10 de mai de 2013

Mitos e verdades sobre meteoritos

Meteorito no Museu Nacional da Universidade Federal do Rio de Janeiro

Existe um ar mitológico que envolve os astros. Muitas pessoas ainda desconhecem ou os estereotipam, desconhecendo as suas particularidades. O Bendegó foi achado em uma cidade próxima à cidade de Itiúba chamada Uauá e lá existia uma lenda. De acordo com o meteoricista Wilton Carvalho, o Bendegó era uma pedra encantada e o povo acreditava que seu sofrimento com a seca era porque a pedra foi retirada do local. “Essa lenda ficou na minha cabeça. O meu povoado foi onde o Bendegó embarcou para Salvador. No local foi feito um marco de pedra que existe até hoje e todo meu trabalho foi para desmitificar a lenda e provar que ele não era encantado”, detalha.

Meteoros e afins
Sob o rastro de uma “estrela cadente” muitos pedidos já foram feitos. Triste é saber que eles jamais serão atendidos. Nada de sobrenatural ocorre quando um meteoro cai do céu. Trata-se de uma porção de matéria, geralmente do tamanho de um grão de arroz, que se desintegra no espaço depois de acordar de um sono em que permaneceu imutável por bilhões de anos e gera o fenômeno que avistamos. Esses corpos foram desagregados por conta da radiação do Sol, ou se orginaram de choques frequentes, especialmente no Cinturão de Asteroides (espécie de “entulho celeste”) situado entre as órbitas de Marte e Júpter.
 
Os meteoros também podem ser produzidos por meteoroides. Esses últimos são restos de cometas e asteroides que passeiam pelo universo e podem ser menores que um átomo,menor partícula que caracteriza um elemento químico. Ao atingirem a Terra os meteoros são chamados de meteoritos, minúsculas partículas, restos de cometas e outros corpos celestes, que pesam cerca de 10 gramas. Quase sempre têm o tamanho de grãos de feijões, mas podem ser ainda menores.
 
A variação do brilho dos meteoroides é resultado do atrito que este corpo sofre ao atingir a atmosfera terrestre. Nessa camada, o meteorito se inflama, causando um espetáculo no céu semelhante a fogos de artifício. A sua velocidade pode variar de 42 Km/seg para 72 Km/seg, e se manifestam a uma altura de aproximadamente 120 Km quando “acendem”, e de 70 Km quando “apagam” totalmente ao serem incinerados.
 
Dentro de uma rocha extraterrestre
Quando caem sobre a Terra, atraídos pela força gravitacional, tanto os meteoros quanto os meteoroides são chamados de meteoritos. Na maioria das vezes são fragmentos de rochas ou de ferro de tamanho variável e forma irregular. Sua estrutura também pode variar de microfragmentos, a pedaços de rochas de alguns metros de diâmetro.
 
Segundo o professor Carvalho, nem sempre o que chega de lá de cima é meteorito. Ele exemplifica que a rocha encontrada em Salvador, há pelo menos duas semanas, não é um meteorito. “Eu já posso dizer isso só visualizando. Ele é o que chamamos de canga, que são minerais que passam por um processo de hidratação, onde o ferro começa a se transformar em outros minerais.”, desmitifica. O objeto classificado como meteorito está enferrujado, o que confirma a opinião do meteoricista.
 
De acordo com o pesquisador, para comprovar se esses materiais espaciais são realmente meteoritos é realizada uma análise química para saber de que eles são compostos. “Podemos perceber que 90% dos meteoritos têm níquel e ferro. Então, se você acha níquel em uma rocha, há probabilidade de ser um meteorito”, detalha.
 
“Primeiramente fazemos uma análise no olhar, onde vemos as texturas, as crostas, [se] não tem vesícula, [se] não tem furinho, se for de ferro ou metálico…”, comenta Carvalho a respeito do primeiro contato com o meteorito. “[Contudo,] existem meteoritos de todos os tipos, logo, para ter certeza se é, e de qual [é o seu] tipo, temos que fazer a análise química e depois física”, elucida o o professor Wilton Carvalho.
 
A análise dos minerais em laboratório é feita por um geólogo e passa por um espectrograma para fazer o exame petrográfico, que indica as características estruturais, mineralógicas equímicas das rochas. “Existem determinados minerais que só encontramos nos meteoritos. Se você encontrar um mineral chamado hematita ou calcita em quantidade não é meteorito”, completa o pesquisador que alerta sobre os parâmetros para essa análise das rochas.
 
Estudos sobre meteoritos no Brasil
Os trabalhos acadêmicos sobre meteorito são raros nas universidades, institutos, centros e observatórios do país. O Instituto Nacional de Pesquisas Espaicias (INPE), por exemplo, realiza projetos para inclusão e educação científica; observações da atividade solar, estudos sobre geodinâmica, astrofísica, dentre outros, mas nenhum trabalho acerca das rochas espaciais. Segundo Wilton Carvalho, o Museu Nacional, vinculado à Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), é a instância que mais se destaca em projetos sobre meteoritos. Na Bahia, o Observatório Astronômico Antares, vinculado à Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS) possui projetos sobre Astronomia Extragalática – que lida com objetos fora da Via Láctea, Lixo espacial e Física de plasma – quarto estado físico da matéria, presente no Sol, por exemplo, mas também não lida com a ocorrência de impactos de asteroides.
 
De acordo com o professor da UFBA, a Meteorítica, ciência que estuda os meteoritos e outros materiais extraterrestres, que ajudam a compreender a origem e história do sistema solar, ainda não tinha se constituído e a maioria dos cientistas não acreditavam na existência de rochas vindas do espaço. “As perspectivas levantadas na descoberta do Bendegó era de que havia uma valiosa jazida de minério de ferro”, afirma o pesquisador da UFBA. O primeiro contato do professor Wilton Carvalho com a “Pedra de Bendegó” foi em 1888, em uma visita ao museu que hoje o abriga. A experiência aconteceu sete anos antes de Bendegó ter sido reconhecido como um provável meteorito, através de comunicado escrito pelo inglês Aristides Franklin Mornay, à Sociedade Real de Londres.
Créditos: EDVAN LESSA* E NÁDIA CONCEIÇÃO**
da Agência Ciência e Cultura da UFBA

Investigando alguns mistérios do cinturão de asteróides

Aproximando teorias e possíveis soluções
Asteróides não são ruins nem bons, mas trazem mudanças significativas para o nosso planeta. Ilustração
 
Entre as órbitas de Marte e do distante Júpiter existem centenas de milhares de corpos rochosos conhecidos como cinturão de asteróides. Muitos sistemas solares devem conter cinturões como esse, que em filmes de ficção científica normalmente são apresentados como rochas que não permitiriam a mínima locomoção para qualquer astronauta. Pode ser assim em outros sistemas, mas no nosso os corpos rochosos estão bem distantes uns dos outros.

A sonda Dawn está investigando o segundo maior corpo do cinturão, o Vesta. Em 2015, ela deve continuar em órbita no maior objeto celeste, o Ceres, responsável por quase um terço da massa do cinturão de asteróides, sendo maior do que Plutão. Dawn é a primeira sonda a orbitar um corpo celeste – quem dirá dois – no cinturão. Com isso, alguns de seus mistérios estão sendo desvendados:

Origem dos asteróides separados
A teoria mais aceita sobre as rochas esparsas em nosso cinturão é que isso teria sido resultado da interferência gravitacional dos grandes planetas vizinhos. Com as futuras descobertas e aprendizado das localizações dos cinturões de asteróides em outros sistemas solares, será possível confirmar a teoria.

Secos e molhados
Vesta e Ceres são relativamente próximos, mas são muito diferentes. Essencialmente, Vesta é "seco", enquanto Ceres é "molhado". O primeiro corpo celeste é parecido com a Lua e com a Terra, com núcleo de ferro. Ceres, por sua vez, está mais parecido com água e gelo. Os cientistas acreditam que a razão por trás das composições contrastantes tem a ver com quando os corpos foram formados. Vesta teria sido formado apenas alguns milhões de anos antes de Ceres, o suficiente para se tornar quente e seco. Ceres, por sua vez, foi refrigerado por fora.

Muita Vesta, pouco Ceres
Se Vesta, como sugere a teoria, se formou antes de Ceres, isso pode explicar o mistério de por que há tão poucos asteróides do tipo de Vesta no cinturão. A maioria dos casos conhecidos parecem ter vindo do próprio Vesta, tendo sido arrancados por uma colisão muito tempo atrás. A colisão teria resultado em uma explosão, lançando alguns fragmentos do asteróide para a Terra – cerca de 20 meteoritos foram encontrados, mas nenhum parece ter se originado de Ceres.


 Isso porque mesmo que pedaços de gelo se desprendessem de Ceres, eles se desintegrariam com o calor na entrada da atmosfera da Terra. A Dawn irá estudar a superfície de Ceres para avaliar essa hipótese. Outra teoria para os meteoritos de Vesta terem chegado por aqui e os de Ceres não é a gravidade de Júpiter, que ajudaria no bombardeamento de muito mais estilhaços de Vesta em nosso caminho.

Portadores da vida e da morte?
Durante o planejamento da missão Dawn, alguns cientistas expressaram preocupação sobre o envio da sonda para Ceres, pois ele seria um interessante objeto de astrobiologia. Como ele tem água e uma boa temperatura sob a superfície, é possível que a missão pudesse contaminar o asteróide. Com essas condições, seria possível alguma manifestação de vida em Ceres, e esse é um dos estudos que a futura missão da Agência Espacial Norte-Americana (NASA) pretende realizar.


Se existir vida em algum asteróide do cinturão, eles poderiam responder até pela origem da vida na Terra, já que a teoria da panspermia sugere que a vida não começou aqui, mas que foram desenvolvidas em outros lugares, sendo entregues na Terra a partir de um meteorito. Asteróides têm tido um grande impacto sobre a vida na Terra. Um acabou com os dinossauros do nosso planeta e outro pode ter dado origem a água. Asteróides não são ruins nem bons, mas trazem mudanças significativas para o nosso planeta.

Spitzer da NASA coloca planetas numa placa de petri

Se os astrónomos pudessem de algum modo arrancar os planetas do céu e analisá-los em laboratório, seria algo deste género, uma imagem artisticamente alterada que ilustra novas pesquisas do Telescópio Espacial Spitzer da NASA. O observatório infravermelho permite com que os astrónomos estudem de perto as atmosferas dos exoplanetas Júpiteres quentes - aqueles para lá do nosso Sistema Solar que orbitam muito perto das suas estrelas-mãe.
Crédito: NASA/JPL-Caltech

A nossa Galáxia está repleta de uma variedade selvagem de planetas. Além dos oito planetas do Sistema Solar, existem mais de 800 exoplanetas conhecidos que orbitam outras estrelas além do Sol. Uma das primeiras "espécies" de exoplanetas a ser descoberta foi o "Júpiter quente". Estes planetas são gigantes gasosos como Júpiter, mas orbitam perto das suas estrelas-mãe, borbulhando sob o calor. Graças ao Telescópio Espacial Spitzer, os investigadores estão a começar a dissecar esta classe exótica de planetas, revelando furiosos ventos e outros aspectos da sua natureza turbulenta. Uma das descobertas que surgiram desta pesquisa planetária foi a grande variedade de climas. Alguns estão cobertos com neblina, enquanto outros estão limpos. Os seus perfis de temperatura, química e densidades também diferem.
 
"Os Júpiteres quentes são difíceis de estudar. Não encaixam perfeitamente nos nossos modelos e são mais diversos do que pensávamos," afirma Nikole Lewis do Instituto de Tecnologia do Massachusetts (MIT) em Cambridge, autora principal de um novo artigo do Spitzer publicado na revista Astrophysical Journal, que examina um destes Júpiteres quentes chamado HAT-P-2b. "Estamos apenas começando a juntar as peças deste puzzle planetário, e ainda não sabemos qual será a imagem final."
 
O primeiro planeta extrasolar descoberto em torno de uma estrela semelhante ao Sol foi, de facto, um Júpiter quente, denominado 51 Pegasi b. Foi detectado em 1995 por astrónomos suíços, utilizando o método de velocidade radial, que mede a oscilação de uma estrela provocada pela atracção de um planeta. Dado que os Júpiteres quentes são pesados e orbitam rapidamente em torno das suas estrelas-mãe, são os mais fáceis de encontrar usando esta estratégia. Em pouco tempo seguiram-se dezenas de descobertas de Júpiteres quentes. Ao início, os cientistas pensavam que representavam uma configuração mais comum para outros sistemas planetários na nossa Galáxia, para lá do nosso próprio Sistema Solar. Mas novas pesquisas, incluindo a do Telescópio Espacial Kepler, mostraram que são relativamente raros.
 
Em 2005, os cientistas ficaram encantados quando o Spitzer tornou-se no primeiro telescópio a detectar a luz emitida por um exoplaneta. O Spitzer acompanhou a luz infravermelha de uma estrela e do seu planeta - um Júpiter quente - à medida que o planeta desaparecia por trás da estrela num evento conhecido como eclipse secundário. Mais uma vez, esta técnica funciona melhor para os Júpiteres quentes, porque são os planetas maiores e mais quentes.
 
Além de observar a ocultação de Júpiteres quentes pelas suas estrelas, os investigadores também usam o Spitzer para estudar os exoplanetas à medida que completam uma órbita em torno da estrela. Isto permite-lhes criar mapas climatéricos globais, revelando como as atmosferas dos planetas variam desde as suas faces voltadas para a estrela para as suas faces nocturnas, em parte devido a fortes ventos (os Júpiteres quentes sofrem frequentemente de acoplamento de maré, com um dos lados sempre voltado para a estrela, tal como a nossa Lua mostra sempre a mesma face à Terra). Desde aquela primeira observação, o Spitzer estudou as atmosferas de dúzias de Júpiteres quentes, e até alguns planetas extrassolares mais pequenos, descobrindo pistas sobre a sua composição e clima. "Quando o Spitzer foi lançado em 2003, não fazíamos ideia que viria a ser um gigante no campo da ciência exoplanetária," afirma Michael Werner, cientista do projecto Spitzer no JPL da NASA em Pasadena, no estado americano da Califórnia.  Agora, estamos movendo-nos mais para o campo da ciência planetária comparativa, onde podemos observar estes objectos como uma classe e não apenas como indivíduos."
 
No novo estudo, Lewis e colegas fizeram a observação mais longa, do Spitzer, de um Júpiter quente. O telescópio infravermelho observou o sistema HAT-P-2 continuamente durante seis dias, vendo-o passar em frente da estrela-mãe, "escorregar" para trás, e então reaparecer no outro lado, completando uma órbita. O que torna esta observação ainda mais emocionante para os cientistas é que o planeta tem uma órbita excêntrica semelhante à dos cometas, levando-o até uma curta distância de 4,5 milhões de quilómetros da estrela e afastando-se até 15 milhões de quilómetros. Para referência, Mercúrio é de longe o mais excêntrico dos planetas principais, e varia entre 46 e 69,8 milhões de km do Sol.
 
"É como se a Natureza nos tivesse dado uma experiência laboratorial perfeita com este sistema," afirma Heather Knutson, do Instituto de Tecnologia da Califórnia e co-autora do artigo. "Dado que a distância relativamente à sua estrela muda, podemos ver quão rapidamente aquece e arrefece. É como se estivéssemos a girar o botão da temperatura sobre este planeta e a observar o que acontece." Knutson liderou a equipa que criou o primeiro mapa climatérico de um Júpiter quente, denominado HD 189733 b, em 2007. O novo estudo de HAT-P-2b é também um dos primeiros a usar vários comprimentos de onda no infravermelho, em vez de apenas um, enquanto observava uma órbita completa do Júpiter quente. Isto permite com que os cientistas espiem diferentes camadas dos planetas. Os resultados revelam que HAT-P-2b demora cerca de um dia para aquecer à medida que se aproxima da parte mais quente da sua órbita, e quatro a cinco dias para arrefecer à medida que se afasta. Também apresenta uma inversão de temperatura - uma camada mais alta e quente de gás - quando está mais próximo da estrela.
 
Além do mais, a química de carbono do planeta parece estar a comportar-se de forma inesperada, o que os astrónomos estão ainda tentando compreender. "Estes planetas são muito mais quentes e dinâmicos que o nosso próprio Júpiter, que é lento em comparação. Os fortes ventos transportam material de baixo para cima, e a química está sempre a mudar," afirma Lewis. Outro desafio para a compreensão dos Júpiteres quentes encontra-se na análise dos dados. Lewis disse que a observação de seis dias da sua equipa deixou-os com 2 milhões de pontos de dados para cuidadosamente mapear enquanto removiam o ruído dos instrumentos. "As teorias estão sendo eliminadas," afirma Nick Cowan da Universidade do Noroeste em Evanston, Illinois, co-autor do estudo sobre HAT-P-2b. "De momento, é como o faroeste selvagem."
Fonte: Astronomia On-Line

Galáxia Messier 77

Créditos da Imagem:NASA, ESA, André van der Hoeven
 
A galáxia espiral M77 que aparece para nós de frente, localiza-se a somente 47 milhões de anos-luz de distância na direção da constelação aquática de Cetus. Nessa distância estimada, a maravilhosa ilha do universo tem aproximadamente 100 mil anos-luz de diâmetro. Também conhecida como NGC 1068, seu compacto e bem brilhante núcleo é bem estudado pelos astrônomos explorando os mistérios dos buracos negros supermassivos nas ativas galáxias Seyfert. Mas essa imagem nítida na luz visível baseada nos dados do Hubble segue os braços espirais soprados traçados pelas nuvens de poeira que obscurecem a visão e pintados de vermelho pelas regiões de formação de estrelas localizadas próximas do núcleo luminoso da galáxia.
Fonte: http://apod.nasa.gov/apod/ap130510.html 
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