19 de fev de 2013

9 Incríveis Tipos de Estrelas

Ninguém pode deixar de olhar para todas as estrelas que adornam nosso céu e se perguntar: “o que há lá fora?”. É natural sonhar com aquilo que está muito além do nosso alcance. Talvez, em um sistema solar distante, há um outro olhar para o que chamamos de “sol”, um mero ponto de luz para qualquer observador distante, e do mesmo modo que nós, querendo saber os mistérios que detém. Por mais que tentemos, nunca realmente iremos compreender tudo o que há para se saber sobre cosmologia, mas isso não nos impede de tentar. Este artigo lista dez tipos fascinantes de estrelas.

Hipergigante
É difícil imaginar o quão monstruosas essas estrelas são – as maiores conhecidas. NML Cygni, por exemplo, possui 1.650 vezes o tamanho do Sol, que se torna uma mera bolinha de gude perto de uma hipergigante. Por causa de seu colossal tamanho, uma hipergigante vive somente por algumas dezenas de milhões de anos (quanto maior uma estrela, menor sua expectativa de vida) antes de explodir em uma supernova e depois se contrair em um buraco negro.
 
Estrelas hipervelozes
Essas estrelas possuem características normais, exceto pelo fato de que se movem pelo espaço em uma velocidade insana, chegando a atingir incríveis 2 milhões de km/h. Estrelas se tornam hiperveloses quando vagam próximo ao centro de uma galáxia, onde existe um buraco negro supermassivo – um autêntico pinball cósmico.

 Cefeidas
Uma estrela cefeida possui em média 5 a 20 vezes a massa do Sol, e o fato que a torna parte dessa lista é que elas crescem e encolhem em períodos regulares, como se estivessem pulsando. Elas crescem devido a forte pressão exercida sobre seu denso núcleo, e quando a pressão diminui, elas passam a encolher, em um ciclo que dura toda a sua vida.

Anã Negra
Se uma estrela é pequena demais para se tornar uma estrela de nêutrons ou simplesmente explodir em uma supernova, ela evolui para uma anã branca – uma estrela muito densa e opaca, que queimou todo seu combustível e não realiza mais fusão nuclear em seu núcleo. Ao longo dos bilhões de anos, uma anã branca vai perdendo seu brilho, parando de emitir luz e calor, tornando-se uma anã negra, quase que invisível. É o ponto final na evolução de uma estrela. Acredita-se que esse tipo de estrelas ainda não exista no universo, já que levam dezenas de bilhões de anos para se formar.

Estrelas concha
Quando pensamos em estrelas, a única coisa que vem em mente são enormes esferas flutuando no espaço. Contudo, devido a força centrífuga, algumas estrelas se tornam achatadas nos pólos. Se a velocidade de rotação de uma estrela for muito grande, a estrela pode ganhar um formato oval, como uma bola de futebol americano. Além disso, na região equatorial dessas estrelas, há uma grande emissão de matéria.
 
Estrelas de nêutrons
Uma estrela que explodiu em uma supernova pode ainda resultar em uma estrela de nêutrons, dependendo de sua massa (se for 10 vezes maior que a do Sol, o destino de uma estrela pode ser esse). Uma estrela de nêutrons é uma pequena e ultra-densa esfera de nêutrons – nada de átomos. Por falar nisso, qualquer átomo que se aproxime dela é imediatamente destruído, e suas partículas são reorganizadas sob a forma de nêutrons – em um processo que libera uma grande quantidade de energia. Caso um asteroide se colida com uma estrela de nêutrons, o processo desencadearia uma quantidade de energia maior do que o Sol emitirá durante toda sua vida. Por essa razão, se alguma estrela de nêutrons surgir próximo ao sistema solar, ela logo se tornará uma real ameaça para a vida na Terra.

 Estrela de ferro
Através da fusão de elementos mais leves, estrelas criam elementos pesados (fusão nuclear), liberando energia. Quanto mais pesado o elemento, menos energia é liberada quando eles são fundidos. Normalmente, as estrelas fundem hélio para carbono, carbono para oxigênio, oxigênio para neon, neon para silício e, finalmente, silício para ferro. O ferro requer mais energia do que é liberado na fusão, portanto é o último passo de reação de fusão nuclear em uma estrela. Uma estrela de ferro é composta somente de ferro, e paradoxalmente continua liberando mais energia, por causa do fenômeno conhecido como “tunelamento quântico”, previsto pela física quântica. Nesse fenômeno, uma partícula é capaz de atravessar obstáculos que comumente seria incapaz de atravessar (como por exemplo você atravessar uma parede). O ferro possui um tipo de barreira, portanto fundi-lo requer muita energia. Através do tunelamento quântico, é possível realizar a fusão sem quase nenhum gasto de energia. Esse tipo de estrela é extremamente raro no universo.
 
Quase-estrela

Quando uma estrela muito massiva colapsa, ela pode se transformar em um pequeno buraco negro. Contudo, no centro de cada galáxia existe um buraco negro supermassivo, que é bilhões de vezes mais massivo que o Sol. Nenhuma supergigante é capaz de gerar um buraco negro tão grande e massivo. Como explicá-los? Uma das primeiras teorias levantadas é que durante o universo primordial existiam estrelas muito maiores que as hipergigantes, compostas por hélio e hidrogênio, e assim como uma estrela comum, colapsou e formou um gigantesco buraco negro, que teria se fundido com outros e dado origem a um supermassivo localizado hoje no centro das galáxias. Outra hipótese sugere que existiram as “quase-estrelas”, sendo resultado do colapso de grandes nuvens de gás que reinavam no universo primordial. Caso essa nuvem fosse densa o suficiente, poderia suportar a explosão das quase-estrelas, que absorveriam essa colossal quantidade de matéria e originaria buracos negros supermassivos.
 
Estrela de bósons
Existem dois tipos de partículas principais no universo: os bósons e férmions. A mais simples distinção entre ambos é o que os férmions são partículas com um spin semi-inteiro, enquanto os bósons são partículas com spin inteiro. Todas as partículas elementares e compostas, como elétrons, nêutrons e quarks, são férmions, enquanto o título de bóson é concedido a todas as partículas portadoras das quatro forças fundamentais da natureza, como os fótons e glúons. Ao contrário dos férmions, dois ou mais bósons podem existir no mesmo estado. Uma simples analogia é que férmions são como edifícios, e bósons são como fantasmas. Você só pode ter um edifício em um determinado ponto no espaço (é impossível dois corpos ocuparem o mesmo espaço ao mesmo tempo), mas é possível haver milhares de fantasmas no mesmo local, portanto não há limite de bósons que podem ocupar o mesmo espaço ao mesmo tempo. Todas as estrelas conhecidas são compostas de férmions, mas teoricamente uma estrela de bósons também pode existir. Levando em consideração que um número infinito de partículas pode existir em um mesmo espaço, imagine a densidade que uma estrela de bósons teria. Uma estrela de bósons poderia ter uma massa infinitamente grande e ocupar um espaço infinitamente pequeno. Alguns pesquisadores acreditam que tais estrelas possam existir no centro das galáxias.

Como Defender o Planeta dos Asteroides

O asteroide 2012 DA14 foi o primeiro objeto de seu tamanho a passar tão perto da Terra. Ela não ofereceu  perigo, mas serve para lembrar que a Terra está constantemente ameaçada. Conheça os planos dos cientistas para lidar com objetos maiores e mais destrutivos
Asteroide perto de atingir a Terra: impactos de corpos dessa magnitude são raríssimos, mas podem acabar com espécies inteiras, como já aconteceu com os dinossauros. Para a humanidade não ter o mesmo destino, cientistas financiados pela NASA buscam soluções a curto e a longo prazo. Vale até bomba nuclear para explodir os asteroides (Thinkstock)
 
No final da tarde de sexta-feira 15/02/2013, o asteroide 2012 DA14 passar raspando pela Terra. O corpo de 45 metros de diâmetro vai passar a apenas 27.700 quilômetros da superfície do planeta, chegando a invadir a órbita de alguns satélites. Desde que esse tipo de medição é realizada, é a primeira vez que um objeto desse tamanho passa tão perto. Por sorte, os cientistas já sabem que não há nenhum risco de colisão. Mesmo assim, uma passagem tão próxima pegou os astrônomos de surpresa — eles sabem do evento há cerca de apenas um ano — e serve para lembrar que a Terra está localizada em uma espécie de campo minado galáctico, cercada por todos os lados por asteroides e cometas imensos. Enquanto isso, a humanidade parece dar os primeiros passos para garantir um futuro diferente dos dinossauros — extintos após a queda de um meteorito há 66 milhões de anos.
 

O asteroide 2012 DA14 tem uma órbita de 368 dias em torno do sol, muito similar à da Terra, o que garante que os dois astros se encontrem pelo menos uma vez a cada ano. Desta vez, o momento de maior proximidade entre os dois corpos se dará às 17h24 desta sexta-feira, quando o asteroide sobrevoará o Oceano Índico, próximo da ilha de Sumatra. Nessa hora, ele estará mais baixo que os satélites em órbita geoestacionária, como os de televisão e geolocalização — mas ainda estará acima de todos os outros. Sua distância da Terra será apenas um décimo da que separa o planeta da Lua.

Mesmo com toda essa proximidade, ele foi descoberto somente no dia 23 de fevereiro do ano passado, por astrônomos do La Sagra Sky Survey, um observatório localizado no sul da Espanha. Como ele, existem muitos outros asteroides. Os astrônomos preveem que existam pelo menos 500.000 outros de mesmo tamanho com órbitas próximas à Terra, mas só foram capazes de localizar 1% deles. A verdade é que a Terra está sendo bombardeada por rochas espaciais a todo o momento. Quando são muito pequenas, se desfazem na atmosfera — são as estrelas cadentes. "Blocos um pouco maiores também entram constantemente no planeta. Na grande maioria das vezes, caem em áreas desabitadas, como desertos, florestas e mares e passam despercebidos", diz Enos Picazzio, professor do Instituto de Astronomia da Universidade de São Paulo. O problema é quando o asteroide tem algumas dezenas de metros — o impacto seria devastador.
 
Meteorito russoOs astrônomos já calcularam a rota do asteroide 2012 DA14e tiveram a certeza que ele não iria chegar a tocar o planeta. No entanto, se ele caísse na Terra, a destruição seria enorme. O impacto liberaria aproximadamente 2,5 megatons de energia na atmosfera, cerca de 200 vezes a energia liberada pela bomba de Hiroshima, causando devastação regional. Os cientistas comparam as consequências desse impacto imaginário ao causado por um meteorito que caiu na Sibéria em 1908, no que ficou conhecido como Evento de Tunguska. Ele era um pouco menor que o 2012 DA14 — não passava dos 40 metros — mas destruiu cerca de 1.200 quilômetros quadrados de floresta. "O asteroide devastou completamente a região, que era inóspita. Ele não chegou a atingir o solo, se desintegrou no ar. Mas a desintegração foi tão violenta que a onda de choque e calor queimou as árvores em volta. Se caísse em uma região densamente povoada, a destruição iria ser brutal", diz Enos Picazzio.
 
Para calcular o impacto de um asteroide na Terra, os cientistas precisam levar uma série de variáveis em conta. Seu grau de ameaça pode variar conforme o tamanho, a área que atingir, sua composição e velocidade no espaço. “Toda a energia cinética do asteroide é transferida para o solo – é isso que causa o estrago. A energia dissipada por uma colisão dessas é maior do que qualquer coisa criada pelos homens. Para se ter uma ideia, um corpo desses pode colidir com a Terra a uma velocidade de 30 quilômetros por segundo. Se alguém visse um asteroide passando na altura de um avião, levaria menos de um segundo para ele bater contra a superfície”, diz Enos Picazzio. Um estudo de 1994, publicado por cientistas da NASA na revista Nature, tentou levar essas variáveis em conta e fazer uma média dos danos causados pelo impacto de um meteorito. Segundo os cálculos, asteroides com mais de 50 metros caem na Terra com uma frequência de entre 250 e 500 anos, causando em média cinco mil mortes. Objetos com mais de um quilômetro, caem a cada um milhão de anos e podem causar um bilhão de mortes. Já os corpos com mais de seis quilômetros, capazes de causar extinções em massa como a que matou os dinossauros, caem a cada 100 milhões de anos. Mesmo raros, esses eventos são muito perigosos, e chamaram atenção da comunidade científica, que já começou a pensar em como se defender.
 

Catálogo espacial Os cientistas dizem que antes que se possa desenvolver uma estratégia para se proteger dos meteoritos, é importante saber quantos cometas e asteroides ameaçam a Terra. Antes de desenvolver tecnologias de defesa, eles dizem que precisam saber do que, quando e onde se defender. Uma série de times de astrônomos, amadores e profissionais, ajudam a vasculhar os céus ao redor do mundo. Os grupos mais importantes são mantidos por Universidades, como o MIT ou a Universidade do Arizona, e pela NASA. Ao localizar algum corpo novo, eles enviam as informações para o Minor Planet Center, um centro financiado pela NASA que visa manter um banco de dados com todos os objetos já descobertos. Por causa de seu tamanho, os objetos maiores são os mais fáceis de serem descobertos, e a chance de um deles colidir com a Terra nas próximas décadas está praticamente descartada. 
 
"Praticamente todos os asteroides com mais de um quilômetros são conhecidos. O problema surge quando começamos a procurar por objetos menores", diz Enos. Até agora, já foram catalogados 9.688 objetos. Desses, os pesquisadores consideram que 1.377 mereçam observação constante, por terem rotas potencialmente perigosas. Para descobrir se a aproximação de uma objeto é realmente preocupante, os pesquisadores desenvolveram uma escala que mistura seu potencial de destruição com a probabilidade de atingir a Terra. A Escala de Torino classifica os asteroides de zero a dez, onde o zero representa nenhuma chance de colisão com o planeta e o dez representa certeza de catástrofe global. Entre os objetos encontrados até hoje, apenas um deles foi avaliado com uma nota um — todos os outros receberam a pontuação zero. Isso dá tempo para que os cientistas se antecipem.
 
Primeira defesa da TerraExistem duas estratégias para afastar cometas, asteroides ou objetos potencialmente perigosos. Uma delas pressupõe que o objeto seja detectado décadas antes de chegar na Terra, e os cientistas tenham bastante tempo para agir. Nesse caso, bastaria lançar em sua direção algum dispositivo que altere sua rota aos poucos. Sem nenhum grande impacto, na data projetada, ele irá errar o planeta. "Já levantaram a possibilidade de lançar uma pequena nave que grudaria no asteroide. Com a força de seus foguetes, ela o empurraria para fora de seu caminho. Outros pesquisadores pensaram em lançar ao espaço pequenas naves com espelhos ou laseres, que comseus raios de luz poderiam, muito lentamente, tirar o objeto de órbita", diz Enos Picazzio.

O pesquisador também cita a possibilidade de, em um futuro mais distante, a humanidade desenvolver uma espécie de sistema de patrulhamento espacial. Ele descreve uma série de naves no espaço entre Marte e a Terra que, assim que detectassem um asteroide potencialmente perigos, mudassem sua direção. No entanto, também existe uma possibilidade mais perigosa, que a aproximação surpresa do 2012 DA14 trouxe à tona: um asteroide ser descoberto na última hora, deixando pouquíssimo tempo de reação. Nesse caso, a única solução pode ser a bomba atômica. Apenas uma explosão de  grande magnitude poderia mudar a direção de um grande corpo vindo em direção à Terra com tempo de colisão de menos de dez anos. Uma equipe da Universidade Estadual do Iowa, nos Estados Unidos, deu início ao Centro de Pesquisas de Desvio de Asteroides. Ali, eles estudam uma série de alternativas para defender a Terra.
 
 O enfoque atual dos pesquisadores, no entanto, é nas técnicas que usam bomba atômica, pois estão mais perto de ficar prontas e podem ser usadas rapidamente em caso de emergência – eles calculam que poderão testar a tecnologia em cinco anos. "Se tivermos um tempo muito pequeno de ação, podemos usar a tecnologia em menos de dois anos. Vamos precisar de um ano para projetar e construir os sistemas, e mais alguns meses para a nave atingir o alvo. Se descobríssemos que haveria um impacto em 2015, conseguiríamos estar preparados", disse o engenheiro aeroespacial Bong Wie, responsável pelo projeto, em entrevista ao site de VEJA. A estratégia desenvolvida pelo pesquisador é usar um dispositivo composto de duas cargas principais. A primeira abre um rombo no asteroide. A segunda entra na cratera e explode o corpo a partir de dentro, o que pode garantir uma explosão ate vinte vezes mais eficaz do que uma na superfície.
 
O projeto recebeu um financiamento de 100.000 dólares da NASA. "Parece que, de modo devagar, os governos estão começando a considerar seriamente esse problema. A NASA e as agencias espaciais europeias estão começando a dar algum dinheiro para esse tipo de pesquisa", diz Bong Wie. Pouco a pouco, a humanidade parece estar montando as primeiras estratégias de defesa que podem garantir seu futuro na Terra. "Conforme aumentamos nosso conhecimento e dominando novas tecnologias, começamos a aumentar nossas condições de sobrevivência. Isso faz parte da evolução da sociedade humana”, diz Picazzio. Como todos os astrônomos sabem, é apenas questões de tempo – mesmo que sejam bilhões de anos – para que a Terra volte a ser atingida por um asteroide causador de grandes extinções. A intenção dos cientistas é que ela esteja preparada.
Fonte:Veja.Abril

Grupo da ONU propõe plano para detectar asteroides

Plano prevê a criação de uma rede internacional para a detecção de asteroides potencialmente perigosos e de uma coordenação para responder a possíveis desastres
Se for comparado o prejuízo que o impacto de um asteroide em uma zona urbana pode causar com o custo de um lançamento (espacial), não é nada", diz o diretor do grupo de trabalho que redigiu o documento, o mexicano Sergio Camacho (Thinkstock)
 
Pela primeira vez um grupo de trabalho das Nações Unidas propôs um plano de coordenação internacional para detectar asteroides potencialmente perigosos e, em caso de risco para a Terra, preparar uma missão espacial com capacidade para desviar sua trajetória. "O risco de que um asteroide se choque contra a Terra é extremamente pequeno, mas, em função do tamanho do asteroide e do local do impacto, as consequências podem ser catastróficas", indica um relatório entregue esta semana aos Estados-membros por parte do Escritório da ONU para o Espaço Exterior (Unoosa). O relatório de 15 páginas se chama 'Recomendações da Equipe de Ação sobre Objetos Próximos à Terra para uma Resposta Internacional à Ameaça de um Impacto', e foi elaborado por um grupo de trabalho criado em 2007 em Viena.
 
"Atualmente são conhecidos cerca de 20.000 asteroides próximos à Terra, dos quais aproximadamente 300 são potencialmente perigosos," explica o diretor do grupo de trabalho que redigiu o documento, o mexicano Sergio Camacho. Até 2020, o analista prevê que será detectado até meio milhão de asteroides próximos a nosso planeta graças à melhora da tecnologia de localização. "São objetos que estão por aí, mas não sabemos onde", ressalta. O asteroide DA14, de cerca de 40 metros de diâmetro, e que passará nesta sexta-feira muito perto da Terra, "provavelmente teria poder para destruir toda a região metropolitana de Londres, por exemplo", destaca o analista. "Ao contrário do que ocorre com os terremotos, os furacões e outros perigos naturais, em relação aos asteroides podemos fazer algo, sobretudo se os encontramos com muita antecipação", sustenta.
 
Rede internacional
 O documento considera 'prudente e necessário' estabelecer critérios e planos de ação para não perder tempo em 'debates prolongados' dado que uma missão espacial para desviar um asteroide requer de muito tempo e 'o disponível antes do impacto previsto pode ser pouco'. Também recomenda estabelecer uma rede internacional para detectar os asteroides em rumo de colisão com a Terra o mais rápido possível, e fixar claros procedimentos de atuação. O relatório destaca que já existem os recursos financeiros para esta rede, mas que é preciso "um centro de troca de informações reconhecido internacionalmente." Além disso, recomenda aos Estados com organismos espaciais "criar um grupo assessor para o planejamento de missões espaciais", que receberia o apoio da ONU em nome da comunidade internacional. O grupo estaria encarregado de estudar fórmulas para "a defesa do planeta" com "uma capacidade de desvio eficaz.
 
 Por último, o relatório recomenda estabelecer um planejamento e coordenação para responder a possíveis desastres no caso de não se poder detectar um impacto de asteroide pelas atuais limitações tecnológicas. Talvez não se possam detectar objetos de entre 30 e 300 metros de diâmetro nem de emitir alertas de impacto a tempo, por isso é preciso contar com planos de resposta semelhantes a outros grandes desastres naturais", adverte. O documento não menciona nenhum projeto concreto, como a Missão Don Quixote, um plano desenvolvido por empresas espanholas e selecionado pela Agência Espacial Europeia (ESA), que propõe o envio de duas sondas, uma para impactar contra o asteroide e outra para calcular se se conseguiu desviar a trajetória.
 
Opções
Segundo Camacho, uma possível missão dependeria do tamanho, da velocidade e da proximidade do objeto espacial. No caso de um corpo espacial descoberto a tempo, seria possível acoplar um satélite artificial que variaria pouco a pouco seu rumo, enquanto outra modalidade seria que um veículo espacial impactasse contra o asteroide. "E se não houver tempo, deveria se utilizar algum tipo de dispositivo nuclear" que explodisse parte do asteroide para desviar ou desacelerar sua trajetória, mas sem fragmentá-lo. Camacho considera que o custo econômico de desenvolver o plano de ação não deveria constituir um problema.
 
 "Se for comparado o prejuízo que o impacto de um asteroide em uma zona urbana pode causar com o custo de um lançamento (espacial), não é nada", ressalta. O documento ainda pode sofrer alterações antes de ser adotado, até o próximo dia 22, por uma subcomissão científica em Viena, e em junho, pela Comissão da ONU sobre a Utilização do Espaço Ultraterrestre com Fins Pacíficos. Então será submetido a votação, em outubro, na Assembleia Geral das Nações Unidas, segundo detalha o especialista mexicano, que acredita que o documento não sofrerá grandes alterações.
Fonte: Veja.Abril

Impacto de astróide na Russia: Atualização e Avaliação

Cauda de vapor do asteróide Chelyabinsk.Crédito: Eumetsat
 
Os primeiros detalhes firmes do impacto do asteróide de passado dia 15 na Rússia, o maior em mais de um século, estão tornando-se claros. As agências espaciais estão recolhendo e estudando as informações, que poderão ser cruciais para desenvolver um melhor esforço de caça internacional de asteroides. Às 03:20 (hora de Portugal) de 15 de Fevereiro, um objecto natural entrou na atmosfera e desintegrou-se nos céus de Chelyabinsk, na Rússia. Os inúmeros registos vídeo indicam um percurso nordeste para sudoeste com um ângulo de entrada 30º acima da horizontal. A velocidade de entrada está estimada em aproximadamente 18 km/s - mais de 64.000 km/h. De acordo com cálculos feitos por Peter Brown da Universidade de Ontario Oeste, no Canadá, que se apoiou nas ondas sónicas de extrema baixa frequência detectadas por uma rede global, o objecto tinha entre 15 a 17 metros em diâmetro e uma massa de 7.000-10.000 toneladas quando atingiu a atmosfera. Explodiu com uma força de quase 500 quilotoneladas de TNT - cerca de 30 vezes a energia libertada pela bomba atómica de Hiroshima - entre 15 a 20 km por cima da superfície.
 
O nosso conhecimento actual dos objectos vizinhos da Terra diz-nos que eventos desta magnitude são esperados uma vez a cada várias dezenas de anos, até um século. A trajectória, local de entrada na atmosfera e a grande separação temporal entre este evento e a passagem do asteróide 2012 DA14 indicam que não existem relações entre os dois. Existem informações acerca da descoberta e recolha de pequenos meteoritos na região russa, ainda não confirmadas pelas autoridades russas. Até ao momento, não se conhecem registos de estruturas ou pessoas atingidas pelos detritos propriamente ditos. No passado recente têm havido eventos similares. Talvez o mais famoso seja o evento Tunguska de 1908, no qual um grande meteoróide ou fragmento de cometa, que se pensa rondar os 40 m em diâmetro, explodiu a uma altitude de 5-10 km. É o maior impacto registado pela Humanidade, embora o planeta Terra tenha sinais geológicos de impactos muito, muito maiores.

A 12 de Fevereiro de 1947, o evento Sikhote-Alin na antiga União Soviética envolveu um objecto ferroso, que implica que muita da sua energia de 10 quilotenadas de TNT foi depositada no chão em vez da atmosfera como o evento da semana passada. A 8 de Outubro de 2009, um objecto criou uma onda de choque atmosférica semelhante à da semana passada por cima da Indonésia. A sua energia rondava as 5 quilotenadas. Os NEOs (Near-Earth Objects) são asteróides ou cometas com tamanhos que variam entre poucos metros até dezenas de quilómetros, que orbitam o Sol e com órbitas que os aproximam da Terra. Actualmente, existem mais de 600.000 asteróides conhecidos no Sistema Solar; mais de 9000 destes são NEOs. Quando um objecto é descoberto, a sua órbita é calculada e é desenvolvido um perfil individual de risco.
 
Um bom exemplo é o caso de 2008 TC3, um objecto com 2-5 metros e 80 toneladas, que atingiu o deserto do Sudão a 7 de Outubro de 2008. O objecto era muito pequeno e foi descoberto por acaso apenas 20 horas antes do impacto. As observações iniciais determinaram uma possível zona de impacto com mais de 2000 km de diâmetro. Em poucas horas, a área tinha sido refinada para apenas o deserto do Sudão. Em casos similares no futuro, as autoridades civis terão que avisar a população na área de impacto previsto a ficarem longe das janelas, de vidros, de outras estruturas e a ficarem em casa. O risco de ferimentos, devido à onda sónica e à pressão, por vidros partidos ou desabamento de estruturas inseguras, seria significativamente reduzido.
 
As agências espaciais como a ESA e a NASA têm programas de pesquisa por objectos perigosos. Este estudo requer equipamento complexo e topo de gama, bem como astrónomos treinados, mas resume-se a um processo simples: a obtenção de imagens do céu e a descoberta de pontos de luz que se movem contra as estrelas de fundo. Este esforço é, no entanto, um pequeno passo. A pesquisa tem que ser eficiente a longo-termo, e as capacidades observacionais terão que crescer com a tecnologia e os recursos disponíveis. No futuro, a ESA espera estabelecer uma rede de telescópios automatizados de 1 metro. Este sistema pesquisaria o céu uma vez por noite em busca de objectos errantes. Seria capaz de detectar objectos do tamanho do meteoróide russo da semana passada uns dias antes da entrada da atmosfera, caso fosse visto a aproximar-se sob céus escuros.
Fonte: Astronomia On-line
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...