Reparo poderá prolongar missão da Nasa para encontrar 'gêmea' da terra

No outono deste ano, uma importante engrenagem do satélite Kepler da Nasa emperrou, deixando seu telescópio incapaz de apontar com precisão suficiente para continuar a prospecção de planetas semelhantes à Terra em um trecho estrelado da Via Láctea. Mas os administradores do Kepler dizem que têm um plano que poderá manter o satélite ativo por mais três ou quatro anos. Nos últimos quatro anos, o Kepler identificou 3.500 possíveis exoplanetas e permitiu a primeira estimativa do número de planetas habitáveis na Via Láctea: cerca de uma em cada cinco estrelas semelhantes ao Sol tem planetas do tamanho da Terra potencialmente habitáveis, o que significa bilhões de chances de existência de vida extraterrestre.

Mas a espaçonave estava apenas começando a localizar planetas com órbitas como a nossa, mundos do tamanho da Terra que levam um ano para orbitar sóis parecidos com o nosso e são candidatos a Terra 2.0, no jargão do setor. A nova abordagem deixaria de focalizar o Kepler em apenas um conjunto de estrelas. Em vez disso, o satélite giraria pelo céu monitorando as estrelas em um ponto continuamente, por até 80 dias. Ele não detectaria qualquer planeta com períodos orbitais maiores que algumas semanas. Mas detectaria planetas com órbitas habitáveis ao redor de estrelas menores e menos brilhantes, conhecidas como anãs vermelhas.

O problema surgiu quando a perda de um segundo giroscópio -dispositivo de controle da orientação da nave- deixou a espaçonave com a tendência a rolar em torno de sua linha de visão. Em 2009, o Kepler foi lançado com quatro giroscópios. A solução foi encontrada na ciência de foguetes. Testes demonstraram que a luz do Sol pode ser usada para estabilizar o Kepler. A chave é mantê-lo apontado a direções que deixem seus painéis solares iluminados de maneira uniforme. "Quando está estável é realmente estável", disse Charles Sobeck, vice-gerente de projeto do Kepler. Em consequência, a caça aos planetas do satélite agora será limitada a campos de estrelas situados ao longo de um círculo conhecido como eclíptica -o caminho aparente que o Sol atravessa no zodíaco.

Uma parte desse caminho passa exatamente pelo centro da galáxia, na constelação de Sagitário, e outras partes, distantes da Via Láctea, cruzam galáxias exteriores, onde o Kepler poderá registrar a ascensão e a queda de explosões de supernovas que foram críticas para a compreensão da história cósmica. Outros campos de oportunidade incluem regiões tempestuosas cheias de nuvens de gás e poeira, onde novas estrelas e supostamente novos planetas estão nascendo, de modo que, se o plano for realizado, o Kepler poderá estudar estrelas e planetas em diversos ambientes.

A ideia ainda está sendo testada. Uma decisão virá na próximo ano. Independentemente disso, a equipe do Kepler tem mais três anos para analisar os dados já obtidos. Sobeck está esperançoso por mais tempo. "Ninguém quer desligar um satélite em órbita", disse.
Fonte: Folha

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