Explosão em estrela pode ser vista a olho nu durante a madrugada

Animação mostra o mesmo quadrante celeste como registrado antes e depois da explosão "nova". Créditos: Ernesto Guido, Nick Howes e Martino Nicolini, Apolo11.com.


Pela segunda vez nesse ano, o céu é do hemisfério Sul é palco de uma violenta explosão estelar. O evento fez surgir uma nova luz no firmamento e que pode ser vista facilmente durante as madrugadas sem auxílio de instrumentos. Batizada de Nova Centauri 2013, a explosão foi detectada primeiramente no dia 2 de dezembro pelo astrônomo amador John Seach, na Austrália, que registrou um súbito brilho de magnitude 5.5 em um campo de visão onde o objeto mais intenso não brilhava mais que a magnitude 11. No mesmo dia, o repentino clarão foi confirmado pelo também astrônomo amador Steven Graham, da Nova Zelândia, que ao checar as imagens das câmeras de céu amplo (allsky cameras) notou o novo objeto brilhante na área mencionada por Seach.
 
Em 3 de dezembro, imagens feitas com telescópio robótico de 500 milímetros pelos astrônomos Ernesto Guido, Nick Howes e Martino Nicolini mostraram que Nova Centauri 2013 havia evoluído e estava três vezes mais brilhante, passando de 5.5 para 4.7 magnitudes. Os dados também mostraram fortes linhas de emissão nos comprimentos de onda do hidrogênio. A Associação Americana de Observadores de Estrelas Variáveis, AAVSO, informou que na quinta-feira a magnitude da "nova" havia caído ainda mais e atingido 3.5, lembrando que quanto menor a magnitude de um objeto, mais brilhante ele é.

Segunda no ano

Nova Centauri 2013 é a segunda explosão desse tipo observada este ano. Em agosto foi a vez da Nova Delphi 2013, que atingiu inicialmente a magnitude 6.0 e se tornou um objeto fácil de ser observado sem ajuda de instrumentos nos céus mais escuros. Passados alguns dias, a estrela aumentou ainda mais de brilho e se tornou o alvo principal dos astrônomos amadores.

Explosão Nova

Uma "nova" é a expansão súbita e extremamente brilhante de uma estrela do tipo anã branca após gigantesca explosão termonuclear. Esse evento ocorre em sistemas binários onde, devido à enorme massa e proximidade, a anã branca absorve o hidrogênio de sua companheira. Com o passar do tempo, a pressão e temperatura do gás acumulado se torna tão intensa que gera a fusão nuclear. Essa explosão libera uma quantidade muito grande de energia, parte dela no espectro visível. Diferente da chamada "explosão supernova", que praticamente destrói a estrela, em uma explosão do tipo "nova" a anã branca continua intacta. Após a explosão, dependendo do tipo de estrela a elevação do brilho pode ser lenta ou muito rápida. Após atingir o brilho máximo, a intensidade decai. Normalmente, uma "nova" rápida leva menos de 25 dias para que seu brilho caia 2 magnitudes (7 vezes), enquanto uma "nova" lenta leva mais de 80 dias.
 
Carta celeste ajuda a localizar Nova Centauri 2013 no céu noturno. Créditos: Ernesto Guido, Nick Howes e Martino Nicolini, Apolo11.com.
 
 Como encontrar Nova Centauri 2013

Apesar de a estrela brilhar na magnitude 3.5 e ser visível a olho nu, um binóculo vai ajudar bastante a ver e estudar o fenômeno. Para localizar Nova Centauri 2013 é necessário olhar para o quadrante sudeste aproximadamente às 05h00 da manhã e então localizar a constelação do Cruzeiro do Sul e a constelação do Centauro. Nova Centauri 2013 estará ligeiramente à esquerda e acima da estrela Hadar (ou Agena), a beta do Centauro, como mostra a carta celeste publicada acima. A "nova" é uma explosão cujo brilho está em desenvolvimento e ainda pode aumentar um pouco mais nos próximos dias para em seguida decair. Aproveite para contemplar a estrela agora, pois daqui alguns dias ela não estará mais lá.
Bons Céus!
Fonte: Apolo11.com - http://www.apolo11.com/

LinkWithin

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

Postagens mais visitadas deste blog

Galéria de Imagens - Os 8 planetas de nosso Sistema Solar

Tipos de Estrelas

Nova Classificação do Sistema Solar

Como surgiu o primeiro átomo?

Os satélites naturais do Sistema Solar

Johannes Kepler

Veja os 10 maiores mistérios das estrelas

Isaac Newton