3 de jun de 2013

10 partículas teóricas que podem explicar tudo no universo

Por longas eras, a humanidade tem tentado desvendar a composição exata do universo. Os gregos foram os primeiros a intuir a existência dos átomos, que eles acreditavam ser as menores partículas no universo, os “blocos construtivos” de tudo. Durante 1.500 anos, não houve nada de novo no assunto, até a descoberta, em 1897, do elétron, que abalou as estruturas do mundo científico. Da mesma forma que a matéria era feita de átomos, os átomos pareciam ter seus próprios ingredientes. Mas mesmo os prótons e nêutrons, os elementos que fazem o átomo, também são feitos de partes menores – os quarks. Cada nova descoberta carrega consigo novas perguntas. Será que o tempo e o espaço são apenas apenas grumos de migalhas minúsculas carregadas, muito pequenas para serem vistas? Talvez estas partículas teóricas possam explicar tudo – se pudermos encontrá-las.
 
10. Strangelets
Existem seis tipos de quarks, sendo os mais comuns os quarks “up” e “down”, que fazem os prótons e nêutrons. Os quarks “strange”, por outro lado, não são tão comuns. Quando quarks “strange” se combinam com quarks “up” e “down” em números iguais, a partícula resultante chama-se strangelet, que forma os componentes da matéria “estranha”. Segundo a hipótese da matéria estranha, os strangelets são criados na natureza quando uma estrela de nêutrons tem a pressão tão alta que os elétrons e prótons em seu núcleo se fundem, colapsando em um tipo de bolha densa de quarks, que chamamos de matéria estranha. E como teoricamente os strangelets podem existir fora do ambiente de alta pressão do centro de uma estrela, é provável que eles flutuem para fora destas estrelas e acabem entrando em outros sistemas estelares, incluindo o nosso.
 
E é aí que as coisas ficam malucas. Se existir, um strangelet grande pode converter um núcleo atômico em outro strangelet só de colidir com ele. O novo strangelet irá colidir com mais núcleos, convertendo-os em mais strangelets, em uma reação em cadeia até que toda a matéria na Terra seja convertida em matéria estranha. A comunidade científica leva a sério esta ameaça, tanto que os pesquisadores do Grande Colisor de Hádrons, maior acelerador de partículas do mundo, fez um comunicado à imprensa declararam ser improvável que eles acidentalmente criassem strangelets que poderiam destruir o planeta (basicamente, a natureza cria colisões de partículas muito mais poderosas. Se fosse o caso de criar strangelets na Terra por colisão de partículas, isto já teria acontecido há muito tempo).

9. S-partículas
A teoria da supersimetria afirma que cada partícula do universo tem uma partícula oposta gêmea, conhecida como partícula supersimétrica ou s-partícula. Então, para cada quark, há um s-quark em perfeita simetria com ele. Para cada fóton, um fotino. O mesmo ocorre com todas as 61 partículas elementares conhecidas. Mas se existem tantas assim, por que não descobrimos até agora nenhuma delas?
 
Na física de partículas, partículas mais pesadas decaem mais rapidamente que as partículas leves. Se uma partícula for pesada o suficiente, ela se desfaz praticamente no mesmo instante em que é criada. Assumindo então que as s-partículas sejam incrivelmente pesadas, elas se desfariam em um piscar de olhos, enquanto suas superparceiras, as partículas que observamos na natureza, continuam a existir. Isto também explicaria por que há tanta matéria escura: as s-partículas poderiam compor a matéria escura e existir em um campo que é, até agora, não observável.

8. Antipartículas
A matéria é feita de partículas e a antimatéria, de antipartículas. Faz sentido, certo? As antipartículas têm a mesma massa de partículas normais, mas carga e momento angular (spin) opostos. Parece com a teoria da supersimetria, mas diferente das partículas, as antipartículas se comportam exatamente como as partículas, inclusive formando anti-elementos, como o anti-hidrogênio. Basicamente, toda a matéria tem sua antimatéria correspondente. Ou, pelo menos, deveria. E é aí que está o problema. Há bastante matéria por aí, mas a antimatéria não aparece em lugar nenhum, exceto no Grande Colisor de Hádrons.
 
 Durante os primeiros momentos do Big Bang, haviam quantidades iguais de partículas de matéria e antimatéria. A ideia é que toda a matéria do universo surgiu naquele ponto. Então, por padrão, toda a antimatéria teria que surgir junto. Uma teoria afirma que existem outras partes do universo dominadas pela antimatéria. Tudo que podemos ver, mesmo as estrelas mais distantes, é composto de matéria. Mas o nosso universo visível pode ser apenas uma pequena seção do universo, e os planetas, estrelas e galáxias de antimatéria estariam em uma parte diferente deste universo.

7. Grávitons
Neste momento, as antipartículas são um problema enorme para os teóricos de física de partículas. Outro problema, no entanto, é a gravidade. Comparada com outras forças, como o eletromagnetismo, a gravidade é fraca. E parece mudar sua natureza baseada na massa de um objeto – ela é facilmente observável em planetas e estrelas, mas quando você vai ao nível molecular, nada de gravidade. Além disso, o fenômeno não tem uma partícula portadora, como os fótons são portadores da força eletromagnética. É aí que entra o gráviton. Ele é a partícula teórica que permitiria que a gravidade fosse encaixada no mesmo modelo das outras forças observáveis.

 Como ela exerce uma atração fraca em todos os objetos, independente da distância, deve ser sem massa. Isto teoricamente não seria problema – os fótons não têm massa e foram encontrados. A física avançou até o ponto de definir os parâmetros exatos que um gráviton deve ter, e assim que encontrarmos uma partícula – qualquer partícula – que combine com a descrição, teremos um gráviton. Encontrar o gráviton é importante porque, da forma como são hoje, a relatividade geral e a física quântica são incompatíveis. Mas a um certo nível preciso de energia, conhecido como escala de Planck, a gravidade para de seguir as leis da relatividade e passa a obedecer as leis quânticas. Resolver o problema da gravidade pode ser a chave para uma teoria unificada.

6. Gravifótons
Esta é outra partícula gravitacional teórica. O gravifóton é uma partícula que seria criada quando um campo gravitacional fosse excitado em uma quinta dimensão. Ele é previsto pela teoria Kaluza Klein, que propõe que o eletromagnetismo e a gravitação podem ser unificados em uma única força sob a condição que existam mais de quatro dimensões no espaço-tempo. Um gravifóton teria as características de um gráviton, mas também teria as propriedades de um fóton, e criaria o que os físicos chamam de uma “quinta força” (atualmente existem quatro forças fundamentais). Outras teorias afirmam que o gravifóton seria uma superparceira (como uma s-partícula) dos grávitons, mas que atrairia e repeliria ao mesmo tempo. Ao fazer isto, os grávitons teoricamente criariam a antigravidade.

5. Préons
O núcleo de um átomo de ouro possui 79 prótons. Cada próton é feito de três quarks. O diâmetro do núcleo do átomo de ouro é de cerca de oito femtômetros, ou oito milionésimos de nanômetro, e um nanômetro é um bilionésimo de um metro. Quarks são pequenos e os préons, que seriam as sub-partículas do quark, seriam tão infinitesimalmente pequenas que atualmente não há escala para medir seu tamanho. Existem outras palavras para descrever os blocos que formariam os quarks, como primons, subquarks, quinks e tweedles, mas o préon é o mais aceito. E os préons são importantes porque atualmente os quarks são uma partícula fundamental – não tem como chegar a nada menor. Se os quarks forem compostos de outra coisa, isto abriria a porta para milhares de novas teorias. Por exemplo, uma teoria afirma que a antimatéria do universo está contida nos préons, e que todas as coisas têm antimatéria presa dentro de si. De acordo com esta teoria, você é em parte antimatéria, mas não pode vê-la porque os blocos de matéria são muito maiores.

4. Táquions

Nada chega mais perto de quebrar as leis da relatividade que um táquion. É uma partícula que se move mais rápido que a luz, e se ela existir, isto significaria que a barreira da velocidade da luz não é mais uma barreira, mas um ponto central. Da mesma forma que partículas normais podem se mover com velocidade infinitamente baixa, um táquion poderia se mover a velocidades infinitamente rápidas. E, bizarramente, o relacionamento com a velocidade da luz seria espelhado. Quando uma partícula normal acelera, sua energia aumenta. Para quebrar a barreira da velocidade da luz, ela precisaria de energia infinita. Para um táquion, quanto mais lento ele viaja, mais energia precisa. À medida que fica vagaroso e se aproxima da velocidade da luz pelo outro lado, ele vai precisando cada vez de mais energia. E quando ele acelera, precisa de cada vez menos energia, até que não precise de energia nenhuma para viajar a velocidade infinita. Se os táquions realmente existirem, eles estarão presos para sempre do lado oposto da barreira que nós também não podemos ultrapassar. Uma pena, porque teoricamente os táquions poderiam ser usados para enviar mensagens para o passado.
 
3. Cordas
Até agora quase todas as partículas que falamos são chamadas partículas puntiformes. Quarks e fótons existem como um ponto – um minúsculo ponto, se você quiser – com dimensões zero. A teoria das cordas sugere que estas partículas elementares não são pontos, mas cordas, ou fios com uma dimensão. No seu núcleo, a teoria das cordas é uma “Teoria de Tudo”, que consegue colocar juntas a gravidade e a física quântica (pelo que vimos até agora, elas não podem coexistir – a gravidade não funciona na escala quântica). Em um sentido mais geral, a teoria das cordas é uma teoria quântica da gravidade. As cordas substituiriam os préons como os blocos construtores dos quarks, e em um nível maior tudo permaneceria igual.
 
E na teoria das cordas, uma corda pode se tornar qualquer coisa dependendo de sua forma. Se for uma linha aberta, se torna um fóton. Se as pontas se conectam formando um laço, a corda se torna um gráviton – da mesma forma que um pedaço de madeira pode se tornar uma casa ou uma flauta. Existem, na física, muitas teorias das cordas e cada uma delas prediz um número diferente de dimensões. A maioria declara existirem dez ou onze dimensões, e a teoria bosônica das cordas (ou teoria das supercordas) pede vinte e seis. Nestas outras dimensões, a gravidade tem uma força igual ou maior que as outras forças fundamentais, o que explicaria porque ela é tão fraca em nossas três dimensões espaciais.
 
2. Branas
Quem quer uma explicação para a gravidade tem que dar uma espiada na Teoria-M ou Teoria das Membranas. As membranas, ou branas, são partículas que são capazes de envolver várias dimensões. Por exemplo, uma 0-brana é uma brana puntiforme que existe em zero dimensões, como um quark. Uma 1-brana tem uma dimensão – uma corda. Uma 2-brana é uma membrana bidimensional, e assim por diante. Branas de dimensões superiores podem ter qualquer tamanho – o que leva à teoria de que nosso universo é uma enorme brana com quatro dimensões. Esta “superbrana” – o nosso universo – é só uma parte de um espaço multidimensional.
 
Sobre a gravidade, nossa brana quadridimensional não pode contê-la, e ela “vaza” para outras branas conforme passa por elas no espaço multidimensional. Nós ficamos apenas com as sobras, o que explicaria porque ela é tão fraca comparada com outras forças. Extrapolando, faz sentido ter muitas branas se movendo pelo espaço – infinitas branas em um espaço infinito. E a partir daí temos as teorias de muitos mundos e de universos cíclicos. As teorias de universos cíclicos afirmam que o universo se repete em ciclos, expandindo a partir da energia do Big Bang, e depois encolhendo por causa da atração gravitacional terminando em um Big Crunch. A energia da compressão causaria outro Big Bang, lançando o universo em outro ciclo.
 
1. Bóson de Higgs
O bóson de Higgs teve sua descoberta confirmada em 14 de março de 2013, no Grande Colisor de Hádrons. Ele havia sido previsto teoricamente nos anos 1960 como a partícula que daria massa às outras partículas. Basicamente, o bóson de Higgs é produzido no campo de Higgs e foi proposto como uma forma de explicar porque algumas partículas que deveriam ter massa na verdade não tinham. O campo de Higgs, que ainda não foi observado, teria que existir no universo todo e fornecer a força necessária para as partículas terem massa. E se isto for verdade, ele preencheria enormes vazios no Modelo Padrão, que é a explicação básica de praticamente tudo (exceto, como sempre, a gravidade).
 
O bóson de Higgs é vital porque prova que o campo de Higgs existe, e explica como a energia dentro do campo pode se manifestar como massa. Também é importante por que estabelece um precedente. Antes de ser descoberto, o bóson de Higgs era apenas uma partícula teórica. Ela tinha modelos matemáticos, parâmetros físicos para sua existência, como deveria ser seu spin, tudo. Apenas faltava uma evidência de sua existência. Mas baseado nestes modelos e teorias, fomos capazes de localizar uma partícula específica, a menor coisa no universo conhecido, que estava de acordo com essa hipótese. Se conseguimos fazer isto uma vez, quem pode dizer que alguma destas outras partículas não pode ser real?
Fonte:Hypescience.com
[Listverse]

A existência de hélio é evidência para o Big Bang

Quais as evidências do Big Bang que você lembra? A maioria das pessoas pode dizer a radiação cósmica de fundo, também chamada de “eco do Big Bang”. Alguns também vão lembrar do “redshift”, ou desvio para o vermelho no espectro das galáxias distantes. Se você tiver sorte, vai encontrar alguém que lembre da abundância de hélio. Mas por que o hélio, ou a abundância dele, é uma evidência do Big Bang?
 
O que é o hélio?
O hélio, símbolo químico He, é um gás nobre, e uma das substâncias mais simples da natureza, já que é composto por dois elétrons, dois prótons e dois nêutrons (em uma comparação, perde em simplicidade para o hidrogênio, que é composto por apenas um próton e um elétron). A produção do hélio no núcleo de estrelas é um processo compreendido há um bom tempo: prótons são pressionados um contra o outro para formar elementos cada vez mais pesados. No caso do hélio no sol, dois prótons se unem para formar um átomo de deutério, que é um hidrogênio com um nêutron. O átomo de deutério é pressionado a outro próton e se torna o hélio-3.
 
Quando um segundo átomo de hélio-3 colide com o nosso átomo de hélio-3, dois prótons saem a passear por aí, e o restante dos dois átomos se combinam para formar um átomo de hélio-4, com dois prótons e dois nêutrons. Este é o tipo mais comum de átomo de hélio, e a sua produção nas estrelas libera muita energia. O nome deste processo é “nucleossíntese estelar”. Ele é capaz de gerar muita energia, além de fazer átomos mais pesados a partir de átomos mais leves. Na verdade, não só o hélio, mas todos os elementos da tabela periódica, até o ferro, são fabricados desta forma, mas esta é outra história.
 
A abundância de hélio
Olhando para o universo com um telescópio e um espectroscópio, dá para fazer uma estimativa de quanto hélio tem no mesmo. Foi o que os astrofísicos fizeram, e chegaram à uma conclusão perturbadora: 24% dos átomos visíveis no universo são de hélio. É muito hélio. Se tivesse tanto hélio de origem estelar, a noite deveria brilhar muito mais. Além disso, considerando a idade das estrelas, elas também não deveriam ter tanto hélio. De onde veio esse hélio, então?
 
A impressão era de que boa parte deste hélio já existia antes das estrelas surgirem. Mas como? George Gamow, o cara que previu a radiação cósmica de fundo, sugeriu que em algum momento no início do Big Bang, a pressão e temperatura do universo deveriam ser tão grandes quanto no núcleo de uma estrela, e isto deve ter causado fusão nuclear, criando hélio e deutério, além de lítio e berílio (em menor quantidade). Esta fusão nuclear é chamada de “nucleossíntese primordial” ou “nucleossíntese do Big Bang”. Durante a primeira parte do Big Bang, o universo tinha uma densidade de energia muito alta para que prótons e nêutrons se formassem.
 
 Depois que eles se formaram, foram combinados pela pressão e foi produzido o hélio. Estava explicada a origem do hélio antes da formação de estrelas. E só para te avisar: o hélio que você vê nos balões em feiras e parques de diversão não teve origem no Big Bang. Ele foi originado do decaimento radioativo do urânio. Quando o urânio decai, emite uma partícula alfa – dois prótons e dois nêutrons – que então captura um par de elétrons e se torna um átomo de hélio. Se você quiser ver o hélio que se formou no Big Bang, vai ter que usar um telescópio e um espectroscópio – que foi a forma como nós descobrimos o hélio no sol pela primeira vez.
Fonte: http://io9.com

Obtida imagem do exoplaneta mais leve encontrado até à data?

Segundo o ESO, a descoberta é uma importante contribuição ao estudo da formação e evolução dos sistemas planetários
 
O exoplaneta foi observado nas proximidades de uma estrela jovem Foto: ESO / Divulgação
 
Uma equipe de astrónomos utilizou o Very Large Telescope do ESO para obter a imagem de um objeto ténue que se desloca próximo de uma estrela brilhante. Com uma massa estimada em quatro a cinco vezes a massa de Júpiter, este pode bem ser o planeta com menos massa a ser observado fora do Sistema Solar de forma directa. A descoberta é uma contribuição importante ao estudo da formação e evolução de sistemas planetários. Embora quase um milhar de exoplanetas tenham sido até agora detectados indirectamente - a maioria dos quais pelo método dos trânsitos ou das velocidades radiais - e muitos mais candidatos aguardem confirmação, apenas para cerca de uma dúzia de exoplanetas foi possível obter imagens directamente.
 
Nove anos depois do Very Large Telescope ter capturado a primeira imagem de um exoplaneta, o companheiro planetário da anã castanha 2M1207, a mesma equipa obteve agora a imagem do que parece ser o mais leve destes objectos observado até agora. Obter imagens de planetas de forma directa requer técnicas extremamente complexas, utilizando os instrumentos mais avançados, estejam eles no solo ou no espaço,” diz Julien Rameau (Institut de Planetologie et d'Astrophysique de Grenoble, França), autor principal do artigo científico que descreve a descoberta. “Apenas alguns planetas foram até agora observados directamente, o que faz de cada descoberta destas um importante marco no caminho da compreensão dos planetas gigantes e da sua formação. 
 
Nas novas observações, o provável planeta aparece como um ponto ténue mas bem definido próximo da estrela HD 95086. Uma observação posterior mostrou também que o objecto se desloca lentamente com a estrela ao longo do céu, o que sugere que este corpo, designado por HD 95086 b, está em órbita em torno da estrela. O seu brilho indica igualmente que terá um massa de apenas quatro a cinco vezes a massa de Júpiter.

A equipe usou o NACO, o instrumento de óptica adaptativa montado num dos Telescópios Principais do Very Large Telescope do ESO (VLT). Este instrumento permite obter imagens muito nítidas, ao corrigir os efeitos de distorção na imagem devido à turbulência atmosférica. As observações foram feitas no infravermelho com uma técnica chamada imagem diferencial, que faz aumentar o contraste entre o planeta e a ofuscante estrela hospedeira. O planeta recém descoberto orbita a jovem estrela HD 95086 a uma distância de cerca de 56 vezes a distância entre a Terra e o Sol, o que corresponde a duas vezes a distância entre o Sol e Neptuno. A estrela propriamente dita tem um pouco mais massa do que o Sol e encontra-se rodeada por um disco de detritos.
 
Estas propriedades permitiram aos astrónomos identificá-la como um candidato ideal a possuir planetas jovens de grande massa em sua órbita. O sistema situa-se a cerca de 300 anos-luz de distância da Terra. A juventude da estrela, com apenas 10 a 17 milhões de anos, levou os astrónomos a pensar que este novo planeta se formou muito provavelmente, no interior do disco gasoso e poeirento que a circunda. A sua posição actual levanta questões relativas ao processo de formação. O planeta pode ter crescido ao assimilar rochas que formaram o núcleo sólido e depois acumulando lentamente gás do meio circundante de modo a formar a atmosfera densa ou então, começou a formar-se a partir de uma acumulação de matéria gasosa com origem em instabilidades gravitacionais no disco,” explica Anna-Marie Lagrange, outro membro da equipe.
 
“Interacções entre o planeta e o disco propriamente dito, ou até outros planetas, podem ter feito deslocar o planeta do local onde nasceu. Outro membro da equipa, Gaël Chauvin, conclui, “O brilho das estrelas dá a HD 95086 b uma temperatura à superfície estimada de cerca de 700 graus Celsius, o que é suficientemente frio para que vapor de água e possivelmente metano existam na atmosfera. Este será um belo objecto para estudar com o futuro instrumento SPHERE, a ser montado no VLT. Talvez possamos até revelar planetas interiores no sistema - se eles existirem.”
Fonte: ESO

Curiosity: Com As rodas em Marte

Crédito da imagem: NASA, JPL-Caltech, MSSS, Mali

Poderia a vida já ter existido em Marte? Para ajudar a encontrar essa resposta, a humanidade pousou no Planeta Vermelho o rover Curiosity em Agosto de 2012. Para se ter certeza de que o jipe robô do tamanho de um carro sobreviveu à sua viagem interplanetária, ao pouso sensacional e estava intacto, a imagem acima e outras foram feitas com o objetivo de espiar as redondezas do Curiosity. A imagem acima, é na verdade uma imagem pouco comum de três das seis rodas do rover Curiosity, cada uma medindo meio metro de diâmetro. Nos meses recentes, o Curiosity tem explorado os arredores de uma região conhecida como Baía Yellowknife. As análises dos dados feitas pelas câmeras e pelos instrumentos laboratoriais internos do rover têm fornecido novas fortes evidências de que Marte em algum momento de sua história teve as condições favoráveis para ter suportado a presença da vida. À distância na imagem acima, pode-se ver parte do talude do pico central da Cratera Gale (local de pouso do Curiosity), conhecido como Monte Sharp. Esse é o destino do Curiosity. O rover está programado para escalar o Monte Sharp e fazer, quem sabe, novas descobertas espetaculares sobre o Planeta Vermelho.
Fonte: http://apod.nasa.gov/apod/ap130603.html

O mistério da gravidade superficial da Lua

A missão Gravity Recovery and Interior Laboratory, ou GRAIL da NASA descobriu as origens das massivas porém invisíveis regiões que fazem da gravidade da Lua, um fenômeno que afeta as operações das sondas que operam na órbita da Lua. Graças às descobertas da missão GRAIL missões da NASA para outros corpos celestes poderão ser feitas de maneira mais precisa no futuro. As sondas gêmeas da missão GRAIL estudaram a estrutura interna e a composição da Lua com detalhes sem precedentes nos nove meses de missão. Elas apontaram os locais de grandes e densas regiões chamadas de concentração de massa ou mascons, que são caracterizadas por uma forte atração gravitacional .
 
Os mascons localizam-se abaixo da superfície da Lua e não podem ser observados com as câmeras ópticas normais. Os cientistas da missão GRAIL encontraram os mascons combinando os dados de gravidade da GRAIL com sofisticados modelos computacionais de grandes impactos de asteroides e do conhecimento detalhado sobre a evolução geológica das crateras de impacto. As descobertas foram publicadas na edição de 30 de Maio de 2013 da revista Science e os artigos são reproduzidos no final desse post. “Os dados da missão GRAIL confirmam que os mascons lunares foram gerados quando grandes asteroides ou cometas se chocaram com a antiga Lua, quando o interior do nosso satélite era muito mais quente do que é agora”, disse Jay Melosh, um co-pesquisador da missão GRAIL, na Universidade de Purdue em West Lafayette, Ind., e principal autor do artigo que relata as descobertas.
 
 “Nós acreditamos que os dados d missão GRAIL mostram como a crosta leve da Lua e seu manto denso se combinaram com o choque de um grande impacto para criar o distinto padrão de anomalias de densidade que nós reconhecemos como mascons”. A origem dos mascons lunares tem sido um mistério para a ciência planetária desde a sua descoberta em 1968 por uma equipe do Laboratório de Propulsão a Jato da NASA em Pasadena, na Califórnia. Os pesquisadores de maneira geral sempre concordaram que os mascons resultavam de antigos impactos ocorridos a bilhões de anos atrás. O que não era claro até agora era quanto do excesso de massa invisível resultou do preenchimento de lava das crateras ou do manto rico em ferro que soergueu a crosta.
 
Num mapa do campo de gravidade da Lua, um mascon aparece como um alvo. Os olhos de boi possuem uma anomalia de gravidade. Essas feições, por sua vez, são circundadas por um anel com deficiência de gravidade. Um anel com uma anomalia de gravidade circunda o olho de boi e o anel interno. O padrão surge como consequência natural da escavação das crateras, do colapso e do resfriamento que se seguiu depois do impacto. O aumento na densidade e a força gravitacional no olho de boi dos mascons é causada pelo material lunar derretido do calor de um impacto de asteroide ocorrido a muito tempo atrás. Sabendo sobre os mascons, significa que nós finalmente vamos começar a entender as consequências geológicas dos grandes impactos”, disse Melosh.
 
“Nosso planeta sofreu impactos similares num passado distante, e entender os mascons pode nos ensinar mais sobre como era a Terra antigamente, talvez como as placas tectônicas começaram e o que criou os primeiros depósitos de minérios. Esse novo entendimento dos mascons lunares é esperado que influencie o conhecimento que temos sobre a geologia planetária bem além da Terra e do nosso vizinho celeste mais próximo. “Mascons também já foram identificados em associação com bacias de impactos em Marte e em Mercúrio”, disse a principal pesquisadora da missão GRAIL Maria Zuber do Massachussetts Institute of Technology em Cambridge.
 
“Entendê-los na Lua pode nos contar como os grandes impactos modificaram a crosta planetária em outros objetos do Sistema Solar”.  Lançadas como GRAIL A e GRAIL B em Setembro de 2011, as sondas renomeadas como Ebb e Flow, operaram numa órbita praticamente circular perto dos polos da Lua a uma altitude média de 555 quilômetros até o final da sua missão em Dezembro de 2012.
 
A distância entre as sondas gêmeas mudava levemente à medida que elas passavam sobre áreas de maior e menor gravidade, causadas por feições visíveis como montanhas e crateras e por massas escondidas abaixo da superfície lunar. O JPL é uma divisão do Instituto de Tecnologia da Califórnia em Pasadena, que gerenciou a missaão GRAIL para o Science Mission Directorate da NASA em Washington. A missão foi parte do Discovery Program gerenciado pelo Marshall Space Flight Cneter em Huntsville, Alabama. O Goddard Space Flight Center da NASA em Greenbelt, Md., gerencia a Lunar Reconnaissance Orbiter, LRO. Operações do altímetro a laser da sonda, forneceram dados que suportaram as pesquisas lideradas pelo MIT em Cambridge. A empresa Loockheed MArtin Space Systems em Denver construiu as naves da missão GRAIL.
Fonte: http://www.jpl.nasa.gov/news/news.php?release=2013-184

Novas famílias de asteroides

Os dados obtidos através do observatório espacial WISE forneceram uma nova árvore genealógica dos objetos que povoam o Cinturão de Asteroides. A equipe de pesquidores liderada por Joseph Masiero do Laboratório de Propulsão a Jato (JPL) da NASA, analisou milhões de imagens obtidas na banda do infravermelho médio para determinar o diâmetro e o albedo de 112.286 asteroides, cerca de um terço dos mais de 600 mil objetos catalogados na região entre as órbitas de Marte e de Júpiter. Ao combinarem esses parâmetros físicos com os respectivos parâmetros orbitais, foi possível associar os 38.298 asteroides a 76 famílias diferentes, 28 das quais nunca antes identificadas.
 
As famílias de asteroides são geradas pela colisão de dois objetos de grandes dimensões. Alguns destes eventos rasgam grandes crateras, como as bacias de impacto Rheasilvia e Veneneia no hemisfério sul de Vesta, por exemplo. Outras colisões são catastróficas e despedaçam os objetos envolvidos em numerosos fragmentos, como é o caso dos membros da família Eos.
 
Os objetos forjados por estes acontecimentos tendem a viajar em trajetórias semelhantes, que se vão afastando gradualmente ao longo do tempo. Alguns pedaços acabam em órbitas instáveis que os desviam para perigosas incursões no Sistema Solar interior. Muitos destes objetos vêm mais tarde a engrossar as populações de asteroides próximos da Terra. Com este novo trabalho, os cientistas dispõem de uma nova ferramenta para traçar as rotas de migração destes fragmentos exilados, desde a sua origem no Cinturão de Asteroides.
Fonte: NASA

Grandes Penhascos no Echus Chasma em Marte

Créditos e direitos autorais : G. Neukum (FU Berlin) et al., Mars Express, DLR, ESA
 
O que criou esse grande penhasco em Marte? Será que gigantes quedas d'água uma vez escorreram através desses sulcos? Com uma queda de quatro quilômetros, esse grande penhasco que circunda o Echus Chasma, perto de uma impressionante cratera de impacto, foi esculpido por água ou lava. Uma hipótese bem aceita é que o Vale Echus, com 100 quilômetros de comprimento e 10 de extensão, já foi uma das maiores fontes de água em Marte. Se estiver certa, as águas que um dia estiveram no Echus Chasma corriam sobre a superfície marciana, esculpindo os impressionantes Vales Kasei, que se extendem por 3.000 quilômetros para o norte. Mesmo que tenha sido inicialmente esculpido por água, parece que lava fluiu posteriormente pelo vale, tornando o solo extraordinariamente plano. Echus Chasma está ao norte do tremendo Vale Marineris, o maior cânion no Sistema Solar. A imagem acima foi tirada pela espaçonave robótica Mars Express atualmente em órbita de Marte.
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