25 de jan de 2013

20 incríveis missões lunares

Nos últimos 50 anos, a humanidade enviou quase 100 missões espaciais à lua. Embora nem todas elas tenham sido bem sucedidas, elas tornaram o nosso satélite o lugar mais explorado do sistema solar – depois do nosso planeta, é claro. A mais recente missão de exploração lunar é a GRAIL, da NASA, um conjunto de duas espaçonaves robóticas que foi lançado ao espaço no último sábado, dia 10 de setembro. Enquanto a missão não volta com novidades sobre nosso vizinho celestial – que ainda permanece repleto de mistérios – confira outros destaques entre as missões da humanidade rumo à Lua:

1 – Luna 2
O programa Luna foi criado na União Soviética e lançou diversas missões espaciais não tripuladas à lua. Enquanto a Luna 1 chegou bem perto de nosso satélite, a Luna 2 foi o primeiro objeto feito pelo homem a entrar em contato com outro corpo planetário. A nave esférica foi lançada no dia 12 de setembro de 1959 e caiu na lua dois dias depois.

2 – Luna 3
Outra missão soviética na lista e na história astronômica: a Luna 3 foi a primeira sonda a nos enviar fotos do lado oculto da lua. A nave foi lançada em 4 de outubro de 1959.

3 – Ranger 7
Esta nave espacial dos EUA foi lançada em julho de 1964 e capturou cerca de 4,3 mil imagens da superfície lunar – foi a primeira vez que fotos de alta qualidade foram enviadas da lua. Mais tarde, a nave quebrou e caiu dentro do oceano.

4 – Luna 9
Essa nave soviética foi a primeira a fazer um pouso controlado na superfície lunar. Em 3 de fevereiro de 1966, Luna 9 aterrissou com sucesso em uma cratera da lua, enviando imagens panorâmicas da paisagem local.

5 – Luna 10
Mais uma façanha nunca antes realizada aconteceu para os soviéticos: nessa missão, pela primeira vez, um objeto feito pelo homem orbitou com sucesso outro corpo celeste. A sonda não tripulada foi lançada em 31 de março de 1966, e entrou em órbita ao redor da lua dois dias depois. A sonda circulou a lua 460 vezes, durante mais de dois meses.

6 – Surveyor 1
Em junho de 1966, os EUA realizaram o que os soviéticos tinham conseguido fazer quatro meses antes, pousando uma sonda na lua de maneira controlada. Na missão que durou seis semanas, a Surveyor 1 enviou mais de 11,1 mil imagens da superfície lunar.

7 – Lunar Orbiter 5
Essa missão americana fez parte de uma série de missões lunares não tripuladas que estavam preparando o terreno para o desembarque da missão tripulada Apollo. Após a conclusão da missão Lunar Orbiter 5, a superfície da lua já tinha sido 99% mapeada. A nave foi lançada em agosto de 1967, e completou sua missão em janeiro de 1968.

8 – Apollo 8
Em 21 de dezembro de 1968, os astronautas que tripulavam a Apollo 8 – Frank Borman, James Lovell, e William Anders – se tornaram os primeiros homens a deixarem a órbita terrestre para visitar a lua. Eles não pousaram em solo lunar, mas foram os primeiros a circum-navegar a lua. Eles chegaram à órbita lunar na véspera do Natal de 1968, e como presente nos enviaram a primeira visão humana do globo azul: nosso planeta, de longe. Após orbitar a lua 10 vezes, os três astronautas voltaram para a Terra no dia 27 de dezembro de 1968.

9 – Apollo 11
Os EUA conseguiram o prêmio final e mais desejado na corrida espacial travada com os soviéticos: pisar na lua. Os astronautas Neil Armstrong e Buzz Aldrin saltaram na superfície lunar no dia 20 de julho de 1969, enquanto o companheiro de tripulação Michael Collins orbitava acima deles, no Comando Apollo e Módulo de Serviço. Os três voltaram para casa em 24 de julho de 1969.

10 – Luna 16
Depois da popular missão americana tripulada, a União Soviética decidiu enviar uma não tripulada para a lua em setembro de 1970. O objetivo da missão era a de coletar e embalar rochas lunares, as enviando novamente para a Terra. Foi a primeira missão de sucesso de recolhimento de amostras a partir de robótica.

11 – Lunokhod 1
O soviético Lunokhod 1 foi o primeiro robô a atravessar a lua. Ele foi lançado em novembro de 1970, como parte da missão Luna 17. Depois de chegar à superfície lunar, o veículo dirigido por controle remoto viajou mais de 10,5 quilômetros, tirando fotos e filmando todo o percurso.

12 – Luna 24
Essa missão robótica foi a última na qual foram recolhidas amostras da lua, sendo trazidos de volta à Terra. A sonda foi lançada no dia 9 de agosto de 1976 e voltou com 160 gramas de rochas lunares e sujeira no dia 22 de agosto de 1976.

13 – Lunar Prospector
Esta nave espacial não tripulada da NASA foi lançada em 7 de janeiro de 1998. A missão teve como objetivo orbitar a lua em busca de sinais de água e outros minerais, em crateras permanentemente sombreadas nos pólos lunares. Ao longo de 19 meses, a sonda compilou um mapa com a composição mineral da superfície lunar, antes de cair e se espatifar numa cratera em 31 de julho de 1999.

14 – SMART-1
Essa foi a primeira missão lunar da Agência Espacial Europeia. A sonda não tripulada SMART-1 foi lançada em setembro de 2003, e alcançou a órbita lunar em novembro de 2004. A pequena nave espacial era alimentada por um motor de íons, usando energia elétrica solar.

15 – Kaguya (SELENE)
Essa missão japonesa decolou para a lua em setembro de 2007, e entrou em órbita ao redor do satélite menos de um mês depois. A nave ainda está em órbita lunar, compilando o mapa mais detalhado até agora sobre o campo gravitacional da lua.

16 – Chang’e 1
A primeira missão chinesa fora da Terra foi a Chang’e 1, lançada em outubro de 2007. A nave espacial não tripulada orbitou a lua até março de 2009, quando ela acidentalmente colidiu contra a superfície lunar. A China seguiu a missão com a sonda Chang’e 2, lançado em outubro de 2010 – só recentemente ela deixou a lua para viajar ao Ponto de Lagrange L1, entre a Terra e o sol.

17 – Chandrayaan-1
Para não ficar para trás, a Índia se juntou a corrida exploratória da lua em outubro de 2008, lançando a sonda robótica Chandrayaan-1 para a órbita lunar. A sonda permaneceu em órbita até agosto de 2009, e os resultados da viagem foram concretos: em setembro do mesmo ano, os instrumentos mapeadores da Chandrayaan-1 ajudaram a detectar evidências de água na lua.

18 – Lunar Reconnaissance Orbiter (LRO)
O Lunar Reconnaissance Orbiter (LRO) ou Orbitador de Reconhecimento Lunar foi a primeira missão da NASA na lua desde a era Apollo. A sonda não tripulada foi lançada em junho de 2009. Originalmente ela foi planejada como uma precursora das viagens lunares americanas de regresso, mas acabou cumprindo o papel de mapear a superfície lunar com alta resolução 3D. A sonda tem uma captação de imagens tão boa que conseguiu detectar pegadas dos astronautas da Apollo.

19 – Satélite de Detecção e Observação de Crateras Lunares (LCROSS)
O Satélite de Detecção e Observação de Crateras Lunares (LCROSS, sigla para Lunar Crater Observation and Sensing Satellite) foi um satélite da NASA enviado em junho de 2009. Em outubro de 2009, a sonda não tripulada se chocou contra a superfície da lua. Mas não foi exatamente uma tragédia… não para a ciência pelo menos: a NASA confirmou que o impacto forneceu novas evidências de água congelada na lua.

20 – GRAIL
As sondas gêmeas GRAIL, da NASA, foram lançadas no último sábado, 10 de setembro, para estudar o campo gravitacional lunar e assim, obter mais informações sobre a formação e a história da lua. Pesquisadores planejam monitorar pequenas mudanças na distância entre as duas sondas lançadas causadas por variações no campo gravitacional da lua.
Fonte: hypescience.com
[SPACE]

Telescópio tenta capturar luz do Big Bang

Pesando quase três toneladas, o telescópio foi lançado ao espaço na Antártica, suspenso por um balão do tamanho de um estádio de futebol - foram necessárias duas carretas de gás para enchê-lo. [Imagem: Asad Aboobaker/Columbia University]

Fiat Lux
Um telescópio levado aos limites do espaço por um balão está tentando capturar a luz do momento da criação do Universo. O objetivo do EBEX (E and B EXperiment) é registrar resquícios da radiação emitida pelo Big Bang - fótons emitidos quando o Universo tinha apenas 380.000 anos de idade. O telescópio está capturando fótons não de luz visível, mas de radiação na faixa das micro-ondas, que compõem a chamada radiação cósmica de fundo - mais precisamente, ele está tentando capturar a polarização desses fótons. Pesando quase três toneladas, o telescópio foi lançado ao espaço na Antártica, suspenso por um balão do tamanho de um estádio de futebol.

Modelo cosmológico inflacionário
A maioria dos cosmologistas concorda que o Universo começou quente, denso e microscopicamente pequeno. Mas de onde ele veio e como se expandiu? O modelo adotado para preencher a lacuna de uma resposta a essas perguntas é que, em uma fração de segundo, esse embrião de universo expandiu-se mais rápido do que a velocidade da luz, aumentando de tamanho em um ritmo muito maior do que se expandiria nos próximos 13 bilhões de anos. Os físicos sabem que comprovar ou desmentir essa hipótese vai ajudar a entender o que existia antes do Big Bang e, se ele realmente ocorreu, por que ocorreu. Até há pouco tempo, os cientistas não tinham como colocar à prova essa hipótese, o chamado "modelo cosmológico inflacionário".

Reflexos do Big Bang
Agora, a expectativa é que o telescópio EBEX capte um sinal dessa relíquia cosmológica, na forma de um tipo de luz chamada polarização do tipo B. Conforme a luz se espalhou ele levou consigo uma estampa, uma fotografia da aparência do Universo antes que qualquer coisa houvesse se formado," explica Amber Miller, da Universidade de Colúmbia, nos Estados Unidos. As polarizações do tipo B que ela e sua equipe estão procurando foram criadas ainda mais cedo: pelas ondas gravitacionais geradas durante o Big Bang. "Se encontrarmos as assinaturas dessas ondas, elas nos dirão algo sobre o tipo de expansão que ocorreu no início do Universo e o que as gerou," explicou a pesquisadora. Os dados do telescópio EBEX vão complementar os resultados de uma outra câmera, instalada no solo, no Deserto de Atacama, no Chile. A equipe agora está analisando os dados, e espera publicar os resultados até o final do ano.
Fonte: Inovação Tecnológica

Como serão as primeiras fotos de buracos negros

Esta imagem é a melhor previsão teórica das observações de Sgr A *, o buraco negro supermassivo no centro da nossa galáxia

Ninguém jamais viu um buraco negro, e jamais vai ver por que, tecnicamente falando, não há nada para ver: buracos negros não emitem um único fóton (partícula de luz). Mas se o buraco negro não emite fótons, o mesmo não acontece com seu entorno. Se houver matéria caindo no buraco negro, ela forma um disco, chamado de disco de acreção. Neste disco, a matéria descreve uma trajetória em forma de espiral, aproximando-se cada vez mais do horizonte de eventos – o limite exterior do buraco negro, por assim dizer.
À medida que a matéria vai se aproximando, vai aquecendo. Nas proximidades do buraco negro, ela aquece tanto que brilha não mais como luz visível, nem como ultravioleta, mas como raio-X e rádio. E são estas emissões que o Event Horizon Telescope, EHT, capta. Combinando vários radiotelescópios, inclusive alguns que estão em construção, o EHT terá a capacidade de observar objetos menores que o menor objeto que cada um dos telescópios sozinhos consegue. Os astrônomos esperam conseguir examinar o próprio horizonte de evento de um buraco negro próximo, Sagittarius A*, ou Sgr A* (lê-se “sagitárius a-estrela”), que está no centro de nossa galáxia, e tem massa estimada de 4 milhões de massas solares.

Que imagem será registrada?
Já vimos que em torno do buraco negro forma-se um disco de acreção se houver massa próxima. No caso de Sgr A*, acredita-se haver tal disco de acreção, devido à atividade de raio-X e rádio deste objeto. Conforme o disco gira, o lado dele que está “vindo na direção” da Terra fica mais brilhante por conta de um efeito chamado Doppler beaming (“radiante Doppler”). A parte do disco que está “se afastando” fica mais escura pelo mesmo motivo. O resultado é uma estrutura em forma de lua crescente, como pode ser vista na simulação. No centro da estrutura deve haver um círculo escuro, chamado de sombra do buraco negro, que representa o próprio buraco negro. A imagem da estrutura foi apresentada no 221º encontro da Sociedade Astronômica Americana, em Long Beach, Califórnia, EUA. Os pesquisadores acreditam que uma imagem real poderá ser obtida nos próximos cinco anos. Comparando a imagem que for obtida com as previsões teóricas (a imagem acima é uma previsão teórica), os astrônomos esperam não só conhecer melhor Sgr A*, como também verificar quais teorias sobre o buraco negro devem ser abandonadas.
Fonte: Hypescience.com

O Sol como você nunca viu antes

A colagem mostra a riqueza de informações que instrumentos adequados podem gerar - cada imagem dá informações sobre uma região ou um comportamento específico do Sol.[Imagem: NASA/SDO/Goddard Space Flight Center]

Um Sol, muitas personalidades
Você nunca poderá ver o Sol diretamente, porque isso danificaria irremediavelmente as células da sua retina. Mesmo uma câmera comum, com um filtro apropriado, não lhe daria mais do que uma imagem do disco amarelo característico da nossa estrela, que poderá aparecer um pouco mais avermelhado se ele estiver baixo no horizonte - o caminho maior que a luz percorre na atmosfera terrestre faz com que ela perca seus componentes azuis. Mas os sensores do telescópio SDO (Solar Dynamics Observatory, Observatório da Dinâmica Solar) podem ver a luz do Sol de inúmeras formas diferentes. O Sol emite luz em uma gama muito ampla de comprimentos de onda, ou frequências, que incluem, além da luz visível, infravermelha, ultravioleta e até raios X, apenas para citar as frequências mais conhecidas.

Cada um desses comprimentos de onda nos dá informações diferentes sobre o funcionamento e o comportamento do Sol, permitindo avaliar com mais precisão seu impacto sobre a Terra e todo o Sistema Solar. A equipe do SDO, que pertence à NASA, fez então uma colagem das diversas imagens que os diferentes sensores do observatório fazem do Sol, mostrando a riqueza de informações que instrumentos adequados podem gerar. Por exemplo, a luz amarela característica do Sol é gerada por átomos com temperatura na faixa dos 5.700 ºC, o que representa o que está acontecendo na superfície da estrela. Já a luz ultravioleta extrema é emitida por átomos a 6.300.000 ºC, um bom comprimento de onda para estudar as erupções solares - a temperatura na atmosfera solar atinge picos muitíssimo superiores à da sua superfície, um fenômeno para o qual os cientistas ainda não possuem boas explicações. A colagem inclui ainda imagens geradas por outros instrumentos, que mostram informações sobre magnetismo e Doppler.

Olhares sobre o Sol
Algumas das imagens usadas para compor o mosaico, todas feitas pelos instrumentos do telescópio solar SDO. [Imagem: NASA/SDO/Goddard Space Flight Center]

Veja todos os comprimentos de onda observados pelo SDO, medidos em Angstroms - 1 Angstrom equivale a 0,1 nanômetro - colocados em ordem de altitude de origem, da superfície do Sol para as regiões mais altas de sua atmosfera.

4.500: Mostra a superfície do sol, ou fotosfera.
1.700: Mostra a superfície do sol, juntamente como uma camada da atmosfera solar, chamada cromosfera, que fica logo acima da fotosfera e é onde a temperatura começa a aumentar.
1.600: Mostra uma mistura entre a fotosfera superior e a chamada região de transição, uma região entre a cromosfera e a camada mais superior da atmosfera solar, chamada corona. É na região de transição onde a temperatura sobe mais rapidamente.
304: Esta luz é emitida a partir da região de transição e da cromosfera.
171: Este comprimento de onda mostra a atmosfera do Sol, ou corona, quando ela está tranquila. Também mostra gigantescos arcos magnéticos, conhecidos como laços coronais.
193: Mostra uma região ligeiramente mais quente da corona, e também o material mais quente de uma labareda solar.
211: Este comprimento de onda mostra regiões magneticamente ativas e mais quentes na corona solar.
335: Este comprimento de onda também mostra regiões magneticamente ativas e quentes na corona.
94: Essa frequência destaca regiões da corona durante uma tempestade solar.
131: É nesta frequência que aparece o material mais quente durante uma erupção solar.

O Observatório da Dinâmica Solar (SDO) foi lançado em 2010, tendo como objetivo principal analisar o funcionamento do chamado dínamo solar, uma rede profunda de corrente de plasma que gera o campo magnético solar. Mas os benefícios do telescópio estão indo muito além: seus instrumentos fotografam o Sol a cada 0,75 segundo e enviam de volta à Terra 1,5 terabyte de dados por dia.
Fonte: Inovação Tecnológica

Universo resfriando como a Teoria do Big Bang previu

Astrônomos usaram o Telescope Compact Array da CSIRO (Commonwealth Scientific and Industrial Research Organisation – Organização de Pesquisa Científica e Industrial da Commonwealth), próximo a Narrabri, Austrália para medir a temperatura de uma nuvem de gás e poeira a uma distância que corresponde aproximadamente à metade da idade do universo. Basicamente, o que eles fizeram foi encontrar um gás em uma galáxia a 7,2 bilhões de anos-luz de distância. Estando afastada de estrelas e outras fontes de calor, a única coisa que aquece esta nuvem é o calor do Big Bang, o mesmo da radiação cósmica de fundo.

Por sorte, há um quasar, PKS 1830-211, por trás da nuvem de gás. Ondas de rádio do quasar atravessam a nuvem, interagindo com suas moléculas. O resultado é uma mudança no espectro luminoso do quasar – parte da energia é absorvida. Esta marca deixada no espectro luminoso é usada para calcular a temperatura da nuvem de gás. O valor encontrado foi de 5,08 Kelvin, ou -267,92 °C. Uma temperatura extremamente baixa, mas mais quente que o universo atual, que está a 2,73 K, ou -270,27 °C.
De acordo com a Teoria do Big Bang, a temperatura da radiação cósmica de fundo cai suavemente conforme o universo expande. É exatamente isto que foi visto nas medições – poucos bilhões de anos atrás, o universo era poucos graus mais quente que hoje. O trabalho, “A precise and accurate determination of the cosmic microwave background temperature at z=0,89″ (“Uma medição precisa e exata da temperatura da radiação cósmica de fundo em z=0,89″ em tradução livre), foi aceito para publicação no periódico Astronomy & Astrophysics. Fonte:Science Daily

Estrela Betelgeuse prestes a explodir

© Herschel (arco ao redor da estrela Betelgeuse)
Os múltiplos arcos revelados na imagem que mostra Betelgeuse, a supergigante vermelha mais próxima da Terra, indicam que a estrela está se encaminhando para uma poderosa supernova, explosão que ocorre quando a vida de uma estrela massiva chega ao fim. A agência espacial europeia (ESA) registrou o processo de destruição com o telescópio espacial Herschel. A estrela Betelgeuse, também chamada de Alfa Órion, é cerca de mil vezes maior que o Sol e tem um brilho aproximadamente 100 mil vezes mais forte. Localizada na constelação de Órion, pode ser vista a olho nu no céu noturno como uma estrela de cor vermelho-alaranjada à esquerda das chamadas Três Marias, que formam o cinturão da constelação de Órion. Betelgeuse marca o ombro direito do caçador.

A recém-divulgada imagem infravermelha mostra como os ventos da estrela estão colidindo contra o meio estelar em seu entorno, criando um choque em arco enquanto a supergigante se move pelo espaço à velocidade de aproximadamente 30 km/s. Uma série de arcos à frente da direção de deslocamento testemunha uma turbulenta história de perda de massa. As supergigantes vermelhas como a Betelgeuse representam uma das últimas fases da vida de uma estrela de grande massa. Durante essa fase, de curta duração, a estrela aumenta de tamanho e expele as suas camadas exteriores para o espaço a uma taxa prodigiosa, emitindo enormes quantidades de material (correspondentes aproximadamente à massa do Sol) em apenas 10 mil anos, ou estimados 5 mil anos, no caso da Betelgeuse.
Fonte: ESA

Os buracos negros constroem sua moradia?

© ESO (quasar HE0450-2958)
O que vem primeiro, os buracos negros supermassivos que devoram matéria freneticamente ou as enormes galáxias nas quais eles residem? Um novo cenário surgiu de um conjunto de observações extraordinárias feitas de um buraco negro sem casa: os buracos negros podem estar construindo a sua própria galáxia hospedeira. Este pode bem ser o elo perdido, há muito procurado, que explica porque razão é que as massas dos buracos negros são maiores em galáxias que contêm maior número de estrelas. A questão do ‘ovo e da galinha’ relativamente a saber se é a galáxia ou o seu buraco negro que se forma primeiro é um dos assuntos mais debatidos na astrofísica moderna,” diz o autor principal David Elbaz. “O nosso trabalho sugere que os buracos negros supermassivos podem desencadear a formação estelar, ‘construindo’ desse modo as suas próprias galáxias hospedeiras. Esta descoberta poderá também explicar porque é que as galáxias que albergam buracos negros têm mais estrelas.”

Para chegar a uma conclusão tão extraordinária, a equipe de astrônomos observou extensivamente um objeto peculiar, o quasar próximo HE0450-2958, o único quasar para o qual não foi ainda detectada uma galáxia hospedeira. O HE0450-2958 situa-se a cerca de 5 bilhões de anos-luz de distância. Os buracos negros supermassivos encontram-se no interior das maiores galáxias; contrariamente ao buraco negro, bastante esfomeado e inativo, que se encontra no centro da Via Láctea, uma fração destes buracos negros estão ativos, no sentido em que consomem enormes quantidades de matéria. Estas ações frenéticas libertam uma enorme quantidade de energia em todo o espectro electromagnético; particularmente espectacular é o caso dos quasares, nos quais o núcleo ativo é tão brilhante que ultrapassa a luminosidade da galáxia hospedeira.

Até agora especulava-se que a galáxia hospedeira deste quasar estaria escondida por trás de grandes quantidades de poeira, e por isso os astrônomos utilizaram um instrumento que trabalha no infravermelho médio montado no VLT (Very Large Telescope) do ESO. A tais comprimentos de onda, as nuvens de poeira brilham intensamente sendo por isso facilmente detectadas. “Observando a estes comprimentos de onda poderíamos delinear a poeira que estaria escondendo a galáxia hospedeira,” diz Knud Jahnke, que liderou as observações feitas no VLT. “Contudo, não encontramos poeira nenhuma. No entanto, descobrimos que uma galáxia sem relação aparente, situada na vizinhança imediata do quasar, se encontra produzindo estrelas a uma taxa elevadíssima.” Estas observações propiciou uma visão completamente diferente deste sistema. Embora não se encontre nenhuma estrela à volta do buraco negro, a sua galáxia companheira é extremamente rica em estrelas muito jovens e brilhantes. Está formando estrelas a uma taxa equivalente a cerca de 350 Sóis por ano, ou seja cem vezes mais do que as taxas observadas para galáxias típicas do Universo local.

Observações anteriores tinham mostrado que a galáxia companheira se encontra, de fato, a ser alvejada: o quasar liberta um jato de partículas altamente energéticas na sua direcção, acompanhado por uma corrente de gás que se move a alta velocidade. Esta injeção de matéria e energia na galáxia indica que o próprio quasar poderá estar induzindo a formação de estrelas e portanto criando a sua própria galáxia hospedeira; num tal cenário, as galáxias se desenvolveriam a partir de nuvens de gás atingidas por jatos energéticos vindos de quasares. Os dois objetos estão destinados a colidir e fundir-se no futuro: o quasar desloca-se a uma velocidade de apenas algumas dezenas de milhar de km/h relativamente à galáxia companheira e a sua separação é de apenas 22.000 anos-luz. Assim, quando o quasar se fundir com a sua companheira rica em estrelas, passará finalmente a residir no interior duma galáxia hospedeira como todos os outros quasares.

Deste modo, a equipe identificou os jatos de buracos negros como possíveis motores de formação galáctica, o que pode também representar o elo perdido, há muito procurado, para compreender porque é que a massa dos buracos negros é maior em galáxias que contêm mais estrelas. A maioria das galáxias no Universo local contém um buraco negro supermassivo com uma massa de cerca de 1/700 da massa do bojo galáctico. A origem desse buraco negro versus a sua relação com a massa estelar é um dos assuntos mais debatidos na astrofísica moderna. Os instrumentos futuros, tais como: ALMA (Atacama Large Millimeter/submillimeter Array), E-ELT (European Extremely Large Telescope) e JWST (James Webb Space Telescope) serão capazes de procurar tais objetos similares noutros sistemas a maiores distâncias de nós, investigando a relação entre os buracos negros e a formação de galáxias no Universo mais distante.
Fonte: ESO
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