6 de mai de 2013

A lua tem um lado escuro

O correto seria chamá-lo de "oculto" ou "distante". Ele nunca é visto da Terra, mas recebe até mais luz solar que a face avistada daqui
Não há nada de sombrio ou misterioso no "lado escuro" da Lua. Na verdade, muitas naves tripuladas e não tripuladas - inclusive as famosas missões Apollo e seus astronautas americanos - fotografaram e filmaram essa região do nosso satélite natural. Não encontraram nada de esquisito, somente pedras, areia, crateras e montanhas. E ratificaram o que os astrônomos já estavam carecas de saber: a Lua não tem "lado escuro" nenhum, mas uma face que nunca é vista por quem olha aqui da Terra. Lado oculto, porém, não quer dizer que ele seja escuro. A Lua, assim como o nosso planeta, gira em torno de seu próprio eixo. Ou seja: tem um ciclo de dia e noite, com cada centímetro da sua superfície sendo iluminado pelo Sol por um determinado período a cada giro completo.

A gente vê sempre o mesmo lado da Lua porque a atração gravitacional exercida pela Terra forçou a ocultação permanente da outra face. Ao longo do tempo, a interação gravitacional entre os dois corpos celestes fez com que o satélite ficasse trancado numa espécie de sincronização entre seus períodos de rotação (o giro da Lua em torno de si mesma) e translação (a volta que ela dá ao redor do nosso planeta). Os dois levam um pouco menos de 4 semanas para ser completados. É a duração do mês lunar .

Ora, se para dar uma volta em torno de si mesma a Lua gasta o mesmo tempo que para dar uma volta ao redor da Terra, o satélite acaba ficando sempre com a mesma face virada na nossa direção. Torna-se um pouco mais fácil de visualizar quando você imagina uma pessoa dando uma volta ao seu redor no mesmo tempo em que dá um giro completo em torno dela mesma. Faça o teste! Ao estabelecer essa sincronia de movimentos (a mesma que existe entre a rotação e a translação da Lua ), essa pessoa jamais vai lhe dar as costas, mantendo os olhos o tempo todo em você.

Ironicamente, o lado distante da Lua, como também é chamado pelos astrônomos, recebe até mais luz solar que o lado visto daqui, porque nunca está sujeito a eclipses - nos quais a sombra projetada por nosso planeta recobre o satélite. Em compensação, a face visível recebe mais luz refletida da Terra, o que faz com que ela, na média, seja um pouco mais iluminada.
 
Duas caras A face da Lua virada para a Terra é cheia de planícies; a outra, toda esburacada

LADO PRÓXIMO
Esta é a face da Lua que está sempre voltada para a Terra, com dois tipos predominantes de terreno: mares (áreas mais escuras, na verdade planícies cobertas por lava) e regiões montanhosas (as regiões mais claras da foto).

LADO DISTANTE
É a face que nunca vemos aqui da Terra. Quase não tem mares e apresenta número muito maior de crateras formadas pelo impacto de asteroides. Foi fotografada pela primeira vez em 1959, por uma sonda soviética.

1 + 2 = 3
Entenda por que o satélite natural nos mostra sempre a mesma metade 

1. ROTAÇÃO
É o giro que a Lua dá em torno de seu próprio eixo. Nosso satélite natural precisa de exatamente 27 dias, 7 horas, 43 minutos e 11 segundos para concluir esse movimento (mesmo tempo necessário para dar uma volta completa em torno da Terra).

2. TRANSLAÇÃO
Movimento que a Lua faz ao redor da Terra. Como o tempo gasto para dar uma volta completa no planeta é o mesmo que o satélite leva para girar em torno de si mesmo, ele acaba ficando sempre com a mesma face voltada para a nossa direção.

3. SINCRONIA
Rotação e translação demoram o mesmo tempo para ser completadas porque, ao longo de bilhões de anos, a interação gravitacional entre a Lua e a Terra forçou essa sincronização. É o que os astrônomos chamam de acoplamento de maré.
Fonte:Super

Sonda da Nasa registra erupções solares com intensa radiação

Tempestades ocorridas na sexta-feira (3) são consideradas de nível médio. Quando é forte, fenômeno pode atrapalhar sinais de comunicação na Terra.
Imagem de atividade solar combina três registros feitos pelo SDO na sexta-feira (3) (Foto: Nasa/SDO/AIA)
 
O Sol emitiu uma erupção de nível médio na sexta-feira (3), com poderosas chamas de radiação. As imagens foram captadas pela sonda Observatório de Dinâmica Solar (SDO) da agência espacial americana (Nasa), em um comprimento de onda que revela detalhes em alta temperatura. A foto abaixo combina três registros diferentes do SDO. As labaredas emitidas pela nossa principal estrela são da classe M, consideradas a mais fracas a causar algum tipo de efeito meteorológico espacial perto da Terra. Quando esses fenômenos são muito intensos, podem enviar partículas ao espaço perturbar a atmosfera do nosso planeta e prejudicar sinais de comunicação por rádio e satélite, além de causar espetáculos visuais como a aurora boreal. Lançada em 2010, o SDO estuda fenômenos do Sol capazes de interferir na nossa vida. Ultimamente, tem havido um aumento no número de tempestades solares, à medida que o astro se aproxima do chamado "máximo solar", período de pico de atividade após um ciclo de 11 anos, em que há um aumento no número de manchas na superfície. Esse máximo é esperado no fim de 2013.
Foto azul-esverdeada do Sol vê detalhes das explosões emitidas em alta temperatura (Foto: Nasa/SDO/AIA)
Fonte: G1

E se não houvesse noite?

Veja como seria a sua vida se a noite deixasse de existir
Uma megalomaníaca, hollywoodiana intervenção humana poderia instalar über-refletores na órbita da Terra e assim acabar com a escuridão. Mas, até este momento da história, não há motivo para fazer algo tão faraônico. Então fiquemos com a alternativa astronômica. A única maneira de não haver noite é pela sincronização dos movimentos da Terra. Ou seja, se a rotação fosse igual à translação. Só assim o mesmo lado do planeta daria toda a volta ao redor do Sol sem deixar de ser iluminado. E, para isso, a velocidade da Terra no Sistema Solar deveria ser constante, o que implica uma órbita circular, e não elíptica. Mesmo com essas condições, seria dia para sempre somente em um lado do planeta. No outro, noite eterna. Um lugar inóspito, com temperaturas que podem ser baixas como as dos polos e onde as formas de vida seriam diferentes das do lado iluminado. Algo como as profundezas abissais dos oceanos, mas na superfície.
 
Teríamos dois planetas em um só. "Em movimento sincronizado, as condições climáticas seriam radicalmente diferentes. Dificilmente haveria a explosão da vida", diz o astrônomo da USP Enos Picazzio. No lado iluminado, as coisas tampouco seriam fáceis. A vida na Terra está programada para reagir à luz. A galinha, por exemplo, é fotossensível. Em condições naturais, ela só bota ovos quando o Sol nasce. Com ele a pino sempre, a ave como conhecemos dificilmente existiria. Já as plantas vivem de acordo com a duração da noite e do dia. Em noites curtas, como no verão, elas crescem. Na primavera, elas florescem. "A ausência de sinais temporais poderia impedir a floração e a produção de frutos", diz Sergio Tadeu Meirelles, biólogo da USP. A vida como um todo seria adaptada não às andanças do Sol no céu, mas à imobilidade dele. E ele não serviria mais para contarmos o tempo. Essa função seria da Lua.

 
Cruzeiro para o crepúsculo
Quase não veríamos a Lua - mas ela continuaria importante

Piratas emos
Devido à volta da Lua ao redor da Terra, por 15 dias ela ficaria no lado claro, escondida. Nos outros 15, estaria a pino, na escuridão. O fenômeno chamaria a atenção na parte iluminada, mais rica e povoada. Turistas iriam ao escuro, guiados por habitantes das trevas, gente à margem da sociedade.

Pobres e pequenos
Nosso organismo foi feito para repousar no escuro. Sem ele, precisaríamos de câmaras de sono. Quem não tivesse dinheiro para isso teria problemas como pressão alta e estresse. E seria baixinho: o hormônio do crescimento age principalmente durante o sono.

Feliz 1433
O dia como o conhecemos é o tempo em que a Terra dá uma volta em seu eixo, a rotação. Como ela teria o mesmo tempo que a translação, um dia seria igual a um ano. Bizarro. Então a ideia de dia seria determinada pela Lua, cujo movimento em volta da Terra tem cerca de um mês. Não é absurdo. Há calendários baseados na Lua, como o islâmico.

Robin das trevas
A influência da noite na cultura seria outra. O Pink Floyd, se existisse, gravaria The Dark Side of the Earth. Caetano Veloso cantando "Às vezes no silêncio da noite"? Esqueça. E não teríamos tanto convívio com os morcegos. Ou seja, Drácula e Batman não existiriam. Mas o lado escuro inspiraria tanta curiosidade que viveríamos obcecados por lendas de monstros no lado de lá.

Pelos, por que tê-los?
Os animais seriam pelados. Ou teriam pelos (e penas) muito curtos, provavelmente brancos, para refletir o sol e diminuir a temperatura corporal. Na parte escura do planeta não haveria plantas, pois não haveria luz para fazer fotossíntese. Então todos seriam carnívoros, com olhos ultrassensíveis para enxergar à noite.
Fonte: Super

Novas Ideais Sobre Como As Galáxias Espirais Formam Seus Braços

 
As galáxias espirais são algumas das mais belas e fotogênicas habitantes do universo. A nossa própria galáxia, a Via Láctea, é uma galáxia espiral. O nosso Sistema Solar e a Terra, logicamente, reside em algum lugar perto de um desses braços filamentares. Aproximadamente 70 por cento das galáxias mais próximas da Via Láctea são espirais. Mas apesar de sua forma comum, como essas galáxias como a nossa formam e mantêm seus braços característicos ainda é um mistério desafiador na astrofísica. Como os braços das galáxias espirais surgem? Eles mudam ou vem e vão com o decorrer do tempo? As respostas para essas e outras questões estão agora no foco já que pesquisadores capitalizaram poderosas novas simulações computacionais para seguir os movimentos de 100 milhões de partículas estelares, enquanto que a gravidade e outras forças astrofísicas as esculpiam formando as formas galácticas familiares.
 
Uma equipe de pesquisadores da Universidade de Wisconsin-Madison e do Harvard-Smithsonian Center for Astrophysics relatou as simulações que parecem ter resolvidos questões de longo termo sobre a origem e a história de vida dos braços espirais nas galáxias de discos. “Nós mostramos pela primeira vez que os braços espirais estelares não são feições transientes como se pensava por décadas”, disse Elena D’Onghia, astrofísica da UW-Madison, que liderou a nova pesquisa juntamente com seus colegas Mark Vogelsberger e Lars Hernquist. “Os braços espirais são perpétuos, persistentes e surpreendentemente de vida longa” adicionou Vogelsberger. A origem e o destino dos emblemáticos braços espirais nas galáxias de discos tem sido debatido pelos astrofísicos por décadas, com duas teorias predominante. Uma delas afirma que os braços aparecem e desaparecem ao longo do tempo.
 
Uma segunda e mais vastamente aceita, afirma que o material que forma os braços, ou seja, estrelas, gás e poeira, é afetada pelas diferenças na gravidade e se aglomeram, como carros num engarrafamento, sustendo os braços por longos períodos.  Os novos resultados criam uma nova teoria entre as duas já existentes e sugere que os braços nascem primeiro como o resultado da influência de gigantescas nuvens moleculares, ou seja, regiões de formação de estrelas ou berçários comuns em galáxias. Introduzidas nessa situação, as nuvens agem como perturbadores e são suficientes para não somente iniciar a formação dos braços espirais mas para sustentá-las indefinitivamente. “Nós descobrimos que elas estão formando braços espirais”, explica D’Onghia. “As teorias passadas afirmavam que os braços poderiam ir e vir com as perturbações removidas, mas nós vimos que (uma vez elas formadas) os braços se perpetuam, mesmo quando as perturbações são removidas.
 
Ela prova que uma vez que os braços são gerados, através dessas nuvens, elas podem existir através da gravidade, mesmo em condições extremas quando as perturbações não estão mais presentes”. O novo estudo modelou galáxias de discos sozinhas, que não são influenciadas por outra galáxia próxima ou outro objeto. Alguns estudos recentes têm explorado a probabilidade que as galáxias espirais com uma vizinha próxima (uma galáxia anã próxima, por exemplo) ganharam seus braços à medida que a gravidade da galáxia satélite puxa no disco da sua vizinha. De acordo com Vogelsberger e Hernquist, as novas simulações podem ser usadas para reinterpretar os dados observacionais, procurando tanto por nuvens moleculares de alta densidade bem como buracos gravitacionais induzidos no espaço à medida que os mecanismos que guiam a formação das características dos braços das galáxias espirais. A pesquisa da equipe foi publicada na edição de 20 de Março de 2013 do The Astrophysical Journal.

Telescópio Fermi escapa da destruição por lixo espacial

Os dois satélites ocupariam o mesmo ponto no espaço com uma diferença de meros 30 milissegundos.[Imagem: NASA]

Lixo voador
A NASA divulgou um episódio ocorrido no dia 29 de Março último que quase resultou na destruição do telescópio espacial Fermi, projetado para a observação dos raios gama, a radiação de mais alta energia no Universo. Tudo começou quando a chefe da missão, Julie McEnery, recebeu por e-mail alerta enviado automaticamente pelo sistema CARA (Robotic Conjunction Assessment Risk Analysis), que detecta o risco de colisões entre satélites, sondas e naves espaciais e pedaços de lixo espacial. Segundo o alerta, o Cosmos 1805, um satélite espião da época da Guerra Fria, atualmente desativado, passaria a 210 metros de distância do Fermi. Poderia até parecer muito, mas esta distância é menor do que a incerteza na previsão. Por exemplo, em 2009, as estimativas de que o satélite russo Cosmos 2251 passaria a 580 metros do satélite de comunicações Iridium 33 resultou em uma colisão espacial que destruiu os dois e gerou milhares de detritos espaciais. Com uma velocidade relativa de 43.500 km/h, uma colisão entre o Fermi e o Cosmos 1805 liberaria uma energia equivalente a 2,5 toneladas de explosivos, gerando mais uma nuvem de lixo espacial.
 
Mesmo ponto no espaço
Embora, com o passar dos dias, as previsões ficassem mais precisas, os dados resultaram em uma preocupação ainda maior: os dois satélites ocupariam o mesmo ponto no espaço com uma diferença de meros 30 milissegundos. Outra preocupação era que, embora o Fermi tenha foguetes e combustível para se movimentar, este aparato de navegação foi projetado para ser usado quando o observatório de raios gama chegasse ao fim de sua vida útil, trazendo-o para queimar na reentrada na atmosfera. Ou seja, o sistema nunca havia sido testado. A dúvida final era para onde levar o telescópio, já que ele poderia entrar em rota de colisão com outro detrito espacial. Finalmente, no dia 3 de Abril, os foguetes do Fermi foram acionados por 1 segundo, o suficiente para tirá-lo do alcance do satélite ameaçador, mas mantendo-o em uma órbita segura para o futuro imediato. No momento previsto, os satélites cruzaram em órbitas perpendiculares a uma distância de 9,6 km.
Fonte: Inovação Tecnológica

Telescópio Hubble fotografa restos de supernova

Imagem mostra o que acontece com uma estrela anã branca após explodir
O objeto SNR B0519-69.0 está localizado a 150.000 anos-luz da Terra, na Grande Nuvem de Magalhães (ESA/Hubble & NASA)

O telescópio Hubble conseguiu capturar uma imagem dos restos de uma supernova que explodiu a uma distância de 150.000 anos-luz da Terra. As manchas vermelhas fazem parte de um objeto conhecido como SNR B0519-69.0 e representam nuvens de gás que restaram após a explosão. Existem diversos tipos de supernovas. A maioria é formada pela explosão de estrelas muito massivas, pelo menos dez vezes maiores que o Sol. A supernova estudada, no entanto, é de outro tipo, formado pela explosão de uma estrela anã branca — semelhante ao Sol, mas em seus últimos estágios de vida. O objeto está localizado na constelação de Dorado e faz parte da Grande Nuvem de Magalhães — galáxia que orbita a Via Láctea como um satélite. Essa região do céu é objeto de grande interesse dos astrônomos por causa do grande número de objetos distantes e interessantes encontrados ali. O SNR B0519-69.0 não está sozinho na Grande Nuvem de Magalhães. O próprio telescópio Hubble descobriu, em 2006, os restos de uma supernova bastante semelhante aos encontrados agora: o SNR B0509-67.5.
 
Saiba mais
 
SUPERNOVA
É o nome dado à explosão de estrelas, em sua maioria, com massa dez vezes maior que a do Sol. Uma supernova pode ser tão brilhante quanto uma galáxia, mas com o passar do tempo a luminosidade diminui até ela se tornar invisível. O processo todo costuma durar semanas ou meses.
 
ANÃ BRANCA
Quando uma estrela como o Sol esgota sua energia, ela se transforma em anã branca. Cientistas acreditam que o Sol deve se apagar e se tornar uma anã branca em 5 bilhões de anos.
Fonte:Veja

As Caudas do Cometa Lemmon

Crédito de imagem e direitos autorais: Gerald Rhemann

O que causa as interessantes e intrigantes caudas que o cometa Lemmon apresentou no começo do ano de 2013? Primeiro de tudo, quase todo cometa que chega perto do Sol apresenta duas caudas: uma cauda de poeira e uma cauda de íon. A cauda de poeira do cometa Lemmon, pode ser vista acima e ao redor do núcleo do cometa e não é branca, é produzida pela reflexão da luz do Sol na poeira que protege o núcleo aquecido cometa. Fluindo e muito mais esculpida, contudo, é a cauda de íon azulada do C/2012 F6, criada pelo vento solar empurrando os íons pelo núcleo na direção contrária ao Sol. Pode-se notar também que a coma do cometa está envolta por uma névoa esverdeada gerada pelo gás carbônico atômico que é fluorescente na luz do Sol. A imagem acima foi feita a partir dos céus escuros da Namíbia em meados do mês de Abril de 2013. Atualmente, o cometa Lemmon está se apagando e voltando para o Sistema Solar externo.
Fonte: http://apod.nasa.gov/apod/ap130506.html

Kepler, Sophie e Harps-N obsevam dois exoplanetas com órbitas excêntricas

Uma equipe de astrónomos da qual faz parte Alexandre Santerne do Centro de Astrofísica da Universidade do Porto (CAUP), combinou dados do satélite Kepler (NASA) com os dos espectrógrafos SOPHIE3 e HARPS-N, conseguindo assim uma caracterização muito precisa destes dois planetas. Os exoplanetas KOI-200 b e KOI-889 b foram detetados pelo Kepler, que já identificou mais de 2000 potenciais estrelas onde podem ocorrer trânsitos planetários5. Os dados do Kepler foram posteriormente confirmadas e analisadas pelo método das velocidades radiais6, com os espectrógrafos SOPHIE e o recém-inaugurado HARPS-N, o irmão do hemisfério Norte do mais prolífico detetor de planetas até à data, o HARPS (ESO).
 
Segundo Alexandre Santerne (CAUP) “O espectrógrafo SOPHIE já desempenhava um papel importante, ao verificar e determinar as características dos planetas gigantes detetados pelo Kepler, como a massa. Com o HARPS-N, que tem uma precisão superior, esperamos fazer o mesmo para exoplanetas mais pequenos, talvez até do tamanho da Terra.”
Com as observações conjuntas destes instrumentos, foi possível caracterizar7com bastante precisão estes dois exoplanetas:
  • O KOI-200 b tem uma massa 1,32 vezes a de Júpiter, mas apenas 68% da seu raio, ou seja, é pouco denso. Este planeta orbita em volta de uma estrela, cerca de 1,5 maior que o Sol, em apenas 7,34 dias.
  • Já o KOI-889 b é mais denso, com cerca de 10 vezes a massa de Júpiter, concentrada num diâmetro praticamente igual ao do maior planeta do Sistema Solar. Demora quase 9 dias a completar a sua órbita, em volta de uma estrela com 88% do tamanho (e da massa) do Sol.
Este último planeta é dos mais massivos descobertos até hoje com o método de trânsito, e também dos que têm uma órbita mais excêntrica. Santerne comentou que “Mesmo que só existissem Jupiteres Quentes9, como as centenas que já conhecemos, estes dois destacam-se por terem órbitas muito excêntricas, o que é relativamente raro em planetas de períodos tão curtos. Eu prefiro pensar nestes dois planetas como mais dois tijolos na parede do nosso conhecimento sobre sistemas planetários, e quanto maior for essa parede, mais vamos compreender a formação e evolução de planetas.”
Fonte:Centro de Astrofísica da Universidade do Porto
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