25 de fev de 2013

Conheça melhor os 5 planetas anões do Sistema Solar

A palavra “planeta” era usada para descrever os pontinhos de luz que passeavam entre estrelas imóveis pelo céu na Grécia Antiga. Desde então, a definição do termo mudou bastante. Até o século 17, por exemplo, Lua e Sol eram classificados como planetas. Em 1930, a descoberta de Plutão levantou muita poeira cósmica. Ele entrou para o time de astros do Sistema Solar, mas nunca deixou de causar controvérsias. Com os avanços tecnológicos que apareceram a partir dos anos 1990, o campo de observação do espaço se expandiu e ficou mais fácil encontrar corpos celestes que ninguém sabia que existiam.

Foi o caso dos astros gelados do Cinturão de Kuiper, uma região do Sistema Solar além dos planetas que se estende desde a órbita de Netuno e que reúne objetos chamados de KBO (Kuiper Belt Object). Em 2005, os cientistas descobriram Éris, um KBO aparentemente maior que Plutão. Pã. Um ano depois, a União Internacional de Astronomia (IAU) definiu uma nova categoria para estes astros diminutos: “planetas anões”.

 De acordo com a IAU, um planeta anão é um corpo celeste que órbita o sol, tem massa suficiente para ter uma forma arredondada, não é uma lua e, principalmente, é incapaz de limpar a vizinhança das suas órbitas – ou seja, é pequeno demais, em termos de massa, para alterar o ambiente que o cerca da forma que um planeta faria. De acordo com a classificação, o velho e amado Plutão, o recém descoberto Éris e outros três pequenos astros passaram a ser considerados planetas anões. Mas os cientistas acreditam que haja mais de 100 por aí, aguardando a descoberta. Enquanto a contagem não aumenta, conheça mais sobre os 5 planetas anões do Sistema Solar:
 
1.Ceres
Foi em 1801 que o astrônomo siciliano Giuseppe Piazzi identificou no céu este pequeno astro, o primeiro objeto descoberto do Cinturão de Asteroides – região do Sistema Solar que fica entre as órbitas de Marte e Júpiter. Antes de ganhar o título de planeta anão em 2006, Ceres já tinha sido considerado um asteroide. Observações do Telescópio Hubble mostraram que ele é parecido com alguns planetas do time “oficial”, como Marte e Terra. Uma das semelhanças é o interior diferenciado, com material mais denso no núcleo e minerais leves perto da superfície. Além disso, há indícios de que o planeta anão pode conter grandes quantidades de água pura abaixo de sua superfície, o que torna seu nome ainda mais apropriado: na mitologia romana, Ceres é a deusa da colheita.
 
2.Plutão
O rebaixamento do Timão, em 2007, não foi nada perto da queda do amado Plutão. A reclassificação do ex-planeta, descoberto em 1930, gerou comoção mundo afora e não faltaram tentativas para “salvar” o astro da vergonha. Mas, neste caso, tamanho foi sim documento: Plutão tem apenas cerca de dois terços do diâmetro da Lua Terrestre e sua massa corresponde a apenas um sexto da massa do satélite. Suas dimensões são tão diminutas que Charon, sua maior lua, descoberta em 1978, tem quase a metade do seu tamanho. O planeta nanico tem outros quatro satélites: Nix e Hydra foram descobertos em 2005 e, em 2012, duas novas luas foram identificadas.

Para acalmar os ânimos e homenagear o antigo 9º planeta do Sistema Solar, a União Internacional de Astronomia determinou que os planetas anões que orbitam o Sol para além de Netuno serão designados também como “plutoides”. O distante planeta, cujo nome remete ao deus romano dos mortos (equivalente a Hades, na mitologia grega), deve receber visitas terráqueas em breve. A New Horizons, da NASA, será a primeira nave espacial a visitar Plutão e do Cinturão de Kuiper – a viagem de nove anos e meio começou em janeiro de 2006 e a chegada ao planeta gelado está prevista para 2015.
 
3.Haumea
Não é só o formato esquisito que diferencia este anão dos demais. Os giros ligeiros do planeta, que tem tamanho quase equivalente ao de Plutão, explicam sua forma única: o Haumea é um dos objetos do nosso sistema solar com rotação mais rápida, completando uma volta sobre seu eixo a cada quatro horas. A translação é bem mais devagar: o astro, descoberto em 2003, leva 285 anos para completar uma órbita ao redor do Sol. Diferentemente da maioria dos outros planetas, seu nome não deriva da mitologia grega: Haumea é o nome da deusa havaiana do nascimento e da fertilidade.
 
4.Makemake
Observado pela primeira vez em março de 2005, o planeta anão foi inicialmente batizado com o codinome não-oficial de “Coelho da Páscoa”. Foi divertido enquanto durou. Reconhecido como um planeta anão pela União Internacional de Astronomia em 2008, o planeta foi batizado Makemake, nome da deusa da fertilidade da mitologia Rapanui – habitantes nativos polinésios da Ilha de Páscoa no Oceano Pacífico, pertencente ao Chile. A alusão à abundância é apropriada: astrônomos encontraram sinais de nitrogênio, etano e metano congelado na superfície do planeta que leva 310 anos para completar uma órbita ao redor do Sol.
 
5.Éris
Brevemente considerado o décimo planeta do Sistema Solar, este anão foi avistado pela primeira vez em 2003 e sua descoberta confirmada em 2005. Grande responsável por desencadear o debate que fez de Plutão um ex-planeta, o astro recebeu um nome apropriado: foi batizado como Éris, deusa grega da discórdia. Inicialmente cientistas pensaram que o semeador de desavenças possuía diâmetro maior do que de Plutão, mas, segundo dados da NASA, observações mais recentes indicam que Éris pode ser um pouco menor que o companheiro anão. Acredita-se que a temperatura na superfície do planeta gelado, que leva 557 anos para completar sua órbita ao redor do Sol, varia entre -217ºC e -243ºC.
Fonte: NASA

Como surgiram as galáxias


Nos últimos anos, nossa visão do universo passou por grandes transformações. Uma delas é que os pesquisadores descobriram que ele está se expandindo muito e é povoado por uma infinidade de corpos celestes. Isso porque no começo do século passado, todos acreditavam que a Via Láctea era a única galáxia do universo, apesar de avistarem outras, acreditavam que fazia parte da nossa galáxia. Mas no ano de 1924, Edwin Hubble deu uma luz na situação, e provou que existem centenas de bilhões de galáxias, muito mais do que se imaginava, e que elas estavam se distanciando entre si, todas estavam se afastando de nós. Isso levantou muitas questões a respeito de que estávamos no centro do universo, mas esse é tema para outro artigo. Mas então se essas galáxias estão se afastando cada vez mais, é de se imaginar que um dia elas estavam mais unidas. E voltando ainda mais no tempo, estavam todas amontoadas num único ponto, o Big Bang. Mas o assunto de hoje é como elas surgiram.
 
Se o universo está se expandindo, as galáxias não podem ser um mero aglomerado de matéria. Será que elas não deveriam se dispersar pelo cosmo por causa da expansão? Sim, se não houvesse uma força agindo por de trás disso tudo. A força da gravidade é sempre atrativa, e o motivo das galáxias não se dispersarem é devido a força gravitacional de sua matéria sendo muito superior aos efeitos da expansão cósmica. Mas que matéria é essa?

Você já deve saber que a matéria comum, que compõe as estrelas, planetas, nebulosas, as pessoas… é somente uma pequena parte da matéria total que compõe uma galáxia. A outra parte é invisível e é totalmente diferente da matéria comum, feita de prótons, nêutrons e elétrons. Ela é chamada de matéria escura, que obviamente não emite luz, mas pode-se ser observada pelos efeitos gravitacionais que exercem sobre os corpos celestes. Ou seja, já sabemos que para uma galáxia existir, é necessária matéria comum e matéria escura. Mas não é só. Ainda falta a semente, a matéria inicial para que pudesse atrair mais matéria. Essas sementes, de acordo com a teoria mais aceita, foram criadas nos primórdios do universo, à quase 14 bilhões de anos atrás. São os restos de um tipo de matéria exótica hoje inexistentes, os fósseis do Big Bang.
Fonte:www.cftc.cii.fc.ul.pt 

Alguns meteoritos são impossíveis de prever

A Terra recebe aproximadamente 100 toneladas de material cósmico todo dia
Dois eventos espaciais assustaram os terráqueos há uma semana, no dia 15 de fevereiro. O asteroide 2012 DA14 chegou a 27,6 mil km da superfície da Terra, mais próximo do que muitos satélites comerciais. Esse fato já havia sido previsto com quase um ano de antecedência. Horas antes, no entanto, a queda de um meteorito deixou mais de mil feridos na Rússia. Desse bólido, ninguém sabia. Com a tecnologia atual, objetos relativamente pequenos são identificados com antecedência mínima. Mas, se visitas diminutas como o da cidade de Chelyabinsk podem provocar danos grandes, materiais e humanos, não seria importante investir mais em detecção a fim de evitar acidentes como esse?
 
Objetos maiores do que quatro metros já podem ser registrados com a tecnologia atual, segundo o professor Jorge Ricardo Ducati, do Departamento de Astronomia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Mas nem todos - e só quando estão realmente próximos, o que acarreta a antecedência de apenas um dia ou menos. “Qualquer tentativa de prever a queda de meteoritos como o de sexta-feira (do dia 15, na Rússia) é tecnologicamente inviável, independentemente do investimento”, avalia Fernando Roig, doutor em astronomia, pesquisador do Observatório Nacional e especialista em asteroides. Ainda de acordo com Roig, mesmo que fosse possível identificar as trajetórias de meteoros desse tamanho, seria difícil prever seu comportamento: se explodiria na atmosfera e se provocaria danos em áreas urbanas.
 
Há outro fator que influencia na detecção de asteroides. As observações por telescópio precisam ser realizadas à noite, quando a luz refletida pelos asteroides pode ser observada em contraste com o plano de fundo escuro. “O grande problema com o objeto que caiu na Rússia no dia 15 é que ele se aproximou da Terra da direção do Sol, ou seja, sem que pudesse ser detectado com o telescópio”, explica Nigel Bannister, astrônomo e palestrante do Departamento de Física e Astronomia da Universidade de Leicester, no Reino Unido. Além de ser maior, o objeto que passou próximo à Terra no mesmo dia vinha da direção contrária. Uma possível solução para esse tipo de problema está tomando forma a partir de um grupo chamado B612 Foundation. O plano desses cientistas e engenheiros é construir e lançar ao espaço um telescópio com infravermelho que orbitaria o Sol e rastrearia objetos com trajetória próxima da Terra. “Investir nesse tipo de missão certamente ajudaria”, diz Bannister.
 
Investimento Mesmo que se tenha avançado muito nas últimas décadas, é consenso que maior investimento no setor resultaria ganhos significativos. Mas, em tempos de crise, o orçamento da Nasa, a agência espacial americana, está cada vez menor. Assim, não dá para depender apenas dos EUA. Para o professor Antonio Gil Vicente de Brum, doutor em Engenharia e Tecnologia Espaciais, é necessária uma rede mais ampla de monitoramento. “Países como o Brasil, por exemplo, poderiam ajudar muito. Contudo tais investimentos não são prioritários para o país, e não há nada previsto sobre isso no plano nacional de atividades espaciais”.
 
Ocorrências Identificado no ano passado - como revela seu nome -, o asteroide 2012 DA14 tem aproximadamente 45 metros de diâmetro, de acordo com a Nasa. Segundo cálculos da agência espacial americana, há 500 mil asteroides desse tamanho “próximos da Terra”. Desses, apenas 1% foram descobertos. Mas objetos desse tamanho não são a maior preocupação em se tratando de corpos celestes. Com até 40 metros de diâmetro, eles se desintegram na atmosfera e, quando, raramente, promovem estragos, são bem localizados. Foi o caso do meteorito que explodiu em Chelyabinsk, de diâmetro estimado em 17 metros e massa de 10 mil toneladas. Embora tenha causado danos avaliados em aproximadamente R$ 60 milhões, deixou feridos apenas por efeitos secundários, como estilhaços de vidro. Curiosos pelo facho de luz que divisavam pela janela de casa ou do trabalho, muitos corriam para vê-lo. Dessa forma, mais de mil pessoas tiveram algum tipo de ferimento. Fazia tempo que um bólido não tinha impacto tão grande na Terra. Esse meteorito foi o maior a atingir nosso planeta desde 1908. Naquele ano, em uma floresta em Tugunska, também na Rússia, um objeto pouco menor do que o 2012 DA14, de diâmetro estimado em 40 metros, devastou uma área de 2 mil quilômetros quadrados, maior do que a cidade de São Paulo.
 
Calma Eventos como esse não devem causar pânico. “Não é tão comum a ponto de assustar, nem tão raro a ponto de não acontecer”, pontua o astrônomo e professor Adolfo Stotz Neto, presidente do Grupo de Estudos de Astronomia do Planetário da Universidade Federal de Santa Catarina. Segundo Bannister, pode-se estimar uma queda como essa a cada 100 anos. “Ainda não há como encontrar todas essas pedras que andam por aí pelo espaço, então, por um bom tempo, esses pequenos objetos continuarão caindo sem que consigamos detectá-los antes”, afirma Antonio Kanaan, professor da Universidade Federal de Santa Catarina e doutor em astrofísica pela Universidade do Texas. A maioria dos meteoritos são muito menores. A Terra recebe aproximadamente 100 toneladas de material cósmico todo dia, mas essas partículas são normalmente pequenas. "Como grãos de areia", ilustra Bannister. As “estrelas cadentes” (na verdade, fragmentos de cometas e asteroides) têm tamanho comparável ao de uma bola de beisebol, por exemplo. Não podem ser detectadas com antecedência, porém não apresentam ameaça, já que se desintegram na atmosfera.
 
Mapeamento A tendência é mapear objetos cada vez menores. Há 10 anos, a meta dos pesquisadores era rastrear os objetos potencialmente perigosos de tamanho maior do que 1 quilômetro de diâmetro, os quais seriam ameaças globais. Já foram identificados quase 95% dos aproximadamente 980 corpos celestes que poderiam sacudir nosso planeta violentamente. Mas nenhum deles registra rota de colisão com a Terra, segundo os dados mais recentes do telescópio Wide-field Infrared Survey Explorer (Wise), que faz uma espécie de censo cósmico. De acordo com Daniela Lazzaro, responsável pela Iniciativa de Pesquisa e Mapeamento de Asteroides nas Cercanias da Terra no Observatorio Nacional, a meta atual de astrônomos da área é detectar todos os objetos com tamanho de até 150 metros, suficiente para destruir um país. Não será tarefa fácil: o mapeamento do WISE revela a possível existência de 19,5 mil asteroides de 100 metros a 1 quilômetro de diâmetro. Para asteroides de até 100 metros, como o 2012 DA14, o cálculo é de que haja mais de 1 milhão.
O projeto Atlas, capitaneado por astrônomos da Universidade do Havaí e financiado com US$ 5 milhões cedidos pela Nasa, é uma das iniciativas que visa objetos menores, a partir de 45 metros. Com dois observatórios, munidos de telescópios e câmeras ultrapotentes, a iniciativa pretende monitorar bólidos espaciais e fornecer avisos com sua trajetória e local de impacto. Segundo os organizadores, a construção deve levar três anos. "O meteorito de Chelyabinsk foi assustador, e muitas centenas de pessoas ficaram feridas, mas os danos foram pequenos quando comparados com o que poderia acontecer com objetos um pouco maiores”, afirma John Tonri, pesquisador do projeto. "Nosso objetivo ao construir o Atlas é encontrar esses objetos e fornecer avisos para medidas de emergência". Caso o projeto Atlas tenha êxito na detecção de pequenos objetos, não haverá tempo de pensar em como desviá-los ou destruí-los. Mas se poderá, quem sabe, evacuar uma cidade antes da colisão. "As pessoas precisam entender que, no geral, as chances de um impacto são pequenas", pondera Bannister. "É mais provável que você morra em um acidente de carro ou de avião do que por um meteorito. Por outro lado, é menos provável que você morra por um raio do que por uma pedra espacial".
Fonte: Terra

Mapa aponta locais onde já caíram meteoritos em todo o mundo

Trabalho foi feito com base em dados de quase 35 mil pedras. No Brasil, quase não há registros na Região Norte.
Mapa mostra áreas onde já caíram mais meteoritos no mundo (Foto: Reprodução/CartoDB)
 
A queda de um meteoro na Rússia no último dia 15 deixou mais de mil feridos e aumentou a curiosidade em relação ao fenômeno. Ao longo da semana, leitores do G1 enviaram registros de uma mancha no céu, e em Campos dos Goyatacazes (RJ), astrônomos amadores chegaram a afirmar que seriam grandes as chances de que fragmentos de um meteoro cairiam na cidade. No entanto, a queda de meteoros é um fenômeno relativamente comum. O site “CartoDB” fez uma montagem em um mapa mostrando todos os lugares onde já foram registrados oficialmente quedas de meteoritos, incluindo os que já foram encontrados em terra e aqueles cuja descida foi presenciada. O mapa foi montado a partir da base de dados da “Meteoritical Society”, um grupo internacional que mantém o registro de todos os meteoritos reconhecidos pela comunidade científica. Ao todo, a relação usada no mapa tem pouco menos de 35 mil pedras. A lista conta com meteoritos encontrados desde a Antiguidade, como o Ur, encontrado pelos mesopotâmios por volta do ano 2.500 a.C. no atual Iraque. O maior já registrado é o Hoba, encontrado na Namíbia em 1920, que tem 60 toneladas e é composto de aço. No mapa, as áreas em vermelho mais escuro representam os locais onde já foram encontrados mais meteoritos. Os círculos maiores representam também meteoritos mais pesados. Isso não significa que as demais áreas não tenham tido o fenômeno, apenas que não há registro oficial – na floresta amazônica, por exemplo, seria naturalmente mais difícil encontrar essas pedras, o que explica o clarão no Norte do Brasil.
Fonte: G1

Estrelas de sistema binário provocam explosões quando se aproximam

Paulo Garcia, investigador da FEUP, participa em estudo internacional
Durante a órbita, no ponto de maior proximidade, as suas magnetosferas tocam-se, libertando muita energia
 
Duas estrelas muito jovens, que formam um sistema binário, rodeadas de poeira e gás, provocam um evento explosivo quando estão no seu maior ponto de proximidade. Este fenómeno, nunca observado em estrelas com esta massa, foi agora descrito numa investigação internacional em que está envolvido Paulo Garcia, do Departamento de Engenharia Física da Faculdade de Engenharia Universidade do Porto. O estudo está publicado no «Monthly Notices of the Royal Astronomical Society». Em conversa com o «Ciência Hoje», o investigador explicou, a partir da imagem que se pode ver acima, as particularidades este sistema. Na imagem (visão artística concebida a partir de observações feitas pelo Very Large Telescope Interferometer) “as duas estrelas estão no centro de uma região relativamente aberta de material, à volta dela da qual há um disco de material; essas estrelas têm uns arcos que são parecidos com os arcos magnéticos no Sol”.

Como as estrelas são muito jovens, têm um milhão de anos (o Sol tem cinco mil milhões), a sua actividade magnética é muito maior. “Têm uma magnetosfera muito grande”, explica. “Como andam em órbita à volta uma da outra, fazem uma espécie de cavidade na parte interior do disco onde não há nada. Existem apenas umas espirais de material que caem do bordo interno do disco circumbinário para dentro”. Durante a órbita, no ponto de maior proximidade, as suas magnetosferas tocam-se e liberta-se muita energia. “Nós descobrimos que no momento em que estão juntas existe uma emissão muito forte em riscas de hidrogénio. Essa explosão dá-se no momento de maior aproximação”.

É possível estimar o tamanho da magnetosfera para cada estrela e perceber que, de facto, elas se tocam, o que à partida não era óbvio. É a primeira vez que este fenómeno é observado em estrelas com esta massa, tendo já sido observado em estrelas com massa mais pequena. Uma das imagens mais conhecidas da «Guerra das Estrelas» é quando se vê um ocaso com dois sóis. “Este sistema binário é um caso semelhante”, diz Paulo Garcia. À volta deste sistema, o disco continua mais ou menos intacto. “É um disco normal só que a parte interna foi escavada. Por isso, não estamos à espera de encontrar planetas aí; se existirem será devido a algum fenómeno esquisito”. No entanto, “na parte externa circumbinária, os planetas podem formar-se normalmente porque todos os processos normais de formação planetária estão lá”. É um sistema que está a formar planetas na órbita externa às duas estrelas. “Se tivéssemos num desses planetas, veríamos um por-do-Sol igual ao do filme”.
Fonte: Ciência Hoje

A partícula profeta do apocalipse

Como se já não bastasse a confusão causada quando chamam o bóson de Higgs de "partícula de Deus", eis que, recentemente, a mesmíssima partícula voltou à berlinda, agora como profeta do fim. Isso mesmo, leitores, o destino do Universo está nas mãos dessa partícula ou, mais precisamente, no valor de sua massa. Tudo começa na cozinha, que é um excelente laboratório. Como sabemos, as propriedades de uma substância, como a água, dependem de sua temperatura: muito frio, a água congela; muito quente, evapora. Essas mudanças são conhecidas como transições de fase. Surpreendentemente, o próprio Universo --ou a matéria nele--passou por ao menos uma ou duas transições de fase. E talvez possa passar por mais uma. A história cósmica começa no Big Bang, que marca o início do tempo. Logo após o "bang", o espaço começou a crescer feito um balão, e a matéria nele se resfriou. Voltando à cozinha, vemos que a expansão do Universo funciona como uma geladeira, fazendo a temperatura baixar. Será que a matéria cósmica também pode passar por uma transição de fase?
Sabemos que sim.
 
 Logo no início, a temperatura era tal que as partículas não tinham massa. A única que tinha era o Higgs, mas ele não interagia com as outras partículas. Quando a temperatura foi baixando, o Higgs passou a interagir com as partículas com maior intensidade, dando-lhes massa. Esse processo é uma transição de fase que ocorreu quando o Cosmo tinha um trilionésimo de segundo. Em julho do ano passado, cientistas do laboratório europeu de partículas Cern (onde estarei durante toda a semana --podem esperar algo para domingo que vem) descobriram uma partícula com toda a cara do Higgs. Ainda não temos certeza se é o mesmo Higgs que dá massa para todo mundo, mas tudo indica que sim. O problema é a massa dele, que é entre 124 e 126 vezes maior do que a do próton. Dependendo da massa do Higgs, o Universo pode passar por outra transição de fase, como a água, que pode ir do estado gasoso ao líquido e do líquido ao sólido.
 
 Se isso for verdade, estaríamos na fase líquida e poderíamos cair na fase sólida. Quando muda a fase --por meio do surgimento de bolhas da fase nova na fase antiga--, muda toda a física e não sobra ninguém para contar essa história. Seria o fim do Universo, ao menos como o conhecemos hoje. Antes de causar pânico total, algumas boas novas. Os cálculos indicando que a massa do Higgs é próxima da que causa a instabilidade baseiam-se na suposição de que nenhuma nova física (outras partículas ou forças) aparece até as energias vigentes perto do Big Bang. Possível, mas pouco provável. Também dependem de valores muito precisos das massas de certas partículas, que ainda contêm erros. Os mesmos cálculos indicam que o tempo para que o Universo mude para a nova fase é de bilhões de anos. Resumindo, a possibilidade de transição existe, mas nada é conclusivo e, se ocorrer, deve demorar. Na semana que vem, falarei com os físicos responsáveis pelo cálculo para ver se têm algo novo. Talvez eu mesmo adicione algo à conta, quem sabe ajudando a salvar o Universo.
Créditos:Marcelo Gleiser- Folha
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...