eis que emerge do Sol um pequeno mas coerente núcleo, núcleo este que voltou a libertar poeira e gás, e a aumentar também de brilho. Pelo menos por enquanto. O destino do cometa ainda não é totalmente certo. Ainda não se sabe se o ISON está inteiro ou se é apenas uma fracção (ou várias) do que já foi. Só o tempo dirá se permanece vivo ao longo dos dias seguintes, e caso sobreviva, se será visível no céu nocturno e qual será o seu brilho.
 
O cometa media pouco mais de 1 km quando passou a 1,6 milhões de quilómetros do Sol, o que em termos espaciais significa que basicamente "roçou" a nossa estrela. Foi avistado pela primeira vez por um telescópio russo em Setembro do ano passado. Composto por gelo e poeira, o ISON era essencialmente uma "bola de neve" suja oriunda da nuvem de Oort, uma área de cometas e detritos nos confins do Sistema Solar. Há dois anos atrás, o Cometa Lovejoy roçou o Sol e sobreviveu, mas fragmentou-se dois dias depois. É por isso que havia alguma esperança que o ISON conseguisse sobreviver o periélio, porque tinha 10 vezes o seu tamanho.
Fonte: Astronomia On-Line

Cientistas afirmam que cometa Ison não sobreviveu à proximidade com o Sol

Cometa ofereceu oportunidade rara, embora tenha finalmente se partido
Astrônomos acreditam que o "cometa do século" se desintegrou ao passar perto do Sol Foto: Reuters 

O cometa Ison, ansiado objeto de desejo dos cientistas, parece ter se desintegrado nesta quinta-feira em sua viagem ao redor do Sol, segundo os especialistas da Agência Espacial Americana (Nasa), que não encontraram seu rastro após atravessar a coroa solar em suas primeiras observações. Entre a comunidade científica havia uma grande expectativa e também uma grande divisão entre os que se afirmavam convencidos que o cometa superaria as altas temperaturas solares e conseguiria sobreviver, e os que, como indicam as primeiras observações, acreditavam que se desintegraria ao se aproximar tanto do Sol. Depois que os telescópios da Nasa seguiram o cometa até submergir na coroa do Sol, não houve provas que tenha aparecido no outro lado, embora tenham assegurado que continuariam analisando as imagens na busca de algum resíduo do Ison.
 
"Neste ponto, suspeitamos que o cometa se partiu e morreu", disse Karl Battams, cientista do Laboratório de Pesquisa Naval. "Vamos pelo menos dar-lhe mais algumas horas antes de começar a escrever o obituário", acrescentou, deixando uma pequena porta aberta à esperança. Embora o cometa tenha finalmente se partido, ofereceu uma oportunidade muito rara, já que permitiu observar como um dos objetos mais antigos do sistema solar interagia com o campo magnético do Sol. O C/2012 S1 (ISON), visto pela primeira vez em setembro de 2012 por astrônomos russos, é um cometa especial que procede da nuvem de Oort, uma bolha que rodeia todo o Sistema Solar e que, acredita-se, está formada pelos restos da nebulosa que deu lugar ao Sol e os planetas há 4,6 bilhões de anos.
 
Logo após sua descoberta, o Ison se destacou por seu enorme brilho, considerando a grande distância que lhe separava do Sol, e desde então, astrônomos de todo o mundo esperavam divididos que o cometa enfrentasse sua primeira prova de fogo: a passagem pelo periélio, o momento em que se aproximasse mais do Sol.
 
Embora os cientistas tenham acompanhado outros cometas da nuvem de Oort, Battams declarou que este foi o primeiro que pôde ser gravado passando tão do astro rei.  Não temos ideia de quando vamos ver algo tão incrível de novo", comentou. Os cientistas continuam estudando os cometas para descobrir de que estão compostos, já que nasceram junto com o sistema solar há 4,5 trilhões de anos. Quando os cometas passam suficientemente perto do Sol, seu gelo se derrete e a poeira que deixam na passagem dá pistas sobre sua composição.
 
"Isto nos dá a oportunidade de ver e estudar estes campos magnéticos de uma maneira que normalmente não poderíamos fazer", disse Alex Young, físico solar do Centro de Voos Espaciais Goddard da Nasa. "A natureza está nos dando esta oportunidade única para estudar estes campos magnéticos", acrescentou. Os cientistas ressaltaram que seguiriam revisando as imagens captadas por 11 telescópios de todo o mundo que realizaram um acompanhamento do cometa para saber o que aconteceu com ele e estudar os dados que permitam saber mais sobre o Sol. Enquanto isso, nas redes sociais, os mais otimistas ainda esperam que o cometa reapareça para iluminar o céu.
Fonte: Terra

28 de nov de 2013

Cometa Ison atinge ponto máximo de aproximação do Sol

Cientistas estão na expectativa se ele resistirá ao calor solar. Depois de chegar perto do Sol, cometa poderá ser o mais claro desde o Hale-Bopp
O cometa Ison poderá brilhar tão intensamente quanto a Lua Cheia quando passar no ponto mais próximo ao Sol de sua trajetória Foto: NASA, ESA, Hubble Heritage Team / Divulgação

Os astrônomos esperam ansiosos pelo acontecimento celeste do ano: nesta quinta-feira, às 16h40 (horário de Brasília), o cometa Ison atinge o periélio, o ponto de sua trajetória mais próximo do Sol, a apenas 1,2 milhão de quilômetros. Essa distância é 125 vezes menor do que a entre a Terra e o astro. O cometa terá que resistir a uma temperatura de quase 3 mil graus centígrados. Embora ele se desloque a uma velocidade de mais de 1 milhão de quilômetros por hora, no espaço reina o vácuo, portanto não haverá nenhum vento para refrescá-lo.
 
Nas horas antes e depois dessa passagem próxima, o Ison reluzirá tão forte que, mesmo no azul do céu diurno, ele poderá ser visto bem ao lado do Sol. Seja como for, alguns satélites que monitoram as imediações do centro do sistema solar estão de olho no Ison. Segundo uma antiga norma entre astrônomos, os novos cometas recebem o nome de seus descobridores. Assim, "Ison" é acrônimo de International Scientific Optical Network, a rede internacional de telescópios a partir de cuja estação em Kislovodsk, Rússia, ele foi avistado, em setembro de 2012.
 
Mensageiro da geladeira cósmica

 O Ison tem um diâmetro de cinco quilômetros, sendo composto principalmente de gelo, gases congelados e poeira. Por isso, os astrônomos costumam apelidar os cometas de "bolas de neve suja". Eles são os resquícios do processo de nascimento do sistema solar, há mais de 4 bilhões de anos – ou seja, as migalhas que sobraram quando o Sol, a Terra e os outros planetas se formaram. Muito além da órbita do planeta mais extremo, Netuno, incontáveis desses blocos de gelo vagam em torno do Sol. Nessas regiões, o Sol não passa de um ponto claro como a lua cheia, e a temperatura é inferior a 200 graus negativos. De vez em quando, um cometa se extravia, penetrando no sistema solar interno (anterior ao cinturão de asteroides). O Ison vai passar próximo ao Sol pela primeira vez nesta semana, e os cientistas estão entusiasmados pela possibilidade de observar material totalmente não contaminado, da época da formação do sistema solar.
 
Comportamento imprevisível

 O calor do Sol vai praticamente "fritar" o cometa, causando a evaporação de muito gelo, que, por sua vez, arrastará grande quantidade de poeira. Gás e poeira formam a cauda do cometa, que se estende por milhões de quilômetros no cosmos. Em meados de novembro, o Ison ficou subitamente mais claro. Provavelmente alguns fragmentos do seu núcleo se soltaram, liberando, assim, mais gás e poeira. O cientista Hermann Böhnhardt, do Instituto Max Planck para Pesquisa do Sistema Solar, em Katlenburg, na Baixa Saxônia, observou detalhadamente o Ison com um telescópio do Observatório Wendelstein, da Universidade de Munique. Ele descobriu duas estruturas em forma de asas na parte gasosa do cometa. Essas estruturas aparecem, tipicamente, depois que fragmentos isolados se desprendem do núcleo", relata. Mas, para os astrônomos amadores temerosos que o Ison se desintegrasse antes do grande espetáculo, Böhnhardt tem uma notícia tranquilizadora: "Nossos cálculos indicam que apenas um pedaço se desprendeu ou, no máximo, uns poucos destroços."
 
Precauções ao observar o cometa

 No entanto, é muito difícil prever o comportamento exato dos cometas. Os pesquisadores acreditam que o Ison decerto perderá muito material ao passar próximo ao Sol, mas não vai se desintegrar. Afinal, outros cometas já passaram extremamente perto dele. Em março de 1843, o famoso Grande Cometa, que pôde ser visto à luz do dia, esteve a apenas 140 mil quilômetros do astro. Quem observar o Ison no dia 28 de novembro deve tomar algumas precauções. O uso de binóculos é totalmente vedado, já que apenas uma rápida olhada em direção ao Sol pode causar cegueira total. A maneira mais segura de observá-lo é a olho nu, e ajuda cobrir o Sol com um pedaço de papelão ou algo semelhante, mantendo o braço esticado. O cometa só será visível se o céu estiver perfeitamente azul, sem nebulosidade.
 
Caso o Ison sobreviva ao calor solar, ele poderá ser visto na Europa novamente no início de dezembro: primeiramente no leste, pouco antes do nascer do sol; e a partir de meados do mês no firmamento noturno, a noroeste. Com sorte, ele será o cometa mais brilhante observado no Hemisfério Norte, desde o Hale-Bopp, em 1997. No Brasil, o brilho do Ison já era observado no céu noturno, e, depois de passar perto do Sol, ele voltará a ficar visível a partir do dia 13 de dezembro, principalmente nas regiões Norte e Nordeste. O melhor momento para observá-lo é a partir das 4h. E quanto mais próximo do Sol, mais longe da Terra: no dia 27 de dezembro o cometa estará a uma distância de 64 milhões de quilômetros do nosso planeta.
Fonte: Terra

Coincidências em Mercúrio

O planeta Mercúrio, à direita, e um registro de sua passagem diante do Sol
 
Um grupo internacional de astrônomos, incluindo o francês Julien Frouard, que acaba de concluir o pós-doutorado na Unesp em Rio Claro, acredita ter encontrado a explicação para uma das coincidências mais misteriosas do sistema solar: o movimento celeste de Mercúrio, o menor dos planetas, com apenas um terço do tamanho da Terra, e o mais próximo do Sol. Os pesquisadores tentaram entender a relação entre seu período de rotação, o tempo que Mercúrio leva para completar uma volta girando em torno de si, e seu período de translação, o tempo que o planeta demora para dar uma volta em torno do Sol. Seu período de rotação, de 58 dias terrestres, é exatamente igual a dois terços de seu período de translação, de 88 dias. Em outras palavras, a cada três dias mercurianos se completam dois de seus anos.
 
O problema é que, por estar tão perto do Sol, era esperado que a intensa força gravitacional da estrela desacelerasse a rotação de Mercúrio até o ponto em que o seu dia durasse o mesmo que o seu ano. Por que esse processo foi interrompido justamente na proporção de três para dois? Frouard e seus colegas apresentaram em outubro, na reunião anual da Sociedade Astronômica Americana, um novo modelo da história de Mercúrio, desde a sua origem há cerca de 5 bilhões de anos, e que leva em conta detalhes de como o corpo rochoso do planeta sofreu com a gravidade solar. Eles concluíram que a influência do Sol, aliada à órbita mais alongada de Mercúrio, travou precocemente seu movimento, dezenas de milhões de anos depois de sua formação, nas proporções observadas atualmente.
Fonte: Revista Fapesp

27 de nov de 2013

Constelações antigas sobre o ALMA

Créditos:ESO/B. Tafreshi
 
Babak Tafreshi, um dos Embaixadores Fotográficos do ESO, capturou as antenas do Atacama Large Millimeter/submillimeter Array (ALMA) numa imagem que combina a beleza do céu austral com as prodigiosas dimensões do maior projeto astronómico do mundo. Milhares de estrelas podem ser vistas a olho nu nos céus límpidos do planalto do Chajnantor. O ar seco e transparente é uma das razões pelas quais o ALMA foi aqui construído. Surpreendentemente brilhante, no canto esquerdo da fotografia, podemos ver um grupo compacto de estrelas jovens, o enxame das Pleiades, que era já conhecido da maioria das civilizações antigas. A constelação de Orion vê-se claramente por cima da mais próxima das antenas - o cinturão do caçador é formado pelas três estrelas que se encontram mesmo à esquerda da luz vermelha.
 
 De acordo com a mitologia clássica, Orion era um caçador que perseguia as Pleiades, as belas filhas de Atlas. Quando vistas através da fina atmosfera do Atacama, até parece que a caçada épica está realmente a acontecer. O ALMA, uma infraestrutura astronómica internacional, é uma parceria entre a Europa, a América do Norte e o Leste Asiático, em cooperação com a República do Chile. A construção e operação do ALMA é coordenada pelo ESO, em prol da Europa, pelo Observatório Nacional de Rádio Astronomia (NRAO), em prol da América do Norte e pelo Observatório Astronómico Nacional do Japão (NAOJ), em prol do Leste Asiático. O Observatório ALMA (JAO) fornece uma liderança e direção unificadas na construção, gestão e operação do ALMA.
Fonte: ESO

O flamejante fenómeno do nascimento e morte das estrelas

A Grande Nuvem de Magalhães é uma das galáxias mais próximas da nossa. Os astrónomos usaram o poder do Very Large Telescope do ESO para explorar com grande detalhe a NGC 2035, umas das suas regiões menos bem conhecidas. Esta nova imagem mostra nuvens de gás e poeira onde estrelas quentes se estão a formar, ao mesmo tempo que esculpem formas estranhas no seu meio circundante. Mas a imagem mostra também os efeitos da morte das estrelas - filamentos criados por uma explosão de supernova (à esquerda da imagem).
 
A Grande Nuvem de Magalhães é uma das galáxias mais próximas da nossa. Os astrónomos usaram o poder do Very Large Telescope do ESO para explorar umas das suas regiões menos bem conhecidas. Esta nova imagem mostra nuvens de gás e poeira onde estrelas quentes se estão a formar, ao mesmo tempo que esculpem formas estranhas no seu meio circundante. Mas a imagem mostra também os efeitos da morte das estrelas - filamentos criados por uma explosão de supernova.
 
Situada a apenas 160 000 anos-luz de distância da Terra  na constelação do Espadarte, a Grande Nuvem de Magalhães é uma das nossas vizinhas galácticas mais próximas. Encontra-se a formar estrelas de forma ativa em regiões que são tão brilhantes que algumas podem ser vistas a olho nu a partir da Terra, tais como a Nebulosa da Tarântula. Esta nova imagem, obtida com o Very Large Telescope do ESO, instalado no Observatório do Paranal no Chile, explora uma região chamada NGC 2035 ou Nebulosa da Cabeça de Dragão (à direita na imagem).

A NGC 2035 é uma região HII, ou nebulosa de emissão, constituída por nuvens de gás que brilham devido à radiação intensa emitida por estrelas jovens. Esta radiação arranca electrões dos átomos do gás, que eventualmente se recombinam com outros átomos emitindo radiação. Misturados com o gás estão nodos densos escuros de poeira que absorvem a radiação em vez de a emitirem, criando assim ao longo da nebulosa troços estreitos intrincados e formas escuras.

As formas filamentares que podem ser vistas na imagem à esquerda, não são o resultado da formação estelar, mas sim da morte das estrelas. Foram criadas por um dos fenómenos mais violentos do Universo - a explosão de uma supernova . Estas explosões são tão brilhantes que muitas vezes ofuscam brevemente toda a galáxia, antes de se desvanecerem ao longo de várias semanas ou meses.

Ao inspeccionar esta imagem pode ser difícil apercebermo-nos do tamanho destas nuvens, que têm uma dimensão de várias centenas de anos-luz e que não se encontram na nossa galáxia, mas muito para além dela. A Grande Nuvem de Magalhães é enorme, mas quando comparada com a nossa própria galáxia é muito modesta em extensão, tendo apenas uns 14 000 anos-luz - cerca de dez vezes menos que o tamanho da Via Láctea. Esta imagem foi obtida no âmbito do programa Jóias Cósmicas do ESO com o instrumento FORS (
FOcal Reducer and low dispersion Spectrograph) montado no Very Large Telescope do ESO, que se situa no Observatório do Paranal, no Chile.
Fonte: ESO

Um gigante no céu

Essas três estrelas, alinhadas quase que em uma reta, são umas das maiores referências para os entusiastas. Essas estrelas pertencem a um grupo maior de estrelas chamado de Constelação de Órion"
Constelação de Órion com destaque acima para Betelgeuse (estrela alaranjada) e abaixo a M42 (nebulosa avermelhada)
 
O fim do ano começa a se aproximar e aos poucos você vai notando uma presença famosa no céu: as Três Marias. Essas três estrelas, alinhadas quase que em uma reta, são umas das maiores referências para os entusiastas. Essas estrelas pertencem a um grupo maior de estrelas chamado de Constelação de Órion. Órion é certamente uma das constelações mais antigas de que se tem registro. Desde os homens das cavernas, o céu já era representado através de pinturas em cavernas, esculturas como no caso da escultura em pedra, de apenas 3,8 cm de comprimento, descoberta em 1974 em uma caverna perto de Blaubeuren, na Alemanha, e estudada pelo pesquisador Michael Rappenglück. Essa pequena peça de pedra tem uma idade de 32 mil anos e está esculpida em baixo relevo.
 
De um lado, temos o desenho de um homem e do outro, 86 furos - o mesmo tempo em dias que a estrela principal de Órion (Betelgeuse) fica visível no céu. Pelo fácil reconhecimento no céu, a figura resultante do grupamento das estrelas daquela região geralmente é associada a uma figura humana e de grande prestígio (afinal, para as culturas, o céu é o principal dos altares e não se “ia” parar lá à toa). No Egito antigo, o desenho representava o deus Osíris, que, depois de morto e esquartejado pelo seu irmão Set, teve juntados os pedaços por Isis e imortalizado no firmamento. Na mitologia grega, dentre os vários mitos que envolvem Órion, um deles conta que Órion era um gigante caçador e havia cometido alguma injúria contra Gaia que, enfurecida, enviou um escorpião enorme para matá-lo. Zeus, então, vendo a cena, para que não houvesse mais destruição, decidiu colocá-los no céu.
 
Essa seria a explicação também para que as constelações de Órion e Escorpião fiquem diametralmente opostas no céu. Há outra versão na qual o escorpião feriu Órion e, então, Asclépio (deus da medicina) fez um soro. Os três foram representados no céu: Asclépio portando uma serpente é uma constelação chamada Ofiuco, que está entre o escorpião e Órion. Temos registros de Órion e de suas estrelas nas mais diversas culturas: chinesas, vedas, húngaras, escandinavas e muitas outras que vão desde a gélida Sibéria até a América do Sul. A constelação de Órion tem as Três Marias como o cinto do gigante caçador. Por isso elas também são conhecidas como “cinturão de Órion”. Fazem parte desse “cinturão” as estrelas Alnitak, Alnilan e Mintaka.
 
A constelação tem ainda mais cinco estrelas importantes: Rigel (a mais brilhante da constelação), Betelgeuse, Belatrix, Saiph e Meisa. Além desse grupamento de fácil identificação, a constelação tem também nebulosas famosas como, por exemplo, a M42 que pode ser facilmente identificada por ser um ponto borrado embaixo das Três Marias. Por ser bastante icônica, a constelação já foi citada diversas vezes em livros e filmes. Na saga de Harry Potter, uma das bruxas que tenta destruir o protagonista leva o nome de uma das estrelas: Belatrix. Essa foi uma prática recorrente da autora em nomear os personagens, já que temos também Sírius e Regulus como nomes de personagens e são as estrelas principais das constelações de Cão Maior e Leão, respectivamente. 
 
Já no universo de Senhor dos Anéis, o autor J.R.R. Tolkien chamou a constelação do Órion de “O Espadachin Celeste” para os habitantes da Terra-Média. A Constelação de Órion além de ser facilmente reconhecível está cercada de várias constelações de fácil visualização como as constelações do Cão Maior, Cão Menor, Gêmeos, Touro e Lebre. A sua posição no céu fica na divisa entre os hemisférios celestes norte e sul. Por isso ela pode ser visível nos dois hemisférios, diferentemente de outras constelações, como o Cruzeiro do Sul, que pode ser visto em todo o hemisfério sul e no hemisfério norte apenas para latitudes até a cidade de Miami. Para latitudes acima dela, a constelação fica abaixo da linha do horizonte.
Fonte: Victor Alves Alencar - http://www.opovo.com.br

A formação de estrelas de grande massa a partir de nuvens moleculares turbulentas gigantes

Na sua busca para entender as origens das estrelas e galáxias no nosso universo, os astrofísicos usam supercomputadores para modelar fenômenos extremamente complexos em escala imensa. Estrelas massivas, entre 10 e 100 vezes a amassa do Sol, são os fenômenos chaves que moldam o universo, mas o processo envolvido em suas formações ainda é algo ilusivo. Para investigar esse processo, pesquisadores da Universidade da Califórnia Berkley realizaram simulações de grande escala em supercomputadores de estrelas massivas se formando a partir do colapso de gigantescas e turbulentas nuvens moleculares.
 
Na imagem acima, uma simulação, mostra os filamentos de gás que se formaram em uma nuvem infravermelha 800000 anos depois da região começar seu colapso gravitacional. A extensão de cada filamento é de cerca de 4.5 parsecs de comprimento. Nos fragmentos de maior densidade no filamento (vermelho), os núcleos da nuvem molecular estão desenvolvendo e se colapsarão até que formem estrelas. Cada simulação nesse projeto usou entre 1000 e 4000 processadores do supercomputador Plêiades no NASA Advanced Supercomputing (NAS), para um total de 1 milhão de horas de processadores no decorrer de alguns meses de computação.
Fonte:http://www.nasa.gov

Hubble lança imagem recente do Aglomerado Globular de estrelas M15

Crédito de imagem: ESA, Hubble, NASA
Estrelas, como as abelhas, se reúnem ao redor do centro do brilhante aglomerado globular M15. Essa bola com mais de 100000 estrelas é uma relíquia dos primeiros anos da nossa galáxia, e continua a orbitar o centro da Via Láctea. O M15, um dos 170 aglomerados globulares remanescentes, é notável por ser facilmente visível com binóculos, tendo em seu centro uma das concentrações mais densas de estrelas conhecidas, e contendo uma alta quantidade de estrelas variáveis e pulsares. Lançada recentemente, essa imagem nítida feita pelo Telescópio Espacial Hubble se espalha por cerca de 120 anos-luz. Ela mostra o dramático aumento na densidade de estrelas em direção ao centro do aglomerado. O M15, localiza-se a aproximadamente 35000 anos-luz de distância da Terra, na direção da constelação do Cavalo Alado (Pegasus).
Fonte: http://apod.nasa.gov

26 de nov de 2013

Super Terra recém-descoberta é candidata importante a ter desenvolvido vida

Um estudo feito pela Universidade Joseph Fourier em Grenoble (França) descobriu uma super Terra, um exoplaneta chamado Gliese 163c, que se encontra na borda da “zona habitável” de sua estrela (distância necessária de seu “sol” para que possa existir água líquida), entrando para o “top 5” de exoplanetas conhecidos até agora que deve conter vida. Uma equipe internacional de astrônomos estudou cerca de 400 estrelas anãs vermelhas com o telescópio HARPS no Observatório Europeu do Sul no Chile.
 
Foi assim que eles identificaram Gliese 163c, planeta com uma massa de 6,9 vezes a da Terra e um período orbital de 26 dias. Sua estrela “mãe” é uma anã vermelha, que fica a 49 anos-luz de distância na constelação de Dorado, a Gliese 163. Além de Gliese 163c, mais um planeta alienígena orbita a estrela. A equipe descobriu indícios de um terceiro planeta, ainda não confirmado. Segundo o pesquisador Xavier Bonfils, há uma grande variedade de estruturas e composições que permitem que Gliese 163c seja um planeta habitável, mas também existem várias combinações possíveis para cenários inabitáveis.
 
No momento, pouca coisa pode ser sugerida sobre o planeta. Ele pode ser rochoso, ou pode ser um gigante gasoso. “Planetas com essa massa podem ser terrestres, aquáticos ou parecidos com Netuno”, diz Bonfils. Gliese 163c também pode ter um tamanho compreendido entre 1,8 e 2,4 raios terrestres, dependendo se for composto principalmente de rocha ou de água, respectivamente. Ele recebe em média 40% a mais de luz de sua estrela mãe do que a Terra do sol, tornando-o mais quente. No entanto, é mais escuro que a Terra por conta da órbita. Bonfils apontou que há uma chance de cerca de 2% que Gliese 163c passe entre sua estrela e o nosso sol a partir da perspectiva da Terra. Se assim for, os cientistas podem ser capazes de colher mais informações sobre o planeta.
 

Top 5

 
O Laboratório de Habitabilidade Planetária (PHL, na sigla em inglês), da Universidade de Porto Rico em Arecibo mantém um catálogo dos mundos alienígenas (fora do nosso sistema solar) que considera bons candidatos a abrigar vida. O recém-descoberto Gliese 163c ocupa o quinto lugar dessa lista. Dos seis planetas na lista, quatro foram encontrados no ano passado: Kepler-22b, Gliese 667Cc, HD 85512b e, claro, o Gliese 163c. “A maioria destes planetas estão relativamente perto, por isso podemos esperar encontrar melhores candidatos ainda mais perto conforme nossa sensibilidade tecnológica melhorar”, disse Abel Mendez, do PHL. Para classificar os planetas como habitáveis, Mendez e seus colegas os comparam com o único planeta conhecido que abriga vida: a Terra. A comparação inclui massa, diâmetro e temperatura, porém, alguns desses itens são difíceis de medir.
 
A temperatura de planetas alienígenas, por exemplo, é difícil de estimar porque é fortemente influenciada pelas características atmosféricas, sobre as quais os cientistas não sabem muito ainda – para tanto, precisam de melhores telescópios. Gliese 163c, por exemplo, pode ter um oceano agradável com uma atmosfera 10 vezes mais densa que a da Terra, com um céu rosa, coberto de nuvens. Nesse cenário possível, o planeta teria 60 graus Celsius, temperatura muito quente para a existência prolongada de plantas ou animais complexos, mas que alguns micróbios poderiam tolerar. Também é possível que Gliese 163c seja muito quente para qualquer forma de vida.
Fonte:Hypescience.com
[MSN, SCINews,

Com efeito estufa, Marte pode ter tido água líquida há 3,8 bi de anos

Cientistas acreditam que Marte teve rios no passado Foto: Nasa / Divulgação
 
Um estudo divulgado neste domingo na revista especializada Nature Geoscience indica que Marte pode ter passado por um período de efeito estufa causado por pelo menos dois gases há 3,8 bilhões de anos, o que teria elevado as temperaturas o suficiente para que o planeta vermelho tivesse água em estado líquido. Vales marcianos indicam que existiu água em estado líquido que esculpiu os esguios paredões marcianos. Contudo, simulações anteriores indicam que a quantidade de gás carbônico que existiu na atmosfera não era suficiente para subir a temperatura acima do ponto de congelamento.
 
O novo estudo indica, contudo, que o CO2 não foi o único gás a ter papel no aquecimento de Marte. Há 3,8 bilhões de anos, o planeta vermelho tinha também muito hidrogênio molecular na atmosfera, o que, em conjunto com o gás carbônico, teria causado aquecimento para que o planeta tivesse grande quantidade de água na superfície. Isso é animador porque explica como Marte pode ter sido quente e úmido o suficiente para formar os antigos vales que fazem os cientistas coçarem a cabeça nos últimos 30 anos", diz M. Ramirez, estudante de doutorado da universidade Penn State (EUA) e membro do grupo de pesquisa. "Acreditamos ter elaborado uma solução crível para esse grande mistério."
 
Ramirez e o pesquisador Ravi Kopparapu desenvolveram um modelo no qual os vulcões marcianos liberaram uma grande quantidade de gás carbônico e hidrogênio na atmosfera, o que explicaria o aquecimento. A molécula de hidrogênio em si é um pouco desinteressante", diz Ramirez. "Contudo, com outros gases, como o dióxido de carbono, ela pode ficar perturbada e funcionar como um poderoso gás de efeito estufa em comprimentos de onda que o dióxido de carbono e a água não absorvem muito. Assim, hidrogênio preenche a lacuna deixada pelos outros gases de efeito estufa", diz Ramirez.
Fonte: Terra

O ataque das estrelas canibais

Comilança de planetas pode ser um fenômeno muito comum fora do Sistema Solar
Fim de um planeta Em ilustração, corpo de um sistema solar instável é atraído por estrela
 
O nosso sistema solar pode ser um oásis de tranqüilidade no Universo. Terra, Marte, Vênus e os demais planetas caminham sem grandes atropelos nas órbitas programadas ao redor do Sol. Mudanças, quando ocorrem, não costumam afetar o equilíbrio do sistema. É, digamos, o paraíso espacial. Mas não é o que parece estar ocorrendo em outras paragens. Planetas descobertos nos últimos dez anos bem longe do Sistema Solar enfrentam tempos de turbulência. São muito grandes ou estão em órbitas instáveis. Não bastasse isso, exercem influência uns sobre os outros até se aproximar demais da estrela-mãe e serem engolidos. Constituem o prato principal no banquete que se poderia chamar de sistema de estrelas canibais.

Os cientistas já desconfiavam dessa comilança desde que os primeiros planetas além do Sistema Solar foram descobertos. Na maioria dos casos, constituíam corpos estranhos. Eram gigantescos e muito próximos da estrela, desafiando as teorias de formação de sistemas solares no Universo. Alguns possuíam órbitas irregulares - chegavam muito perto da estrela e depois se afastavam para bem longe. A conclusão dos astrônomos: alguma coisa estava errada. Os gigantes gasosos que encontramos perto dessas estrelas deveriam ter se formado a uma distância muito maior do que aquela em que estavam", conta Nuno Ramos, astrônomo português do Observatório de Genebra, na Suíça. Eles podem ter se aproximado da estrela pela interação com os outros planetas e podem ser engolidos por ela."
 
Ramos participou de um estudo recente mostrando que as estrelas estariam cometendo canibalismo. "Parece que a destruição dos planetas não é um fenômeno tão raro no Universo", comenta o astrônomo Garik Israelian, do Instituto de Astrofísica das Canárias, na Espanha, e um dos autores da pesquisa. Ao estudar a composição química de algumas estrelas semelhantes ao Sol, os astrônomos encontraram a comprovação. A HD 82943, que possui pelo menos dois planetas em sua órbita, tinha quantidades anormais de um isótopo chamado lítio-6 em sua atmosfera. O lítio-6, dizem os pesquisadores, é consumido no início da vida das estrelas, mas permanece intacto nos planetas. A única explicação para sua presença na HD 82943 era, portanto, que ela tivesse devorado algum planeta. O mesmo processo de ingestão pode ter ocorrido em outros sistemas.
Fonte: Galileu

Será que ISON sobrevive à passagem do sol ?

Durante meses, todos os olhos no céu têm apontado para o cometa que viaja velozmente em direcção a um encontro escaldante com o Sol. O momento da verdade chega esta Quinta-feira.
O Cometa ISON (C/2012 S1) ainda estava num pedaço quando o Hubble obteve esta imagem no dia 9 de Outubro de 2013. Uma armada de observatórios solares irá observar o cometa passar pelo Sol e verificar se é destruído ou continua intacto.Crédito: NASA/ESA/Equipe do Hubble (STScI/AURA)
 
O Cometa ISON, que se pensa ter apenas 1,5 km de diâmetro, ou vai ficar escaldado e destruído, vítima do incrível poder do Sol, ou resistir e possivelmente dar um fabuloso espectáculo celeste. É um momento de verdadeira angústia astronómica e até mesmo os cientistas estão relutantes em falar de probabilidades. Caso sobreviva, ficará visível a olho nu todo o mês de Dezembro, pelo menos a partir do Hemisfério Norte. Visível já em Novembro com simples binóculos e ocasionalmente a olho nu, já deslumbrou observadores e é considerado o cometa mais escrutinado de sempre pela NASA. Mas o melhor está, potencialmente, ainda por vir. Detectado há pouco mais de um ano atrás, o cometa está a passar pela primeira vez pelo Sistema Solar interior. Ainda "fresco", pensa-se que este cometa contenha matéria-prima da formação do nosso Sistema Solar.
 
Acredita-se que seja originário da nuvem de Oort, nos confins do Sistema Solar, o lar de inúmeros corpos gelados, principalmente as bolas geladas de poeira e gás em órbita do Sol conhecidas como cometas. Por alguma razão, o ISON foi impulsionado para fora da nuvem e atraído para o coração do Sistema Solar pela intensa atracção gravitacional do Sol. Quanto mais perto está do Sol, mais rápido fica. Em Janeiro, atingiu uma velocidade de 64.000 km/h. Na Quinta-feira passada, a apenas uma semana do periélio, tinha acelerado até aos 240.000 km/h. Nesta Quinta-feira que vem, passará a 1.175.000 km do Sol, menos de um diâmetro solar. Por outras palavras, não caberia um outro Sol na distância entre os dois astros. No momento em que o ISON alcança o periélio, terá uma velocidade de aproximadamente 1.332.000 km/h.
 
Caso sobreviva ou seja dilacerado, não temos nada a temer cá na Terra. O cometa passará a mais ou menos 64 milhões de quilómetros da Terra, menos de metade da distância entre a Terra e o Sol. Esta maior aproximação terá lugar no dia 26 de Dezembro. De seguida, irá continuar na direcção oposta à do Sol para todo o sempre, dada a sua trajectória antecipada. A NASA não perdeu tempo a estudar o ISON. A sonda Deep Impact da agência espacial observou o ISON em Janeiro a partir de uma distância de mais ou menos 800 milhões de quilómetros. Desde então, as observações têm continuado. Os telescópios e sondas que têm observado/vão observar o cometa são: Swift, Hubble, Spitzer, Mars Reconnaissance Orbiter, SOHO, Chandra, Mercury Messenger e as gémeas STEREO.
 
O Cometa ISON aparece na câmara de alta-resolução HI-1 da sonda STEREO-A da NASA. As nuvens "escuras" da direita são nuvens mais densas do vento solar, provocando ondulações na cauda do Cometa Encke. O uso das caudas dos cometas como marcadores pode fornecer dados valiosos sobre as condições de vento solar perto do Sol.Crédito: Karl Battams/NASA/STEREO/CIOC
 
"Vão ser usadas todas as missões com câmaras," afirma John Grunsfeld, director das missões científicas da NASA. A recém-lançada sonda MAVEN, a caminho de Marte, irá observar o ISON na segunda semana de Dezembro, assim que o seu instrumento ultravioleta esteja ligado e a funcionar. Será bem depois da maior aproximação do Sol, de modo que não sei se vamos ver um cometa, pedaços de cometa ou os últimos fios de vapor cometário," realça Nick Schneider, da Universidade do Colorado, encarregue do instrumento. Para além do ISON, a NASA está também espiando o Cometa Siding Spring, outro cometa da nuvem de Oort descoberto em Janeiro pelo observatório australiano com o mesmo nome. O Siding Spring passará a dezenas de milhares de quilómetros de Marte no próximo mês de Outubro, tão perto que os cientistas acreditam que a cabeleira do cometa - a sua fina mas grande atmosfera - poderá envolver o Planeta Vermelho. Vai ser coberto de água e poeira e meteoritos. Move-se a 50 km/s," afirma Jim Green, director da divisão de ciência planetária da NASA.

Isto equivale a 177.000 km/h, por isso o cometa passará por Marte muito rapidamente. Eventos tipo-Siding Spring já aconteceram antes, observa Green. "Temos sorte de apanhar um durante as nossas vidas" e ter a nave espacial ideal e no local ideal para observar o espectáculo. O mesmo aplica-se ao ISON. A juntar a esta armada de instrumentos científicos, encontram-se pequenos foguetes em perseguição do cometa; a NASA lançou um a partir do estado do Novo México na Quarta-feira passada, com um telescópio ultravioleta a bordo, que alcançou os 277 km de altitude antes de descer de pára-quedas. Tendo em consideração todos os observatórios terrestres que acompanham o cometa, bem como inúmeros astrónomos amadores e astrofotógrafos, o ISON tornou-se a atracção principal deste baile cósmico.

 Os cometas evoluem a partir do momento em que começam a aumentar de brilho, até que dão a volta ao Sol, e afastam-se novamente," afirma Green. "Estes agentes dão-nos uma visão única que não poderíamos obter de outra forma. Alguns observadores do céu especularam desde cedo que o ISON poderia tornar-se no cometa do século devido ao seu brilho, embora as expectativas tenham desvanecido ao longo do tempo. Os cientistas esperam saber o destino do ISON rapidamente. Pelo menos três observatórios estarão observando o evento periélico em tempo real. Se o ISON sobreviver, "vai voar directamente sobre o Hemisfério Norte," realça Green de modo emotivo. Deverá ser visível a olho nu durante 30 dias. "Por isso considero-o o cometa desta época festiva, o cometa do Natal," realça. "Mas tem que sobreviver a passagem pelo Sol," conclui.
Fonte: Astronomia On-Line

Agora vês-me, agora não!

Noite adentro enquanto observavam uma galáxia próxima, uma equipe de astrónomos profissionais teve uma surpresa - um novo objeto brilhante apareceu na galáxia. Era uma supernova! Depois de um estudo mais detalhado perceberam que estavam a assistir à morte de uma estrela massiva, um dos eventos mais violentos de todo o universo! Estas explosões são chamadas de “supernovas”. Se observar com atenção a fotografia poderá ver a supernova na parte inferior da galáxia. Apesar de parecer apenas um ponto brilhante, esta supernova tem um brilho equivalente a cinco mil milhões de sóis!

Tal como as estrelas a partir das quais evoluíram, existem diferentes tipos de supernovas. Neste caso trata-se de uma supernova a que os astrónomos chamam “Tipo Ib” (lê-se “um B”). Isto significa que mesmo antes de explodir, esta estrela esteve sujeita a uma dieta de choque cósmico. Isto é, sopraram ventos extremamente fortes da estrela e gradualmente levaram uma grande quantidade de gás que se encontrava perto da superfície antes de finalmente explodir.

Todos os anos os astrónomos observam dúzias de supernovas "Tipo Ib" em galáxias distantes mas nunca conseguem identificar qual a estrela que explodiu. Antes de se tornar numa brilhante supernova, as estrelas distantes ficam com um brilho tão débil que se torna muito difícil identificá-las. No entanto, neste caso os astrónomos pensam que pela primeira vez conseguiram identificar qual a estrela que criou o objeto super-brilhante que pudemos ver na fotografia.

Mas afinal como é que conseguiram? Através de muito trabalho! Examinaram centenas de fotografias antigas que mostravam a região do espaço onde a supernova foi encontrada e procuraram uma estrela na localização exata da supernova. E conseguiram encontrar uma. Melhor ainda era uma estrela massiva, famosa pelos seus ventos super-fortes! Curiosidade: Na realidade, é a gravidade que dá à supernova a sua energia. O núcleo das estrelas “implode”, colapsando sobre si próprio, libertando poderosas ondas de choque conduzindo à explosão do resto da estrela.
Fonte: Ciência 2.0

22 de nov de 2013

Cientistas identificam 'mais antigo pedaço de Marte' na Terra

Uma rocha descoberta no deserto do Saara parece ser o meteorito de Marte mais antigo já descoberto, segundo cientistas. 
Meteorito de origem marciana teria mais de 4 bilhões de anos Foto: Luc Labenne / Divulgação 
 
Uma rocha descoberta no deserto do Saara parece ser o meteorito de Marte mais antigo já descoberto, segundo cientistas. Pesquisas anteriores já sugeriam que a rocha tinha cerca de 2 bilhões de anos, mas novos exames realizados recentemente indicam que a rocha tem, na verdade, mais de 4 bilhões de anos. O meteorito negro e brilhante, apelidado de "Beleza Negra", teria se formado ainda na infância do planeta.  Esta (rocha) nos conta sobre uma das épocas mais importantes da história de Marte", afirmou o autor da pesquisa, Munir Humayan, professor da Universidade Estadual da Flórida (EUA). A pesquisa foi publicada na revista especializada Nature.
 
 Rochas marcianas
 
Existem cerca de cem meteoritos marcianos na Terra. A quase maioria dessas rochas é bem mais jovem, datadas entre 150 milhões e 600 milhões de anos. Elas teriam caído na Terra depois de um asteroide ou cometa ter se chocado contra Marte e desprendido as rochas, que viajaram pelo espaço até acabarem no nosso planeta. A "Beleza Negra" é formada por cinco fragmentos. Um deles, o NWA 7034, foi examinado no passado e sua idade foi calculada em 2 bilhões de anos. Mas a pesquisa mais recente descobriu que outro pedaço, o NWA 7533, tem 4,4 bilhões de anos - o que sugere que o NWA 7034 também deva ter mais do que "apenas" 2 bilhões de anos.
 
A equipe afirmou que a rocha pode ter se formado quando Marte tinha apenas 100 milhões de anos de idade. É quase certo (que a rocha) veio das terras altas do sul, um terreno cheio de crateras que forma o hemisfério sul de Marte", disse Humayan. O período em que as rochas se formaram pode ter sido uma era de turbulência em Marte, com erupções de vulcões em quase toda a superfície do planeta. A crosta de Marte deve ter mudado muito rapidamente com o passar do tempo. Houve um grande episódio vulcânico em toda a superfície, que então formou uma crosta e, depois disso, a atividade vulcânica teve uma queda dramática", prosseguiu Humayan.
 
"Quando isso aconteceu, devia haver água na forma gasosa, dióxido de carbono, nitrogênio e outros gases para produzir uma atmosfera primordial, além de um oceano primordial. É um período de tempo muito empolgante - se houve vida em Marte, a origem seria neste período em particular", acrescentou o cientista. Humayan afirmou que sua equipe agora planeja analisar a rocha para procurar sinais de algum tipo de vida marciana. Mas, segundo o professor, enquanto a rocha permaneceu no deserto do Saara, pode ter sido contaminada por organismos vivos da Terra.
 
Mistura
 O professor Carl Agee, da Universidade do Novo México, foi o cientista que, na análise anterior, que concluiu que a rocha NWA 7034 tinha 2 bilhões de anos de idade. Ele descreveu a pesquisa mais recente como animadora. Agee afirmou que a diferença entre as idades das rochas pode ter ocorrido pois o meteorito tem uma mistura de componentes, e a equipe dele agora também está encontrando partes da rocha que têm cerca de 4,4 bilhões de anos. Definitivamente há um componente antigo na rocha, mas acreditamos que pode haver uma mistura de eras", afirmou.
 
O cientista explicou que o impacto de um cometa ou asteroide, uma erupção vulcânica ou algum outro evento que ocorreu há cerca de 1,5 bilhão de anos pode ter acrescentado materiais mais novos à crosta original. (A rocha) consiste de pelo menos seis tipos diferentes de rocha. Vemos diferentes rochas ígneas, tipos diferentes de rocha sedimentar, é um meteorito muito complexo. Este meteorito continua revelando seus segredos, estamos muito animados com isso."
Fonte: Terra

Cientistas identificam explosão cósmica mais brilhante já vista

Uma explosão cósmica provocou a morte de um estrela gigante que estava sendo estudada pelos cientistas.
Explosão cósmica como esta espalha muita radiação pelo cosmo
 
A explosão da radiação, conhecida como explosão de raio gama, foi registrada no começo do ano por telescópios posicionados no espaço, e foi recentemente confirmada como a mais brilhante já vista.
 
'Vivendo feliz'
 
Os pesquisadores afirmam que a luz da explosão demorou quatro bilhões de anos para chegar à Terra. O astrônomo Paul O'Brein, da Universidade de Leicester, disse: "Esses acontecimentos podem ocorrer em qualquer galáxia a qualquer tempo. Mas não temos nenhuma forma de prever isso." A explosão enorme da estrela foi captada pelos telescópios espaciais Swift e Fermi. Ela teria durado menos de um minutos e espalhado radiação ao seu redor. A estrela estava 'vivendo feliz', fundindo matéria em seu centro. E de repente, acabou ficando sem 'combustível'", explica O'Brien. O centro da estrela teria sido engolida por um buraco negro, liberando muita energia na explosão de raio gama. Uma onda de explosão teria feito com que a estrela se expandisse, criando outro acontecimento visual, conhecido como supernova. Podemos ver a luz se apagando – o final dos dois acontecimentos – por semanas ou até mesmo meses.
 
Apesar de a explosão ter acontecido razoavelmente "perto" do planeta Terra, a radiação não traz qualquer tipo de perigo. A energia não seria capaz de atravessar a atmosfera do planeta com intensidade. Mas caso a explosão tivesse acontecido a uma distância de mil anos luz, a radiação poderia danificar a camada de ozônio, o que teria consequências graves para a vida na Terra. "A previsão é que deve ocorrer uma explosão de raio gama perto da Terra a ponto de nos colocar em perigo a cada 500 milhões de anos", diz O'Brien. Em algum momento na história da Terra, nós provavelmente fomos atingidos por radiação de uma explosão de raio gama, e isso vai voltar a acontecer em algum ponto no futuro. Mas as chances de isso acontecer durante o período em que estamos vivos agora são muito pequenas."
Fonte: BBC

Cometa ISON desenvolve asas

O cometa encontra-se no palco principal: esta imagem mostra o ambiente gasoso do Cometa ISON com duas estruturas tipo-asa que parecem um U alongado (seta). O núcleo é visto aqui como a mancha brilhante no centro para ilustração.
Crédito: Observatório Wendelstein/MPS
 
Um ou mais fragmentos poderão ter-se separado do núcleo do Cometa ISON nos últimos dias. Duas estruturas tipo-asa no ambiente gasoso em redor do cometa, fotografadas por uma equipa de cientistas do Instituto Max Planck para Pesquisa no Sistema Solar e do Observatório Wendelstein da Universidade Ludwig Maximilian de Munique, parecem indicar isso; as estruturas aparecem em imagens obtidas no final da semana passada. Este distanciamento de peças individuais de detritos pode possivelmente explicar o recente aumento de brilho do cometa. O Cometa ISON tem decepcionado muitos astrónomos amadores ao longo da sua viagem até ao Sol.
 
O brilho do cometa, que passará no dia 28 pela superfície do Sol a uma relativamente pequena distância de pouco mais de um milhão de quilómetros, não aumentou tanto quanto inicialmente se esperava. No final da semana passada, a luminosidade do ISON subiu dramaticamente com vários observadores a relatar um considerável aumento de brilho. Uma possível indicação para a causa do surto é fornecida por imagens do cometa obtidas e avaliadas recentemente por cientistas do Observatório Wendelstein e do Instituto Max Planck para Pesquisa no Sistema Solar. Nos dias 14 e 16 de Novembro apontaram o seu telescópio para o cometa.
 
As análises mostram duas estruturas visíveis na atmosfera do cometa que se estendem a partir do núcleo como asas. Estas "asas" eram ainda bastante fracas a 14 de Novembro, mas dominavam claramente as imagens obtidas dois dias depois. "Tais estruturas ocorrem tipicamente após a separação de fragmentos individuais a partir do núcleo cometário," realça Hermann Böhnhardt do Instituto Max Planck para Pesquisa no Sistema Solar. Tal como o núcleo do cometa, os seus fragmentos também libertam gás e poeira para o espaço. Se as emissões do cometa e dos fragmentos menores se encontram, é gerada uma espécie de camada separadora e por vezes tem um carácter tipo-asa.
 
Se o aumento de brilho visto nos últimos dias foi também provocado pela divisão dos fragmentos, "isso não pode ser afirmado com certeza," acrescenta Böhnhardt. No entanto, esta relação foi comprovada noutros cometas. As estruturas tipo-asa nas imagens não podem ser avistadas a olho nu, são necessários métodos numéricos para aparecerem em imagens processadas. Para este fim, os investigadores analisam o ambiente gasoso do cometa no computador em busca de mudanças de brilho.
 
O uniforme pano de fundo da atmosfera do cometa é subtraído e deixa assim de eclipsar as frágeis estruturas. "As nossas computações indicam que ou apenas se dividiu uma única parcela, ou apenas poucos pedaços menores," afirma Böhnhardt. Ainda não se sabe como o cometa irá comportar-se nas próximas semanas, quando der a volta ao Sol. "No entanto, a experiência passada mostra que os cometas que perdem fragmentos têm tendência para fazê-lo novamente," conclui o investigador cometário.
Fonte: Astronomia On-Line

21 de nov de 2013

Telescópios confirmam jatos em buraco negro no centro da Via Láctea

Partículas de alta energia são emitidas pelo buraco negro Sagitário A. Região tem 4 milhões de vezes a massa solar e fica a 26 mil anos-luz daqui.
Imagem composta a partir de registros em ondas de raios X e rádio mostram jatos lançados pelo buraco negro Sagitário A, situado no centro da Via Láctea (Foto: X-ray: Nasa/CXC/UCLA/Z. Li et al/Radio: NRAO/VLA)
 
O telescópio espacial de raios X Chandra, da Nasa, e um radiotelescópio da Fundação Nacional de Ciências dos EUA confirmaram a presença de jatos com partículas de alta energia emitidos pelo buraco negro supermassivo Sagitário A, localizado no centro da Via Láctea. Há décadas, astrônomos buscavam evidências concretas desse fenômeno. Os novos resultados serão publicados na próxima edição da revista científica "The Astrophysical Journal".
 
Esse buraco negro tem 4 milhões de vezes a massa do Sol e fica a cerca de 26 mil anos-luz de distância da Terra. As observações do Chandra foram feitas entre setembro de 1999 e março de 2011, com uma exposição total de 17 dias. Estudos anteriores, feito com vários telescópios, já haviam sugerido a presença de jatos desse tipo, mas as conclusões eram contraditórias e não foram consideradas definitivas.
 
Esta foi a primeira vez, portanto, que pesquisadores obtiveram indícios mais fortes do que ocorre no "coração" da nossa galáxia, destacou o principal autor, Zhiyuan Li, da Universidade de Nanquim, na China. Jatos de partículas de alta energia são encontrados em todo o Universo, em pequenas e grandes escalas. Eles são produzidos por estrelas jovens e buracos negros até mil vezes maiores que o Sagitário A, quando algum material cai na direção deles e, depois, é redirecionado para fora.
 
Esses jatos têm um papel importante no transporte de energia do núcleo do buraco para fora e também na regulação do ritmo de formação de novos astros. Segundo o coautor do trabalho Mark Morris, da Universidade da Califórnia em Los Angeles, a identificação desse processo ajuda a entender a direção do eixo de rotação do buraco negro. Isso, consequentemente, pode fornecer pistas importantes sobre a história do crescimento dele, diz Morris. O estudo teve, ainda, colaboração do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), em Cambridge.
 
Rotações paralelas

 Os cientistas explicam que o eixo de rotação de Sagitário A está paralelo ao da Via Láctea, o que indica que o gás e a poeira migraram de forma constante para dentro desse buraco negro nos últimos 10 bilhões de anos. A descoberta traz à tona alguns detalhes sobre o passado da nossa galáxia, pois, se a Via Láctea tivesse colidido com outras grandes galáxias "recentemente" e os buracos negros delas tivessem se fundido com Sagitário A, os jatos emitidos poderiam apontar para qualquer direção. Como atualmente Sagitário A está consumindo pouco material, seus jatos acabam aparecendo mais fracos nas imagens.
 
Emissões de partículas na direção oposta provavelmente não são vistas por causa do gás ou da poeira que bloqueia a visão da Terra, ou pela falta de material para abastecê-las. A região em torno de Sagitário A também é fraca, o que significa que esse buraco negro tem ficado "tranquilo" nos últimos cem anos. No passado, ele chegou a ser pelo menos um milhão de vezes mais brilhante que hoje, de acordo com os astrônomos. Além disso, em 2008 o telescópio de raios gama Fermi, da Nasa, evidenciou que bolhas gigantes de partículas de alta energia se estendem para fora da Via Láctea e são causadas pelos jatos de Sagitário A – o que foi reforçado agora.

Estamos próximos de detectar e entender a matéria escura?

A matéria escura compõe cerca de um quarto de todo o universo. Mesmo assim, ainda não sabemos quase nada sobre ela. O físico Jim Al-Khalili conversou com a BBC, e ponderou o quão perto estamos de compreender essa misteriosa matéria que permeia o universo. Diante de todo o progresso feito na física moderna ao longo do século passado, é comum que as pessoas acreditem que os físicos estão próximos de compreender todos os mistérios do universo. Mas não é bem assim – ainda não se sabe do que é feito 95% do universo. Tudo o que conseguimos ver são planetas e suas luas, o sol, estrelas no céu e buracos negros – ok, esse último não podemos ver. De qualquer maneira, tudo isso equivale a menos de 5% do universo. E ainda nem sabemos se o espaço é infinito, qual sua forma, o que causou o Big Bang ou até mesmo se esse não é apenas um dos muitos multiversos que existem.

A matéria escura

Acredita-se que cerca de um quarto de todo nosso universo seja composto por matéria escura. Sabemos isso porque as galáxias parecem pesar muito mais do que a soma de toda a matéria normal que conhecemos atualmente. Observações astronômicas, movimentos de estrelas e imagens de galáxias distantes distorcidas pela matéria interveniente apontam para o efeito gravitacional de algum tipo de matéria invisível e indescritível – a matéria escura. Por exemplo, as estrelas nas galáxias giram como pedacinhos minúsculos de café instantâneo que não se dissolveram na superfície de uma caneca, quando você já parou de misturar. Quanto mais rápido as estrelas se movem, mais difícil é puxá-las em direção ao centro para evitar que elas “fujam”.
 
Se a única matéria na galáxia fosse a que é composta pelo material que podemos ver, as estrelas exteriores deveriam girar muito mais lentamente. Na realidade, elas se movem tão rápido que, sem nenhuma força gravitacional extra para segurá-las, elas estariam voando pelas profundezas do espaço. A única maneira de explicar a forma como essas estrelas se comportam é que existe alguma atração gravitacional adicional provocada por alguma forma invisível de matéria. E, para provocar efeitos nas proporções observadas, a matéria escura teria que conter muitas vezes mais massa do que todas as outras formas de matérias visíveis juntas. O problema com a matéria escura é que, seja lá do que ela seja feita, parece que ela interage muito fracamente com a matéria normal. Isso a torna muito difícil de entendê-la.
 
Do que é feita a matéria escura ?
 
Existem três maneiras diferentes para tentar descobrir do que é feita a matéria escura. É possível olhar para o espaço e ver os resultados de colisões de partículas de matéria escura, tentando detectar partículas normais criadas nos escombros dessas colisões. Podemos também tentar capturar partículas de matéria escura diretamente na Terra. A terceira opção é fazer aceleradores de partículas. O segundo método é o que tem se mostrado o mais promissor até o momento. A maioria dos cientistas acredita que a matéria escura tem a forma de partículas – chamadas de partículas massivas de interação fraca – e que milhões delas estão fluindo através de nós a cada segundo sem deixar vestígios. Na última década, diferentes grupos de pesquisa ao redor do mundo afirmaram terem indícios dessas partículas obscuras.
 
Pesquisas
 
Muitos dos atuais experimentos estão sendo feitos no Laboratório Nacional Gran Sasso, na Itália, o maior laboratório subterrâneo do mundo. Ele fica embaixo de quase um quilômetro e meio de rocha sólida e pode ser alcançado através de um túnel. O laboratório foi instalado nesse local porque o nosso planeta é bombardeado por raios cósmicos constantemente, que colidem com a atmosfera superior, criando uma cascata de partículas que se espalham abaixo da superfície terrestre. A rocha acima desse laboratório, com 1,4 quilômetros de espessura, absorve a maior parte dessas partículas. A esperança dos pesquisadores é que a matéria escura passe direto através da rocha, atingindo os detectores.
 
Outro laboratório que está empolgando pesquisadores da matéria escura é o LUX (Large Metro Xenon), situado em uma mina de ouro nos Estados Unidos. Ele tem se mostrado o detector mais poderoso e sensível construído até agora. Já descartou várias partículas que poderiam ser confundidas com matéria escura descobertas em outros experimentos – e tão importante quanto descobrir o que é, é saber o que não é matéria escura. As pesquisas mais importantes realizadas nesse laboratório irão começar em 2014. Os físicos estão ansiosos para o início dos experimentos com LUX. O detector irá trabalhar por 300 dias seguidos, e espera-se que ele consiga detectar diretamente partículas de matéria escura.
 
Se isso não acontecer, pesquisadores já estão projetando um detector ainda maior e mais sensível, chamado de “LZ”, que pode enfim detectar as partículas massivas de interação fraca – se é que elas existem. Claro que, se os físicos continuarem chegando de mãos vazias ao fim de suas buscas, podem concluir que estão completamente errados sobre o que acreditam ser a matéria escura. E o que acontece quando solucionarmos esse mistério? Bem, há ainda dois terços do universo para estudar, que são ainda mais misteriosos – compostos pelo material chamado de energia escura. E os cientistas nem sequer descobriram como sair à procura disso.
Fonte: Hypescience.com
 [BBC]
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